“A Tua Palavra É a Verdade”
A Bíblia, um registro condensado — por quê?
NÃO pode haver dúvida de que a Bíblia contém um registro altamente condensado de eventos históricos. A respeito do ministério terrestre de Cristo Jesus apenas, escreveu o apóstolo João: “Há, de fato, também, muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se alguma vez fossem escritas em todos os pormenores, suponho que o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos.” — João 21:25.
Por conseguinte, é óbvio que uma obra que assentasse todos os pormenores da história humana desde o início até o fim do primeiro século E. C. teria contido muito mais matéria do que a pessoa mediana poderia ler durante sua vida. Poucas pessoas teriam podido comprá-la, e, sem dúvida, tal obra não se tornaria disponível em todas as línguas principais dos habitantes da terra como a Bíblia se acha. Por isso, a fim de habilitar a todos que desejam tirar proveito pessoal de seu conteúdo, a Palavra de Deus tinha de ser um registro condensado.
O ser um relato abreviado destaca o valor do registro bíblico. Os pontos realmente importantes não são obscurecidos por muitos pormenores insignificantes. A mensagem da Bíblia é simples e direta, conforme ilustrada pelo seu próprio primeiro capítulo. Naquele capítulo, Deus é identificado como o Criador dos céus e da terra, e suas obras criativas terrestres são alistadas em ordem cronológica. Mas, não se diz nada sobre a composição do universo físico, as leis que o governam ou o processo usado por Deus para trazê-lo à existência. Todavia, o silêncio da Bíblia sobre estes assuntos não é uma falha. Em vista da dificuldade experimentada pelo homem em geral em entender questões científicas muito mais simples, na verdade, um relato pormenorizado de coisas completamente desconhecidas pela experiência humana teria estado muito além do seu alcance.
Por outro lado, as informações simples e diretas de Gênesis, capítulo 1, fornecem suficiente razão para se fazer a vontade de Deus. Devem mover-nos a uma expressão sincera, como a das vinte e quatro pessoas anciãs vistas pelo apóstolo João em visão: “Digno és, Jeová, sim, nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas e porque elas existiram e foram criadas por tua vontade.” — Rev. 4:11.
Ao mesmo tempo, a falta de descrições extensivas na Bíblia a respeito das obras criativas não pode ser interpretada corretamente como significando que Jeová Deus deseja que o homem permaneça ignorante. Caso este tivesse sido seu propósito, não teria dotado o homem com a habilidade de pensar e raciocinar. Que o Criador desejava que o homem usasse a mente é indicado por dar ao primeiro homem, Adão, o privilégio de dar nome a todos os animais. (Gên. 2:19, 20) Isto também mostra que não era necessário que o Deus Onipotente suprisse informações que o homem pudesse descobrir por si mesmo por usar as faculdades dadas por Deus.
O homem, contudo, não pode adquirir o mais importante conhecimento por meio de pesquisa das fontes seculares e pela observação física. Não importa quão extensivamente possa estudar o universo material, não chegaria a conhecer o Deus invisível. Permaneceria ignorante sobre os atributos do Criador, seu nome e seus propósitos, e Sua vontade para os que desejam obter o Seu favor. É nisso que entra a Palavra de Deus, a Bíblia. Serve primariamente para tornar disponível esta informação importante. Por conseguinte, ao passo que não é de jeito nenhum exaustivo, o registro bíblico fornece tudo de que o homem precisa para obter de Deus a aprovação e a vida. Por esta razão, o apóstolo João podia escrever: “De certo Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo. Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por creres, tenhais vida por meio do seu nome.” — João 20:30, 31.
Visto que muito mais poderia ser dito sobre Cristo Jesus, alguns talvez fiquem pensando por que os outros escritores dos Evangelhos, Mateus, Marcos e Lucas, amiúde relataram os mesmos eventos. A razão disto se torna patente quando consideramos que os relatos dos Evangelhos fornecem a base para se exercer fé em Jesus Cristo como o Filho de Deus. Tal fé é essencial para se ganhar a vida eterna. (João 3:16) E a rejeição ou aceitação do testemunho sobre Jesus Cristo é realmente uma questão de vida ou morte. Em harmonia com o princípio de que assuntos sérios sejam estabelecidos pela boca de duas ou três testemunhas, Jeová Deus bondosamente se certificou de que quatro homens diferentes registrassem os eventos do ministério terrestre de Jesus. (Deu. 19:15; Mat. 18:16) Assim, o testemunho de quatro testemunhas pode fornecer a base para a fé em Cristo Jesus.
Havendo quatro testemunhas, deveríamos esperar encontrar variações nos relatos e também pormenores suplementares que nos podem ajudar a ter uma visão mais completa dos eventos. Em si mesmas, tais variações fornecem mais base para a fé, visto que demonstram que não houve conluio entre os escritores da Bíblia.
O fato de que a Bíblia não fornece todos os pormenores cumpre ainda outro propósito. “Elimina” os que não se interessam sinceramente em fazer a vontade de Deus. Isto é ilustrado pelo que aconteceu no primeiro século E. C. Em certa ocasião, Jesus disse a seus ouvintes: “Digo-vos em toda a verdade: A menos que comais a carne do Filho do homem e bebais o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.” (João 6:53) Naquele tempo, não explicou como outros poderiam comer sua carne e beber seu sangue. Esse pormenor que faltava fez que muitos deixassem de se associar com ele. Perderam completamente de vista todas as outras coisas maravilhosas que Jesus dissera e fizera. (João 6:60-66) Deixarem de procurar uma explicação indica que não tinham verdadeira apreciação por Jesus ou por sua mensagem, e assim, mereciam ser “eliminados”.
A mesma coisa pode acontecer com as pessoas hoje. Talvez leiam determinada passagem da Bíblia, e, visto que nem todos os pormenores se acham lá, começam a questionar se Deus foi realmente justo ao executar seu juízo em certo caso. Esquecem-se de que não estavam presentes na cena, e, ignorando o testemunho abundante que se encontra em todas as demais partes da Bíblia a respeito da justiça de Deus, talvez tropeçam nesse ponto. Mas, quão melhor seria que tais pessoas considerassem o testemunho da Bíblia como um todo. Por exemplo, Deus se dispunha a preservar as cidades notoriamente iníquas de Sodoma e Gomorra em troca de dez pessoas justas. E, quando nem sequer tantas puderam ser achadas, certificou-se de que o justo Ló e suas filhas fossem libertos. (Gên. 18:22-32; 19:15, 16) À luz disto, poderia alguém de direito questionar a justiça de Deus, quando os plenos pormenores não são fornecidos? Por certo, o que Deus fez neste caso, respondeu satisfatoriamente à pergunta de Abraão: “Não fará o Juiz de toda a terra o que é direito?
Por conseguinte, jamais nos achemos entre os que tropeçam por causa de a Bíblia conter apenas um registro condensado. Antes, achemo-nos sempre entre os que apreciam que a Bíblia nos fornece as informações vitais de que precisamos para obter de Deus a aprovação e a vida.