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Página doisDespertai! — 1989 | 22 de julho
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Página dois
. . . Ou Esgoto Global?
O oceano nos fornece ar, alimento e água. Ele nos assombra com sua beleza e com sua força. Ele transporta a nós e a nossos bens ao redor do globo. Caso ele morresse, a humanidade morreria junto com ele. Como, então, está a humanidade tratando o oceano? Como um precioso recurso? Não. Infeliz e tolamente, com demasiada freqüência, está sendo tratado como um esgoto global.
[Crédito da foto na página 2]
Foto: H. Armstrong Roberts
[Crédito da foto na página 5]
Foto da capa: Camerique/H. Armstrong Roberts
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Oceanos — precioso recurso ou esgoto global?Despertai! — 1989 | 22 de julho
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Oceanos — precioso recurso ou esgoto global?
Vai deslizando, ó tu, oceano profundo e azul-marinho — vai deslizando!
Dez mil frotas te singram em vão;
O homem marca a terra com a ruína — seu controle
Cessa na praia.
De Childe Harold’s Pilgrimage (Peregrinação de Childe Harold), de Lorde Byron.
OUVE época em que tais palavras eram mais do que apenas poéticas; elas eram verdadeiras. Mas isso não mais acontece. Atualmente, as palavras do poeta, que tão bem expressam a vastidão do oceano e sua aparente invulnerabilidade aos insignificantes esforços humanos de conspurcá-lo, soam tão falsas e tão vazias quanto a idéia de que o homem jamais voaria. O controle do homem não mais cessa na praia. Ele tem deixado sua marca no mar, e se trata duma marca feia.
Já foi alguma vez à praia? Caso tenha ido, sem dúvida tem gratas recordações dessa experiência: o brilho da luz do sol sobre a água; a rebentação tranqüilizadora e rítmica das ondas na praia; o nado revigorante; as brincadeiras nas ondas. Só em pensar nisso faz com que anseie a próxima vez, não faz? Mas talvez não exista uma próxima vez. E essa talvez seja a menor de nossas preocupações; o oceano faz mais do que agradar aos nossos sentidos.
Por exemplo, respire fundo. De acordo com The New Encyclopædia Britannica, você deve muito desse ar inalado aos oceanos. Como assim? Ela afirma que as águas deste planeta, especificamente as algas nelas contidas, fornecem cerca de 90 por cento do oxigênio que respiramos. Outros calculam que apenas os microscópicos fitoplânctons dos oceanos fornecem até um terço do oxigênio do planeta. Os oceanos também moderam a temperatura do globo, sustentam uma variedade incrivelmente rica de vida, e desempenham um papel crucial no clima global e nos ciclos da chuva. Em suma, os oceanos são uma chave para a vida neste planeta.
Um Esgoto Global
Mas, para o homem, eles são mais do que isso. Eles são também um depósito de lixo. Esgotos sanitários, resíduos químicos de fábricas, e as águas carregadas de pesticidas, que escorrem das terras agrícolas, tudo isso segue em direção aos oceanos, via barcaças, rios e tubulações. O homem há muito trata os oceanos como gigantesco esgoto. Mas, agora, o esgoto começou a voltar-se contra ele. Praias de recantos populares ao redor do mundo tiveram de ser interditadas, nos anos recentes, à medida que o lixo dava na praia, numa amostragem repulsiva.
Parafernália de remédios e resíduos de tratamentos médicos, tais como ataduras sujas, agulhas hipodérmicas e frascos de sangue — alguns contaminados pelo vírus da AIDS — ganharam as manchetes, ao emergirem nas praias costeiras do leste dos Estados Unidos. Pelotas de esgotos não-tratados, ratos de laboratório mortos, um revestimento de estômago humano, e alguns itens mais repugnantes, todos mostraram sua horripilante presença. Alguns se tornaram bem comuns.
Tal crise assola as praias do mar do Norte e do mar Báltico, no norte da Europa, do mar Adriático e do Mediterrâneo, no sul da Europa, e até mesmo existe ao longo das praias soviéticas do mar Negro e do oceano Pacífico. Praias têm sido interditadas, uma vez que os banhistas, em tais lugares, arriscavam-se a contrair uma ampla variedade de doenças. Jacques Cousteau, famoso explorador mundial dos oceanos, escreveu recentemente que os banhistas em algumas das praias do Mediterrâneo enfrentavam 30 doenças, que iam dos furúnculos à gangrena. Ele predisse uma época em que ninguém ousaria enfiar a ponta do pé na água.
Os resíduos da humanidade, porém, fazem mais do que fechar praias e causar inconveniências para os nadadores. Seus danos se espalharam às águas mais profundas.
Há vários anos, Nova Iorque começou a despejar a vasa de esgoto que produz, a cerca de 200 quilômetros da costa de Nova Iorque, EUA. Recentemente, de canyons submarinos situados a cerca de 130 quilômetros, pescadores começaram a trazer peixes que apresentavam lesões e escamas podres, e crustáceos e lagostas com a “doença burn spot” — buracos em suas carapaças que pareciam ter sido feitos por maçaricos. Autoridades governamentais negam qualquer relação entre o local de despejo de esgoto e os peixes doentes, mas os pescadores não pensam assim. Um superintendente das docas disse à revista Time que os nova-iorquinos “receberão seu lixo todo de volta nos peixes que estão comendo”.
Os peritos acham que a poluição oceânica está-se tornando rapidamente uma epidemia global; nem se limita às nações industrializadas. Os países em desenvolvimento também estão sob cerco, por dois motivos. Primeiro, os oceanos do mundo são, na realidade, um só grande oceano, com correntes que ignoram fronteiras. Segundo, as nações industrializadas têm-se aproveitado das mais pobres como depósitos para seus resíduos. Apenas nos últimos dois anos, os Estados Unidos e a Europa mandaram cerca de três milhões de toneladas de resíduos perigosos para os países da Europa Oriental e da África. Além disso, alguns empreiteiros estrangeiros constroem fábricas na Ásia e na África sem incluir nelas os sistemas necessários de disposição final dos resíduos.
A Praga do Plástico
Com o plástico, o homem se vê confrontado com outro prodígio da imaginação que fugiu do controle. Às vezes, parece que a tecnologia não pode existir sem ele. O plástico pode parecer indispensável; e também é virtualmente indestrutível. Quando o homem acaba de usá-lo, tem muita dificuldade de livrar-se dele. O plástico de um pacote de seis latas de cerveja poderia durar entre 450 a 1.000 anos.
Uma forma popular de livrar-se desse material, como talvez tenha imaginado, é lançá-lo no mar. Com efeito, recente relatório calculava que, anualmente, cerca de 26.000 toneladas de embalagens e 150.000 toneladas de itens para pesca são perdidos ou jogados no mar. Segundo a revista U.S.News & World Report, “navios mercantes ou da marinha de guerra descartam-se de 690.000 recipientes de plástico por dia”. Um perito calculou que, mesmo no meio do oceano Pacífico, existem cerca de 50.000 fragmentos de plástico para cada quilômetro quadrado.
Os oceanos não conseguem absorver esta praga de plástico. Geralmente ele flutua intato até que o mar o vomita em alguma praia, onde continua a macular a beleza da Terra. Mas, no ínterim, faz algo muito mais grave.
Preço Alto Demais
O problema do plástico, como o de outros poluentes, é o seu custo em termos de vida. Gigantescas tartarugas-do-mar confundem sacos de lixo flutuantes com as translúcidas e ondulantes medusas — um dos seus pratos favoritos. As tartarugas ou ficam sufocadas com os sacos, ou os engolem inteiros. De qualquer modo, o plástico as mata.
Todos os tipos de vida marinha, das baleias aos golfinhos e focas, ficam enredados em linhas e redes de pesca descartadas. As focas brincalhonas metem o focinho em anéis abandonados de plástico e então, sendo incapazes de retirá-los, ou de sequer abrir a boca, vêm lentamente a morrer de fome. As aves marinhas ficam enredadas nas linhas de pescar e freneticamente se debatem nelas até morrer, ao tentarem soltar-se, e não se trata de casos isolados. O lixo sufoca cerca de um milhão de aves marinhas e cem mil mamíferos marinhos por ano.
A poluição química também contribui com seu quinhão para o tributo de mortes. No verão setentrional passado, focas mortas começaram a dar nas praias do mar do Norte. Em questão de meses, cerca de 12.000 das 18.000 focas das baías do mar do Norte foram exterminadas. O que as matou? Um vírus. Mas há algo mais envolvido. Os bilhões de litros de resíduos regularmente despejados no mar do Norte e no Báltico também desempenharam uma parte, enfraquecendo o sistema imunológico das focas, e contribuindo para tal doença espalhar-se.
Ao passo que a poluição concentra-se especialmente no mar Báltico e no mar do Norte, nos dias atuais um animal teria muita dificuldade em encontrar uma faixa de oceano que não estivesse poluída. Nos longínquos lugares do Ártico e da Antártida, os pingüins, os narvais, os ursos-polares, os peixes e as focas apresentam todos, nos tecidos do corpo, vestígios das substâncias químicas e pesticidas produzidos pelo homem. As carcaças das belugas ou baleias-brancas no golfo de São Lourenço, no Canadá, são consideradas resíduos perigosos, por estarem tão carregadas de toxinas. Na costa atlântica dos Estados Unidos, cerca de 40 por cento dos golfinhos da área morreram em apenas um ano, dando às praias com furúnculos, lesões, e com retalhos de pele se soltando.
Obstruindo um Mecanismo Delicado
A poluição oceânica também sofre outra penalidade. Ela causa uma obstrução mortal a complexos ecossistemas, com resultados aterrorizantes. Por exemplo, os oceanos foram projetados com mecanismos de defesa contra a sujeira. Os estuários e os manguezais na foz dos rios são filtros eficazes, removendo da água as substâncias prejudiciais, antes que ela deságue no mar. O próprio oceano possui tremenda capacidade de renovar-se e de purificar-se das impurezas. O homem, porém, está aterrando os manguezais, sobrecarregando os estuários, e, ao mesmo tempo, lançando resíduos nos oceanos, mais rápido do que estes conseguem absorvê-los.
À medida que os esgotos sanitários e a água das plantações agrícolas correm desimpedidos para os mares, isso superalimenta as algas, que então resultam nas marés vermelhas e marrons, que exaurem o oxigênio da água e matam a vida marinha por quilômetros ao redor. Tais marés estão aumentando em todo o mundo.
O homem tem até mesmo causado poluição de modos jamais dantes imaginados. Por exemplo, existe a poluição térmica. O influxo de resíduos quentes que eleve ainda que ligeiramente a temperatura da água local pode proporcionar o crescimento de organismos que transtornam o ecossistema.
Há também a poluição sonora. De acordo com The New York Times, o homem abalou a quietude do mundo submarino com suas explosões realizadas para estudos sísmicos, com suas perfurações em busca de petróleo, e com seus maciços navios. Os ruídos causam danos aos sensíveis órgãos auditivos dos peixes, das baleias e das focas — talvez até mesmo prejudicando sua capacidade de comunicar-se uns com os outros. O livro Cosmos, de Carl Sagan, afirma que é possível que outrora as baleias pudessem ouvir os sons de baixa-freqüência umas das outras através de milhares de quilômetros do oceano, numa distância tão grande como a entre o Alasca e a Antártida. Sagan calcula que o advento da interferência do ruído humano reduziu tal distância a algumas centenas de quilômetros. “Bloqueamos as baleias”, lamenta ele.
Os oceanos também ilustram quão interligadas se têm tornado as crises de poluição. Por exemplo, devido aos danos causados pelo homem à camada de ozônio da atmosfera da Terra, mais raios ultravioleta atingem os mares e destroem o plâncton que flutua próximo à superfície. Visto que o plâncton absorve o bióxido de carbono, destruí-lo contribui para o aquecimento global conhecido como efeito estufa. Até a chuva ácida entra no quadro, à medida que lança o nitrogênio produzido pelo homem nas águas do mundo, talvez estimulando mortíferos surtos de crescimento de algas. Que teia emaranhada e perigosa o homem tem tecido!
Mas, é o quadro completamente sem esperança? O que acontecerá com nossos oceanos? Estão todos condenados a degenerar-se em charcos sem vida de substâncias químicas e lixo?
[Quadro na página 5]
UMA PRAGA GLOBAL
▪ Em 1987, 33 por cento dos leitos de mariscos nos EUA tiveram de ser fechados por causa da poluição.
▪ Sylt, uma ilha de veraneio alemã, no mar do Norte, há muito famosa por suas praias limpas, foi assolada, no último verão setentrional, por uma infestação de algas e de poluição. Uma camada de quase um metro de espuma fedorenta cobria as praias.
▪ Alguns naturalistas ansiavam visitar Laysan, uma remota e desabitada ilha do Pacífico, situada a 1.600 quilômetros do Havaí. Eles encontraram as praias cobertas de restos de plástico e de lixo.
▪ Em todo o mundo, o homem joga anualmente cerca de seis milhões de toneladas de óleo nos oceanos — a maior parte de propósito.
▪ De acordo com o grupo conservacionista Greenpeace, o mar da Irlanda contém mais resíduos radioativos do que todos os oceanos combinados. A contaminação pode ter contribuído para um aumento de 50 por cento das taxas de leucemia ao longo da costa.
▪ As praias de todos os países ao longo do oceano Índico estão assoladas de bolotas de alcatrão formadas pelo óleo lançado ao mar pelos navios-tanques.
▪ Redes perdidas ou jogadas fora, da indústria pesqueira, enredam e matam cerca de 30.000 focas do hemisfério setentrional a cada ano. Apenas os barcos asiáticos perdem, calculadamente, 16 quilômetros de redes toda noite.
▪ Enquanto o Governo italiano dizia que 86 por cento de suas praias eram limpas, os ambientalistas fixavam o índice em 34 por cento. Cerca de 70 por cento das cidades ao longo da costa do Mediterrâneo lançam os esgotos sanitários não-tratados diretamente no mar.
▪ As 20.000 ilhas do Sudeste da Ásia têm sofrido danos causados pela mineração de estanho e pelas explosões realizadas na plataforma submarina, e pelo lançamento de resíduos vindos de terra firme e de navios. O preço: espécies em perigo de extinção, recifes de corais danificados, e praias assoladas de bolotas de graxa e de alcatrão.
▪ A revista Veja, do Brasil, publicou um artigo intitulado “Um grito de socorro”, sobre a poluição das costas e das águas litorâneas do Brasil. O culpado: a incorreta disposição final dos esgotos e a industrialização sem as necessárias precauções.
[Foto na página 7]
Vazamentos de óleo ceifam milhares de vidas.
[Crédito]
H. Armstrong Roberts
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Oceanos — quem pode salvá-los?Despertai! — 1989 | 22 de julho
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Oceanos — quem pode salvá-los?
NUM certo dia, do outono setentrional de 1988, nove homens e quatro mulheres pularam do alto de uma ponte de Nova Iorque — todos de uma só vez. Eles despencaram por uns 20 metros, e então ficaram pendurados imóveis, balançando de cordas de montanhismo, e esperando. Qual era a intenção deles? Era a de bloquear a passagem de uma barcaça carregada de vasa de esgoto, a ser lançada no oceano. O resultado foi anticlimático; a barcaça simplesmente contornou os protestadores, seguindo por outra rota, e lançou seu refugo no mar, como de costume. Os protestadores acabaram sendo presos.
Muitos outros estão lutando tenazmente, mas por meios legais, para impedir a morte dos oceanos do mundo. Há uma abundância de tratados, e proliferam as leis. Sancionaram-se leis que proíbem o lançamento de plásticos no oceano. Navios-tanques têm sido proibidos de jogar no mar a água oleosa usada na lavagem dos tanques. Tem-se tido êxito em limpar certos rios e faixas litorâneas.
Numa visão geral, porém, os triunfos têm sido raros, e os fracassos são comuns. Os ambientalistas receiam que, enquanto for mais barato jogar resíduos no oceano, haverá aqueles que burlarão as leis, assim como a barcaça de vasa de esgoto, mencionada antes, evitou os protestadores. Infelizmente, o que muitas vezes decide tais questões é o dinheiro, a motivação dos lucros. Proteger o meio ambiente rende pouco e custa muito.
Será Deus o Culpado?
Todavia, a revista Time achou que o problema da poluição era suficientemente urgente a ponto de deixar de nomear um “homem do ano”. Em vez disso, seu primeiro número de janeiro de 1989 citou a afligida Terra como “Planeta do Ano”. É interessante, porém, que tais artigos sobre a crise ambiental às vezes assumem cínicos pontos de vista sobre a Bíblia.
O artigo da Time começava citando Eclesiastes 1:4: “Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.” “Não, não para sempre”, comentava o autor do artigo. “No limite máximo, a terra provavelmente durará outros 4 bilhões a 5 bilhões de anos.” O mesmo autor comentou mais tarde que a ordem dada ao primeiro casal humano de ‘subjugar a terra’ “poderia ser interpretada como um convite para usar a natureza como item conveniente a ser usado. Assim, a disseminação do Cristianismo, geralmente considerada como pavimentando o caminho para o desenvolvimento da tecnologia, pode ter, ao mesmo tempo, levado as sementes da exploração irresponsável da natureza”. A revista Life chegou ao ponto de alistar a promessa da Bíblia, de que “os mansos herdarão a terra”, entre as predições ridículas e falsas.
Todas essas declarações têm um veio comum: Elas se baseiam em suposições de que, ou Deus não existe, ou ele não inspirou a Bíblia, ou ele não tem a sabedoria e o poder de orientar sua criação e de cumprir suas promessas. O que pensa disso o leitor? Não existe uma certa arrogância ao se lançar tais suposições sem evidência? Qualquer pessoa que tenha testemunhado o assombroso poder e a beleza do oceano numa tempestade já obteve evidência, de primeira mão, de que Aquele que criou nosso planeta é deveras poderoso. Sua sabedoria se acha evidente em toda a parte dos oceanos, e na vida que pulula neles.
A ordem de Deus de ‘subjugar a terra’ não era uma licença para destruí-la, mas, em vez disso, era a concessão dum cargo de administração, a responsabilidade de cuidar da Terra e cultivá-la. Afinal de contas, se Deus, por mandar que a humanidade ‘subjugasse a terra’, quisesse que nós a transformássemos nessa confusão atolada de poluição em que ela rapidamente se está tornando hoje, então por que proveu Ele para Adão e Eva o jardim paradísico do Éden, para o usarem como modelo? E por que Deus ordenou ao homem que “o cultivasse e tomasse conta dele”, e, com o tempo, ampliasse suas fronteiras por subjugar os “espinhos e abrolhos” que cresciam fora deste jardim modelar? — Gênesis 2:15; 3:18.
Com efeito, a Bíblia há muito fez uma notável predição que só poderia aplicar-se à nossa própria geração destrutiva, a saber, que Jeová vai “arruinar os que arruínam a terra”. (Revelação [Apocalipse] 11:18) A profecia bíblica indica que esse tempo está próximo.
Todavia, alguns culpam a Deus pela poluição, e apontam para o próprio homem como a resposta, a única esperança. A razão sugere o oposto — que o próprio homem é culpado, que a solução está bem fora de seu alcance. Culpar a Deus não é algo novo. Provérbios 19:3 há muito expôs esse míope ponto de vista humano: “A falta de juízo é o que faz a pessoa cair na desgraça; no entanto ela põe a culpa no Deus Eterno.” — A Bíblia na Linguagem de Hoje.
A administração instituída no Éden, há cerca de seis mil anos, não é obsoleta. Qualquer pessoa, hoje em dia, que respeite o Criador pode mostrar isso por respeitar as obras dele, em vez de descuidadamente conspurcar o meio ambiente. Cada um de nós pode ajudar a manter limpos os oceanos. (Veja o quadro abaixo.) Mas, infelizmente, este sistema mundial está estabelecido dum modo que qualquer pessoa que não deseje contribuir em nada para a poluição da terra e dos mares teria de tornar-se um eremita, isolado num local ermo. Os imitadores de Jesus não dispõem de tal opção; seu ministério não lhes permite isso. — Mateus 28:19, 20.
Assim, a única esperança de que haja um fim completo da poluição dos oceanos reside, não em nós, mas em Deus. Suas promessas se contrastam fortemente com os fracassos humanos; Deus jamais deixou de cumprir uma sequer delas. É por isso que as seguintes palavras, tiradas da Bíblia, podem ser de grande conforto para nós: “Só tu és Jeová; tu mesmo fizeste os céus, sim, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo o que há sobre ela, os mares e tudo o que há neles; e tu preservas vivos a todos eles.” — Neemias 9:6.
Dentro em breve, a Terra e seus oceanos readquirirão uma beleza duradoura. Sim, o “oceano profundo e azul-marinho” irá deslizando — vivo para sempre. O Criador se certificará de que isto aconteça.
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