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Os bosques do marDespertai! — 1987 | 22 de março
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ofiuróides, vermes, e outros. Ao todo, calculadamente 800 espécies vivem no banco de algas pardas, e ao redor deste, utilizando-o qual alimento e abrigo ou como local de caça. Estrelas-do-mar, anêmonas, águas-vivas, moréias e muitos peixes freqüentam os bancos de algas pardas. Um sujeitinho muito belicoso é o peixe pomacentrídeo, chamado em inglês de garibaldi, de cor laranja-brilhante — também distinguido como o peixe-símbolo do estado da Califórnia, EUA.
Em fins da década de 50, muitos dos bosques (ou fazendas) de algas pardas da Califórnia estavam perto da extinção. Os mares mais tépidos matam as algas pardas e as tempestades as arrancam de seus rizóides, mas a principal ameaça para eles provinha da urtiga-do-mar. Isso era, como acontece com freqüência, obra do homem. Explica um informe de divulgação noticioso da empresa Kelco:
“As urtigas-do-mar são criaturas marinhas espinhentas que se alimentam dos rizóides e das frondes das algas pardas e das plantas jovens. A quase dizimação da lontra-marinha, o mais eficaz inimigo natural da urtiga-do-mar, através da caça em larga escala há alguns anos, tinha perturbado o equilíbrio ecológico dos bancos de algas pardas.
Deixando-se as urtigas-do-mar à vontade para satisfazer seu apetite de algas pardas, elas começaram a reproduzir-se descontroladamente e devoraram amplas faixas de bosques de algas pardas. Registrou-se que as urtigas-do-mar avançavam até uns 9 metros por mês pelos bancos de algas pardas.”
Mas o remédio também era algo produzido pelo homem. A lontra-marinha passou a ser protegida, sua população cresceu, houve uma redução das urtigas-do-mar, e os bosques de algas pardas começaram a recuperar-se. Segundo informa a Kelco: “Atualmente, nossos bosques de algas pardas começam a se aproximar dos generosos limites ocupados uns 60 anos atrás. O equilíbrio ecológico está sendo restaurado, e, ressurgiu novamente um recurso natural certa vez em perigo.”
E, com este renascimento, os mergulhadores mais uma vez deslizam por entre as selvas de algas pardas, e, com o clique de suas câmaras, trazem-nos pequena medida das glórias que podem ser encontradas nestes bosques do mar.
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Quando as algas pardas chegam à praiaDespertai! — 1987 | 22 de março
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Quando as algas pardas chegam à praia
A GIGANTESCA alga parda acha-se mais envolvida em sua vida do que imagina. Um artigo publicado na revista Oceanus, de autoria dos biólogos marinhos Ron H. McPeak e Dale A. Glantz, fornece informações sobre como as algas pardas saem do oceano e penetram na vida da maioria de nós. Ela é colhida ao longo da costa da Califórnia, de San Diego para o norte, até Carmel.
Em seus bancos produtivos, pode ser podada até três vezes por ano. Modernas embarcações colheitadeiras fazem a varredura dos bancos, com a popa virada para a frente. Lâminas que giram em sentido inverso, montadas à base de um sistema de esteira rolante, funcionam como um cortador de grama de alto-mar, aparando as frondes flutuantes da copa da alga parda cerca de um metro abaixo da superfície da água. A esteira rolante traz a alga cortada para bordo da embarcação colheitadeira. Em um único dia, uma embarcação colheitadeira pode ceifar até 550 toneladas métricas. Na Califórnia, a indústria de algas marinhas colhe até 156.000 toneladas métricas em um ano. O bosque (ou fazenda) de algas pardas não é prejudicado por tal colheita. A parte ainda submersa da alga parda é onde ocorre a reprodução sexuada. Também, a flutuabilidade e a fotossíntese ocorrem por toda a extensão das frondes. A remoção da espessa copa permite a entrada de mais luz solar, que estimula o crescimento de novas frondes que se acham abaixo da superfície. Logo depois se forma uma nova copa, e outra colheita está em processo de formação.
Quando a alga parda chega à praia, ela vai bem além da linha costeira. Seus produtos penetram em sua cozinha, sala de jantar, e no gabinete de remédios do banheiro. Constituem parte da ração para o gado bovino e para as galinhas, e dos fertilizantes para a lavoura. Substâncias químicas derivadas das algas pardas acabam fazendo parte dos produtos industriais.
A contribuição mais importante da alga marinha é o ácido algínico. Foi descoberto por um farmacêutico inglês em 1883. Mas, não foi senão em 1929 que a Kelco, empresa de San Diego, tornou-se o primeiro produtor mundial de derivados do ácido algínico. Atualmente, as vendas anuais destes produtos fabricados na Califórnia ultrapassam US$ 35 milhões. Seus empregos são inúmeros. “Eles engrossam, amaciam, emulsificam, estabilizam, gelatinizam, ou criam uma película quando combinados com outras substâncias.” Depois de fornecer estas informações, a revista Sport Diver entra em pormenores:
“Muitos fabricantes de cerveja usam alginatos para formar mais consistentes bolhas de cerveja, contribuindo para um colarinho mais duradouro. Os alginatos impedem que os cremes cosméticos se desintegrem, e ajudam a manter o sorvete homogêneo. Parte do sabor e da contextura das bebidas maltadas, e de rosquinhas carameladas, deriva-se dos alginatos. Fazem tudo, desde revestir o papel, para melhorar a qualidade de impressão, até torná-lo à prova de graxa.
“Como se não bastassem tais empregos, impregnam os tecidos para retardar a combustão. Outras formas são utilizadas nas gomas de lavanderia e em pastas de impressão têxtil. Alguns produtos farmacêuticos contêm ácido algínico, assim como certos adesivos, produtos de borracha, cimentos para divisórias de paredes e ceras de polir automóveis.”
A colheita da gigantesca alga parda é regulada pela Comissão Estadual de Peixes e Animais de Caça da Califórnia. Nossos votos são de que essa comissão cumpra bem sua tarefa de preservar a alga parda da exploração humana, e que as brincalhonas lontras-marinhas a protejam das urtigas-do-mar, a fim de que a beleza de seus bosques possa continuar encantando nossos olhos, e seus produtos possam continuar deliciando nosso paladar.
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