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  • A ameaça da bomba
    Despertai! — 1984 | 22 de setembro
    • A ameaça da bomba

      “Sobre os destroços do vale Urakami erguia-se monstruosa coluna de nuvem, que se ampliava, e que ascendia do meio da explosão, a uma velocidade incrível. Como um gênio liberado depois de incontáveis eras de cativeiro, a coluna se enroscava e contorcia em direção à estratosfera. . . . Essa aparição mortífera fervilhava no sentido dos aviões que voavam em círculo. Mudava os aspectos, variava de cor, indo do púrpura ao salmão, do dourado ao branco suave.” — “The Fall of Japan” (A Queda do Japão), de William Craig.

      ASSIM se descreve o cenário de Nagasáqui na manhã de 9 de agosto de 1945, poucos minutos depois de ser ali lançada uma bomba atômica. A explosão foi terrivelmente linda. Mas não havia nada de lindo na base da bola de fogo. “Centenas de pessoas ficaram estiradas nas ruas, nos campos, nos destroços, e gritavam pedindo água. Criaturas que dificilmente se assemelhavam a seres humanos perambulavam tontas, com a pele pendurada em grandes retalhos, com troncos enegrecidos.” Naquela manhã morreram quarenta mil pessoas, assim como quase cem mil haviam morrido três dias antes em Hiroxima.

      As bombas que caíram sobre Hiroxima e Nagasáqui, embora primitivas segundo os padrões atuais, foram as únicas bombas nucleares já lançadas sobre homens, mulheres e crianças. Todavia, aquelas colunas mortíferas, ardentes, parecidas a cogumelos, tornaram-se um pesadelo constante na consciência coletiva da raça humana. Com horrível fulgor, mostraram, em pequena escala, o que poderia acontecer em escala mundial se a humanidade viesse alguma vez a travar uma guerra nuclear total.

      Pouco nos surpreende, então, que se ergam muitas vozes num protesto contínuo — porém até agora inútil — contra o crescimento incessante dos arsenais nucleares do mundo. Em data recente, contudo, tais manifestantes passaram a ter novos e inesperados aliados — indivíduos e organizações de destaque da cristandade.

      Para muitos destes grupos religiosos, trata-se duma surpreendente inversão de posições. Lá por volta de 1950, o jornal The New York Times veiculava: “O Vaticano, através de seu jornal oficial, L’Osservatore Romano, garantiu hoje ao Governo e ao povo dos Estados Unidos que compreendia plenamente os motivos pelos quais o presidente Truman decidira aprovar a fabricação duma superbomba de hidrogênio.” Em 1958, segundo uma notícia procedente da Dinamarca, uma comissão especial do protestante Conselho Mundial de Igrejas concluíra: “O cristão pode, em sã consciência, concordar com o emprego de armas atômicas numa guerra limitada.”

      Alguns líderes singulares eram ainda mais a favor da Bomba. Em 1958, o arcebispo de Cantuária, Inglaterra, chegou mesmo a afirmar: “Segundo tudo que eu saiba, é da providência de Deus que a raça humana se destrua desta forma [pelas bombas nucleares].” E, em 1961, o Daily Express da Inglaterra noticiava: “A Grã-Bretanha deve manter a bomba de hidrogênio, o arcebispo do País de Gales . . . disse ontem. Talvez conduza os homens a Cristo.”

      Quão notável, por conseguinte, é ouvir muitas organizações protestantes e católicas se expressarem agora contra as armas nucleares! Por que modificaram seus conceitos? O que afirmam agora? E fará isso realmente alguma diferença a longo prazo?

  • Por que os bispos se opõem a ela agora
    Despertai! — 1984 | 22 de setembro
    • Por que os bispos se opõem a ela agora

      “A RAÇA humana nunca esteve tão perto, como se acha agora, da autodestruição total.” Foi com tais palavras que a sexta assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, reunido em meados de 1983 em Vancouver, Canadá, soou o alarma contra A Bomba. Instando a favor do desarmamento nuclear, proclamaram: “A dissuasão nuclear é moralmente inaceitável porque depende da credibilidade da intenção de usar armas nucleares.”

      Meses antes, em maio de 1983, os bispos católico-romanos nos Estados Unidos divulgaram o texto final duma longa carta intitulada “O Desafio da Paz: A Promessa de Deus e a Nossa Resposta.” Nesta, instaram a favor duma redução nos estoques nucleares existentes, bem como da suspensão “dos testes, da produção e da instalação de novos sistemas de armas nucleares”. Insistiram: “Não deve haver nenhum mal-entendido de nosso profundo ceticismo quanto à aceitabilidade moral de qualquer emprego das armas nucleares.”

      Estas foram duas das mais destacadas declarações recentes dos líderes religiosos contra as armas nucleares. Alguns reagiram com deleite ao envolvimento dos bispos na causa anti-Bomba. Um ministro presbiteriano, citado em The New York Times, disse a respeito da carta dos bispos dos EUA: “Nela se ouve a voz da consciência moral, não só falando aos católicos, mas também falando a nós, como americanos e como seres humanos decentes . . . Deus abençoe os bispos católicos.”

      Outros são mais críticos. Disse o filósofo Sidney Hook: “A posição dos bispos é desinformada, irreal e moralmente irresponsável.” E a ativista conservadora, Phyllis Schlafly foi citada como tendo dito que a declaração dos bispos era perigosa, por conduzir os católicos pela trilha do “pacifismo . . . e do desarmamento e do amor pelos russos”.

      Todavia, considerando-se a longa história do envolvimento clerical nas guerras, e as declarações a favor da Bomba, feitas pelos líderes religiosos nos anos depois da Segunda Guerra Mundial, estas declarações recentes contrárias à Bomba assinalam surpreendente reviravolta. Por que ocorreu tal mudança?

      Quarenta Anos de Atraso

      A carta dos bispos dos EUA oferece uma espécie de explicação: “Atualmente, o potencial destrutivo das potências nucleares ameaça a pessoa humana, a civilização que construímos lentamente, e até mesmo a própria ordem criada.” Não obstante, isto também ocorria desde que aquelas bombas atômicas explodiram sobre Hiroxima e Nagasáqui, há quase 40 anos. Por que não houve nenhum clamor público lá naquele tempo?

      Afirma o Conselho Mundial de Igrejas: “Cremos que qualquer intento de empregar armas de destruição em massa é total violação desumana da mente e do espírito de Cristo que devia existir em nós.” Bem, não se aplicava isso também quando civis eram massacrados às centenas de milhares durante a última guerra mundial? Todavia, poucos líderes religiosos se expressaram abertamente então.

      O físico nuclear, Harold M. Agnew, expressou sem rodeios sua opinião: “Acho que são hipócritas, no sentido de que parecem aceitar a guerra convencional como OK, mas não a guerra nuclear. Pela primeira vez na História, graças ao poder das armas nucleares, os que fazem decisões de envolver-se numa guerra correm igual risco que os jovens tradicionalmente enviados para executar as decisões de seus seniores. Assim, as igrejas e as adegas, as riquezas materiais e outros bens dos demais que tomam as decisões, não mais estão imunes ao evento duma guerra nuclear. Estamos todos juntos nisso.”

      Talvez sejam elucidativos os comentários do colunista James Reston. Disse: “A igreja está sustentando o movimento pela paz, e o movimento está suprindo novo vigor e objetivo à igreja em sua luta para ter voz ativa no mundo secular.” (O grifo é nosso.) Poderia dar-se que os bispos tentam também recuperar a influência e o prestígio perdidos por se tornarem líderes do movimento antinuclear, cada vez mais popular?

      Temos de suscitar outra indagação:

      Que Diferença Isso Fará?

      “Como documento instrutivo, a carta dos bispos [dos EUA] visa exercer influência moral sobre a questão de guerra e paz.” Assim se expressou o teólogo Richard B. Miller na revista Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos). Todavia, quanta “influência moral” exercerão realmente os líderes religiosos?

      Escutarão os líderes da URSS os avisos dos bispos? Ou é provável que os Estados Unidos modifiquem, de uma hora para outra, sua diretriz? Ora, mesmo quando os bispos católicos preparavam sua carta, a administração dos EUA alegadamente tentou persuadi-los a harmonizá-la mais com as diretrizes governamentais!

      E que dizer dos que vivem às custas das armas nucleares? Bem, os bispos dos EUA deixaram em aberto para aqueles que trabalham em sua produção de continuarem fazendo isso, se quisessem E falharam em incentivar os militares a recusar-se a ser treinados quanto ao emprego do armamento nuclear. Assim, a maioria dos envolvidos na produção e no emprego das armas nucleares mui provavelmente acharão motivos para continuar agindo como antes.

      As Coisas Olvidadas

      A verdade é que os bispos apresentaram a resposta errada para a pergunta errada. A corrida de armas nucleares é apenas um sintoma. A doença real que aflige a raça humana é muito mais profunda. Mesmo que os bispos consigam, de alguma forma, persuadir os políticos a remover a ameaça nuclear, outros perigos surgirão em seu lugar, a menos que se cuide do problema básico.

      Uma declaração feita pelo apóstolo João mostra como o problema é muito mais complicado do que pensa a maioria das pessoas. Disse: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) Assim, há personalidades invisíveis envolvidas, incluindo Satanás, o Diabo, que é chamado na Bíblia de “o deus deste sistema de coisas”. — 2 Coríntios 4:4.

      Na verdade, há muitos hoje que não crêem em Satanás. Os bispos, certamente, crêem. E devem saber que, segundo a Bíblia, Satanás tem utilizado a rebeldia da humanidade para promover seus próprios fins, como um mestre enxadrista maneja as peças dum tabuleiro de xadrez. Tentarem os humanos trazer paz duradoura ao mundo por meios políticos é como os peões num jogo de xadrez tentarem fazer a paz uns com os outros enquanto despercebem a figura sombria do enxadrista que se debruça sobre eles. Satanás acha-se por trás de grande parte do que acontece na terra atualmente, e qualquer solução proposta que não o leve em conta está fadada ao fracasso. — Revelação 12:12.

      Que dizer do comentário: ‘O potencial destrutivo das potências nucleares ameaça a própria ordem criada’? Ao passo que os homens talvez disponham do poder de causar grande devastação à Terra, julgam os bispos que o farão? Esqueceram-se de que Deus profetizou mediante o apóstolo

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