Perguntas dos Leitores
● Na Tabela Cronológica das Potências Mundiais, na pagina 365 do livro ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ (2 de agosto de 1958, em inglês) alista-se os reis do Império Medo-Persa (539-331 A.C.) como sendo Dario, o Medo; Ciro, o Grande (persa); Cambises; [o mago usurpador Gaumata, pretendendo ser Esmérdis, 522/1 A.C.]; Dario I (persa) (Histaspes), 521-485 A.C.; Xerxes I (Assuero); Artaxerxes I (Longímano); Xerxes II; Dario II (Oco, Noto); Artaxerxes II (Mnêmon); Artaxerxes III (Oco); etc., etc.
O acima não concorda com o que se acha declarado nos capítulos sôbre Esdras, Neemias e Ester, no livro “Equipado Para Tôda Boa Obra”, e no capítulo 14, sobre “Alguns Fiéis Voltam Para Reconstruir o Templo”, do livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado (em inglês). Como pode ser explicada esta aparente discrepância?
Não há realmente discrepância entre os livros “Equipado Para Tôda Boa Obra“ e Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado por um lado, e o livro posterior ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’, pelo outro. Durante o reinado de Dario, o Persa, não o Medo, reconstruiu-se o templo de Jeová em Jerusalém. O livro “Equipado”, mais antigo, chama-o de Dario II, porque reconhece Dario, o Medo, como caráter bíblico histórico e por isso conta êste Dario medo como sendo o primeiro governante chamado Dario no Império Medo-Persa.
No entanto, o livro posterior intitulado ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ [publicado em português em série na Sentinela] alista o primeiro Dario persa (Histaspes) como Dario I, porque a Tabela Cronológica das Potências Mundiais, no Apêndice do livro, segue as histórias seculares deste mundo, que não podem explicar Dario, o Medo, e que portanto alistam o Dario persa, Histaspes, como Dario I. Quando se fala do império puramente persa, ou do império em que a Pérsia tinha o predomínio, Dario, o Medo, não apareceria na série de reis, visto que não era persa, porém apenas o tio medo do persa Ciro, o Grande. Uma vez que publica a Tabela Cronológica no Apêndice, o livro ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ harmoniza os comentários sôbre as potências mundiais e seus governantes no texto principal do livro com a Tabela Cronológica no seu Apêndice. Por isso difere do livro “Equipado” na menção de Dario Histaspes durante cujo reinado se autorizou e se completou a edificação do segundo templo de Jeová em Jerusalém, chamando-o de Rei Dario I do Império Persa.
Agora, quanto aos reis persas chamados Artaxerxes. Os dois livros anteriores, “Equipado” e Paraíso, falam do rei persa durante cujo reinado tanto Esdras como Neemias vieram a Jerusalém como sendo Artaxerxes III, e não Artaxerxes I, do seguinte ponto de vista.
Conforme já foi mencionado no número de 15 de março de 1954, página 191, da edição inglesa de A Sentinela, a tradução da Versão dos Setenta do livro hebraico de Esdras dá ao governante persa que fêz parar a construção do templo de Jeová em Jerusalém o nome Arthasasthá, mas as traduções portuguesas chamam-no de Artaxerxes. (Esd. 4:7-23) Parece que Artaxerxes era realmente o mago Gaumata, que pretendia ser Esmérdis e que subiu ao trono por impostura e usurpação, reinando por cerca de oito meses. Seguindo-se a tradução grega do texto hebraico, êste seria o primeiro Artaxerxes, ou Artaxerxes I.
Depois dêste usurpador veio Dario I, o Persa (Histaspes), e depois Xerxes I. Parece que este Xerxes I casou-se com a judia Ester, mas o livro hebreu de Ester chama-o de Assuero. No entanto, a tradução grega dos Setenta chama-o de Artaxerxes. (Ester 1:1 a 2:23, NM margem) De modo que do ângulo grego este Xerxes, o Grande, era o segundo Artaxerxes, ou Artaxerxes II.
Depois dele veio um governante chamado Longímano. A Bíblia hebraica fala dele como sendo Arthasasthá (o mesmo nome que o do governante em Esdras 4:7). Durante o reinado deste Longímano, ou Arthasasthá, o sacerdote judaico Esdras e o governador judaico Neemias, por duas razões diferentes, receberam permissão de ir a Jerusalém. (Esd. 7:1-18; Nee. 2:1-18; 13:6) Todavia, a Versão dos Setenta grega fala deste Longímano como sendo Arthasasthá, e as versões portuguesas falam dele como sendo Artaxerxes. Portanto, considerado deste ponto de vista, Longímano seria Artaxerxes III.
A respeito deste rei persa diz a Cyclopedia de McClintock & Strong, Tomo I, página 440, coluna 1: “Êle é o mesmo que o terceiro Artaxerxes, o rei persa que, no vigésimo ano do seu reinado, mostrou consideração em permitir que Neemias fosse a Jerusalém para promover objetivos puramente nacionais, investindo-o do governo do seu próprio povo, permitindo-lhe que permanecesse ali doze anos . . . Concorda-se quase que unanimemente que o rei a que se quer referir é Artaxerxes Longímano . . ”
Mas o livro posterior, ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’, ao publicar a Tabela Cronológica, apresenta os governantes das potências mundiais começando com os governantes do Império Babilônico e passando através dos do Império Romano Oriental; e este livro faz isso de acordo com a lista destes governantes fornecida nas histórias seculares do mundo. Não seguem a lista dos Artaxerxes apresentada nas Escrituras Sagradas segundo o texto hebraico e a versão grega. Elas alistam o Artaxerxes durante cujo reinado Neemias reconstruiu os muros de Jerusalém como Artaxerxes I, e o segundo governante depois dele como Dario II.
Portanto, ao publicar a lista dos governantes mundiais segundo a história secular na Tabela Cronológica, o livro ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ [e A Sentinela nesta série de artigos] precisa referir-se coerentemente aos diversos governantes mundiais de acordo com esta tabela. Por esta razão chama Artaxerxes Longímano de Artaxerxes I, e não de Artaxerxes III, conforme fazem os livros anteriores “Equipado” e Paraíso. Visto que o livro ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ alista Artaxerxes Longímano como Artaxerxes I, alista coerentemente o posterior Artaxerxes Mnêmom como sendo o de número II, e o seu sucessor, Artaxerxes Oco, como sendo o de número III.
Assim, ao se lerem os livros acima mencionados, publicados pela Sociedade Tôrre de Vigia, precisa-se considerar o conteúdo de cada um deles segundo o fundo com que foi escrito. Então, o que numa comparação superficial pode parecer discrepância, realmente não o será. A identidade dos reis em consideração é a mesma segundo as datas, características e atividades, embora varie a numeração deles nas dinastias segundo a ordem seguida por cada um dos livros ao alistá-los.