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  • Esperança — influência real ou mera ilusão?
    Despertai! — 2004 | 22 de abril
    • Esperança — influência real ou mera ilusão?

      DANIEL tinha apenas 10 anos, mas já lutava contra o câncer havia um ano. Seus médicos tinham perdido a esperança, assim como outras pessoas próximas ao menino. Mas Daniel se agarrava à sua esperança. Ele queria crescer e se tornar pesquisador, para um dia ajudar a encontrar a cura do câncer. E estava muito confiante, na expectativa da visita de um médico especializado no tratamento do seu tipo específico de câncer. Mas quando o dia chegou, o médico foi obrigado a cancelar a visita devido ao mau tempo. Daniel se entregou ao desânimo. Pela primeira vez, perdeu a alegria de viver. Morreu poucos dias depois.

      O caso de Daniel foi contado por um profissional de saúde que estudou como a esperança e a desesperança afetam a saúde. Você talvez já tenha ouvido histórias parecidas. Uma pessoa idosa, por exemplo, se encontra à beira da morte, mas está ansiosa pela expectativa de um evento importante esperado há muito tempo — quer seja a visita de uma pessoa amada quer a simples celebração de uma data especial. Quando o dia do evento tão esperado chega e passa, a morte vem logo em seguida. Que influência está envolvida em casos como esses? A esperança pode realmente ser uma força tão poderosa como alguns acreditam?

      Cada vez mais pesquisadores médicos sugerem que o otimismo, a esperança e outras emoções positivas realmente exercem um efeito considerável na vida e na saúde da pessoa. Mas tal ponto de vista de modo algum é unânime. Alguns pesquisadores descartam essas afirmações, considerando-as apenas mitos anticientíficos. Eles preferem acreditar que as doenças físicas ocorrem estritamente devido a causas físicas.

      É claro que o ceticismo a respeito da importância da esperança não é algo novo. Há mais de dois mil anos, pediu-se ao filósofo grego Aristóteles que definisse a esperança, e ele respondeu: “É o sonho do homem acordado.” E mais recentemente, o estadista norte-americano Benjamin Franklin satirizou: “Quem vive de esperança morre em jejum.”

      Qual é, então, a verdade sobre a esperança? Será que não passa de tentar fechar os olhos à realidade e procurar consolo vivendo num mundo de ilusão? Ou há razão válida para encarar a esperança como algo mais — algo de que precisamos para ter saúde e felicidade, que tenha fundamento e resulte em benefícios reais?

  • Por que precisamos ter esperança?
    Despertai! — 2004 | 22 de abril
    • Por que precisamos ter esperança?

      O QUE teria acontecido com Daniel, o menino que sofria de câncer mencionado no início do artigo anterior, se ele não tivesse perdido a esperança? Teria vencido sua luta contra a doença? Estaria vivo hoje? É provável que nem mesmo os mais entusiásticos defensores da idéia de que a esperança faz bem à saúde iriam tão longe a ponto de fazer tais afirmações. E podemos encontrar nisso uma lição importante. Não devemos superestimar a esperança. Ela não é uma panacéia, ou solução de todos os males.

      Numa entrevista para a rede de TV CBS News, o Dr. Nathan Cherney chamou atenção ao perigo de se superestimar a força da esperança ao tratar de pacientes com doenças graves: “Já houve situações em que o marido repreendeu duramente a esposa, dizendo que ela não meditou o suficiente, que não foi otimista o suficiente.” Ele acrescentou: “Toda essa doutrina criou a ilusão de que é possível controlar o crescimento de tumores. Por isso, quando a doença evolui, chega-se à conclusão de que a pessoa não soube controlar o tumor como deveria, e isso não é justo.”

      Na verdade, os que sofrem de uma doença terminal travam uma batalha exaustiva, desgastante. Acrescentar o peso da culpa ao fardo enorme que eles já carregam é sem dúvida a última coisa que aqueles que os amam desejariam fazer. Devemos concluir, então, que a esperança não tem nenhum valor?

      De jeito nenhum! O próprio Dr. Cherney é especialista em cuidados paliativos — tratamento que prioriza, não o combate direto à doença ou o prolongamento da vida do paciente, mas o seu bem-estar e o alívio do seu sofrimento enquanto a luta persiste. Os médicos especialistas nessa área acreditam firmemente no valor dos tratamentos que proporcionam aos pacientes um estado mental mais feliz, mesmo aos gravemente doentes. Há evidência considerável de que a esperança pode fazer isso — e muito mais.

      O valor da esperança

      “A esperança é uma terapia que funciona”, garante o jornalista e médico Dr. W. Gifford-Jones. Ele examinou os resultados de vários estudos realizados para se determinar o valor do apoio emocional prestado a doentes terminais. Presume-se que esse apoio ajude as pessoas a manter um ponto de vista mais esperançoso e otimista. Um estudo realizado em 1989 revelou que pacientes que receberam tal apoio viveram por mais tempo, embora pesquisas recentes tenham sido menos conclusivas nesse campo. Seja qual for o caso, estudos têm confirmado que os pacientes que recebem apoio emocional têm menos depressão e menos dor do que os que não o recebem.

      Considere outro estudo que examinou a influência do otimismo e do pessimismo na ocorrência de doenças coronarianas (DC). Um grupo de mais de 1.300 homens foi avaliado meticulosamente para se determinar se tinham um ponto de vista otimista ou pessimista a respeito da vida. Um estudo de acompanhamento, dez anos depois, revelou que mais de 12% dos membros do grupo tiveram algum caso de DC. Dentre estes, o número de pessimistas foi aproximadamente o dobro do de otimistas. Laura Kubzansky, professora-adjunta de saúde e comportamento social na Escola de Saúde Pública de Harvard, comenta: “A maior parte das evidências para defender a opinião de que o ‘pensamento positivo’ faz bem à saúde não passava de casos isolados, sem pesquisa científica. Mas este estudo fornece evidência médica comprovada do papel do otimismo no campo da doença cardíaca.”

      Alguns estudos mostraram que os que consideram sua própria saúde fraca realmente demoram mais para se recuperar depois de uma cirurgia do que aqueles que consideram sua saúde ótima. Descobriu-se que até a longevidade está associada ao otimismo. Certo estudo examinou como os idosos são influenciados por pontos de vista positivos e negativos a respeito do envelhecimento. Depois de serem expostos a mensagens instantâneas, subliminares, que associavam o processo de envelhecimento a mais sabedoria e experiência, eles começaram a andar com mais força e disposição. De fato, a melhora na postura deles foi tão grande que podemos compará-la à que obteriam com um programa de 12 semanas de exercícios físicos!

      Por que as atitudes positivas como a esperança e o otimismo parecem fazer bem para a saúde? Talvez os cientistas e os médicos ainda não compreendam a mente e o corpo humano o suficiente para fornecer respostas definitivas. Mesmo assim, especialistas que estudam o assunto podem apresentar suposições abalizadas. Por exemplo, certo professor de neurologia propõe: “É gostoso ser feliz e ter esperança. É um estado agradável que gera muito pouco estresse e contribui para o excelente funcionamento do corpo. Trata-se de mais uma coisa que as pessoas podem fazer por si mesmas para tentar cuidar da saúde.”

      Essa idéia talvez surpreenda alguns médicos, psicólogos e cientistas, que a acham uma revolução, mas certamente não é algo novo para os estudantes da Bíblia. Há uns três mil anos, o sábio Rei Salomão foi inspirado a registrar este ponto de vista: “O coração alegre faz bem como o que cura, mas o espírito abatido resseca os ossos.” (Provérbios 17:22) Note o equilíbrio evidente nesse texto. O versículo não diz que o coração alegre vai curar qualquer doença, mas apenas que ele “faz bem como o que cura”.

      Por tudo isso, talvez seja razoável perguntar: se a esperança fosse um remédio, que médico não a receitaria? Além do mais, a esperança resulta em benefícios que vão muito além da boa saúde.

      O otimismo, o pessimismo e a sua vida

      Pesquisadores descobriram que os otimistas são beneficiados de muitas maneiras pelo seu ponto de vista positivo. Seu desempenho tende a ser melhor na escola, no trabalho e até em atividades esportivas. Veja, por exemplo, um estudo realizado com uma equipe feminina de atletismo. Os treinadores forneceram uma avaliação completa das habilidades atléticas das participantes. Ao mesmo tempo, as próprias atletas foram entrevistadas, e documentou-se detalhadamente seu nível de confiança. Os resultados provaram que o grau de confiança das participantes era um prognóstico muito mais preciso do seu desempenho do que todas as estatísticas levantadas pelos treinadores. Por que a confiança e o otimismo são influências tão poderosas?

      Tem-se aprendido muito estudando o oposto do otimismo — o pessimismo. Durante a década de 60, certas experiências produziram uma revelação inesperada sobre o comportamento animal, levando os pesquisadores a criar a expressão “desamparo aprendido”. Eles descobriram que os humanos também podem sofrer de uma forma dessa síndrome. Por exemplo, os participantes de um estudo foram expostos a um ruído desagradável e informados de que poderiam silenciá-lo se conseguissem apertar os botões de um painel na seqüência correta. Eles conseguiram interromper o ruído.

      A mesma coisa foi dita a um segundo grupo — mas no caso deste, apertar os botões não adiantava nada. Como pode imaginar, muitos desse segundo grupo se sentiram desamparados, impotentes diante da situação. Em testes posteriores, realizados no mesmo dia, eles não seguiram mais as instruções. Eles chegaram à conclusão de que nada que fizessem adiantaria. Mas mesmo nesse segundo grupo, os otimistas se recusaram a ceder a tal sentimento de desamparo.

      O Dr. Martin Seligman, que ajudou a planejar algumas dessas primeiras experiências, decidiu fazer carreira estudando o otimismo e o pessimismo. Ele examinou a fundo o modo de pensar das pessoas inclinadas a sentir-se desamparadas. Tal modo de pensar pessimista, concluiu ele, atrapalha as pessoas em muitas atividades normais da vida e pode até paralisá-las completamente. O Dr. Seligman resume assim o modo de pensar pessimista e seus efeitos: “Esses 25 anos de estudo me convenceram de que se tivermos, como o pessimista, o hábito de achar que o fracasso é culpa nossa, que é permanente e que vai corroer tudo que fizermos, seremos realmente mais fracassados do que se pensássemos diferente.”

      Mais uma vez tais conclusões talvez pareçam novidade para alguns hoje, mas elas soam familiares aos estudantes da Bíblia. Note o seguinte provérbio: “Mostraste-te desanimado no dia da aflição? Teu poder será escasso.” (Provérbios 24:10) Conforme pode ver, a Bíblia explica claramente que o desânimo, com seus pensamentos negativos, pode privá-lo do seu poder de ação. O que, então, você pode fazer para combater o pessimismo e viver com mais otimismo e esperança?

      [Foto nas páginas 4, 5]

      A esperança pode fazer toda a diferença

  • Você pode combater o pessimismo
    Despertai! — 2004 | 22 de abril
    • Você pode combater o pessimismo

      COMO você encara seus desapontamentos? Muitos especialistas acreditam agora que a resposta a essa pergunta determina em grande parte se você é otimista ou pessimista. Todos nós passamos por muitos momentos difíceis na vida, alguns de nós, mais do que outros. Por que, então, alguns parecem se recuperar dos problemas, prontos para mais desafios, enquanto outros parecem desistir diante de cada dificuldade, mesmo as relativamente pequenas?

      Por exemplo, imagine que você está procurando um emprego. Você vai a uma entrevista, mas não é contratado. A que conclusão chega? Talvez ache que o problema está na sua pessoa e veja a situação como permanente, dizendo a si mesmo: ‘Ninguém contrataria alguém como eu. Nunca vou conseguir um emprego.’ Ou pior, você talvez permita que esse único desapontamento distorça a sua maneira de ver todos os outros aspectos da sua vida, pensando: ‘Sou um fracasso total. Não presto para nada.’ Nos dois casos, o modo de pensar é totalmente pessimista.

      Como lutar contra o pessimismo

      Como você pode reagir? Aprender a identificar tais pensamentos negativos é o primeiro passo, e é fundamental. O próximo passo é combatê-los. Pense em alternativas razoáveis. Por exemplo, será mesmo verdade que você não foi aceito no emprego porque ninguém o contrataria? Ou seria possível que o empregador estivesse apenas procurando alguém com outras qualificações?

      Concentrando-se em fatos específicos, descobrirá que certos pensamentos pessimistas são reações exageradas. Será que ser rejeitado em uma certa situação significa realmente que você é um fracasso total, ou consegue se lembrar de outros campos da vida — como suas atividades espirituais, relacionamentos familiares ou amizades — em que tem certa medida de sucesso? Aprenda a desconsiderar suas previsões mais sinistras como mera “catastrofização”. Afinal de contas, como é que você pode realmente ter certeza de que nunca vai conseguir um emprego? E você pode fazer ainda mais para espantar o pensamento negativo.

      Pensamento positivo voltado para alcançar nossas metas

      Em anos recentes, pesquisadores desenvolveram uma definição interessante, embora de certa forma restrita, de esperança. Eles dizem que a esperança envolve a pessoa acreditar que será capaz de atingir suas metas. Como mostrará o próximo artigo, a esperança, na verdade, envolve muito mais. Essa definição, porém, pode ser útil de várias maneiras. Concentrarmo-nos nesse aspecto da esperança pessoal pode nos ajudar a cultivar um modo de pensar mais positivo, voltado para alcançar nossas metas.

      Para conseguirmos acreditar que somos capazes de atingir nossas metas, precisamos ter um histórico de metas já estabelecidas e alcançadas. Se você acha que esse não é o seu caso, talvez valha a pena pensar seriamente nas metas que estabelece para si mesmo. Em primeiro lugar, você tem metas? É muito fácil cair na rotina e ser levado pela correria da vida sem parar para pensar no que realmente queremos fazer dela, no que é mais importante para nós. Quanto a esse princípio prático de estabelecer prioridades específicas, constatamos novamente que a Bíblia, há muito tempo, nos deixou uma boa lição: ‘certifique-se das coisas mais importantes’. — Filipenses 1:10.

      Uma vez que tivermos estabelecido nossas prioridades, fica mais fácil escolher alguns alvos básicos em diversas áreas, como em nossa vida espiritual, familiar e secular. É essencial, porém, não estabelecermos alvos demais logo de início. Também é melhor escolher os que sabemos que poderemos alcançar sem maiores dificuldades. Se um alvo for difícil demais de atingir, poderá nos desanimar e talvez desistamos. Por isso geralmente é melhor dividir alvos maiores, de longo prazo, em alvos sucessivos, menores, de curto prazo.

      “Querer é poder.” Assim diz um antigo ditado, e parece haver certa verdade nisso. Uma vez que tenhamos objetivos básicos em mente, precisaremos de força de vontade — desejo e determinação — de nos esforçarmos para atingi-los. Podemos reforçar nossa determinação refletindo na importância dos nossos objetivos e nas recompensas que receberemos ao alcançá-los. É claro que surgirão obstáculos, mas precisamos encará-los como desafios a ser superados e não como barreiras intransponíveis.

      Mas nós também precisamos pensar em maneiras práticas de alcançar nossas metas. O autor C. R. Snyder, que fez um amplo estudo sobre o valor da esperança, sugere que pensemos em diversos modos de atingir determinada meta. Assim, quando um modo não dá certo, podemos recorrer a um segundo, a um terceiro, e assim por diante.

      Snyder também recomenda que aprendamos a reconhecer a hora de substituir uma meta por outra. Se o progresso rumo à nossa meta for realmente bloqueado, ficar remoendo o assunto só nos desanimará. Por outro lado, trocar uma meta por outra mais realística nos dará novamente motivo para ter esperança.

      A Bíblia contém um exemplo esclarecedor nesse respeito. O Rei Davi desejava muito construir um templo para seu Deus, Jeová. No entanto, Deus disse a Davi que não seria ele, mas o seu filho, Salomão, que teria tal privilégio. Em vez de ficar aborrecido ou teimar com Deus ao receber essa notícia frustrante, Davi mudou seus alvos. Concentrou seus esforços em ajuntar os recursos e os materiais de que seu filho precisaria a fim de executar o projeto. — 1 Reis 8:17-19; 1 Crônicas 29:3-7.

      Mesmo que sejamos bem-sucedidos em ter mais esperança em nível pessoal, combatendo o pessimismo e cultivando um modo de pensar positivo, voltado para alcançar nossas metas, talvez ainda tenhamos um enorme déficit de esperança se pensarmos em sentido mais amplo. Por quê? Ora, grande parte da sensação de impotência e desamparo que esse mundo nos provoca resulta de fatores completamente fora de nosso controle. Quando paramos e pensamos nos problemas esmagadores que atormentam a humanidade — a pobreza, as guerras, as injustiças, a ameaça constante de adoecer e de morrer —, como podemos, mesmo assim, manter a esperança?

      [Foto na página 7]

      Se você não é contratado para o emprego desejado, conclui que nunca vai conseguir nenhum?

      [Foto na página 8]

      O Rei Davi foi flexível na questão de estabelecer alvos

  • Onde você pode encontrar esperança genuína?
    Despertai! — 2004 | 22 de abril
    • Onde você pode encontrar esperança genuína?

      SEU relógio parou de funcionar e parece estar quebrado. Quando você procura alguém para consertá-lo, depara-se com uma enorme variedade de opções. Anúncios não faltam, todos eles garantindo a qualidade dos serviços prestados, embora alguns exagerem. Mas o que faria se descobrisse que o inventor que projetou aquele modelo de relógio anos atrás é seu vizinho? E tem mais: você fica sabendo que ele teria prazer em ajudá-lo, sem cobrar nada. Assim ficaria fácil decidir o que fazer, não é mesmo?

      Agora compare o tal relógio com defeito à sua própria capacidade de ter esperança. Se você acha que está perdendo a esperança — como é o caso de muitos nestes tempos atribulados — onde procurará ajuda? Há muitos que afirmam ser capazes de resolver o problema, mas suas incontáveis sugestões às vezes são confusas e contraditórias. Então, por que não buscamos, antes de mais nada, aquele que nos projetou e nos dotou da capacidade de ter esperança? A Bíblia diz que ele ‘não está longe de cada um de nós’ e tem o maior prazer em nos ajudar. — Atos 17:27; 1 Pedro 5:7.

      Uma definição mais profunda de esperança

      O conceito bíblico da esperança é mais amplo e mais profundo do que o conceito em voga entre os médicos, cientistas e psicólogos de hoje. As palavras dos idiomas originais usadas na Bíblia e traduzidas por “esperança” significam aguardar ansiosamente e ter a expectativa de algo bom. A esperança compõe-se de dois elementos básicos: o desejo de algo bom e a base para acreditar que esse algo bom vai se concretizar. A esperança que a Bíblia apresenta não é fechar os olhos à realidade e querer viver num mundo de ilusão. Tem base sólida em fatos e evidências.

      Nesse respeito, a esperança é semelhante à fé, que deve basear-se em provas — não em credulidade. (Hebreus 11:1) No entanto, a Bíblia faz distinção entre a fé e a esperança. — 1 Coríntios 13:13.

      Para ilustrar: Quando você pede um favor a um amigo de confiança, é provável que tenha a esperança de que ele o ajudará. Essa esperança não é sem base, porque você tem fé nele — conhece-o bem e já o viu agir com consideração e generosidade em outras ocasiões. Sua fé e sua esperança estão intimamente associadas, até mesmo dependem uma da outra, mas são coisas distintas. Como você pode ter tal esperança em Deus?

      A base para ter esperança

      Deus é a fonte da esperança genuína. Nos tempos bíblicos, Jeová era chamado de “esperança de Israel”. ( Jeremias 14:8) Qualquer esperança confiável que seu povo tivesse provinha dele; assim, ele era sua esperança. Tal esperança não significava apenas desejar que algo acontecesse. Deus lhes deu uma base sólida para ter esperança. Nos seus tratos com eles ao longo dos séculos, ele criou a reputação de fazer promessas e de cumpri-las. O líder da nação, Josué, disse a Israel: “Vós bem sabeis  . . . que não falhou nem uma única de todas as boas palavras que Jeová, vosso Deus, vos falou.” — Josué 23:14.

      Milhares de anos depois, a reputação de Deus ainda é a mesma. A Bíblia está repleta de promessas notáveis de Deus bem como do registro histórico exato do cumprimento delas. As promessas proféticas dele são tão confiáveis que algumas foram registradas como se já tivessem sido cumpridas na época em que foram feitas.

      É por isso que podemos chamar a Bíblia de “livro da esperança”. Ao passo que você estudar o registro dos tratos de Deus com as pessoas, sentirá que as suas razões para ter esperança nele ficarão cada vez mais fortes. O apóstolo Paulo escreveu: “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança.” — Romanos 15:4.

      Que esperança Deus nos dá?

      Em que momento percebemos que mais precisamos ter esperança? Não é quando estamos diante da morte? Para muitos, porém, é justamente nessas horas — quando a morte tira de nós alguém a quem amamos, por exemplo — que a esperança mais parece vã ilusão. Afinal de contas, o que poderia ser mais desesperador do que a morte? Ela persegue de forma implacável cada um de nós. Não podemos adiá-la indefinidamente, nem somos capazes de reverter o seu curso. É por tudo isso que a Bíblia chama a morte de “último inimigo”. — 1 Coríntios 15:26.

      Então, como podemos encontrar esperança para quando estivermos diante da morte? Note que o mesmo versículo bíblico que chama a morte de último inimigo também diz que ela será “reduzida a nada”. Jeová Deus é mais poderoso que a morte. E já provou isso diversas vezes. Como? Ressuscitando os mortos. A Bíblia relata nove ocasiões em que Deus usou seu poder para trazer pessoas de volta à vida.

      No que se tornou uma ocasião memorável, Jeová deu poder a seu Filho, Jesus, para ressuscitar seu grande amigo, Lázaro. Ele já estava morto havia quatro dias. Jesus não fez isso secretamente, mas em público, diante de uma multidão de espectadores. — João 11:38-48, 53; 12:9, 10.

      Você talvez se pergunte: ‘De que adiantaram essas ressurreições? Essas pessoas não acabaram envelhecendo e morrendo de novo mesmo assim?’ Isso é verdade. Mas graças a tais relatos confiáveis, podemos ter mais do que o mero desejo de que as pessoas a quem amamos que já morreram voltem a viver; nós temos uma base para acreditar que isso acontecerá. Em outras palavras, temos genuína esperança.

      Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida.” ( João 11:25) É a ele que Jeová dará poder para realizar ressurreições em escala global. Jesus disse: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz [a de Cristo] e sairão.” ( João 5:28, 29) Sim, todos os que se encontram dormindo na sepultura têm a perspectiva de ser ressuscitados para viver numa Terra paradísica.

      O profeta Isaías pintou o seguinte quadro comovente da ressurreição: “Teus mortos hão de viver, seus corpos se reerguerão. Os que dormem no pó vão acordar e gritar de alegria; pois o teu orvalho é um orvalho de luz cintilante, e a terra dará os que há muito morreram novamente à luz.” — Isaías 26:19, The New English Bible.

      Você não acha essa promessa consoladora? Os mortos estão na situação mais segura que se pode imaginar, como um bebê protegido no útero da mãe. De fato, os que estão descansando na sepultura estão perfeitamente preservados na memória ilimitada do Deus todo-poderoso. (Lucas 20:37, 38) Em breve serão trazidos de volta à vida, sendo recepcionados num mundo feliz e acolhedor, de modo bem semelhante a como um bebê é recebido por uma família dedicada e ansiosa à sua espera. Portanto, há esperança até mesmo diante da morte.

      O que a esperança pode fazer por você

      Paulo nos ensina muito sobre o valor da esperança. Ele a citou como peça importantíssima de uma armadura espiritual — o capacete. (1 Tessalonicenses 5:8) O que ele queria dizer com isso? Nos tempos bíblicos, os soldados usavam um capacete de metal para ir à batalha, geralmente sobre um gorro de feltro ou de couro. Graças ao capacete, a maioria dos golpes contra a cabeça resvalava em vez de matar. Paulo estava dizendo, então, que assim como um capacete protege a cabeça, a esperança protege a mente, ou a faculdade de raciocínio. Se você tiver uma esperança bem fundamentada nos propósitos de Deus, sua paz mental não será abalada pelo pânico ou pelo desespero quando enfrentar momentos difíceis. Quem de nós não precisa de um capacete assim?

      Paulo usou outra ilustração vívida para retratar a esperança associada à vontade de Deus. Ele escreveu: “Temos esta esperança como âncora para a alma, tanto segura como firme.” (Hebreus 6:19) Sobrevivente de mais de um naufrágio, Paulo conhecia muito bem o valor de uma âncora. Ao serem surpreendidos por uma tempestade, os marujos lançavam a âncora do navio. Se ela ficasse bem presa ao fundo do mar, o navio teria uma chance de escapar da tempestade com relativa segurança, em vez de ser impelido contra a costa, arrebentando nos rochedos.

      De modo similar, se as promessas de Deus forem uma esperança ‘segura e firme’ para nós, essa esperança poderá nos ajudar a suportar a fúria desta época tempestuosa. Jeová promete que logo chegará o tempo em que a humanidade não será mais afligida por guerras, crime, pesar, nem mesmo pela morte. (Veja o quadro na página 10.) Agarrar-nos a tal esperança pode nos ajudar a manter uma distância segura do perigo, dando-nos o incentivo necessário para vivermos à altura das normas de Deus em vez de cedermos ao espírito caótico e imoral tão prevalecente no mundo de hoje.

      Jeová apresenta essa esperança a você também, leitor. Ele quer que descubra por experiência própria como é a vida que ele tem em vista para você. O desejo dele é que “toda sorte de homens sejam salvos”. Como? Primeiro, cada um precisa ‘vir a ter um conhecimento exato da verdade’. (1 Timóteo 2:4) Os editores desta revista incentivam-no a assimilar esse conhecimento vitalizador da verdade da Palavra de Deus. Por meio desse conhecimento Deus lhe dará uma esperança que é muito superior a qualquer outra que este mundo possa lhe oferecer.

      Se você tiver essa esperança, nunca se sentirá desamparado, porque terá a certeza de que Deus é capaz de lhe dar a força necessária para atingir qualquer alvo que estiver em harmonia com a vontade dele. (2 Coríntios 4:7; Filipenses 4:13) Não é esse o tipo de esperança que você precisa? Então, se acha que está precisando de esperança, se estava à procura dela, não desista. Ela está ao seu alcance. Você pode encontrá-la.

      [Quadro/Foto na página 10]

      Motivos para ter esperança

      As verdades bíblicas a seguir podem ajudar a fortalecer sua esperança:

      ◼ Deus promete um futuro feliz.

      Sua Palavra diz que a Terra se tornará um paraíso global, habitado por uma família humana unida e feliz. — Salmo 37:11, 29; Isaías 25:8; Revelação (Apocalipse) 21:3, 4.

      ◼ Deus não pode mentir.

      Ele odeia a mentira, em todas as suas formas. Visto que Jeová é infinitamente santo ou puro, é impossível que ele minta. — Provérbios 6:16-19; Isaías 6:2, 3; Tito 1:2; Hebreus 6:18.

      ◼ Deus tem poder ilimitado.

      Apenas Jeová é todo-poderoso. Nada no Universo pode impedi-lo de cumprir suas promessas. — Êxodo 15:11; Isaías 40:25, 26.

      ◼ Deus quer que você viva para sempre.

      ​— João 3:16; 1 Timóteo 2:3, 4.

      ◼ Deus sempre espera o melhor de nós.

      Ele prefere se concentrar, não nos nossos erros e defeitos, mas nas nossas virtudes e esforços. (Salmo 103:12-14; 130:3; Hebreus 6:10) Ele confia no nosso potencial de fazer o que é certo e fica contente quando agimos assim. — Provérbios 27:11.

      ◼ Deus promete ajudar você a alcançar os alvos que estiverem em harmonia com o propósito dele.

      Os servos de Deus nunca teriam motivos para se sentir desamparados. Ele dá generosamente seu espírito santo, a maior força que existe, para nos ajudar. — Filipenses 4:13.

      ◼ A esperança em Deus nunca é em vão.

      Ele é totalmente fiel e digno de confiança, nunca o desapontará. — Salmo 25:3.

      [Foto na página 12]

      Assim como um capacete protege a cabeça, a esperança protege a mente

      [Foto na página 12]

      Como uma âncora, a esperança bem fundamentada pode dar estabilidade

      [Crédito]

      Cortesia de René Seindal/Su concessione del Museo Archeologico Regionale A. Salinas di Palermo

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