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  • “Jeová é o meu Pastor; nada me faltará”

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  • “Jeová é o meu Pastor; nada me faltará”
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1963
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A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1963
w63 15/8 pp. 501-504

“Jeová É o Meu Pastor; Nada me Faltará”

Relatado por Konrad Franke

NUM dia chuvoso de verão, de 1920, meu pai convidou-me a acompanhá-lo a uma reunião dos “Zelosos Estudantes da Bíblia”. Ele estava especialmente impressionado com o nome dos patrocinadores da reunião. Morávamos numa pequena aldeia na extremidade dos Montes Metalíferos, na Saxônia, Alemanha, e a aldeia onde se realizaria a reunião ficava a duas horas a pé.

Embora eu tivesse apenas dez anos de idade, já conhecia a parte séria da vida. A Primeira Guerra Mundial, travada em nome de Deus, deixara o seu sinal sobre a nossa família. Poderiam os “Zelosos Estudantes da Bíblia” dar uma resposta satisfatória à pergunta suscitada freqüentemente: Por que tem a humanidade sofrido tanta dor e infortúnio?

O que ouvimos eram realmente boas novas. Decidimos ambos participar em levar estas boas do reino de Deus a outros que se achavam no mesmo estado desesperançoso. Daquele dia em diante, senti o desejo de devotar minhas energias ao serviço de Deus, que provara ser tão bom para com o homem. Algumas semanas mais tarde, surgiu uma oportunidade. A notável campanha de reuniões públicas, pondo em destaque o discurso “Findou o Mundo, Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”, tinha chegado à nossa vizinhança. Que alegria foi convidar o povo para assistir a este discurso!

Durante as reuniões concedeu-se-me sentar junto aos adultos, e continuava a adquirir cada vez mais conhecimento sobre os propósitos de Jeová. Em 1922, decidi simbolizar a minha dedicação por imersão em água, mas outros na congregação me disseram para esperar até que ficasse mais velho. Finalmente, em 1924, fui batizado.

ACEITEI A CHAMADA

Logo terminaram os anos da minha infância. Havia aprendido uma profissão, mas esta não me satisfez. Ficava pensando em todo o trabalho de pregação que ainda restava a fazer. Amiúde falava a outros da minha idade, que da mesma forma não tinham responsabilidades bíblicas que os impedissem, sobre a contínua chamada de ministros pioneiros de tempo integral contida no Boletim (hoje conhecido por Ministério do Reino). Não, não havia razão plausível para que eu não aceitasse a chamada. De modo que fiz a minha decisão que só estava em segundo lugar depois da minha dedicação a Jeová quanto aos efeitos dela sobre a minha vida. Ingressei no ministério de pioneiro com o desejo fervoroso de que não fosse apenas por certo tempo, mas que fosse realmente para sempre. Não teria sido um sinal de ingratidão e falta de boa vontade para com Jeová desconsiderar e pôr de lado o seu convite amistoso de entrar de todo o coração e completamente no seu serviço?

Aprendi que era uma luta contínua reter este privilégio de serviço de tempo integral. Satanás está sempre pensando em inventar novos métodos e meios para forçar os pioneiros a desistir dos seus privilégios de serviço. A princípio; meus problemas eram de natureza geral: suportar a intolerância religiosa, viajar de bicicleta a longas distâncias nas regiões montanhosas e, finalmente, ter completa confiança em Jeová, que havia dado a certeza de prover as coisas necessárias, no sentido de roupa, abrigo e alimento. Subitamente, surgiu um novo problema. Desejava casar-me. Seria isto motivo para deixar o ministério de tempo integral? Não precisaria, tendo o meu futuro cônjuge a mesma atitude para com este privilégio de serviço e a mesma apreciação por este que eu tinha.

Ela o tinha!

ABREM-SE AS PORTAS DA COVA DOS LEÕES

Logo após o nosso casamento, começou a escurecer o panorama político na Alemanha. Diversos anos antes, A Sentinela havia chamado à nossa atenção a possibilidade da perseguição, nos artigos sobre “Ester e Mardoqueu”. Felizmente, havíamos feito pleno uso de toda oportunidade para estudar, tanto em particular como com os nossos irmãos cristãos nas reuniões, de modo a ancorar na mente estas importantes informações. Em tempos de dificuldade certamente nos ajudariam a reter bem em mente a certeza da proteção de Jeová.

Veio o ano de 1933 e Hitler apoderou-se do poder. Que efeitos teria isto sobre o nosso ministério de tempo integral? Não era o nosso desejo servir a Jeová com toda a nossa força, não só em tempos bons, mas também em tempos dificultosos? Depositamos completa confiança nele.

Em vista da possibilidade de que o governo proscrevesse subitamente a nossa obra, fizemos extensivos arranjos para lançar o folheto bíblico Crise no período de 8 a 16 de abril de 1933. Todos tinham a impressão de que em questão de apenas alguns dias a obra seria suprimida. Isto estimulou os publicadores do Reino a se empenhar em ainda maior atividade. A nossa congregação distribuiu 6.000 folhetos nos primeiros três dias. Resultados similares foram relatados em todo o país. Isto provou ser demais para os novos dominadores. Naquela mesma semana foram dados passos para a proscrição da obra, resultando na prisão de vários dentre nós. Após vasculharem a nossa casa, fomos soltos no mesmo dia, mas as proscrições se seguiram num estado alemão após outro.

Naquele mesmo ano, tive o privilégio de assistir ao memorável congresso realizado em Berlim, onde se resolveu que uma declaração unanimemente adotada ali fosse enviada a todos os agentes do governo alemão. Logo ao voltar para casa, enviei cinqüenta exemplares às mais altas autoridades no nosso território. Em resposta ordenaram a minha prisão e me retiveram num campo de concentração por três semanas. Muitos alemães ainda não sabiam da existência de tais campos.

Não demorou muito e empregaram-se métodos da “Idade Média” para fazer com que os prisioneiros se conformassem com a orientação do partido. Este método chocante teve muito êxito e a maioria se conformou rapidamente, não podendo fazer outra coisa senão repetir: “O que o Fuehrer ordenar, isso faremos.” As testemunhas de Jeová, porém, não se uniram nessa expressão.

Após a minha soltura, continuei a procurar as “outras ovelhas”, ‘indo de casa em casa com apenas a Bíblia. Foi-me confiada uma responsabilidade adicional de prover aos irmãos numa parte do país o alimento espiritual. Que bênção provou ser então a nossa consciência em prestar atenção às instruções recebidas anteriormente! Estando interrompidas as comunicações com a matriz, cada Testemunha individual tinha de fazer muitas vezes decisões difíceis, o que exigia firme fé, decisões que poderiam representar a perda da liberdade ou até mesmo a perda da vida.

DESTEMIDO

O dia 7 de outubro de 1934 foi uma data a ser lembrada. Há muito eu sabia que a minha correspondência estava sendo violada pela Gestapo e a minha casa estava sob vigilância. Contudo, visto que não havia à disposição nenhum outro lugar conveniente, foram feitos arranjos para a realização de uma reunião na nossa pequena casa, naquela manhã, às nove horas. Reuniões similares estavam sendo realizadas em toda a cidade e em toda a Alemanha. Na noite anterior, sob circunstâncias um tanto peculiares, recebi uma carta que continha informações sobre as reuniões do dia seguinte. Havia pouca dúvida de que a Gestapo sabia o que havíamos planejado. Viriam eles?

Em vista da seriedade da situação, começamos a reunião com a consideração de Deuteronômio 20:8: “Qual o homem medroso e de coração tímido? Vá, torne-se para sua casa, para que o coração de seus irmãos se não derreta como o seu coração.” (ALA) Era comovedor ver como todos os presentes, inclusive as mulheres que tinham marido opositor e filhos para cuidar, declararam que estavam dispostos a permanecer. Adotou-se então com entusiasmo uma resolução. Declarava, em parte, que obedeceríamos aos mandamentos de Deus custe o que custar, que nos reuniríamos para o estudo da sua Palavra, e que adoraríamos e serviríamos a ele conforme ele ordenara. Se o governo de Hitler ou as autoridades nos fizessem violência por obedecermos a Deus, então o nosso sangue cairia sobre eles e teriam de prestar contas ao Deus Altíssimo. Enquanto se adotava esta resolução, os nossos irmãos de outros países estavam enviando milhares de telegramas em protesto a Hitler, advertindo-o de que se refreasse de perseguir as testemunhas de Jeová, do contrário Deus o destruiria, bem como ao seu partido nacional.

Duas horas depois de terminar a reunião, chegou a Gestapo. Duas semanas mais tarde fui lançado outra vez num campo de concentração, desta vez por um período de dois meses. Ao ser posto em liberdade, recomecei imediatamente o serviço de pioneiro. Nesse meio tempo, meu campo de atividade se expandira. Servia então como superintendente de distrito com um grande território para cuidar. Embora tivesse que me apresentar à polícia um dia sim, um dia não, pude cumprir todos os meus deveres ministeriais, fazendo-os muitas vezes de noite.

Em 1935, passei mais três semanas na prisão. Entretanto, a pior onda de perseguição que já havíamos conhecido até então veio em 1936. Alguns dias antes do congresso em Lucerna (na Suíça), fui preso pela quinta vez, para não mais voltar por nove longos anos.

Aqueles nove anos revelaram ser realmente uma prova da minha integridade. Às vezes, quando, do ponto de vista humano, a situação parecia insuportável, a bem-conhecida “declaração” me era apresentada como o era perante todos os irmãos. Se assinássemos esta declaração, renunciando para sempre â organização de Jeová, prometia-se-nos imediata soltura. Visto que eu não quis comprar a minha liberdade e perder a vida eterna em troca de um “repasto”, depositei completa confiança em Jeová, convicto de que se fosse a vontade dele, ele me soltaria no seu devido tempo, assim como libertara a Daniel da cova dos leões.

Quando essa libertação chegou, quão impressionante provou ser! Como é de imaginar; a minha saúde não era boa. Minha esposa estivera na prisão por muitos anos e por mais de um ano eu não tinha tido nenhuma notícia dela. Apesar disto, estava determinado a voltar para o meu antigo território o mais depressa possível para continuar o serviço de pioneiro.

REENCONTRO

No caminho procurei localizar, alguns dos meus parentes. Será que ainda viviam? Certo dia, caminhando pela rua principal de uma grande cidade industrial bombardeada, onde moravam os pais da minha esposa, deparei com a minha esposa! Podem imaginar o que senti?

Alguns dias depois, encontrei meu pai. Ele também acabava de voltar de nove anos de prisão num campo de concentração. Jamais esquecerei a minha alegria ao saber que eles também haviam mantido a integridade a Jeová. — Salmo 124.

Depois de passar ali um mês, eu e minha esposa partimos para o nosso antigo território à distância de mais de quatrocentos e oitenta quilômetros ao oeste. Quando estávamos quase na metade do caminho, depois de duas semanas de viagem dificultosa, encontramos uma irmã que nos contou que as bombas haviam destruído a nossa casa apenas algumas semanas antes de findar a guerra. Pensei outra vez nas experiências de Jó, conforme amiúde havia pensado no período de 1933 a 1945. Como sempre, isto provou ser uma grande fonte de força. No dia seguinte, continuamos a nossa difícil viagem.

Era setembro de 1945. Não tínhamos onde morar, a minha saúde certamente não era como deveria ser, e, por não ter outra coisa, ainda estava usando minha roupa listrada da prisão. Mas não via motivo para demorar em reiniciar o meu ministério de pioneiro. Enquanto os irmãos na direção da obra estavam lutando para recuperar a posse da propriedade da Sociedade em Magdeburgo, recebi o trabalho de reorganizar as congregações na Alemanha Ocidental. As necessidades e as privações que surgiram então não eram nada em comparação com aquilo que já havíamos sofrido. Pudemos depositar plena confiança em Jeová, consolados com o entendimento de que ele nos orientava.

RECONSTRUÇÃO

Após regressarmos ao nosso território, mudamo-nos para um quartinho de inquilino ausente. No mesmo edifício havia uma pequena loja que eu havia alugado um pouco antes. O nosso quartinho se tornou o nosso primeiro lar de Betel e a lojinha o nosso primeiro escritório filial em Wiesbaden. Um pouco mais de um ano depois, em virtude de eu ter sido vítima da perseguição nazista, recebi a concessão de me mudar para um pequeno apartamento de dois aposentos. Pudemos alugar mais um quarto maior no mesmo prédio, e este foi usado como escritório. Era o nosso segundo lar de Betel. Foi aqui que os irmãos Knorr, Henschel e Covington nos visitaram em 1947. Foram então feitos arranjos legais com as autoridades de Wiesbaden para arrendar um edifício arruinado que nós próprios estávamos preparados para reconstruir.

De ano em ano tornou-se necessário aumentar o tamanho do nosso lar. Finalmente, todo o espaço disponível no edifício havia sido reconstruído e incorporado ao lar de Betel. Estabeleceu-se uma oficina gráfica e isto tornou necessário um anexo ao edifício em 1952. Até mesmo este em pouco tempo provou ser inadequado e, em 1958, construiu-se um prédio muito maior. Atualmente, temos espaço para 140 trabalhadores de Betel, mais 28 irmãos que freqüentam a Escola do Ministério do Reino para superintendentes.

Quão gratificador é ter experimentado tudo isto! Quantas vezes senti a ajuda e a proteção de Jeová! Vez após vez, enfrentei a morte, mas posso unir-me ao salmista em dizer: ‘Jeová é o meu pastor; nada me faltará.’ Ele cuidou de mim e me alimentou durante todos os trinta e oito anos e mais que tenho estado no seu serviço. Em harmonia com a sua promessa, sempre me foram providos roupa, alimento e abrigo. Mesmo quando estava no “vale da sombra da morte”, ele provou ser o meu cajado e o meu bordão, confortando-me. Juntamente com todo o seu povo, ele me tem conduzido em pastos verdejantes e aos lugares de descanso, bem regados, e me tem conferido ricos privilégios de serviço como expressão de sua benignidade imerecida.

Verdadeiramente, Jeová nos abençoa muito além do que podemos pedir ou compreender quando aceitamos a sua chamada e ingressamos de todo o coração no ministério como suas testemunhas.

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