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Dê conselho cristão com períciaA Sentinela — 1963 | 1.° de agosto
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Dê Conselho Cristão com Perícia
NESTES tempos críticos fazem-se freqüentemente perguntas aos cristãos maduros, tais como as seguintes: “Meu filho é rebelde; que jeito posso dar?” “Eu pequei, o que devo fazer?” “Meu marido não me dá dinheiro suficiente para comer e me vestir. Seria errado eu me empregar?” “Minha filha quer casar com um descrente. Podemos consentir?” “Eu era jovem demais para entender o que estava fazendo. Devo batizar-me de novo?” Estes são problemas típicos que requerem conselho cristão.
Os que recebem pedido de conselho sabem que se trata de uma séria responsabilidade. É também uma obrigação que deve ser feita com perícia. A Palavra de Deus indica com freqüência esta obrigação do cristão maduro, em especial dos que são superintendentes nas congregações. Por exemplo, nas cartas de Paulo lemos: “Nós que somos fortes, devemos suportar as debilidades dos fracos, e não agradar-nos a nós mesmos.” “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com o espírito de brandura.” “Consolai-vos, pois, uns aos outros, e edificai-vos reciprocamente.” “Exortamo-vos, também, irmãos, a que . . . consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.” — Rom. 15:1; Gál. 6:1; 1 Tes. 5:11, 14, ALA.
Para fazer a sua obrigação com perícia o cristão maduro não precisa preocupar-se com o estudo de psicologia, conforme fazem tantos estudantes seminaristas. Há tanta confusão e desacordo entre os psicólogos e psiquiatras quanto há entre as seitas religiosas da cristandade. É muito melhor saber nada a respeito desta sabedoria secular do que adulterar ou enfraquecer a Palavra de Deus por causa dela. — 2 Cor. 4:2.
O QUE PRECISA O CONSELHEIRO
Para dar conselho cristão com perícia o conselheiro precisa ter fé implícita que a Bíblia é a revelação divina e que é “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. (2 Tim. 3:16, ALA) Esse é o primeiro requisito. A seguir vem um bom conhecimento dos princípios e do conselho da Bíblia sobre questões específicas. O conselheiro deve compreender que as Escrituras inspiradas são a base das instruções da organização do povo de Jeová. A sua obrigação é apoiar todo o tempo a soberania de Jeová e as suas leis justas. Para fazer isto com eficiência e perícia o conselheiro precisa de madureza, de entendimento, de bom juízo e de equilíbrio. Além disso, o conselheiro cristão precisa estar produzindo os frutos do espírito de Deus em sua própria vida. Estes são: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade fé, mansidão e autodomínio. — Gál. 5:22, 23.
O cristão que aconselha não deve gostar ou ter prazer de achar falta, mas ficar contente de achar a verdade da questão. Ele precisa ser sempre acessível e jeitoso, mas nunca comprometer princípios cristãos a ponto de ferir os sentimentos dos outros. Não deve mostrar parcialidade. Não deve ser mandão, excêntrico nem extremista. (Mar. 10:42-44; 1 Ped. 5:3) Os princípios cristãos que ele recomenda a outros precisam ser praticados por ele mesmo de modo exemplar. Então estará em condição de aconselhar com autoridade e confiança, sabendo que os princípios bíblicos realmente dão certo. — 1 Tim. 4:2.
Para dar conselho com perícia o cristão maduro também precisa de ouvir. Precisa lembrar-se de que há “tempo de estar calado, e tempo de falar”. (Ecl. 3:7, ALA) O ouvir vem primeiro, segundo diz o provérbio: “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha.” (Pro. 18:13, ALA) Isto não deve ser muito difícil, visto que quem tem tantos problemas ao ponto de pedir conselho, geralmente está bem disposto a falar. Anime-o a falar. Ouça e entenda bem o problema. Demonstre que está ali, não para criticar, mas ajudar. Deixe-o perceber que também tem suas limitações e dificuldades e que não é um super-homem. Isto ajudará o tímido no falar e o fará descarregar seu problema com mais facilidade.
Mediante perguntas os fatos são geralmente esclarecidos e o perturbado pode ver mais objetivamente o seu problema. Elas também facilitam o conselheiro a ver sob a superfície e a ver melhor que conselho dará para o maior bem. Pergunte se o implicado fez alguma pesquisa na Bíblia em busca de solução para o seu problema. Buscou ele conselho nas publicações da Torre de Vigia? Aplicou o conselho que achou ao seu próprio caso ou chegou a alguma conclusão? Fazendo-lhe perguntas pode ajudá-lo a ver os pontos em que precisa melhorar sem precisar dizer-lhe diretamente. Se ele mesmo declarar o problema e a solução óbvia, pode ser que deseja mais comprovar a solução, pois teve parte na identificação do problema e na apresentação da resposta.
Descobrirá em certos casos que tudo o que se precisa é ouvir com simpatia enquanto que o lastimoso reparte a sua carga: Pode tratar-se de uma prova que terá de passar ou de uma situação que não pode ser modificada deste lado do novo mundo de Deus. Mas será seu privilégio dar ânimo e conselho sobre como tornar a carga o mais leve possível. Indique o amor de Jeová e o convite de Jesus para colocarmos nossas cargas sobre ele. Ajude o em dificuldade a obter consolo e a cobrar ânimo das promessas da Bíblia. — 2 Cor. 1:3-7; 2 Tes. 3:13.
QUE PRINCÍPIO ESTÁ ENVOLVIDO?
Para alguém poder aconselhar com perícia ao descobrir o problema precisará perguntar-se: Que princípio bíblico está envolvido? Que princípio bíblico foi desconsiderado ou violado? Que princípio precisa ser ampliado para abranger o caso? Que conselho bíblico não foi seguido? Encoraje a aplicação de tal conselho e a obediência ao princípio desconsiderado. Isto deve ser feito com bondade, compreensão, jeito e amor. (1 Tes. 2:7, 8) Às vezes a solução consiste em apenas ter um ponto de vista positivo prático do problema, mas quase sempre é algo difícil para o que tem o problema.
É possível que o indagador se tenha enganado — coisa muito fácil de acontecer. A Bíblia faz observação sobre isto ao dizer: “Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas O SENHOR [Jeová] pesa o espírito.” (Jer. 17:9; Pro. 16:2, ALA) O conselheiro não pode anuir-se ao engano. Não pode deixar-se levar por sentimentalismo. Indique sem medo o conselho bíblico. Às vezes requer-se firmeza. Caso sim, e se se precisar de uma repreensão, faça isso com bondade, tratando o ofensor como se fosse seu pai, mãe, irmão, irmã, conforme seja o caso. — Ecl. 7:5; 1 Tim. 5:1, 2.
Talvez se aproxime do superintendente cristão alguém preocupado com uma controvérsia com outrem ou com uma queixa sobre uma ofensa. Veja primeiramente o que deveras se supõe ser a ofensa. Se a questão for realmente trivial, poderá ajudá-lo a compreender isto e encerrar o assunto. Se não, pergunte se a norma de Jesus para resolver as questões já foi seguida. (Mat. 18:15-17) Empenhou-se ele pessoalmente a chegar a um entendimento com o outro? É possível que a desavença seja resolvida desta maneira sem tornar-se um problema que requeira a atenção do superintendente.
Muitas vezes o que busca conselho pode encontrá-lo nas publicações da Sociedade Torre de Vigia, tais como a revista A Sentinela. Por exemplo, um cristão pode perguntar se ele e sua família pode ter alguma espécie de associação com um parente chegado que tenha sido desassociado. O conselheiro deve dar-lhe uma resposta clara e certificar-se de que o princípio foi compreendido. E então encorajar o inquiridor a pegar o Índice das publicações e examinar o cabeçalho “Desassociação”. Encontrará o subtítulo “associação com desassociados”, seguido de referências a certas edições de A Sentinela. Os suplementos do Índice devem sempre ser verificados para se obterem as últimas informações. Peça para o inquiridor ler o que foi sugerido como apoio à resposta que lhe der. Isto lhe dará muitas informações úteis. Peça que ele lhe relate depois o que foi que aprendeu. Isto o ajudará a raciocinar, coisa tão necessária para poder levar o seu próprio fardo de responsabilidade cristã. Este é um modo de ajudar a congregação a alcançar a madureza e a unidade da fé. — Efé. 4:13, 14.
Quando um cristão busca conselho sobre um problema marital com um cônjuge descrente, o conselheiro não deve desperceber a possibilidade de que o cristão dedicado pode não estar aplicando os princípios bíblicos sobre o matrimônio. (Luc. 6:41, 42) A tensão gerada pode ser devida a ações imprudentes de ambos os lados. O método de fazer perguntas pode ser usado para determinar se os princípios bíblicos foram desconsiderados. Reconhece a esposa cristã o marido descrente como chefe da família? Tem ela se esquecido de demonstrar profundo respeito, mas o trata como se fosse uma pessoa desassociada? Respeita ela a liberdade de adoração dele no seu próprio lar? Como esposa cristã, traja-se ela com o trajo “incorruptível de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus”? (1 Ped. 3:4, ALA) Se o crente for o marido, cumpre ele a sua responsabilidade como chefe da casa, fazendo as provisões e amando a sua esposa como seu próprio corpo? Copia ele o exemplo de Jeová e Cristo, ou é ele despótico e sem consideração?
De novo, além de dar conselho oral, o superintendente pode mostrar ao inquiridor como localizar conselho útil no índice sob o cabeçalho “Matrimônio”. Encontrará subtítulos tais como “família dividida”, “papel do marido” e “papel da esposa”. Note as referências a “marido” e a “mulher”, onde se dão mais informações sob subtítulos tais como “consideração para com a esposa”, “esposa descrente”, “amor pelo marido” e “sujeição ao marido”. Os que não possuem o Índice das Publicações da Torre de Vigia no idioma local podem usar os índices dos livros e de outras publicações da Sociedade Torre de Vigia. Este é conselho que precisa mais do que atenção casual; merece estudo devoto!
Incidentalmente, o conselho sobre matrimônio é mais eficiente quando o superintendente da congregação ou outro conselheiro maduro pode falar com o marido e a mulher juntos — talvez, depois de um inquérito separado e de se ter ouvido os pontos de vista individuais. Convide o descrente para vir à palestra. Esteja disposto a ouvir ambos os lados da questão. Use o método de perguntas para ajudá-los a ver em que ponto ambos podem contribuir mais para o êxito da união.
BUSQUE OS QUE PRECISAM DE AJUDA
Em Isaías 1:26 Jeová prometeu o seguinte: “Restituir-te-ei os teus juízes, como eram antigamente, os teus conselheiros, como no princípio.” (ALA) Esta promessa foi cumprida pela designação de superintendentes de congregação hoje em dia. (Atos 20:28) Os superintendentes devem buscar os cristãos espiritualmente doentes, ou fracos ou separados do rebanho. (Eze. 34:1-16) Esta busca produz bons resultados, segundo se nota em um comentário feito por alguém de fora referente às testemunhas de Jeová: “São realmente bons cristãos; o irmão deles não aparecia por estes dias, e eles vieram encorajá-lo, e veja quão contente ficou. Se nossos sacerdotes tivessem feito o mesmo nós não teríamos desviado da igreja. Eu vou examinar esta religião mais de perto.”
O conselheiro cristão deve lembrar sempre de que “muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”. (Tia. 5:16, ALA) Ore com o que está em dificuldades além de aplicar o conselho suavizador da Palavra de Deus. Peça o espírito de Jeová para aquela pessoa, junto com a sabedoria para aplicar os princípios bíblicos e forças para resistir sob o que não puder ser remediado imediatamente. (Tia. 1:5; Fil. 4:13) O conselheiro deve especialmente estar a par da situação que requer a aplicação do amor cristão. É difícil imaginar um problema que não possa ser resolvido por maior amor a Deus e ao próximo. O amor nunca falha. — 1 Cor. 13:4-8.
Um problema grande pode exigir que considere a questão. O servo de circuito, se estiver visitando a congregação, ou a filial da Sociedade podem ser consultados por ajuda. Pode também precisar de tempo para fazer alguma pesquisa local. Neste sentido é importante que quando se prescreve um programa de estudo bíblico, de freqüência às reuniões e de ministério regular no campo, a mesma fórmula é também necessária para o conselheiro. Cuide constantemente do seu estudo e do seu ministério. (1 Tim. 4:15, 16) Mantenha-se em dia com o crescente entendimento da Palavra de Deus. — Pro. 4:18.
Fazendo estas coisas será capaz de dar conselho cristão com perícia. Para os do povo de Jeová que precisam de consolo e conselho, “servirá de esconderijo contra o vento, de refúgio contra a tempestade, de torrentes de águas em lugares secos, e de sombra de grande rocha em terra sedenta.” — Isa. 32:2, ALA.
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Por que os jovens se tornam delinqüentesA Sentinela — 1963 | 1.° de agosto
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Por Que os Jovens Se Tornam Delinqüentes
✔ Os jovens delinqüentes de hoje não procedem só das famílias menos privilegiadas mas também da alta sociedade. Mas por quê? O que está errado? Certo jovem advogado esclareceu a questão, notando as atitudes religiosas das famílias. “A maioria dos rapazes que chamamos de ‘delinqüentes da classe média’ são de famílias que não mais seguem suas crenças religiosas, exceto formalmente”, observou ele. “Perderam a base firme dos Mandamentos. Perderam o domínio pessoal sobre a ética religiosa e ainda não desenvolveram ética humanitária ou secular. Estão no meio. Estão na terra de ninguém tanto dos homens como de Deus e seus filhos não sabem o que acreditar.”
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