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Amamentar o bebê — qual é o melhor método?Despertai! — 1974 | 8 de janeiro
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Amamentar o bebê — qual é o melhor método?
EM MUITOS países, as futuras mamães confrontam a pergunta: Como vou amamentar meu bebê — no peito ou na mamadeira?
Há algumas gerações atrás, esta pergunta raramente surgiu, se é que surgiu. Praticamente todas as mães amamentavam no peito seus bebês. Não havia nenhuma alternativa deveras segura. Se, por algum motivo, a mãe não podia amamentar seu bebê no peito, outra mulher, chamada ama-de-leite, era procurada para fazê-lo. Em algumas áreas do mundo, ainda se usam amas-de-leite.
Tendência Moderna em Amamentar o Bebê
Em países tais como os EUA, contudo, tem havido rápida mudança na forma de amamentar os bebês. Fornecer aos bebês uma fórmula pré-preparada numa mamadeira se tornou o método preferido.
Exemplificando: ao se iniciar este século, perto de 100% de qualquer grupo de mães recentes nos EUA amamentavam seus bebês no peito. Mas, por volta de 1946, o número de mães que amamentavam ao peito já decrescera para 38 por cento. Em 1956, o número diminuíra para 21 por cento. E, em 1966, o último ano em que boas estatísticas se acham disponíveis, o número de novas mães que amamentam seus bebês no peito decresceu para apenas 18 por cento! Em certos lugares, agora, quase todas as mães amamentam seus bebês com mamadeiras.
Segundo o número de maio de 1973 de Saturday Review of the Sciences, nos “países mais pobres do mundo”, também, houve “dramático declínio da amamentação maternal nos anos recentes”. Em um de tais países, segundo calculado, seria preciso o leite de 32.000 vacas para compensar o leite que as mães não mais forneciam a seus filhos.
A revolução no aleitamento ocorreu num período de que muitos ainda vivos podem lembrar-se. Comentando isto, Psychology Today, de junho de 1968, observou: “Há apenas 25 anos, no Mississippi rural, era aceitável o aleitamento na igreja. E há 80 anos atrás, em Indiana, as senhoras de alta classe levavam com naturalidade seus bebês às festas vespertinas para amamentá-los, conforme fosse necessário.”
Mas, hoje em dia, muitos crescem sem terem visto nenhuma mãe aleitar seu filho. Mesmo se uma nova mãe estiver interessada em amamentar seu bebê no peito, talvez ignore como fazê-lo.
Por Que a Mudança?
Uma das razões principais da mudança na amamentação dos bebês é a atitude dos hospitais hodiernos. O Dr. Jean Mayer, professor de nutrição da Universidade de Harvard, observa: “Nos hospitais dominados pelos homens, desencoraja-se oficialmente a amamentação no peito. A menos que a nova mãe tenha claramente expressado seu desejo de amamentar o bebê no peito, ministra-se-lhe uma injeção de estrogênios, antes mesmo de passar a anestesia, de modo a ‘secá-la’.”
Esta preferência da classe médica pelas mamadeiras se deve, principalmente, à conveniência em cuidar da mãe e do bebê. “Alguns obstetras advogam ativamente a mamadeira, porque as mães que aleitam tomam muito de seu tempo com consultas para explicações”, relata Newsweek de 12 de janeiro de 1970. Daí, também, as melhoras nas fórmulas de leite comercializadas constituem fator em se advogar a mamadeira. Misturas saborosas e digeríveis de leite, água e vários açúcares foram obtidas, que, segundo se afirma, substituem bem o leite materno.
Visto que amamentar com mamadeira é “moderno” e supostamente “científico”, há mães que aparentemente encaram isso como símbolo social, e o aleitamento como antiquado. O diretor duma clínica de São Francisco, EUA, Dr. David E. Smith, observa: “É quase impossível persuadir a mãe negra ou mexicano-estadunidense a amamentar no peito, porque consideram isso como costume da classe baixa — é o que seus parentes pobres fazem.”
E é verdade, a mamadeira amiúde se ajusta melhor ao estilo de vida moderno da cidade. A mãe que amamenta tem de dispor-se a alimentar o bebê continuamente. O bebê que toma mamadeira, por outro lado, pode ser amamentado por outrem, enquanto a mãe cuida do seu serviço secular ou sai para um programa noturno com amigos.
É Melhor a Mamadeira?
A popularidade atual da mamadeira talvez sugerisse que é melhor do que a amamentação ao peito, ou pelo menos tão boa quanto ela. Mas, dá-se isto? Que alimento é melhor para o bebê?
A Conferência da Casa Branca Sobre Alimentos, Nutrição e Saúde, recentemente, concluiu: “O leite do peito é o alimento perfeito para as necessidades nutricionais e o desenvolvimento do bebê. É a forma mais natural de amamentar os bebês.”
Similarmente, Current Therapy 1970, respeitado volume médico, observa: “Por vários motivos, tem ficado bem estabelecido que a amamentação no peito é o método ideal do aleitamento para os primeiros meses de vida. O médico deve encorajar tal prática.” The Encyclopœdia Britannica concorda, afirmando: “O alimento ideal para o bebezinho é o leite humano. Fornece todos os nutrientes em quantidades e na variedade necessárias ao bom crescimento e desenvolvimento.”
O leite materno visa especificamente os bebês. Assim, o Dr. I. Newton Kugelmass, escrevendo em Current Therapy 1967, afirmou: “O leite humano é ideal para o bebê, o leite de vaca para o novilho. Não há substituto para o leite do peito.” O famoso professor emérito da Clínica Mayo, Dr. Walter Alvarez, explica: “O leite de vaca não é apropriado para o aparelho digestivo do bebê humano, e, por isso, tem de ser diluído e transformado numa ‘fórmula’.”
Sim, o leite humano é um alimento superior para os bebês, e poucos médicos, se é que alguns, argumentariam ao contrário. Mas, é a alimentação ao peito realmente tão superior à mamadeira que deveria ser encorajada?
Diferenças de Opinião
Alguns médicos não parecem pensar assim. Pelo que parece, crêem que os aperfeiçoamentos na alimentação por mamadeira nas três últimas décadas a tornaram tão proveitosa para o bebê como a amamentação no peito. Quando se seguem as orientações, assevera o pediatra William E. Homan, “os bebês alimentados por mamadeira não são mais saudáveis nem menos saudáveis, física ou emocionalmente, do que um grupo comparável de bebês aleitados”. Será isto verdade?
Há, contudo, agudas diferenças de opinião. Afirma o Dr. David Reuben: “Ao atingir vinte e um anos, é difícil dizer a diferença, em sentido físico, entre o jogador de futebol que foi criado com leite de vaca e o que foi amamentado por sua mãe.” Mas, o que dizer da saúde dos bebês, antes de atingirem a madureza?
Isto talvez seja uma história bem diferente. Pois Medical Tribune, de 16 de agosto de 1972, traz à atenção “a repetida observação de que a mortalidade entre os bebês amamentados ao peito é significativamente inferior à dos alimentados artificialmente”. É digno de nota, portanto, que o Dr. Paul Gyorgy, uma das mais destacadas autoridades do mundo em amamentação de bebês, recentemente chamou a mania da mamadeira de “criminosa”.
O Dr. John S. Miller, chefe da seção de obstetrícia e ginecologia do Hospital Francês de São Francisco, expressando similar opinião, afirmou há pouco: “Não posso saber se a amamentação no peito voltará de novo a ser o método preferido de amamentar bebês nos Estados Unidos. Sei deveras que começamos a verificar o temível preço que pagamos ao permitir que os lacticínios e as indústrias de alimentos para bebês nos ditem o costume neste respeito.”
“O que queria dizer tal obstetra? Quais são os possíveis perigos da alimentação por mamadeira que são evitados pela amamentação no peito?
Composição Correta do Leite Humano
Como já foi observado, o leite humano é ideal para os bebês humanos; o leite de vaca não é. Para exemplificar: o tipo de proteína que os dois leites contêm é diferente. O leite humano é facilmente assimilado e quase que inteiramente utilizado pelo bebê. A proteína no leite de vaca, por outro lado, forma coágulos grandes, densos, difíceis de digerir. Por tal motivo, o leite de vaca é diluído numa fórmula, no esforço de torná-lo tão similar quanto possível ao leite humano.
Os ácidos gordurosos no leite humano não são os mesmos que os do leite de vaca. E alguns médicos crêem que os do leite de vaca não são tão bons para os bebês, talvez influindo adversamente nos níveis de colesterol do sangue. Na vida posterior, sugere-se, tais níveis de colesterol podem constituir fator no desenvolvimento de artérias endurecidas, uma das causas principais da apoplexia e doenças cardíacas.
Também, o leite humano contém uma dose muito menor de minerais do que o leite de vaca; por exemplo, o leite de vaca contém quatro ou cinco vezes mais sódio do que o leite humano. O Dr. Jean Mayer, da Universidade de Harvard, observa que este é “um fato que alguns cientistas consideram mui significativo. As dietas elevadas de sal na infância têm sido ligadas à hipertensão nas cobaias.” Acrescenta o Dr. Mayer: “Se a situação se aplicar ao homem, poderia acontecer que expor os bebês a concentrações mais altas de sódio no leite (e nos alimentos para bebês) talvez constitua um fator na prevalência atual da hipertensão, que atinge 20 milhões de estadunidenses.”
Ao ser feita mais pesquisa, torna-se claro que o leite humano tem deveras a correta composição para os bebês, sendo obviamente assim criado por um Criador todo-sábio. E há crescente evidência de que o uso de substitutos pode causar dano.
Leite Humano É Proteção
Observa-se que o leite humano é uma verdadeira proteção contra as doenças dos bebês. A evidência estatística parece apoiar isto. Em seu livro recente, Infant Feeding (Amamentação do Bebê), a Dra. Marvis Gunther escreve: “Quase toda enquete que compara a relação das infecções com o método de amamentação, mostra que o bebê alimentado por mamadeira é mais propenso à doença.”
Neste sentido, a Conferência da Casa Branca Sobre Alimentos, Nutrição e Saúde, concluiu em data recente que o leite do peito “fornece proteção contra a infecção”, em especial os males intestinais e respiratórios. O colostro, o líquido aquoso amarelado que é segregado nos primeiros dias depois do parto, é especialmente vital para o bebê, para protegê-lo contra a doença.
Estudos também revelam que os bebês aleitados são menos inclinados a criar alergias. Baseando as conclusões num estudo de 1.377 bebês, o Dr. E. Robbins Kimball, pediatra de Evanston, Illinois, EUA, disse: “Pareceria que a introdução de leite específico que não é da mesma espécie sensibiliza o bebê ao desenvolvimento de alergias . . . tanto no presente como no futuro.” O bem-conhecido Dr. Walter Alvarez observou: “Toda vez que vejo algum adulto que afirma que não pode tomar leite sem ficar com urticária, ou sofrer de alguma forma de indigestão, eu pergunto, e usualmente fico sabendo, que a mãe dele recusou-se a aleitá-lo, e imediatamente o pôs a tomar uma fórmula.”
Fato especialmente trágico é que, nos EUA, cada ano, cerca de 10.000 a 20.000 bebês morrem de súbito. A causa destas chamadas “mortes no berço” é desconhecida. Mas, segundo a Dra. Marvis Gunther, o “risco é maior entre os que tomam mamadeira”. Tem-se sugerido que alguma infecção virosa ou intensa reação alérgica ao leite de vaca talvez seja responsável. Isto pode ser algo para os pais prospectivos considerarem quando decidem como irão amamentar seu bebê.
Benefícios Para a Mãe
É o aleitamento também uma proteção para a mãe? Pode ser, de vários modos.
Primeiro de tudo, é evidentemente uma proteção contra o câncer no seio. Num estudo do câncer entre os bantus da África meridional, relata o Dr. Charles Marks: “O câncer no seio é extremamente reduzido nas tribos primitivas bantus em comparação com os europeus na África, e isto poderá ter ligação com um período especialmente longo de lactação, com a mãe bantu amamentar seu bebê no peito durante dois anos ou mais.”
Significativamente, também, em sua publicação 101 Questions About Cancer (101 Perguntas Sobre o Câncer), a Sociedade Estadunidense de Cancerologia afirma: “As mães que amamentam ao peito apresentam menos casos de câncer do seio.”
Outro benefício da amamentação ao peito é que pode reduzir a sangria da mãe depois do parto. Isto se dá porque, quando o bebê mama, quando colocado junto ao seio logo após nascer, estimula a contração do útero da mãe. Este é um fato a que os pais que respeitam a lei de Deus sobre o sangue talvez queiram dar atenção, em especial visto que alguns médicos se inclinam a querer ministrar uma transfusão de sangue quando há considerável perda de sangue.
Ainda outro benefício é que amamentar ao peito tende a retardar o reinício da ovulação e do ciclo menstrual por cerca de sete a quinze meses. Assim, os bebês são espacejados de forma natural, e a mãe que amamenta consegue cuidar de um bebê antes de conceber outro.
E, há ainda outro benefício. Na amamentação, a glândula pituitária da mãe produz o hormônio prolactina, que, segundo indicam experiências em animais, poderá fazer com que a mãe que aleita nutra maior sentimento “maternal” para com o bebê.
O Melhor Método
Meridianamente, a forma delineada pelo Criador do homem para que as mães amamentassem seus bebês é o melhor método. Os bebês alimentados no peito são deveras os melhor alimentados, e as mães também se beneficiam.
Todavia, ao mesmo tempo, as aprimoradas fórmulas de leite têm sido de grande proveito. Quando a morte, a doença ou outra incapacidade da mãe torna impossível ou difícil o aleitamento, tem-se usado a mamadeira para criar seu bebê. Mas, este método substituto, admitidamente, não é o melhor. Para contrabalançar a tendência, a Suíça oferece uma recompensa financeira para as mães se amamentarem seus bebês no peito por dez semanas.
É um assunto pessoal como os pais resolverão alimentar seus filhinhos, mas, informar-se sobre o assunto pode ser de ajuda para que eles façam uma boa escolha.
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Cresci como HinduDespertai! — 1974 | 8 de janeiro
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Cresci como Hindu
EM 1968, voltei da universidade nos Estados Unidos para visitar minha família em Jamnagar, Índia. Amigos meus programaram um grande jantar em minha honra, e o guru do meu pai, Swami Trivenipuri, estava presente. Depois do jantar, ele falava sobre o deus supremo e sua relação com o deus trino hindu, Trimurti, e o que representavam as três faces da trindade. Assim, perguntei-lhe:
“Não são simples ídolos as estátuas que os hindus adoram? É bom ou ruim que sejam adoradas?”
Ele respondeu: “Isso é muito bom, porque são alpondras que levam ao deus supremo.”
Assim, perguntei: “Não constituem as estátuas na verdade uma pedra de tropeço para se entender o deus supremo? Não imaginam a maioria das pessoas que os próprios ídolos sejam deuses?”
“É apenas o povo comum que crê nisso”, disse. E prosseguiu em sua palestra. Mas, isso não me pareceu correto. Sabia que minha mãe não era iletrada. Ela estudara numa faculdade para diplomar-se em direito. Todavia, quando ia ao templo, ela dizia que ia durshan ao deus. Essa palavra em guzerate, durshan, significa “ver”. Era esse o entendimento dela sobre o assunto; ela ia ao templo para ver o deus, porque a pedra ou ídolo estava lá. Sabia que minha mãe considerava o próprio ídolo como sagrado, porque foi isso que ela me ensinou.
Treinado no Hinduísmo
Dentre as primeiras coisas de que tenho memória acha-se a visita ao templo de Bhidbhanjan perto de nossa casa. Desde a infância fui treinado na adoração hindu. Mesmo antes de saber andar, mamãe me levava ao templo.
Quando tinha cinco ou seis anos, ia sozinho ao templo. Todo dia, ao voltar da escola para casa, andava a pé ou de bicicleta até o templo, antes do jantar. Removia os sapatos e entrava. Adorar os muitos deuses ali era comovente experiência para mim. Sempre tinha uma sensação de reverência e adoração.
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