-
Mostra apreço?A Sentinela — 1975 | 1.° de abril
-
-
Mostra apreço?
“Adquire sabedoria, adquire compreensão . . . Estima-a muito, e ela te exaltará.” — Pro. 4:5, 8.
1, 2. (a) Quais são algumas coisas na vida que devemos apreciar? (b) O que é que significa ter “apreço”, e como é demonstrado?
HÁ MUITAS coisas na vida que realmente devemos apreciar. Devemos apreciar nosso pai e nossa mãe. Eles nos trouxeram ao mundo e gastaram muito tempo em criar-nos. Devemos apreciar o cuidado que tiveram conosco. Se tivermos verdadeiros amigos, temos bons motivos para apreciá-los também. E que dizer das coisas que aprendemos, do trabalho que fazemos e dos presentes que recebemos — mostramos apreço por todas estas coisas? Muitas vezes, quando alguém recebe um presente, ele diz: “Muito obrigado, aprecio isso muito.” Mas, poder-se-ia perguntar: Aprecia-o mesmo? Deseja na realidade que se lhe tivesse dado outra coisa, ou absolutamente nada? O que fará com ele? O que é que significa ter “apreço”?
2 A palavra “apreciar” contém o sentido de “estimar, prezar, avaliar”. A quem é que estima você, leitor? Quais são as coisas que preza e avalia muito? Como demonstra isso? Se houver verdadeiro apreço, este se evidenciará nas coisas que diz e faz.
RELAÇÕES FAMILIARES
3. Embora haja usualmente forte apego aos pais, como pode o filho mostrar que realmente não tem apreço deles?
3 A criança muito nova realmente não tem senso de apreço. No entanto, tem um forte apego instintivo ao seu pai e à sua mãe. Quando em perigo, sabe aonde correr em busca de proteção. Por exemplo, uma criança talvez brinque no pátio com a mãe por perto. De repente, entra um estranho no pátio, e a criança fica amedrontada. Corre e agarra-se à mãe, e esconde a cabeça na saia dela, sentindo-se protegida. Se a mãe tiver tratado a criança amorosamente no passado, esta se sentirá ali segura. Realmente acha que esta é toda a proteção de que precisa contra qualquer intruso. Mas a criança preocupa-se instintivamente consigo mesma. Que na realidade lhe pode faltar apreço da mãe e da orientação dela torna-se logo evidente na sua reação quando repreendida por má conduta. — Pro. 12:1.
4. (a) Com o tempo, o que talvez contribua para se apreciar os próprios pais? (b) Quando se desenvolve tal apreço, como pode ser demonstrado?
4 No entanto, quando alguém atinge a qualidade de adulto, encara os assuntos inteiramente diferente do modo como fez quando criança. O apóstolo Paulo disse: “Quando eu era pequenino, costumava falar como pequenino, pensar como pequenino, raciocinar como pequenino; mas agora que me tornei homem, eliminei as características de pequenino.” (1 Cor. 13:11) Para se ter apreço, é preciso ter conhecimento, e este conhecimento precisa atingir o coração. Quando alguém fica adulto, ele adquire conhecimento, e sua própria experiência pode fazer com que o conhecimento lhe toque o coração. Chega então ao ponto em que pode apreciar ou entender o valor do que o pai e a mãe fizeram por ele enquanto era criança. Talvez já esteja criando seus próprios filhos, perdendo sono no cuidado dos pequenos quando estão doentes e trabalhando muitas horas para cuidar de que sejam alimentados, vestidos e abrigados. Aprendeu assim por conta própria a paciência e o cuidado amoroso necessários para criar os filhos “na disciplina e no conselho de autoridade de Jeová”. (Efé. 6:4) Estas experiências talvez façam com que ele e sua esposa pensem nos dias em que eram muito jovens, e talvez pela primeira vez na sua vida apreciem plenamente o que seus pais fizeram por eles. Podem assim prezar e avaliar o que seus próprios pais fizeram. Quando se cria tal apreço, é bom expressá-lo, e isto pode ser feito vez após vez, de vários modos. — 1 Tim. 5:4.
5. O que diz a Bíblia sobre a atitude que até mesmo filhos pequenos devem cultivar para com os pais?
5 Embora se possa esperar que o apreço do que os próprios pais fizeram não venha a desenvolver-se plenamente até que se chegue a ser adulto, as Escrituras dizem até mesmo aos filhos jovens: “Honra a teu pai e a tua mãe, assim como te mandou Jeová, teu Deus, a fim de que os teus dias se prolonguem e te vá bem.” (Deu. 5:16) Se honrar seu pai e sua mãe, mostrar-lhes-á muita consideração ou apreço.
6. (a) O que tem observado em evidência duma séria falta de apreço da parte dos filhos pelos pais? (b) Que fatores talvez contribuam para tal situação no lar, mas o que pode ajudar a evitá-la?
6 Infelizmente, em muitos lares, as crianças mostram uma chocante e persistente falta de apreço pelos pais. (2 Tim. 3:1, 2; Deu. 27:16) O problema básico talvez seja que os próprios pais não apreciam seus filhos. Talvez realmente não os quisessem e por isso não os encarem assim como se expressa no Salmo 127:3: “Eis que os filhos são uma herança da parte de Jeová; o fruto do ventre é uma recompensa.” Não tendo tal conceito sadio, os pais talvez não passem tempo com os filhos, não lhes dêem a necessária companhia parental e não respondam às suas muitas perguntas. Em outros casos, são os filhos que, influenciados pelas más associações, deixaram de corresponder à supervisão amorosa de seus pais. Mas, se tanto os pais como os filhos aplicarem seriamente o conselho sadio da Palavra de Deus, este os ajudará a impedir o desenvolvimento de tal ambiente desagradável. É necessário reconhecer, porém, que apenas dizer que se tem apreço não prova que este existe. É ele evidenciado pela atitude e pelas ações de dia em dia?
7. (a) O que mostra a disposição do pai de prover disciplina, ou a falta dela, sobre a sua atitude para com os filhos? (b) Como deve ser dada tal disciplina?
7 Em resposta a esta pergunta, é preciso considerar a atitude mostrada no lar para com a aplicação e a aceitação da disciplina. O pai que ama os filhos cuidará de que recebam a necessária disciplina. (Pro. 13:24) O livro de Provérbios, no Pr capítulo quatro, versículo 1, exorta-nos a apreciar a disciplina, dizendo: “Escutai, ó filhos, a disciplina do pai e prestai atenção, para conhecerdes a compreensão.” Disciplina nem sempre significa castigo infligido como correção ou treinamento por sofrimento. Os primeiros sentidos de “disciplina”, segundo os dicionários, são “instrução e direção dada a um discípulo, ensino, instrução, educação, direção”, quer física, mental ou moral. De modo que, quando lemos a respeito de um pai dar disciplina, não devemos visualizar um homem que simplesmente grita ordens para seus filhos e depois aplica castigo físico, quando eles deixam de fazer o que mandados. Referimo-nos ao pai que realmente se interessa pelos filhos, gasta tempo com eles e toma grande interesse no seu desenvolvimento físico, mental e moral. Ele quer ajudar os filhos a chegarem a conhecer o verdadeiro Deus e Seus modos, assim como o pai os conhece. Quer que tenham confiança no cuidado de Deus e no cumprimento de tudo o que Ele prometeu. (Gên. 18:19; Deu. 11:18, 19) Tal pai ajudará pacientemente os filhos a cultivar qualidades piedosas tais como amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio. (Gál. 5:22, 23) Assim, embora seja verdade que há ocasiões em que o castigo talvez seja necessário, quando a Bíblia diz: “Escutai, ó filhos, a disciplina do pai e prestai atenção, para conhecerdes a compreensão”, devemos pensar principalmente no pai que fornece pacientemente instrução mental e moral aos filhos.
8. Como devem os filhos reagir à disciplina parental, e por quê?
8 Filhos e filhas que honram os pais, e deste modo honram a Deus, não desprezarão tal disciplina em rebeldia. Escutarão, quando as Escrituras lhes dizem: “Quem é tolo desrespeita a disciplina de seu pai, mas quem considera a repreensão é argucioso.” (Pro. 15:5) Pensarão seriamente no que está escrito em Provérbios 4:13: “Agarra a disciplina; não a largues. Resguarda-a, pois ela mesma é a tua vida.” Como reage a isso?
9. O que significa ‘adquirir sabedoria’, e como pode o jovem mostrar que aprecia seu valor?
9 Os provérbios inspirados exortam adicionalmente: “Adquire sabedoria, adquire compreensão. Não te esqueças e não te apartes das declarações da minha boca. Não a abandones, e ela te guardará. Ama-a, e ela te resguardará. Sabedoria é a coisa principal. Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão. Estima-a muito, e ela te exaltará. Ela te glorificará, porque a abraças.” (Pro. 4:5-8) Ao passo que o jovem escuta a instrução de seu pai, aceitando a disciplina dele, adquire sabedoria. Aprende a aplicar na sua própria vida as coisas que o pai lhe disse. Não deixa simplesmente a instrução ‘entrar por um ouvido e sair pelo outro’. Quando o jovem realmente entende o ponto em questão, na admoestação bíblica, discernindo que a “sabedoria é a coisa principal”, está disposto a escutar os pais e está ansioso de tirar proveito da experiência deles na vida. ‘Estima muito’ ou aprecia a sabedoria que eles transmitem, e especialmente quando está em harmonia com a própria Palavra de Deus, a Bíblia.
10. Como afeta a sabedoria piedosa também a relação entre marido e esposa de modo benéfico?
10 Quando a sabedoria piedosa dirige o pensamento dos pais, não só serão bem sucedidos em lidar com os filhos, mas a relação que têm entre si como marido e mulher será edificante e fortalecedora. A esposa não sentirá a frustração resultante de fazer algo para o marido que não tem apreço, e o marido terá confiança no apoio leal de sua esposa. Ajudando-as a desenvolver um espírito apreciativo, mútuo, o Livro da sabedoria divina diz: “Achou alguém uma boa esposa? Achou uma coisa boa e obtém boa vontade da parte de Jeová.” (Pro. 18:22) Também, “a esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido”. — Efé. 5:33.
11. Em vez de exigir que seu marido a aprecie, que proceder é melhor para a esposa?
11 Embora seja verdade que maridos e esposas devem aos seus cônjuges ser apreciativos, expressões de apreço significam muito mais quando não são exigidas, mas quando são obtidas por se tocar no coração do outro. Como se pode fazer isso? Embora seja natural que a mulher queira ser fisicamente atraente, outras coisas são muito mais importantes. Provérbios 31:30 diz: “O encanto talvez seja falso e a lindeza talvez seja vã; mas a mulher que teme a Jeová é a que procura louvor para si.” Até mesmo o homem que talvez não seja crente amiúde é com o tempo convencido pela “conduta casta, junto com profundo respeito” da parte de sua esposa cristã. (1 Ped. 3:1, 2) É a mulher que mostra ser “esposa capaz”, diligente no seu trabalho, que granjeia a alta avaliação de seu marido. Lembre-se de que “apreciar” significa “prezar”. “Seu valor é muito maior do que o de corais”, diz o provérbio. “Nela confia o coração do seu dono, e não há falta de lucro. Ela o recompensou com o bem e não com o mal, todos os dias da sua vida.” (Pro. 31:10-12) Quando alguém tem “boa esposa”, então, conforme diz Provérbios 31:28 é de se esperar que ele a ‘louve’.
12. O que pode induzir a esposa e os filhos a apreciarem o chefe da família?
12 De modo similar, o marido cristão granjeia a admiração amorosa de sua esposa quando demonstra ter qualidades excelentes. Se ele for ríspido e não tiver consideração para com os outros membros da família, talvez respeitem sua posição, mas achem difícil mostrar apreço ou prezá-lo muito como pessoa. Por outro lado, quando ele exerce sua chefia com vivo senso de responsabilidade para com aquele que é sua cabeça, o Senhor Jesus Cristo, imitando-o, então é apenas natural que os membros de sua família respondam de modo apreciativo. (1 Cor. 11:3; Mat. 11:28-30) Não basta que ele seja generoso com o seu tempo no trato com os de fora do lar; sua própria família merece atenção. O homem que gastar cada dia algum tempo em palestra edificante com sua família certamente será muito mais apreciado do que aquele que só traz para casa dinheiro e depois enterra a cabeça no jornal ou dá a sua atenção ao televisor. E embora sua esposa possa admirá-lo por ele ajudar outros na localidade, é a disposição dele, de reservar regularmente tempo para estudar a Bíblia com ela que lhe fortalecerá o amor a ele.
O APREÇO MOSTRADO POR JEOVÁ
13. (a) Mesmo que os membros da família não apreciem os esforços sinceros que se fazem para fazer o bem, quem os observa? (b) Como mostrou Davi confiança nisso?
13 Às vezes, mesmo quando fazemos sinceros esforços de expressar benevolência aos outros, encontramos uma reação sem apreço. Mas devemos reconhecer que há alguém que vê e aprecia o que fazemos, e este é Jeová. Davi, filho de Jessé, foi dos que se aperceberam disso. A vida lhe foi dificultada pelo Rei Saul de Israel, o qual, embora fosse sogro de Davi, procurou desfazer o lar de Davi, casando finalmente a esposa de Davi, Mical, com outro homem, e tentou repetidas vezes matar o próprio Davi. Quantos sofreram coisas tão severas assim? Contudo, Davi repetidamente agiu com benevolência para com o rei. E embora Davi não esperasse o apreço do rei, ele disse: “É Jeová quem pagará de volta a cada um a sua própria justiça e a sua própria fidelidade.” (1 Sam. 26:23) Sim, Jeová cuida de que as benevolências de seus servos não passem sem recompensa. — Pro. 25:21, 22.
14. Como mostrou Jeová seu interesse amoroso em toda a humanidade?
14 Jeová está vivamente interessado na humanidade, e ele mostra isso por suas provisões generosas para o usufruto dela. Até mesmo aos que não eram adoradores do verdadeiro Deus, os apóstolos Paulo e Barnabé podiam dizer de direito: “Deveras, não se deixou sem testemunho, por fazer o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo os vossos corações plenamente de alimento e de bom ânimo.” (Atos 14:17) E o Rei Salomão escreveu sob inspiração: “Vi a ocupação que Deus deu aos filhos da humanidade para se ocuparem nela. Tudo ele fez bonito no seu tempo. . . . Vim saber que não há nada melhor para eles do que alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida; e também que todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.” (Ecl. 3:10-13) É evidente que Deus ama o mundo da humanidade, e ele quer que ela usufrua esta terra, que uns apreciem os outros e que amem e apreciem a ele qual Criador.
15. Dentre todas as criaturas da terra, são apenas os homens o alvo da preocupação amorosa de Deus?
15 Mas a preocupação amorosa de Deus não se limita à humanidade. Pois, ao falar aos seus apóstolos sobre o amor que Deus lhes tinha, Jesus Cristo disse: “Não se vendem dois pardais por uma moeda de pequeno valor? Contudo, nem mesmo um deles cairá ao chão sem o conhecimento de vosso Pai. Porém, os próprios cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais; vós valeis mais do que muitos pardais.” (Mat. 10:29, 30) Imagine só — Deus interessa-se até mesmo nos pássaros que os homens talvez considerem como de “pequeno valor”. E por que não? Eles também são obra de Deus. Jeová criou-os e preservou-os através do dilúvio dos dias de Noé.
16. Contudo, como mostrou Jeová afeição especial para com as suas criaturas humanas?
16 No entanto, Deus tem afeição especial à humanidade. Não foi ao formar os animais, mas quando se preparou para fazer os humanos que Deus disse ao seu Filho: “Façamos o homem à nossa imagem.” (Gên. 1:26) Embora nossos primeiros pais humanos se voltassem para o pecado, Deus não esfriou no seu amor à família humana. Fez amorosamente provisões para que todos os que em fé reagissem com apreço para com seu Criador pudessem viver para sempre. Conforme Jesus explicou: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” — João 3:16.
17. Por que é tão agradável a perspectiva de vida eterna no serviço de Jeová?
17 Quão deleitosa é a perspectiva da vida eterna no serviço de Jeová! Ele não é Amo sem apreço. Já agora, embora nosso serviço esteja maculado pela nossa imperfeição, ele nos tranqüiliza. Induziu o apóstolo Paulo a escrever a cristãos fiéis, para nosso encorajamento: “Deus não é injusto, para se esquecer de vossa obra e do amor que mostrastes ao seu nome, por terdes ministrado aos santos e por continuardes a ministrar.” (Heb. 6:10) Visto que Abraão demonstrou repetidas vezes fé genuína em Jeová, Deus lhe disse: “Tua recompensa será muito grande.” (Gên. 15:1) E o salmista escreveu sobre as “decisões judiciais” de Jeová: “Há grande recompensa em guardá-las.” (Sal. 19:11) Sim, Jeová recompensa com apreço os que fazem a sua vontade, quer os atos deles sejam pequenos, quer grandes. Como nos afeta o conhecimento de tal maravilhosa atitude apreciativa da parte de Deus? Correspondemos por nossa vez com apreço?
TER MUITA ESTIMA DA BOA RELAÇÃO COM DEUS
18. Quando se trata de usufruir uma relação com Jeová, que situação confronta a todos nós?
18 Ter uma relação aprovada com Jeová não é algo que nós, homens, possamos presumir. Não nascemos com ela. Ao contrário, nossa situação é semelhante à do Rei Davi, que escreveu: “Eis que em erro fui dado à luz com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Sal. 51:5) Nenhum de nós é uma exceção. As Escrituras dizem verazmente: “Todos pecaram e não atingem a glória de Deus.” (Rom. 3:23; veja também 1 João 1:8, 10.) Mas Jeová proveu os meios pelos quais podemos obter sua aprovação.
19, 20. Qual é o único meio pelo qual podemos entrar numa relação com Jeová, e por que é servir a ele um privilégio tão grandioso?
19 Quando paramos para pensar no que os homens são em comparação com Deus, esta provisão deve tocar-nos o coração. Quem já viajou por avião sabe que, mesmo a algumas centenas de metros de altitude, os homens virtualmente desaparecem da vista, e suas casas e seus carros parecem brinquedos. De sua posição muito mais elevada, pois, quando Jeová olha para baixo, para a terra, quão pequenos e insignificantes devem parecer-lhe os homens! (Isa. 40:15) É de se admirar que o salmista escrevesse: “Quando vejo os teus céus, trabalhos dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal para que te lembres dele, e o filho do homem terreno para que tomes conta dele”? — Sal. 8:3, 4.
20 Contudo, é a nós homens mortais que este Alto e Enaltecido, o Criador, o Governante Soberano do universo, oferece a oportunidade de entrar numa relação com ele. E para tornar isto possível, enviou seu Filho unigênito para a terra, a fim de depor a sua vida como sacrifício expiatório de pecados. Este mesmo Filho, Jesus Cristo, explicou: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” Ele disse também aos seus apóstolos: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 3:16; 14:6) Depois de sua própria morte e ressurreição, Jesus ordenou aos seus discípulos: ‘Sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Apreciando quão grande é o privilégio de servi-lo assim, fazem o que lhes é mandado.
21. Durante o ano passado, como demonstraram pessoas em toda a terra que prezam uma boa relação com Deus?
21 Em resultado, pessoas em todas as partes da terra chegaram a conhecer a Jeová, o único Deus verdadeiro, e seu Filho Jesus Cristo. No ano passado, em 207 terras, as pessoas foram ajudadas assim pelas testemunhas cristãs de Jeová. Algumas tomaram a peito o que ouviram. Compreenderam a necessidade de se arrependerem de seu proceder anterior, de darem meia-volta e usarem sua vida em fazer a vontade de Deus. Passando a apreciar a provisão maravilhosa feita por Deus, para remir a humanidade da escravidão ao pecado e à morte, renunciaram de bom grado a si mesmas e foram batizadas em símbolo de sua dedicação a Jeová, para fazer a Sua vontade. (Mat. 16:24; 28:19, 20) Não foram apenas poucos que deram este passo importante. Durante o ano passado, batizaram-se pessoas em 181 terras. Ao todo, 297.872 pessoas apresentaram-se ao batismo pelas testemunhas de Jeová, durante o período de apenas um ano. Todas estas são pessoas que estudaram a Bíblia, sabem o que ela ensina e não se refreiam de fazer uma declaração pública de sua fé. (Rom. 10:9, 10) Empenharam-se sinceramente, a fim de se habilitar para o batismo, porque prezam muito a boa relação com Deus. Tem também tal apreço, leitor? Grandiosas bênçãos, tanto agora como no futuro, aguardam os que o têm.
-
-
Apreço das coisas de DeusA Sentinela — 1975 | 1.° de abril
-
-
Apreço das coisas de Deus
1, 2. No templo de Jerusalém, que belo exemplo de apreço trouxe Jesus à atenção de seus discípulos?
CERTO dia, quando Jesus estava no templo em Jerusalém, ele indicou aos seus discípulos um bom exemplo de apreço das coisas de Deus. Jesus acabava de advertir seus discípulos, aos ouvidos do povo, a respeito dos ‘doutores da lei que gostavam de andar em vestes compridas e de receber cumprimentos respeitosos na rua, dos primeiros assentos nas sinagogas e dos lugares de honra nos banquetes’. A estes faltava respeito genuíno pela casa de adoração de Deus. Em vez disso, procuravam explorá-la para seu próprio proveito, atraindo atenção a si mesmos. Jesus observava ali no templo os ricos lançarem suas contribuições nos cofres do tesouro. Viu também certa viúva necessitada lançar duas moedas pequenas de muito pouco valor neles, e chamou a atenção de seus discípulos para o que estava acontecendo, dizendo: “Eu vos digo verazmente: Esta viúva, embora pobre, lançou neles mais do que todos eles. Porque todos estes lançaram neles dádivas do que lhes sobrava, mas esta mulher, de sua carência, lançou neles todo o seu meio de vida.” — Luc. 20:45-47; 21:1-4.
2 É muito interessante que Jesus disse que esta mulher que lançou ali duas pequenas moedas de muito pouco valor “lançou neles mais do que todos eles”! Jesus sabia que esta mulher apreciava o templo. Ela sabia que o templo exigia manutenção e fez a sua contribuição para esta. ‘Esta, da sua indigência, deu tudo o que lhe restava para o seu sustento.’ (Centro Bíblico Católico) O que havia a respeito deste templo que induzia esta viúva indigente a demonstrar tal apreço?
3. O que havia a respeito do templo que a viúva apreciava?
3 Era a este lugar que os judeus de todo o território de Israel vinham pelo menos três vezes por ano para festividades especiais, relacionadas com a verdadeira adoração. Era ali que esta viúva podia trazer seus sacrifícios e pedir que os sacerdotes os oferecessem a Jeová, pelo perdão de seus pecados e em expressão de sua gratidão. Era ali que ela podia ouvir a leitura e a explicação da Palavra de Deus. Era ali que podia receber respostas às suas perguntas sobre Jeová e sobre como a Lei dele afetava a sua vida. Podia ali usufruir a associação com anciãos da congregação de Deus e com seus amigos e suas amigas que também vinham ali para adoração. Ela apreciava profundamente o templo. Tendo fé em que Deus proveria as suas necessidades, colocava os interesses da adoração de Jeová mesmo à frente da preocupação com as necessidades físicas da vida. — Veja Mateus 6:31-33.
4. Qual é o grande templo espiritual de Deus e que sentimentos devemos ter a respeito dele?
4 Este templo em Jerusalém, que antigamente era o centro da adoração de Jeová aqui na terra, não existe mais. Visto que mal usado, tratado como algo profano pelo povo que afirmava servir a Deus, Este permitiu que fosse destruído pelos romanos. Mas aquele templo terreno representava o grande templo espiritual de Deus, dum modo compreensível à mente humana. Tal templo é o edifício espiritual de Deus, mediante o qual os homens aqui na terra podem chegar-se a ele, o Deus santo e invisível que reside nos céus, em adoração à base do valor expiatório de pecados do sacrifício de Jesus Cristo. É nos pátios terrestres deste templo que podemos oferecer sacrifícios de louvor a Jeová. (Heb. 13:15) E é por meio deste templo espiritual que recebemos instrução nos modos de Deus. Apreciamos plenamente este templo? Pensamos assim como o salmista Davi, que disse a respeito da casa de Jeová: “Uma coisa pedi a Jeová — é o que procurarei: morar na casa de Jeová todos os dias da minha vida, para contemplar a afabilidade de Jeová e olhar com apreciação para o seu templo”? — Sal. 27:4.
5. Como reflete nossa freqüência às reuniões congregacionais nossa atitude para com o templo espiritual de Jeová?
5 Em caso afirmativo, reunir-nos-emos regularmente com os que adoram a Jeová ao se ajuntarem nas reuniões congregacionais. O Salão do Reino no qual se reúnem não é o templo de Jeová. Mas é ali que podem ouvir a leitura e a consideração da Palavra de Deus, assim como se fazia na antiguidade no templo de Jerusalém. É ali que aprendem a aplicar o conselho da Palavra de Deus na sua própria vida. É ali que usufruem a associação com homens espiritualmente mais velhos e com outros adoradores de Jeová. Pela sua presença nestas reuniões, por prestarem muita atenção e aplicarem as coisas que aprendem da Palavra de Deus, demonstram de modo significativo que deveras apreciam o grande templo espiritual de Jeová. Aprecia você, leitor, tais coisas de Deus? Cada um tem de decidir o caminho que quer seguir — tomar o rumo certo junto com o povo de Deus ou o caminho injusto em associação com o mundo. O que aprecia você, leitor? O que estima como sendo de grande valor? — 1 João 2:15, 17.
“UMA PÉROLA DE GRANDE VALOR”
6. De que modo ilustrou Jesus a profundeza de apreço que o verdadeiro cristão deve ter pelo reino de Deus?
6 Ajudando seus discípulos a cultivar apreço pelas coisas de maior valor, as coisas de Deus, Jesus usava freqüentemente ilustrações. Em certa ocasião, na Galiléia, disse-lhes: “O reino dos céus é semelhante a um comerciante viajante que buscava pérolas excelentes. Ao achar uma pérola de grande valor, foi e vendeu prontamente todas as coisas que tinha e a comprou.” (Mat. 13:45, 46) Era um comerciante que conhecia o valor das pérolas. Quando achou determinada “pérola de grande valor”, avaliou-a acima de todas as suas posses. Vendeu prontamente tudo o que tinha, tudo o que possuía de valor, para comprar aquela única superlativa “pérola de grande valor”. Os que querem entrar no reino de Deus precisam apreciá-lo tanto assim; têm de prezá-lo tão altamente. — Veja Lucas 13:24.
7. Como demonstrou Jesus seu próprio apreço pelo Reino?
7 O próprio Jesus certamente deu o exemplo nisso. Viajando a pé de uma extremidade da terra de Israel a outra, pregava: “O reino dos céus se tem aproximado.” (Mat. 4:17) Treinava e enviava outros a participar nesta obra de proclamação. (Mat. 10:7) Ele não só disse aos seus apóstolos que compartilhariam com ele no reino celestial, mas depôs a sua vida em sacrifício, para que isto lhes fosse possível. (Luc. 22:19, 20, 28-30) As Escrituras mostram que os que seriam co-herdeiros de Cristo no seu reino e que governariam com ele por mil anos seriam 144.000 em número, e que na terra haveria uma inúmera “grande multidão”, que mostraria ser súditos leais deste reino. — Rev. 7:4-10; 14:3-5; 20:6.
8, 9. (a) Quanto deve significar o reino de Deus para os que querem ser co-herdeiros de Cristo? (b) O que disse Paulo, mostrando o que pensava dele? (c) Requer-se tal devoção dos que esperam ter vida terrestre, como súditos do Reino?
8 Quanto deve significar para eles o reino de Deus? Os que querem obter o reino celestial junto com Cristo finalmente terão de estar dispostos a abandonar todos os seus bens terrestres; terão de ir ao ponto de depor sua vida, a fim de alcançar o reino celestial. Mas não só precisam estar dispostos a morrer por ele; precisam também viver para este reino. (Luc. 12:31) Imitando a Cristo, precisam ser pregadores das boas novas deste reino. O apóstolo Paulo expressou quanto significava para ele estar em união com Cristo no reino celestial, dizendo: “Considero tudo isso prejuízo diante da sublime vantagem de conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele renunciei a tudo, e considero tudo um lixo para ganhar a Cristo, e ser achado nele, não em vista da minha justiça que vem da lei, mas em vista da justiça que vem da fé em Cristo, da que vem de Deus, baseada na fé; para conhecê-lo, a ele e a força eficaz de sua ressurreição; para participar de seus sofrimentos e identificar-me com sua morte, a fim de chegar, como espero, à ressurreição dos mortos. Não que eu já tenha atingido o fim nem que seja perfeito: corro, porém, para agarrá-lo, como Cristo Jesus me agarrou a mim. Não, meus irmãos, e não me gabo de ter alcançado a meta. Só faço uma coisa: esquecendo o que fica para trás, corro com todo o meu ser para a frente, e, com a meta ante os olhos, esforço-me por receber o prêmio a que Deus nos chamou no alto, em Cristo Jesus.” (Fil. 3:8-14, Taizé) Sim, Paulo apreciava realmente o valor das coisas de Deus. Faz o mesmo?
9 Assim como os que obtêm um lugar no reino celestial têm de provar que este lhes é mais precioso do que tudo o mais que possuem, assim também os que querem ser favorecidos com a vida eterna, quais súditos terrestres deste reino, têm de demonstrar igual apreço profundo por esta grandiosa perspectiva. O que realmente pensam neste respeito será submetido a uma prova. Por quê?
FIRMES EM FACE DE OPOSIÇÃO
10. (a) Se realmente promovermos o reino de Deus, o que sofreremos às mãos do mundo? (b) Como reagiram os apóstolos a tal perseguição, e por quê?
10 Todo aquele que realmente exerce fé no reino de Deus e publicamente o prega encontrará oposição da parte do mundo. Quando Jesus falou aos seus discípulos sobre a terminação deste sistema de coisas, ele os preparou para tal oposição, dizendo: “As pessoas deitarão mãos em vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, sendo vós arrastados perante reis e governadores por causa do meu nome. Isto vos resultará num testemunho.” (Luc. 21:12, 13) O apóstolo Pedro foi um dos que ouviram Jesus dizer isso, e ele mesmo sofreu perseguição. Ele e os outros apóstolos foram levados perante o Sinédrio judaico. O sumo sacerdote interrogou-os e disse: “Nós vos ordenamos positivamente que não ensinásseis à base deste nome, e, ainda assim, eis que enchestes Jerusalém com o vosso ensino, e estais resolvidos a trazer sobre nós o sangue deste homem.” Sem hesitação, mas em pleno apreço do privilégio de representarem a Jeová Deus e seu Filho Jesus Cristo, “Pedro e os outros apóstolos disseram: ‘Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.’” — Atos 5:27-29.
11, 12. (a) Como nos exorta o apóstolo Pedro a encarar as “provações” que nos sobrevêm por servirmos a Deus, e o resultado delas? (b) Ao nos aproximarmos da “grande tribulação” como nos podem ajudar os exemplos de Abraão e Moisés a manter a perspectiva correta?
11 Para consolar e animar os que aumentavam em apreço do serviço de Deus, Pedro falou sobre o resultado das provas ardentes que sofreriam. Ele escreveu: ‘Isto é motivo de grande alegria, embora agora sofrais por um pouco, se necessário, sob provações de muitas espécies. Até mesmo o ouro passa pelo fogo do contrasteador, e mais preciosa do que o ouro perecível é a fé que suportou a prova. Estas provações vêm para que a vossa fé se mostre digna de todo o louvor, glória e honra quando Jesus Cristo for revelado.” — 1 Ped. 1:6, 7, Nova Bíblia Inglesa.
12 Quando alguém realmente estima as coisas de Deus, não se refreia de falar a verdade só porque lhe possam resultar “provações” por causa disso. Sabe que, assim como Jesus foi perseguido, também serão seus seguidores. Reconhece que as “provações” não prosseguirão para sempre. Elas têm começo e também chegam ao fim. Assim como o ouro que é sujeito ao fogo do contrasteador não é deixado ali para sempre, mas é tirado dele, assim também os cristãos saem do fogo da perseguição. Mas a sua fé, provada assim, é muitíssimo mas preciosa do que o ouro perecível. Quando Abraão soube da deportação de seu sobrinho Ló pelas mãos de reis pagãos, não se refreou de demonstrar sua confiança em Jeová. Agiu com plena fé e foi abençoado por isso. (Gên. 14:13-20) Também Moisés, embora criado numa posição de favor na corte egípcia, demonstrou que depositava sua fé em Jeová, o Deus de Abraão. “Pela fé Moisés, quando cresceu, negou-se a ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter o usufruto temporário do pecado.” Estimava como riqueza maior o vitupério associado com ser servo designado de Deus do que os tesouros do Egito. (Heb. 11:24-26) Então, o que dizer de sua fé? Crê na Palavra de Deus? Estima-a muito? Significa-lhe tanto que, não importa quais as “provações” que lhe possam sobrevir por aderir a ela, continuará a ter fé em Deus? Todos os que “saem da grande tribulação” como sobreviventes dela, com a grandiosa perspectiva da vida eterna na nova ordem de Deus à sua frente, têm de demonstrar tal apreço. — Rev. 7:14-17.
13. Em que atividade empenham-se as testemunhas de Jeová, por terem fé?
13 Foi uma fé assim que as testemunhas de Jeová demonstraram mundialmente no ano passado. Elas apreciam a verdade. Estudam-na diligentemente. Mas não a guardam para si mesmas. Divulgam-na zelosamente a outros, e fazem isso apesar de qualquer perseguição que possam encontrar. Amam a vida e gostariam de ver todos os outros obter a vida eterna. Estará interessado em saber o que fizeram para demonstrar seu
-