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Exercer fé é como agir segundo a escritura de uma propriedadeA Sentinela — 1963 | 15 de setembro
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precisam primeiro ver cumprirem-se as promessas de Deus, então crerão nelas. Mas não há nada de mais comum ou mais necessário, mesmo no decorrer da vida diária, do que a fé. Ela é exercida mediante a nossa confiança nas coisas ainda não vistas e na dependência delas. Será que o agricultor vê realmente a colheita da estação vindoura quando planta a semente? Por que labuta ele de contínuo por aquilo que não vê? Tudo o que possui é a semente. Como sabe que crescerá numa planta? O agricultor sabe porque raciocinou que o sol que brilhava ontem brilhará novamente, que a chuva de ontem cairá outra vez, e que a vegetação ainda continuará a ser fiel às leis do crescimento. A fé na colheita futura se baseia na evidência sólida. Baseia-se na fidedignidade das leis naturais que se provaram fidedignas por séculos. Portanto, ter fé que a colheita será realizada é justificada e o agricultor age com esta fé, esta segurança, ao iniciar o seu trabalho. Quão tolo seria ele recusar plantar a semente por causa de temor de que o sol nunca mais brilhe, ou que nunca mais chova, ou que a semente recuse crescer!
Similarmente, ao passo que chegamos a conhecer a Jeová e a estudar as suas obras da natureza e especialmente a sua revelação escrita, a Bíblia, começaremos a cultivar confiança nas suas promessas para o futuro. Assim como o agricultor antecipa confiantemente a safra de outono, e a ara, semeia, cultiva e rega antes de a ver, assim também nós devemos agir em harmonia com a confiança que temos nas promessas de Deus, de que serão cumpridas no devido tempo, antes de as vermos cumprir-se.
Aprendendo as características de Deus, não teremos dificuldade em exercer ou pôr em ação a fé que temos nas suas promessas, assim como não teríamos dificuldade de agir com a segurança que teríamos se tivéssemos posse de uma escritura de propriedade. Muitos nos tempos passados puseram em ação a sua fé por causa da sua confiança em Jeová. O apóstolo Paulo se refere a alguns destes, quando ele menciona que Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Isaque, Jacó, José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e muitos profetas tiveram fé nas promessas de Deus e agiram em harmonia com essa fé. Em resultado disso, puderam derrotar reinos, tapar a boca dos leões, neutralizar a força do fogo, receber mortos de volta à vida, sofrer perseguição e privações, sim, até mesmo a morte, porque tinham a expectação segura da ressurreição dentre os mortos para a vida no novo mundo de Deus. Foram tantos estes homens e estas mulheres de fé que Paulo se refere a eles como sendo uma grande “nuvem”. — Heb. 11:1-12:1.
Quando Deus diz que está para vir um dilúvio e diz ao homem que edifique uma arca para segurança, o proceder lógico, baseado na experiência passada com Deus e sua palavra, é depositar fé na sua palavra e daí agir de acordo com isso, construindo uma arca, mesmo que o dilúvio esteja marcado para anos à frente. O fiel Noé “assim fez”. (Gên. 6:22, ALA) Quando Deus ordenou a Abraão que sacrificasse seu filho, era razoável Abraão agir em harmonia com a fé que tinha em Deus e deixar que Deus cuidasse do cumprimento das promessas feitas relativas a este filho. (Gên. 22:1-12) Quando Deus ordenou a Ló que fugisse de Sodoma para evitar a iminente calamidade, era razoável Ló acreditar e se apressar em sair de lá, mesmo que talvez parecesse um dia de bom tempo. — Gên. 19:12-25.
Estes foram todos atos elogiáveis de fé simples e infantil. Mas, queiram notar que em cada um desses casos havia base sólida de tal fé. Houve explícita ordem da parte de Deus. Não se tratava de tola imaginação, nem era o desejo a base dessa fé. Noé teria sido tolo se construísse uma arca e avisasse o povo por tantos anos, se apenas tivesse imaginado que estava para chegar um dilúvio. Abraão teria sido culpado de ato criminoso ao tentar oferecer Isaque, se simplesmente imaginasse que Deus desejava que ele assim fizesse. Ló teria sido muito simplório, fugindo de Sodoma numa bela manhã e declarando que a cidade estava prestes a ser destruída, se não tivesse informação positiva a respeito disto. Mas em cada um dos casos, Deus forneceu clara evidência da sua vontade. Assim também hoje, temos uma clara evidência da vontade de Deus na sua Palavra. Também, esta evidência é fortalecida mediante a observação do cumprimento da profecia bíblica.
A OBTENÇÃO DA VERDADEIRA FÉ
Como podemos obter esta verdadeira fé, esta “expectação segura”, semelhante à segurança que advém de se ter uma escritura de propriedade? Em primeiro lugar, precisamos’ ter uma atitude correta de coração. Precisamos ser humildes e precisamos desejar cultivar a fé. Se formos orgulhosos e se tentarmos ser independentes de Deus, ele não abençoará os nossos esforços. A seguir, precisamos adquirir conhecimento da Bíblia para nos prover a evidência que nos assegurará a habilidade de Deus cumprir a sua palavra. Conforme Romanos 10:17 (ALA) declara: “A fé vem pela pregação”, que é o conhecimento contido na Palavra de Deus. A seguir, desejaremos associar-nos com o povo de Deus, a fim de que possamos ser edificados por eles em sentido espiritual. Reunindo-nos com outros cristãos mais maduros, seremos ajudados a entender aquilo que estudamos. Um exemplo disto se acha em Atos, capítulo 8, onde o eunuco etíope recebeu ajuda do evangelista Filipe. Finalmente, precisamos orar continuamente para que o espírito santo de Deus nos ajude. — 1 Cor. 2:9, 10.
A fé, pois, é razoável. É também razoável agir em harmonia com ela. Deus, mediante a revelação natural e por escrito de si mesmo, apela às mais elevadas faculdades dos humanos, ao nosso raciocínio, e pede-nos que ajamos em harmonia com as conclusões corretas que resultam do estudo das suas obras, palavras e seus caminhos.
A verdadeira fé, esta “expectação segura”, é necessária, porque “sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.” — Heb. 11:6, ALA.
É também necessário agir em harmonia com essa fé, porque, conforme declarou o escritor bíblico Tiago: “A fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Assim, aquele que exerce fé age como aquele que possui uma escritura de propriedade. — Tia. 2:17, ALA.
No futuro muito próximo, os que exercem corretamente esta fé receberão a posse real daquilo que Jeová promete agora. Numa terra linda, produtiva e livre de impostos, “assentar-se-á cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do SENHOR [Jeová] dos Exércitos o disse.” — Miq. 4:4, ALA.
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A Deus pertence a vingança\A Sentinela — 1963 | 15 de setembro
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A Deus Pertence a Vingança
Na Argélia depois de certo casal estudar a Palavra de Deus por vários meses, o pai do chefe da casa foi assassinado por um terrorista. Dias depois, certos membros de uma organização antiterrorista trouxeram-lhe uma arma para ele vingar seu pai. Este homem de boa vontade recusou, dizendo que a vingança pertence a Jeová. Consideraram traiçoeira a sua atitude e podia até significar-lhe a morte. Apesar deste perigo, ele e sua esposa, pais de oito filhos, permaneceram firmes, confiantes em Jeová, e tinham razão. Logo depois tornaram-se publicadores zelosos e permanecem como tais até hoje. — Anuário de 1963, em inglês, págs. 139, 140.
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