O rock — música boa ou prejudicial?
O PRIMEIRO mês de 1985 foi para o Brasil um mês de grande movimentação: A eleição de seu primeiro presidente civil depois de 21 anos, a introdução dum novo Código Penal, a inauguração do moderno Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (Cumbica), e, naturalmente, a realização do amplamente anunciado festival Rock in Rio. Tudo isso, de uma forma ou de outra, influi na vida de milhões de pessoas.
Noticiou-se que a afluência do público ao festival Rock in Rio, de dez dias, foi em torno de um milhão e trezentas mil pessoas, indicando que o rock está exigindo reconhecimento e marcando presença. Torna-se cada vez mais popular. Não só os jovens, mas também os não tão jovens estão começando a desenvolver gosto por ele. Quais são seus efeitos? Bons ou prejudiciais? É satânico? De acordo com cartas enviadas a editores de jornais e revistas, não são poucas as pessoas que o atribuem a “Beelzebul, príncipe dos demônios”. (Mateus 12:24, Soares) Estão corretas ao fazer isso?
Admitidamente, temas e títulos satânicos são comuns a esse tipo de música, e, desde o seu início na década de 50, tem havido críticas virulentas procedentes de diversas partes quanto ao seu caráter satânico. Um exemplo disso foi a música “Lúcifer” lançada em 1965 pelo cantor brasileiro Sérgio Murilo. Isso resultou em fortes protestos e em publicidade adversa, uma vez que o nome Lúcifer, na literatura religiosa, há muito tem sido associado com Satanás.
Com a realização do festival Rock in Rio, o assunto agitou novamente a opinião pública, e isto numa época da história humana em que a crença na existência dum Diabo real e suas hostes demoníacas é tomada a sério por pessoas que antes davam pouca atenção a isso. Interessante também é que em novembro último a Igreja Católica Romana, através do prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger, reafirmou categoricamente que o Diabo existe.
No festival Rock in Rio, a música “Hell’s Bells” (Sinos do Inferno) foi apresentada pelo grupo australiano AC/DC. “Highway to Hell” (Auto-estrada para o Inferno) também faz parte do seu repertório. Nina Hagen, freqüentemente descrita na imprensa como “a endiabrada cantora alemã”, ao ser entrevistada por Norma Couri, do jornal Folha de S.Paulo e indagada quanto ao seu poder sobrenatural de despertar sensualidade no público, respondeu que isso vinha de Deus. À pergunta: “Essa força não pode vir, igualmente, do Diabo?”, ela respondeu: “Não, a força maior é de Deus. Depois, Deus perdeu para o Diabo quando morreu na cruz, mas agora o Diabo trabalha para ele, num planeta muito escuro sobrevoado apenas pelos discos voadores. Lá todos que torturaram ou maltrataram têm sua punição, para se purificar.” Laura Reid, redatora do jornal Latin America Daily Post, tinha o seguinte a dizer sobre ela: “Muitas vozes parecem forçar seu caminho para fora dela, como demônios dentro dum corpo possesso.”
Outro participante do festival foi Ozzy Osbourne, famoso por seus ritos satânicos. Uma de suas bem conhecidas músicas tem por título “Speak of the Devil” (Fale do Diabo). “The Number of the Beast” (O Número da Besta) pertence ao grupo Iron Maiden. Outros títulos de músicas rock são “Sympathy for the Devil” (Simpatia Pelo Diabo) e “Children of the Grave” (Filhos do Túmulo). Entretanto, o que é especialmente perturbador para as pessoas que temem a Deus não são os títulos esquisitos ou a aparência misteriosa das capas de álbuns de discos, mas, antes, é a linguagem sutil e sugestiva das próprias canções. Os que se dão ao trabalho de analisar as letras ficam muitas vezes horrorizados com as palavras. O tema básico de muitas delas é sexo, tóxicos, violência, ocultismo e rebelião.
Além disso, existe a técnica chamada backward masking (gravações invertidas), utilizada por diversos grupos musicais. Certa reportagem especial da edição de 12 de agosto de 1984 do jornal Mais Cruzeiro (Sorocaba, SP) chamou atenção para esse fenômeno. O artigo declara que, por girar certos discos ao contrário, podem-se ouvir mensagens demoníacas, mensagens tais como: “Canto porque vivo com Satanás”, “Não há saída”, e “Aqui está meu doce Satanás”. Outra publicação, Novidades em Brasília, N.º 62, julho de 1984, afirma que alguns dos discos gravados pelo grupo Queen contêm frases ocultas e camufladas tais como “Comece a fumar maconha” e “Eu amo a música de Lúcifer”. Portanto, pode-se muito bem fazer a pergunta: O Rock — Música Boa ou Prejudicial? É ele satânico? Devido à sua crescente popularidade e ao efeito que causa ao coração e à mente de jovens e adultos, é sábio considerar o que o livro do próprio Deus, a Bíblia, tem a dizer sobre Satanás, o Diabo, e suas táticas, pois, como declarou corretamente o cardeal Ratzinger, “Satanás é real”.
Temos na Bíblia uma história cabal dos desígnios, das manobras e da estratégia dele. Ele é mestre em enganar, sendo extremamente astucioso e arguto. Até mesmo “persiste em transformar-se em anjo de luz”. E, conforme disse o poeta Baudelaire: “O ardil mais engenhoso do Diabo é fazer os homens acreditarem que ele não existe.” Seus métodos podem ser comparados aos de um pescador que usa iscas para apanhar peixes. Naturalmente, quando o peixe morde a isca, não se dá conta de que há um anzol por trás dela. Quão cuidadosos precisamos ser! Que os cristãos nunca se esqueçam de que “o mundo inteiro jaz no poder do iníquo”. Satanás e seus demônios têm cegado a mente da maioria nesse respeito, motivo pelo qual o apóstolo Pedro exorta: “Mantende os vossos sentidos, sede vigilantes. Vosso adversário, o Diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando a quem devorar.” — 2 Coríntios 2:11; 4:4; 11:14; 1 Pedro 5:8; 1 João 5:19.
Acatemos a admoestação divina de ‘mantermos os nossos sentidos e sermos vigilantes’, ao passo que observamos o efeito que o rock pode ter sobre nós, tomando a peito as palavras de Paulo em Filipenses 4:8: “Por fim, irmãos, todas as coisas que são verdadeiras, todas as que são de séria preocupação, todas as que são justas, todas as que são castas, todas as que são amáveis, todas as coisas de que se fala bem, toda virtude que há e toda coisa louvável que há, continuai a considerar tais coisas.”
Muito em breve, na Nova Ordem justa de Deus, quando Satanás e suas hostes demoníacas não mais existirem, toda a música será usada para prestar glorioso louvor a Jeová, Aquele que nos deu essa preciosa dádiva. (Salmo 66:2) Canções que O exaltam estarão na garganta de toda a coisa que respira. (Salmo 149:6; 150:6) O efeito será benéfico e edificante, pois, conforme disse corretamente o salmista: “É bom entoar melodias ao nosso Deus; porque é agradável — louvor é apropriado.” — Salmo 147:1.