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Página doisDespertai! — 1990 | 22 de maio
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Página dois
Armas Em Abundância
Quanto mais armas, tanto mais tiroteios, tanto mais massacres. Nos Estados Unidos, um atirador varre uma multidão de crianças em idade escolar com cem rajadas de balas dum rifle automático: 5 mortos, 29 feridos. Na Inglaterra, um homem enlouquecido mata 16 pessoas com um rifle automático AK-47. No Canadá, um homem que odeia mulheres entra na Universidade de Montreal e mata 14 delas. Em San Salvador há guardas que patrulham os corredores dos supermercados com fuzis, e exige-se dos que fazem compras que deixem suas armas na entrada.
Mais mulheres estão agora comprando armas. Dirigem-se em grande número aos estandes de tiro, de revólver e de espingarda, disparando cartuchos e mais cartuchos de munição em pôsteres-alvos de homens, de tamanho real, enfiando balas bem entre os olhos deles. Revólveres especialmente projetados para mulheres estão tendo boa venda.
E não deixe de fora as crianças. Um caso, dentre muitos: Um garoto de dez anos “carregou a espingarda de caça, de alta potência, que pertence a seu pai, e atirou para matar numa jovem que se jactara de ser melhor do que ele nos videojogos”.
Prossegue a corrida doméstica de armas. Onde terminará? Quando terminará?
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Armas — um modo de vidaDespertai! — 1990 | 22 de maio
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Armas — um modo de vida
A LONGA fileira de casas vermelhas dum conjunto habitacional, que pululam de vida, já voltou ao normal. O som inequívoco de rajadas de balas, que vem de rifles automáticos e semi-automáticos, não mais abala a quietude do ambiente. Os traçados das balas de cada rajada não mais lançam sombras tenebrosas na noite, não mais ajudam a clarear as ruas parcamente iluminadas. Há buracos nas antigas fachadas de tijolos das casas, onde as balas penetraram fundo na alvenaria, em tiroteios pelas ruas, passados e presentes.
A polícia e os médicos-legistas conhecem bem as ruas. Tem-se confiscado um arsenal com suficiente potência de fogo para armar pequena força policial — é o que ficou de assassínios, suicídios, ferimentos acidentais a bala e assaltos. Os carteiros e os lixeiros se recusam a servir à comunidade, com medo de serem apanhados no meio duma chuva de balas. As crianças são mantidas em casa, mas assim mesmo algumas são baleadas, quando balas provenientes de armas deliberada ou erroneamente apontadas penetram pelas janelas e paredes e ricocheteiam pelos aposentos.
Caso more numa cidade grande, as probabilidades são de que o leitor ou leitora já esteja a par do cenário aqui descrito, se não como testemunha ocular, pelo menos como quem assiste aos noticiários noturnos de TV. Em muitas cidades, os tiroteios são tão comuns que, não raro, não são noticiados pela imprensa local. Com freqüência, são eclipsados pelos muitos outros massacres que constituem as notícias do dia em outras cidades, ou em outras partes do mundo.
Uma cena de massacre na Califórnia, EUA, por exemplo, foi notícia em muitas partes do mundo, quando um atirador espalhou cem rajadas de balas de um rifle automático numa multidão de crianças da escola primária, matando 5 alunos e ferindo 29 outros, antes de tirar sua própria vida com um revólver. A Europa e os Estados Unidos também leram a chocante notícia de um homem enlouquecido que matou 16 pessoas na Inglaterra com um rifle automático AK-47. No Canadá, um homem que odiava mulheres dirigiu-se à Universidade de Montreal e atirou nas mulheres, matando 14 delas. Contudo, a menos que o total de mortos seja estonteante, a maioria das chacinas com armas de fogo, quer acidentais quer premeditadas, raramente é noticiada fora da cidade em que ocorre.
A Mística da Arma de Fogo
As agências da lei e os líderes locais, estaduais, nacionais e internacionais se vêem perplexos com a onda avolumante de mortes atribuídas aos revólveres e às armas automáticas e semi-automáticas maiores já nas mãos de criminosos e de pessoas mentalmente perturbadas. A Associação Internacional de Chefes de Polícia calcula que de 650.000 a 2.000.000 de armas semi-automáticas e automáticas “podem estar nas mãos de criminosos, por toda a nação [EUA] — um exército de maus elementos, tendo quase sempre a seu favor as probabilidades, no caso dum tiroteio”. noticiou a revista U.S.News & World Report.
Calcula-se que, apenas nos Estados Unidos, de cada duas famílias, quase uma possui uma arma. Embora não se possa determinar o número absoluto de armas possuídas pelos americanos, estimativas recentes mostram que 70 milhões de americanos possuem aproximadamente 140 milhões de rifles e 60 milhões de revólveres. “O arsenal particular desta nação é suficientemente grande para fornecer uma arma para quase cada homem, mulher e criança no país”, escreveu U.S.News & World Report. Acha isso chocante?
Também na Europa, os cidadãos tornaram-se como um acampamento armado. A Inglaterra está tentando enfrentar seu problema com as armas, enquanto que cada vez mais os elementos repulsivos se armam até os dentes. Na Alemanha Ocidental, calcula-se que o estoque ilegal de armas de fogo seja de mais de 80 por cento de todas as armas em circulação. Várias delas, segundo os informes, foram roubadas de “arsenais da polícia alemã, da polícia de fronteiras, do exército alemão e dos armazéns da NATO”. A Suíça, segundo se informa, apresenta o maior nível de armas de fogo de propriedade privada do mundo. “Qualquer suíço cumpridor da lei pode possuir armas, e todo varão na idade do serviço militar tem de ter em casa um rifle automático mais potente do que o usado no massacre de Stockton [Califórnia, EUA]”, noticiou The New York Times, de 4 de fevereiro de 1989.
Poucos dias antes disso, The New York Times noticiou que, em San Salvador, “os revólveres são tão comuns nos quadris dos homens como as carteiras de dinheiro. Os supermercados, cujos guardas patrulham os corredores com fuzis, exigem que os compradores deixem suas armas em compartimentos chaveados junto às portas da frente”. Segundo a revista Asiaweek, de fevereiro de 1989, o governo filipino “admite que o país está inundado até o pescoço de pelo menos 189.000 armas de fogo sem o devido porte. Isso significa que, além das 439.000 que possuem licença, o total de armas nas mãos de indivíduos é muito superior ao das forças armadas, que possui cerca de 165.000 soldados. E remessas ilegais de armas são confiscadas semanalmente no aeroporto internacional, e no porto de Manila”.
O pacífico Canadá, onde o Código Criminal restringe severamente a posse e o uso de armas de fogo, está presenciando um aumento crescente das contravenções relacionadas com armas de fogo. No fim de 1986, havia cerca de 860.000 armas de fogo registradas legalmente no Canadá, mas de posse restrita. Isso não incluía as coleções particulares de armas automáticas obtidas antes de 1978. Disse um veterano oficial de polícia do Canadá: “O que eu gostaria de saber é por que o povo do Canadá sente necessidade de possuir um revólver, um rifle ou um fuzil.”
Quando o governo dos EUA recentemente proibiu, em caráter provisório, a importação de armas semi-automáticas, os resultados foram inesperados. Compradores frenéticos esperavam longas horas em fila para comprar as ainda disponíveis em lojas de armas em todo o país. “É como a corrida em busca de terras em Oklahoma”, disse um comprador que ficou na fila para comprar uma das últimas armas em estoque. Estas podiam ser compradas por cerca de US$ 100, antes da proibição. Nesse dia, estavam sendo vendidas por até US$ 1.000 cada uma. “Diariamente, umas 30 armas destas estão chegando e saindo”, disse o feliz dono duma loja. “Estão comprando todas elas, tudo e qualquer coisa em que consigam pôr as mãos”, disse ele. “O que fizeram foi pôr uma na casa de todo o mundo”, disse outro proprietário duma loja de armas.
Uma lei no estado da Flórida, Estados Unidos, permite que os donos das armas andem em público com um revólver enfiado na cintura ou escondido no corpo. Alguns temem que isto resulte em tiroteios nas esquinas das ruas, fazendo lembrar a era do selvagem Oeste. Um deputado do estado da Flórida disse: “A mensagem que estamos mandando é: ‘Não mais podemos protegê-lo, assim, compre uma arma e faça o melhor que puder.’” E, a julgar pela venda de armas, milhares de pessoas estão fazendo exatamente isso.
Qual a razão desta súbita mania de armas — algumas tão potentes que suas balas conseguem atravessar paredes de concreto e dar 900 tiros por minuto, tendo sido projetadas unicamente para o combate em campo de batalha? Algumas autoridades dizem que as armas têm uma “mística sexy,” que as torna especialmente atraentes para os homens. “Existe um machismo em portar a maior, a mais horripilante e a mais potente arma disponível”, disse uma autoridade governamental. “Para os homens, em especial, as armas evocam um retorno quase místico à sua juventude”, escreveu um repórter. Algumas instituições bancárias têm aproveitado esta mística das armas por oferecerem revólveres a seus clientes, em lugar do pagamento de juros para seus certificados de depósito. Há informes que indicam que tal promoção se tornou extremamente popular junto aos depositantes.
Em todo o mundo, a venda de armas está crescendo vertiginosamente. Onde tudo isso terminará? Quando todo membro varão da sociedade possuir pelo menos uma ou mais armas? Ou, são as armas apenas para os homens? Considere alguns fatos interessantes no próximo artigo.
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Armas — não são só para os homensDespertai! — 1990 | 22 de maio
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Armas — não são só para os homens
NO MUNDO da publicidade, a imagem masculina de um homem forte, com um rifle enfiado sob os braços, tem sido usada para vender muitas coisas. Elas variam muito — fumo, carros, roupas, armas de fogo e uma hoste de outras coisas, sendo limitadas apenas pela imaginação do publicitário.
Nos Estados Unidos, em especial, os homens são representados como inseparáveis de suas armas. Nas praças municipais, ergueram-se estátuas dos heróis conquistadores, com uma arma, quer nos braços, quer ao lado deles. Mesmo sem legenda, quadros representando o Oeste selvagem são prontamente identificados pela espingarda de seis tiros, de bandoleira baixa, presa nos quadris dum homem. Dezenas de filmes foram feitos, tendo no título original em inglês a palavra “gun” [que pode significar arma, rifle, fuzil, revólver, metralhadora, etc.]. Espetáculos de televisão e filmes que são grandes sucessos de bilheteria ressoam com sons de rajadas de balas — os mocinhos e os bandidos trocando tiros em toda e qualquer situação e local imagináveis. Homens insignificantes que se tornaram machões, graças a um revólver ou a um rifle nas mãos, com cenas realísticas de gente morta esparramada a seus pés.
Contudo, mais mulheres estão agora ficando envolvidas com armas. Nos últimos vinte anos, os televisores tem fervilhado de mulheres detetives e agentes secretas que atiram em maus elementos e saem vencedoras, com pontaria mais mortífera e superior potência de fogo.
Elas estão afluindo aos estandes de tiro, de revólver ou de rifle, disparando uma rodada após outra de munição em pôsteres-alvos de homens, em tamanho real, e enfiando buracos de balas entre os olhos deles.
Assim, não deve chocá-lo ficar sabendo que já existem no mercado, e vendem bem, revólveres especialmente projetados para mulheres. “Sendo mulher, você não usaria um desodorante masculino”, escreveu uma repórter, “assim, por que usar um revólver de homem? Você deseja um revólver leve, sem arestas para estragar suas unhas, um revólver elegante, mas que funcione. Talvez deseje um LadySmith calibre-38 . . . azul-acetinado, ou prata-fosca, com o tambor dum comprimento preferido”. Um especialista expressou sua opinião sobre o que as mulheres desejam em matéria de armas: “A mulher deseja que o revólver seja bonito. Ela quer que seja um objeto de aspecto agradável que ela possa colocar na bolsa. Não deseja que se choque com seu estojo de pó compacto e com seu espelho. . . . Uma porção de mulheres gostam de coisas que tenham harmonia e combinação de cores. Não querem que o revólver pareça algo mau ou perverso . . . Ela o está comprando para proteger-se, mas, ao mesmo tempo, ela não deseja que seja feio.”
Alguns dos revólveres especialmente projetados para a mulher elegante são de calibre-38, de cinco tiros, e são oferecidos com duas opções de comprimento do tambor — de duas e de três polegadas [5 e 8 centímetros] — para caber bem numa bolsa. Alguns têm cabo polido e torneado de jacarandá, e outros podem vir em cores pastel. “Eles são muito lindos”, disse uma mulher, “e, pelo que julgo, são de fácil manejo”. Daí, também, existem novas criações de bolsas com divisões especiais para o revólver da mulher. “A dona dum revólver que não tem uma bolsa especial está apenas criando problemas para si mesma”, disse uma senhora. “Acabará tendo migalhas de crackers e balas de hortelã no tambor, ou fragmentos de fumo, caso fume, ou outra coisa que se acumule no fundo da bolsa duma mulher.” Algumas prevêem o tempo em que a mulher que porta um revólver será tão comum como uma que leva um guarda-chuva.
Seu Número Está Aumentando
Recente pesquisa feita demonstra que, entre 1983 e 1986, o total de mulheres donas de revólveres, nos Estados Unidos, “subiu cerca de 53 por cento, para mais de 12 milhões”. A pesquisa também mostrava que, durante aqueles três anos, “cerca de outros 2 milhões de mulheres pensavam em comprar uma arma de fogo”. Em algumas revistas femininas, traz-se sutilmente à atenção a necessidade que uma mulher tem de proteção, por mostrarem uma mulher que volta para casa e encontra a portinhola de vidro quebrada na porta da frente. Mora ela sozinha? Possui uma arma para proteger-se, caso depare com um intruso? Um número para discagem gratuita, embaixo do anúncio, prova ser o do fabricante de armas, que agora oferece uma nova linha de revólveres elegantes para mulheres.
“Estes anúncios são como pôr sal numa ferida”, disse uma mulher. A razão é que, visto que grande número de mulheres vivem sozinhas ou são genitoras sem cônjuge, elas se sentem especialmente vulneráveis, não raro com bons motivos, ao crime violento. Na maioria das grandes cidades, o estupro está aumentando. Muitas bolsas de mulheres são roubadas — muitas a ponta de faca. Mulheres são assaltadas nas ruas, em estacionamentos, e em prédios de escritórios, em plena luz do dia. Apartamentos e casas, residências de mulheres que vivem sozinhas, estão sendo invadidas enquanto sua ocupante dorme. “É melhor aprendermos a cuidar de nós mesmas”, disse certa mulher, “porque, à medida que aumenta nossa mobilidade numa sociedade cada vez mais violenta, nós iremos ter de cuidar de nós mesmas”.
“Eu voltava a pé do trabalho para casa”, contou uma senhora entrevistada na televisão dos EUA. “Alguém simplesmente me agarrou pelas costas. O sujeito tinha uma faca e me derrubou e agarrou a minha bolsa. Naquele exato momento, decidi que tinha de fazer algo.” Depois de obter o porte de arma, e fazer exercícios num estande de tiro, qual era sua perspectiva? Perdi todo o senso de vulnerabilidade. Pensei comigo mesma: Tenho um revólver, estou atirando com isto e é formidável, não sinto medo. Com esta peça de metal em mãos, eu podia realmente proteger-me.”
É óbvio que é assim que pensam mais de 12 milhões de mulheres nos Estados Unidos, e quem sabe quantas outras possuem armas ilegais? Os totais em todo o mundo poderiam ser assombrosos. Será este modo de pensar, porém, o produto de muitas pesquisas sobre o que mostram os fatos? Antes de sair e comprar uma arma para autodefesa, considere o que mostram as autoridades e as estatísticas policiais.
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Armas — um modo de morteDespertai! — 1990 | 22 de maio
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Armas — um modo de morte
“ELES alimentam esta ilusão”, disse uma destacada autoridade policial, “de que irão apontar a arma para alguém e estarão com o controle das coisas, e, quando elas não saem desse jeito, hesitam, assim como muitos policiais hesitarão um milésimo de segundo, e pagam por isso com a vida”. Há também a seguinte observação feita por um famoso comissário de segurança pública dos EUA: “Muitas pessoas não conseguem encarar o fato de que possuir um revólver significa estar preparado para viver com as conseqüências de matar outro ser humano. Quando você realmente não atira, mas um criminoso atira em você, é mais perigoso possuir uma arma do que não ter nenhuma.”
Por fim, existe o seguinte: “Mesmo um pouco de imaginação bastaria para dizer-nos que todas estas armas de etiquetas famosas resultarão em mais problemas, e não em menos”, escreveu uma repórter’ que pertence à família dum policial e é atiradora exímia. “Será que as mulheres que estão comprando revólveres ‘lindos’ se confrontam com a estética de cérebros estourados? O resultado não é nada lindo. Já viu um homem com o rosto estourado a bala?” Ou, pergunta ela, “conseguiria você apontar para o coração?”
Quão rápido poderia sacar sua arma escondida, caso fosse atacada repentinamente por um assaltante? Considere a própria experiência dela: “Quando fui assaltada — por um viciado louco que tinha uma faca de açougueiro — a arma já estava encostada no meu pescoço antes que eu visse ou ouvisse o atacante. Caso eu tivesse tentado sacar um revólver, quem teria ganho por uma diferença mínima?” Daí, ela acrescenta: “Eu nem sonharia em ter uma arma para proteção pessoal. Não é uma questão moral; é uma questão do que é prático.”
Considere, agora, alguns fatos sobrepujantes. Nos “tiroteios relativamente raros entre moradores e assaltantes, que realmente acontecem, é bem possível que o assaltante mostre ser mais perito no manejo dum revólver, e seja o morador que termine no necrotério”, noticiou a revista Time, de 6 de fevereiro de 1989. Qualquer poder dissuasório que um revólver possa ter na prevenção dum crime é mais do que ofuscado por outros fatores devastadores. Considere, por exemplo, os suicídios. Apenas nos Estados Unidos, num certo período de 12 meses, mais de 18.000 pessoas se mataram com um tiro.
Não se pode determinar quantos destes suicídios foram atos impulsivos que talvez não se tivessem consumado se não houvesse um revólver disponível numa bolsa ou numa gaveta do guarda-roupa. Por certo, contudo, o fácil acesso impediu algumas das vítimas de disporem de tempo suficiente para refletir de forma racional e, talvez, para salvar sua vida. Acrescente-se o número de suicídios cometidos com o uso de revólveres, nos EUA, aos cometidos no resto do mundo, e o total sem dúvida seria muitíssimo chocante.
A revista Time, de 17 de julho de 1989, noticiou que, na primeira semana de maio de 1989, 464 pessoas morreram baleadas, apenas nos Estados Unidos. “Este ano, mais de 30.000 outros compartilharão a mesma sorte”, disse Time. A revista informou que “mais americanos morrem de ferimentos a bala, a cada dois anos, do que os que morreram de AIDS até esta data. Similarmente, as armas de fogo ceifam mais vidas de americanos em dois anos do que os que morreram em toda a guerra do Vietnã”.
Pais que possuem revólveres tem de assumir a responsabilidade por seus filhos, quando estes os usam para tirar sua própria vida ou a vida de outros. “O aumento de suicídios entre jovens, em 1988”, escreveu certo jornal, “pode ser relacionado, em parte, com o acesso mais fácil aos revólveres, à medida que mais donos de casas estocam armas para proteger suas residências, disse a polícia. . . . Caso tenha uma arma em casa, existe boa probabilidade de que uma criança a pegue algum dia”. “No ano passado [1988], mais de 3.000 crianças atiraram em outras crianças”, noticiou um programa de televisão nos EUA, em junho de 1989.
Pais, sabem onde estão suas armas? Um pai sabia, mas seu filho de dez anos também sabia. “Ele carregou a espingarda de caça, de alta potência, que pertence a seu pai”, noticiou o The New York Times, de 26 de agosto de 1989, “e atirou para matar numa jovem que se jactara de ser melhor do que ele nos videojogos”. Sabe o que contém a lancheira de seu filho ou de sua filha, além de sanduíches e biscoitos, quando manda a ele ou a ela para a escola? Acreditaria que bem que poderia ser o seu revólver? O que deviam pensar os pais de um garotinho de cinco anos, do jardim de infância, quando as autoridades escolares os informaram de que tinham apreendido uma pistola calibre-25 do filho deles, que estava numa lanchonete superlotada, enquanto centenas de alunos comiam seus sanduíches, tomavam seu leite e saboreavam seus biscoitos?
Mais tarde, no decorrer de 1989, um aluno de seis anos, que cursava o primeiro ano, foi pego se mostrando com uma pistola carregada. Nesse mesmo mês, um rapazinho de 12 anos foi preso por levar uma pistola carregada para a escola. Tudo isto aconteceu no mesmo distrito escolar. Na Flórida, EUA, uma aluna não teve a felicidade de escapar da tragédia causada por um revólver carregado, em mãos duma criança. Foi baleada nas costas quando uma mocinha de 11 anos apertou acidentalmente o gatilho dum revólver que ela levara para a escola, para mostrar às suas amiguinhas.
“Nossas crianças de seis anos vão para casa e quase todas sabem que há um revólver em casa”, disse o diretor duma escola. “Muitas já viram o resultado dum revólver”, disse o professor duma turma de terceira série. “Talvez o pai, o tio ou um irmão não esteja mais em casa em resultado dum revólver”, disse ele. Alguns sistemas escolares acharam até mesmo necessário instalar um detector de metais para encontrar revólveres trazidos pelos alunos bem jovens, para não se mencionar os estudantes mais velhos! Não têm os pais de assumir a responsabilidade pelas ações de seus filhos, especialmente os pais que acham apropriado ter revólveres em casa, onde seus filhos conseguem encontrá-los?
Os pais talvez se confortem com a idéia de que seus revólveres estão bem escondidos, num lugar em que os filhos e outros não os podem encontrar. Infelizmente, porém, filhos mortos provam que seus pais estavam errados. Também, considere o óbvio. “Bem, não se pode querer duas coisas ao mesmo tempo”, disse um chefe de polícia. “Se você realmente guardar sua arma, de modo que pessoas inocentes em sua casa, seus filhos ou visitantes, ou alguém mais, não possam ferir-se com ela, então [você] não conseguirá ter acesso àquela arma para o tipo de emergência para o qual [você] a comprou.”
A Polícia calcula que, se um revólver doméstico for alguma vez usado, “há seis vezes mais probabilidade de que seja usado para atirar num membro da família ou num amigo do que num intruso”, noticiou a revista Time. “Uma esposa ou mãe pensa ter ouvido um assaltante e acaba baleando o marido ou um filho que chegou a casa tarde da noite”, disse um comissário de segurança pública. ‘Como, então, devem as pessoas proteger suas casas?’, perguntou ele. “Talvez o melhor meio de proteger-se seja por colocar em risco sua propriedade, em vez de sua vida. A maioria dos ladrões e dos assaltantes de domicílio estão ali para roubar, e não para matar. A maior parte das mortes com armas de fogo nas casas é cometida com a arma do dono da casa. Seja como for, os moradores das áreas urbanas devem tentar aumentar sua proteção por formarem grupos de ‘vigilância’ contra o crime.” E, por fim, os proprietários de armas devem perguntar a si mesmos se estão dispostos a tirar a vida de outro humano a fim de proteger o que há numa bolsa ou numa carteira, ou alguns valores existentes na casa.
Se o leitor for sábio, não oferecerá resistência a alguém que ameace sua vida para roubar seus valores. Sua vida vale muito mais do que tais valores.
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Armas — um mundo sem elasDespertai! — 1990 | 22 de maio
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Armas — um mundo sem elas
DESDE o início da história humana, o homem tem recorrido à violência ao lidar com o próximo. O assassínio aflorou na primeira família quando Caim matou seu irmão Abel. A matança tem prosseguido desde então — no âmbito das famílias e das tribos, e entre nações. À medida que as armas se tornaram mais poderosas, as vítimas se tornaram mais numerosas. Pedras e paus cederam lugar a lanças e flechas, que foram substituídas por canhões e bombas. A destruição de centenas tornou-se a de milhares; atualmente os milhares tornaram-se milhões. E não só na guerra, mas também na paz. Não só por parte de soldados, mas também de cidadãos. Não só por parte de adultos, mas também de crianças. Será que o escalonamento da violência terminará algum dia? Se depender das pessoas, as perspectivas são sombrias. — 2 Timóteo 3:1-5, 13.
Cristo Jesus predisse que esta seria uma época em que as nações se levantariam contra outras nações em guerras horrendas, ceifando a vida de milhões. Pestilências e terremotos colheriam pesado tributo em muitos lugares. O homem poluiria a Terra a tal ponto que estaria ameaçada a sua capacidade de sustentar a própria vida — muitos cientistas expressam agora tal temor. Mas o amor ao dinheiro por parte do homem o faz prosseguir nessa onda de poluição, e ela só cessará quando o próprio Jeová Deus intervier para “arruinar os que arruínam a terra”. — Revelação 11:18.
Muitos zombam de tais avisos e, desta forma, cumprem outra parte do predito sinal dos últimos dias: “Sabeis primeiramente isto, que nos últimos dias virão ridicularizadores com os seus escárnios, procedendo segundo os seus próprios desejos e dizendo: ‘Onde está essa prometida presença dele? Ora, desde o dia em que os nossos antepassados adormeceram na morte, todas as coisas estão continuando exatamente como desde o princípio da criação.’” — 2 Pedro 3:3, 4.
Mas esta nuvem negra que paira sobre a humanidade apresenta um horizonte esperançoso. Jesus predisse que, em sua presença, haveria “na terra angústia de nações, não sabendo o que fazer por causa do rugido do mar e da sua agitação, os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. Mas ele também disse que seria o tempo de ‘erguer-se e levantar a cabeça, porque o seu livramento se estaria aproximando’. — Lucas 21:25-28.
As nações estão angustiadas, as massas são turbulentas, e os indivíduos temem as coisas que sobrevêm à Terra, mas é tempo de libertação dos que aguardam o vindouro Reino de Deus e o Reinado Milenar de Cristo Jesus. Esse será o tempo para o cumprimento da promessa de Jeová Deus de ‘novos céus e uma nova terra, em que há de morar a justiça’. — 2 Pedro 3:13.
E não haverá mais armas! Nenhuma será necessária para a guerra. “Ele faz cessar as guerras até a extremidade da terra. Destroça o arco e retalha a lança; as carroças [os carros de guerra, Pontifício Instituto Bíblico, nota v. 10] ele queima no fogo.” — Salmo 46:9.
Nenhuma delas será necessária para proteção pessoal. “Realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Jeová dos exércitos falou isso.” — Miquéias 4:4.
Apenas os retos, e nenhum dos iníquos, estarão ali. “Os retos são os que residirão na terra e os inculpes são os que remanescerão nela. Quanto aos iníquos, serão decepados da própria terra; e quanto aos traiçoeiros, serão arrancados dela.” (Provérbios 2:21, 22) Então, “os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz”. — Salmo 37:11.
Aos olhos de Deus, a violência arruína a Terra. Nos dias de Noé, “a terra veio a estar arruinada à vista do verdadeiro Deus, e a terra ficou cheia de violência”. (Gênesis 6:11-13) Por causa disso, Jeová pôs fim àquele mundo, mediante o Dilúvio global. Jesus assemelhou o fim do atual mundo violento, por ocasião de sua presença, ao fim daquele mundo antigo: “Porque assim como eles eram naqueles dias antes do dilúvio, comendo e bebendo, os homens casando-se e as mulheres sendo dadas em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos, assim será a presença do Filho do homem.” — Mateus 24:38, 39.
No novo mundo de Deus, todos os que viverem cumprirão Marcos 12:31: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” E Isaías 11:9: “Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar.” E naquele novo mundo de justiça também serão cumpridas as gloriosas condições descritas em Revelação 21:1, 4: “E eu vi um novo céu e uma nova terra; pois o céu anterior e a terra anterior tinham passado, e o mar já não é. E [Deus] enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” Por certo, não haverá então nenhuma sociedade humana repleta de armas!
Nenhuma dessas monumentais mudanças, para a bênção da humanidade, será produzida por revolucionários com suas armas chamejantes triturando a oposição. Antes, serão produzidas por Jeová Deus por meio de seu Reino, sob Cristo Jesus. Assim é que Isaías 9:6, 7 diz: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer firmemente e para o amparar por meio do juízo e por meio da justiça, desde agora e por tempo indefinido. O próprio zelo de Jeová dos exércitos fará isso.”
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