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  • Alegria com a “luta excelente” da fé
    A Sentinela — 1975 | 1.° de dezembro
    • cada vez mais com o passar dos anos, é tão rico em bênçãos, que nenhuma outra obra se pode comparar com ele. Embora o serviço em Betel, assim como serviço de campo, exija energia, é fonte de grande alegria.

  • Cultivemos intenso amor uns pelos outros
    A Sentinela — 1975 | 1.° de dezembro
    • Cultivemos intenso amor uns pelos outros

      “Amai-vos uns aos outros intensamente de coração.” — 1 Ped. 1:22

      1, 2. (a) Quão importante é o amor? (b) Por que reconhecem até mesmo os cientistas ateus que o amor é vital?

      O AMOR é vital para o usufruto de paz, felicidade e contentamento. De fato, a vida nem vale a pena viver sem amor — o que é até mesmo reconhecido pelos cientistas materialistas. “Quero asseverar a importância extraordinária do amor . . . O amor é indispensável” escreveu o afamado cientista Sir Julian Huxley.

      2 Por que será que mesmo aqueles que se negam a reconhecer a existência dum Criador enfatizam a importância do amor? Em primeiro lugar, é porque os estudos científicos documentaram nossa necessidade de amor. Esses estudos indicam que, assim como se precisa saciar a fome para a pessoa sobreviver, os humanos também precisam amar e ser amados. O cientista Ashley Montagu escreveu: “Sabemos agora, à base das observações de vários médicos e investigadores, que o amor é uma parte essencial da nutrição de todo bebê, e que, a menos que seja amado, não se desenvolverá como organismo sadio . . . Mesmo que seja fisicamente bem nutrido, poderá apesar disso definhar e morrer.”

      POR QUE OS HOMENS TÊM AMOR

      3. (a) Por que costumam as crianças receber o amor de que necessitam? (b) Donde receberam os homens essa faculdade e capacidade de amar?

      3 Felizmente, porém, há pouco perigo de que a criança deixe de receber o cuidado terno e altruísta de que precisa. Isto se dá porque, conforme diz a Bíblia, instintivamente, “a mãe lactante . . . acalenta os seus próprios filhos”. (1 Tes. 2:7) Onde é que obtiveram as mães tal amor pelos seus filhos? Não se desenvolveu por acaso. Não é evidente que foi implantado nelas pelo Criador amoroso? Todos nós temos a faculdade e capacidade de amar, e, quando cultivada, esta qualidade pode ser expressa nas maneiras mais belas e comovedoras.

      4. (a) Por que sabemos que Adão foi dotado da qualidade de amor ao ser criado? (b) Que evidência há de que Adão amava Eva e que esta capacidade de amar alguém do sexo oposto foi transmitida aos seus descendentes?

      4 Jeová Deus concedeu este dom do amor na criação do primeiro casal humano. Sabemos isso porque Adão foi criado “à imagem de Deus”. E, visto que “Deus é amor” — o amor sendo sua qualidade predominante — a criatura feita à sua imagem também possuiria amor. (Gên. 1:26, 27; 1 João 4:8) Que o primeiro homem Adão foi dotado de amor à sua bela esposa nova é evidenciado pela sua expressão alegre ao vê-la: “Esta, por fim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne.” (Gên. 2:23) Embora Adão pecasse e perdesse a perfeição, transmitiu aos seus descendentes a capacidade de amar, inclusive a capacidade humana de deliciar-se com alguém do sexo oposto. De fato, um sábio antigo disse que uma das quatro coisas maravilhosas demais para ele entender era “o caminho do varão vigoroso com a donzela”. — Pro. 30:19; Gên. 24:67; 26:8.

      O AMOR É EXPANSIVO

      5. Além do amor romântico entre homens e mulheres, que evidência há de amor existente entre parentes carnais?

      5 Mas, além deste amor romântico que pode existir entre homens e mulheres, os humanos costumam ter um profundo sentimento natural de afeto pelos seus parentes carnais. Assim, quando José, depois de muitos anos de separação, viu a Benjamim, “suas emoções íntimas [ficaram] agitadas para com seu irmão”. Mais tarde, “lançou-se . . . ao pescoço de Benjamim, seu irmão, e entregou-se ao choro, e Benjamim chorava ao seu pescoço”. (Gên. 43:30; 45:14) Este amor familiar induziu também André, depois de ter encontrado o Messias, a procurar seu irmão Pedro, para contar-lhe esta grandiosa notícia. — João 1:40-42.

      6. Que exemplos bíblicos mostram que o amor da pessoa pode incluir outros, além dos parentes carnais?

      6 No entanto, esta qualidade de amor tem capacidade de ampliar-se e incluir outros, que não são parentes carnais. Jonatã, filho benjamita do Rei Saul de Israel, ficou tão comovido pelas boas qualidades de Davi, descendente de Judá, que sua “própria alma . . . se ligou à alma de Davi, e Jonatã começou a amá-lo como a sua própria alma”. Mais tarde, quando Jonatã foi morto, Davi ficou induzido a chamá-lo de “irmão” e a dizer: “Meu irmão Jonatã, tu me eras muito agradável. Teu amor a mim era mais maravilhoso do que o amor das mulheres.” O amor da moabita Rute pela sua sogra Noemi é outro exemplo de como o amor pode incluir pessoas que não são parentes carnais, naturais. — 1 Sam. 18:1; 2 Sam. 1:26; Rute 1:16, 17.

      7. Quão inclusivo tem de ser o amor do cristão?

      7 Os que se tornam verdadeiros cristãos também precisam ter cordial amor fraternal uns para com os outros, sem consideração de raça, nacionalidade, posição social ou situação econômica de seus irmãos e irmãs cristãos. Jesus mostrou isso, dizendo: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Contudo, o amor do verdadeiro cristão não se pode limitar apenas a conservos de Deus. Precisa estender-se a mais outros. De fato, Jesus ordenou: “Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus.” — Mat. 5:44, 45.

      O AMOR QUE PRECISA SER CULTIVADO

      8. Explique como o amor pode ser expresso em vários graus e sentidos.

      8 Torna-se claro que esta qualidade de amor, com que Deus dotou os homens, pode ser expressa em vários graus e sentidos. Como? Porque é evidente que o amor que o cristão tem ao inimigo que o persegue não é a mesma terna afeição que a mãe lactante sente para com o seu bebê, que José tinha para com Benjamim, que Jonatã tinha para com Davi ou que o cristão sente para com um concrente. Deus não espera que tenhamos afeto ao inimigo, nem necessariamente que gostemos dele. Contudo, somos obrigados a amá-lo. Não é isso contraditório?

      9, 10. (a) Como nos ajuda conhecermos o significado de agape e do seu exercício por Jeová a reconhecer que se pode amar alguém, sem necessariamente gostar dele? (b) Como podemos mostrar amor a pessoas más e imorais?

      9 Não, não é quando entendemos o significado da principal palavra grega traduzida por “amor” nas Escrituras Gregas Cristãs, o chamado Novo Testamento. A forma de substantivo desta palavra é agape. A respeito do agape de Deus para com a humanidade, diz o Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento, de W. E. Vine (em inglês): “Este não é o amor de complacência ou afeição, quer dizer, não é provocado por alguma excelência de seus objetos.” E isso é um fato: A humanidade, como um todo, não é uma turma muito amável. Mas, não lhe cabe realmente a culpa. — Efé. 4:17-19; Tito 3:3.

      10 Por herança de Adão, todos os homens foram concebidos em pecado e dados à luz com a inclinação para o proceder errado. (Sal. 51:5) Deus sabe disso. Por isso é induzido a amar a humanidade, não por qualquer mérito ou excelência da parte dela, mas, em especial, porque ele reconhece que muitos homens, com o tempo, aceitarão seu amor e harmonizarão a vida deles com a sua vontade. (Rom. 5:8-11) Portanto, agape contém o significado de amor que se distingue pelo respeito aos princípios. Assim, pois, se imitarmos o exemplo de nosso Pai celestial, amaremos até mesmo os que não evidenciam merecer nosso amor. Talvez sejam cínicos, egoístas e até mesmo imorais ou criminosos. Odiaremos o que eles fazem e dizem, mas, ao mesmo tempo, preocupar-nos-emos com o bem-estar pessoal deles. Faremos tudo o que pudermos para animá-los a aceitar o amor de Deus. Cultiva tal amor à humanidade em geral, amor guiado por princípios?

      11, 12. (a) Deve o amor do cristão aos seus irmãos ser guiado apenas por princípios? (b) Como indicam o amor marital e o amor de Jeová a seu Filho que agape inclui mais do que apenas amor guiado por princípios?

      11 Mas, não se trata apenas de amor orientado por princípios, desprovido de afeto e cordialidade, a que Pedro se referia quando escreveu a concristãos: “Amai-vos uns aos outros intensamente de coração.” (1 Ped. 1:22) Embora o respeito pelos princípios seja uma particularidade distintiva de agape, tal amor pode incluir também afeto e afeição. Lemos neste respeito: “Os maridos devem estar amando [a forma verbal agapáo] as suas esposas.” (Efé. 5:28) É evidente que isso não significa que os maridos cristãos devem amar sua esposa simplesmente assim como amam seus inimigos! Não; antes, porém, a admoestação de que “devem estar amando as suas esposas” significa que os maridos devem também ter sentimentos de cordialidade, ternura e afeto para com sua esposa, assim como era do propósito do Criador.

      12 Que a palavra grega agape pode incluir sentimentos muito profundos de afeto e afeição é também indicado por outros exemplos bíblicos. Por exemplo, somos informados: “O Pai ama o Filho.” (João 3:35) O amor de Deus a seu Filho, Jesus Cristo, não é simplesmente governado pelo respeito aos princípios. Jeová tem terna afeição e compaixão para com Jesus, assim como diz a Bíblia: “O Pai tem afeição pelo Filho e mostra-lhe todas as coisas que ele mesmo faz.” Jeová Deus disse: “Este é meu Filho, meu amado, a quem eu mesmo tenho aprovado.” — João 5:20; 2 Ped. 1:17.

      13. (a) Que grau de amor devem os cristãos ter uns pelos outros? (b) Como é o grau correto de nosso amor indicado pelo significado básico da palavra grega para “intensamente”?

      13 Portanto, este é o grau de amor que os cristãos precisam cultivar uns para com os outros. Não é um amor tíbio, nem é amor simplesmente por dever para com os de quem talvez nem se goste. Mas é cordial e terna afeição a outros, comparável ao terno amor que se tem a um parente querido e que Jeová tem ao seu muito amado Filho. O apóstolo Pedro salientou que nosso amor mútuo deve ser desta espécie ou grau, ao exortar: “Amai-vos uns aos outros intensamente”, ou, conforme outras traduções o expressam, “ardentemente”, “de toda a vossa força”. (1 Ped. 1:22; Almeida; Nova Bíblia Inglesa) A palavra grega, original, traduzida por “intensamente”, significa de modo literal “extensamente”. (Tradução Interlinear do Reino, em inglês) Portanto, nosso amor precisa empenhar-se ao limite com intensidade. Cultiva tal espécie de amor?

      14. (a) Por que precisamos fazer empenho em cultivar amor? (b) Como podemos aprender a nos amarmos mutuamente?

      14 Todos nós precisamos fazer empenho neste respeito. Isto se deve a que a desobediência de Adão, há cerca de 6.000 anos atrás, mergulhou a família humana profundamente no pecado e na imperfeição, o que afetou adversamente nossa capacidade de refletir a qualidade predominante de Jeová, o amor. Até mesmo os sentimentos instintivos de amor que parentes chegados têm naturalmente uns pelos outros ficam às vezes perturbados e pervertidos, como nos casos antigos de Caim, Esaú e dos meios-irmãos de José. A Bíblia predisse que isso se evidenciaria também “nos últimos dias”, quando as pessoas estariam “sem afeição natural”. (2 Tim. 3:1-3) Quão vital é, pois, que cultivemos o amor, para mantê-lo vivo em nosso coração! Mas, como podemos nós, os que vivemos neste período crítico dos “últimos dias”, aprender a amar-nos uns aos outros? O apóstolo Paulo explica isso: “Com referência ao amor fraternal, não necessitais de que vos escrevamos, porque vós mesmos sois ensinados por Deus a vos amardes uns aos outros.” (1 Tes. 4:9) Como nos ensina isso Deus?

      COMO SOMOS ENSINADOS POR DEUS A AMAR

      15. (a) Como se pode dizer que Jeová nos ensina a nos amarmos uns aos outros? (b) Quanto são os cristãos obrigados a se amarem uns aos outros?

      15 Ele faz isso de diversas maneiras. Poderíamos dizer que Deus, por criar o homem à sua imagem, dotando a humanidade com a faculdade e capacidade de amar, virtualmente nos inclinou a ser amorosos, embora agora pecaminosos. Também, Deus nos ensinou a nos amarmos mutuamente por repetidas vezes tornar o exercício do amor uma ordem. Segundo Jesus Cristo, um dos dois principais mandamentos da lei de Deus para Israel era: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” O discípulo Tiago chamou-o de “lei régia”. (Mat. 22:39; Lev. 19:18; Tia. 2:8) No entanto, falando como representante de Deus, Jesus revelou que os cristãos precisam ter um amor ainda superior, amando-se mutuamente assim como ele amou seus discípulos. (João 13:34; 1 João 3:16) Mas Jeová ensinou à humanidade a amarem-se uns aos outros ainda por um outro modo especialmente atraente.

      16. (a) De que modo especialmente excelente nos ensina Jeová a nos amarmos uns aos outros? (b) Qual é a maior manifestação do amor de Deus?

      16 Este é por meio de exemplos. O apóstolo Paulo falou a uma multidão na antiga província romana da Galácia, na Ásia Menor, dizendo a respeito de Deus: “[Ele fez] o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo os vossos corações plenamente de alimento e de bom ânimo.” (Atos 14:17) Assim, Deus não só nos ordena a nos amarmos uns aos outros, mas ele mostra por exemplos como devemos fazer isso. (Mat. 5:44, 45) Seu melhor exemplo da demonstração de amor é a provisão de seu bem mais precioso em nosso benefício. A Bíblia explica: “Deus enviou o seu Filho unigênito ao mundo, para que ganhássemos a vida por intermédio dele. . . . Amados, se é assim que Deus nos amou, então nós mesmos temos a obrigação de nos amarmos uns aos outros.” — 1 João 4:9-11.

      17. Qual deve ser o resultado de aprendermos a verdade a respeito de Jeová e suas grandiosas provisões para nós?

      17 Portanto, ao considerarmos as coisas maravilhosas feitas por Jeová — provendo-nos abundantes bênçãos materiais, mas especialmente a dádiva de seu Filho, que torna possível a vida eterna num novo sistema de justiça — aprendemos a verdade sobre quão excelente Deus e Criador é Jeová. Qual deve ser o resultado de nossa aceitação desta grandiosa verdade a respeito das provisões de Jeová e depois viver em harmonia com ela? O apóstolo Pedro falou sobre “o amor fraternal sem hipocrisia” “por resultado”, sim, uma bela relação familiar de fraternidade e amor! E assim, o que é vital fazermos em apreço disso, Pedro acrescentou: “Amai-vos uns aos outros intensamente de coração.” — 1 Ped. 1:22.

      POR QUE O INTENSO AMOR FOI VITAL NAQUELE TEMPO

      18. O que era iminente, quando Pedro escreveu a sua primeira carta?

      18 A fim de reconhecermos por que o intenso amor foi vital nos dias de Pedro, precisamos examinar as circunstâncias existentes naquele tempo. Pedro explica: “Tem-se aproximado o fim de todas as coisas. Sede ajuizados, portanto, e sede vigilantes, visando as orações. Acima de tudo, tende intenso amor uns pelos outros.” (1 Ped. 4:7, 8) É verdade, o fim estava então próximo. Pedro escreveu por volta de entre 62 e 64 E. C., e foi pouco depois disso, no ano 70, que finalmente veio o fim do sistema judaico de coisas. Os exércitos romanos devastaram toda a região da Judéia, e especialmente Jerusalém. Uma profecia de Jesus nos ajuda a reconhecer por que os cristãos daquele tempo precisavam ter “intenso” amor uns aos outros.

      19. (a) Que sinal deu Jesus para que os cristãos soubessem que o fim estava próximo, e como se cumpriu este sinal? (b) Como podiam os cristãos acatar a ordem de fugir, dada por Jesus e era sábio que obedecessem?

      19 Jesus predisse: “Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos acampados, então sabei que se tem aproximado a desolação dela.” (Luc. 21:20; Mat. 24:15) Foi em novembro de 66 E. C. que os exércitos romanos, sob o comando de Céstio Galo, cercaram Jerusalém. Avançaram para dentro da cidade, lugar considerado “santo” pelos judeus, e atacaram a muralha do templo, minando-a. Os romanos poderiam ter facilmente capturado a cidade inteira, mas, de repente, sem aparente motivo para isso, o General Galo retirou-se e recuou. Isto forneceu aos cristãos a oportunidade de acatar a próxima admoestação de Jesus: “Então, comecem a fugir para os montes os que estiverem na Judéia.” (Luc. 21:21-24) Mais tarde voltaram os exércitos romanos sob o comando do General Tito, e devastaram o país, resultando em se relatarem 1.100.000 mortos só em Jerusalém, o que deveras foi uma “grande tribulação”!

      20. Que evidência há de que os cristãos acataram a ordem de Jesus?

      20 Mas, o que dizer dos cristãos? O historiador Eusébio Pânfilo, do terceiro século, observa: “No entanto, todo o corpo da igreja em Jerusalém, mandado por revelação divina, dada a homens de piedade aprovada, ali, antes da guerra, mudaram-se da cidade e moraram em certa cidade além do Jordão, chamada Pela.”a Sim, os cristãos evidentemente acataram as instruções de Cristo, e, depois da retirada de Céstio Galo e seus exércitos, fugiram para a região montanhosa em volta de Pela, salvando assim a sua vida. Mas, isso não lhes foi fácil.

      21. (a) Por que enfatizou Jesus a urgência da fuga imediata? (b) Por que situações deverão ter passado os cristãos fugitivos?

      21 Sabendo que os acontecimentos relacionados com a volta dos soldados romanos — sob o General Tito — logo tornariam quase impossível sair da cidade condenada, Jesus instara há muito tempo antes: “O homem que estiver no alto da casa não desça para tirar de sua casa os bens; e o homem que estiver no campo não volte para casa para apanhar a sua roupa exterior.” (Mat. 24:17, 18) Em resultado, centenas ou talvez milhares de cristãos obedientes partiram às pressas, assim que Galo e suas tropas se retiraram, levando consigo poucos bens. Era bom não estarem sobrecarregados, porque a viagem era longa, o terreno era escabroso e as condições do tempo, sem dúvida, eram opressivas naquela época do ano. Em tais circunstâncias, poderiam ter ocorrido facilmente discussões e outras dificuldades entre os fugitivos. Depois, havia também a questão de onde todos morariam.

      22. (a) Que condições existiam então em toda aquela região? (b) Por que era vital que os cristãos naquele tempo aplicassem a admoestação de Pedro?

      22 É possível que finalmente armassem abrigos provisórios em volta de Pela, talvez estabelecendo ali alguma espécie de campo de refugiados nas montanhas. Não sabemos isso. Mas, não importa qual tenha sido o caso, era-lhes difícil. Era um tempo de escassez e dificuldades em toda a região. Aproximava-se o fim de todo o sistema judaico! Quão apropriado, pois, era o encorajamento inspirado de Pedro aos leitores de sua carta, os quais eram “residentes temporários”: “Tem-se aproximado o fim de todas as coisas. . . . Acima de tudo, tende intenso amor uns pelos outros.” (1 Ped. 1:1; 4:7, 8) Com tal amor, os cristãos não seriam egoístas e irritantes uns para com os outros, mas compartilhariam uns com os outros e se edificariam e fortaleceriam mutuamente a perseverar na situação provadora que enfrentavam.

      POR QUE O AMOR INTENSO É VITAL AGORA

      23. Têm algum significado para nós hoje as advertências bíblicas a respeito da proximidade do fim?

      23 No entanto, não queremos apenas olhar para trás, para aquele tempo. Pois, a profecia de Jesus, a respeito da “terminação do sistema de coisas”, tem aplicação atual; de fato, sua aplicação principal se dá agora. E o mesmo se dá também com a advertência similar de Pedro, de que se tem “aproximado o fim de todas as coisas”. É do propósito de Deus exterminar todo este sistema iníquo de coisas e introduzir seus “novos céus e uma nova terra” no futuro imediato! (Mat. 24:3-22; 2 Ped. 3:13) De modo que vivemos num tempo que ofuscará a horrível destruição de Jerusalém e suas vizinhanças como insignificante, em comparação com a “grande tribulação” agora tão próxima! As provações que a maioria dos cristãos terá de enfrentar na “grande tribulação” iminente podem ser similares às suportadas em duas ocasiões recentes.

      24, 25. (a) Que transe sofreram as Testemunhas malauis, e por que lhes era importante obedecer à admoestação de Pedro? (b) Que exame de nós mesmos faríamos sabiamente?

      24 A primeira destas envolveu as testemunhas de Jeová em Malaui. Sob o cabeçalho: “Testemunhas de Jeová — Fugindo Para Salvar a Vida”, o Times de Nova Iorque, de 22 de outubro de 1972, noticiou: “Na semana passada receberam-se notícias de Malaui, pequeno país da África Oriental, a respeito de hostilizações maciças . . . o estupro de mulheres, membros do grupo, o incêndio de lares das Testemunhas e o que importava em ser uma expulsão à força da maioria dos 23.000 aderentes no país.” Por causa de sua fidelidade à lei de Deus, as Testemunhas malauis foram expulsas através da fronteira e obrigadas a ir ali a um enorme campo de refugiados, onde, no princípio, havia uma séria falta das necessidades da vida. Muitos morreram por causa das dificuldades. Quão importante é, pois, em tais circunstâncias aflitivas, acatar o conselho inspirado: “Acima de tudo, tende intenso amor uns pelos outros.”

      25 A maioria das Testemunhas malauis atravessaram este transe em fidelidade a Deus e espiritualmente fortes, e o que certamente lhes ajudou foi a sua obediência ao acima mencionado conselho bíblico. Mas, que dizer de nós? Preparamo-nos para as provações à frente? Cultivamos o sentimento intenso de terna afeição mútua, assim como José para com seu irmão, como Jonatã para com Davi e Jeová Deus para com seu amado Filho Jesus Cristo? O exercício de tal amor é realmente vital nestes “últimos dias”.

      26, 27. (a) O que ocorreu em Manágua, Nicarágua, em dezembro de 1972, e de que poderá ser uma previsão em pequena escala? (b) Como mostraram as testemunhas de Jeová amor mútuo durante aquele desastre em Manágua?

      26 As dificuldades à frente também podem ter sido demonstradas antecipadamente pelo desastre noticiado na Despertai! de 8 de agosto de 1973, que dizia: “O letreiro ainda está de pé. Em testemunho mudo, declara: MANÁGUA, 404.700 HABITANTES. E, no centro da cidade, outra sentinela silenciosa dá testemunho. O relógio da entrada principal do Palácio Nacional parou às 12,35 horas da noite. Naquelas primeiras horas do dia de sábado, 23 de dezembro de 1972, no meio da escuridão, a capital da Nicarágua morreu num terrível terremoto.” Sim, a cidade simplesmente deixou de funcionar — águas e esgotos não funcionaram, a eletricidade ficou cortada e praticamente tudo o mais parou. Isto acontecerá em breve, não só a uma cidade, mas cidade após cidade entrará em colapso — o inteiro sistema de coisas morrerá! Em tais circunstâncias, o que é vital que exerçamos?

      27 Muitas centenas de testemunhas de Jeová, em Nicarágua e países vizinhos, demonstraram seu intenso amor, conforme relatou Despertai!: “De imediato iniciaram-se esforços de cuidar destas Testemunhas [afetadas pelo terremoto] e de suas famílias. O genuíno amor que existe entre o povo de Deus certamente se manifestou. Por volta da tarde de sábado, uma Testemunha chegou com um caminhão e 1.130 litros de água, de uma congregação a uns 25 quilômetros de distância. . . . Daí, às 22 horas chegaram os primeiros dois caminhões de suprimentos enviados pelas testemunhas de Jeová de Libéria, na Costa Rica. Pouco depois, chegaram dois outros caminhões das Testemunhas em Tegucigalpa, Honduras. Assim se achavam disponíveis alimento, roupa, remédios, água e gasolina, dentro de vinte e quatro horas mais ou menos desde que acontecera o desastre!”

      28. (a) O que podemos aprender do que aconteceu em Manágua? (b) De que outras maneiras receberam as testemunhas de Jeová treinamento em mostrarem amor uns pelos outros?

      28 Podemos aprender algo desta experiência. Quando houver grandes dificuldades e desastres em toda a parte, o que necessitaremos mais, acima de tudo, é ter intenso amor uns pelos outros. E, pensando bem, não recebemos nós, como testemunhas de Jeová, o treinamento para enfrentar tais situações? Reunimo-nos regularmente em assembléias, grandes e pequenas, onde recebemos boa instrução e encorajamento para nos amarmos uns aos outros. Também, temos tido restaurantes para nos alimentarmos mutuamente e temos provido hospitaleiramente acomodações para concristãos, em nossos lares. Tem sido realmente um bom treinamento em amarmos e cuidarmos uns dos outros! Mas, temos de continuar a expressar esta maravilhosa qualidade de amor, com que Deus dotou os homens, a qual, porém, ficou muito pervertida e deturpada por cerca de 6.000 anos de pecado e imperfeição. É vital que continuemos a cultivar agora intenso amor uns pelos outros, porque se aproximou o fim de todas as coisas.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Ecclesiastical History of Eusebius Pamphilus, traduzida do grego para o inglês por C. F. Crusé (1894), página 75.

      [Foto na página 721]

      O genuíno amor a Davi induziu Jonatã a dar-lhe presentes como sinal de seu afeto.

  • O amor cobre uma multidão de pecados
    A Sentinela — 1975 | 1.° de dezembro
    • O amor cobre uma multidão de pecados

      “Tende intenso amor uns pelos outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados.” — 1 Ped. 4:8.

      1, 2. (a) Que males cometemos todos nós, e por que talvez até mesmo os cometamos com maior freqüência? (b) O que nos ajudará a vencer os problemas que surgem?

      JÁ FALOU alguma vez rispidamente com alguém, e logo depois lamentou ter feito isso? Ou já agiu de outro modo sem amabilidade, e depois se arrependeu disso? Sem dúvida, isso já aconteceu com todos nós. E, ao passo que aumentam as pressões e dificuldades sobre nós com a aproximação do fim deste sistema de coisas, as ocasiões em que ofendemos alguém poderão tornar-se mais freqüentes. Portanto, o que devemos fazer ao surgirem problemas?

      2 Ao buscarmos uma resposta, é útil examinar de perto o que diz. 1 Pedro 4:7, 8. Ali se menciona que, visto estar-se aproximando o fim de todas as coisas, devemos ser “ajuizados”, “vigilantes, visando as orações”, mas devemos especialmente ter “intenso amor uns pelos outros”. Agora, note o motivo apresentado, pelo qual este amor é tão importante. O relato diz: “Porque o amor cobre uma multidão de pecados.” Este é um aspecto muito importante a considerar.

      3. (a) Que fato temos todos de encarar? (b) Que observação correta faz a Bíblia sobre nós?

      3 Temos de encarar o fato de que, por causa da desobediência e imperfeição de nossos pais originais, Adão e Eva, todos herdamos a inclinação para fazer o mal ou pecar. (Rom. 5:12) Todos nós freqüentemente erramos o alvo do que é justo. Temos em nós a inclinação a ser invejosos, a ficar irritados, a gabar-nos, a não perdoar, e assim por diante. E não nos iramos com nós mesmos quando às vezes cedemos a essas inclinações pecaminosas? No entanto, tais tendências más existem, e simplesmente temos de reconhecer que, ocasionalmente, serão expressas em palavras e ações. O discípulo Tiago, escrevendo sob a inspiração de Deus, observou corretamente: “Todos nós tropeçamos muitas vezes. Se alguém não tropeçar em palavra, este é homem perfeito.” Mas, ninguém é perfeito. “Não há homem que não peque”, diz a Bíblia. — Tia. 3:2; 1 Reis 8:46.

      4. (a) Qual não deve ser nossa reação quando ocorrem pecados, mas o que devemos fazer? (b) O que nos ajudará a examinar as coisas de modo realístico ao surgirem problemas?

      4 Por isso é vital que sejamos realísticos a respeito de nossas relações mútuas. As inclinações pecaminosas vão achar expressão entre os cristãos, não importa quanto procurem impedir que isso ocorra. (Rom. 7:15-20) Não devemos ficar terrivelmente chocados e perturbados, chegando talvez à conclusão de que esses erros são indício de que não estamos associados com a verdadeira congregação cristã. Não; antes, devemos procurar evidência de que o amor cobriu esses pecados. Portanto, é vital que exerçamos amor para provar que somos parte da verdadeira congregação cristã. No entanto, nem sempre é fácil fazer o que é direito e amoroso. A Bíblia ajuda-nos a reconhecer isso. Ela nos permite ver o que acontecia na congregação cristã do primeiro século, que nos pode ajudar a examinar as coisas de modo realístico, para podermos manter o equilíbrio quando surgem problemas.

      MULHERES FILIPENSES COM PROBLEMA

      5. (a) Descreva parte do fundo histórico da congregação filipense. (b) Que espécie de carta escreveu o apóstolo Paulo?

      5 Primeiro, vejamos uma situação que se desenvolveu na congregação cristã em Filipos, principal cidade do distrito da Macedônia. O apóstolo Paulo estabeleceu esta congregação em 50 E. C., na sua visita durante a sua segunda viagem missionária. (Atos 16:11-40) Poucos anos depois, no decorrer da sua terceira viagem missionária, parece que Paulo pode visitar novamente a congregação filipense. (Atos 20:1-6) Daí, cerca de dez anos depois de ter sido estabelecida a congregação, Paulo sentiu-se induzido a escrever-lhes uma carta comovente de amor e encorajamento, por causa dos atos extraordinários dos filipenses em bondade e zelo cristãos. Em toda ela os elogiou, com apenas um leve indício de correção perto do fim de sua carta.

      6. O que escreveu Paulo a respeito de Evódia e Síntique e que perguntas suscita isso?

      6 Paulo escreveu: “Por conseguinte, meus amados e saudosos irmãos, minha alegria e coroa, mantende-vos deste modo firmes no Senhor, amados.” Mas, agora veja a próxima declaração: “Exorto Evódia e exorto Síntique a serem da mesma mentalidade no Senhor.” (Fil. 4:1, 2) Por que será que Paulo disse isso? Por que encorajou a congregação a ‘manter-se deste modo firme no Senhor’, e depois destacou estas duas mulheres, Evódia e Síntique, e as exortou a serem da mesma mentalidade no Senhor?

      7. (a) Qual foi talvez o motivo de estas duas mulheres, não terem a mesma mentalidade no Senhor? (b) O que é talvez indicado pelo fato de Paulo saber da atitude delas?

      7 É evidente que havia um problema entre essas duas mulheres; pelo que parece não estavam unidas na mesma mentalidade. Ora, a Bíblia não nos diz qual a diferença entre elas ou o que levou à dificuldade entre elas. Talvez fossem de algum modo ciumentas uma da outra. Talvez ambas tivessem personalidade forte e talvez simplesmente se exasperassem mutuamente ao ponto de não mais falarem uma com a outra. Mas, não importa qual o problema, havia fricção, porque não eram “da mesma mentalidade no Senhor”. E Paulo sabia disso a centenas de quilômetros de distância, em Roma, donde ele escreveu, o que indica que a dificuldade talvez fosse antiga e bastante bem conhecida entre os irmãos.

      8. (a) Que espécie de mulheres eram basicamente Evódia e Síntique, e o que indica isso? (b) Que lição podemos usar deste acontecimento no primeiro século?

      8 No entanto, ao mesmo tempo, basicamente eram boas mulheres cristãs. Ambas serviam a Jeová Deus junto com seus irmãos e irmãs. Pois, Paulo prossegue, escrevendo à congregação: “[Persiste] em auxiliar estas mulheres, que lutaram lado a lado comigo nas boas novas.” (Fil. 4:3) De modo que Evódia e Síntique eram cristãs já por algum tempo, tendo trabalhado anteriormente com Paulo na promoção da obra de pregação. Mas, elas tinham então um problema. Portanto, se na congregação do primeiro século existiram dificuldades assim, devemos ficar excessivamente perturbados se ocorrerem hoje similares? Mas, não eram apenas as mulheres que tinham tais problemas.

      DIFICULDADES ENTRE ANCIÃOS CRISTÃOS

      9, 10. (a) O que aconteceu com João Marcos durante a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé? (b) Por que talvez quisesse Barnabé levar junto a Marcos na segunda viagem missionária, mas, o que pensava Paulo sobre isso?

      9 Também anciãos cristãos, até mesmo anciãos de destaque, tinham problemas. Tome, por exemplo, o apóstolo Paulo e seu anterior companheiro de viagem, Barnabé. Eles haviam completado a primeira viagem missionária, estabelecendo várias congregações cristãs, e estavam então pensando numa segunda viagem, conforme explica a Bíblia: “Depois de alguns dias, Paulo disse a Barnabé: ‘Acima de tudo, voltemos e visitemos os irmãos em cada uma das cidades em que publicamos a palavra de Jeová, para ver como estão.’” (Atos 15:36) Naquela primeira viagem missionária haviam sido acompanhados por João Marcos, mas, por um motivo não revelado, o relato diz que “João retirou-se deles e voltou para Jerusalém”, onde morava sua mãe Maria. — Atos 13:13.

      10 Assim, quando Paulo e Barnabé consideravam a sua segunda viagem missionária, surgiu o nome de Marcos. A Bíblia nos diz o que aconteceu: “Barnabé, da sua parte, estava resolvido a levar consigo também João, que se chamava Marcos. Mas Paulo não achava correto que levassem consigo a este, visto que se tinha afastado deles desde Panfília e não tinha ido com eles à obra.” (Atos 15:37, 38) De modo que havia uma diferença de opinião. Barnabé achava que Marcos havia tido uma boa desculpa para voltar a Jerusalém, durante a primeira viagem; talvez a mãe dele estivesse doente e ele voltasse para estar com ela. Não sabemos o que foi. Mas, por outro lado, se a partida de Marcos foi uma atitude precipitada, inescusável, Barnabé evidentemente achava que Marcos havia aprendido a lição e se apegaria esta vez à obra. Mas, Paulo achava que não. Não queria levar junto a Marcos. Ora, não acha que esses dois anciãos cristãos, maduros, podiam ter resolvido esta diferença de modo amigável? No entanto, o que foi que aconteceu?

      11. (a) Qual foi o resultado do desacordo entre Paulo e Barnabé por causa de Marcos? (b) Mostrou esta dificuldade entre anciãos cristãos que eles não eram servos do verdadeiro Deus?

      11 A Bíblia diz: “Em vista disso, houve um forte acesso de ira, de modo que se separaram um do outro; e Barnabé tomou consigo Marcos e navegou para Chipre. Paulo selecionou Silas e partiu.” (Atos 15:39, 40) Pode imaginar isso? Dois destacados anciãos haviam tido, não apenas uma pequena altercação, mas “um forte acesso de ira entre si, e por um motivo aparentemente tão pequeno. De modo que se separaram, evidentemente não com os melhores sentimentos de um para com o outro. Se você, leitor, tivesse estado lá e visto isso, teria chegado à conclusão de que aquela não devia ser a organização de Deus, por causa do modo em que agiram esses anciãos de destaque?

      12. Que pecado cometeu Pedro durante uma visita a Antioquia, e o que o induziu a agir assim?

      12 Ou considere outro tipo de acontecimento, um pouco diferente, que ocorreu em Antioquia. Quando o apóstolo Pedro visitou esta cidade da Síria, associou-se com a congregação inteira, destemidamente comendo e mantendo livremente contatos sociais nos lares dos crentes gentios. Sabia que isso era correto, pois, anos antes, havia sido divinamente orientado a pregar a Cornélio, que se tornou o primeiro converso gentio, incircunciso, do cristianismo. No entanto, quando alguns cristãos judeus, da parte do meio irmão de Jesus, Tiago, em Jerusalém, visitaram Antioquia, Pedro, temendo críticas dos “da classe circuncisa”, começou a retirar-se e a separar-se dos cristãos gentios. Outros cristãos judeus, circuncisos, começaram ali a fazer o mesmo. Isto obviamente não era certo. Era pecado da parte de Pedro causar tal divisão na congregação cristã.

      13. (a) Qual foi a reação de Paulo quando estava em Antioquia e viu o que estava acontecendo? (b) Por que era Pedro hipócrita nas suas ações, mas, que sensação dava ser corrigido perante toda a congregação?

      13 Por volta deste tempo, o apóstolo Paulo também estava em Antioquia, e ele ficou irado com o que via acontecer. Na sua carta aos gálatas, ele explicou: “Quando vi, porém, que não estavam andando direito segundo a verdade das boas novas, eu disse a Cefas [Pedro] na frente de todos eles: ‘Se tu, embora sejas judeu, vives como as nações e não como os judeus, como é que compeles as pessoas das nações a viver segundo a prática judaica?’” (Gál. 2:11-14) Pedro sabia que a lei mosaica não vigorava mais e havia mostrado isso antes, por associar-se livremente com os gentios. (Atos 10:28, 29) Mas, então, por medo, reinstituía as divisões estabelecidas sob a Lei mosaica, de que sabia, porém, que não mais se aplicava aos cristãos judeus. (Efé. 2:13-18) Portanto, ‘retirar-se e separar-se’ ele dos cristãos gentios era claramente um ato hipócrita, provocado pelo temor do que certos cristãos judeus, especialmente os de Jerusalém, pudessem pensar dele. E Paulo por isso, expôs a hipocrisia de Pedro perante toda a congregação. Como se teria sentido você, leitor, se fosse Pedro? — Heb. 12:11.

      DEIXAR O AMOR COBRIR PECADOS

      14. (a) O que poderia Pedro ter achado de receber esta correção de Paulo? (b) No entanto, que atitude posterior dele para com Paulo indica que Pedro deixou que o amor cobrisse este pecado seu?

      14 Imagine como Pedro deve ter-se sentido. Ele tinha destaque entre os apóstolos, tendo sido anteriormente encarregado de privilégios especiais de serviço pelo próprio Jesus Cristo. (Mat. 16:18, 19; Atos 2:14-41; 10:34-48) Paulo era mais novo na organização cristã, e então estava ali perante toda a congregação resistindo a Pedro na face dele. Pedro poderia ter achado, com indignação: ‘Como se atreve Paulo a falar-me deste jeito perante toda a congregação?’ Mas, não; Pedro era humilde. Aceitou a correção, e não permitiu que ela esfriasse seu amor a Paulo. Pois, note como Pedro se referiu mais tarde a Paulo, numa carta de encorajamento a concristãos: “Considerai a paciência de nosso Senhor como salvação, assim como vos escreveu também o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada.” (2 Ped. 3:15) Sim, Pedro permitiu que o amor cobrisse o problema, o qual, neste caso, resultou de seu próprio pecado. Pedro certamente demonstrou a qualidade que distingue a verdadeira congregação cristã!

      15. (a) Foi sanada a dificuldade entre Paulo e Barnabé, e o que indica se foi ou não? (b) Que evidência há de que Paulo talvez reconhecesse que formara mau juízo a respeito de Marcos?

      15 Que dizer do problema entre Paulo e Barnabé, surgido quanto a levarem consigo Marcos? Será que este problema, que atingiu o clímax num forte acesso de ira, também foi com o tempo coberto pelo amor? Sim, evidentemente foi. Pois, mais tarde, quando Paulo escreveu à congregação coríntia, enquanto fazia serviço missionário em Éfeso, ele chamou Barnabé, junto com Pedro e outros apóstolos, de colaboradores íntimos. (1 Cor. 9:5, 6) Evidentemente, Paulo reconheceu o mau juízo que fez a respeito de Marcos, e pode ter humildemente pedido desculpas tanto a Marcos como a Barnabé. Pois, mais tarde, Paulo fala de Marcos em termos elogiosos. De fato, ele escreveu em uma de suas cartas a Timóteo: “Apenas Lucas está comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque ele me é útil para ministrar.” — 2 Tim. 4:11; Col. 4:10.

      16. (a) É razoável presumir que Evódia e Síntique tenham resolvido suas diferenças? (b) No entanto, que atitude errada poderiam ter manifestado?

      16 Pois bem, que dizer de Evódia e Síntique? Resolveram suas diferenças, permitindo que o amor cobrisse quaisquer pecados que possam ter cometido uma contra a outra? A Bíblia não nos diz o que aconteceu finalmente. Mas, sendo boas mulheres, que se haviam empenhado lado a lado com Paulo no seu ministério cristão, podemos razoavelmente presumir que tenham aceito humildemente o conselho dado. Podemos imaginar que, quando se leu a carta de Paulo, elas se dirigiram uma à outra após a reunião e resolveram seu problema no espírito de amor. Por outro lado, poderiam ter ficado endurecidas pelo conselho dado. Poderiam ter adotado a atitude: ‘Que direito tem Paulo de escrever à toda a congregação sobre o nosso problema?’ E assim, suas diferenças não teriam sido solucionadas e poderiam até ter piorado. O que se daria se isso tivesse acontecido?

      17. (a) Se Evódia e Síntique não tivessem resolvido suas diferenças, que possível desenvolvimento poderia ter ocorrido? (b) Podemos hoje aprender alguma coisa de tal possível desenvolvimento?

      17 Pois bem, esta carta aos filipenses foi escrita por volta de 60 E. C. Alguns anos depois, em 64 E. C., o imperador romano Nero supostamente incendiou Roma e culpou disso os cristãos. Logo depois irrompeu uma grande perseguição contra os cristãos. O que se teria dado se essa perseguição se estendesse também a Filipos, e Evódia e Síntique tivessem sido lançadas na prisão, assim como aconteceu ali com Paulo e Silas, anos antes? (Atos 16:19-34) O que teria acontecido se tivessem sido postas na mesma prisão e na mesmíssima cela? Ora, o que teria acontecido se não tivessem tido a mesma mentalidade e se as suas diferenças tivessem passado a ser ódio mútuo? Elas se teriam derrubado uma a outra espiritualmente, talvez arruinando sua relação com Jeová Deus. Quão triste isso teria sido! E quão triste seria hoje se não tivéssemos intenso amor uns pelos outros quando a “grande tribulação” sobrevier a este sistema de coisas! — Mat. 24:21.

      O AMOR É VITAL AO SE APROXIMAR O FIM

      18. (a) O que precisamos aprender a fazer? (b) Ao se aproximar o fim, que possível situação mundial enfatiza a necessidade de amarmos os irmãos e irmãs na nossa própria congregação?

      18 Isso é algo em que devemos pensar seriamente. Tem-se aproximado o fim de todas as coisas e precisamos cultivar intenso amor para cobrir a “multidão de pecados” que todos temos. (Tia. 3:2) Precisamos aprender a amar nossos irmãos e irmãs, apesar de suas falhas na personalidade, seus hábitos irritantes ou outros aspectos deles, que talvez nos desagradem. Pois, pense um pouco nisso: Ao passo que este sistema se aproxima de seu colapso total na “grande tribulação”, e as comunicações, sem dúvida, se interrompem e os meios modernos de viagem se tornam impossíveis, com quem poderemos entrar em contato para oferecer-lhes ajuda e receber a ajuda deles? Não nossos irmãos numa congregação à distância de mil quilômetros, cem quilômetros ou talvez até mesmo vinte ou dez quilômetros. Não, mas Jeová Deus proveu concristãos na nossa própria congregação para nos fortalecer e ajudar. É especialmente a essas pessoas perto de nós, nossos íntimos companheiros cristãos, que precisamos amar e ser amados por eles. Quão importante mostrará ser esta relação íntima nos tempos dificultosos à frente!

      19. Quais poderão ser as conseqüências se deixarmos de ter intenso amor uns pelos outros?

      19 Se não tivermos intenso amor pelos na nossa própria congregação, poderá haver conseqüências muito más. O apóstolo Paulo mostrou isso ao escrever aos cristãos na Galácia, os quais evidentemente tinham alguma dificuldade em se darem bem uns com os outros. Ele exortou: “Por intermédio do amor, trabalhai como escravos uns para os outros. Pois a Lei inteira está cumprida numa só expressão, a saber: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’ Se vós, porém, persistis em morder-vos e em devorar-vos uns aos outros, acautelai-vos de que não fiqueis aniquilados uns pelos outros.” (Gál. 5:13-15) Sim, se não tivermos amor uns aos outros, podemos derrubar e até mesmo arruinar mutuamente a nossa relação com Jeová. Isto resultaria em nosso fracasso para sobreviver à “grande tribulação” agora tão próxima!

      20. Como mostra a Bíblia que o amor a Deus precisa estar acompanhado pelo amor a nossos irmãos?

      20 Assim, pois, realmente precisamos empenhar-nos em cultivar amor mútuo. Simplesmente não podemos praticar a verdade e ao mesmo tempo guardar ressentimento contra nossos irmãos ou de outro modo tratá-los de maneira desamorosa. A Bíblia é muito específica sobre este ponto, dizendo: “Se alguém fizer a declaração: ‘Eu amo a Deus’, e ainda assim odiar o seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, a quem tem visto, não pode estar amando a Deus, a quem não tem visto. E temos dele este mandamento, que aquele que ama a Deus esteja também amando o seu irmão.” Não há dúvida sobre isso, temos a obrigação de nos amarmos uns aos outros. — 1 João 4:20, 21; 3:14-16.

      APRENDA COM OS MELHORES INSTRUTORES

      21. (a) O que poderão alguns achar de seus irmãos cristãos? (b) Contudo, que exemplo em demonstrar amor provê Jeová Deus?

      21 Mas, alguém poderá dizer: “Não está entendendo. Há certos na nossa congregação que não agem como verdadeiros cristãos. São muito exasperadores e antipáticos no seu modo de agir.” Pode ser que alguns ainda tenham muito que fazer para desenvolver verdadeiras qualidades cristãs. Contudo, Jeová Deus, nosso Criador perfeito, os ama. Ele não espera até que sejamos quase perfeitos, nem mesmo até que comecemos a transformar nossa personalidade, para se harmonizar com os modos dele, antes de nos amar. Não, mas a Bíblia diz: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” (Rom. 5:8) Sim, enquanto estávamos ainda arraigados num proceder de transgressão e tínhamos uma disposição antipática e egoísta, Jeová nos amou. Este é o exemplo de mostrarmos amor que somos convidados a imitar. — Efé. 5:1, 2.

      22, 23. (a) Que tendência má manifestou-se entre os apóstolos de Jesus perto de Cafarnaum? (b) Como se manifestou novamente tal tendência, e que conselho deu Jesus?

      22 Também Jesus Cristo nos deu um maravilhoso exemplo neste respeito. Reuniu em volta de si discípulos que basicamente eram homens bons. Contudo, tinham tendências más. Por exemplo, em caminho para Cafarnaum entraram numa discussão. O relato bíblico diz: “Entraram em Cafarnaum. Então, quando [Jesus] estava dentro da casa, fez-lhes a pergunta: ‘Sobre que estáveis disputando na estrada?’ Eles ficaram calados, pois na estrada tinham disputado entre si quem era maior.” De modo que Jesus trouxe uma criancinha no meio deles, pôs os braços em volta dela e disse aos seus discípulos que eles precisavam humilhar-se iguais às criancinhas, não procurar destaque. — Mat. 9:33-37; Mat. 18:1-6.

      23 No entanto, não foi muito tempo depois disso, quando se aproximavam de Jerusalém, que os apóstolos Tiago e João se chegaram a Jesus e pediram os dois postos de maior destaque no seu reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. A Bíblia diz: “Ora, quando os outros dez ficaram sabendo disso, principiaram a indignar-se com Tiago e João.” De modo que Jesus lhes deu outra repreensão por esta tendência má que existia entre eles. Disse-lhes: “Sabeis que os que parecem estar governando as nações dominam sobre elas, e seus grandes exercem autoridade sobre elas. Não é assim entre vós; mas quem quiser tornar-se grande entre vós, terá de ser o vosso ministro, e quem quiser ser o primeiro entre vós, tem de ser o escravo de todos.” — Mar. 10:35-45.

      24. (a) Que exemplo de humildade deu Jesus aos seus apóstolos na última Páscoa que passaram juntos, mas, sobre que discutiam logo depois? (b) Como continuou Jesus a mostrar amor aos seus apóstolos, e com que resultado?

      24 Foi provavelmente um pouco mais de uma semana depois que Jesus se reuniu com seus discípulos para tomar a sua última refeição pascoal com eles. Sabia do problema que existia entre eles; assim, pelo que parece, logo no início desta refeição que tomaram juntos, o que foi que Jesus fez? Tomou uma bacia, encheu-a de água e fez a ronda dos apóstolos, lavando os pés de cada um deles! (João 13:4-17) Que belo exemplo de humildade para seguirem! Contudo, o que aconteceu depois, naquela mesma noite? A Bíblia nos diz: “No entanto, levantou-se também uma disputa acalorada entre eles sobre qual deles parecia ser o maior.” (Luc. 22:24) Pode imaginar isso? No entanto, Jesus não desistiu em desgosto, nem disse: ‘Vocês não têm jeito. Eu desisto de vocês. Nunca vão aprender ser verdadeiros seguidores meus.’ Não, mas embora manifestassem tais tendências pecaminosas, Jesus os amava. Continuou a admoestá-los e a aconselhá-los. (Luc. 22:25-27) E eles finalmente aprenderam e trabalharam mais tarde unidos, sem que um deles procurasse ambiciosamente destaque e prestígio.

      25. (a) Que bem resultará de deixarmos que o amor cubra pecados? (b) Por que é tão vital que tenhamos agora intenso amor um pelos outros?

      25 Deveras, o amor cobre “uma multidão de pecados”. De fato, por exercê-lo — por perdoarmo-nos, ajudarmo-nos e admoestarmo-nos uns aos outros — impediremos que os pecados causem dano ou dificuldades duradouros. Nunca se esqueça do que o apóstolo Pedro escreveu sobre a importância do amor, neste tempo crítico da história: “Tem-se aproximado o fim de todas as coisas”, disse ele. “Sede ajuizados, portanto, e sede vigilantes, visando as orações. Acima de tudo, tende intenso amor uns pelos outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados.” Certamente é agora que precisamos exercer intenso amor. Nossa própria sobrevivência para o novo sistema justo de Deus depende de fazermos isso. — 1 Ped. 4:7, 8.

      [Foto na página 732]

      A fim de ajudar seus discípulos a vencer uma tendência má, Jesus trouxe ao seu meio uma criança e disse-lhes que precisavam humilhar-se iguais às criancinhas.

  • Dê a Deus a devoção exclusiva que merece
    A Sentinela — 1975 | 1.° de dezembro
    • Dê a Deus a devoção exclusiva que merece

      JEOVÁ DEUS merece um lugar exclusivo em nossas afeições. Há muitos motivos para isso. Ele é a Fonte da vida. Por causa de sua vontade, existem criaturas vivas. Sua maneira de governar baseia-se no amor, e suas ordens servem para promover a felicidade e o bem-estar dos que lhe obedecem. (Sal. 19:7-11) Deveras, como Criador, Fonte da vida e Legislador, Jeová Deus merece nossa devoção, nosso forte apego e amor ardente. (Rev. 4:11) Nosso amor a ele deve ser superior ao nosso amor a qualquer outro.

      Dar a Jeová Deus a devoção exclusiva que merece nem sempre lhe será fácil, leitor. O serviço leal a Deus, como discípulo de Jesus Cristo, poderá trazer-lhe vitupério e ultrajes físicos. Até mesmo membros íntimos de sua família poderão voltar-se contra você, leitor. Jesus Cristo disse: “Imaginais que vim dar paz na terra? Deveras, eu vos digo que não, mas antes divisão. Pois, doravante haverá cinco divididos numa casa, três contra dois e dois contra três. Estarão divididos, pai contra filho e filho contra pai, mãe contra filha e filha contra sua mãe, sogra contra sua nora e nora contra sua sogra.” (Luc. 12:51-53) O que causa tal divisão? Ela resulta do modo como membros da família reagem diante das boas novas do reino de Deus. (Mat. 28:19, 20) Alguns aceitam as “boas novas”, ao passo que outros as rejeitam e talvez até mesmo se oponham amargamente a elas.

      Sabendo disso, podemos entender as seguintes palavras de Jesus Cristo: “Quem se chegar a mim e não odiar seu pai, e mãe, e esposa, e filhos, e irmãos, e irmãs, sim, e até mesmo a sua própria

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