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  • “Não se aflijam os vossos corações”
    A Sentinela — 1988 | 15 de fevereiro
    • “Não se aflijam os vossos corações”

      “Não se aflijam os vossos corações. Exercei fé em Deus, exercei fé também em mim.” — João 14:1.

      1. Por que eram muito oportunas as palavras de Jesus em João 14:1?

      ERA 14 de nisã do ano de 33 EC. Um pequeno grupo de homens estava reunido num sobrado em Jerusalém após o pôr-do-sol. O seu Líder lhes dava conselhos e encorajamento de despedida. Em parte, ele disse: “Não se aflijam os vossos corações.” (João 14:1) As suas palavras foram muito oportunas, pois estavam em vias de acontecer eventos abaladores. Naquela noite ele foi preso, julgado e condenado à morte.

      2. Por que era aquele um dia tão decisivo, e o que ajudou os discípulos?

      2 Temos bons motivos para encarar aquele dia como o mais decisivo da História, que afeta o inteiro futuro da humanidade. A morte sacrificial do Líder, Jesus, cumpriu muitas profecias antigas e proveu a base para a vida eterna para os que crêem nele. (Isaías 53:5-7; João 3:16) Mas, os apóstolos, atordoados e perplexos por causa dos acontecimentos traumatizantes daquela noite, ficaram temporariamente confusos e temerosos. Pedro até mesmo negou a Jesus. (Mateus 26:69-75) Contudo, depois que os apóstolos fiéis receberam o prometido ajudador, o espírito santo, eles ficaram destemidos e imperturbados. (João 14:16, 17) Assim, quando Pedro e João experimentaram dura oposição e foram colocados sob custódia, eles oraram a Deus pedindo ajuda para falar a Sua palavra “com todo o denodo”. A oração deles foi atendida. — Atos 4:1-3, 29-31.

      3. Por que tantos hoje se sentem profundamente aflitos?

      3 Hoje, vivemos num mundo profundamente aflito. O fim deste velho sistema de coisas se aproxima velozmente. (2 Timóteo 3:1-5) Milhões são pessoalmente afetados ou ficam profundamente perturbados diante do sério colapso na vida familiar e nas normas de moral, do alarmante aumento de estranhas doenças, da instabilidade política, do desemprego, da escassez de alimentos, do terrorismo e da ameaça de uma guerra nuclear. Muitos corações se afligem com um melancólico medo do futuro. Como Jesus predisse, há “angústia de nações . . . os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. — Lucas 21:25, 26.

      4. Que fatores podem fazer com que os cristãos sofram tensão mental?

      4 Até mesmo cristãos podem ficar seriamente afetados por tais fatores deprimentes. Eles também talvez enfrentem tensão mental devido a preconceito religioso ou oposição da parte de parentes, vizinhos, colegas de trabalho ou de escola e autoridades governamentais. (Mateus 24:9) Assim, como podemos manter-nos serenos, não aflitos, nestes tempos difíceis? Como podemos conservar a paz mental quando as coisas pioram? Como podemos encarar o futuro com confiança? O que nos ajudará a sobrepujar a profunda ansiedade que está-se tornando comum? Estamos na época em que o conselho de Jesus em João 14:1 se aplica, portanto, examinemo-lo bem de perto.

      Como Vencer a Ansiedade?

      5. Que encorajadoras exortações nos dão as Escrituras?

      5 Depois do amoroso encorajamento ‘não se aflijam os vossos corações’, Jesus disse aos seus apóstolos: “Exercei fé em Deus, exercei fé também em mim.” (João 14:1) As Escrituras inspiradas nos dão muitas exortações similares: “Lança teu fardo sobre o próprio Jeová, e ele mesmo te susterá.” “Rola teu caminho sobre Jeová e confia nele, e ele mesmo agirá.” (Salmo 55:22; 37:5) Paulo deu aos filipenses este conselho crucial: “Não estejais ansiosos de coisa alguma, mas, em tudo, por oração e súplica, junto com agradecimento, fazei conhecer as vossas petições a Deus; e a paz de Deus, que excede todo pensamento, guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais.” — Filipenses 4:6, 7.

      6, 7. (a) Qual é uma maneira de diminuir o stress? (b) Como podemos cultivar uma íntima relação com Jeová?

      6 A ansiedade ou a preocupação causadas por problemas e pesadas responsabilidades podem às vezes afetar a nossa saúde, bem como o nosso estado de ânimo. Contudo, certo especialista em medicina, no livro Don’t Panic (Não Entre em Pânico) diz: “Se as pessoas forem capazes de desabafar seus problemas a alguém a quem respeitam . . ., o nível de stress em muitos casos ficará grandemente reduzido.” Se isso é assim num intercâmbio com outro ser humano, quão maior será a ajuda resultante de se falar com Deus. Por quem podemos ter maior respeito do que por Jeová?

      7 Este é o motivo porque uma íntima relação pessoal com ele é tão vital para os cristãos hoje. Servos maduros de Jeová sabem disso muito bem, portanto, são cuidadosos quanto a evitar o tipo de associação com pessoas do mundo, ou de passatempos, que poderiam enfraquecer essa relação. (1 Coríntios 15:33) Eles também avaliam quão importante é dirigir-se a Jeová em oração, não apenas uma ou duas vezes por dia, mas freqüentemente. Em especial cristãos jovens ou novos devem cultivar este vínculo íntimo com Jeová, por regularmente estudar a Sua Palavra e meditar nela, junto com associação e serviço cristãos. Insta-se-nos: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” — Tiago 4:8.

      Os Conselhos de Jesus

      8, 9. Que conselho positivo a respeito de problemas econômicos podemos aplicar?

      8 Em muitos países, o desemprego e a depressão econômica são sérios motivos de preocupação. Jesus deu conselhos muito positivos a respeito dessas preocupações: “Parai de estar ansiosos pelas vossas almas, quanto a que haveis de comer ou quanto a que haveis de beber, ou pelos vossos corpos, quanto a que haveis de vestir. Não significa a alma mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?” (Mateus 6:25) Sim, o corpo e a alma, ou a inteira pessoa, são amplamente mais importantes do que alimento e roupa. Os servos de Deus podem estar certos de que ele os ajudará a obter as suas necessidades básicas. Jesus deu o seguinte exemplo: “Observai atentamente as aves do céu, porque elas não semeiam nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós mais do que elas?” (Mateus 6:26) É inimaginável que Deus provesse para criaturas aladas e negligenciasse os seus servos humanos, que lhe são mui preciosos e por quem Cristo deu a sua vida.

      9 Em seguida, Jesus reforçou esse ponto por referir-se aos lírios do campo, que não labutam nem fiam, não obstante, “nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um destes”. O reinado do rei Salomão foi marcado por seu esplendor. Jesus, então, confortadoramente perguntou: “Não vestirá [Deus] tanto mais a vós?” — Mateus 6:28-32; Cântico de Salomão 3:9, 10.

      10. (a) A quem são dirigidas as confortadoras palavras de Jesus? (b) Que conselho deu ele a respeito do futuro?

      10 Contudo, Jesus mostrou a seguir que isso só se aplica aos que ‘buscam primeiro o reino e a Sua justiça’. Mundialmente, tais cristãos verdadeiros reconhecem o que o Reino de Deus realmente é e dão-lhe prioridade na vida. Para eles é válida a admoestação de Jesus: “Nunca estejais ansiosos quanto ao dia seguinte, pois o dia seguinte terá as suas próprias ansiedades. Basta a cada dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:33, 34) Em outras palavras trate cada problema conforme aparece, e não se preocupe indevidamente com o futuro.

      11, 12. Como sentiram certos cristãos que Jeová os ajudara em resposta as suas orações?

      11 Contudo, a maioria das pessoas tende a se preocupar com o futuro, em especial quando as coisas vão mal. Mas, os cristãos podem e devem dirigir-se com fé a Jeová. Considere o caso de Eleanor. O marido dela ficou muito doente, e por um ano não podia trabalhar. Além disso, ela tinha dois filhos pequenos e um pai idoso para cuidar, de modo que não podia ter um emprego de tempo integral. Eles pediram a ajuda de Jeová. Certa manhã, pouco depois disso, encontraram um envelope debaixo da porta. Continha uma grande quantia de dinheiro — suficiente para se manterem até que o marido pudesse novamente trabalhar. Sentiram-se profundamente gratos por essa ajuda oportuna. Não há base bíblica para esperar que algo similar aconteça a todo cristão necessitado, mas, podemos estar certos de que Jeová ouvirá os nossos clamores e que ele tem a habilidade de nos ajudar de várias maneiras.

      12 Certa viúva cristã no sul da África tinha de arranjar emprego para sustentar a si mesma e a dois filhos pequenos. Mas, ela desejava muito trabalhar apenas por meio período, a fim de passar tempo com eles. Depois de ter arranjado um emprego ela viu-se obrigada a largá-lo, pois o patrão decidira que precisava de uma secretária de tempo integral. Novamente desempregada, essa irmã orou fervorosamente a Jeová por ajuda. Três semanas depois, o seu ex-patrão pediu que ela voltasse, à base de meio período. Quão feliz ela ficou! Ela achou que Jeová atendera as suas orações.

      Suplique a Jeová

      13. (a) O que significa “súplica”? (b) Que exemplos bíblicos de súplica temos?

      13 Queira notar que após aconselhar: “Não estejais ansiosos de coisa alguma”, Paulo acrescentou: “Mas em tudo, por oração e súplica, junto com agradecimento, fazei conhecer as vossas petições a Deus.” (Filipenses 4:6) Por que falou em “súplica”? Esta palavra significa ‘apelo fervoroso’, ou ‘oração instante’. Envolve implorar mui fervorosamente a Deus, como em tempo de grande tensão ou perigo. Quando era prisioneiro, Paulo pediu a co-cristãos que fizessem súplicas em favor dele, para que pudesse pregar fervorosamente as “boas novas . . . como embaixador em cadeias”. (Efésios 6:18-20) O oficial do exército romano, Cornélio, também “fazia continuamente súplica a Deus”. Quão emocionado deve ter ficado quando o anjo lhe disse: “Tuas orações e dádivas de misericórdia têm ascendido como memória perante Deus”! E quão privilegiado ele foi de estar entre os primeiros gentios ungidos com espírito santo! — Atos 10:1-4, 24, 44-48.

      14 Como sabemos se instar fervorosamente a Jeová deve ou não ser feito apenas uma vez?

      14 É digno de nota que tal fervoroso instar a Jeová é, em geral, feito não apenas uma vez. Jesus ensinou em seu famoso Sermão do Monte: “Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7:7) Muitas versões bíblicas traduzem o trecho assim: “Pedi . . . buscai . . . batei.” Mas, o grego original transmite a idéia de ação contínua.a

      15. (a) Por que estava Neemias melancólico ao servir vinho ao rei Artaxerxes? (b) De que modo havia Neemias feito mais do que uma única oração?

      15 Quando Neemias servia ao rei persa Artaxerxes como copeiro, o rei perguntou-lhe por que estava tão melancólico. Neemias disse que isso se dava porque ele soubera que Jerusalém estava numa condição devastada. Daí, o rei perguntou: “O que é que estás procurando obter?” Imediatamente, Neemias pediu ajuda a Jeová, sem dúvida breve e silenciosamente. Ele então pediu permissão para retornar a Jerusalém a fim de reconstruir a sua amada cidade natal. O seu pedido foi atendido. (Neemias 2:1-6) Contudo, antes dessa entrevista decisiva, Neemias gastara dias instando e suplicando a Jeová por ajuda. (Neemias 1:4-11) Vê nisso uma lição para você?

      Jeová Atende

      16. (a) Que privilégio especial teve Abraão? (b) Que poderosas ajudas, que podem estar envolvidas no atendimento de nossas orações, estão à nossa disposição?

      16 Ocasionalmente, Abraão teve o privilégio de comunicar-se com Jeová por meio de anjos. (Gênesis 22:11-18; 18:1-33) Embora isso não aconteça hoje, somos abençoados com poderosas ajudas que Abraão não tinha. Uma delas é a Bíblia completa — uma inexaurível fonte de diretrizes e de conforto. (Salmo 119:105; Romanos 15:4) Em muitíssimos casos, a Bíblia pode dar-nos a diretriz ou o encorajamento de que precisamos, por Jeová ajudar-nos a lembrar os textos desejados. Freqüentemente, uma concordância, ou uma das muitas publicações bíblicas que Deus tem provido por meio de sua organização, pode-nos dar a resposta. Um detalhado e eficiente índice dessas publicações é ainda outra incalculável ajuda em achar a necessária informação.

      17. De que outras maneiras pode Jeová responder às nossas orações, e como pode um cristão bondoso e compreensivo ajudar?

      17 Se estamos afligidos por causa de algum problema, ou sentindo-nos tristes ou desanimados, respostas às nossas orações podem também vir de outras formas. Por exemplo, um discurso bíblico na congregação ou num congresso das Testemunhas de Jeová talvez contenha exatamente o “remédio” de que necessitamos. Outras vezes, uma conversa com outro cristão suprirá o que precisamos. Em muitos casos, anciãos congregacionais podem oferecer encorajamento ou conselho. Até mesmo simplesmente abrir nosso coração a um cristão maduro, bondoso e compreensivo, que seja bom ouvinte, em muitos casos nos pode fazer sentir muito melhor. Isto é especialmente assim se esse amigo nos ajuda a refletir sobre pensamentos bíblicos. Tal intercâmbio pode tirar uma pesada carga de nossa mente e coração. — Provérbios 12:25; 1 Tessalonicenses 5:14.

      18. Que atividade especial pode ajudar os cristãos a sobrepujarem períodos de melancolia, e como isso ajudou certa jovem pioneira?

      18 Várias formas de ânimo deprimido são comuns nestes “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) As pessoas ficam desanimadas e desalentadas por várias razões. Isto pode também acontecer com cristãos, e pode ser uma experiência muito desagradável. Muitos têm constatado, no entanto, que pregar as boas novas os tem ajudado a derrotar uma temporária crise de melancolia.b Já tentou isso alguma vez? Ao sentir-se um tanto abatido, experimente participar em alguma forma de serviço do Reino. Falar com outros sobre o Reino de Deus muitas vezes o ajudará a mudar o seu estado mental de negativo para positivo. Falar a respeito de Jeová e usar a sua Palavra pode produzir alegria — um fruto de Seu espírito — e fazê-lo sentir-se melhor. (Gálatas 5:22) Uma jovem pioneira também constatou que manter-se ocupada na obra do Reino fê-la entender que “em comparação com os problemas de outros, [os dela] eram muito pequenos e temporários”.

      19. Como foi que certo cristão de saúde precária venceu pensamentos negativos?

      19 Às vezes, a saúde debilitada, talvez agravada por preocupações ou problemas, pode levar a um estado deprimido. Isto pode fazer com que a pessoa acorde aflita à noite, como acontecia às vezes com certo cristão de meia-idade que tinha saúde precária. Mas, ele descobriu que orações de coração eram uma verdadeira ajuda. Sempre que acordava deprimido, calmamente orava a Jeová. Isso logo fazia-o sentir-se melhor. Também achou ser tranqüilizador repetir de memória textos bíblicos confortadores, como o Salmo 23. Invariavelmente, o espírito de Jeová, que opera em resposta à oração ou através de sua Palavra, o ajudava a substituir o estado deprimido da mente por um mais feliz. Mais tarde, ele podia pensar sobre seus problemas com equilíbrio e serenidade, vendo como poderia vencê-los ou sentir-se fortalecido para suportá-los.

      20. Por que às vezes a resposta às orações parece demorar?

      20 Este é um exemplo de como a oração pode prover uma resposta. Mas, às vezes, parece haver uma demora em achar uma solução. Por quê? Talvez a resposta precise esperar pelo tempo devido de Deus. Parece que, em alguns casos, Deus permite que os que lhe peticionam demonstrem a profundeza de sua preocupação, a intensidade de seu desejo e a genuinidade de sua devoção. Um dos salmistas teve tal experiência! — Salmo 88:13, 14; veja também 2 Coríntios 12:7-10.

      21. Por que é um grande privilégio ser Testemunha de Jeová hoje, e como podemos mostrar apreço?

      21 De qualquer modo, a comunhão íntima com o Deus Todo-poderoso em oração é uma experiência fortalecedora da fé que pode levantar-nos do desespero para a confiança. Quão confortador é saber que ele ouve e atende! Como Paulo escreveu à congregação em Filipos, devemos oferecer as nossas orações e súplicas “junto com agradecimentos”. (Filipenses 4:6) Sim, diariamente devemos abrir o nosso coração em gratidão a Jeová e ‘dar graças em conexão com tudo’. (1 Tessalonicenses 5:18) Isto contribuirá para um vínculo íntimo, caloroso, e nos dará a paz. O artigo seguinte mostra quão importante isto é para os servos de Jeová nestes tempos aflitivos e perigosos.

  • “Haja paz convosco”
    A Sentinela — 1988 | 15 de fevereiro
    • “Haja paz convosco”

      “Veio Jesus e ficou em pé no meio deles, e disse-lhes: ‘Haja paz convosco.’” — JOÃO 20:19.

      1. Por que estão condenados ao fracasso os empenhos humanos para estabelecer a paz mundial?

      “O MUNDO inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) Era assim nos dias de João, e é ainda mais evidente hoje, por causa do terrível aumento na violência pessoal, terrorismo, guerras e corrupção. A declaração inspirada de João também elimina qualquer esperança de se alcançar a paz mundial por esforços humanos, apesar dos empenhos do papa, de líderes nacionais e da ONU. Por quê? “‘Não há paz para os iníquos’, disse o meu Deus.” — Isaías 57:21.

      2. Que sentido contém a palavra “paz”, especialmente no hebraico e no grego?

      2 A palavra “paz”, contudo, pode significar mais do que apenas ausência de guerra. Paz pode também significar “uma condição mental ou espiritual marcada pela ausência de pensamentos ou emoções inquietantes ou opressivos: serenidade da mente e do coração”. Todavia, a palavra hebraica para “paz” (sha·lóhm) e a palavra grega (ei·ré·ne) têm um sentido ainda mais amplo. Também denotam bem-estar, como no caso das palavras de despedida: “Vai em paz.” (1 Samuel 1:17; 29:7; Lucas 7:50; 8:48) Isto nos ajuda a avaliar a preocupação amorosa de Jesus com seus discípulos durante o período traumático que resultou da morte dele.

      3. Após a sua ressurreição, como mostrou Jesus profunda preocupação para com os seus discípulos, e com que resultado?

      3 Jesus morreu na sexta-feira, 14 de nisã, no ano de 33 EC. No domingo, 16 de nisã, ele foi ressuscitado. Estando, como sempre esteve, profundamente preocupado com o bem-estar de seus discípulos, ele então os procurou. Onde os encontrou? Estavam atrás de portas trancadas, “de temor dos judeus”. É compreensível que estivessem ansiosos, temerosos. Mas, Jesus disse: “Haja paz convosco.”(João 20:19-21, 26) Mais tarde, fortalecidos pelo espírito santo, eles se saíram bem. Destemidamente puseram-se a cumprir a sua designação de pregar, ajudando muitos a conseguir a paz piedosa.

      Paz Piedosa Hoje

      4. Como pode o povo de Jeová manter a paz mental e de coração nestes tempos críticos?

      4 Vivemos no tempo do fim, nos “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) Os cavaleiros preditos em Revelação (Apocalipse) estão cavalgando pela terra — como se vê das resultantes guerras, escassez de alimentos, e as mortes causadas por doenças. (Revelação 6:3-8) O povo de Jeová também sofre as conseqüências das condições que o cercam. Assim, como pode você conservar a paz piedosa da mente e do coração? Por apegar-se intimamente à grande Fonte de conforto e de paz. Como o artigo precedente mostrou, isto requer oração e súplica freqüentes. Assim, “a paz de Deus, que excede todo pensamento, guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais por meio de Cristo Jesus”. — Filipenses 4:6, 7.

      5. Por que Paulo tinha certeza de que “a paz de Deus” poderia guardar o nosso coração?

      5 O apóstolo Paulo, que escreveu essas palavras, tinha ele mesmo passado por perigos e dificuldades. Tinha sido preso e espancado por judeus e por romanos. Fora apedrejado e abandonado como morto. Viajar naqueles dias era arriscado; Paulo naufragou três vezes, e freqüentemente corria o risco de ser atacado por assaltantes de estrada. Passou muitas noites em claro, e não raro sofreu frio, fome e sede. Além de tudo isso, ele sentia diariamente “ansiedade por todas as congregações”. (2 Coríntios 11:24-28) Portanto, Paulo sabia, por ampla experiência própria, quão importante é “a paz de Deus” que pode guardar o nosso coração.

      6. Por que é vital estabelecer e conservar um caloroso e íntimo vínculo com o nosso Criador?

      6 “A paz de Deus” pode ser explicada como sendo um senso de tranqüilidade e serenidade, que reflete uma boa relação com Deus. Isto é muito importante para os cristãos, em especial ao enfrentarem perseguição e tribulação. Por quê? Bem, todos nós somos imperfeitos; assim, quando afligidos por problemas, tensão, oposição, ou por vários outros tipos de vicissitudes, podemos facilmente ficar temerosos. Isto poderia resultar em não mantermos a nossa integridade. Isto traria vitupério contra o nome de Deus, nos custaria o favor de Jeová e poderia levar à perda da vida eterna. Assim, quão vital é empenhar-se a fundo para ganhar “a paz de Deus” que nos ajudará a enfrentar tais desafios com êxito. Essa paz certamente é uma das ‘boas dádivas e presentes perfeitos’ que o nosso Pai celestial nos põe à disposição. — Tiago 1:17.

      7, 8 (a) Em que se baseia “a paz de Deus”, e em que sentido ela “excede todo pensamento”? (b) Como foi tal paz exemplificada no caso de um irmão africano?

      7 Talvez tenha observado que algumas pessoas levam a vida calma e confiantemente. Muitas vezes, isso é uma decorrência de habilidade natural, influência familiar, bens, nível de instrução, ou outros fatores semelhantes. “A paz de Deus” é muitíssimo diferente. Não se baseia em circunstâncias favoráveis, nem resulta da habilidade ou do raciocínio humanos. Ela emana de Deus e “excede todo pensamento”. J. B. Phillips traduz Filipenses 4:7 (em inglês) por “a paz de Deus . . . ultrapassa a compreensão humana”. As pessoas do mundo muitas vezes ficam surpresas diante da maneira de os cristãos enfrentarem problemas sérios, dano físico, ou até mesmo a morte.

      8 Um exemplo moderno disso foi dado por uma Testemunha de Jeová que dirigia uma reunião cristã num país africano em que as Testemunhas de Jeová, largamente devido a instigação de católicos locais, eram acusadas de serem terroristas. Subitamente apareceram policiais militares, com baionetas armadas. Eles mandaram as mulheres e as crianças para casa, mas passaram a espancar os homens. A Testemunha recorda: “Não encontro palavras para descrever a maneira como fomos tratados. O cabo que chefiava o grupo disse abertamente que seríamos espancados até morrer. Recebi tantos golpes de porrete que depois vomitei sangue por 90 dias. Mas, o que me preocupava era a vida de meus companheiros. Em oração eu pedi a Jeová que zelasse pela vida deles, suas ovelhas”, e todas sobreviveram. Que exemplo de manter a calma sob terrível adversidade e de amorosa consideração para com outros! Sim, o nosso amoroso Pai celestial realmente atende aos pedidos de seus servos fiéis, dando-lhes a Sua paz. No presente caso, um dos soldados, intrigado, disse que o Deus das Testemunhas de Jeová “deve ser o verdadeiro”.

      9. Que efeito pode ter ler a Bíblia e meditar nela?

      9 Nestes tempos difíceis, muitos cristãos têm problemas que os deixam frustrados e desanimados. Um modo excelente de preservar a paz mental é ler a Bíblia e meditar nela. Isto pode infundir na pessoa a necessária força e determinação para ir em frente e ficar firme. “A palavra de Deus é viva e exerce poder.” — Hebreus 4:12.

      10. De que maneira poderia ser uma bênção conseguir lembrar-se de textos bíblicos?

      10 Todavia, que dizer se a adversidade nos sobrevier e não tivermos a Bíblia em mãos? Por exemplo, um cristão talvez seja preso subitamente e trancado numa cela, sem Bíblia. Neste caso, seria uma verdadeira bênção conseguir recordar textos como Filipenses 4:6, 7, Provérbios 3:5, 6; 1 Pedro 5:6, 7 e Salmo 23. Não apreciaria profundamente conseguir lembrar-se de textos bíblicos assim e ponderar sobre eles? No ambiente sombrio de uma prisão seria como se o próprio Jeová lhe estivesse falando. A Palavra de Deus pode curar mentes feridas, fortalecer corações abatidos, e ela substitui a angústia mental pela paz. (Veja Salmo 119:165.) Sim, é mui vital implantar passagens bíblicas em nossa mente, enquanto ainda temos essa oportunidade.

      11 Como foi que certo irmão nos Países-Baixos manifestou necessidade de alimento espiritual?

      11 Arthur Winkler foi um dos que profundamente apreciavam a Bíblia, em especial durante a ocupação nazista dos Países-Baixos, quando as Testemunhas tinham de executar a sua atividade cristã às ocultas. A Gestapo havia estado à procura do irmão Winkler. Quando por fim o prenderam, tentaram fazê-lo transigir, mas não conseguiram. Daí o espancaram até perder os sentidos. Com os dentes rebentados, o maxilar inferior deslocado e o corpo em carne viva por causa dos espancamentos, ele foi colocado numa cela escura. Mas, o guarda que o vigiava era compreensivo e amistoso. O irmão Winkler buscou a orientação de Jeová em oração. Sentiu também uma profunda necessidade de alimento espiritual, e pediu ajuda ao guarda. Mais tarde, a porta da cela se abriu e introduziu-se uma Bíblia nela. “Que alegria”, lembra-se o irmão Winkler “era desfrutar diariamente das agradáveis palavras de verdade . . . sentia-me ficar mais forte espiritualmente”.a

      A Paz Piedosa o Salvaguardará

      12. Por que existe necessidade especial de guardarmos o nosso coração e as nossas faculdades mentais?

      12 Jeová promete que a Sua paz “guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais”. (Filipenses 4:7) Isto é muito importante! O coração é a sede das motivações e das emoções. Nestes últimos dias, o nosso coração pode facilmente se enfraquecer por medo ou ansiedade, ou nos induzir a fazer o que é errado. O padrão geral da vida está deteriorando rapidamente. Devemos estar sempre vigilantes. Em adição a necessitarmos de um coração forte, temos também de fazer com que as nossas “faculdades mentais” sejam fortalecidas e dirigidas por Deus por meio de sua Palavra e sua congregação.

      13. Que benefícios podem advir de termos guardadas as nossas faculdades mentais?

      13 Segundo W. E. Vine, a palavra grega nó·e·ma (traduzida por “faculdades mentais”) contém a idéia de “objetivo” ou “desígnio”. (An Expository Dictionary of New Testament Words) Assim, a paz de Deus pode reforçar o nosso objetivo cristão e nos proteger contra qualquer tendência de enfraquecer a nossa mente ou mudar as nossas intenções sem bons motivos. Deste modo, o desânimo ou os problemas não nos tolherão facilmente. Por exemplo, se o nosso objetivo é servir a Jeová em alguma modalidade especial, como por ser ministro de tempo integral ou nos mudar para servir onde ministros se fazem muito necessários, “a paz de Deus” será de grande valia para nos ajudar a persistir em direção a tais objetivos. (Compare com Lucas 1:3; Atos 15:36; 19:21; Romanos 15:22-24, 28; 1 Tessalonicenses 2:1, 18.) Para fortalecer ainda mais as suas faculdades mentais, devote amplo tempo ao estudo da Palavra de Deus e ao companheirismo cristão. Assim você alimenta a sua mente e o seu coração com pensamentos limpos e edificantes. Tem você condições de devotar tempo suficiente para se envolver com as “declarações” inspiradas de Deus? Deveria dar-lhes maior atenção?

      14. A que conselho inspirado devemos dar cuidadosa atenção, e por quê?

      14 Pode-se ver que tanto o coração como a mente, ou faculdades mentais, estão envolvidos em adquirir e beneficiar-se da “paz de Deus”. Isto se destaca no conselho divino: “Filho meu, presta deveras atenção às minhas palavras. Inclina teu ouvido às minhas declarações. Não se afastem elas dos teus olhos. Guarda-as no meio do teu coração. Porque são vida para os que as acham e saúde para toda a sua carne. Mais do que qualquer outra coisa a ser guardada, resguarda teu coração, pois dele procedem as fontes da vida.” — Provérbios 4:20-23.

      15. Que papel desempenha Jesus quanto a termos “a paz de Deus”?

      15 “A paz de Deus”, que resulta de um caloroso e íntimo vínculo com Jeová, guarda os nossos corações e faculdades mentais “por meio de Cristo Jesus”. (Filipenses 4:7) Que papel desempenha Jesus nisso? Paulo explica: “Que tenhais benignidade imerecida e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Ele se entregou pelos nossos pecados, a fim de nos livrar do atual iníquo sistema de coisas, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.” (Gálatas 1:3, 4) Sim, Jesus amorosamente entregou a sua vida para que pudéssemos ser resgatados. (Mateus 20:28) Assim, é “por meio de Cristo Jesus” que podemos ser aceitáveis a Jeová como servos dedicados seus e ter condições de usufruir aquela paz piedosa que nos pode salvaguardar.

      Perigos que Ameaçam a Paz Piedosa

      16. Que conselho de Paulo nos pode ajudar a conservar “a paz de Deus”?

      16 Uma vez tendo adquirido e usufruído a paz de Deus, temos de cuidar para retê-la. Muitos fatores podem roubar a paz dos cristãos. Entre os mais comuns, e certamente os mais perigosos, estão os desejos da mocidade. Na segunda carta de Paulo a Timóteo, que naquele tempo provavelmente passava um pouco dos 30 anos de idade, ele incluiu este conselho: “Foge dos desejos pertinentes à mocidade, mas empenha-te pela justiça, pela fé, pelo amor, pela paz, ao lado dos que invocam o Senhor dum coração puro.” — 2 Timóteo 2:22.

      17. O que freqüentemente tem acontecido com a provisão do sexo, feita por Jeová?

      17 Esses desejos incluem o impulso sexual, que tem honroso lugar no casamento. Em toda a História, porém, esse impulso tem sido mal expresso em relações pré-maritais ou extramaritais, ambas as quais o nosso sábio Criador desaprova. (Hebreus 13:4; Gênesis 34:1-3) O perigo de ceder à imoralidade sexual ameaça os cristãos hoje, tanto jovens como pessoas de mais idade. Nestes dias finais de um mundo corrompido, para muitos o sexo passou a significar apenas paixão carnal, muitas vezes incluindo práticas comuns entre homossexuais, masculinos e femininos. — Romanos 1:24-27.

      18. Por que o coração de alguns ainda não está firme, e ao que pode isso conduzir?

      18 O fato de que vivemos em tal clima sublinha quão vital é termos um coração forte, firme, devotado a Jeová. Alguns dos que aceitaram a mensagem do Reino, crêem nas verdades básicas da Bíblia e regularmente se associam com o povo de Jeová, não desenvolvem apreço profundo por Jeová, sua Palavra e sua congregação mundial. Os seus corações ainda não são firmes. Podem facilmente ser desencaminhados por “desejos pertinentes à mocidade”. Alguns deles talvez resistam às tentações de cometer fornicação ou adultério, mas se tornam, como Paulo alertou, “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. (2 Timóteo 3:4) Gastam muito mais tempo vendo TV, lendo romances ou ouvindo música estridente do que com estudo pessoal, reuniões cristãs ou serviço do Reino. Isto facilmente leva à debilidade espiritual e, por fim, a pecado sério.

      19. O que precisamos fazer para que não nos desviemos?

      19 Como um barco sem âncora, tais pessoas estão sendo levadas pela corrente ao desastre. O que precisam fazer? Paulo aconselha: “É por isso que é necessário prestarmos mais do que a costumeira atenção às coisas ouvidas por nós, para que nunca nos desviemos.” (Hebreus 2:1) Assim, os que estão em perigo devem ‘prestar mais do que a costumeira atenção’ ao estudo da Palavra de Deus, a preparar-se para as reuniões cristãs e a partilhar com outros as verdades sobre o Reino. Naturalmente, seria fácil pensar: ‘É um bom conselho, mas eu não estou nessa situação, portanto, não se aplica a mim.’ Quão mais sábio seria cada um de nós considerar seriamente como podemos limpar ainda mais o nosso coração, os nossos pensamentos e desejos íntimos, e ‘nos empenhar pela justiça, pela fé, pelo amor, pela paz, ao lado dos que invocam o Senhor dum coração puro’. (2 Timóteo 2:22) Acima de tudo, devemos pedir a direção de Deus e a fortalecedora ajuda de seu espírito.

      20. O que deve fazer a pessoa que cometeu transgressão séria?

      20 Se a pessoa se tornar realmente culpada de transgressão séria, mas a encobrir, certamente perderá a aprovação de Jeová e “a paz de Deus” que tinha. Perderá também a sua própria paz mental. (Veja 2 Samuel 24:10; Mateus 6:22, 23.) Pode-se ver, portanto, por que é imperativo que todo cristão que cometeu um pecado sério confesse isso a Jeová e a anciãos amorosos, que podem promover a cura espiritual. (Isaías 1:18, 19; 32:1, 2; Tiago 5:14, 15) Se a pessoa que perdeu o equilíbrio espiritual no escorregadio caminho do pecado procurar ajuda de irmãos maduros, ela não mais terá consciência pesada ou falta de paz piedosa.

      21. Que motivo de profunda gratidão a Jeová temos hoje, e qual deve ser a nossa determinação?

      21 Que privilégio é ser testemunha dedicada de Jeová hoje! Em todo o nosso redor, este mundo satânico está-se desmoronando e virando uma completa desordem. Em breve desaparecerá. Muitos estão “ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. Mas nós podemos erguer a cabeça, pois sabemos que o nosso “livramento está-se aproximando”. (Lucas 21:25-28) Para mostrar quão gratos somos a Jeová por sua “paz . . . que excede todo pensamento”, demos o nosso melhor ao servirmos fielmente ‘o Deus que dá paz’. — Romanos 15:33; 1 Coríntios 15:58.

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