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  • Quem se beneficia mais da “revolução verde”?
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • virologia, Dean Fraser, da Universidade de Indiana, as novas sementes produzem abundantemente “apenas com a aplicação de grandes quantidades de fertilizantes”. Assim, é preciso que haja fertilizantes disponíveis. Mas, os fertilizantes nem sempre abundam nos países subdesenvolvidos.

      Mesmo quando há estoques disponíveis, o lavrador precisa poder comprar o fertilizante. A maioria dos lavradores nos países mais pobres também são pobres. Destarte, o lavrador que já se acha em boas condições e pode comprar o fertilizante usualmente colhe os maiores benefícios, e não aquele que sofre mais fome ou pobreza.

      Exigência Mais Urgente

      Há outra coisa exigida que é ainda mais crítica do que o fertilizante. Em India’s Green Revolution (A Revolução Verde da Índia), o autor E. R. Frankel declara: “O cultivo bem sucedido de trigos anões depende ainda mais fortemente de suprimentos garantidos de água. Com efeito, a irrigação em ocasiões fixas do ciclo de crescimento da planta é essencial para que atinja seu potencial de alta produtividade.” E o arroz precisa ainda de mais água do que o trigo.

      A irrigação não e a mesma coisa que a chuva. As novas variedades não podem depender da chuva incerta. Exigem a irrigação regular. Assim, o suprimento garantido de água é uma necessidade. Esta água de irrigação poderia provir de sistemas fluviais por meio de canais. Mas, nos países mais pobres, amiúde estes não foram construídos. Na maioria dos casos, exigem-se bombas para trazer a água do subsolo para a superfície.

      Tudo isto exige tecnologia; são necessárias máquinas para escavar canais, e fábricas para produzir bombas. Também, Frankel afirma: “Adicionalmente, os novos trigos também exigem mais sofisticado equipamento agrícola para produzir ótimas safras: aprimorados arados, discos e grades para o correto nivelamento do solo [de outra forma a irrigação não seria prática]; brocas para sementes e fertilizantes, para o plantio raso e o espaçamento exato das sementes; e equipamento para a proteção das plantas, a fim de impedir a ferrugem e outras pragas.”

      Quem se acha em condições de comprar tudo isto? De novo, é o lavrador que já é mais próspero.

      Note que o equipamento de proteção é necessário. Isto inclui o uso abundante de pesticidas para proteger os grãos novos. Isto não só exige dinheiro, mas é um poluente. No entanto, o amplo uso é desculpado como sendo o menor de dois males. Acha-se que o homem faminto não se preocupa com o dano a longo prazo resultante dos pesticidas. Ele quer é sentir a comida em seu estômago. Todavia, há o preço inevitável que terá de pagar mais tarde.

      Resumindo tais exigências, U. S. News World Report declarou: “As novas sementes, contudo, não podem sozinhas revolucionar a agricultura. Seu pleno potencial genético não pode ser alcançado sem a irrigação e a abundância de fertilizantes e pesticidas.” Tudo isso exige dinheiro. E os pobres e os famintos não são aqueles que dispõem dele.

      Desigualmente Distribuídas

      Devido a motivos como os precedentes, o livro India’s Green Revolution declara: “As conquistas da nova tecnologia têm sido; desigualmente distribuídas.”

      Tal conclusão tem o apoio do livro The Survival Equation, que afirma o seguinte:

      “Precisa-se dizer que a revolução é altamente ‘seletiva’, . . . Basta lembrar que três quartos dos acres cultivados da Índia não são irrigados, e a lavoura ‘seca’ predomina. Se não por outro motivo, amplas partes do país não foram sequer tocadas pela transformação, e igualmente amplas partes só podem jactar-se de ‘ilhotas internas’ . . .

      “A revolução verde influi sobre poucos, ao invés de sobre muitos, não só por causa das condições ambientais, mas também porque a maioria dos lavradores não têm recursos . . . Esperar tornar-se parte dela e, todavia, não chegando a sê-lo, cria questões sociais, econômicas e políticas perturbadoras em potencial. E este é o reverso da moeda, em qualquer avaliação do curso da revolução verde.”

      Portanto, ao passo que as colheitas e a renda totais aumentam, não são igualmente distribuídas. Exemplificando: em duas das maiores áreas produtoras de trigo da Índia, Bihar e Uttar Pradesh, calculadamente 80 por cento de todas as lavouras têm menos de uns três hectares. Isto significa que não dispõem dos recursos, usualmente, para tirar proveito da nova tecnologia. Assim, uma porcentagem relativamente pequena dos realmente necessitados é que é beneficiada. Com efeito, em toda a Índia, diz-se que 185 milhões de pessoas vivem em sítios que têm menos de 2 hectares.

      Também, em muitos dos países mais pobres há lavradores que não possuem seus sítios, mas que arrendam-nos de seus donos. E, nos anos recentes, subiram os preços da terra. Próximo das áreas em que se tem evidenciado a “revolução verde”, os valores às vezes subiram três, quatro ou cinco vezes mais. Em conseqüência, os aluguéis ascenderam vertiginosamente, tornando mais difícil o arrendamento. E alguns proprietários de terras, vendo os lucros que podem ser obtidos com as colheitas mais novas, decidem eles mesmos trabalhar a terra. Assim, expulsam os lavradores da terra, reduzindo-os a lavradores sem terras.

      O número de lavradores sem terras nas áreas rurais é estonteante. Apenas na Índia, diz-se que aqueles que não possuem nenhuma terra atingem mais de 100 milhões. Isso em adição aos milhões de pessoas pobres que se apinham nas cidades.

      Estes lavradores sem terras na Índia junto com os 185 milhões de outros que trabalham em menos de dois hectares, representam quase 300 milhões de pessoas! Trata-se da maioria da população rural da Índia. E a maioria deles vive em degradante pobreza. Diz-se que sua renda média é de apenas 200 rupees (cerca de Cr$ 126,00) por pessoa por ano.

      Com que resultados? India’s Green Revolution declara que isto tem “realmente levado à absoluta deterioração da condição econômica” das pessoas mais pobres. E, certo economista escreve em The Survival Equation que ‘os ricos se tornam cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres’.

      Assim, as próprias pessoas a quem a “revolução verde” deveria mais ajudar são aqueles a quem menos ajuda. E, nas nações subdesenvolvidas do mundo, trata-se dum problema de vastas proporções.

      A “Revolução Verde” Poderia Tornar-se “Vermelha”

      O escopo do problema pode ser visto por se observar as palavras do Primeiro-Ministro da Índia, Indira Gandhi. Falando aos Principais Ministros de todos os estados da Índia, disse: “O aviso dos tempos é que, a menos que a revolução verde seja acompanhada por uma revolução baseada em justiça social, a revolução verde talvez não permaneça verde.”

      Fica subentendido que poderia tornar-se “vermelha”, isto é, comunista, como reação contra a contínua pobreza, fome e injustiça. Isso já aconteceu antes, onde os pobres viram sua situação se deteriorar, ao passo que outros, em especial os mais ricos, se beneficiaram com a nova tecnologia.

      Nem deveria o leitor concluir que este é apenas um caso isolado em um único país. É a regra, antes que a exceção. Uma autoridade agrícola da Colômbia disse a convidados de uma conferência nutricional naquele país: “A ‘Revolução Verde’ está contornando o povo, o povo que mais precisa dela. Está-se aprofundando o abismo entre os ‘que têm’ e os ‘que não têm’.”

      Também, The Bulletin, um semanário australiano, disse: “O fracasso do alimento de passar à frente dos números não é primariamente um problema agrícola, mas sim econômico. O fato é que a massa do povo é pobre demais para comprar os melhores alimentos de que precisa, mesmo quando se acham disponíveis.” E isso é verdade em certa medida até mesmo nos Estados Unidos, onde o governo dá subsídios aos lavradores para manterem suas terras sem produção, ao passo que, ao mesmo tempo, milhões de estadunidenses são subnutridos, não tendo dinheiro para conseguir uma dieta adequada para a boa saúde.

      Resumindo esta situação, um relatório recente, de A. H. Boerma, Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas Para a Alimentação e Agricultura, declara: “A distribuição da renda adicional na agricultura se tem tornado, se é que se tornou algo, mais desigual, como o resultado de que os números absolutos da fome e da subnutrição aumentaram com o decorrer dos anos.”

  • Bastará a “revolução verde”,
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • Bastará a “revolução verde”,

      O PROBLEMA da fome já é bastante ruim hoje. Os peritos, porém, concordam que logo ficará pior.

      Por quê? Porque há algo mais a considerar. E isso é tido como o maior problema de todos.

      Georg Borgstrom, professor de ciência alimentar da Universidade Estadual de Michigan, indica qual é: “Quem pensa que a atual crise mundial de proteína irá explodir e cuidar de si mesma deve lembrar-se: os famintos do mundo se multiplicam duas vezes mais rápido do que os bem nutridos.

      Com efeito, um recente relatório das Nações Unidas mostra que os povos famintos do mundo estão aumentando realmente duas vezes e meio mais rápido do que os bem nutridos. Assim, ao passo que é verdade que mais pessoas estão comendo melhor porque aumenta a população nos países ‘prósperos’, também é verdade que o número de pessoas nos países pobres que não comem o bastante cresce muito mais rápido. É isso o que mais preocupa as autoridades quando elas falam da “explosão demográfica”.

      Assim, apesar da “revolução verde”, o problema da fome não está sendo solucionado. U. S. News & World Report, de 6 de março de 1972 declara: “O aumento rápido da população do mundo não mostra sinais de desaceleração, e talvez até mesmo se acelere nos anos vindouros. . . . A população cresce agora em 75 milhões a cada ano — bastante para criar novo Bangladesh em 12 meses. . . . Tão explosivo é o aumento que as autoridades demográficas temem que a fome se torne ampla em muitos países do mundo em desenvolvimento.”

      A atual população da Índia, de cerca de 570 milhões de pessoas, aumenta cada ano em cerca de 14 milhões. A respeito disto, o Times de Nova Iorque diz: “A menos que a taxa seja significativamente reduzida, a Índia terá um bilhão de pessoas por volta do ano 2000, ultrapassando em muito qualquer aumento na produção de alimentos.”

      Não obstante, outra fonte avisa que até mesmo se a Índia gradualmente alcançasse o “extraordinário feito de reduzir sua taxa de nascimentos pela metade” nos anos vindouros, isto ainda não seria o suficiente. Sua população excederia um bilhão por volta do ano 2000 de qualquer modo!

      O caso não é que a terra não possa sustentar 31/2 ou 4 bilhões de pessoas, ou mais. Ela pode. Mas, a estrutura econômica, social e política do mundo está arranjada de tal modo que relega à angustiante pobreza e fome cada vez mais pessoas, todo ano.

      Não Mais ‘Milagres’

      O que também perturba algumas autoridades é a compreensão de que grandes aumentos futuros na produção de alimentos serão difíceis de se conseguir. A maior parte da melhor terra nos países mais pobres já se acha plantada com as novas sementes.

      É por isso que reconhecida autoridade sobre a “revolução verde”, Lester R. Brown, do Conselho de Desenvolvimento Ultramarino, afirma: “Muito embora tenhamos, a curto prazo, algum espaço para respirar que se tornou possível graças à ‘revolução verde’, não podemos continuar expandindo a produção de alimentos para sempre. Há certos limites finitos sobre até que ponto podemos produzir culturas.” E o Professor Fraser afirma em The People Problem (O Problema do Povo):

      “Receio que muitos considerem a melhora temporária da crise de alimentos como evidência de que a ciência sempre virá em nosso socorro. . . .

      “Haverá ulterior melhora, mas não mais saltos quantum [grandes] de produção. Os genetistas . . . estão firmes em suas declarações de que futuros ‘milagres’ não devem ser esperados, ao posso que os presentes foram cabalmente predizíeis.”

      Mesmo durante os anos recentes do maior êxito da “revolução verde”, a população mundial cresceu tão rápido que quase que anulou o aumento das colheitas. E, quando chegar o tempo, nos países pobres, em que não se poderá mais aumentar as colheitas por hectare, enquanto a população continuar “explodindo”, então, o que acontecerá?

      O engenheiro químico Norbert Olsen disse em princípios de 1972: “Eu poderia trabalhar 24 horas por dia criando fertilizantes e novos meios de ajudar a produzir alimentos, e, ainda assim, isso não satisfaria a necessidade.” E Chemical Week (Semana Química), de 15 de março de 1972, relata: “Uma equipe de quatro homens do Instituto de Tecnologia de Massachusetts [concluiu que] . . . apenas por se estabilizar a população e a produção industrial pode o homem sobreviver além dos próximos 100 anos.”

      Em certas áreas, a crescente população já resultou no constante desmatamento. Diz-se que a devastação florestal e a pastagem excessiva nos prados da Índia ocidental já criaram áreas sujeitas a secas prolongadas, com tempestades de pó. E muitos pedaços de terra têm sido divididos e subdivididos nos grupos familiares com tanta freqüência que não podem ser mais divididos e ainda assim ser cultivados economicamente.

      Afirma o Bulletin da Austrália: “Em menos de um século, dobrou a extensão dos ermos do mundo resultando do ‘cultivo a seco, sujeito a tempestades de pó’ (e a destruição continua), ao passo que

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