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  • O que é a “revolução verde”?
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • O que é a “revolução verde”?

      HÁ APENAS alguns anos atrás, relatava-se que a subnutrição atingia centenas de milhões de pessoas em vários países. A cada dia, milhares de mortes ocorriam, segundo relatado, em virtude da escassez de alimentos.

      Isto se dava em especial na Índia. Ali, dois anos consecutivos de poucas chuvas, em 1965 e 1966, produziram uma seca que atingira severamente as colheitas. Era grande a perda de vidas resultante da fome. Apenas o envio maciço de alimento por outros países impediu uma catástrofe total.

      Em resultado, ominosas predições de fome mundial surgiram de muitas fontes. Algumas autoridades calcularam que em meados dos anos 70 certamente se veria tal fome. Havia aqueles que até mesmo diziam que a fome mundial já havia começado.

      Todavia, hoje não se fala muito sobre pessoas que realmente morrem de fome em todo o mundo como se falava então. Deveras, ouvimos falar agora de ‘excedentes’ alimentares em alguns lugares em que costumava haver grande escassez não faz muitos anos.

      Qual é a razão disto? É devido à ‘revolução’ que ocorre na produção de cereais. Este fenômeno é tido em tão alta conta que lhe é dado o nome de “revolução verde”.

      Não obstante, também suscita perguntas, tais como as seguintes: Como é que surgiu esta “revolução verde”? Há perigos relacionados a ela? Ajuda realmente os pobres e famintos do mundo? Será a solução para os problemas alimentares do homem? Examinemos cada uma destas perguntas.

      Como Começou

      A “revolução verde” mais especificamente tem que ver com o desenvolvimento bem sucedido de tipos de trigo e arroz de alta produção. É tão importante porque estes dois cereais, em especial o arroz, constituem o alimento básico para a maioria da população da terra.

      Esta “revolução verde” começou por volta de 1965. Teve seu início mais cedo num programa conjunto de aprimoramento do trigo no México entre o Ministério de Agricultura daquele país e a Fundação Rockefeller.

      O primeiro grande avanço surgiu em resultado dos esforços de uma equipe de peritos agrícolas liderada pelo Dr. Norman E. Borlaug. Isto aconteceu após vinte anos de experiências, mais ou menos. Desenvolveram variedades de trigo que produziam 1,5 hectolitros onde apenas 0,352 hectolitros eram produzidos antes!

      O novo trigo era mais curto, e seu caule é bem firme. Isto é importantíssimo, visto habilitar a planta a evitar cair sob o peso das espigas extra-grandes do cereal. Também, não era sensível à duração do período de luz do dia. Isto significava que poderia ser plantado até mesmo em partes da terra onde as horas da luz do dia variavam do local onde a semente fora aperfeiçoada. Também, recebia muito bem a fertilização e a irrigação.

      Por volta do mesmo tempo, foi desenvolvida nas Filipinas uma nova variedade de arroz de alto rendimento. A agência responsável por isto foi o Instituto Internacional de Pesquisas do Arroz. Esta descoberta fez pelo arroz o que as experiências mexicanas fizeram pelo trigo.

      Em 1965, estes novos cereais foram plantados numa escala experimental mais ampla na Ásia. Foram semeados centenas de hectares. Hoje, sete anos depois, dezenas de milhares de hectares acham-se plantados com as novas variedades, em várias partes da terra! Isto se dá em especial nas áreas de produção de trigo da Índia e do Paquistão. Nas Filipinas e em outras áreas produtoras de arroz do Sudoeste da Ásia, também aumentam rapidamente as plantações das novas variedades de arroz.

      Quão Eficaz Tem Sido

      A produção de cereal sofreu marcante mudança devido às novas variedades. Em vários países, houve grandes aumentos na produção de cereais. A revista BioScience, de 1.º de novembro de 1971, mencionou em especial a Índia e o Paquistão, “onde, segundo se diz, estão afastando o espectro da fome geral, ou, pelo menos, adiando-a talvez por uma geração”.

      Antes, a melhor colheita da Índia tinha sido durante o ano agrícola de 1964-65. Nessa época, umas 89 milhões de toneladas de cereais foram produzidas. Mas, para 1970-71, relatou-se cerca de 107 milhões de toneladas. O aumento mais espetacular foi registrado pela colheita de trigo. Mais do que duplicou em questão de seis anos, de uns 11 milhões de toneladas para 23 milhões. A produção de arroz não se expandiu tão espetacularmente assim. Todavia, algumas autoridades indianas predisseram que 1972 poderia ver a “auto-suficiência” desse alimento básico.

      Em resultado dos grandes acréscimos nas colheitas, algumas áreas do mundo, com tendência para a fome, e que antes importavam enormes quantidades de cereais, dispunham agora do suficiente, segundo relatado, ou até os exportavam. Este êxito com novos grãos tem movido cada vez mais lavradores a plantá-los a cada ano.

      Disto se poderia concluir que a ciência encontrou a solução para os problemas alimentares do homem. Pareceria que os povos famintos do mundo só feriam de plantar as novas variedades de trigo e arroz, e seria evitada a morte pela fome.

      Um Aviso

      Todavia, muitos peritos agrícolas avisam contra tal conclusão. Afirmam que a “revolução verde” não soluciona os problemas da fome da humanidade agora, e não o fará no futuro!

      Exemplificando: no livro The Survival Equation (A Equação da Sobrevivência), um artigo pelo economista agrícola Wolf Ladejinsky declara o seguinte:

      “Por quase cinco anos, a ‘revolução verde’ tem sido realizada em vários países agriculturalmente subdesenvolvidos da Ásia. Seu advento nas sociedades rurais tradicionalistas foi saudado como resposta para a ominosa predição de fome que espreitava grandes partes do mundo.

      “Mais do que isso, porém, aqueles tomados de euforia diante das mudanças impendentes viram nelas um remédio para a pobreza da ampla maioria dos cultivadores . . .

      “Entretanto, as circunstâncias propícias em que grassa a nova tecnologia não são facilmente atingíveis, e, daí, há inevitáveis embaraços ao seu escopo e progresso. Além disto, onde teve êxito, a revolução deu lugar a uma série de problemas políticos e sociais. Em suma, a revolução verde pode ser, como o Dr. Wharton corretamente indicou em ‘Foreign Affairs’, de abril de 1969, tanto uma cornucópia como uma caixa de Pandora.”

      Por que muitas autoridades dão avisos contra o otimismo excessivo, bem no meio da “revolução verde”? Quais são alguns dos problemas encontrados? Como influem na possibilidade de a “revolução verde” vencer a fome e a pobreza?

      Certo problema apresenta grande perigo em potencial. Tem que ver com a formação genética das novas variedades de cereais.

  • Perigo: usar demais uma só espécie
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • Perigo: usar demais uma só espécie

      A REVISTA BioScience avisou faz pouco: “Outro espectro, o da epidemia ampla, ronda a ‘revolução verde’.” Por que isto se dá?

      Quando amplas áreas produzem uma só família de cereais, a colheita inteira fica sujeita a sério perigo. Caso nova variedade de insetos ou de doença das plantas assole, todos os hectares plantados com tal espécie de cereal podem ser atingidos. Quando, porém, há uma variedade de tipos de cereais, isto usualmente não acontece.

      Os peritos concordam que esta é distinta possibilidade no caso dos novos cereais de alta produtividade. Estes novos tipos provêm de uma base genética bem estreita. A Fundação Rockefeller relata que, de certa espécie, surgiu a inteira família de trigos que hoje ocupa mais hectares na Ásia do que qualquer outro tipo.

      Todavia, por produzirem tão bem os novos tipos, obtêm a preferência geral. Os lavradores querem ganhar mais dinheiro. Plantarão seja lá o que for que dê dinheiro rápido. Assim, plantam cada vez mais a espécie de alta produtividade e substituem os tipos locais, de menor produtividade. Todavia, as novas variedades, não tendo sido desenvolvidas na área local, dispõem de tolerância desconhecida a certas doenças.

      Por causa disto, um artigo em New Scientist, de Londres, soa o alarma: Se os poucos tipos novos sucumbissem diante duma praga, os resultados seriam catastróficos. Pouco restaria para substituí-los por algum tempo, visto que leva tempo para se desenvolver novas variedades resistentes a uma nova doença. O artigo concluía que a possibilidade de desastre talvez se tenha multiplicado, ao invés de diminuir, pelo homem tentar brincar com a criação natural.

      Já Aconteceu Antes?

      Outrossim, será esse receio apenas teórico? De jeito nenhum. Já aconteceu antes a culturas que dispunham duma base genética muito estreita.

      Um exemplo disto foi a epidemia que assolou as batatas no século passado. Era conhecida como o míldio tardio. Em 1845, sério irrompimento da doença foi sentido na Europa. Foi seguido, em 1846, por mais perdas na Europa, e pelo desastre na Irlanda.

      Os irlandeses haviam dedicado o grosso de sua terra à plantação de batatas, cultivando predominantemente uma só variedade. O míldio devastou esta safra de batatas. The World Book Encyclopedia diz o que aconteceu em resultado: “A fome de batata da década de 1840 causou o pior desastre na história da Irlanda. . . . Cerca de 750.000 pessoas morreram de fome e doenças. Naqueles anos, centenas de milhares de pessoas deixaram a Irlanda.”

      Um exemplo mais recente ocorreu neste século, há uns vinte anos atrás. Os cultivadores de aveia nos EUA começaram a produzir nova variedade de aveia, de alta produtividade. Envolvia cruzamentos com uma família de aveia chamada Vitória. Tais variedades foram amplamente aceitas e plantadas. Mas, daí, ocorreu um aumento de determinado fungo que ceifou grande quinhão da safra de aveia. Em questão de dois anos, este fungo se tornou tão difundido que as aveias do tipo Vitória não mais podiam ser cultivadas com segurança.

      Nos anos 30, foi desenvolvida uma variedade de trigo chamada de gene Hope (Esperança). Prometia solucionar o problema das perdas resultantes da ferrugem do caule. Em questão de anos, inteiras áreas do oeste dos EUA, do Texas à Dacota do Norte, foram plantadas com ela. Mas, em fins dos anos 40, surgiu novo e altamente virulento fungo. Todo o trigo para pão e trigo duro cultivado nos EUA e no Canadá tornara-se suscetível ao fungo. O novo fungo espalhou-se rapidamente nas principais áreas tritícolas e ceifou seu quinhão. Por vários anos, isso resultou quase na paralisação da produção de trigo duro nas Grandes Planícies do Norte.

      Retrocessos Mais Recentes

      Em 1971, o Times de Nova Iorque trazia a seguinte manchete: “Um Triunfo da Genética Ameaça Causar um Desastre.” O artigo acompanhante mencionava os tipos aprimorados de milho híbrido introduzidos nos EUA desde 1950. Estes haviam mais do que duplicado a safra de trigo por acre, ou cerca de meio hectare.

      Mas, então, em 1970, surgiu um ataque inesperado por parte de nova doença virulenta, chamada de ferrugem da folha do milho meridional. Expôs a vulnerabilidade do milho especializado que fora plantado pela maioria dos fazendeiros. Entre julho e a colheita de 1970 cerca da 245 milhões de hectolitros de milho foram destruídos! Isso era 15 por cento de toda a colheita, no valor de cerca de seis bilhões de cruzeiros!

      A respeito deste desastre com o milho, comentou o Times de Nova Iorque:

      “A vulnerabilidade básica emana de que todos os fazendeiros plantam as melhores variedades de cada colheita ao mesmo tempo. A resultante uniformidade ameaça provocar o desastre quando algum novo inimigo mutante — como a mais recente variedade da ferrugem da folha do milho meridional — aparece.

      “Como em tantas outras áreas do mundo moderno, o que faz bom sentido economicamente a curto prazo apresenta sérios problemas a longo prazo, tanto no sentido ecológico como econômico.”

      No entanto, será que quaisquer das mais novas variedades de cereais sofreram dessa forma? Sim. Já foi atingida a nova variedade de arroz. No livro The Environmental Crisis (A Crise Ambiental), observou-se: “Já o arroz do tipo IR-8 enfrentou muitas dificuldades devido a este problema, mas estão sendo criadas ainda maiores monoculturas.”

      Uma “monocultura” é o cultivo de uma única cultura e em geral não se usa o solo de qualquer outro modo. Assim, embora estejamos enfrentando dificuldades, ainda assim maiores monoculturas dos novos cereais parecem tornar-se a regra, porque os lavradores desejam ganhar dinheiro rápido.

      Em fevereiro de 1972, novas estatísticas foram liberadas pelo Conselho Nacional de Alimentos e Agricultura sobre a situação nas Filipinas. Mostravam que um vírus mortífero para as plantas, chamado tungro já atacara cerca de 56.000 hectares de arrozais em Luzon e Mindanao. O Presidente Ferdinand Marcos disse ao Congresso filipino: “[1971] Foi um ano desastroso para a agricultura filipina.”

      Por causa do arroz novo, de alta produtividade, plantado depois de 1966, as Filipinas esperavam a auto-suficiência e um pequeno excedente já em 1970. Mas, no ano retrasado, 1971 tornaram-se necessárias enormes importações — 460.000 toneladas métricas de arroz. E o governo predisse que o país encarava ampla escassez de cerca de 640.000 toneladas métricas em 1972 e quase o mesmo em 1973.

      Assim, plantar cada vez maiores áreas com uma só cultura que dispõe duma base genética muito estreita é um proceder perigosíssimo, e míope. Mas, esse não e o único problema relacionado com os novos cereais.

      [Foto na página 6]

      O contraste entre o milho híbrido com ferrugem (direita) e o milho não atingido, de polinização livre (esquerda).

  • Quem se beneficia mais da “revolução verde”?
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • Quem se beneficia mais da “revolução verde”?

      QUE conclusão poderia tirar a pessoa mediana ao ler como a “revolução verde” aumentou tão espetacularmente as colheitas? É provável que pense que cada vez mais pessoas famintas estão sendo alimentadas, de modo que seus números decrescem.

      Será este o caso? Infelizmente não é. Quem mais se beneficia não são os mais necessitados. Podemos ver a razão disso quando os peritos agrícolas explicam o que precisa ser feito para se produzir as novas variedades de alta produtividade.

      Por um lado, explica o Professor de virologia, Dean Fraser, da Universidade de Indiana, as novas sementes produzem abundantemente “apenas com a aplicação de grandes quantidades de fertilizantes”. Assim, é preciso que haja fertilizantes disponíveis. Mas, os fertilizantes nem sempre abundam nos países subdesenvolvidos.

      Mesmo quando há estoques disponíveis, o lavrador precisa poder comprar o fertilizante. A maioria dos lavradores nos países mais pobres também são pobres. Destarte, o lavrador que já se acha em boas condições e pode comprar o fertilizante usualmente colhe os maiores benefícios, e não aquele que sofre mais fome ou pobreza.

      Exigência Mais Urgente

      Há outra coisa exigida que é ainda mais crítica do que o fertilizante. Em India’s Green Revolution (A Revolução Verde da Índia), o autor E. R. Frankel declara: “O cultivo bem sucedido de trigos anões depende ainda mais fortemente de suprimentos garantidos de água. Com efeito, a irrigação em ocasiões fixas do ciclo de crescimento da planta é essencial para que atinja seu potencial de alta produtividade.” E o arroz precisa ainda de mais água do que o trigo.

      A irrigação não e a mesma coisa que a chuva. As novas variedades não podem depender da chuva incerta. Exigem a irrigação regular. Assim, o suprimento garantido de água é uma necessidade. Esta água de irrigação poderia provir de sistemas fluviais por meio de canais. Mas, nos países mais pobres, amiúde estes não foram construídos. Na maioria dos casos, exigem-se bombas para trazer a água do subsolo para a superfície.

      Tudo isto exige tecnologia; são necessárias máquinas para escavar canais, e fábricas para produzir bombas. Também, Frankel afirma: “Adicionalmente, os novos trigos também exigem mais sofisticado equipamento agrícola para produzir ótimas safras: aprimorados arados, discos e grades para o correto nivelamento do solo [de outra forma a irrigação não seria prática]; brocas para sementes e fertilizantes, para o plantio raso e o espaçamento exato das sementes; e equipamento para a proteção das plantas, a fim de impedir a ferrugem e outras pragas.”

      Quem se acha em condições de comprar tudo isto? De novo, é o lavrador que já é mais próspero.

      Note que o equipamento de proteção é necessário. Isto inclui o uso abundante de pesticidas para proteger os grãos novos. Isto não só exige dinheiro, mas é um poluente. No entanto, o amplo uso é desculpado como sendo o menor de dois males. Acha-se que o homem faminto não se preocupa com o dano a longo prazo resultante dos pesticidas. Ele quer é sentir a comida em seu estômago. Todavia, há o preço inevitável que terá de pagar mais tarde.

      Resumindo tais exigências, U. S. News World Report declarou: “As novas sementes, contudo, não podem sozinhas revolucionar a agricultura. Seu pleno potencial genético não pode ser alcançado sem a irrigação e a abundância de fertilizantes e pesticidas.” Tudo isso exige dinheiro. E os pobres e os famintos não são aqueles que dispõem dele.

      Desigualmente Distribuídas

      Devido a motivos como os precedentes, o livro India’s Green Revolution declara: “As conquistas da nova tecnologia têm sido; desigualmente distribuídas.”

      Tal conclusão tem o apoio do livro The Survival Equation, que afirma o seguinte:

      “Precisa-se dizer que a revolução é altamente ‘seletiva’, . . . Basta lembrar que três quartos dos acres cultivados da Índia não são irrigados, e a lavoura ‘seca’ predomina. Se não por outro motivo, amplas partes do país não foram sequer tocadas pela transformação, e igualmente amplas partes só podem jactar-se de ‘ilhotas internas’ . . .

      “A revolução verde influi sobre poucos, ao invés de sobre muitos, não só por causa das condições ambientais, mas também porque a maioria dos lavradores não têm recursos . . . Esperar tornar-se parte dela e, todavia, não chegando a sê-lo, cria questões sociais, econômicas e políticas perturbadoras em potencial. E este é o reverso da moeda, em qualquer avaliação do curso da revolução verde.”

      Portanto, ao passo que as colheitas e a renda totais aumentam, não são igualmente distribuídas. Exemplificando: em duas das maiores áreas produtoras de trigo da Índia, Bihar e Uttar Pradesh, calculadamente 80 por cento de todas as lavouras têm menos de uns três hectares. Isto significa que não dispõem dos recursos, usualmente, para tirar proveito da nova tecnologia. Assim, uma porcentagem relativamente pequena dos realmente necessitados é que é beneficiada. Com efeito, em toda a Índia, diz-se que 185 milhões de pessoas vivem em sítios que têm menos de 2 hectares.

      Também, em muitos dos países mais pobres há lavradores que não possuem seus sítios, mas que arrendam-nos de seus donos. E, nos anos recentes, subiram os preços da terra. Próximo das áreas em que se tem evidenciado a “revolução verde”, os valores às vezes subiram três, quatro ou cinco vezes mais. Em conseqüência, os aluguéis ascenderam vertiginosamente, tornando mais difícil o arrendamento. E alguns proprietários de terras, vendo os lucros que podem ser obtidos com as colheitas mais novas, decidem eles mesmos trabalhar a terra. Assim, expulsam os lavradores da terra, reduzindo-os a lavradores sem terras.

      O número de lavradores sem terras nas áreas rurais é estonteante. Apenas na Índia, diz-se que aqueles que não possuem nenhuma terra atingem mais de 100 milhões. Isso em adição aos milhões de pessoas pobres que se apinham nas cidades.

      Estes lavradores sem terras na Índia junto com os 185 milhões de outros que trabalham em menos de dois hectares, representam quase 300 milhões de pessoas! Trata-se da maioria da população rural da Índia. E a maioria deles vive em degradante pobreza. Diz-se que sua renda média é de apenas 200 rupees (cerca de Cr$ 126,00) por pessoa por ano.

      Com que resultados? India’s Green Revolution declara que isto tem “realmente levado à absoluta deterioração da condição econômica” das pessoas mais pobres. E, certo economista escreve em The Survival Equation que ‘os ricos se tornam cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres’.

      Assim, as próprias pessoas a quem a “revolução verde” deveria mais ajudar são aqueles a quem menos ajuda. E, nas nações subdesenvolvidas do mundo, trata-se dum problema de vastas proporções.

      A “Revolução Verde” Poderia Tornar-se “Vermelha”

      O escopo do problema pode ser visto por se observar as palavras do Primeiro-Ministro da Índia, Indira Gandhi. Falando aos Principais Ministros de todos os estados da Índia, disse: “O aviso dos tempos é que, a menos que a revolução verde seja acompanhada por uma revolução baseada em justiça social, a revolução verde talvez não permaneça verde.”

      Fica subentendido que poderia tornar-se “vermelha”, isto é, comunista, como reação contra a contínua pobreza, fome e injustiça. Isso já aconteceu antes, onde os pobres viram sua situação se deteriorar, ao passo que outros, em especial os mais ricos, se beneficiaram com a nova tecnologia.

      Nem deveria o leitor concluir que este é apenas um caso isolado em um único país. É a regra, antes que a exceção. Uma autoridade agrícola da Colômbia disse a convidados de uma conferência nutricional naquele país: “A ‘Revolução Verde’ está contornando o povo, o povo que mais precisa dela. Está-se aprofundando o abismo entre os ‘que têm’ e os ‘que não têm’.”

      Também, The Bulletin, um semanário australiano, disse: “O fracasso do alimento de passar à frente dos números não é primariamente um problema agrícola, mas sim econômico. O fato é que a massa do povo é pobre demais para comprar os melhores alimentos de que precisa, mesmo quando se acham disponíveis.” E isso é verdade em certa medida até mesmo nos Estados Unidos, onde o governo dá subsídios aos lavradores para manterem suas terras sem produção, ao passo que, ao mesmo tempo, milhões de estadunidenses são subnutridos, não tendo dinheiro para conseguir uma dieta adequada para a boa saúde.

      Resumindo esta situação, um relatório recente, de A. H. Boerma, Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas Para a Alimentação e Agricultura, declara: “A distribuição da renda adicional na agricultura se tem tornado, se é que se tornou algo, mais desigual, como o resultado de que os números absolutos da fome e da subnutrição aumentaram com o decorrer dos anos.”

      [Foto na página 8]

      O livro “India’s Green Revolution” declara que apenas a minoria está sendo beneficiada e que a maioria das pessoas pobres se estão tornando ainda mais pobres.

  • Bastará a “revolução verde”,
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • Bastará a “revolução verde”,

      O PROBLEMA da fome já é bastante ruim hoje. Os peritos, porém, concordam que logo ficará pior.

      Por quê? Porque há algo mais a considerar. E isso é tido como o maior problema de todos.

      Georg Borgstrom, professor de ciência alimentar da Universidade Estadual de Michigan, indica qual é: “Quem pensa que a atual crise mundial de proteína irá explodir e cuidar de si mesma deve lembrar-se: os famintos do mundo se multiplicam duas vezes mais rápido do que os bem nutridos.

      Com efeito, um recente relatório das Nações Unidas mostra que os povos famintos do mundo estão aumentando realmente duas vezes e meio mais rápido do que os bem nutridos. Assim, ao passo que é verdade que mais pessoas estão comendo melhor porque aumenta a população nos países ‘prósperos’, também é verdade que o número de pessoas nos países pobres que não comem o bastante cresce muito mais rápido. É isso o que mais preocupa as autoridades quando elas falam da “explosão demográfica”.

      Assim, apesar da “revolução verde”, o problema da fome não está sendo solucionado. U. S. News & World Report, de 6 de março de 1972 declara: “O aumento rápido da população do mundo não mostra sinais de desaceleração, e talvez até mesmo se acelere nos anos vindouros. . . . A população cresce agora em 75 milhões a cada ano — bastante para criar novo Bangladesh em 12 meses. . . . Tão explosivo é o aumento que as autoridades demográficas temem que a fome se torne ampla em muitos países do mundo em desenvolvimento.”

      A atual população da Índia, de cerca de 570 milhões de pessoas, aumenta cada ano em cerca de 14 milhões. A respeito disto, o Times de Nova Iorque diz: “A menos que a taxa seja significativamente reduzida, a Índia terá um bilhão de pessoas por volta do ano 2000, ultrapassando em muito qualquer aumento na produção de alimentos.”

      Não obstante, outra fonte avisa que até mesmo se a Índia gradualmente alcançasse o “extraordinário feito de reduzir sua taxa de nascimentos pela metade” nos anos vindouros, isto ainda não seria o suficiente. Sua população excederia um bilhão por volta do ano 2000 de qualquer modo!

      O caso não é que a terra não possa sustentar 31/2 ou 4 bilhões de pessoas, ou mais. Ela pode. Mas, a estrutura econômica, social e política do mundo está arranjada de tal modo que relega à angustiante pobreza e fome cada vez mais pessoas, todo ano.

      Não Mais ‘Milagres’

      O que também perturba algumas autoridades é a compreensão de que grandes aumentos futuros na produção de alimentos serão difíceis de se conseguir. A maior parte da melhor terra nos países mais pobres já se acha plantada com as novas sementes.

      É por isso que reconhecida autoridade sobre a “revolução verde”, Lester R. Brown, do Conselho de Desenvolvimento Ultramarino, afirma: “Muito embora tenhamos, a curto prazo, algum espaço para respirar que se tornou possível graças à ‘revolução verde’, não podemos continuar expandindo a produção de alimentos para sempre. Há certos limites finitos sobre até que ponto podemos produzir culturas.” E o Professor Fraser afirma em The People Problem (O Problema do Povo):

      “Receio que muitos considerem a melhora temporária da crise de alimentos como evidência de que a ciência sempre virá em nosso socorro. . . .

      “Haverá ulterior melhora, mas não mais saltos quantum [grandes] de produção. Os genetistas . . . estão firmes em suas declarações de que futuros ‘milagres’ não devem ser esperados, ao posso que os presentes foram cabalmente predizíeis.”

      Mesmo durante os anos recentes do maior êxito da “revolução verde”, a população mundial cresceu tão rápido que quase que anulou o aumento das colheitas. E, quando chegar o tempo, nos países pobres, em que não se poderá mais aumentar as colheitas por hectare, enquanto a população continuar “explodindo”, então, o que acontecerá?

      O engenheiro químico Norbert Olsen disse em princípios de 1972: “Eu poderia trabalhar 24 horas por dia criando fertilizantes e novos meios de ajudar a produzir alimentos, e, ainda assim, isso não satisfaria a necessidade.” E Chemical Week (Semana Química), de 15 de março de 1972, relata: “Uma equipe de quatro homens do Instituto de Tecnologia de Massachusetts [concluiu que] . . . apenas por se estabilizar a população e a produção industrial pode o homem sobreviver além dos próximos 100 anos.”

      Em certas áreas, a crescente população já resultou no constante desmatamento. Diz-se que a devastação florestal e a pastagem excessiva nos prados da Índia ocidental já criaram áreas sujeitas a secas prolongadas, com tempestades de pó. E muitos pedaços de terra têm sido divididos e subdivididos nos grupos familiares com tanta freqüência que não podem ser mais divididos e ainda assim ser cultivados economicamente.

      Afirma o Bulletin da Austrália: “Em menos de um século, dobrou a extensão dos ermos do mundo resultando do ‘cultivo a seco, sujeito a tempestades de pó’ (e a destruição continua), ao passo que em cada continente os lavradores (e a indústria) exploram as reservas capitais e vitais da água do subsolo para alimentar suas culturas, às vezes numa taxa perigosa.”

      Estava Certo Malthus?

      Conclui The Bulletin: “Aquele tenebroso e velho pessimista do século 18, Thomas Malthus, tem-se provado certo, no fim das contas. Desde que ele escreveu, grandes áreas foram abertas e a ciência aumentou espetacularmente as colheitas; todavia, o resultado líquido é mais pessoas famintas e inanes do que nunca antes.”

      O livro The Environmental Crisis (A Crise Ambiental) também declara: “Há agora mais pessoas famintas e debilitadas neste planeta do que o número de seres humanos em 1850.” Em 1850, havia um bilhão de pessoas na terra!

      Quantas pessoas, neste instante, morrem realmente dos resultados da fome? Paul Ehrlich, da Universidade de Stanford, diz: “Se tomarmos a única definição inteligente de inanição — que uma pessoa morre de fome se uma dieta adequada lhe teria assegurado a sobrevivência — então os níveis de mortes devido à inanição no mundo hodierno são deveras colossais, situando-se entre 5 milhões e 20 milhões de pessoas por ano.” Isso é quase 55.000 pessoas que morrem por dia de fome!

      Naturalmente, algumas autoridades objetariam a tal interpretação da situação. Mas, é preciso lembrar que poucas autoridades governamentais gostam de admitir que haja pessoas em seus países que morrem de fome. Entrementes, um número cada vez maior de pessoas, que são alistadas como morrendo devido a alguma doença, realmente morrem como resultado indireto da fome. Se dispusessem de uma dieta adequada, não morreriam prematuramente.

      Mas, o que dizer da “revolução verde”? Será que observadores preocupados, tais como Ehrlich, ignoram os progressos já feitos até agora? Responde ele:

      “Temos produzido uma geração de peritos agrícolas que podem cultivar lowa [estado dos EUA] maravilhosamente; podem apresentar textos maravilhosos para a imprensa; mas não podem contar e não compreendem qual é a situação mundial. . .

      “Levantam-se em reuniões e dizem: ‘Mas, os senhores sabem que podemos alcançar alta produção disto, e uma alta produção daquilo.’ Minha réplica é: ‘Quando puderem alimentar os 3,5 bilhões de pessoas que vivem hoje voltem de novo, e falaremos sobre chegarmos aos 7 bilhões. Até então, sentem-se e calem a boca, porque não estão fazendo nada de bom.’”

      Isto nos faz lembrar a predição feita há alguns anos atrás por dois agrônomos, William e Paul Paddock. Em seu livro Famine — 1975! (Fome — 1975!) declararam que era inevitável a fome mundial em meados da década de 1970. Mas, então, a “revolução verde” começou, com seu otimismo inicial, e muitos menosprezaram tais predições de fome.

      Agora, contudo, as autoridades não tendem mais a zombar. Uma autoridade da Organização das Nações Unidas Para a Alimentação e Agricultura fornece a seguinte avaliação realista: “Ainda não sabemos ao certo. . . . Talvez ainda venhamos a descobrir que os Paddocks não estavam errados — simplesmente foram prematuros em suas datas”

      Muitos pensam do mesmo modo que Ehrlich, que afirma: “Penso que a data real é um sofisma. . . . Francamente tendo para o tremendo pessimismo. As pessoas me dizem: ‘Quais acha que são nossas possibilidades [de evitar a fome mundial]?’ Eu respondo que nossas possibilidades de êxito talvez sejam agora de 2 por cento, e que, se nos esforçarmos realmente, talvez possamos aumentá-las para 3 por cento.”

      O que é significativo é o fato de que tais ominosas predições estão sendo expressas agora, no meio da “revolução verde”. Também, nos últimos anos, houve colheitas relativamente favoráveis, com boas chuvas. Mas, o padrão natural não continua a ser favorável. Há secas periódicas, tais como a que a Índia experimentou em 1965 e 1966. Tendo crescido tanto a população mundial, em especial os pobres, desde então, secas similares poderiam trazer imensas catástrofes no futuro.

      Qual É a Solução?

      Não, a “revolução verde” não é a solução para os problemas de fome no mundo. E não são apenas os peritos agrícolas que reconhecem isto. Uma fonte bem mais elevada, o Criador do homem, Jeová Deus, afirma que ela não é a solução.

      A própria Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas, contém muitas profecias que nos dizem o que nos reserva o futuro. A profecia bíblica chama os nossos dias de “últimos dias”. (2 Tim. 3:1) Fornece muitas evidências que assinalam este tempo significativo na história humana. Uma das evidências preditas foi que “haverá escassez de víveres . . . num lugar após outro”. — Mat. 24:7.

      Por isso, não importa que êxito os novos tipos de cereais talvez tenham, será por pouco tempo. O atual sistema de regência entre as nações não poderá impedir por muito tempo que haja escassez de alimentos.

      A escassez de alimentos, porém, acabará, e isso muito em breve! Jeová Deus garante ‵em sua Palavra que ele solucionará de forma permanente os problemas do gênero humano, inclusive o da fome.

      Primeiro de tudo, o que é necessário é uma nova administração para governar esta terra e seus povos. O divisivo nacionalismo, o egoísta comercialismo e as desperdiçadoras guerras precisam ser eliminados, de modo que os recursos da terra possam ser corretamente usados.

      Como é que Deus fará isso? Por tomar ação direta nos assunto humanos. Sua Palavra promete que Ele removerá violentamente todos os arranjos governamentais e econômicos do atual sistema de coisas. Isto pavimentará o caminho para uma ordem inteiramente nova aqui na terra. Essa nova ordem será regida pelo governo celeste que Jesus Cristo ensinou a seus seguidores a pedir em oração, o reino de Deus. Com efeito, esse reino celeste é o que Deus usará para ‘esmiuçar e pôr termo a todos estes reinos’ que existem hoje. — Dan. 2:44; Mat. 6:9, 10.

      Sob a regência do Reino de Deus, os povos que então viverem têm a promessa de “um banquete de pratos bem azeitados” numa era em que “não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra”. Este governo celeste de Deus garante a distribuição correta das riquezas da terra. — Isa. 25:6; 2:4.

      Por conseguinte, não se deixe enganar pelas sugestões de que os humanos solucionarão o gigantesco problema de alimentos da atualidade. Não solucionarão, não. Não são os cientistas e sua “revolução verde”, mas é “Aquele que fez o céu e a terra” que satisfará as necessidades de toda a humanidade. (Sal. 146:6, 7) Quando? Sua Palavra promete: em breve! Deveras, nesta mesma geração, o reino de Deus regerá sem rival, para a bênção eterna de todos que adoram o verdadeiro Deus. — Mat. 24:34.

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