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Um apóstolo levanta-se contra a apostasiaA Sentinela — 1983 | 1.° de outubro
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Um apóstolo levanta-se contra a apostasia
A fim de derivar o máximo proveito deste artigo, recomendamos que leia o livro da Bíblia conhecido como A Primeira de João. Tem apenas algumas páginas.
PERTO do fim do primeiro século de nossa Era Comum, um grave e insidioso perigo ameaçava a primitiva congregação cristã. Tratava-se de perseguição por parte dos de fora da comunidade cristã? Não, o perigo principal provinha de dentro. O sorrateiro inimigo era a apostasia.
Por volta do ano 98 EC, remanescia um apóstolo para agir como baluarte final contra o que mais tarde se tornaria uma onda de ensinos falsos e de transigência religiosa e política. Trata-se do idoso apóstolo João, filho de Zebedeu e irmão do apóstolo Tiago, que foi martirizado uns 54 anos antes. Quando rapaz, João servira junto a Jesus, durante o breve ministério terrestre deste. Talvez fosse devido à personalidade dinâmica de João que Jesus chamou-o de ‘Filho do Trovão’. Agora, já bem idoso, pôs-se a escrever uma vigorosa carta de advertência e conselho para as congregações cristãs. O que ele disse ainda é vital para nós hoje. — Marcos 3:17; Lucas 9:51-56.
João apercebia-se muito bem de que a apostasia se estava infiltrando entre seus companheiros de crença. O apóstolo Paulo predissera anteriormente tal desvio. (Atos 20:29, 30) Em termos nada incertos, João desmascarou os enganadores, dizendo: “Já está havendo agora muitos anticristos; sendo que deste fato obtemos o conhecimento de que é a última hora. Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco.” O fato de João falar de “anticristos” no plural indica que a apostasia não se limitava a uma só pessoa, mas envolvia muitas que negavam o conceito sobre Cristo, que é apresentado na Escritura — 1 João 2:18, 19
Quem eram esses anticristos? E como procuravam enganar seus companheiros de crença? João não mede palavras ao expor os apóstatas anticristos. Ataca-os de três ângulos: (1) negarem que Cristo veio na carne, (2) negarem que Jesus era o Cristo e o Filho de Deus e (3) negarem que eles próprios eram pecadores.
VEIO CRISTO NA CARNE?
Mas, talvez pergunte: ‘Como podiam certos crentes negar que Jesus viera na carne?’ Evidentemente, por volta do fim do primeiro século, alguns cristãos foram influenciados pela filosofia grega, incluindo o primitivo gnosticismo. Esses apóstatas sustentavam o conceito de que todas as coisas materiais eram más, incluindo o corpo carnal. Assim, para os anticristos apóstatas, Jesus não viera na carne perniciosa, mas, em vez disso, em espírito. João mostra claramente que não compartilhava tais raciocínios teológicos que negavam a eficácia do sacrifício resgatador de Cristo. Portanto, escreve que “Jesus Cristo, um justo”, foi “um sacrifício propiciatório pelos nossos pecados, contudo, não apenas pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro”. — 1 João 2:1, 2.
Mais adiante, com uma simples e categórica definição, João esclarece ainda mais a questão, dizendo: “Toda expressão inspirada que confessa Jesus Cristo como tendo vindo na carne origina-se de Deus, mas toda expressão inspirada que não confessa a Jesus não se origina de Deus.” — 1 João 4:2, 3.
NÃO É JESUS O CRISTO?
Parece que alguns outros professos cristãos de origem judaica começaram a negar que Jesus fosse o Cristo e o Filho de Deus. João censura tal falta de fé por dizer: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, aquele que nega o Pai e o Filho.” (1 João 2:22) As palavras diretas de João não deixam margem para os duvidadores.
João suscita mais adiante outra pergunta para apoiar seu raciocínio: “Quem é que vence o mundo senão aquele que tem fé em que Jesus é o Filho de Deus? . . .Escrevo-vos estas coisas para que saibais que tendes vida eterna, vós os que depositastes a vossa fé no nome do Filho de Deus.” — 1 João 5:5, 13.
SOMOS PECADORES?
Por incrível que pareça, alguns dos anticristos estavam afirmando que não tinham pecado, ou talvez (visto que se consideravam salvos) imaginassem quem eram incapazes de pecar. Portanto, João refuta essa falácia no decorrer de toda a sua carta. Por exemplo, ele diz: “Se fizermos a declaração: ‘Não temos pecado, estamos desencaminhando a nós mesmos e a verdade não está em nós. . . . Se fizermos a declaração: ‘Não temos cometido pecado’, fazemo-lo [a Deus] mentiroso e a sua palavra não está em nós.” — 1 João 1:8-10.
‘Mas, o que é pecado?’ talvez pergunte. A palavra grega hamartía significa literalmente “errar o alvo”. Mas, sob inspiração, João fornece uma definição mais completa: “Todo aquele que pratica pecado está também praticando o que e contra a lei, e assim o pecado é aquilo que é contra a lei [do grego anomia, denotando desprezo para com a lei e a violação desta, maldade, iniqüidade] . . . Quem estiver praticando pecado origina-se do Diabo . . . Todo aquele que nasceu de Deus não está praticando pecado.” — 1 João 3:4, 8, 9.
Deveras, todos nós somos pecadores. Mas, João está interessado em denunciar o pecador ou violador deliberado da lei, aquele “que pratica o pecado”. Mais adiante, ele expõe a gravidade da situação do praticante do pecado, por dizer: “Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não está praticando justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama seu irmão.” (1 João 3:10; 5:18) Portanto, evitemos a prática não-cristã do pecado.
O QUE MOTIVAVA A APOSTASIA?
Qual talvez fosse a motivação básica por trás desses diferentes ensinos apóstatas? Uma possibilidade é fornecida por William Barclay, perito em grego, do século 20, que escreveu que o problema que João procura combater provinha de homens “cujo objetivo era tornar o cristianismo intelectualmente respeitável . . ., que conheciam as tendências e propensões intelectuais da época, e que desejavam expressar o cristianismo nos termos dessas idéias filosóficas prevalecentes. Provinha de homens que achavam que havia chegado o tempo para o cristianismo entrar em acordo com a filosofia secular e com o pensamento contemporâneo.”
Alguns nos tempos modernos têm sustentado um conceito similar, atacando a verdadeira fé em seus alicerces. Esses contestadores desejam enfraquecer os ensinos cristãos e torná-los mais aceitáveis para os elementos respeitados e intelectuais deste sistema. Se tais idéias sustentadas por alguns, nos últimos anos, fossem postas em prática, as Testemunhas de Jeová certamente teriam perdido suas qualidades e vitalidade únicas do cristianismo primitivo’.
Portanto, o conselho de João é muito oportuno mesmo hoje: “Pois o amor de Deus significa o seguinte: que observemos os seus mandamentos; contudo, os seus mandamentos não são pesados.” Esses mandamentos incluem pregar as boas novas do Reino de Deus e manter-nos separados do mundo e neutros quanto aos seus conflitos, ao passo que fazemos o máximo para santificar o nome de Jeová e praticamos o verdadeiro amor. — 1 João 5:3; Marcos 13:10; João 17:16; Mateus 6:9; 1 João 3:23.
ANTÍDOTOS PARA O PECADO E A APOSTASIA
Há algum freio restritivo contra a prática do pecado? A resposta de João é: “Quem não amar, não chegou a conhecer a Deus, PORQUE DEUS É AMOR.” Assim, com surpreendente simplicidade, João apresenta seu ponto. O segredo é o amor. E o amor de Deus expresso mediante seu Filho é o antídoto para os efeitos do pecado. “Por meio disso é que se manifestou o amor de Deus em nosso caso, porque Deus enviou o seu Filho unigênito ao mundo, para que ganhássemos a vida por intermédio dele.” Que efeito deve ter sobre nós o conhecimento desse fato? João responde: “Amados, se é assim que Deus nos amou, então nós mesmos temos a obrigação de nos amarmos uns aos outros.” — 1 João 4:8-11.
Se realmente amarmos a Deus e ao próximo, resistiremos aos ataques do pecado e da apostasia. O amor não vai deliberadamente de encontro com as leis e os princípios de Deus. Todavia, João adverte: “Há um pecado que incorre em morte.” Os apóstatas impenitentes certamente se encontrariam na categoria dos merecedores da destruição. — 1 João 5:16, 17; Mateus 12:31; Lucas 12:31; Hebreus 6:4-6; 10:23-27.
Se dissermos que o pecado e a apostasia são o fio negro que permeia a carta de João, então o genuíno amor é um cordão de pérolas que o ofusca. Muito embora sua carta transmita uma advertência sombria, não obstante, esta é claramente iluminada por três temas recorrentes: o amor, a luz e a vida. João diz: ‘Evite os mentirosos, os anticristos, os apóstatas. Repudie as trevas, ande na luz. Rejeite o ódio e pratique o amor. Resista ao pecado, sabendo que, caso cometa pecado, tem um ajudador ou defensor junto ao Pai, Jesus Cristo.’ Sim, “o testemunho dado é o seguinte: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho”. — 1 João 5:11; 2:1, 2.
Em seu conselho final, João adverte: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.” (1 João 5:21) No mundo da antiga Roma, tal conselho era bem apropriado. E é igualmente vital para aqueles que hoje desejam praticar o verdadeiro cristianismo e evitar a apostasia. Portanto, acatemos o conselho inspirado de João. Isso nos ajudará a resistir ao pecado, a praticar o genuíno amor cristão, a andar na vereda da verdade e a manter uma atitude inabalável contra a apostasia.
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Rejeite a apostasia, apegue-se à verdade!A Sentinela — 1983 | 1.° de outubro
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Rejeite a apostasia, apegue-se à verdade!
“Todo aquele que se adianta e não permanece no ensino do Cristo não tem Deus. Quem permanece neste ensino é quem tem tanto o Pai como o Filho.” — 2 João 9.
1, 2. (a) Como tem Satanás às vezes procurado apagar a luz da verdade entre o povo de Jeová? (b) Por que é vital que as Testemunhas de Jeová rejeitem a apostasia?
JEOVÁ DEUS é a Fonte da verdade espiritual. Portanto, o salmista orou apropriadamente a ele: “Envia tua luz e tua verdade.” (Salmo 43:3) Por isso, a verdade é sinal identificador dos adoradores de Jeová. — João 8:31, 32; 17:17.
2 Satanás, o Diabo, no empenho de apagar a luz da verdade entre o povo de Jeová, tem às vezes tentado corromper a congregação cristã por meio de ensinos apóstatas. (2 Coríntios 4:1-6; Judas 3, 4) Mas ele tem falhado nessas tentativas, porque as testemunhas fiéis de Jeová rejeitam a apostasia e se apegam à verdade espiritual. De fato, isso é vital, se havemos de manter uma relação íntima com Jeová Deus e Jesus Cristo, porque o apóstolo cristão João foi divinamente inspirado a escrever: “Todo aquele que se adianta e não permanece no ensino do Cristo não tem Deus. Quem permanece neste ensino é quem tem tanto o Pai como o Filho.” — 2 João 9.
3. Que perguntas serão respondidas ao passo que consideramos a Segunda e a Terceira de João?
3 Mas o que devem fazer as Testemunhas de Jeová para resistir à apostasia? E como podem promover os interesses cristãos como “colaboradores na verdade”? (3 João 8) Para saber as respostas, consideraremos a segunda e a terceira carta inspirada do apóstolo João, escritas em Éfeso na Ásia Menor, ou perto dali, por volta de 98 EC.
A VERDADE E O AMOR SÃO ESSENCIAIS
4, 5. (a) Por que podia o apóstolo João classificar-se apropriadamente como “ancião”? (b) Quem eram a “senhora escolhida” e os “filhos dela”?
4 João inicia sua segunda carta com as seguintes palavras:
“O ancião, à senhora escolhida e aos filhos dela, a quem eu amo verdadeiramente, e não somente eu, mas também todos os que chegaram a conhecer a verdade, por causa da verdade que permanece em nós, e ela estará conosco para sempre.” — 2 João 1, 2.
5 Por volta do fim do primeiro século EC, o apóstolo João era deveras “o ancião”, tendo cerca de 100 anos de idade, e era também ancião de desenvolvimento ou idade espiritual bem madura. (Veja Gálatas 2:9.) Dirigindo-se “à senhora escolhida”, ele talvez se referisse a uma determinada congregação em um lugar não revelado, e esta fraseologia talvez fosse usada para confundir os perseguidores. Neste caso, os “filhos” dela eram filhos espirituais, membros daquela congregação e cristãos gerados pelo espírito, ‘escolhidos’ por Deus para a chamada celestial. (Romanos 8:16, 17; Filipenses 3:12-14) Por outro lado, Kyria (grego para “Senhora”) pode ter sido o nome duma cristã individual.
6. (a) Qual é “a verdade” a que João se referiu? (b) Como é que “a verdade” permanece ou está “para sempre” com os cristãos genuínos?
6 De qualquer modo, esta ‘senhora escolhida e seus filhos’ eram realmente amados por João e por todas as outras testemunhas de Jeová, que haviam chegado a conhecer “a verdade”. Esta “verdade” era o conjunto inteiro do ensino que girava em torno de Jesus Cristo. O firme apego a ela era essencial para a salvação. (João 4:24; Efésios 1:13, 14;1 João 3:23) Um motivo básico pelo qual testemunhas de Jeová no passado e no presente têm amor entre si é que têm amor comum à “verdade”. Ela “permanece” nelas por residir no seu coração. Esta verdade permanece “para sempre” com tais cristãos genuínos, como companheiro constante. É deveras um bem muito prezado pelas Testemunhas de Jeová hoje em dia, e elas a agradecem a seu Pai celestial.
7. Como é que a benignidade imerecida, bem como a misericórdia e a paz procedem tanto de Deus como de Cristo?
7 Os que aderem fielmente à “verdade” têm garantidas bênçãos divinas. Salientando isso, o apóstolo acrescentou:
“Haverá conosco benignidade imerecida, misericórdia e paz da parte de Deus, o Pai, e da parte de Jesus Cristo, o Filho do Pai, com verdade e amor.” (2 João 3)
A benignidade imerecida procede tanto de Jeová como de Jesus no sentido de que humanos pecadores “estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida [de Deus], por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus”. (Romanos 3:23, 24) De maneira similar, o Pai celestial é a Fonte da misericórdia, mas ela é demonstrada para com os humanos imperfeitos por intermédio de Cristo. (Hebreus 4:14-16; Judas 20, 21) Além disso, para os pecadores terem paz com Jeová, precisam de que se expiem suas transgressões, e isso se tornou possível por meio da morte de Jesus qual sacrifício de resgate. — Colossenses 1:18-20.
8. Em 2 João 3, a que talvez se referissem as palavras “com verdade e amor”?
8 João acrescentou as palavras “com [ou: “em”] verdade e amor”. (Tradução Interlinear do Reino, em inglês) Pode assim ter dito que os cristãos genuínos, ‘junto com a verdade e o amor’, usufruem benignidade imerecida, misericórdia e paz. Ou João talvez quisesse querer indicar que os servos de Jeová teriam tais bênçãos se permanecessem na verdade e continuassem a demonstrar amor.
‘ANDAR NA VERDADE E NO AMOR’
9, 10. (a) Por que tinha João motivos para ‘se alegrar muitíssimo’? (b) Quanto à verdade, o que faziam “certos”?
9 O apóstolo citou um motivo para se ter alegria pessoal e deu também uma firme admoestação, ao acrescentar:
“Alegro-me muitíssimo por ter achado certos dos teus filhos andando na verdade, assim como recebemos mandamento da parte do Pai. Agora, pois, solicito-te, senhora, como alguém que te escreve, não um novo mandamento, mas um que temos tido desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.” — 2 João 4, 5.
10 João tinha motivo para grande alegria, por “certos” estarem “andando na verdade”. Eles tinham fé no nome de Jesus Cristo, tinham amor uns aos outros e esforçavam-se a se harmonizar com o modelo provido pelo Filho de Deus. (Hebreus 12:1-3; 1 João 3:23) Se João escreveu a uma mulher chamada Kyria, então alguns dos filhos dela mesma estavam na verdade. Mas se ele usou “filhos” e “senhora escolhida” em sentido figurativo, então podia alegrar-se de que alguns membros da congregação naquele lugar não revelado haviam resistido à apostasia e se apegavam à verdade, levando uma vida de fidelidade a Jeová. De fato, as leais testemunhas de Jeová sempre consideraram que aderir à verdade ou ‘andar nela’ era sua obrigação. Para elas, este é o mandamento de seu Pai celestial, não considerando penoso a acatamento dele. — Veja 1 João 5:3.
11. (a) O que exigia a observância do mandamento de ‘amar uns aos outros’? (b) Por que podia João dizer que este não era “um novo mandamento”?
11 O apóstolo solicitou à “senhora” que observasse o mandamento de “que nos amemos uns aos outros”. (Veja 1 João 3:11.) Expressando a vontade de Jeová para com pessoas piedosas, Jesus ordenara aos seus discípulos que ‘se amassem uns aos outros, assim como ele os amara’. Este mandamento não só exigia amor ao próximo, mas também amor abnegado, a ponto de até mesmo dar a sua vida a favor de outro. (Levítico 19:18; Mateus 22:39; João 10:14, 15; 13:34; 15:13) Havia sido obrigatório para os seguidores de Cristo “desde o princípio” de sua relação dedicada com Deus — de fato, desde que Jesus primeiro o proferiu e certamente desde o começo da congregação cristã em Pentecostes de 33 EC. Neste sentido, portanto, ‘não era um novo mandamento’, assim como João disse.
12. O que queria João dizer com: “O mandamento é este . . .: que deveis prosseguir andando nele”?
12 Referindo-se ao amor, João acrescentou:
“E o amor significa o seguinte: que prossigamos andando segundo os seus mandamentos. O mandamento é este, como ouvistes desde o princípio: que deveis prosseguir andando nele.” (2 João 6)
Os verdadeiros adoradores obedecem de bom grado a Jeová, porque o amam de todo o coração, alma, força e mente. (Lucas 10:27) “Desde o princípio”, quer dizer, desde o tempo do ministério de Jesus, ou a partir da dedicação deles a Deus, aqueles a quem João escreveu haviam tido o mandamento sobre o amor. Mas o que queria dizer o apóstolo com as palavras: “O mandamento é este . . .: que deveis prosseguir andando nele,’? Embora “nele” possa referir-se ao “mandamento” a respeito do amor (Missionários Capuchinhos) refere-se provavelmente ao próprio “amor”. Não importa como se encara isso, ‘andar na verdade’ significa continuar a demonstrar amor uns aos outros. — 1 João 3:18; veja Romanos 13:8-10.
CUIDADO COM OS APÓSTATAS
13. (a) Entre quem procuravam os “enganadores” conseguir conversos? (b) Que ensino falso estava sendo difundido pelos “enganadores”?
13 Requereria esforço para continuar a andar no amor e na verdade. Explicando o motivo disso, João escreveu:
Pois, muitos enganadores saíram pelo mundo afora, pessoas que não confessam Jesus Cristo vindo na carne. Este é o enganador e o anticristo.” (2 João 7)
Pelo visto, alguns falsos instrutores haviam estado viajando por toda a parte na tentativa de conseguir conversos entre os verdadeiros cristãos. (Veja Atos 20:30.) Embora eles mesmos professassem ser cristãos, esses “enganadores” desencaminhantes não admitiam que Jesus Cristo tivesse vindo em carne, como humano. Tais ensinos falsos minavam o papel de Jesus como o Messias e resgatador, inclusive sua enaltecida posição celestial. — Marcos 1:9-11; João 1:1, 14, Filipenses 2:5-11.
14. Por que chamou João os apóstatas de “o enganador e o anticristo”?
14 João chamou esses apóstatas de “o enganador e o anticristo” porque os ensinos deles eram enganosos e eles mesmos se opunham a Cristo. A menção de “muitos anticristos”, pelo apóstolo, indica que havia numerosos inimigos individuais de Cristo, embora em conjunto constituíssem uma pessoa composta, chamada de “anticristo”. (1 João 2:18) Negarem Jesus como o Cristo e como Filho de Deus envolvia negar todos e quaisquer ensinos bíblicos a respeito dele. As testemunhas fiéis de Jeová rejeitam totalmente os conceitos de tais instrutores falsos.
15. (a) Que “plena recompensa” obteriam os cristãos ungidos com o espírito por ‘se acautelarem’? (b) Por que deve toda testemunha de Jeová prevenir se contra doutrinas apóstatas?
15 Visto que havia o perigo de se desviar da verdade para a apostasia, João exortou:
“Acautelai-vos para que não percais as coisas que produzimos por trabalho, mas para que obtenhais uma plena recompensa. Todo aquele que se adianta e não permanece no ensino do Cristo não tem Deus. Quem permanece neste ensino é quem tem tanto o Pai como o Filho.” (2 João 8, 9)
Por labores tais como a pregação das “boas novas”, João e outros haviam ‘produzido’ frutos que resultaram na conversão dos destinatários originais da carta. Mas apenas por se ‘acautelarem’ espiritualmente não ‘perderiam’ a benignidade imerecida, a misericórdia e a paz da parte de Jeová e de seu Filho, bem como a associação eterna com todos os unidos em verdade e amor. Se fossem fiéis, os concrentes de João, ungidos pelo espírito, continuariam a usufruir o serviço recompensador prestado a Jeová. João, ao mencionar uma “plena recompensa”, evidentemente incluía a “coroa” celestial recebida pelos leais cristãos ungidos (Revelação 2:10; 1 Coríntios 9:24-27; 2 Timóteo 4:7, 8; Tiago 1:12) Naturalmente, toda Testemunha de Jeová deve rejeitar doutrinas apóstatas, porque podem privá-la da vida eterna, quer no céu, quer na terra.
16. (a) Como se ‘adiantavam’ os apóstatas? (b) De que modo têm as testemunhas fiéis de Jeová “tanto o Pai como o Filho”?
16 Os “enganadores” apóstatas ‘adiantavam-se’ e não ‘permaneciam no ensino do Cristo’, porque não se apegavam à verdade ensinada por Jesus e pelos seus fiéis apóstolos. Portanto, os hereges ‘não tinham Deus’, porque não estavam em relação com ele. (1 João 1:5, 6; 2:22-25) Esses genuínos cristãos apegam-se à verdade e por isso têm “tanto o Pai como o Filho”, porque os conhecem, reconhecendo as qualidades e continuando a usufruir uma relação íntima com eles.
ATITUDE PARA COM APÓSTATAS
17. De acordo com 2 João 10, 11, como devem os cristãos leais tratar os “enganadores”?
17 Os cristãos devem ser hospitaleiros, mas não para com os que apostatam da verdadeira fé. (1 Pedro 4:9) João tornou isso claro ao dizer:
“Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis. Pois, quem o cumprimenta é partícipe das suas obras iníquas.” (2 João 10, 11)
Os “enganadores” viajavam por toda a parte e difundiam ativamente ensinos falsos. Naturalmente, teria sido errado se um cristão dedicado lhes estendesse a mão de companheirismo por admitir esses instrutores falsos na sua casa. Também teria sido impróprio dar aos apóstatas qualquer espécie de cumprimento, quer as boas-vindas na chegada, quer por dizer: “Que a paz esteja com você”, na despedida. (A Bíblia na Linguagem de Hoje) Nenhum cristão leal desejaria que aquele que promove deliberadamente doutrinas falsas tivesse bom êxito no seu trabalho. Portanto, nenhuma testemunha fiel de Jeová, por certo, manteria contato social com tal pessoa. — 1 Coríntios 5:11-13.
18. Por que é que a testemunha leal de Jeová nem mesmo cumprimentaria um apóstata?
18 Além disso, se um servo dedicado de Jeová acolhesse tal instrutor enganoso na sua casa, ele se tornaria ‘cúmplice’ das “más ações” de tal pessoa. (O Novo Testamento, Interconfessional) Portanto, nenhuma hodierna testemunha leal de Jeová cumprimentaria um apóstata desassociado ou dissociado, nem permitiria que usasse seu lar cristão como local para a divulgação de erro doutrinal. Certamente, haveria grave responsabilidade perante Deus, se o crente oferecesse hospitalidade a um apóstata e disso resultasse a morte espiritual dum co-adorador de Jeová. — Veja Romanos 16:17, 18; 2 Timóteo 3:6, 7.
19. Que atitude adotam as testemunhas leais de Jeová para com os hodiernos apóstatas?
19 Alguns dos que antigamente serviam como Testemunhas de Jeová rejeitaram diversos conceitos bíblicos baseados nos ensinos de Jesus Cristo e de seus apóstolos. Por exemplo, insistem em que não vivemos nos “últimos dias”, apesar da sobrepujante evidência em contrário.(2 Timóteo 3:1-5) Esses apóstatas “saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos”. (1 João 2:18, 19) De modo que não têm mais associação com as leais testemunhas ungidas de Jeová e seus companheiros, e, por isso, tais hereges interesseiros não têm “parceria” com o Pai e o Filho, não importa quanto se gabem de ter intimidade com Deus e Cristo. Em vez disso, estão em escuridão espiritual. (1 João 1:3, 6) Os que amam a luz e a verdade têm de adotar uma atitude firme contra esses promotores de ensino falso. As testemunhas leais de Jeová de maneira alguma querem ser cúmplices nas “más ações” de tais pessoas infiéis, por apoiarem de algum modo as palavras e as atividades ímpias delas. Antes, travemos “uma luta árdua pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos”. — Judas 3, 4, 19.
APEGUE-SE À VERDADE
20. Em vez de continuar escrevendo, o que esperava fazer João?
20 Depois de exortar seus companheiros de crença a que rejeitassem a apostasia e se apegassem à verdade, João concluiu a sua segunda carta inspirada com as palavras:
“Embora eu tenha muitas coisas para vos escrever, não desejo fazer isso com papel e tinta, mas espero ir ter convosco e falar-vos face a face, para que a vossa alegria seja plena. Os filhos da tua irmã, a escolhida, mandam-te os seus cumprimentos.” (2 João 12, 13)
O apóstolo preferiu não assentar por escrito aquilo que ainda tinha no coração. De modo que pôs de lado o papel de papiro, sua pena de cana e a tinta (provavelmente uma mistura preta de goma, fuligem e água). Apesar de sua idade avançada, esperava fazer uma visita e falar “face a face”, ou, literalmente, “de boca para boca”, usufruindo assim uma comunicação íntima. (Kingdom Interlinear Translation; veja Números 12:6-8.) A visita do idoso apóstolo certamente resultaria num satisfatório intercâmbio de encorajamento, com abundante prazer. — Veja Romanos 1:11, 12.
21. O que se evidencia nas palavras concludentes da Segunda de João?
21 O amor cristão que une os adoradores de Jeová evidenciava-se no cumprimento transmitido por João. Se ele estava escrevendo a uma pessoa chamada Kyria, então esta, pelo visto, tinha uma irmã carnal, cujos filhos lhe mandavam seus cumprimentos. Mas, se o apóstolo fazia alusão a outra congregação (talvez em Éfeso), a “irmã” mencionada por ele era esta congregação como um todo, e os “filhos” eram os membros individuais dela.
22. (a) A segunda carta inspirada de João ajuda as Testemunhas de Jeová a fazer o quê? (b) Que assunto precisa ainda ser considerado?
22 Na sua segunda carta inspirada, João havia dado com franqueza conselho amoroso, que ajudaria os companheiros de crença a rejeitar a apostasia e a apegar-se à verdade. Com a ajuda de Deus, isto é exatamente o que as atuais Testemunhas de Jeová estão decididas a fazer. Mas temos de promover também os interesses cristãos como cooperativos “colaboradores na verdade”. (3 João 8) Como se pode fazer isso?
Sabe Responder a isso?
□ Que significa ‘andar na verdade’?
□ Que falso ensino foi difundido pelos “enganadores?
□ De acorda com 2 João 10, 11, como devem as Testemunhas de Jeová encarar os apóstatas?
[Foto na página 23]
As Testemunhas leais de Jeová sempre rejeitam a apostasia.
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Sirvamos lealmente como “colaboradores na verdade”A Sentinela — 1983 | 1.° de outubro
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Sirvamos lealmente como “colaboradores na verdade”
“Estás fazendo uma obra fiel naquilo que fazes para os irmãos . . . Nós . . . temos a obrigação de receber a tais de modo hospitaleiro, para que nos tornemos colaboradores na verdade.” — 3 João 5-8.
1. Para agradar a Jeová, que espécie de adoração temos de prestar-lhe?
JEOVÁ procura aqueles que querem adorá-lo “com espírito e verdade”. (João 4:23, 24) Para obterem a aprovação dele, sua adoração precisa ser coerente com o que Deus revelou sobre si mesmo e seus propósitos. Precisam também aderir a todo o conjunto de ensinos cristãos que enfatizam a Jesus Cristo. Continuar a andar nesta verdade é essencial para a salvação. — Efésios 1:13, 14; 1 João 3:23.
2. Que pergunta surge, e onde podemos encontrar orientação útil?
2 As Testemunhas de Jeová têm de continuar a andar na verdade. De fato,
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