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BaalAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Sempre que o termo bá‘al se aplica ao falso deus Baal, ele se distingue do substantivo comum pelo artigo definido. Nas Escrituras, a expressão hab-Be‘alím (“os Baals” ou “Baalins”) parece referir-se às deidades locais que se pensava serem donas ou possuírem determinado lugar, e terem influência sobre ele, ao passo que hab-Bá‘al (“o Baal”) é a designação aplicada a um específico deus cananeu. Originalmente, a designação “Baal” pode ter sido um título que, com o tempo, veio a ser usado quase que exclusivamente em lugar do nome do deus.
Às vezes, na história de Israel, Jeová foi mencionado como “Baal”, no sentido de ser o Senhor ou Marido daquela nação. (Isa. 54:5) Também, os israelitas talvez tivessem ligado incorretamente Jeová a Baal, em sua apostasia. Isto parece ser comprovado pela profecia de Oséias, de que viria o tempo em que Israel, depois de ir para o cativeiro e ser dele restaurado, penitentemente chamaria Jeová de “Meu marido”, e não mais de “Meu dono” (“Meu Baal”, CBC). O contexto sugere que a designação “Baal” e suas ligações com o deus falso jamais passariam de novo pelos lábios dos israelitas. — Osé. 2:9-17.
BAAL SEGUNDO FONTES BÍBLICAS E EXTRABÍBLICAS
Pouco se sabia sobre a adoração de Baal, à parte das muitas referências bíblicas a ele, até que as escavações em Ugarite (a moderna Ras Xamra, na costa síria, do lado oposto à ponta NE da ilha de Chipre) trouxeram à luz muitos artefatos religiosos e centenas de tabuinhas de argila. Imagina-se que muitos destes documentos antigos, agora conhecidos como os textos de Ras Xamra, sejam liturgias dos que participavam nos rituais das festas religiosas, ou eram palavras proferidas por eles.
Nos textos de Ras Xamra, Baal (também chamado Aliyan [aquele que prevalece] Baal) é mencionado como “Zabul [Príncipe], Senhor da Terra”, e “o Cavaleiro das Nuvens”. Isto se harmoniza com uma representação de Baal, mostrando-o a segurar na mão direita uma clava ou maça, e, na esquerda, uma faísca estilizada de relâmpago, com uma ponta de lança. Também é representado usando um capacete com chifres, sugerindo íntima ligação com o touro, símbolo da fertilidade.
Normalmente, de fins de abril até setembro dificilmente chove na Palestina. Em outubro, começam as chuvas, e elas continuam durante todo o inverno e vão até abril, resultando em abundante vegetação. Pensava-se que as mudanças das estações e os efeitos resultantes delas vinham em ciclos, por causa dos conflitos infindáveis entre os deuses. A cessação das chuvas e a morte da vegetação eram atribuídas ao triunfo do deus Mot (morte e aridez) sobre Baal (chuva e fertilidade), compelindo Baal a retirar-se para as profundezas da terra. Cria-se que o início da estação chuvosa indicava que Baal tinha despertado para a vida. Isto, imaginava-se, tornara-se possível pelo triunfo de Anate, irmã de Baal, sobre Mot, permitindo que o irmão dela, Baal, retornasse ao seu trono. A conjunção carnal de Baal com sua esposa, presumivelmente Astorete, segundo se cria, assegurava a fertilidade no ano seguinte.
Os cananeus, lavradores e criadores de gado, provavelmente imaginavam que empenharem-se num ritual prescrito, uma espécie de mágica congenial, ajudava a estimular seus deuses à ação, segundo o padrão representado em suas festas religiosas, e era necessário para garantir safras produtivas e rebanhos férteis no ano vindouro, e evitar secas, pragas de gafanhotos, etc. Por isso, a vinda de Baal de novo à vida, para ser entronizado e unido à sua consorte, pelo que parece, era celebrada com licenciosos ritos de fertilidade, assinalados por orgias sexuais de irrestrita devassidão.
Sem dúvida, cada cidade cananéia construía seu santuário de Baal, em honra ao seu Baal padroeiro local. Designavam-se sacerdotes para realizar a adoração nestes santuários e nos muitos relicários nos topos das colinas vizinhas, conhecidos como “altos”. (Compare com 2 Reis 17:32.) Os relicários podiam conter imagens ou representações de Baal, ao passo que fora deles, próximo dos altares, podiam ser encontrados colunas de pedra (provavelmente símbolos fálicos de Baal), postes sagrados da deusa Axerá, e pedestais-incensários. (Compare com 2 Crônicas 34:4-7.) Varões e mulheres prostitutos serviam nos altos e, além da prostituição cerimonial, praticava-se até mesmo o sacrifício de crianças. (Compare com 1 Reis 14:23, 24; Oséias 4:13, 14; Isaías 57:5; Jeremias 7:31; 19:5.) A adoração de Baal também era realizada nos terraços das casas das pessoas, de onde se via freqüentemente subindo a fumaça sacrificial para seu deus. — Jer. 32:29; veja POSTE SAGRADO.
Há indícios de que Baal e outros deuses e deusas do panteão cananeu estavam relacionados, na mente de seus adoradores, com certos corpos celestes. Por exemplo, um dos textos de Ras Xamra menciona uma oferta feita à “Rainha Sapas (o Sol) e às estrelas”, e outro alude “ao exército do sol e à hoste do dia”. Baal, também, tem sido visto como deus-sol, conforme indicado por The International Standard Bible Encyclopcedia (Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional), Volume 1, página 345: “O Bel-Merodaque bab[ilônico] era um deus-Sol, assim como também o era o Baal can[aneu], cujo título pleno era Baal-Samaim, ‘senhor do céu’.”
Por conseguinte, é digno de nota que a Bíblia tece várias referências aos corpos celestes, em conexão com a adoração de Baal. Descrevendo o proceder obstinado do reino de Israel, declara o registro bíblico: “Continuaram a abandonar todos os mandamentos de Jeová . . ., e começaram a curvar-se diante de todo o exército dos céus e a servir a Baal.” (2 Reis 17:16) A respeito do reino de Judá, é digno de nota que, bem no templo de Jeová, vieram a existir “utensílios feitos para Baal, e para o poste sagrado, e para todo o exército dos céus”. Também, o povo em todo Judá fazia “fumaça sacrificial a Baal, ao sol e à lua, e às constelações do zodíaco, e a todo o exército dos céus”. — 2 Reis 23:4, 5; 2 Crô. 33:3; veja também Sofonias 1:4, 5.
Cada localidade possuía seu próprio Baal ou “senhor” divino, e o Baal local amiúde recebia um nome que indicava que estava sendo ligado a uma localidade específica. Por exemplo, o Baal de Peor (Baal-Peor), adorado pelos moabitas e midianitas, obteve seu nome do monte Peor. (Núm. 25:1-3, 6) Os nomes destes Baals locais vieram mais tarde a ser transferidos, por uma figura de retórica (metonímia) para as próprias localidades, como, por exemplo, Baal-Hermom, Baal-Hazor, Baal-Zefom, Bamote-Baal. Embora houvesse oficialmente muitos Baals locais entre os cananeus, entendia-se que na realidade só havia um deus Baal.
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Baal De PeorAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BAAL DE PEOR
O Baal específico adorado no monte Peor, tanto pelos moabitas como pelos midianitas. (Núm. 25:1, 3, 6) Tem sido sugerido que o Baal de Peor poderia realmente ter sido Quemós, em vista de que esta deidade era o principal deus dos moabitas. (Núm. 21:29) Como no caso do baalismo em geral, ritos crassamente licenciosos estavam provavelmente ligados à adoração de Baal de Peor. Os israelitas, enquanto acampados em Sitim, nos altiplanos de Moabe, foram engodados à imoralidade e à idolatria pelas adoradoras deste deus. — Núm. 25:1-18; Deut. 4:3; Sal. 106:28; Osé. 9:10; Rev. 2:14.
O pecado de Israel em relação com Baal de Peor resultou em Jeová enviar um flagelo mortífero que matou milhares de israelitas. Surge uma questão quanto ao número dos que foram realmente mortos pelo flagelo, em vista da aparente discrepância entre Números 25:9 e 1 Coríntios 10:8. Pelo que parece, 23.000 foram mortos diretamente pelo flagelo, ao passo que 1.000 “cabeças” ou chefes do motim foram mortos pelos juízes de Israel e então pendurados em algo. — Núm. 25:4, 5.
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Baale-judáAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BAALE-JUDÁ
Veja QUIRIATE-JEARIM.
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Baal-perazimAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BAAL-PERAZIM
[senhor ou mestre das rupturas]. O local duma vitória completa do Rei Davi sobre as forças coligadas dos filisteus, algum tempo depois de Davi conquistar a fortaleza de Jerusalém. (2 Sam. 5:9, 17-21) O registro declara que, ao ouvir falar da aproximação agressiva dos filisteus, Davi e seus homens ‘desceram ao lugar de difícil acesso’, ao passo que os filisteus “andaram percorrendo a baixada de Refaim”. Recebendo de Jeová a garantia de Seu apoio, Davi atacou-os, e os filisteus fugiram, deixando atrás os seus ídolos. Atribuindo a vitória a Jeová, Davi disse: “Jeová irrompeu através dos meus inimigos na minha frente, como uma brecha feita por águas”; e, por este motivo, ele “chamou aquele lugar pelo nome de Baal-Perazim”. O relato em 2 Samuel 5:21 afirma que Davi e seus homens ‘levaram assim embora os ídolos abandonados pelos filisteus’; no entanto, o relato paralelo em 1 Crônicas 14:12 mostra a medida final tomada, declarando: “Davi disse então a palavra, e eles [os ídolos] foram assim queimados no fogo.”
A baixada de Refaim é considerada como sendo a planície do Baqa‘ a SO de Jerusalém, que, depois de declinar por cerca de 1,6 km, contrai-se num vale estreito, o uádi el Werd. Em tal base, a maioria dos peritos sugerem o sítio de Baal-Perazim como sendo Sheikh Bedr, no promontório de Ras en-Nadir, que dá para o “manancial das águas de Neftoa [a moderna Lifta]” (Jos. 15:8, 9) a NO de Jerusalém.
O monte Perazim a que Isaías se refere é considerado como sendo a mesma localidade. Seu uso na profecia relembra a vitória de Jeová, mediante Davi, em Baal-Perazim, citada como exemplo do ato estranho que deverá acontecer, no qual, declara Jeová, ele irromperá contra seus inimigos como uma inundação-relâmpago. — Isa. 28:21.
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Baal-zebubeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BAAL-ZEBUBE
[dono (senhor) das moscas]. O Baal adorado pelos filisteus em Ecrom. Há indícios de que era prática comum entre os hebreus mudar os nomes dos deuses falsos para algo similar, porém degradante. Por isso, a terminação “Zebube” pode ser uma alteração de um dos títulos de Baal indicados nos textos de Ras Xamra como “Zebul [Príncipe ou Exaltado], Senhor da Terra”. Alguns peritos, contudo, sugerem que o nome foi dado a tal deus por seus adoradores, por ser considerado o produtor de moscas e, por conseguinte, capaz de controlar esta praga comum do Oriente Médio. Visto que o fornecimento de oráculos estava ligado a Baal-Zebube, outros partilham o conceito de que Baal-Zebube era um deus considerado como provendo oráculos pelo vôo ou zumbido duma mosca. — 2 Reis 1:2.
A designação “Beelzebube” ou “Belzebu” (possivelmente significando “senhor da habitação” ou “senhor do excremento”), que aparece nas Escrituras Gregas Cristãs com referência ao regente dos demônios, pode ser uma alteração de “Baal-Zebube”. — Mat. 12:24.
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BaasaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BAASA
[destemido; ofensivo]. Terceiro rei do reino de dez tribos de Israel, filho de Aijá, da tribo de Issacar, tendo antecedentes insignificantes. Usurpou o trono por matar seu predecessor, Nadabe, após o que exterminou toda a casa de Jeroboão, como tinha sido profetizado. (1 Reis 15:27-30; 14:10) Baasa, contudo, deu continuidade à adoração dos bezerros de Jeroboão, e, por causa disso, prometeu-se que a sua própria casa também seria exterminada. (1 Reis 16:1-4) Quando travou guerra contra Judá, Asa induziu o rei da Síria a fustigar Baasa pelo N. A cidade fortificada de Ramá, que Baasa estava edificando, foi então devastada por Asa. (1 Reis 15:16-22; 2 Crô. 16:1-6) Depois de ter regido por 24 anos (975-952 A.E.C.), Baasa morreu e foi sepultado em sua capital, Tirza. Elá, filho dele, foi seu sucessor, mas, em questão de dois anos, Zinri rebelou-se e exterminou a casa de Baasa, cumprindo o decreto de Jeová. — 1 Reis 16:6-13.
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BabelAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BABEL
[confusão]. Uma das primeiras cidades a ser edificada após o Dilúvio. Ali Deus “confundiu . . . o idioma de toda a terra”. (Gên. 11:9) O nome se deriva do verbo balál, que significa “mesclar, misturar, confundir, desordenar”. Os cidadãos locais, imaginando sua cidade como sendo a sede do governo de Deus, afirmavam que o nome se compunha de Bab (Porta) e de El (Deus), significando “Porta de Deus”. Desde a antiguidade, a palavra “Bab” (“Porta”) é a designação dada no Oriente Médio à sede dum governo.
O começo do reino do iníquo Ninrode, o “poderoso caçador em oposição a Jeová”, foi aqui em Babel, “na terra de Sinear”, na planície aluvial formada pelo aluvião dos inundantes rios Eufrates e Tigre. (Gên. 10:9, 10) Não havia pedras disponíveis para construção, de modo que os edificadores utilizaram grandes depósitos de argila. “Façamos tijolos e cozamo-los por um processo de queima”, disseram. Devido à ausência de cal, a argamassa consistia em betume, provavelmente transportada pelo Eufrates abaixo desde os seus depósitos naturais em Hit, a 225 km a NO. — Gên. 11:3.
O programa de Babel, que desafiava a Deus, centralizava-se na construção duma torre religiosa “com o seu topo nos céus”. Não foi construída para a adoração e louvor de Jeová, mas foi dedicada à religião falsa, inventada pelo homem, com a motivação de fazer um “nome célebre” para os construtores. — Gên. 11:4.
O tempo aproximado de tal edificação pode ser deduzido da seguinte informação: Pelegue viveu de 2269 a 2030 A.E.C. Seu nome significava “divisão; parte”, pois “nos seus dias foi dividida a terra” [isto é, “a população da terra”]; Jeová “os espalhou dali por toda a superfície da terra”. (Gên. 10:25; 11:9) Um texto de Skarkalisharri, rei de Agade (Acade) nos tempos patriarcais, menciona sua restauração duma torre-templo em Babilônia, subentendendo que tal estrutura já existia antes de seu reinado.
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Babilônia (Cidade)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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BABILÔNIA (CIDADE)
[confusão]. O nome posteriormente dado a Babel. Esta cidade renomada localizava-se junto ao rio Eufrates, nas planícies de Sinear, região mais tarde chamada Babilônia, a aproximadamente 870 km a E de Jerusalém, e cerca de 80 km ao S da moderna Bagdá. — Veja BABILÔNIA (PAÍS).
Ninrode, que viveu na última parte do terceiro milênio A.E.C., fundou a cidade de Babilônia como a capital do primeiro império político do homem. A construção desta cidade, contudo, teve um fim súbito quando se deu a confusão das comunicações. (Gên. 11:9) Gerações posteriores de reconstrutores vieram e passaram. Hamurábi ampliou e fortificou a cidade, e a tornou a capital do Império Babilônico sob a regência semítica.
Sob o controle da Potência Mundial Assíria, a cidade de Babilônia figurou em várias contendas e revoltas. Daí, com o declínio do segundo império mundial, o caldeu Nabopolassar fundou nova dinastia em Babilônia, por volta de 645 A.E.C. Seu filho, Nabucodonosor II, que concluiu a restauração e levou a cidade à sua maior glória, jactou-se: “Não é esta Babilônia, a Grande, que eu mesmo construí?” (Dan. 4:30) Em tal glória, continuou sendo a capital da terceira potência mundial sob os sucessivos reinados do filho de Nabucodonosor, Evil-Merodaque (Amel-Marduque), de seu genro Neriglissar e do filho de Neriglissar, Labashi-Marduque, e, por fim, tendo a Nabonido, genro de Nabucodonosor, no trono. Belsazar, filho de Nabonido, regia junto com seu pai como co-regente até a noite de 5/6 de outubro de 539 A.E.C. (calendário gregoriano), quando Babilônia caiu diante dos exércitos invasores dos medos, persas e elamitas, sob o comando de Ciro, o Grande.
Nessa noite fatídica, na cidade de Babilônia, Belsazar realizava um banquete para mil de seus grandes. Nabonido não estava ali presente para ver a ominosa escrita na parede de argamassa: “MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM.” (Dan. 5:5-28) Os registros históricos antigos indicam o que se seguiu. Depois de sofrer a derrota às mãos dos persas, ele se refugiara na cidade de Borsipa, ao SO.
Nem estava o exército de Ciro dormindo em seu acampamento ao redor dos muros inexpugnáveis de Babilônia naquela noite de 5/6 de outubro. Para eles, era uma noite de grande atividade. Numa estratégia brilhante, os engenheiros do exército de Ciro desviaram o poderoso rio Eufrates de seu curso através da cidade de Babilônia. Daí, descendo o leito do rio, os persas avançaram, subindo pelas margens do rio, para tomar a cidade de surpresa, penetrando pelas portas ao longo do cais. Percorrendo rapidamente as ruas, matando a todos que resistiam, capturaram o palácio e mataram Belsazar. Tudo havia terminado. Em uma só noite, Babilônia havia caído, terminando séculos de supremacia semitica; o controle de Babilônia passou a ser ariano, e cumpriu-se a palavra profética de Jeová. — Isa. 44:27; 45:1, 2; Jer. 50:38; 51:30-32; veja CIRO.
Desde aquela data memorável, 539 A.E.C., a glória de Babilônia começou a fenecer, à medida que a cidade declinava. Por duas vezes ela se revoltou contra o imperador persa, Dario I (Histaspes), e, na segunda ocasião, foi desmantelada. Uma cidade parcialmente restaurada rebelou-se contra Xerxes I (c. 482 A.E.C.) e foi saqueada. Alexandre Magno tencionava fazer de Babilônia a sua capital, mas morreu subitamente em 323 A.E.C. Nicátor conquistou a cidade em 312 A.E.C., e transportou grande parte de seus materiais para as margens do Tigre, a fim de usá-los na construção de sua nova capital, Selêucia. No entanto, a cidade e um povoado de judeus permaneciam nos tempos cristãos iniciais, fornecendo ao apóstolo Pedro motivo para visitar Babilônia, conforme observado em sua carta. (1 Ped. 5:13) Inscrições ali encontradas mostram que o templo de Bel em Babilônia existia até mesmo em 75 E.C. Por volta do quarto século da E.C., parece que a cidade deixou de existir. Tornou-se nada mais que “montões de pedras”. (Jer. 51:37) Atualmente, mesmo tais pedras se desfizeram em pó e nada resta senão montículos de terra e ruínas, verdadeiro ermo, em que nada cresce. Conforme André Parrot, curador-chefe dos Museus Nacionais Franceses, que visitou as ruínas por diversas vezes entre 1930 e 1950, comenta: “A impressão que sempre me causou era de completa desolação.” [Prefácio do Babylone et l’ancien testament (Babilônia e o velho testamento), conforme traduzida para o inglês por B. E. Hooke.] Por certo, sua condição desolada atesta o pleno cumprimento de profecias tais como Isaías 13:19-22; 21:9; 47:1-3; 48:14; Jeremias 50:13, 23; 51:41-44, 64.
A RELIGIÃO DE BABILÔNIA
A cidade de Babilônia era um lugar muitíssimo religioso; foram descobertos os remanescentes de nada menos que 53 templos. O deus da cidade imperial era Marduque. Seu templo era a E-sagila, que significa “Casa Sublime”; sua torre a E-teme-nanki, significando “Casa da Fundação do Céu e da Terra”. Marduque é chamado Merodaque na Bíblia, e várias autoridades identificam Ninrode como o deus Marduque; era costume antigo uma cidade deificar seu fundador. Tríades de deidades eram também proeminentes na religião babilônica. Uma delas, constituída de dois deuses e uma deusa, compunha-se de Sin (o deus-lua), Xamaxe ou Sarnas (o deus-sol) e Istar; dizia-se que estes eram os regentes do Zodíaco. E ainda outra tríade era composta dos diabos Labartu, Labasu e Akhkhazu. A idolatria se evidenciava por toda a parte. Babilônia era deveras “uma terra de imagens entalhadas”, de imundos “ídolos sórdidos [de excremento]”. (Jer. 50:1, 2, 38) Os babilônios criam na imortalidade da alma humana. Nergal era seu deus do submundo, a “terra sem retorno”, e sua esposa, Eres-Quigal era sua soberana.
Os babilônios desenvolveram a pseudociência da astrologia, no esforço de descobrir o futuro do homem nas estrelas. (Veja ASTRÓLOGOS.) A magia, a feitiçaria e a astrologia desempenhavam parte destacada em sua religião. (Isa. 47:12, 13; Dan. 2:27; 4:7) Muitos corpos celestes, por exemplo, os planetas, receberam nomes segundo os deuses babilônios. No quarto século E.C., Epifânio opinou que foi ‘Ninrode quem estabeleceu as ciências da magia e da astronomia’. A adivinhação continuou a ser um componente básico da religião babilônica nos dias de Nabucodonosor, que a usava para fazer decisões. — Eze. 21:20-22.
MILENAR INIMIGA DE ISRAEL
A Bíblia tece muitas referências à cidade de Babilônia, começando com o relato de Gênesis sobre a cidade original de Babel. (Gên. 10:10; 11:1-9) Incluído no despojo tomado de Jericó por Acã havia “um manto oficial de Sinear”. (Jos. 7:21) Depois da queda do reino setentrional de Israel, em 740 A.E.C., foram trazidas pessoas de Babilônia para substituir os cativos israelitas. (2 Reis 17:24, 30) Ezequias cometeu o erro de mostrar aos mensageiros de Babilônia os tesouros de sua casa; estes mesmos tesouros, bem como alguns dos “filhos” de Ezequias, foram mais tarde levados para Babilônia. (2 Reis 20:12-18; 24:12; 25:6, 7) O Rei Manassés (716-661 A.E.C.) também foi levado cativo para Babilônia, mas, por se ter humilhado, Jeová o restaurou ao seu trono. (2 Crô. 33:11) Sob Nabucodonosor, Babilônio, era um “copo de ouro”, na mão de Jeová, para derramar sua indignação contra as infiéis Judá e Jerusalém. O Rei Nabucodonosor levou os preciosos utensílios da casa de Jeová para Babilônia, junto com milhares de cativos. — 2 Reis 24:1 a 25:30; 2 Crô. 36:6-20; Jer. 25:17; 51:7.
No livro de Daniel se recontam as experiências de Daniel e de seus três companheiros no cativeiro babilônico, inclusive a interpretação dos sonhos do rei e o recebimento de visões. Os livros de Esdras e de Neemias contam como cerca de 50.000 saíram do cativeiro junto com Zorobabel e Jesua, em 537 A.E.C., e sobre outros 1.800 junto com Esdras, em 468. Os utensílios do templo foram restaurados a Jerusalém. (Esd. 2:64-67; 8:1-36; Nee. 7:6, 66, 67) Em 455 A.E.C. o rei persa Artaxerxes I, também chamado de “rei de Babilônia”, comissionou Neemias a ir a Jerusalém como governador e reconstruir suas muralhas. (Nee. 2:7, 8) Mordecai era descendente de um benjamita que foi levado cativo para Babilônia. — Ester 2:5, 6.
As Escrituras Gregas Cristãs contam como Jeconias (Joaquim), levado prisioneiro para Babilônia, foi um elo na linhagem até Jesus. (Mat. 1:11, 12, 17) A primeira carta canônica do apóstolo Pedro foi escrita de Babilônia. (1 Ped. 5:13) Esta “Babilônia” era a cidade às margens do Eufrates, e não Roma, conforme alguns afirmam. — Veja PEDRO, CARTAS DE.
“Babilônia, a Grande” acha-se incluída entre os simbolismos do livro de Revelação. Ali, ela é descrita como “a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra” (17:5) e como fazendo “todas as nações beber do vinho da ira da sua fornicação”. (14:8) É-lhe dado o “copo do vinho da ira” do furor de Deus (16:19); “numa só hora” chega seu julgamento (18:10); os dez chifres da fera cor de escarlate desmontam-na da fera, desnudam-na, comem suas partes carnudas e a queimam por completo. (17:16) Ela é lançada para baixo num lance rápido, como uma grande mó. (18:21) Assim, a desolação de “Babilônia, a Grande” torna-se tão completa como a daquela iníqua cidade nas margens do rio Eufrates. — Veja BABILÔNIA, A GRANDE.
[Mapa na página 185]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
BABILÔNIA
ROSA DOS VENTOS DE BABILÔNIA
PARA BIT HABBEN
TEMPLO DO FESTIVAL DO NOVO
ACADE
PORTA DE SIN
FORTIFICAÇÕES EXTERIORES
PORTA DE ISTAR
CIDADELA N
MUSEU
FORTALEZA
PALÁCIO DA CIDADE
FOSSO DO PALÁCIO
TEMPLO DE NINMA
JARDINS SUSPENSOS
SUBÚRBIO, PORTA DE LUGALGIRRA
PORTA DE LUGALGIRRA
TEMPLO DE BELIT NINÂ
TEMPLO DE HADAD(?)
PORTA DE HADAD
RUA DE HADAD
SUBÚRBIO NUKHAR
CANAL DA CIDADE NOVA
KUMARI
CIDADE NOVA
JARDIM
MARGEM DO EUFRATES
Rio Eufrates
MARGEM DE ARACHUT
CEMITÉRIO DE BABILÔNIA
MAUSOLÉU (?)
RUA DE XAMAXE
TEMPLO DE XAMAXE(?)
PORTA DE XAMAXE
PARA AKUSZ
LARSA
SUBÚRBIO DE TUBA
CANAL DE BORSIPA
DILBAT BORSIPA
SUBÚRBIO DE LITAMU
BÌT CHACHÙRU
PARA NIPUR
SUBÚRBIO DÚRU-SHA-KARRAB
NOVO CANAL(?)
SUBÚRBIO DA CIDADE DO NOVO CANAL
MURALHA EXTERNA DE NABUCODONOZOR
PORTA DE ENLIL
RUA DE ENLIL
RUA DE SIN
PORTA DE URAXE
RUA DE NABU
TEMPLO DE GULA
TEMPLO DE NINURTA
MÃO DO CÉU
BOSQUE DA VIDA
TEMPLO DE MARDUQUE
TORRE
ESAGILA
CASA SAGRADA
PORTA SAGRADA
AVENIDA DAS PROCISSÕES
CIDADE INTERIOR
TEMPLO DA ISTAR DE ACADE
PORTA DE DEUS
CANAL DE BANITU
RUA DE ZABABA
PORTA DE ZABABA (NINURTA)
KISH
SUSÃ(?)
KASSIRI TEE KULLAB
RUA DE MARDUQUE (NERGAL)
TEATRO GREGO
CIDADE DE BANITUM
MURO EXTERNO DE NIMID ENLIL
MURO INTERNO DE IMGUR ENLIL
PORTA DE GISHU (MARDUQUE)
CUTA
[Foto na página 186]
Ruínas na área da Porta de Istar da antiga Babilônia.
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Babilônia (País)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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BABILÔNIA (PAÍS)
Aquela terra antiga no baixo vale mesopotâmico através do qual correm os rios Tigre e Eufrates, e que corresponde à parte sudeste do moderno Iraque. Estende- se por cerca de 48 km a O do Eufrates, sendo contígua ao deserto da Arábia. A leste do Tigre, é limitada pelas colinas da Pérsia; a SE, pelo golfo Pérsico. Seu limite norte é um limite natural, assinalado por observável aumento da
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