Perguntas dos Leitores
● Atos 14:14 fala dos “apostolos, Barnabé e Paulo”. Por que foi Barnabé chamado de apóstolo, quando não era um dos doze apóstolos? — H. B., Zona do Canal do Panamá.
“Apóstolo” significa enviado ou alguém mandado. Atos 14:14 fala de Barnabé como apóstolo porque ele se achava numa viagem missionária com Paulo e ele fora enviado pela congregação cristã de Antioquia, sob as instruções do espírito santo. (Atos 13:1-4) Em 2 Coríntios 8:23 (NM), Paulo fala de “nossos irmãos” e diz que são “apóstolos de congregações”, o que significa, segundo a nota marginal, que eram “enviados; emissários”. Foram enviados pelas congregações para representá-las, às custas delas. Em Filipenses 2:25 (NM), Paulo fala de Epafrodito como enviado deles, ou, segundo a nota marginal, seu apóstolo. Até mesmo Cristo Jesus é chamado de apóstolo de Deus por ter sido enviado por Deus numa missão terrestre. — Heb. 3:1.
Este entendimento esclarece o que alguns pensavam ser uma discrepância entre Atos 9:26, 27 e Gálatas 1:17-19. Em Atos declara-se que, quando Paulo chegou a Jerusalém e procurou associar-se com os discípulos, estes tinham medo dele, não estando positivamente seguros da sua conversão; “mas Barnabé, tomando-o comsigo, levou-o aos apostolos”, explicando-lhes os pormenores da conversão de Paulo e o seu posterior comportamento cristão em Damasco. Em Gálatas, quando Paulo fala de ir a Jerusalém, três anos depois da sua volta a Damasco duma viagem à Arábia, ele diz: “Subi a Jerusalem para visitar a Cephas, e com elle me demorei quinze dias; mas dos apostolos não vi a nenhum, senão a Tiago, irmão do Senhor.” O único dos doze apóstolos que Paulo viu nesta viagem a Jerusalém foi Cefas, ou Pedro. No entanto, isto não está contradizendo o fato de que nesta ocasião Barnabé “levou-o aos apostolos”. Não diz que Barnabé o levou aos doze apóstolos, nem à comissão de doze. Pedro foi o único dos doze a quem Paulo encontrou. Quaisquer outros apóstolos que ele tenha encontrado ali eram apenas enviados ou emissários. Neste sentido, Tiago, o irmão do Senhor, podia ser chamado de apóstolo, conforme Paulo parece chamá-lo.
● Alguns religiosos afirmam que o vinho no cálice do Memorial era suco de uva não fermentado. Como podemos provar que Cristo usou vinho verdadeiro nesta ocasião? — A. L., Arkansas.
Os que aderem ao Movimento de Abstinência ou de Proibição insistem em que as palavras de Jesus a respeito do “fructo da videira” referiam-se a suco de uva e não a verdadeiro suco fermentado ou vinho. Mas, lembramo-nos de que a vindima se dá em fins do verão do ano, ao passo que a páscoa só se deu na primavera seguinte, seis meses depois, e os judeus não tinham em geral os meios para preservar suco de uva por tanto tempo, impedindo a fermentação. Jesus usou o ‘fruto da videira’ que se achava disponível na época da páscoa, e que era realmente vinho. A história mostra que os judeus usavam realmente vinho nesta ocasião, e os judeus seguem até hoje a sua tradição, desde aquele tempo, usando suco de uva fermentado, ou verdadeiro vinho, com certo teor alcoólico.
Informação adicional pode ser obtida de A Sentinela de 1.° de março de 1948, do artigo “Quando e Como Celebrar o Memorial”, cuja nota marginal na página 39 diz: “O vinho usado por nosso Senhor, para representar seu sangue, foi, sem dúvida, feito (como os hebreus ‘ortodoxos’ ainda fazem seu vinho pascoal) sem se acrescentar fermento ou levedura ao suco de uva para apressar a fermentação. Mas, não obstante, foi vinho fermentado; os elementos de fermentação inerentes ao suco de uva, conduziram por processo vagaroso à fermentação e clarificação, e assim resultou ‘vinho’. . . . é assim aparente que o vinho usado por nosso Senhor na Ceia foi vinho puro (e não simples suco de uva, que não se conservaria do outono até a primavera sem fermentação), e da mesma espécie mencionada noutra parte na Escritura, um excesso do qual embriagaria (Efé. 5:18; João 2:10; Luc. 5:39), . . . não pretendendo que nosso Senhor e os apóstolos usaram suco de passas ou suco de uva, mas verdadeiro vinho.”
● O livro “Novos Céus e Uma Nova Terra” diz que Satanás ofereceu fazer Jesus governante da sétima potência mundial. Não devia isso rezar sexta potência mundial em vez de sétima? — A. W., Estados Unidos.
A declaração em questão aparece no meio da página 111, como segue: “Oferecendo fazer de Jesus Cristo o dominador da sétima potência mundial, se ele apenas abandonasse a adoração de Jeová e praticasse um ato de adoração para com o Dragão, Satanás, o Diabo, mostrou a Jesus todos os reinos da terra habitada e lhe disse, no monte da tentação: ‘Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue e a dou a quem eu quiser.’ Dessemelhante da besta, Jesus recusou. — Luc. 4:5-7, ARA.”
A declaração é correta assim como é, falando-se da sétima e não da sexta. O caso não era de Satanás dar a Jesus a sexta potência mundial, que então existia, império que Jesus assim perpetuaria. Não se tratava da continuação do Império Romano, a sexta potência mundial, com a diferença de que Jesus estaria no domínio dela; a oferta satânica era que o domínio seria tirado da sexta potência mundial e dado a Jesus, e que Jesus estabeleceria então o seu próprio sistema de governo sobre os reinos adquiridos da terra. Este novo poder governante debaixo de Cristo seria a nova potência da terra, substituindo a sexta potência mundial, e assim se tornaria a sétima potência mundial da história. Mas, Jesus rejeitou a oferta e não substituiu a sexta potência mundial de Roma por um governo seu, que seria o sétimo em número. Séculos depois surgiu uma sétima potência mundial que tomou a posição anteriormente ocupada por Roma, o Império Anglo-americano; mas não é a esta sétima potência que se refere a citação acima mencionada de “Novos Céus e Uma Nova Terra”.