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Firme apesar de perseguição por clérigos, nazistas e comunistasA Sentinela — 1976 | 1.° de junho
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ali à câmara de gás, ele me disse: “Irmão Seliger continue com o que comecei aqui e fortaleça os irmãos, assim como já procurou fazer.” Considerei isso uma tarefa honrosa da parte de Jeová. E, visto que fui designado a trabalhar no hospital, consegui achar tempo para escrever textos bíblicos, diários, durante todo um mês por vez. Estes foram passados para as outras Testemunhas no campo.
FIRME, APESAR DA PERSEGUIÇÃO COMUNISTA
Depois da guerra e do meu livramento do campo, tive o privilégio de ajudar na reorganização da obra de pregação das Testemunhas de Jeová na República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). Depois de casar-me com Hildegard Mesch, recebi o privilégio de servir como superintendente de circuito, para animar e edificar as congregações das Testemunhas de Jeová. Mas, apenas poucos anos depois, nossa obra de pregação foi novamente proscrita — esta vez pelos comunistas. Ambos fomos presos em novembro de 1950, em caminho para a estação da estrada de ferro em Torgau, a fim de viajar para a próxima congregação. Em julho de 1951, um tribunal comunista em Leipzig sentenciou-me a quinze anos de prisão. Minha esposa, que passara muitos anos em campos de concentração nazistas, foi sentenciada a dez anos de prisão. Algumas das outras Testemunhas encarceradas, que haviam estado comigo no campo de concentração nazista, pediram-me ajudar de novo a prover alimento espiritual. Apesar dos controles rígidos na penitenciária, por algum tempo foi possível termos um estudo diário da Sentinela e outras reuniões, para edificar a nossa fé.
Embora minha esposa e eu estivéssemos no começo na mesma prisão, não tivemos permissão de nos ver ou falar. Mas a minha esposa também conseguiu obter alimento espiritual e compartilhá-lo com outras. Ela conta:
“Em fevereiro de 1952, foi transferida para a prisão de Waldheim. Jeová foi muito bondoso comigo, pois, inesperadamente, durante a detenção anterior, recebi uma Bíblia, que li seis ou sete vezes. Pude compartilhar com minhas irmãs cristãs muitas coisas da Bíblia de que ainda me lembrava. Cada dia considerávamos um texto diário, que era contrabandeado para todas as celas onde havia Testemunhas. Daí, seguiam-se relatos da Bíblia e finalmente o teor de artigos da Sentinela. Até mesmo contrabandeamos uma Bíblia para dentro da prisão; depois a dividimos e distribuímos as partes às diversas celas. Cada semana, estas diversas partes da Bíblia eram intercambiadas. Quando se faziam batidas repentinas nas celas, às vezes caíam nas mãos dos guardas comunistas partes da Bíblia ou textos diários escritos.
“Por causa de tais batidas, passei um ano em prisão solitária; durante três meses, privaram-me de todos os privilégios, e durante três semanas fui mantida em ‘prisão escura’ — uma cela usada para loucos. Mas, assim que voltei, tinha novamente publicações bíblicas e compartilhei-as com as outras.
“Em 1954, todas as mulheres foram transferidas para Halle. As autoridades carcerárias classificaram-me como sendo especialmente perigosa, porque, conforme disse uma das guardas, falava o dia inteiro sobre a Bíblia. Assim, fui posta numa cela de porão junta com outras Testemunhas, que não tinham permissão de trabalhar. Ali realmente falávamos sobre a Bíblia o dia inteiro e também sobre artigos da Sentinela, de que ainda nos lembrávamos. Daí, em 1.º de novembro de 1960, fui liberta — depois de dez anos na prisão.”
Três anos depois do livramento de minha esposa, fui solto da prisão e tive permissão de me juntar à minha esposa em Berlim Ocidental. Assim que me recuperei um pouco do enfraquecimento de minha saúde, ingressei novamente na obra de pregação por tempo integral, e, graças à benignidade imerecida de Jeová, minha esposa e eu ainda servimos nesta qualidade.
Uma coisa é certa: Lá em 1922, quando aprendi a verdade de Deus, não fazia nenhuma idéia de que minha segunda esposa e eu passaríamos mais de quarenta anos em campos de concentração e prisões. Mas, junto com o apóstolo Paulo, podemos dizer que, “em prisões . . ., em golpes até o excesso, muitas vezes perto da morte . . . em labor e labuta”, estamos decididos a ficar firmes como ‘servos de Cristo’. — 2 Cor. 11:23-27, NM ed. ingl. 1971.
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Por dentro das notíciasA Sentinela — 1976 | 1.° de junho
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Por dentro das notícias
Insetos — mal Passados ou bem Passados?
● ‘Seu alimento era gafanhotos e mel silvestre’, diz a Bíblia a respeito de João Batista. (Mat. 3:4) Parece-lhe esquisito consumir gafanhotos como alimentação regular? Na realidade, insetos são usados como alimento por muita gente na terra, hoje em dia, e alguns cientistas dão séria consideração a eles como meio de se lidar com a crise mundial de alimentos. Entre estes esta o Professor Gene De Foliart, da Universidade de Wisconsin, E. U. A. O Jornal “Examiner” de São Francisco, Califórnia, citou-o como dizendo que alguns insetos, tais como os cupins, “tem maior teor protéico do que a carne vacum ou os peixes”. Reconhece, porém, que a maioria dos norte americanos exigiria muita persuasão antes de consumir insetos diretamente. O gafanhoto do deserto, sem dúvida similar aos que João Batista consumia, consiste em 75 por cento de proteína, segundo uma análise feita em Jerusalém. Os que experimentam comer gafanhotos comparam seu gosto com o do camarão ou siri.
Confusão de Línguas
● A história bíblica indica Babel, nas Planícies de Sinear, na Mesopotâmia, como o lugar onde a língua humana ficou dividida pela ação divina.(Gen. 11:1-9) Uma crítica do “Times” de Nova Iorque, do recente livro inglês “Depois de Babel”, do Professor George Steiner, da Universidade de Genebra, revela algo sobre a enormidade das atuais diferenças lingüisticas. Salienta que há mais de 5.000 línguas diferentes usadas pela humanidade em toda a terra. Notável é que as línguas de alguns povos “primitivos” da terra são na realidade muito complexas, em alguns aspectos mais complexas do que as de povos considerados como tendo melhor educação. Assim o livro mostra que “bandos esfomeados de índios amazonenses”, ao descreverem sua situação, podem usar mais tempos de verbo do que o famoso erudito grego Platão teve à sua disposição.
A maneira e o motivo de todas estas diferenças lingüisticas continua sendo um enigma para os eruditos das línguas. A crítica de “Depois de Babel” comenta que, em páginas após páginas de perguntas sobre as causas subjacentes, a declaração “‘ninguém sabe’ é uma interjeição típica”. Na realidade, a explanação bíblica continua sendo a única narrativa histórica, crível, de como começou a confusão.
“Só Uma Solução”
● “Para Evitar Uma Guerra Nuclear nos Próximos 25 Anos, Peritos Americanos Acharam só Uma Solução: A das Testemunhas de Jeová!” rezava uma recente manchete em “La Nouvelle Gazette” de Charleroi, na Bélgica. Por quê?
Acontece que o jornal observou que cinco destacados peritos em controle de armamentos, da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, estavam convencidos de que o rápido acúmulo de armas nucleares e sua provável difusão entre partes irresponsáveis tornava inevitável um conflito
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