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O passado do açúcar — quão doce foi?Despertai! — 1983 | 22 de maio
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O passado do açúcar — quão doce foi?
NO ANO de 1829, um veleiro de 300t levantou âncora num pequeno porto nas Índias Ocidentais, apontou a proa ao su-sudeste e velejou rumo ao mar aberto. A bordo ia seu comandante, o mestre da cabotagem e 55 homens rudes, de várias nações, cores e categorias sociais — todos membros da tripulação. No porão havia 16 canhões de ferro curtos, pólvora, balas de canhão de uns dez quilos, granadas de mão, um carregamento de rum das Índias Ocidentais, uma miscelânea de contas de coral e outros itens, e um estoque de alimentos e provisões. No convés, da popa à proa, havia mosquetes, munição e espadas.
Depois de 76 dias fustigados por ventos tempestuosos e mares agitados, o barco e sua tripulação atingiram seu destino — um porto português em Moçambique, na costa oriental da África.
Após apenas 8 dias de descarregamento e carregamento, a pequena chalupa fez-se novamente ao mar em direção a Cuba, deixando para trás 14 navios maiores ancorados esperando encher seus porões com carga da mesma espécie.
Navegando rente à superfície, com o convés sendo constantemente lavado pelas águas turbulentas, a carga de retorno da embarcação tornou-se motivo de constante apreensão para a tripulação do navio. Seu porão alojava uma preciosa carga — 800 negros: homens, mulheres e crianças; sem exceção, todos nus, todos de cabeça raspada, todos marcados a ferro. Uma carga preciosa para os cultivadores de cana-de-açúcar nas Índias Ocidentais, de quem se tornariam escravos, e cujas safras, com o suor de seus rostos, transformariam em açúcar; e valiosa para os donos do navio e seu comandante, cujos lucros da venda dos escravos poderiam atingir bem mais de cem mil dólares.
Presos nos pés por correntes de ferro, dois a dois, os alojados a estibordo ficavam sentados olhando para a frente numa posição semelhante a colheres num faqueiro e os a bombordo ficavam de frente para a popa.
O leitor deve tentar visualizar um salão com 800 pessoas sentadas — daí acomodar literalmente esse mesmo número numa área bem pequena, de apenas alguns metros de largura e mais ou menos do comprimento de um vagão de trem, e a frase “como sardinha em lata” torna-se apropriada. Com o porão lotado dessa maneira, o restante dos escravos eram presos ao convés.
Oitocentas miseráveis almas no mar. Uma das piores catástrofes que poderia abater-se sobre um navio negreiro reduziria esse número quase à metade antes que chegassem a Cuba. Varíola! A própria palavra semeava terror entre a tripulação do navio quando a primeira vítima no porão foi atacada por ela. O terrível flagelo espalhava-se rapidamente. Um morto após outro era baixado ao mar ao morrer. Sobraram apenas 480 de uma carga de 800. O comandante do navio tampouco sobreviveu.
Desde o início, indivíduos interesseiros, que viram uma oportunidade de ganhar dinheiro com a demanda do açúcar, aderiram ao movimento Missionários religiosos na África abandonaram o hábito e seus rebanhos e meteram suas mãos gananciosas no negócio rendoso do açúcar por vender seus próprios conversos negros aos caçadores de escravos. Até mesmo o papa, Nicolau V, vendo os lucros que se poderiam obter do comércio do açúcar, abençoou a escravidão.
Os navios negreiros, da África ao mundo ocidental, rasgaram as águas num fluxo tão intenso que, se fosse possível formar um sulco permanente à medida que um navio abrisse seu caminho através das águas, em poucos anos teria sido aberta uma enorme vala até o fundo do oceano, da África às Índias Ocidentais. Navios pirateavam em alto mar em busca dos de pele escura acorrentados e amontoados nos porões. Daí a necessidade de canhões e armas leves para proteger sua carga preciosa.
Deve ser lembrado que a ganância produz estranhos parceiros. Afetou tanto a brancos como a negros. Assim, o escravista não deixava de ter seus cúmplices entre os africanos. Se a oferta fosse suficientemente tentadora lançava negro contra negro, membro de família contra membro de família, tribo contra tribo. Assim se desenvolveu a facilidade sistemática com que os caçadores de escravos podiam comprar sua mercadoria viva. Mulheres negras vendiam seus próprios escravos, despojos de guerras tribais, em troca dum novo colar de contas de coral. O guerreiro lutava mais arduamente para vencer na batalha e assim poder vender o derrotado por um barril de rum. Visto que as moedas não eram então conhecidas na África, os traficantes de escravos enchiam o porão de seus navios com as necessárias provisões e com artigos de pouco valor para o branco mas considerados luxos pelo negro que os aceitava em troca de seus irmãos de cor. Desse modo, satisfazia-se a ganância de todos.
Exatamente quantos africanos sobreviveram à travessia dum continente a outro, para empenhar suas costas e seus músculos a serviço da febre do açúcar, é desconhecido. Um moderno demógrafo calculou um número conservador de 15 milhões. Disse certo historiador britânico: “Não será exagero calcular o custo e o montante do Tráfico de Escravos em 20 milhões de africanos, dos quais dois terços devem ser debitados à conta do açúcar.”
Caro leitor, pode imaginar o seguinte: ser arrancado de sua terra, e o que é pior — de seu continente — e ser transportado através de mares abertos que levam meses para se cruzar, e, ao desembarcar, ser colocado em jaulas e vendido em leilão público, cada membro da família individualmente, muitos dos quais para nunca mais se verem? Ah!, o preço do açúcar não poderia ser calculado em quilos, mas em vidas! À medida que os navios rasgavam os oceanos, os produtores de cana aravam suas terras para abrir espaço para mais plantação e produção desse doce ouro branco chamado açúcar.
Embora a cana-de-açúcar fosse um produto comparativamente novo no mundo ocidental até perto do século 16, já era conhecida lá no reinado de Alexandre Magno. A cana-de-açúcar foi descoberta na Índia, no ano 325 AEC, por um de seus soldados.
Mais adiante, no tempo do Nero do primeiro século Era Comum, certo médico grego talvez pensasse ser o primeiro a descobrir a origem do açúcar. “Existe”, escreveu, “um tipo de mel duro chamado de saccharum (açúcar) encontrado nas canas da Índia. É granulado como sal e quebradiço entre os dentes, mas de sabor doce”.
O sabor do açúcar atraía. A cana-de-açúcar estava sendo transplantada do Extremo Oriente à Europa. Os árabes a levaram ao Egito, à Pérsia e à Espanha, quando conquistaram esse país no oitavo século. E nos dois séculos seguintes a Espanha era a única produtora de cana-de-açúcar na Europa.
Foi da Espanha que Cristóvão Colombo, na sua segunda viagem, trouxe mudas ao hemisfério ocidental, plantando-as no que é agora conhecida como República Dominicana, nas Índias Ocidentais. A China não ficaria privada desse doce luxo e enviou homens à Índia para aprender o mistério de produzir açúcar da cana. Anos depois, Marco Polo descreveu os engenhos de açúcar da China como uma das grandes maravilhas daquele país.
Os cruzados, sob a direção de papas e sob sua bênção, haviam tentado proteger Jerusalém contra os turcos. Voltaram para casa com animadas histórias sobre essa nova estranha doçura chamada açúcar. Rotas comerciais de açúcar entre o Oriente e a Europa logo foram estabelecidas. Mas o açúcar era caro e só os ricos podiam comprá-lo. Já numa época bem mais posterior, em 1742, o açúcar era vendido a uns Cr$ 2.000,00 o quilo, em Londres. Quando os pobres experimentavam esse produto doce, também não passavam sem ele. Os governantes de países, que tinham visão, vislumbraram um inteiro novo horizonte de lucros entrando nos seus cofres. Os encômios ao açúcar começaram a ser ouvidos em todo o mundo.
Espanha e Portugal viram que alguns países enriqueciam por causa do comércio do açúcar com a Índia. Também queriam uma fatia do mercado. Sem demora enviaram veleiros rumo aos mares desconhecidos a fim de achar um novo e mais rápido caminho para a Índia. Colombo foi um dos que partiram, mas o que descobriu em vez disso foram as Índias Ocidentais. E seu engano foi magistralmente compensado, pois ali encontrou o clima e o solo ideais para o plantio da cana-de-açúcar.
A seguir vieram os colonizadores espanhóis, para tirar a terra dos nativos. Os nativos tornaram-se seus escravos, mas revelaram-se completamente inúteis para o trabalho nas plantações de cana. Assim, em 1510, o Rei Fernando, da Espanha, deu permissão para que um grande navio transportasse escravos da África. Teve assim início o impiedoso tráfico de vidas humanas através dos oceanos. Continuou por mais de 300 anos.
Não era por nada que a Inglaterra jactava-se de possuir a maior frota que singrava os sete mares. E quando chegou o momento preciso de entrar no comércio do açúcar e transporte de escravos, sua poderosa frota chegou às Índias Ocidentais e expulsou os espanhóis. A Inglaterra tornou-se logo o centro mundial da indústria do açúcar. “O prazer, a glória e a grandeza da Inglaterra foram mais promovidos pelo açúcar do que por qualquer outro produto, sem se excetuar a lã”, disse um nobre inglês daquela época.
O conceito da Inglaterra sobre o comércio de escravos e o incrível sofrimento infligido a um povo pode ser melhor sumariado pelo que disse uma notável figura política daquela nação: “A impossibilidade de passar sem escravos nas Índias Ocidentais sempre impedirá que o tráfico seja interrompido. A necessidade, nesse caso a absoluta necessidade de ir avante, deve, visto não haver outra, ser a desculpa.” E ela ‘foi avante’. Basta esta observação divulgada no século 18, quando a escravidão do açúcar estava no auge: “Não chega à Europa nenhum barril de açúcar que não esteja manchado de sangue.”
Os ingleses obviamente barganhavam com seus cúmplices africanos para conseguir um preço reduzido nas compras em grande quantidade. Daí a jactância dum lorde britânico: “Quanto ao suprimento de negros, temos tão decidida superioridade no comércio africano que nos faculta ter escravos um sexto mais baratos.”
Visto que era óbvio a todos que o açúcar não mais era uma mania passageira, mas que viera para ficar, e que os escravos da África eram o essencial absoluto necessário para manter viva a indústria, a suprema pergunta que ocupava a mente de todas as pessoas envolvidas era: Quanto tempo durará o fluxo de escravos antes que termine? A resposta não tardou. Da pena de um governador da Costa do Ouro, na África, saíram essas palavras: “A África não apenas pode continuar a suprir as Índias Ocidentais nas quantias costumeiras, mas, se a necessidade exigir, pode dispor de milhares, ou melhor, de milhões mais.”
Contudo, esse não foi o caso. Já operavam forças que amargamente se opunham ao desumano tráfico de humanos negros, e em todo o mundo se ouviam vozes de protesto. Eram usados todos os meios possíveis para que a sua mensagem se espalhasse e que a escravidão fosse eliminada. Note, por exemplo, essa propaganda divulgada: “Armazém B. Henderson China — Madame Lane Peckam, respeitosamente informa aos Amigos da África que tem à venda um Sortimento de Bacias (frascos) de Açúcar estampadas em Letras Douradas: Açúcar das Índias Orientais Não Fabricado por Escravos.” E em seguida dizia: “Uma família que usa cinco libras (c. 2 kg) de açúcar por semana evitará, por usar durante 21 meses açúcar da Índia Oriental em vez de da Índia Ocidental, a Escravidão ou o Assassinato de uma Co-Criatura. Oito famílias assim em 19 anos e meio evitarão a escravidão ou o assassinato de 100.”
Com o tempo, país após outro sancionou novas leis proibindo o comércio de escravos. Os Estados Unidos, porém, que até então compravam açúcar de seu vizinho sulino, Cuba, lançaram-se eles mesmos ao comércio do açúcar e de escravos, e o estado sulino de Luisiana, com as suas recém-desenvolvidas plantações de cana-de-açúcar, tornou-se o ponto focal. Quaisquer escravos excedentes eram absorvidos pelas plantações de algodão, no sul.
Por mais de três séculos o Rei Açúcar foi o soberano do mundo, exigindo um tributo que estarrece a imaginação. Nenhum produto na face da terra tem sido arrancado do solo ou dos oceanos, dos céus ou das entranhas da terra, com tal ganância e sangue humano como o açúcar. Hoje, ah!, quão doce é! Ontem era amargo como fel.
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O açúcar no presente — quão doce é?Despertai! — 1983 | 22 de maio
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O açúcar no presente — quão doce é?
RECONHECE-ME? Meus amigos científicos me conhecem por C12 H22 O11. Nunca deixei de ser importante, desde que estreei no cenário mundial. Várias vezes na história do mundo, e em muitas partes da terra, eu era mais precioso do que o ouro, e também mais raro. Lembro-me de que certa vez na China, quando alguns príncipes indianos deviam tributo ao imperador, esse governante chinês exigiu que o pagamento fosse feito por eu ser dado a ele, em vez de ouro.
Travaram-se grandes debates e controvérsias nos majestosos palácios e em grandes recintos de senado no mundo todo, por causa de minha presença. Não sinto prazer em dizer que milhões de pessoas foram literalmente escravizadas e milhões morreram por minha causa.
Hoje sou de novo o centro de grandes controvérsias. Alguns dizem que eu devia ser banido para sempre da face da terra. Outros dizem que sou refinado, doce e necessário, e de modo algum o vilão acusado de ser.
Reconhece-me agora? Sou a colherada de açúcar, que a canção popular dos anos 60 dizia (em inglês), “ajuda o remédio a descer . . . de modo mais agradável”. Sou a colherada de açúcar que era amarrada num pequeno pano e servia como chupeta para você, enquanto sua mãe cuidava de suas tarefas domésticas. Sou a colherada de açúcar que cobre os comprimidos de laxativos que você toma e adoça os de outro modo amargos remédios que você bebe. Estou presente nos cosméticos com os quais você embeleza o seu rosto e nas borrachas e nos plásticos sintéticos que literalmente o cercam. Ajudei a curtir o couro do sapato que você usa. Os que fumam tabaco fumam parte de mim. Estou ali quando você tinge sua roupa. Se você morrer e for enterrado num esquife de plástico, também ali eu estarei. Estou em sua vida, literalmente, do berço à sepultura.
Além de tudo isso e mais, existe aquilo pelo qual sou mais popular — a habilidade de satisfazer seu insaciável desejo por algo doce. E aqui jaz o paradoxo. Meu ativo é, segundo meus oponentes, meu passivo. Afirmam que estou em tudo e em toda a parte. Negando isso, naturalmente, eu estaria desconsiderando os fatos. Seria o primeiro a dizer que na maior parte das vezes o uso de mim é o abuso de mim.
É razoável dizer-se que uma colherada de açúcar ajuda o remédio a ‘descer’. Mas, é razoável que uma colherada de açúcar também ajude a descer o ketchup de tomate, ou os temperos ou os molhos de salada? Ou o pão, ou as conservas de legumes, ou, acredita você, o sal, para mencionar mais alguns? Será que um biscoito salgado precisa levar açúcar? Não o surpreende saber que, incrível como pareça, verificou-se que um pacote de gefilte fish [peixe à moda judaica] processado tem mais açúcar por porção do que um pedaço de bolo?
Por que devo eu ser um ingrediente importante em alimentos que você não come esperando encontrar um paladar doce? Se você gosta de coisas doces, sabe que saborear um biscoito doce provavelmente satisfará seu desejo. Mas, que razoabilidade existe no fato de que um biscoito cracker salgado pode da mesma forma servir a seus interesses com o seu conteúdo de 12 por cento de açúcar? Ao comer certas barras de chocolate você pode muito bem esperar consumir 51 por cento de açúcar. Mas, o que abalaria seu bom senso de julgamento seria descobrir que você estaria consumindo a mesma quantidade de açúcar por comer certo tipo de frango à milanesa.
Não sou um gênio, tampouco se precisa ser um para se concluir que os fabricantes e os processadores de alimentos de quase qualquer produto consumível aparentemente temperam com a idéia de que uma colherada de açúcar fará seu produto ‘descer’ de maneira mais agradável, quer eu seja necessário, quer não. Considero isso abusar de mim. É também arma adicional para os que me criticam.
Considere, por exemplo, o consumo mundial que eu tive em 1982 — calculado como tendo excedido a 92 milhões de toneladas métricas. Os norte-americanos e muitos outros consomem cerca de 35 quilos de mim (refinado) por ano, por pessoa, e o adolescente mediano, cerca de um quilo e 300 gramas por semana. Contudo, 75 por cento desse consumo é feito sem que se esteja ciente disso. Apenas pequena parte vem realmente de seu açucareiro. Os fatos mostram que as pessoas estão comprando menos de mim, todavia, o consumo que fazem de mim está aumentando. Planejar cardápios, pois, com a minha total exclusão seria, embora não impossível, muito difícil.
Possivelmente a maioria me reconhece apenas como apareço em seus açucareiros — branco e refinado. Nessa forma sou conhecido como sacarose, cerca de 99,9 por cento pura e vendida tanto em forma granulada como refinada. Não pare de procurar por mim, contudo, ao encontrar as palavras “açúcar” ou “sacarose” no rótulo dos alimentos. Outros nomes que eu tenho, que devem ser verificados, são frutose (das frutas), lactose (do leite), maltose (açúcar de malte), glucose, glicose de milho, sólidos de glicose de milho, dextrose e açúcar de bordo (ácer). Açúcar bruto é proibido nos Estados Unidos, a menos que as impurezas — sujeira, restos de insetos, bolor, bactérias e outros contaminantes — sejam removidas. Quando feito, pode ser vendido como açúcar turbinado. Embora escuro, não deve ser confundido com açúcar mascavo, que em geral é simplesmente açúcar branco refinado pulverizado com melaço.
Adicione agora aos calculadamente 35 quilos de açúcar refinado consumidos por pessoa no ano de 1982 outros 20 quilos de adoçantes à base de glicose de milho (que se está tornando mais popular entre industrializadores de alimentos devido ao seu custo menor) encontrados em alimentos nas prateleiras de supermercados, e o consumo per capita de açúcar ascende a níveis ainda mais estonteantes.
Se você tiver um conhecimento bem básico a meu respeito, saberá que, como os amidos, eu também sou um carboidrato, que abastece seu corpo de energia, calor, e conseqüentemente do combustível para movimentar seu corpo. Quando você consome mais carboidratos do que seu organismo pode gastar, o excesso é convertido em gordura.
Em virtude, então, da necessidade básica que seu corpo tem de combustível e energia, o que há de mal em comer açúcar? O problema é que, dessemelhante de outras fontes de carboidratos, eu não tenho proteínas, nem minerais, nem vitaminas — nenhum nutriente exceto calorias. E dessas tenho em abundância — cerca de 60 por uns 15 gramas, ou mais ou menos uma colherada. Os nutricionistas me descrevem como “vãs calorias”. Por outro lado, ao consumir outros alimentos que não o açúcar, que também sejam ricos em carboidratos, como cereais integrais, feijões, hortaliças e frutas, você adquire não só um bom manancial de energia mas também muitos nutrientes.
A revista Consumer Reports, de março de 1978, realmente me arrasou. Devo concordar, porém, quando diz: “Essencialmente, não existe absolutamente nenhuma exigência dietética de açúcar que não possa ser satisfeita por outros alimentos, mais nutritivos, tais como frutas e hortaliças. O açúcar não é nem mesmo necessário para a assim chamada energia instantânea, para estimular uma manhã de tênis, de esqui, ou coisa assim.” A reserva de energia já armazenada em seu corpo cuidará disso.
O que acrescenta dano adicional é que quando sou consumido em grandes doses concentradas antes duma refeição, digamos na forma de um doce, pedaços de bolo ou de torta, acompanhados talvez por uma garrafa de 350 ml de refrigerante à base de cola, que em si contém umas nove colheradas de açúcar, então, essas vãs calorias satisfizeram seu apetite e os alimentos benéficos são evitados às refeições. Você engorda, mas realmente carece de boa nutrição. Você está cônscio de seu peso mas não de que está malnutrido.
Embora eu seja acusado de muitas coisas sinistras, muitas das quais questionáveis, numa coisa aparentemente todos os especialistas são unânimes — eu provoco cárie, particularmente em crianças. Mesmo a Associação do Açúcar (EUA), cuja função é promover maior consumo de mim, concorda nesse ponto. O problema, segundo especialistas em odontologia, é que como açúcar sou usado pelas bactérias normalmente presentes em sua boca para formar uma espessa substância gelatinosa que adere tenazmente aos dentes. Acelera a formação da placa bacteriana, que, junto com outros ácidos, ataca os dentes e os deixa vulneráveis à cárie.
Dizem os entendidos, porém, que não é a quantidade de açúcar que você consome o que determina o número de cáries que terá, mas sim a maneira como o açúcar é consumido. Se, por exemplo, você comer um bombom que contenha 10 por cento de açúcar, poderá causar mais prejuízo a seus dentes do que por beber um refrigerante cujo teor de açúcar seja de 25 por cento. A razão é óbvia. Resíduos do bombom ficarão grudados nos dentes, por conseguinte há uma exposição mais longa, ao passo que o açúcar no refrigerante é carreado pelo líquido. Contudo, antes de dar um suspiro de alívio, se você é um grande consumidor de refrigerantes, saiba do seguinte: Os cientistas informam que vários refrigerantes por dia podem causar maior dano a seus dentes do que um bombom, que se precisa mastigar, por semana. Também, os refrigerantes à base de cola, e muitos outros, geralmente contêm ácidos prejudiciais aos dentes.
Assim, crianças, isso destaca outro ponto que seus pais possivelmente vêm tentando incutir em vocês: Escovem diligentemente seus dentes com regularidade, especialmente depois de comerem doces. Mais especialmente depois de comerem alimentos carregados de açúcar antes de ir dormir. Quanto mais tempo eu estiver entre seus dentes, maior a possibilidade de erosão dental e cáries.
Eis uma esperança, mas não necessariamente um antídoto: Segundo recentes descobertas preliminares, conforme noticiado no Times de Nova Iorque, de 16 de dezembro de 1980, o queijo cheddar pode realmente inibir a cárie dentária. “Achamos ser uma observação válida que deverá merecer estudos, mas no momento ainda está apenas num estágio preliminar”, disse o dr. William H. Bowen, chefe do setor de prevenção e pesquisa da cárie dentária do Instituto Nacional de Pesquisa Odontológica, dos EUA.
Cientistas americanos, prosseguindo a pesquisa dum colega britânico, que descobrira que o queijo cheddar exerce sobre os dentes humanos o efeito de desaceleração da erosão dental, testou ratos de laboratório com um cheddar semiprocessado. Os resultados foram os mesmos, relatou o dr. Bowen, “cuidando-se de que os animais comessem o queijo imediatamente após comer açúcar, conhecido contribuinte à cárie dentária”. “Por que o queijo”, prossegue o Times, “deva ter tal efeito, é desconhecido”.
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Visto que estou contando minha própria história, preciso contá-la do jeito como é, embora isso me coloque numa luz muito má. E aí vão mais notícias más para vocês, que gostam de mim. Essas notícias também incriminam meu arqui-rival, o sal. Parece ser amplamente reconhecido que o sal, ou demais dele, exerce um papel pernicioso em contribuir para a pressão sangüínea alta. Agora, num relatório recente, consta que a combinação de açúcar e de sal pode aumentar o perigo. Segundo pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade do Estado de Luisiana, EUA, macacos-aranha foram submetidos a três diferentes dietas. Uma era uma dieta nutricional padrão, preparada para macacos de laboratório. A segunda era a mesma dieta, mas deu-se aos macacos sal adicional. A terceira era como a segunda, com a mesma quantidade de sal, mas com a adição de açúcar. A revista Science Digest de outubro de 1980, que publicou esse relatório, informou as descobertas:
“Todos os animais foram cuidadosamente testados durante um ‘período base’ de três semanas, daí divididos em três grupos; cada grupo recebeu uma das três dietas experimentais por oito semanas. Como esperado, a pressão sangüínea aumentou nos animais que receberam sal adicional. Mas, informou a equipe no American Journal of Clinical Nutrition, os macacos alimentados com sal adicional e açúcar tiveram um significativo aumento maior na sua pressão.”
Em adição a algumas coisas que mencionei aqui, com as quais concordo, há também um grande número de males de saúde dos quais sou acusado, que não são solidamente provados. As controvérsias sem dúvida continuarão, até que finalmente fique resolvido dum modo ou de outro.
No ínterim, você deve exercer moderação e equilíbrio nos alimentos e na quantidade de açúcar que consome. O excesso de qualquer coisa pode adoecê-lo e acarretar muitos problemas. Tenho meu lugar na sua dieta diária se você se alimentar com bom senso.
Lembre-se, também, o Grande Deus, Jeová, que me fez, conduziu os israelitas à Terra Prometida que manava “leite e mel”, este último uma forma de açúcar. Isso me diz que não posso ser algo totalmente ruim. E quando todos os dignos estiverem sentados “debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira”, na terra paradísica, ora, eu também estarei lá — naquelas uvas doces e naqueles figos maduros! — Miquéias 4:4.
[Destaque na página 10]
Sou de novo o centro de grandes controvérsias. Alguns dizem que eu devia ser banido para sempre da face da terra. Outros dizem que sou refinado, doce e necessário, e de modo algum o vilão acusado de ser.
[Destaque na página 10]
Seria o primeiro a dizer que na maior parte das vezes o uso de mim é o abuso de mim.
[Destaque na página 11]
Não o surpreende saber que, incrível como pareça, verificou-se que um pacote de “gefilte fish” processado tem mais açúcar por porção do que um pedaço de bolo?
[Destaque na página 12]
Os industrializadores de alimentos, para disfarçar a alta porcentagem de açúcar nos alimentos, alistam-me sob muitos nomes diferentes.
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Emoções das mães com bebê novoDespertai! — 1983 | 22 de maio
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Emoções das mães com bebê novo
Uma mãe com bebê novo pode ter uma extensa gama de oscilações de humor, desde sentimentos de euforia pelo seu bebê até depressão e preocupação, segundo a enfermeira Cathy Kohm, do Programa Pós-parto, de Toronto, Canadá. Emocionalmente, as primeiras seis semanas após o nascimento são as mais difíceis para a mãe. A complacência e o senso de humor, junto com a compreensão e o apoio da parte dos outros, ajudá-la-ão a fazer face a isso. “Um dos maiores problemas que noto”, diz Kohm, “é o fato de as mulheres quererem fazer tudo com perfeição”. Segundo o jornal Toronto Star, as sugestões dela incluem: “Nas primeiras semanas, a mulher deve deixar um pouco de lado seu trabalho doméstico e tomar tempo para aninhar-se na cama com o bebê. Ela deve comer bem, tirar o telefone do gancho enquanto tira uma soneca com o bebê e tentar conformar-se com a situação tal como ela se apresentar.”
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