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    • ALHO-PORRO

      Um dos itens da dieta ansiada pela multidão mista e pelos israelitas enquanto estavam no deserto. (Núm. 11:4, 5) A palavra hebraica hhatsír, traduzida “alhos-porros” neste texto, é traduzida geralmente, em outras partes, “relva” ou “relva verde”. No entanto, existe uma base válida para se fazer uma exceção em Números 11:5, a tradução “alhos-porros”, neste caso, sendo apoiada por versões antigas, tais como a Septuaginta, a Pesito e a Vulgata. Este item da dieta é alistado junto com as cebolas e o alho comum, alimentos vegetais específicos muito semelhantes aos alhos-porros, tem presente uma hortaliça definida, ao invés de relva em geral. Também, desde priscas eras, os alhos-porros gozam de grande popularidade no Egito e ainda são ingeridos comumente ali, bem como na Palestina.

      O alho-porro é bem parecido à cebola, mas se distingue desta por seu sabor mais brando, seu delgado bulbo cilíndrico e suas folhas suculentas e herbáceas, medindo cerca de 2, 5 cm de largura. A haste floral, terminando numa umbela compacta de flores, pode atingir uma altura de cerca de 60 cm. Os bulbos e as folhas desta planta bienal são cozidos como hortaliça e usados como tempero; são também comidos crus.

  • Aliança
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    • ALIANÇA

      Uma união de diferentes partes, famílias, pessoas ou estados, quer pelo casamento, por acordo mútuo, quer por ajuste legal. Uma aliança usualmente subentende o benefício mútuo ou a busca unida de um propósito desejado.

      Abraão parece ter feito uma aliança inicial com Manre, Escol e Aner, dos amorreus. Não se declara a natureza da confederação, mas eles se juntaram a Abraão em sua marcha para livrar seu sobrinho Ló dos reis invasores. (Gên. 14:13-24) Abraão morava então como estrangeiro numa terra controlada por diminutos reinos e, neste caso, alguma declaração formal, em forma dum pacto, pode ter sido exigida dele como pré-requisito para que residisse pacificamente entre eles. No entanto, Abraão evitava obrigar-se desnecessariamente com tais regentes políticos, como se manifesta por sua declaração ao rei de Sodoma, em Gênesis 14:21-24. Mais tarde, em Gerar, o rei filisteu, Abimeleque, relembrou a Abraão a sua condição de forasteiro, em que residia na terra da Filístia por consentimento de Abimeleque, e solicitou-lhe que fizesse um juramento que garantisse sua conduta fiel. Abraão aquiesceu e, mais tarde, em seguida a uma disputa por direitos à água, fez um pacto com Abimeleque. — 20:1, 15; 21:22-34.

      O filho de Abraão, Isaque, também veio a morar em Gerar, embora Abimeleque lhe pedisse posteriormente que se mudasse daquela vizinhança imediata, e ele obedeceu voluntariamente. Ocorreram novamente disputas quanto aos direitos à água, mas, depois disso, Abimeleque e seus principais associados se dirigiram a Isaque, solicitando um juramento de obrigação e um pacto, sem dúvida como renovação do feito com Abraão. Ambas as partes fizeram declarações juramentadas que garantiam a conduta pacifica recíproca. (Gên. 26:16, 19-22, 26-31; compare com Gênesis 31:48-53.) O apóstolo Paulo relata que estes primitivos patriarcas declararam, de modo público, ser estranhos e residentes temporários que moravam em tendas no país, e que esperavam uma cidade com verdadeiros alicerces, cujo construtor e criador é Deus. — Heb. 11:8-10, 13-16.

      Diferente situação prevalecia após a entrada da nação de Israel em Canaã, a Terra da Promessa. O Soberano Deus concedera a Israel o pleno direito à terra, em cumprimento de sua promessa aos antepassados deles. Portanto, não entravam como residentes forasteiros, e Jeová proibiu que fizessem alianças com as nações pagãs da terra (Êxo. 23:31-33; 34:11-16) Deviam ficar sujeitos apenas às leis e aos estatutos de Deus, e não aos das nações que se destinavam a ser expulsas dela. (Lev. 18:3, 4; 20:22-24) Avisou-se-lhes, de modo especial, que não formassem alianças matrimoniais com tais nações. Tais alianças os envolveriam intimamente, não só com esposas pagãs, mas também com parentes pagãos e suas práticas e costumes da religião, falsa, e isto resultaria em apostasia e em laço. — Deut. 7:2-4; Êxo. 34:16; Jos. 23:12, 13.

      ALIANÇAS MATRIMONIAIS

      Muito antes disso, Abraão insistira que a esposa de Isaque não fosse escolhida entre as cananéias. (Gên. 24:3, 4) Isaque deu instruções similares a Jacó. (Gên. 28:1) Na ocasião em que Siquém, o heveu, violou Diná, instou Hamor com a família de Jacó a que formasse alianças matrimoniais com tal tribo. Embora os filhos de Jacó não mantivessem sua aparente aceitação disso, realmente tomaram cativos as mulheres e os filhos dos heveus, depois de vingarem a honra de Diná. (Gên. 34:1-11, 29) Judá mais tarde se casou com uma cananéia (Gên. 38:2), e a esposa de José era egípcia. (Gên. 41:50) Moisés casou-se com Zípora, midianita (evidentemente chamada “cusita” em Números 12:1). Tais casamentos, contudo, foram contraídos antes de ser dada a Lei, e, por isso, não podiam ser considerados uma violação de seus requisitos. — Êxo. 2:16, 21; Núm. 12:1.

      Na batalha contra Midiã, os israelitas só preservaram as virgens entre as mulheres e as jovens. (Núm. 31:3, 18, 35) A Lei permitia que se tomasse uma esposa entre tais cativas de guerra que não tivessem genitores. (Deut. 21:10-14) Na própria Terra Prometida, era amiúde ignorado o aviso de Deus a respeito das alianças matrimoniais com os pagãos, com resultantes problemas e apostasia. — Juí. 3:5, 6.

      Às vezes as alianças matrimoniais eram feitas com vistas a certos fins, como no caso em que o Rei Saul convidou Davi a formar uma aliança matrimonial com ele por receber como esposa a Mical, filha dele. ( 1 Sam. 18:21-27) Uma das seis esposas que mais tarde deram filhos a Davi em Hébron era a filha do rei de Gesur ( 2 Sam. 3:3), e alguns consideram isto como uma aliança matrimonial feita por Davi, visando enfraquecer a posição do rival, Is-Bosete, visto que Gesur era diminuto reino que jazia do outro lado da capital de Is-Bosete, Maanaim. No início de seu reinado, o Rei Salomão formou uma aliança matrimonial com Faraó, aceitando a filha dele como esposa. ( 1 Reis 3:1; 9:16) Este casamento, junto com outros com mulheres moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hititas, por fim fizeram com que Salomão sucumbisse à crassa idolatria. ( 1 Reis 11:1-6) A aliança de casamento do Rei Acabe com o rei de Sídon, casando-se com sua filha Jezabel, trouxe resultados desastrosos similares para o reino setentrional de Israel. ( 1 Reis 16:31-33) Depois disso, o Rei Jeosafá formou uma insensata aliança matrimonial com a idólatra casa de Acabe, com duradouras conseqüências más para o reino de Judá. — 2 Crô. 18:1; 21:4-6; 22:2-4.

      Depois do exílio, Esdras ficou chocado de verificar que até mesmo os sacerdotes e os levitas tinham feito alianças matrimoniais com os cananeus e outros, situação que foi prontamente eliminada. (Esd. 9:1-3, 12-14; 10:1-5, 10-14, 44) Todavia, nos dias de Neemias, o amonita Tobias novamente utilizou alianças matrimoniais para criar fortes relações com a família sacerdotal em Jerusalém, e promoveu forte facção de aliados entre os nobres de Judá, ao ponto que, em desafio à Lei (Deut. 23:3), o sacerdote Eliasibe fez para este amonita um refeitório no pátio do templo. Neemias, contudo, lançou fora, com indignação, toda a mobília de Tobias. — Nee. 6:18; 13:4-9, 25-27.

      PACTOS

      Outras alianças, além das matrimoniais, foram feitas, e estas em geral tinham a forma de pacto. O pacto feito com os gibeonitas, naturalmente, foi feito por Israel graças a um engodo. (Jos. 9:3-15) Todavia, uma vez feito, o pacto foi dali em diante respeitado, de modo que Israel se dispôs a lutar a fim de proteger os gibeonitas. (Jos. 9:19-21; 10:6, 7) Uma aliança pessoal, por meio de pacto, existia entre Jonatã e Davi ( 1 Sam. 18:3; 20:11-17), relação que Saul condenou como sendo conspiração. ( 1 Sam. 22:8) O Rei Hirão, de Tiro, mostrou amizade para com Davi quando este sucedeu como rei a Saul, e Hirão tornou-se “um que amava a Davi”. ( 2 Sam. 5:11;  1 Reis 5:1) As relações amigáveis continuaram, e, quando Salomão ascendeu ao trono, formou-se uma liga, com o Rei Hirão, que contratava o fornecimento de grande parte dos materiais necessários para a construção do templo. ( 1 Reis 5:2-18) Sob tal contrato, permitiu-se que milhares de trabalhadores israelitas entrassem no Líbano e em suas florestas. Hirão até mesmo se dirigia a Salomão como “meu irmão”. ( 1 Reis 9:13) Tiro forneceu os marujos para a frota de navios de Salomão, que operava com base em Eziom-Géber. ( 1 Reis 9:26, 27) Quando o reino de Tiro mais tarde se voltou contra Israel, e entregou os exilados israelitas a Edom, foi acusado de ter violado o “pacto de irmãos”. — Amós 1:9.

      ALIANÇAS INSENSATAS COM OUTRAS NAÇÕES

      Embora os profetas de Deus dessem fortes avisos sobre a formação de alianças com outras nações, em tempos de perigo, ou sob a pressão da ambição, os reis de Judá e de Israel com freqüência ignoravam tais avisos. (Isa. 30:2-7; Jer. 2:16-19, 36, 37; Osé. 5:13; 8:8-10; 12:1) Os resultados finais nunca eram bons. O Rei Asa, de Judá, usou os tesouros reais para comprar o Rei Ben-Hadade, da Síria, fazendo-o romper um pacto com o Rei Baasa, de Israel. ( 1 Reis 15:18-20) Como resultado deste ‘estribar-se na Síria’, ao invés de em Jeová, o profeta Hanani censurou Asa com as seguintes palavras: “Agiste nesciamente no que toca a isto, pois doravante haverá guerras contra ti.” ( 2 Crô. 16:7-9) O Rei Acabe, de Israel, mais tarde fez um pacto com o derrotado Ben-Hadade e recebeu uma condenação similar da parte dum profeta de Deus. ( 1 Reis 20:34, 42) Jeosafá aliou-se com Acabe num ataque mal sucedido contra a Síria, e, posteriormente, o profeta Jeú lhe indagou: “É ao iníquo que se deve dar ajuda e é aos que odeiam a Jeová que deves amar? E por isso há indignação contra ti da parte da pessoa de Jeová.” ( 2 Crô. 18:2, 3; 19:2) Mais tarde, Jeosafá adotou uma associação comercial de construção de navios com o iníquo Rei Acazias, de Israel, mas a condenação profética se cumpriu quando os navios sofreram naufrágio. ( 2 Crô. 20:35-37) Obedecendo ao conselho divino, Amazias, de Judá, decidiu sabiamente não usar tropas mercenárias de Israel, embora isso significasse a perda de cem talentos de prata que lhes foram pagos como gratificação. — 2 Crô. 25:6-10.

      À medida que a Assíria começou a ascender qual potência mundial dominante, no oitavo século A.E.C., sua sombra ameaçadora moveu os reinos menores a fazer muitas alianças e conluios. (Compare com Isaías 8:9-13.) O acúmulo de novas armas de guerra entre as nações também causou crescente temor. (Compare com  2 Crônicas 26:14, 15.) Menaém, de Israel, subornou o atacante Pul (Tiglate-Pileser III), da Assíria. ( 2 Reis 15:17-20) Rezim, da Síria, e Peca, de Israel, formaram uma aliança conspiradora contra Acaz, de Judá, que, por sua vez, usou os tesouros reais e os do templo para comprar a proteção do assírio Tiglate-Pileser III, resultando na queda da Damasco síria. ( 2 Reis 16:5-9;  2 Crô. 28:16) Oséias, de Israel, fez uma aliança conspiratória com o Rei Sô, do Egito, na esperança falsa de lançar fora o jugo assírio, imposto por Salmaneser, com a queda conseqüente de Israel em 740 A.E.C. ( 2 Reis 17:3-6) Contudo, o fiel Ezequias, de Judá, embora acusado falsamente de confiar no Egito, estribava-se só em Jeová, e foi salvo do ataque do assírio Senaqueribe. — 2 Reis 18:19-22, 32-35; 19:14-19, 28, 32-36; compare com Isaías 31:1-3.

      Em seus derradeiros anos, o reino de Judá flutuou entre o Egito e Babilônia, ‘prostituindo-se’ com ambos os poderes. (Eze. 16:26-29; 23:14) Veio a ficar sob o domínio do Egito no reinado de Jeoiaquim ( 2  Reis 23:34), mas logo ficou sujeito a Babilônia. ( 2 Reis 24:1, 7,  12-17) O último rei, Zedequias, fez uma tentativa fútil de livrar Judá de Babilônia por meio duma aliança vã com o Egito. O resultado foi a destruição de Jerusalém. ( 2 Reis 24:20; Eze. 17:1-15) Eles falharam em aceitar o conselho inspirado de Isaias: “Por retornardes e descansardes, sereis salvos. Vossa potência se mostrará em simplesmente ficardes sossegados e confiantes.” — Isa. 30:15-17.

      Durante o período macabeu foram feitos muitos tratados e alianças com os sírios e os romanos, por vantagens políticas, mas a libertação da servidão não foi alcançada por Israel. Num período posterior, os religiosos saduceus tinham destaque especial em favorecer a colaboração política como meio de alcançar por fim a independência nacional. Nem eles nem os fariseus aceitaram a mensagem do Reino proclamada por Cristo Jesus, mas aliaram-se a Roma, declarando: “Não temos rei senão César.” (João 19:12-15) Sua aliança religioso-política com Roma, contudo, terminou na desastrosa destruição de Jerusalém em 70 E.C. — Luc. 19:41-44; 21:20-24.

      Alianças políticas e religiosas são indicadas nos simbolismos de Revelação 17:1, 2, 10-18; 18:3. (Compare com Tiago 4:1-4.) Assim, por todo o registro bíblico, sublinha-se o princípio declarado por Paulo: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos. Pois, que associação tem a justiça com o que é contra a lei? Ou que parceria tem a luz com a escuridão?. . . saí do meio deles e separai-vos.” — 2 Cor. 6:14-18.

  • Alicerce
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    • ALICERCE

      A base ou subestrutura sobre a qual se constrói um prédio, e que serve para distribuir o peso da superestrutura de modo igual pelo terreno. Visto que a resistência e a durabilidade dum prédio dependem mormente da resistência de seu alicerce, é preciso ter grande cuidado ao lançar o alicerce. Bons alicerces são vitais na Palestina para suportarem, não só pesadas chuvas, ventos e enchentes, mas também terremotos, visto que tal região se acha numa zona sísmica.

      Jeová, o Magistral Construtor, ao responder a Jó, de dentro do vendaval, comparou a terra literal a uma construção. (Jó 38:4-7) Embora a terra esteja suspensa sobre o nada, ela possui, por assim dizer, alicerces duráveis que não a deixarão abalar-se, pois as leis imutáveis que governam o universo a sustentam firmemente em seu lugar, e o propósito de Deus para a terra permanece imutável. (Jó 26:7; 38:33; Sal. 104:5; Mal. 3:6) Por outro lado, a injustiça e a desobediência à lei de Deus, com efeito, derrubam os alicerces que dão estabilidade ao solo, fazendo com que vacilem os alicerces da terra figurativa (o povo e seus sistemas estabelecidos). — Sal. 82; 11:3; Pro. 29:4.

      Assim como Salomão usara grandes e caras pedras lavradas para o alicerce do templo, assim também a pedra angular de alicerce do templo espiritual, Jesus Cristo, e os apóstolos e profetas, que constituem o alicerce do mesmo, são preciosos para Deus. Mui apropriadamente, as doze pedras simbólicas de alicerce da Nova Jerusalém, edifiçadas sobre o alicerce primário, Jesus Cristo, e portando o nome dos doze apóstolos do Cordeiro, são pedras preciosas. — 1 Reis 5:17; 1 Ped. 2:4-6; Efé. 2:19, 20; Rev. 21:14, 19, 20.

      Jesus Cristo é o alicerce seguro, inabalável, e todos os edificados sobre este alicerce são escolhidos por Jeová. Ninguém pode enganá-lo e ser edificado sobre tal alicerce, se tal pessoa pratica a injustiça. (2 Tim. 2:19) Estes dois princípios asseguram a completa justiça na cidade, a Nova Jerusalém, à luz da qual “as nações andarão”. (Rev. 21:2, 24) Era esta cidade, com alicerces reais, que o fiel Abraão aguardava, ao continuar a morar em tendas. — Heb. 11:10.

      Jesus, que tinha trabalhado, em sua existência pré-humana, junto de seu Pai como Mestre- de-Obras, ao serem lançados os alicerces da terra, avaliava plenamente a importância de um alicerce sólido, conforme visto de sua ilustração a respeito do homem discreto que foi bem no fundo e lançou o alicerce de sua casa sobre uma rocha, ao passo que o tolo edificou sua casa sobre a areia, e sofreu grave perda. (Pro. 8:29, 30; Mat. 7:24-27; Luc. 6:47-49) Semelhantemente, ao comparar a tarefa de formar cristãos a uma obra de construção, Paulo sublinhou a importância da edificação com materiais incombustíveis sobre o alicerce que tinha sido lançado, a saber, Jesus Cristo, de modo a não se sofrer perdas. — 1 Cor. 3:10-15.

  • Aljava
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    • ALJAVA

      Veja ARMAS, ARMADURAS.

  • Alma
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    • ALMA

      Para entendermos o significado dos termos bíblicos geralmente traduzidos “alma” é necessário pôr de lado muitos, talvez a maioria, dos significados atribuídos à palavra portuguesa, e permitir que os termos das línguas originais (Heb., neʹphesh [נֶפֶשׁ]; Gr., psykhé [ψυχή]) segundo usados nas Escrituras, nos forneçam o significado. Isto acontece porque as conotações que a palavra portuguesa “alma” geralmente transmite à mente da maioria das pessoas não estão de acordo com o significado das palavras hebraica e grega usadas pelos inspirados escritores bíblicos.

      Este fato granjeia continuamente um reconhecimento mais amplo. Lá atrás, em 1897, no Journal of Biblical Literature (Revista de Literatura Bíblica; Vol. XVI, p. 30), o professor C. A. Briggs, em resultado de pormenorizada análise do uso de néphesh, comentou: “Alma (soul), no seu uso em inglês, no tempo atual, transmite usualmente um significado muito diferente de נפש [néphesh] em hebraico, e é fácil que o leitor incauto a interprete erroneamente.”

      Mais recentemente, quando a Sociedade Publicadora Judaica dos Estados Unidos lançou nova tradução da Tora, ou dos primeiros cinco livros da Bíblia, o editor-chefe, Dr. H. M. Orlinsky, da Faculdade União Hebraica, declarou (Times de Nova Iorque, 12 de outubro de 1962) que a palavra “alma” tinha sido virtualmente eliminada desta tradução porque “a palavra hebraica em questão aqui é ‘Nefesh’”. Acrescentou ele que: “Outros tradutores a têm interpretado como significando ‘alma’; o que é inteiramente inexato. A Bíblia não diz que temos uma alma. ‘Nefesh’ é a própria pessoa, sua necessidade de alimento, o próprio sangue nas suas veias, seu ser.”

      A dificuldade reside em que os significados popularmente atribuídos à palavra portuguesa “alma” provém primariamente, não das Escrituras Hebraicas ou Gregas Cristãs, mas da antiga filosofia grega, na realidade, do pensamento religioso pagão. Platão, o filósofo grego, por exemplo, cita Sócrates como dizendo: “A alma [na morte] . . . parte para o mundo invisível — para o divino, e imortal, e racional: ali chegando, ela vive em bem-aventurança e é liberta do erro e da tolice dos homens . . . e habita para sempre . . . na companhia dos deuses.” — Phaedo (Fédon), Vol. 2, pp. 73, 103.

      Em contraste direto com o ensino grego sobre a psykhé (“alma”) como sendo imaterial, intangível, invisível e imortal, as Escrituras mostram que tanto psykhé como néphesh, conforme usadas com referência às criaturas terrestres, referem-se àquilo que é material, tangível, visível e mortal.

      A New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica; 1967, Vol. 13, p. 467) afirma: “Nepes (néphesh) é um termo de muito maior extensão do que nossa ‘alma’, significando vida (Ex 21.23; Dt 19.21) e suas várias manifestações vitais: respiração (Gn 35.18; Jó 41.21), sangue [Gn 9.4; Dt 12.23; Sal 140 (141).8], desejo (2 Sam 3.21; Prv 23.2). A alma no V[elho] T[estamento] significa, não uma parte do homem, mas o homem inteiro — o homem como ser vivente. Similarmente, no N[ovo] T [estamento] significa vida humana: a vida duma pessoa individual, consciente (Mt 2.20; 6.25; Lc 12.22-23; 14.26; Jo 10.11, 15, 17; 13.37).”

      A tradução católica romana, The New American Bible (A Nova Bíblia Americana; 1970), em seu “Glossário de Termos Bíblicos de Teologia” (pp. 27, 28), afirma: “No Novo Testamento, ‘salvar a alma’ (Mc 8:35) não significa salvar alguma parte ‘espiritual’ do homem, em oposição ao seu ‘corpo’ (no sentido platônico), mas a inteira pessoa, com ênfase no fato de que a pessoa está viva, desejando, amando e querendo, etc., em adição a ser concreta e física.”

      Néphesh evidentemente provém duma raiz que significa “respirar” e, num sentido literal, néphesh poderia ser traduzida como “um respirador”. O Lexicon in Veteris Testamenti Libros (Léxico dos Livros do Velho Testamento; ed. 1953, p. 627), de Koehler e Baumgartner, a define como segue: “A substância respiradora, que torna o homem e o animal seres viventes Gn 1,20, a alma (estritamente distinta da noção grega de alma), a sede da qual é o sangue Gn 9,4 f e Lv 17,11 Dt 12,23: (249 X) . . . alma = ser vivente, indivíduo, pessoa.”

      Quanto à palavra grega psykhé, os léxicos greco-ingleses fornecem definições tais como “vida” e o “eu consciente ou personalidade como centro das emoções, do desejo e das afeições”, “um ser vivente”, e mostram que até mesmo em obras gregas não-bíblicas o termo era usado “para animais”. [A Greek-English Lexicon (Léxico Greco-Inglês) de Liddell e Scott, 1968, nona ed., pp. 2026, 2027; A New Greek and English Lexicon (Novo Léxico Grego e Inglês) de Donnegan, p. 1404] Naturalmente, essas fontes, que lidam primariamente com os escritos em grego clássico, incluem todas os significados que os filósofos pagãos, gregos, davam à palavra, inclusive o de “espirito que partiu”, “a alma imaterial e imortal”, “o espírito do universo” e “o princípio imaterial do movimento e da vida”. Evidentemente, porque alguns dos filósofos pagãos ensinavam que a alma saía do corpo na morte, o termo psykhé também era aplicado à “borboleta ou mariposa”, criaturas estas que sofrem uma metamorfose, transformando-se de lagarta em criatura alada.

      Os antigos escritores gregos aplicavam psykhé de vários modos, e não eram coerentes, suas filosofias pessoais e religiosas influenciando seu uso do termo. Sobre Platão, a cuja filosofia podem ser atribuídas as idéias comuns sobre a palavra portuguesa “alma” (como geralmente se reconhece), declara-se que “ao passo que às vezes ele fala de uma das três partes [supostas] da alma, a ‘inteligível’, como sendo necessariamente imortal, ao passo que as outras duas partes são mortais, ele também fala como se houvesse duas almas em um só corpo, uma imortal e divina, e a outra mortal”. — “Idéias Sobre a Teoria Tripartida da Natureza Humana”, de A. McCaig, em The Evangelical Quarterly (Publicação Trimestral Evangélica), 15 de abril de 1931, p. 121.

      Em vista de tal incoerência dos escritos não-bíblicos, é essencial deixar que as Escrituras falem por si, mostrando o que os escritores inspirados queriam dizer ao usarem o termo psykhé, bem come néphesh. Néphesh ocorre cerca de 750 vezes nas Escrituras Hebraicas, ao passo que psykhé aparece 102 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs, ou um total aproximado de 852 vezes. Esta frequência de ocorrências torna possível um conceito claro do sentido que tais termos transmitiam à mente dos inspirados escritores bíblicos, sentido este que seus escritos devem transmitir à nossa mente. Um exame mostra que, ao passo que o sentido destes termos é amplo, com diferentes matizes de significado, entre os escritores bíblicos não havia nenhuma incoerência, confusão ou desarmonia quanto à natureza do homem, tal como a existente entre os filósofos gregos do chamado Período Clássico.

      PRIMEIRAS ALMAS DA TERRA

      As ocorrências iniciais de néphesh se encontram em Gênesis 1:20-23. No quinto “dia” criativo, Deus disse: “ ’Produzam as águas um enxame de almas viventes [néphesh] e voem criaturas voadoras sobre a terra . . . ’ E Deus passou a criar os grandes monstros marinhos e toda alma vivente [néphesh] que se move, que as águas produziram em enxames segundo as suas espécies, e toda criatura voadora alada segundo a sua espécie.” Similarmente, no sexto “dia” criativo, aplica-se néphesh ao “animal doméstico, e animal movente, e animal selvático da terra” como sendo “almas viventes”. — Gên. 1:24.

      Depois da criação do homem, a instrução dada por Deus a ele usava de novo o termo néphesh com respeito à criação animal, “tudo o que se move sobre a terra, em que há vida como alma [literalmente, em que há alma vivente (néphesh)]”. (Gên. 1:30) Outros exemplos de animais serem assim chamados se encontram em Gênesis 2:19; 9:10-16; Levítico 11:10, 46; 24:18; Números 31:28; Ezequiel 47:9. Notavelmente, as Escrituras Gregas Cristãs coincidem em aplicar o grego psykhé aos animais, como em Revelação 8:9; 16:3, onde é usado para as criaturas marinhas.

      Assim, as Escrituras mostram claramente que néphesh e psykhé são usados para denominar a criação animal inferior ao homem. Os mesmos termos se aplicam ao homem.

      A ALMA HUMANA

      Precisamente a mesma frase hebraica usada para a criação animal, a saber, néphesh hhayyáh (“alma vivente”), é aplicada a Adão, quando, depois de Deus ter formado o homem do pó do solo e soprado em suas narinas o fôlego da vida, “o homem veio a ser uma alma vivente”. (Gên. 2:7) O homem era diferente da criação animal, mas tal diferença não se devia a ser ele uma néphesh (“alma”), e eles não serem. Antes, o registro mostra que era porque somente o homem fora criado “à imagem de Deus”. (Gên. 1:26, 27) Ele foi criado com qualidades morais semelhantes às de Deus, tendo poder e sabedoria muito superiores aos animais; por isso, poderia ter em sujeição todas as formas inferiores de vida de criaturas. (Gên. 1:26, 28) O organismo do homem era muito mais complexo, bem como mais versátil, do que o dos animais. (Compare com 1 Coríntios 15:39.) Semelhantemente, Adão possuía, mas perdeu, a perspectiva de vida eterna; isto nunca foi expresso com relação às criaturas inferiores ao homem. — Gên. 2:15-17; 3:22-24.

      É verdade que o relato afirma que ‘Deus passou a soprar nas narinas do homem o fôlego [neshamáh] de vida’, ao passo que não se declara isso no relato sobre a criação animal. É claro, portanto, que o relato da criação do homem é muito mais pormenorizado que o da criação dos animais. Ademais, Gênesis 7:21-23, ao descrever a destruição, causada pelo Dilúvio, de “toda a carne” fora da arca, alista as criaturas animais junto com a humanidade, e afirma: “Morreu tudo em que o fôlego [neshamáh] da força de vida estava ativo nas suas narinas, a saber, todos os que estavam em solo seco.” Obviamente, o fôlego de vida das criaturas animais também proveio originalmente do Criador, Jeová Deus.

      Assim também o “espírito” (Heb., rúahh; gr., pneúma) ou força de vida do homem não é distinto da força de vida dos animais, conforme demonstrado por Eclesiastes 3:19-21, que declara que “todos eles têm apenas um só espírito [rúahh]“.

      ALMA — UMA CRIATURA VIVENTE

      Conforme declarado, o homem “veio a ser uma alma vivente”; por isso, o homem era uma alma, ele não possuía uma alma como algo imaterial, invisível e intangível, que residia dentro dele. O apóstolo Paulo mostra que o ensino cristão não diferia do ensino hebraico anterior, pois cita Gênesis 2:7 ao dizer: “Até mesmo está escrito assim: ‘O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente [psykhén zósan].’ . . . O primeiro homem é da terra e feito de pó.” — 1 Cor. 15:45-47.

      O relato de Gênesis mostra que uma alma vivente resulta da combinação do corpo terrestre com o fôlego de vida. A expressão “fôlego da força da vida [literalmente, fôlego do espírito, ou força ativa (rúahh), de vida]” (Gên. 7:22) indica que é por respirar ar (com seu oxigênio) que é sustentada a força de vida ou “espírito” em todas as criaturas, o homem e os animais. Esta força de vida se encontra em cada célula do corpo da criatura, conforme consideraremos sob Vida; Espírito.

      Visto que o termo néphesh se refere à própria criatura, devíamos esperar verificar que lhe são atribuídas as funções ou características físicas normais das criaturas carnais. E isto realmente acontece. Néphesh (“alma”) é mencionada como comendo carne, gordura, sangue ou similares coisas materiais (Lev. 7:18, 20, 25, 27; 17:10, 12, 15; Deut. 23:24), como tendo fome ou ansiando alimento e bebida (Deut. 12:15, 20, 21; Sal. 107:9; Pro. 19:15; 27:7; Isa. 29:8; 32:6; Miq. 7:1), engordando (Pro. 11:25), jejuando (Sal. 35:13), tocando em coisas impuras, tais como um corpo morto (Lev. 5:2; 7:21; 17:15; 22:6; Núm. 19:13), sendo ‘tomada em penhor’ ou sendo ‘seqüestrada’ (Deut. 24:6, 7), trabalhando (Lev. 23:30), revigorando-se com água fresca quando cansada (Pro. 25:25), sendo comprada (Lev. 22:11; Eze. 27:13) ou dada como oferta votiva (Lev. 27:2), sendo posta a ferros (Sal. 105:18), ficando sem dormir (Sal. 119:28), e lutando para respirar. — Jer. 15:9.

      Deve-se notar que, em muitos textos, faz-se referência à “minha alma”, “sua alma”, “tua alma”, etc. Isto se dá porque néphesh e psykhé podem significar o próprio eu da pessoa como alma. O sentido do termo, portanto, pode ser amiúde expresso em português pelo uso de pronomes pessoais. Assim, o Lexicon de Koehler e Baumgartner declara: “ ‘Minha néphesh’ significa ‘eu’ (Gênesis 27:4, 25; Isaías 1:14); ‘tua néphesh’ significa ‘tu’ (Gênesis 27:19, 31; Isaías 43:4; 51:23); ‘sua néphesh’ significa ‘ele, ele mesmo’ (Números 30:2; Isaías 53:10); ‘a sua (dela) néphesh’ significa ‘ela, ela mesma’ (Números 30:5-12)”, etc.

      O termo grego psykhé é usado similarmente. O Expository Dictionary of New Testament Words (Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento), Vol. IV, p. 54, de Vine, afirma que pode ser usado como “o equivalente do pronome pessoal, usado para ênfase e efeito: — 1.a pessoa, (João 10:24 (‘nos’); Heb. 10:38; cp. [compare com] Gên. 12:13; Núm. 23:10; Juí. 16:30; Sal. 120:2 (‘me’); 2.a pessoa, 2 Cor. 12:15; Heb. 13:17)”, etc.

      Representa vida como criatura

      Tanto néphesh como psykhé são também usadas para significar vida — não meramente como força ou princípio abstratos — mas vida como criatura, humana ou animal.

      Assim, quando Raquel dava à luz Benjamim, sua néphesh (“alma” ou vida como criatura) saiu dela e ela morreu. (Gên. 35:16-19) Ela cessou de ser criatura vivente. Similarmente, quando o profeta Elias realizou um milagre, a respeito do filho morto da viúva de Sarefá, a néphesh (“alma” ou vida como criatura) do filho retornou a ele e ele “reviveu”, tornando-se de novo uma criatura viva. — 1 Reis 17:17-23.

      Por estar a vida duma criatura tão inseparavelmente ligada ao sangue e depender dele (o sangue derramado representando a vida da pessoa ou criatura [Gên. 4:10; 2 Reis 9:26; Sal. 9:12; Isa. 26:21]), as Escrituras falam da néphesh (“alma”) como estando “no sangue”. (Gên. 9:4; Lev. 17:11, 14; Deut. 12:23) Obviamente, não se quer dizer isso de forma literal, visto que as Escrituras também falam do “sangue das vossas almas” (Gên. 9:5; compare com Jeremias 2:34) e as muitas referências já consideradas não poderiam ser razoavelmente aplicadas unicamente ao sangue ou às suas qualidades que sustentam a vida.

      Néphesh (“alma”) não é usada com referência à criação da vida vegetal no terceiro “dia” criativo (Gên. 1:11-13) ou depois disso, visto que a vegetação não tem sangue.

      Exemplos do uso do grego psykhé para significar ‘vida como criatura’ podem ser encontrados em Mateus 6:25; 10:39; 16:25, 26; Lucas 12:20; João 10:11, 15; 13:37, 38; 15:13; Atos 20:10. Visto que os servos de Deus têm a esperança duma ressurreição no caso de morrerem, têm a esperança de viverem novamente como “almas” ou criaturas viventes. Por esse motivo, Jesus podia dizer que “todo aquele que perder a sua alma [sua vida como criatura] por causa de mim e das boas novas, salvá-la-á. Realmente, de que proveito é para um homem ganhar o mundo inteiro e pagar com a perda da sua alma? O que, realmente, daria o homem em troca de sua alma?” (Mar. 8:35-37) Similarmente, ele declarou: “Quem estiver afeiçoado à sua alma, destruí-la-á, mas quem odiar a sua alma neste mundo, protegê-la-á para a vida eterna.” (João 12:25) Estes textos, e outros semelhantes a eles, mostram o entendimento correto das palavras de Jesus em Mateus 10:28: “Não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes, temei aquele que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” Ao passo que os homens podem matar o corpo, não podem matar a pessoa para sempre, uma vez que ela vive no propósito de Deus (compare com Lucas 20:37, 38), e Deus pode restaurar e restaurará tal pessoa fiel à vida como criatura, por meio duma ressurreição. Para os servos de Deus, a perda de sua “alma” ou vida como criatura é apenas temporária, e não permanente. — Compare com Revelação 12:11.

      Mortal e destrutível

      Por outro lado, o texto citado declara que Deus “pode destruir na Geena tanto a alma [psykhé] como o corpo”. (Mat. 10:28) Isto mostra que psykhé não se refere a algo imortal ou indestrutível. Não existe, com efeito, nem sequer um caso em todas as Escrituras, Hebraicas e Gregas, em que as palavras néphesh ou psykhé sejam modificadas por termos tais como imortal, indestrutível, imperecível, imorredouro ou algo parecido. (Veja Imortalidade; Incorrupção.) Por outro lado, há dezenas de textos, tanto nas Escrituras Hebraicas como nas Gregas, que falam de néphesh ou de psykhé (“alma”) como sendo mortal e sujeita à morte (Gên. 19:19, 20; Núm. 23:10; Jos. 2:13, 14; Juí. 5:18; 16:16, 30; 1 Reis 20:31, 32; Sal. 22:29; Eze. 18:4, 20; Mat. 2:20; 26:38; Mar. 3:4; Heb. 10:39; Tia. 5:20), como morrendo, sendo “decepada” ou destruída (Gên. 17:14; Êxo. 12:15; Lev. 7:20; 23:29; Jos. 10:28-39; Sal. 78:50; Eze. 13:19; 22:27; Atos 3:23; Rev. 8:9; 16:3), quer pela espada (Jos. 10:37; Eze. 33:6), quer por sufocamento (Jó 7:15), ou correndo risco de morrer devido a afogamento (Jonas 2:5, 6) e também como descendo à cova ou ao Seol (Jó 33:22; Sal. 89:48), ou sendo livrada dali. — Sal. 16:10; 30:3; 49:15; Pro. 23:14.

      Alma morta

      A expressão ‘alma falecida ou morta’ também aparece várias vezes, significando simplesmente ‘uma pessoa morta’. — Lev. 19:28; 21:1, 11; 22:4; Núm. 5:2; 6:6; Ageu 2:13; compare com Números 19:11, 13.

      Desejo

      Às vezes, a palavra néphesh é usada para expressar o desejo da pessoa, desejo este que toma conta dela e então a ocupa na consecução de seu alvo. Provérbios 13:2, por exemplo, afirma sobre os que agem traiçoeiramente que ’sua própria alma é violência’, isto é, que estão ‘inteiramente voltados’ para a violência, com efeito, tornam-se a violência personificada. (Compare com o Salmo 27:12; 35:25; 41:2.) Os falsos pastores de Israel são chamados de “cães fortes em [desejo da] alma”, que não conhecem a saciedade. — Isa. 56:11, 12; compare com Provérbios 23:1-3; Habacuque 2:5.

      SERVIR DE TODA A ALMA

      A “alma” significa basicamente a pessoa inteira, como já foi demonstrado. Todavia, certos textos nos exortam a buscar, a amar e a servir a Deus com ‘todo o nosso coração e com toda a nossa alma’ (Deut. 4:29; 11:13, 18), ao passo que Deuteronômio 6:5 afirma: “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força vital.” Jesus disse que era mister servir com toda a alma e força da pessoa, e, adicionalmente, “de toda a tua mente”. (Mar. 12:30; Luc. 10:27) Surge a questão quanto a por que estas outras coisas são mencionadas junto com a alma, visto que esta abrange todas elas. Para ilustrar o seu significado provável: uma pessoa poderia vender a si mesma (sua alma) como escrava de outrem, destarte tornando-se propriedade de seu amo e senhor. Todavia, talvez não servisse de todo o coração a seu senhor, com plena motivação e desejo de agradá-lo, e, assim, talvez não usasse sua plena força ou sua plena capacidade mental para promover os interesses de seu senhor. (Compare com Efésios 6:5; Colossenses 3:22.) Por isso, essas outras facetas são evidentemente mencionadas para focalizar a atenção sobre elas, de modo que não deixemos de nos lembrar delas e de considerá-las em nosso serviço a Deus, a quem pertencemos, e a seu Filho, cuja vida foi o preço resgatador que nos comprou. Serviço “de toda a alma” a Deus envolve a inteira pessoa, não se deixando fora nenhuma parte física, função, capacidade ou desejo. — Compare com Mateus 5:28-30; Lucas 21:34-36; Efésios 6:6-9; Filipenses 3:19; Colossenses 3:23, 24.

      ALMA E ESPÍRITO SÃO DISTINTOS

      O “espírito” (Heb., rúahh; gr., pneúma) não deve ser confundido com a “alma” (Heb., néphesh; gr., psykhé), pois se referem a coisas diferentes. Assim, Hebreus 4:12 fala da palavra de Deus como ‘penetrando até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula’. (Compare também com Filipenses 1:27; 1 Tessalonicenses 5:23.) Como já se mostrou, a alma (néphesh; psykhé’) é a própria criatura. O espírito (rúahh; pneúma) refere-se geralmente à força de vida da criatura vivente ou alma, embora os termos das línguas originais também possam ter outros significados.

      Ilustrando ainda mais a distinção entre os termos gregos psykhé e pneúma há a exposição do apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos coríntios, sobre a ressurreição dos cristãos para a vida espiritual. Aqui, ele contrasta “o que é físico Ipsykhikón, literalmente, “da alma”]” como “aquilo que é espiritual Ipneumatikón]“. Assim, ele mostra que os cristãos, até à hora de sua morte, tinham um “corpo-alma”, assim como o primeiro homem, Adão; ao passo que, em sua ressurreição, tais cristãos ungidos recebem um corpo espiritual semelhante ao do glorificado Jesus Cristo. (1 Cor. 15:42-49) Judas tece uma comparação um tanto similar, ao falar de “homens animalescos [psykhikoí, literalmente, “(homens) almas”], sem espiritualidade [literalmente, “não tendo espírito (pneúma)”)”. — Judas 19.

      DEUS COMO TENDO ALMA

      Em vista do precedente, parece que os textos em que Deus fala de “minha alma” (Lev. 26:11, 30; Sal. 24:4; Isa. 42:1) são ainda outro caso de uso antropomórfico, isto é, de atribuição de características físicas e humanas a Deus, para facilitar o entendimento, como no caso em que Deus é mencionado como tendo olhos, mãos, etc. Ao falar de ‘minha néphesh’, Jeová quer dizer, claramente, “eu mesmo”, ou “minha pessoa”. “Deus é Espírito [Pneúma].” — João 4:24; veja Jeová (Descrições de sua presença).

  • Enterro, Sepulturas
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • ENTERRO, SEPULTURAS

      O sepultamento do corpo duma pessoa morta era uma medida de considerável importância para as pessoas no período bíblico. Nas Escrituras Hebraicas, as palavras qéver e qevuráh são usadas para referir-se a sepulturas, e têm significado diferente do hebraico she’óhl, que se refere, não a uma única sepultura ou a sepulturas, mas à sepultura comum de toda a humanidade, o domínio da sepultura. (Gên. 23:4; 35:20; 47:30; 49:30) Semelhantemente, nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra grega táphos, a palavra comum para o lugar de sepultamento ou túmulo, e as palavras mnéma e mnemeíon, significando “túmulo” e “túmulo memorial”, são distintas da palavra haídes, o equivalente grego de sh&óhl. — Mat. 27:66; Mar. 6:29; Atos 2:29. Veja HADES; SEOL; TÚMULO MEMORIAL.

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