BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • w83 1/4 pp. 27-31
  • Perseguição numa terra pacífica

Nenhum vídeo disponível para o trecho selecionado.

Desculpe, ocorreu um erro ao carregar o vídeo.

  • Perseguição numa terra pacífica
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1983
  • Subtítulos
  • FUNDO RELIGIOSO
  • CERIMÔNIAS DE LUTO
  • AS AUTORIDADES REAGEM
  • ALGUNS BONS RESULTADOS
  • DEUS OU CÉSAR?
  • O QUE ACHA DISSO?
A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1983
w83 1/4 pp. 27-31

Perseguição numa terra pacífica

POR mais de 60 anos, esta terra havia sido pacífica, seu povo amistoso, governado por um rei bondoso. Daí, faleceu o rei. Quase que da noite para o dia, o país pacífico tornou-se cenário dum sofrimento infligido a um grupo minoritário, conhecido mundialmente pelo seu amor ao próximo e seu respeito pela autoridade. Por que essa perseguição? Por causa do seu desejo de viver segundo princípios bíblicos. Onde aconteceu isso? Na Suazilândia.

A Suazilândia é um pequeno país agradável de uns 17.300 quilômetros quadrados, situado entre a África do Sul e Moçambique. Verde e montanhosa no oeste, mais baixa e seca no leste, tem apenas pouco mais de meio milhão de habitantes. A nação suazi ocupou o território no começo do século 18. Em 1903, passou a ficar sob domínio britânico, mas foi estabelecida como reino independente em 1968, governada pelo Rei Sobuza II.

Este notável homem alcançou a distinção de ser, nos seus dias, o monarca mais idoso e de mais longo reinado na terra, governando desde 1921 até a sua morte em 21 de agosto de 1982. Era famoso pela sua sabedoria e discrição. Visto que seu país se achava comprimido entre a África do Sul e Moçambique, com suas amplas diferenças políticas, ele adotou um rumo neutro. Em resultado, a Suazilândia permaneceu uma terra de paz e crescente prosperidade.

FUNDO RELIGIOSO

Assim como a maioria dos povos africanos, os suazi, durante séculos, praticavam a adoração de antepassados. Em tempos mais recentes, muitas missões e igrejas tiveram ação livre na Suazilândia, mas os costumes e ritos tradicionais ainda desempenham um grande papel na vida da maioria. No começo dos anos 30, as Testemunhas de Jeová enviaram missionários para lá, a fim de divulgar as boas novas do Reino de Deus. Estes missionários visitavam freqüentemente o Rei Sobuza, o qual invariavelmente lhes dava uma acolhida régia.

Com o tempo, diversas pessoas suazi aceitaram a mensagem pregada pelas Testemunhas de Jeová. Visto que passaram a obedecer à lei de Deus, conforme especificada na Bíblia, não podiam mais seguir certos costumes religiosos não-cristãos. Isto provocou a oposição de alguns chefes, mas o Rei não permitiu que as Testemunhas de Jeová fossem perseguidas. De modo que as Testemunhas tinham bons motivos para lhe serem gratas e lamentam sinceramente a sua morte. Mas, significa isso que devem participar nos costumes tradicionais religiosos de luto, tais como rapar a cabeça?

CERIMÔNIAS DE LUTO

Essas cerimônias são muito importantes para os que as praticam. O Dr. I. Schapera, entendido em costumes africanos, escreveu: “O culto dos antepassados baseia-se na crença de que, quando um homem morre, ele continua a influenciar a vida dos seus parentes que permanecem na terra.” Sobre estes falecidos, ele explica: “Se forem ofendidos por qualquer violação dos costumes, poderão também causar seca, praga no gado, calamidades tribais ou pessoais, doença ou morte.” Caso envolva um chefe, então isso “se aplica ainda mais vigorosamente”. Portanto, não realizar ritos de luto por um rei é inconcebível para os que crêem nesses costumes tradicionais.

Os cristãos, porém, têm de levar em conta a maneira de Jeová Deus encarar tais práticas. Há milhares de anos, Deus disse ao seu povo escolhido: “Não deveis fazer cortes em vós mesmos, nem impor calvície às vossas testas por causa dum morto. Porque és um povo santo para Jeová, teu Deus.” — Deuteronômio 14:1, 2.

Isto é lógico, porque nada do que fazemos pode agradar ou desagradar a alguém que morreu. “Os mortos . . . não estão cônscios de absolutamente nada.” (Eclesiastes 9:5) Mesmo um governante, quando morre, “volta ao seu solo; neste dia perecem deveras os seus pensamentos”. (Salmo 146:3, 4) Neste ponto, ele está adormecido, inconsciente. Sua única esperança está numa ressurreição futura realizada por Deus. Não pode nem ajudar, nem prejudicar seus anteriores súditos.

Rapar a cabeça por alguém que faleceu daria a impressão de que se crê que a alma dele ainda está viva. Tal ato seria hipócrita para uma Testemunha de Jeová. (Ezequiel 18:4) Ela ‘praticaria a mentira’ e desagradaria a Deus. (Revelação 22:15) Além disso, os verdadeiros cristãos são estritamente advertidos a não misturarem práticas não-cristãs com a sua adoração. (2 Coríntios 6:14) Não podem conscienciosamente realizar ritos de luto que estão em conflito com a Bíblia, não importa quanto pesar sintam pelo falecimento dum amigo.

AS AUTORIDADES REAGEM

E, 13 de setembro de 1982, o jornal The Times da Suazilândia publicou a seguinte notícia: “O Governador da Residência Real de Lobamba anunciou diretrizes a serem seguidas pela nação suazi durante o período de luto pelo falecido Rei Sobuza II. O Conselheiro Vusumuzi Bhembe anunciou numa radiodifusão nacional que, em sinal de luto, todos os varões suazi tinham de cortar o cabelo [ter a cabeça rapada]. . . . As mulheres casadas apararão o seu cabelo em volta, logo acima das orelhas.” Logo se exerceu pressão sobre aqueles cuja consciência não lhes permitia acatar tal decreto.

Na quinta-feira, 23 de setembro de 1982, Andreas Xaba, funcionário veterinário que trabalhava para o governo da Suazilândia, foi interrogado pelo seu superior, o senhor Mavimbela, por que não havia rapado a cabeça. Quando Andreas tentou explicar, o senhor Mavimbela negou-se a escutar e mandou buscar três soldados dum quartel militar vizinho. Os soldados, porém, decidiram que o assunto deveria ser tratado pela polícia.

Enquanto esperavam pela polícia, o senhor Mavimbela mandou que um dos soldados fosse buscar a esposa de Andreas em casa, porque ela tampouco havia cortado o cabelo. A polícia chegou, mas o oficial mais graduado disse que deviam deixar o senhor e a senhora Xaba em paz, porque não havia nenhum diretriz da parte do governo para prender os que não haviam cortado o cabelo.

Todavia, naquela noitinha, sete soldados chegaram à casa dos Xabas, acompanhados pelo senhor Mavimbela, e levaram-nos ao quartel militar. Ali todos os soldados se reuniram, e, depois de interrogar Andreas e sua esposa, espancaram-nos repetidas vezes. Estes foram depois presos e obrigados a se deitar de costas, enquanto os soldados os batiam nos pés. Finalmente, raparam-lhes a cabeça à força e deixaram-nos ir.

Em 11 de outubro de 1982, quatro Testemunhas de Jeová tiveram de comparecer em juízo perante o tribunal nacional de Manzini. Antes de sentenciá-los, o Ministro Presidente, Mabhula Shongwe, mandou que a polícia lhes rapasse a cabeça. Isto foi executado com brutalidade. Testemunhas oculares relataram que sangue escorria das feridas na cabeça. Depois foram sentenciados: um ano de prisão ou R100 de multa.

Dois dias mais tarde, 11 Testemunhas, 10 homens e uma mulher, foram presas no seu lugar de trabalho, a Companhia Mhlume. No dia seguinte, guardas de segurança desta firma foram às casas dos homens, prenderam suas mulheres e crianças, e também as colocaram em detenção. Em 20 de outubro, todos receberam a oportunidade de explicar perante o tribunal por que não queriam rapar a cabeça. Explicaram o assunto de maneira respeitosa, usando textos bíblicos tais como Deuteronômio 14:1 e Mateus 6:17, 18. Apesar disso, foram sentenciados a um ano de prisão ou R100 de multa. Além disso, tanto as cabeças deles, como as das esposas e dos filhos foram rapadas à força. Mais tarde, foram despedidos da Companhia Mhlume.

Em 28 de setembro de 1982, 13 Testemunhas empregadas pela Companhia de Polpa Usuthu foram sentenciadas pelo Príncipe Logiyela Dlamini, no Tribunal Nacional de Bunya, a uma multa de R60. Depois foram impedidos de entrar no lugar onde trabalhavam. Pediram para falar com o gerente, mas, em vez disso, foram obrigados a comparecer perante o Conselho Privado de Lobamba, em 7 de outubro.

O presidente deste conselho, o senhor Luscndvo Fakudze, permitiu que as Testemunhas explicassem sua atitude. Durante a exposição, um dos chefes ameaçou: “Em 1970 queríamos eliminá-los, mas vocês foram protegidos pelo falecido Rei. Quem vai protegê-los agora?” Finalmente, disseram às Testemunhas que o assunto seria levado perante a assembléia dos príncipes, e depois à Rainha-Mãe, em Lobamba. No ínterim, seus patrões foram avisados que não deviam recebê-los, a menos que rapassem a cabeça.

Na semana seguinte, essas Testemunhas foram novamente presas. Seis delas deviam ser julgadas em 19 de outubro, perante o mesmo Tribunal Nacional de Bunya. Chegando o dia, o ministro presidente não compareceu. Tornou-se necessário adiar o caso para o dia seguinte e designar um novo ministro presidente, o senhor Magomba Dlamini. Ele mandou que as Testemunhas tivessem a cabeça rapada à força e sentenciou-as a três meses de prisão ou uma multa de R30.

Entre os condenados estavam Aaron Phakathi, Leonard Mabuza, Bartholomew Mbuli, Stephen Mngomezulu, John Shabangu e Lina Mbuli. Estes haviam sido assim sentenciados pela segunda vez por causa da mesma ofensa. Todos eles foram despedidos da Companhia de Polpa Usuthu.

Na ocasião em que se escreveu isso, pelo menos 90 Testemunhas haviam sido presas e sentenciadas, segundo os relatórios recebidos. Alguns foram presos mais de uma vez.

ALGUNS BONS RESULTADOS

Apesar das dificuldades, houve algumas experiências animadoras resultantes desta inesperada perseguição. Veja o seguinte relatório das Testemunhas detidas na prisão de Manzini:

“Quando chegamos a este lugar, o diretor da prisão estava muito contra nós, dizendo que estávamos combatendo o governo. Ele impediu que nossos irmãos viessem visitar-nos e mandou-os de volta com todos os alimentos que nos haviam trazido. Mas, nós continuávamos a mostrar-lhe muito respeito e respondíamos com cortesia. Quando viu isso, mudou de atitude. Deu-nos a sua Bíblia e pediu que pregássemos a todos os presos. Por fim, todos ali sabiam que estávamos na prisão pela causa da justiça, e tanto os presos como os guardas nos exortavam a nos mantermos firmes.”

DEUS OU CÉSAR?

As Testemunhas de Jeová se lembram das palavras do apóstolo Paulo: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores.” (Romanos 13:1) Lembram-se também de que Jesus ensinou: “Portanto, pagai de volta a César as coisas de César.” Todavia, Jesus acrescentou: “. . . mas a Deus as coisas de Deus.” (Mateus 22:19-21) Quando se mandou aos apóstolos de Jesus que parassem de fazer algo que Deus lhes havia ordenado, responderam: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29) Não queriam desobedecer aos seus governantes humanos. Mas quando esses governantes os obrigaram a escolher entre a obediência a Deus e a obediência a homens, tinham de obedecer primeiro a Deus.

As Testemunhas de Jeová seguem este princípio cristão. Ao mesmo tempo, oram para que as autoridades venham a entender seu ponto de vista. O apóstolo Paulo escreveu: “Exorto, portanto, em primeiro lugar, a que se façam súplicas, orações, intercessões e se dêem agradecimentos com respeito a . . . reis e a todos os em altos postos, a fim de que continuemos a levar uma vida calma e sossegada.” — 1 Timóteo 2:1, 2.

As autoridades suazi, sem dúvida, se apercebem de que as Testemunhas de Jeová procuram levar “uma vida calma e sossegada”. Como grupo, pagam seus impostos, e levam uma vida limpa e honesta. Todavia, desde o falecimento do Rei Sobuza, estabelece-se um perigoso precedente de perseguição religiosa. Também, muitos homens e mulheres das Testemunhas não têm agora nenhum meio de vida, tendo perdido o emprego.

O QUE ACHA DISSO?

Surpreende-se de que, nesta era moderna, uma nação inteira seja obrigada a praticar ritos para apaziguar os mortos? Acredita que as pessoas deveriam poder adorar a Deus segundo a sua consciência? Sente compaixão pelos que sofrem por que se lhes nega isso? Em caso afirmativo, talvez queira enviar um telegrama ou uma carta — num espírito de respeito e bondade — a uma ou mais das autoridades do governo suazi. No quadro ao lado encontram-se os nomes de algumas das altas autoridades às quais talvez queira escrever.

[Quadro na página 30]

Her Majesty the Queen Regent

Ndlovukazi Dzeliwe

Lobamba Royal Residence

P. O. Box 1

LOBAMBA

Swaziland

Chairman of the Supreme Council

Prince Sozisa

Lobamba Royal Residence

P. O. Box 1

LOBAMBA

Swaziland

Minister of Home Affairs

Prince Gabheni

P. O. Box 432

MBABANE

Swaziland

The Prime Minister

Prince Mabandla

P. O. Box 395

MBABANE

Swaziland

Minister of Justice

Mr. Polycarp KaLazarus Dlamini

P. O. Box 924

MBABANE

Swaziland

Commissioner of Police

Mr. Titus Msibi

P. O. Box 49

MBABANE

Swaziland

Federation of Swaziland Employers

P. O. Box 386

MBABANE

Swaziland

Councillor Vusumuzi Bhembe

Lobamba Royal Residence

P. O. Box 1

LOBAMBA

Swaziland

Councillor Lusendvo Fakudze

Lobamba Royal Residence

P. O. Box 1

LOBAMBA

Swaziland

Chief Justice

Mr. C. J. Nathan

P. O. Box 924

MBABANE

Swaziland

King’s Liaison Officer for Religion

Mr. A. K. Hlophe

P.O.Box 162

MBABANE

Swaziland

    Publicações em Português (1950-2026)
    Sair
    Login
    • Português (Brasil)
    • Compartilhar
    • Preferências
    • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
    • Termos de Uso
    • Política de Privacidade
    • Configurações de Privacidade
    • JW.ORG
    • Login
    Compartilhar