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  • Estão os cientistas redesenhando a vida?
    Despertai! — 1982 | 22 de fevereiro
    • Estão os cientistas redesenhando a vida?

      ‘Chegou o tempo’, disse a Morsa, ‘Para falar sobre muitas coisas: . . . E sobre se os porcos têm asas.’ — Através do Espelho.

      PORCOS com asas? Absurdo! Mas os cientistas estão começando a predizer que os porcos poderão ter asas no futuro. Mais precisamente, fala-se muito sobre o uso de uma nova tecnologia chamada transplante genético para a criação de plantas que não precisam de fertilizantes, de bactérias que extraem minério e petróleo e de leveduras que transformam o lixo em álcool. Em outras palavras, os cientistas estão começando a redesenhar as coisas viventes.

      Ficção científica? Não, quando se considera o que já se tem feito com a tecnologia de transplante de genes, ou de ADN recombinante, como se conhece tecnicamente. Eis alguns exemplos:

      Setembro de 1978 — Os cientistas da Califórnia, E.U.A., que fizeram uso de um gene sintético para a produção de insulina humana, puderam fazer com que bactérias comuns se transformassem em minúsculas “fábricas” de produção de insulina. A insulina, naturalmente, é usada cada dia por muitos diabéticos, alguns dos quais são alérgicos à insulina animal hoje em uso.

      Julho de 1979 — Bactérias com a adição de genes humanos produziram uma réplica da molécula do hormônio humano de crescimento (HHC). Atualmente, o hormônio humano de crescimento é o único tratamento para o nanismo pituitário, que acomete 20.000 pessoas só nos Estados Unidos. A única fonte de HHC até o presente têm sido as glândulas pituitárias de cadáveres humanos.

      Janeiro de 1980 — O interferon humano, uma substância natural de combate aos vírus, foi pela primeira vez produzido pelas bactérias. Outrora, o interferon só podia ser obtido de sangue humano, 30.700 litros de sangue produzindo apenas 100 miligramas de interferon! Os cientistas esperam que o interferon venha a ser um antibiótico tão eficaz contra os vírus como a penicilina é contra as bactérias.

      Os cientistas estão entusiasmados com o rápido progresso nas experiências com o transplante de genes. Se as bactérias podem ser alteradas para produzirem insulina humana, hormônio humano de crescimento e interferon, o que vem a seguir? “Tudo o que for basicamente uma proteína poderá ser produzido em quantidades ilimitadas nos próximos quinze anos”, prediz um cientista do Instituto Tecnológico de Massachusetts, E.U.A.

      O que é precisamente o transplante genético? Como é que redesenha as coisas viventes? O que significa para o futuro?

  • As proteínas, os genes e você
    Despertai! — 1982 | 22 de fevereiro
    • As proteínas, os genes e você

      MENCIONE “proteína” à maioria das pessoas e logo pensarão num bom e suculento bife. Mas, em matéria de proteína, há mais coisa envolvida. A carne contém proteínas porque as coisas viventes, especialmente os animais, são compostas de incontáveis tipos diferentes de proteínas, cada qual com trabalhos específicos a realizar.

      Tipos de proteínas? Sem contar a água, cerca de metade do peso de seu corpo são moléculas de proteína, mas não são todas elas iguais. Algumas dão força a seus cabelos, a sua pele e a suas unhas. Outras, chamadas enzimas, controlam as reações químicas das células de seu corpo. Ainda outras criam anticorpos que ajudam seu organismo a repelir doenças.

      De que são compostas as proteínas? Todos os seus milhares de diferentes proteínas são compostos de um agrupamento de pequenas moléculas chamadas aminoácidos. Apenas cerca de 20 tipos diferentes de aminoácidos são necessários para a produção de todas as diferentes proteínas que ajudam a formar todas as árvores, as flores, os animais e as pessoas na terra — assim como as 23 letras da língua portuguesa podem ser combinadas para a formação de centenas de milhares de palavras!

      As células vivas prendem os aminoácidos juntos para produzir as proteínas que necessitam, como os vagões dum longo trem. Para a fabricação da insulina, por exemplo, as células do seu pâncreas constroem dois “bens” chamados de cadeias de aminoácidos, que podem dobrar-se em formas distintas. A primeira cadeia é como uma “palavra” de 21 letras e a segunda cadeia é uma “palavra” com 30 “letras” de aminoácidos. Daí, as cadeias são ligadas e seu organismo possui uma molécula de insulina para ajudar a controlar os níveis de açúcar na sua corrente sanguínea. Proteínas como a insulina são vitais para a boa saúde, como o sabem os diabéticos.

      Plantas e Cópias — o ADN e o ARN

      Mas como sabem as células do seu pâncreas quais aminoácidos combinar para produzirem insulina? E o que impede as células do dedão do seu pé de produzir insulina também? A resposta se encontra numa única molécula muito grande chamada ADN (ácido desoxirribonucléico), que se encontra em grande parte no núcleo de cada um dos seus bilhões de células. Como se dá isso?

      Já esteve alguma vez num local de construção? Talvez tenha observado grupos de trabalhadores — carpinteiros, pedreiros, eletricistas — freqüentemente consultando cópias das plantas que lhes indicam o que devem fazer. Donde vêm as cópias? No escritório principal da construção há muitos desenhos arquitetônicos que são copiados em máquinas especiais para se fazerem as cópias. Vários contramestres levam as cópias a suas equipes no local da construção.

      Suas células são como essa obra de construção. No núcleo (o “escritório da construção”) acham-se os “desenhos originais” para todas as proteínas que seu organismo há de necessitar. Esses “desenhos” são as moléculas do ADN. Quando você precisa de insulina, a seção apropriada do ADN, chamada gene, é ativada no núcleo de células especiais no seu pâncreas.

      O ADN não sai do núcleo, assim como os desenhos arquitetônicos originais não são geralmente usados no local da obra. É valioso demais. Ao invés, uma molécula especial, chamada de ARN (ácido ribonucléico) mensageiro tira uma “cópia” do gene do ADN. Este “mensageiro” leva a cópia para fora do núcleo, para o “local da obra”, onde uma equipe está à espera para construir uma molécula de insulina.

      Esta equipe consiste principalmente de um ribossomo, uma espécie de molécula que age como mestre-carpinteiro, e de auxiliares chamados ARN transportadores. As pequenas moléculas auxiliares do ARN transportador reúnem aminoácidos e os transportam para o ribossomo. O ribossomo “lê” a “cópia” do ARN mensageiro e fabrica a cadeia de insulina.

      No “escritório da construção” de cada uma de suas células há muito mais “desenhos” do que qualquer dada célula necessita para operar. As células no dedão do pé, por exemplo, possuem os genes para a produção da insulina, mas os genes não podem ser ativados. Esses desenhos estão “sob tranca e chave” nas células de seu dedão do pé. Cada célula só usa parte do ADN no seu núcleo para fazer as coisas que precisa! Podemos alegrar-nos de que é assim, porque as células que “invadem” um conjunto de desenhos que não deveriam usar e começam a produzir proteínas que não deveriam podem prejudicar a si, ou a outras células, ou até mesmo tornar-se cancerosas.

      Alteração nas Plantas

      A maioria dos arquitetos profissionais discordaria fortemente se você sugerisse que o complexo conjunto de desenhos usados para orientar a construção de um gigantesco arranha-céu veio a existir por mero acaso. Esses desenhos exigiram um arquiteto altamente habilitado e bem treinado. O ADN nas células de todas as criaturas viventes contém instruções muito mais complexas e pormenorizadas do que uma série de desenhos arquitetônicos. Não é razoável que o ADN — que orienta com precisão a “construção” de bactérias, de árvores e de pessoas — seja o produto de um Mestre-Arquiteto? Esse Mestre-Arquiteto é Jeová Deus. — Gên. 1:11-28.

      Pergunte a qualquer bom arquiteto como se sente quando pessoas não-autorizadas e não-qualificadas alteram os desenhos que foram preparados com muito trabalho para uma determinada construção. Ele não gosta disso, porque sabe que a pessoa que alterou o desenho provavelmente não considerou as conseqüências, de modo geral, da mudança que fez. É verdade que se pode aumentar o espaço de um banheiro, mas o que acontece quando se perde espaço valioso de um corredor de entrada? O que acontece quando se redesenha a rede de encanamentos?

      Os cientistas podem agora mudar o conteúdo do ADN das criaturas viventes — alterando os “desenhos arquitetônicos” providos pelo Criador. Em alguns casos, essas mudanças, tais como a implantação de genes em bactérias para a produção da insulina humana, são para fins humanitários e clínicos, segundo dizem. Outras mudanças, tais como a implantação de genes viróticos em camundongos embrionários, são mais por curiosidade científica sobre o que faz as células operar.

      Embora os cientistas hoje sejam capazes de alterar os genes, estão longe de entender plenamente como os genes operam. Em 1979, o Times de Nova Iorque noticiava: “A estrutura dos genes animais, inclusive a dos humanos, é muito diferente daquilo que se vinha crendo por pelo menos 20 anos, segundo revelaram as novas descobertas.” O que aconteceu? Ficou-se sabendo que os genes animais não operam geralmente do mesmo modo que os genes das bactérias, como haviam pensado os cientistas. Os genes animais são mais complicados e contêm longas seqüências de informações que não são entendidas. Efetivamente, os cientistas aprenderam que a leitura de “desenhos mestres” de bactérias não ensinará alguém a ler “desenhos mestres” de humanos, conforme esperavam que fosse o caso.

      Os cientistas também aprenderam recentemente que o código genético das moléculas do ADN não é constante, como sempre se havia pensado. Acontece que o código é ligeiramente diferente quando o ADN não está no núcleo, mas em partes diferentes da célula chamadas mitocôndrias. “O dogma de que o código genético é universal foi abalado”, admitiu a revista New Scientist. Por que muda o código? Eles não sabem. “Algumas perguntas suscitadas pelas revelações da análise genética talvez nunca sejam respondidas”, diz a revista New Scientist.

      Não é de admirar, pois, que as pessoas estejam preocupadas com os possíveis perigos decorrentes da pesquisa genética! A maioria dos biólogos sustenta agora que a pesquisa representa poucos riscos, mas será que eles entendem realmente a genética o suficiente para saber isso? Os cientistas afirmaram na década de 1950 que as experiências atômicas no oeste dos Estados Unidos não representavam perigos ao público, mas o índice de câncer nas pessoas que vivem a favor dos ventos de onde foram feitas essas experiências indica agora que os cientistas estavam errados.

      É possível que, ao tentarem mexer com as forças e os processos biológicos que não entendem plenamente, os cientistas desencadeiem acidentalmente sobre a humanidade alguma nova doença terrível? Algumas pessoas acham que existe essa possibilidade.

      Afinal, o que estão fazendo os cientistas com esses genes?

      [Foto na página 4]

      Assim como simplesmente as 23 letras do alfabeto da língua portuguesa podem ser combinadas para formarem centenas de milhares de palavras, apenas 20 aminoácidos diferentes constroem todas as diferentes proteínas que formam todas as árvores, as flores, os animais e as pessoas na terra.

      [Fotos na página 6]

      núcleo

      ARN mensageiro

      ribossomos

      ARN transportador

      aminoácidos

  • Esperanças e os plasmídios
    Despertai! — 1982 | 22 de fevereiro
    • Esperanças e os plasmídios

      AS CÉLULAS são muito pequenas. Cerca de 500 células de tamanho mediano caberiam dentro do ponto final desta sentença. Contudo, cada uma dessas células possui geralmente todo o ADN necessário para produzir uma criatura viva, tal como você.

      Obviamente, se as células são pequenas, as moléculas do ADN têm de ser deveras bem minúsculas. Têm o formato de longos filamentos torcidos, tão longos que todo o ADN no seu organismo colocado de ponta a ponta se estenderia até o sol e de volta diversas vezes! Mas os filamentos são muito finos, tendo 25 décimos milionésimos de um milímetro transversalmente.

      Para complicar as coisas, esses longos e finos filamentos do ADN precisam estar agrupados de certa forma dentro das células, e o único meio de fazê-los caber dentro delas é por serem torcidos bem apertadamente em feixes. Isto faz com que seja difícil os cientistas localizarem as áreas exatas das determinadas moléculas do ADN em que estejam interessados, os genes. Os cientistas não podem simplesmente colocar uma célula sob um microscópio, encontrar o gene que desejam, daí extraí-lo com uma pinça e colocar nela um outro gene.

      O Recurso São os Plasmídios

      Acontece, porém, que as bactérias amiúde contêm algumas moléculas de ADN que são mais fáceis de manejar. Essas espirais de ADN são mais ou menos independentes do resto do ADN nas bactérias, formando concentrações aneladas à parte que podem ser transferidas facilmente de uma bactéria para outra. São chamadas de plasmídios. Atualmente, os plasmídios são as chaves para o transplante genético.

      Não é muito fácil transplantar genes em plantas e em animais, porque essas células não possuem plasmídios, e seus sistemas de regulação genética são muito mais complexos. Mas os cientistas têm esperança de que em breve tal transplante seja possível. Se tiverem sucesso, então poderão colocar nas plantas genes de bactérias que nitrogenem o solo, de modo que não será necessário acrescentar ao solo fertilizantes nitrogenados. Esperam também poder curar algum dia doenças de origem genética, como a anemia de células falciformes, através da substituição dos genes deficientes nos humanos.

      “Vem sendo aperfeiçoado um microrganismo capaz de recuperar petróleo, ao passo que outros estão sendo programados para extraírem metais das jazidas debaixo da superfície da terra”, escreve Drummond C. Bell, presidente da Corporação Nacional de Destiladores e de Produtos Químicos, na revista Leaders. “O novo campo de conhecimento já produziu, ou está prestes a produzir, insulina humana para combater o diabetes; o interferon feito de células humanas para o combate ao câncer; vacinas para prevenir doenças como a hepatite e a malária; também hormônios para curar o nanismo e a hemofilia e outros para acelerar o crescimento do gado e dos suínos. As descobertas em progresso incluem também um açúcar de baixa caloria e elevada frutose, plantas capazes de gerar seu próprio fertilizante a partir do ar, uma variedade de trigo com o dobro de conteúdo de proteínas das variedades atuais e outra variedade de trigo que requer um décimo da água que os cultivados atualmente precisam.”

      Não é de admirar que o transplante genético se tornasse subitamente um grande negócio. Entretanto, esta mudança do plano laboratorial para a linha de produção tem deixado algumas pessoas alarmadas. Por quê?

  • Como se transplanta um gene?
    Despertai! — 1982 | 22 de fevereiro
    • Como se transplanta um gene?

      DIGAMOS que você quisesse transplantar um gene. Como faria isso? Primeiro, necessitaria de um gene, uma seção do ADN contendo o “código”, ou “desenho principal”, para a produção de uma proteína específica. Há atualmente “máquinas de genes” disponíveis para a sintetização de genes simples a partir de produtos químicos inertes. Os genes mais complicados talvez precisem ser localizados no ADN das células vivas, sendo isolados delas.

      A seguir, necessitará de um plasmídio e de uma química especial chamada de enzima de restrição, química essa que corta o plasmídio, expondo-o no ponto certo e deixando “extremidades pegajosas” para a junção.

      Precisará talvez certificar-se também de que o seu novo gene tenha sido adequadamente juntado a um gene especial que age como “interruptor ligado” para o gene que deseja transplantar. De outra forma, o seu novo gene talvez nunca opere. Afinal, nem o plasmídio nem as bactérias que está colocando dentro dele têm qualquer utilidade real para o novo gene. O gene não lhes está fazendo nenhum benefício, portanto por que deverão as bactérias desperdiçar tempo e energia em produzir o que quer que o gene codifique?

      A idéia de “interruptor ligado” é lograr as bactérias para que pensem que estão produzindo algo que elas precisam, quando na realidade estão produzindo algo que você precisa. Os interruptores são chamados de “genes reguladores”.

      Agora, coloque o gene combinante-regulador e o novo gene juntos e misture-os com uma porção de plasmídios pegajosos. Alguns dos plasmídios se ligarão aos novos genes e se formarão de novo em anéis. A seguir, coloque os plasmídios “transplantados” num prato cheio de bactérias, e algumas das bactérias absorverão alguns dos plasmídios. É comum as bactérias trocarem plasmídios entre si. Os plasmídios, por exemplo, encontram-se geralmente onde obtêm novos genes que os tornem imunes aos antibióticos.

      Se tudo tiver dado certo, pelo menos algumas das bactérias terão absorvido plasmídios com seus novos genes neles, e pelo menos alguns dos plasmídios estarão operando dentro das bactérias, fazendo uso dos ribossomos e de outros “trabalhadores” das bactérias para produzirem o que você deseja produzir. As bactérias se tornaram uma minúscula “fábrica” à sua disposição. Mas esta fábrica tem a vantagem especial de se reproduzir. As bactérias se dividem e produzem mais bactérias, todas elas contendo o seu gene especial, todas elas produzindo a proteína que você deseja.

      [Foto na página 8]

      gene + plasmídio = plasmídio modificado → absorvido pela bactéria

  • Empresa de transplante genético — um negócio perigoso?
    Despertai! — 1982 | 22 de fevereiro
    • Empresa de transplante genético — um negócio perigoso?

      “FOI um feito quase sem precedentes na ciência”, maravilhava-se a revista Science News. Em 1974, assim que os cientistas começaram a desenvolver as técnicas básicas do transplante genético, deu-se um aviso urgente sobre os possíveis perigos de suas experiências. O que era tão incomum a respeito delas? Os que deram o aviso não eram alarmistas mal informados, mas os próprios cientistas que estavam à testa da pesquisa genética.

      Suas preocupações foram expressas no que se tornou conhecido por “carta de Berg”, segundo o nome de Paul Berg, um cientista da Universidade de Stanford, E.U.A., que dividiu o Prêmio Nobel de Química de 1980 pelo seu trabalho de transplante genético. Outro cientista proeminente que assinou a “carta de Berg” foi James D. Watson, de Harvard, que se tornou famoso em 1953, quando ajudou a desvendar a estrutura do ADN (pelo que também recebeu um Prêmio Nobel).

      Berg, Watson e mais outros nove cientistas proeminentes ficaram preocupados de que o transplante genético poderia conduzir à “criação de novos tipos de elementos infecciosos de ADN, cujas propriedades biológicas não podem ser totalmente preditas de antemão”. Em outras palavras, o que seria se alguém criasse um novo germe que escapasse e causasse uma terrível epidemia de doenças? A carta exigia adiamento de certos tipos de experiências e a formação de diretrizes para assegurar que todas as experiências futuras fossem seguras. A “carta de Berg” resultou numa elaborada série de diretrizes sobre o transplante genético, emitidas pelos Institutos Nacionais de Saúde (INS) dos E.U.A.

      No ínterim, tornava-se óbvio que o transplante genético, fosse arriscado ou não, era uma mina de ouro em potencial para o mundo dos negócios. Poderiam as bactérias produzir insulina mais barata e mais segura? Jonathan King, professor de biologia, indica que “a venda de insulina para diabéticos é um negócio de 100 milhões de dólares anuais”. Poderão melhores genes nas plantas melhorar a produção de safras, reduzir a necessidade de fertilizantes ou criar plantas mais nutritivas? Imagine o mercado para tais plantas. “A agricultura ainda é o maior negócio do mundo”, observa Bonner, professor de biologia, de Caltech, E.U.A.

      Essas possibilidades têm levado à rápida formação de novos tipos de negócios especializados na engenharia genética. Uma de tais empresas, a Genentech, foi co-fundada em 1976 por um professor que assinara a “carta de Berg”. O professor deu US$ 500 (Cr$ 65.000,00) pela sua parte da Genentech, mas, quando as ações da empresa foram postas à venda em público em 1980, suas ações valiam subitamente US$ 40 milhões (Cr$ 5,2 bilhões)! Obviamente, as pessoas que compram ações pensam que o transplante genético virá a ser um grande negócio. “Este trabalho é mais vasto em importância do que qualquer coisa desde o descobrimento das partículas atômicas”, vangloria-se o vice-presidente de uma empresa de produtos farmacêuticos.

      Nos anos recentes, foram abertas diversas firmas pequenas como a Genentech, e empresas gigantescas como a Standard Oil, da Califórnia, E.U.A., a Monsanto e a Du Pont estão gastando milhões em pesquisa genética. Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos causou sensação quando baixou a decisão de que formas de vida geneticamente alteradas podiam ser patenteadas como qualquer outra invenção.

      O cheiro de dinheiro está no ar, e, não é de surpreender, os cientistas vêm divulgando recentemente a notícia de que o transplante genético talvez não seja tão perigoso afinal de contas. Dizem que as variedades de bactérias usadas na maioria das experiências não podem sobreviver fora do laboratório. Em geral, dizem eles, o ADN alterado cria organismos que são geneticamente “aleijados” e, por conseguinte, menos perigosos ao homem do que a variedade no estado natural. O Dr. Watson talvez seja típico da nova atitude ao dizer agora que assinar “a carta de Berg” foi “a coisa mais tola que fiz em minha vida”.

      Têm os cientistas forte evidência científica desta nova opinião? Não, admite o Dr. Berg. “Não há muito mais dados disponíveis”, diz ele. “Foi só que pensamos um pouco mais no assunto; reconsideramos a questão e nos deparamos com os mesmos dados.”

      O Dr. Berg observa adicionalmente que, “embora haja muitas declarações confiantes de êxito, as pessoas que as fizeram têm definitivamente investimentos para lucros nesse campo”.

      Susan Wright, cronista de ciência, demonstrou preocupação similar, ao dizer que pelo menos uma decisão de afrouxar as diretrizes do INS “não se baseia em dados empíricos, mas nas opiniões dos cientistas”. A publicação comercial Chemical and Engineering News admite que, embora o transplante genético tenha até o presente um antecedente de boa segurança, “um punhado de críticos, entretanto, diz que a questão de se julgar que o ADN recombinante opera com segurança está longe de ser convincente, e que uma espécie de efeito de coação pela força do número está esmagando quaisquer dúvidas remanescentes sem realmente responder a perguntas ainda não respondidas”.

      A questão da segurança é agora especialmente importante, porque com pequenas experiências não se faz dinheiro; com instalações de produção maciça se faz. “Agora que a tecnologia está sendo transferida do laboratório para as instalações de produção comercial em larga escala, a necessidade de regulamentos sobre proteção está aumentando enormemente”, adverte George Taylot, um entendido em segurança, do sindicato AFL-CIO. Obviamente, há uma grande diferença quanto à segurança entre ter algumas bactérias numa placa de Petri e ter enormes tinas cheias de bactérias despejando quantidades comerciais de insulina, de interferon ou de qualquer outra proteína.

      Contudo, as diretrizes do INS visavam as pesquisas de laboratório e foram cumpridas em caráter voluntário. Essas diretrizes estão sendo continuamente afrouxadas e não há mecanismo para impor à indústria nem mesmo as diretrizes afrouxadas. O biólogo King queixa-se de que “as diretrizes ficaram agora tão enfraquecidas que, ao invés de protegerem a saúde pública, na verdade protegem da investigação pública e dos regulamentos os empenhados nessa tecnologia”.

      Poderá a pressa do homem em explorar esta nova tecnologia conduzir a um “Three Mile Island” biológico?

      Outra pergunta que precisa ser feita é: Pode o transplante de genes realmente fazer o que os cientistas afirmam que fará? Espera-se, por exemplo, que plantas geneticamente alteradas possam nitrogenar-se através do próprio solo, acabando-se assim com muitos dos fertilizantes, muitas das despesas e da energia necessários para isso. Podem tais plantas ser projetadas?

      Os cientistas sabem que certas plantas, como à soja, não precisam de nitrogênio extra, porque possuem bactérias que vivem nos seus sistemas de raiz, que as nitrogenam. As bactérias, por sua vez, obtêm alimento das plantas. Este arranjo simbiótico se adapta tanto a soja como às bactérias, e foi projetado aparentemente pelo Criador. Os cientistas gostariam de melhorar este arranjo.

      Mas surgem problemas. Primeiro, não é tão fácil fazer genes estranhos operar apropriadamente nas plantas como é fazê-los operar nas bactérias. Não há plasmídios para ajudar, e as plantas são mais complexas do que as bactérias.

      Mas, se se puder superar os problemas genéticos, continua um problema ainda maior de química básica. Os átomos de nitrogênio são naturalmente agrupados em pares. Antes de uma planta poder usar o nitrogênio, esses pares precisam ser “separados”. Isto exige muita energia, sem se considerar se os átomos de nitrogênio são separados pelo homem na fabricação de fertilizantes, pelas bactérias ou pela própria planta. “O custo da energia que a planta tem de pagar para conseguir esse processo não é pequeno”, admite um cientista botânico. A perda de energia resultaria provavelmente em plantas menores com safras muito menores por hectare.

      É evidente, pois, que afinal de contas a idéia do Criador não foi tão má.

      É verdade que o transplante genético pode fazer com que as bactérias produzam substancial químicas que os homens desejam. Mas será que isto as torna bactérias melhores? Não. Enquanto essas minúsculas “fábricas” estão fabricando produtos sem valor para elas, estão perdendo energia que poderia ser usada para fazê-las crescer mais rápido ou com mais força. Do ponto de vista das bactérias, a variedade de genes transplantados é realmente inferior.

      Se o homem não pode melhorar o desenho de uma simples bactéria, pode ele esperar melhorar realmente o desenho de células muito mais complexas de plantas ou de animais? Os cientistas se maravilham do vôo aerodinamicamente “impossível” das mamangabas, do instinto de navegação das aves migratórias, da comunicação de longo alcance das baleias, da perfeição geométrica e arquitetônica do tecido ósseo. Estão realmente preparados para melhorar os desenhos do Criador? Uma criancinha talvez tenha aprendido a desmontar o relógio de bolso de seu pai, mas significa isso que ela poderia projetar um relógio superior?

      O mesmo se dá com os cientistas modernos. Separaram alguns organismos simples, e admitem que não entendem plenamente o que encontraram dentro deles. Visto que os cientistas não entendem a função dos longos filamentos do ADN, afirmam que tal ADN é “vestigial”, ou “sem sentido”. (Os médicos costumavam dizer isso a respeito do apêndice e das amígdalas, antes de terem aprendido melhor.)

      Não há nada de errado na intensa curiosidade sobre como operam as coisas viventes. Se os homens usarem sua curiosidade inata para aprender humildemente dos desenhos de Jeová Deus, tirarão proveito. Mas, se, com cobiça e arrogância, tentarem redesenhar radicalmente a criação feita por Deus, visando lucro material, terão por fim o pesar.

      [Destaque na página 10]

      Que seria se alguém criasse um novo germe que escapasse e causasse uma terrível epidemia de doenças?

      [Destaque na página 11]

      O cheiro do dinheiro está no ar, e muitos cientistas decidiram que afinal de contas não é tão perigoso o transplante genético.

  • Homens versus mulheres
    Despertai! — 1982 | 22 de fevereiro
    • Homens versus mulheres

      Com respeito ao câncer, parece haver uma diferença marcante entre homens e mulheres. Apenas 10 por cento do câncer nos homens é especificamente num órgão sexual, a próstata. Contudo, quase 40 por cento dos casos nas mulheres envolvem o câncer do útero ou da mama, órgãos associados com a procriação.

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