“O homem deixará”
“CERTO DIA nosso filho chegou em casa”, lembra-se Antônio, “e dava para adivinhar que algo lhe passava pela mente. Sentou-se comigo e com minha esposa, e disse: ‘Pois bem, gente. Encontrei a moça com quem vou me casar.’”
Deus previu cenas assim, ao dizer: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne.” (Gênesis 2:24) Compreenda, portanto, que a partida de seus filhos é algo inevitável.
Isso, naturalmente, não significa que seus filhos devam sair de casa prematuramente. Mas, como disse o salmista: “Como flechas na mão dum poderoso, assim são os filhos da mocidade.” Mais cedo ou mais tarde a flecha deixa a aljava e é lançada na vida. — Salmo 127:4.
Como uma flecha atirada, seu filho ou sua filha adulto(a) é basicamente removido (a) de sua jurisdição, depois que ele(a) parte. Casado, ele torna-se cabeça de sua própria família. Sua filha passa a estar sob a autoridade de seu marido. — Efésios 5:21-28, 33.
A Bíblia mostra, porém, que pode ser difícil vocês se acostumarem a essa nova independência. A mãe de Jesus, por exemplo, aparentemente achava que retinha alguma autoridade sobre ele — mesmo depois que ele crescera e fora ungido qual Messias! Numa festa de casamento, Maria disse a Jesus: “Eles não têm vinho.” (Sugerindo: ‘Faça algo a respeito.’) Mas, com palavras firmes, porém bondosas, Jesus lembrou-lhe a sua independência — e realizou seu primeiro milagre. — João 2:2-11.
O patriarca Jacó também teve dificuldade em deixar seu filho partir. Sua esposa amada, Raquel, morrera de parto ao dar à luz o filho que ele chamou de Benjamim. Pode imaginar o apego emocional que deve ter tido por esse filho! Assim, quando se lhe pediu que permitisse Benjamim viajar ao Egito, Jacó objetou: ‘Poderá sobrevir-lhe um acidente fatal’, e o manteve em casa. — Gênesis 35:16-18; 42:4.
Mas, embora seja normal querer se apegar, o proceder sábio é aceitar o estado adulto e a independência deles.
“Veja o Mal que Você Me Faz”
‘Mas, precisam eles ir tão longe?’, objetam alguns pais. ‘Por que não podem ser independentes e ainda assim morar perto de nós?’
Quando tal mudança ocorre, pode doer. Por exemplo, a Bíblia mostra que se pediu a Rebeca que viajasse uma longa distância para se casar. Sua mãe e seu irmão pediram: “Deixa a moça [Rebeca] ficar conosco pelo menos dez dias. Depois ela pode ir.” Quão difícil era deixá-la partir! Rebeca, porém, disse: “Estou disposta a ir”, embora isso talvez significasse nunca mais rever sua família. — Gênesis 24:55, 58.
Seu filho ou sua filha crescidos talvez tenham também uma necessidade legítima de se mudarem para longe, como no caso de uma perspectiva de emprego. Resistência indevida pode ser destrutiva. Para ilustrar, certa jovem esposa se lembra: “Quando nos casamos, queríamos ficar bastante tempo juntos. Mas mamãe não entendia isso. Em vez de nos dar um pouco de liberdade e permitir que nos achegássemos a ela, passou a nos importunar.” A situação piorou ainda mais quando esse casal decidiu mudar-se. Isso levou à plena hostilidade entre mãe e filha. “Onde é que diz que a obrigação de honrar seu pai e sua mãe foi anulada quando você se uniu a seu marido? Em que falhei em ser boa mãe para você?”, dizia a mãe, iradamente. O resultado dessa batalha? Além de provocar séria tensão marital para o jovem casal, abriu-se uma brecha entre mãe e filha. Durante meses não se falaram! E eram antes muito unidas.
O livro No Strings Attached (Sem Compromissos) diz: “Se você reagir à saída de seus filhos por apelar à chantagem emocional (Veja o mal que você me faz, veja o mal que você causa a seu pai ou a sua mãe, como pode fazer isso com a gente), provavelmente afastará seu filho ainda mais.” — O grifo é nosso.
O pai do filho pródigo, na parábola de Jesus, compreendia isso. Quando seu filho adulto exigiu independência, o pai não o repreendeu, ou o bombardeou com ameaças de fracasso. Em vez disso, bondosamente deixou seu filho partir. Essa atitude compreensiva provavelmente foi um fator importante para que o filho finalmente voltasse ao lar. Conseqüentemente, permitir que seu filho ou sua filha adulto(a) ‘flexione os músculos’ da independência pode ser a chave para reter a amizade com ele ou com ela. — Lucas 15:11-24; veja também Filipenses 2:4.
“Que É que Ele Viu Nela?”
“A gente quer realmente o melhor para os filhos, e quando se vê que casaram bem, a gente fica contente”, diz Norma. Seu esposo, Antônio, acrescenta: “Vou ser bem franco. Depois de todo tempo gasto para criar a nossa filha, não ia entregá-la à primeira pessoa que aparecesse.” Contudo, na escolha do cônjuge, os filhos às vezes desapontam amargamente seus pais. Como pode você reagir? — Veja Gênesis 26:34, 35.
Não seria melhor fazer todo esforço possível para aceitar esse novo membro de sua família? Alguns estudos indicam que a aprovação dos pais pode ser um fator-chave na sobrevivência do matrimônio.a É verdade que a escolha que seu filho ou sua filha faz de um cônjuge talvez o surpreenda, ou até mesmo o desaponte. Contudo, o casamento é honroso à vista de Deus. — Hebreus 13:4.
Em vez de ‘coar mosquitos’ e ficar obsedado pelas falhas do genro ou da nora, tente ser objetivo. Veja-o(a) através dos olhos de sua filha ou de seu filho. Essa pessoa certamente tem o seu lado bom! E lembre-se, seu próprio filho ou sua própria filha está longe de ser perfeito(a). Certo genitor que não gostou da moça que seu filho escolheu para se casar, admitiu: “Um pouco de humildade ajuda. Lembrei-me um dia que meus pais realmente não aprovavam meu casamento e quão enganados estavam.”
O desagrado dum genitor para com o cônjuge do(a) filho(a) talvez se prenda mais ao ciúme — medo de perder a afeição do(a) filho(a) — do que à realidade. O ciúme, porém, pode destruir um bom relacionamento. (Provérbios 14:30) Assim, evite alienar esse novo filho ou essa nova filha. Familiarize-se com ele ou com ela. Evite atacar com críticas injustas, criar casos ou um clima de guerra desnecessário. Seja tolerante e, “no que depender de vós, sede pacíficos”. — Romanos 12:18.
[Nota(s) de rodapé]
a Certa fonte diz que ‘duas vezes mais romances terminam cedo no casamento quando tanto a mãe como o pai se opõem à escolha do que quando a aprovam’.
[Destaque na página 4]
Mas, significa a partida de seu filho ou de sua filha que você não é mais genitor?
[Foto na página 5]
‘Queríamos ficar bastante tempo juntos. Mas, em vez de nos dar um pouco de liberdade, mamãe passou a nos importunar.’
[Foto na página 6]
Nem sempre os pais aprovam a escolha do cônjuge feita por seu filho ou por sua filha.