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Os apócrifos — são de Deus ou dos homens?A Sentinela — 1960 | 1.° de setembro
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homem, o qual, depois de cumprida a missão, voltou para casa e restaurou a vista de seu pai por colocar-lhe sobre os olhos a bílis do peixe. Pode haver coisa mais incrível à luz das Escrituras? Pode tal livro ser de Deus?
Mostrando também ser de origem humana, mas por razões diferentes, é o Livro de Judite. Este conta como uma bela mulher decapitou o general comandante dos inimigos dos judeus, resultando na libertação destes. Embora a própria história não seja implausível, os pormenores são tão contrários à história, que tornam impossível a sua localização na corrente do tempo. Por um lado professa falar da situação dos judeus depois da volta do cativeiro, contudo menciona Nínive, os exércitos assírios e o Rei Nabucodonosor, os quais haviam perecido todos muito antes da volta dos judeus à Palestina, e transforma até Nabucodonosor em rei dos assírios. Os entendidos dizem que “as inexatidões geográficas são igualmente embaraçosas”, e a sua crítica, de que os livros apócrifos “demonstram que toda a consciência histórica verdadeira tinha abandonado o povo”, aplica-se principalmente ao Livro de Judite. Em vista de tudo isso, qual é a dúvida que resta quanto à sua origem?
Que se pode dizer do suplemento ao livro de Ester, 10:4 a 16:24, que aparece nos Apócrifos? Não está em melhores condições à luz do criticismo objetivo. Quer fazer-nos crer que Mardoqueu era “varão grande, e dos primeiros da corte do rei” (So) no segundo ano de Artaxerxes, 150 anos depois de ter sido levado cativo quando Nabucodonosor veio pela primeira vez contra Jerusalém. E a afirmação de que Mardoqueu ocupou esta posição tão cedo no reinado do rei não só contradiz a parte canônica de Ester, mas também a sua própria referência posterior quanto à sua promoção. Cheio de referências a Deus e de atos de piedade, foi òbviamente acrescentado para dar ao livro de Ester um tom religioso. Mas, as referências a Deus, em si mesmas, não provam a origem divina, do mesmo modo como a sua ausência não prova a origem humana.
O Cântico dos Três Jovens reza como se um deles primeiro tivesse oferecido uma oração, no teor das de Esdras e de Neemias, e que depois o anjo do ‘Senhor “desviou da fornalha a chama. de fogo”. Segue-se depois o cântico, que é bem similar ao Salmo 148. O cântico, porém, faz referência ao templo de Jeová, aos sacerdotes e aos querubins, o que não se harmoniza absolutamente com a condição desolada de Jerusalém naquele tempo. Consiste em sessenta e oito versículos que foram intercalados entre os versículos 23 e 24 de Daniel 3.
Susana e os Dois Velhos, o capítulo 13 de Daniel, fala de dois velhos que incriminam falsamente uma mulher virtuosa porque ela recusou ter relações com eles, fazendo-a ser sentenciada à morte. O jovem Daniel expõe a falsidade deles por interrogá-los separadamente. Os velhos morrem, Susana é liberta e Daniel fica famoso. Se isso tivesse realmente acontecido com o jovem Daniel, por que aparece então como apêndice e por que foi primeiro escrito em grego, assim como também as outras duas adições a Daniel, quando o próprio livro foi escrito em hebraico e em aramaico?
O último escrito apócrifo a ser considerado é a Destruição de Bel e do Dragão. Na primeira metade dele, Daniel expõe uma fraude praticada pelos sacerdotes de Bel que comiam os alimentos apresentados a Bel supostamente consumidos pelo ídolo. Ordenado a adorar um dragão vivo, ele o faz explodir por alimentá-lo com uma mistura de pez, gordura e pelos. Em vista disso, os veneradores do dragão mandam lançar Daniel na cova dos leões. Enquanto estava ali, um anjo pega pelo cabelo o profeta Habacuc, que naquela ocasião estava muito longe, e o leva à cova para dar a Daniel uma vasilha de mingau. Daniel é liberto depois de sete dias e seus inimigos são lançados aos leões. Recomenda-se tal conto a nós como sendo a Palavra de Deus?
É conforme certa autoridade resumiu o caso contra os escritos apócrifos: “Não tiveram a sanção dos judeus nem da primitiva Igreja Cristã; . . . falta-lhes inteiramente o espírito profético . . . ; não só não reivindicam a inspiração, mas lamentam até a falta dela; caracterizam-se em muitas passagens pela aparência de romance e de mitologia, alheios à grandiosidade simples da Bíblia; contradizem tanto a si próprios como alguns fatos bem conhecidos da história secular; ensinam doutrinas não contidas na Bíblia . . .; e parecem nunca ter sido citados como autoridade pelo Senhor ou por seus apóstolos.” — Dictionary of Religious Knowledge, Abbott, págs. 50, 51.
Deveras, os Apócrifos não são de Deus, mas sim dos homens. Que falta de entendimento e de apreciação é colocar os seus escritos no mesmo nível dos da Palavra de Deus, a Bíblia! Pode ser bem aplicado aos Apócrifos o aviso de Paulo contra a aceitação de fábulas judaicas. — Tito 1:14.
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‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ — Parte 34 da sérieA Sentinela — 1960 | 1.° de setembro
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‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ — Parte 34 da série
A partir do versículo cinco do capítulo onze da profecia de Daniel, a mensagem profética que lhe foi dada pelo anjo de Jeová Deus tratou da luta entre o rei do norte e o rei do sul. Depois de se ter prolongado por mais de 2.200 anos da história, esta luta culminou agora na “guerra fria” entre a potência governante comunista do bloco oriental de nações e a potência predominante democrática do bloco ocidental de nações. A profecia garante-nos que não haverá nenhuma futura predominância mundial do “rei do norte” comunista, por encerrar o capítulo onze com a declaração: “Virá ao seu fim, e não haverá quem o socorra.” (Al) O anjo que trouxe esta profecia a Daniel disse que estava cooperando com o arcanjo Miguel, e que Miguel era o “príncipe” celestial de Daniel. Miguel é, portanto, o “príncipe” dos verdadeiros cristãos hoje em dia os quais fazem parte do santuário espiritual, o templo espiritual em que Jeová Deus habita por meio do seu espírito santo ou sua força ativa.
CAPÍTULO 12
LEVANTA-SE O “PRÍNCIPE” DO SANTUÁRIO
1. Por que é marcado o tempo em que esta geração está vivendo?
A ATUAL geração da raça humana vive num tempo marcado. Foi marcado pelo Criador da humanidade, Aquele que disse há milhares de anos: “Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.” (Gên. 1:14, Al) Ele queria que o homem na terra marcasse o tempo. Ele mesmo marca o tempo com relação ao homem, segundo o seu próprio horário infalível e imutável, que é tão acurado como o sol, a lua e as estrelas na marcação do tempo para a terra.
2. Se for possível descobrir o tempo de Deus, como poderá ser feito isso? Que gostaríamos de saber sobre a marcação do tempo desta geração?
2 Por estudar a Palavra escrita de Deus, a Bíblia, o homem pode descobrir o tempo de Deus, sob a orientação da força ativa invisível de Deus, seu espírito santo. A fim de assegurar isto aos seus irmãos espirituais, Paulo, o apóstolo cristão, escreveu: “Ora, quanto aos tempos e às estações, irmãos, não tendes necessidade de que se vos escreva. Pois
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