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Examinando o problema dos abortosDespertai! — 1971 | 8 de abril
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Tais operações exigem cirurgiões experimentados, instalações e remédios que só os hospitais bem equipados podem prover. Todavia, a maioria dos abortos não são feitos sob tais condições, visto que a maioria são classificados como ilegais. Alguns dos métodos usados nos abortos ilegais pelas parteiras e abordadores amadores são revoltantes. Com freqüência resultam em mutilação e morte. O livro Birth Control (Controle da Natalidade) declara:
“Muitas delas são revoltantemente dolorosas, até mesmo hediondas, e a maioria delas visam simplesmente introduzir infeções no útero, que talvez matem o embrião — e a mulher também.”
Proporções Epidêmicas
O número de abortos no mundo atinge proporções epidêmicas. Em alguns países, há tantos abortos quanto nativivos. Em outros, realmente ultrapassam os nativos!
O aborto é “legal” no Japão, na Rússia e na maioria dos países da Europa Oriental. O Dr. Leslie Corsa Jr., do Centro do Planejamento Populacional de Michigan, EUA, declarou sobre aqueles países: “A base de evidência razoavelmente boa, parece que a freqüência dos abortos provocados agora se aproxima da freqüência dos nativivos.” Na Hungria, os abortos ultrapassam os nascimentos. Note as estatísticas disponíveis:
Ano Nativivo Abortos “Legais”
1960 146.500 162.200
1961 140.400 170.000
1962 130.100 163.700
1963 132.300 173.800
1964 132.100 184.400
1965 133.000 180.300
Os países latino-americanos têm estritas leis sobre abortos. O mesmo se dá com a Igreja Católica Romana. A maioria dos latino-americanos são católicos. Todavia, a respeito dessa área, afirma U. S. News & World Report:
“O aborto [ilegal] é a forma mais comum do controle da natalidade, especialmente nas grandes cidades . . .
“A sociedade brasileira do bem-estar da família calcula que 4.000 abortos por dia — cerca de 1,5 milhões por ano — são realizados no Brasil. Isto da cerca de um aborto para cada três nativivos.
“A proporção é invertida no vizinho Uruguai, onde há três abortos para cada nativivos. Outros países da América do Sul se acham no meio termo.”
O aborto é ilegal em França, onde a maioria das pessoas são católicas. Todavia, admite-se que há tantos abortos quanto nativivos — cerca de um milhão por ano. O aborto ilegal também é comum na Itália, e na Espanha e em Portugal as autoridades o chamam de “o principal método de controle populacional”.
A Bélgica atinge cerca de 200.000 nativivos por ano. Os médicos ali calculam haver cerca de 100.000 abortos ilegais; as autoridades policiais calculam 400.000. A Alemanha Ocidental atinge cerca de um milhão de nativivos por ano, e, calculadamente, de um a três milhões de abortos ilegais.
Nos Estados Unidos, os abortos ilegais atingem cerca de 1.000.000, em comparação com os pouco menos de 4.000.000 de nativivos. Assim, cerca de 20 por cento de todas as gravidezes terminam em aborto. Nos últimos poucos anos, diversos estados sancionaram novas leis tornando mais fácil conseguir um aborto “legal”. A nova lei do estado de Nova Iorque permite um aborto por qualquer razão até à vigésima quarta semana de gravidez, sem exigir atestado de residência.
Ao passo que nem todos os países sancionaram leis sobre aborto mais livres, a tendência é inequívoca. Caminha para a legalização dos ‘abortos conforme os pedidos’.
Por Que Há Abortos?
Por que abortam tantas mulheres? Que tipo de mulheres os realizam?
Não raro se pensa que a grande maioria dos que fazem abortos tem de ser de mulheres solteiras. No entanto, este não é o caso. Em quase todo país, a maioria das mulheres que os procuram são casadas. Na Dinamarca, 76 por cento são casadas; no Chile, 85 por cento. Nos Estados Unidos, alguns afirmam que atingem 60 por cento ou mais.
Por que tantas mulheres casadas? Recorrem a isso primariamente como medida de controlar a natalidade. Uma mulher casada que procura um aborto usualmente tem tantos filhos quantos quer, não raro mais. Ela quer livrar-se de uma criança indesejada. Quanto mais educação secular tiver uma pessoa, tanto maior a tendência de querer um aborto.
Nos EUA, há crescente número de mulheres solteiras que procuram abortos. Algumas afirmam que agora o número se iguala ao das casadas. Por que surgiu isto? O Dr. John W. Grover, do Hospital das Clínicas de Massachusetts, afirma: “As mulheres jovens se harmonizam com a revolução sexual e experimentam a irresponsabilidade sexual.” O Dr. Frank J. Ayd, de Baltimore; afirma que a avolumante promiscuidade dos jovens resultou num “escalonamento de gravidezes ilegítimas, abortos ilegais, e doença venérea.”
Muitas mulheres católicas fazem abortos. Todavia, é contrário à lei de sua própria igreja. Ao noticiar sobre o Serviço Nacional de Consultas Clericais Sobre o Aborto nos EUA, Newsweek, de 13 de abril de 1970, disse:
“Um quarto pleno ou mais das mulheres que buscam ajuda são católicas, e há pelo menos dois sacerdotes nas fileiras do serviço dos clérigos. Quando aconselham às mulheres católicas, os clérigos protestantes lhes pedem que considerem cuidadosamente as leis eclesiásticas que planejam violar. ‘Fiquei surpreso’, diz Parsons [o clérigo que fundou o serviço], ‘com o número de pessoas que diziam usar o método do ritmo porque desejam ser boas católicas, mas que estavam dispostas a violar os ensinos quando ficavam grávidas’.”
Que Efeito?
Que efeito tem o aborto sobre a mulher? Fisicamente, a ameaça de mutilação, esterilidade e morte está sempre presente.
Nos EUA, diz-se haver uma morte a cada hora causada por um aborto mal feito. Na nação toda, calcula-se que 45 por cento das mortes maternais se devam a abortos ilegais. Na Jamaica, é a causa principal de todas as mortes nas maternidades. Na Colômbia, os abortos são a causa número um da morte entre todas as mulheres em idade de dar à luz.
Além dos efeitos físicos, há os efeitos mentais. A publicação Birth Control afirma: “Não parece haver dúvida de que, para muitas mulheres, o aborto é uma experiência traumática. Sem considerar a formação ou as crenças religiosas, há algo de repugnante na idéia de por fim, se não numa vida, pelo menos na promessa de vida”.
Os médicos suíços relatam que mais de 50 por cento das mulheres que fizeram abortos sofreram desfavoráveis reações psicológicas. E Newsweek observou o comentário de certa senhora, típica de muitas, que disse: “Creia-me, não há um homem que jamais conheça a agonia e a dor que uma mulher sente quando lança o feto num vaso sanitário e dá a descarga.” Certas mulheres cometeram suicídio por causa da sensação de culpa depois de fazerem um aborto.
Nem se acham as enfermeiras e os médicos imunes aos efeitos mentais. Na Inglaterra, onde os abortos são mais fáceis sob uma nova lei, o Daily Mirror, de 9 de março de 1970, comentou: “O conservador M. P. Norman St. John-Stevas disse . . . que as enfermeiras por todo o país estavam ficando cada vez mais revoltadas com os deveres de abortos. Houve casos de se ouviram bebês chorarem pouco antes de serem colocados nos incineradores.” E o Times de Nova Iorque, de 30 de maio de 1970, noticiou:
“Talvez o maior obstáculo que os pacientes abordadores provavelmente encontrem seja a relutância de muitos obstetras em fazer abortos de qualquer espécie, quanto mais abortos a pedido.
“‘É preciso que se compreenda’, disse destacado obstetra . . . ‘que os obstetras, por treinamento e experiência, estão condicionados a trazer nova vida ao mundo, e não a destruí-la. Para muitos de nós, sem considerar as objeções religiosas, os abortos simplesmente não são de nosso gosto.’
“A experiência que outros estados tiveram com leis liberalizadas de aborto indica que apenas uma minoria de médicos habilitados estava dispostos a ter parte nisso.”
Destruir a Vida?
É o aborto provocado uma destruição da vida? Foi assim que o chamou o médico citado acima.
A revista Ob. Gyn. News, a serviço dos obstetras e ginecologistas, publicou em 15 de maio de 1970 as observações do Dr. Frank J. Ayd, de Baltimore, a respeito das mães solteiras. Disse ele:
“Se continuar a tendência e se os abortos segundo os pedidos forem permitidos e aceitos por este grupo apenas [de mães solteiras], a classe médica matará mais estadunidenses no útero do que todas as nossas guerras já mataram. A cureta será mais poderosa do que a espada.”
Assim, muitos médicos consideram o aborto como eliminação da vida.
Outros talvez insistam que não se trata realmente de tirar a vida. Todavia, desde o momento da concepção, o que acontecerá à célula fertilizada no útero da mãe se não se interferir com seu crescimento? Tornar-se-á um bebê e, por fim, um humano adulto. É por isso que o Dr. Michael J. Halberstam, de Washington, D. C., EUA, disse sobre o feto:
“Seu futuro é ilimitado. Isto se enquadra tão bem no que sabemos sobre biologia molecular — o fato de que o feto recebeu seu inteiro potencial genético de RNA e DNA na concepção. . . . Não há dúvida de que o feto está ‘vivo’, embora em sentido especial. . . . Como médico, sei que vive e, como ser humano, sinto reverência por ele.”
Seria assassinato matar um bebê um mês depois de nascer? Seria assassinato se o bebê tivesse um só dia? Um minuto? Qualquer pessoa que tirasse a vida destes bebês poderia ser acusada de homicídio.
Mas, que diferença real existe entre o bebê de apenas um minuto de vida e o que está a apenas um minuto de seu nascimento? Mesmo que ainda falte um dia, ou uma semana, ou um mês ou mais para seu nascimento, ainda pode nascer como humano.
Não podemos fugir do fato que, desde o momento da concepção, começou uma nova vida humana. Não há dose alguma de argumentos ‘sofisticados’ que possam eliminar a verdade de que normalmente se tornaria um adulto, caso permitissem isso.
Ademais, quando uma pessoa concorda em fazer um aborto, ele ou ela afirma que uma pessoa tem mais direito à vida do que outra. Mas, foi isso o que Hitler disse, e, assim, assassinou 6.000.000 de judeus e milhões de outros. A sociedade o condenou como um assassino louco. Todavia, mais de 30.000.000 de vidas são tiradas cada ano por meio de abortos!
Como as Testemunhas de Jeová Consideram o Assunto
As testemunhas de Jeová, como cristãos, apreciam que o ponto de vista mais importante é o do Criador da vida. Assim, são guidas pela Palavra de Deus neste assunto.
Quando nos voltamos para a Palavra de Deus, a Bíblia, verificamos que a reprodução era um dos principais fins do casamento, embora não fosse o único.
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Siba espantosa criatura marítimaDespertai! — 1971 | 8 de abril
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[Foto na página 5]
A siba se acha equipada com dez dos mais espantosos braços e tentáculos imagináveis
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