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O mistério é solucionado!Despertai! — 1988 | 8 de julho
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O mistério é solucionado!
A MAIORIA das pessoas presume que a morte não é o fim da vida humana; que após a morte física, algo continua vivendo. Geralmente este algo é descrito como alma.
Em resposta à pergunta: “Como sabemos que a Ruh [alma] deixa o corpo quando este se acha no túmulo?”, a revista The Straight Path (A Vereda Reta) responde: “A morte nada mais é do que a partida da alma. Uma vez a alma tenha deixado o corpo, ela é transferida para o Barzakh (o período após a morte). . . . O túmulo é um recipiente apenas do corpo, não da alma.” Estes são sentimentos muçulmanos, mas pouco diferem dos ensinos da cristandade.
Considere, para exemplificar, duas perguntas tiradas de A Catechism of Christian Doctrine (Catecismo da Doutrina Cristã), uma publicação católico-romana, britânica, usada nas escolas:
P. “Como é que sua alma é semelhante a Deus?”
R. “Minha alma é semelhante a Deus por ser um espírito, e é imortal.”
P. “Que quer dizer quando afirma que sua alma é imortal?”
R. “Quando digo que minha alma é imortal, quero dizer que minha alma nunca pode morrer.”
Embora se possa ensinar crianças a acreditar nisto, o livro não tenta comprovar as asserções feitas.
Todavia, existe uma fonte de informações que nos conta exatamente o que é a alma. Essa fonte é a Bíblia, o livro mais antigo que o homem conhece. Talvez se surpreenda com aquilo que ela diz.
A Alma — A Definição da Bíblia
Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, fornece-nos o relato da criação do homem, e de outras criaturas que vivem em nosso planeta. Foi escrito em hebraico, e, nos primeiros dois capítulos, a palavra “alma”, tradução de né·fesh, aparece quatro vezes; apenas uma vez, contudo, refere-se ao homem.a A que se referem as demais ocorrências? Vejamos.
“E Deus passou a criar os grandes monstros marinhos e toda alma [né·fesh] vivente que se move, que as águas produziram em enxames segundo as suas espécies, e toda criatura voadora alada segundo a sua espécie.” — Gênesis 1:21.
“E a todo animal selvático da terra, e a toda criatura voadora dos céus, e a tudo o que se move sobre a terra, em que há vida como alma [né·fesh], tenho dado toda a vegetação verde por alimento.” — Gênesis 1:30.
“Ora, Jeová Deus estava formando do solo todo animal selvático do campo e toda criatura voadora dos céus, e ele começou a trazê-los ao homem para ver como chamaria a cada um deles; e o que o homem chamava a cada alma [né·fesh] vivente, este era seu nome.” — Gênesis 2:19.
Uma rápida comparação destes três versículos revela que né·fesh é um termo usado para descrever todas as formas de vida animal.
Compare isto agora com o relato da criação do primeiro homem, Adão:
“E Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma [né·fesh] vivente.” — Gênesis 2:7.
Comentando isto, a Sociedade Publicadora Judaica dos Estados Unidos, numa tradução da Torá, os primeiros cinco livros das Escrituras Hebraicas, diz: “A Bíblia não diz que temos uma alma. ‘Nefesh’ é a própria pessoa, sua necessidade de alimento, o próprio sangue em suas veias, seu ser.” (O grifo é nosso.) Logicamente, o mesmo se dá com todas as outras formas de vida descritas como “alma”. Elas não possuem almas. Todas elas são almas.
Platão e a Alma
Onde foi, então, que surgiu a idéia de que uma alma deixa o corpo por ocasião da morte? A já citada The Jewish Encyclopedia diz o seguinte: “Foi somente através do contato dos judeus com o pensamento persa e grego que a idéia de uma alma separada do corpo, tendo a sua própria individualidade, arraigou-se no judaísmo.”
Até mesmo anteriormente, na História humana, os egípcios criam que a alma humana era imortal e que ela podia revisitar seu corpo morto. Por este motivo, os egípcios faziam grande empenho em preservar os mortos pelo embalsamamento, ou mumificação.
É interessante que o novo Evangelischer Erwachsenenkatechismus (Catecismo Evangélico Para Adultos) luterano alemão admite abertamente que a fonte de ensino de que a alma humana é imortal não é a Bíblia, e sim o “filósofo grego Platão (427-347 A.C.), [o qual] sustentava enfaticamente que havia uma diferença entre o corpo e a alma”. Prossegue dizendo: “Os teólogos evangélicos dos tempos modernos questionam esta combinação de conceitos grego e bíblico. . . . Rejeitam a separação do homem em corpo e alma.”
O que, então, acontece com a alma humana por ocasião da morte? Sobre este assunto, nossa mais destacada autoridade é a Bíblia, a Palavra inspirada de Deus. Ela declara expressamente: “Os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada.” (Eclesiastes 9:5) E, ao falar de “uma ressurreição”, Jesus disse: “Todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a . . . voz [de Jesus) e sairão.” — João 5:28, 29.
Assim, onde estão os mortos? Na sepultura, “nos túmulos memoriais”, isto é, na memória de Deus, aguardando uma ressurreição.b Uma ressurreição? O que significa isso? Quão real é tal esperança? O artigo concludente sobre uma recente tragédia ocorrida na Inglaterra mostra quão real pode ser esta esperança.
[Nota(s) de rodapé]
a “Almas”, no plural, também ocorre em Gênesis, capítulo 1, versículos 20 e 24.
b O catecismo luterano concorda com a Bíblia, ao dizer: “Visto que o homem, como um todo, é pecador, portanto, na morte, ele falece completamente, com corpo e alma (morte total). . . . Entre a morte e a ressurreição, há uma lacuna; no melhor dos casos, a pessoa continua sua existência na memória de Deus.”
[Foto na página 9]
A “alma” de um escriba egípcio, representada como um falcão com cabeça de humano, supostamente ‘revisitando seu corpo no túmulo’.
[Crédito da foto]
Cortesia do Museu Britânico, Londres
[Quadro na página 8]
Sabia?
Em parte alguma da Bíblia lemos sobre uma “alma imortal”. As duas palavras nunca aparecem ligadas. As palavras “imortal” e “imortalidade” ocorrem apenas seis vezes, todas nos escritos do apóstolo Paulo. Quando aplicada aos humanos, a imortalidade é descrita como um prêmio, a ser concedido apenas aos 144.000, que são remidos da Terra para reinar junto com Cristo Jesus no céu. — 1 Coríntios 15:50-54; Revelação (Apocalipse) 5:9, 10; 14:1-4; 20:6.
[Quadro na página 9]
Que Autoridade Reconhece?
“The Concise Oxford Dictionary” (Conciso Dicionário Oxford) define “soul” (“alma”) da seguinte forma: “Parte espiritual ou imaterial do homem, fica como sobrevivendo à morte.” Esta definição sublinha que o conceito de vida após a morte por meio duma “alma” continua sendo uma questão de asserção religiosa. Nenhuma autoridade consegue prová-la. Em contraste com isso, o maior autoridade de todos, o Bíblia, diz: “A alma que pecar — ela é que morrerá.” — Ezequiel 18:4.
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“Não tenho medo da morte!”Despertai! — 1988 | 8 de julho
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“Não tenho medo da morte!”
CHRISTOPHER Heslop, de nove anos, era Testemunha de Jeová, assim como seu irmão Matthew, de 14 anos. Eles haviam passado aquela manhã de outubro, junto com seu tio e sua tia, e seus dois primos, fazendo visitas de casa em casa no seu ministério cristão, perto de Manchester, Inglaterra. De tarde, partiram juntos numa viagem de recreio a Blackpool, um local próximo de veraneio à beira-mar. Todos os 6 achavam-se entre as 12 pessoas que tiveram morte instantânea num acidente rodoviário, descrito pela polícia como “um holocausto total”.
Na noite anterior à tragédia, a morte tinha sido o assunto considerado num estudo bíblico realizado na vizinhança, a que comparecera a família Heslop. “Christopher”, disse David, o pai dele, “sempre foi um menino que refletia muito. Naquela noite, ele falou claramente sobre um novo mundo e sobre sua esperança quanto ao futuro. Daí, ao prosseguir nossa palestra, Christopher disse subitamente: ‘O interessante quanto a se ser uma Testemunha de Jeová é que, ao passo que a morte é dolorosa, sabemos que, um dia, nós nos veremos de novo na Terra.’ Nenhum de nós, ali presentes, podia discernir quão memoráveis iriam tornar-se aquelas palavras”.
Depois do acidente, a manchete do jornal
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