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O dilema nuclearDespertai! — 1988 | 22 de agosto
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os ingleses não as usaram nas Malvinas (Falklands), nem os soviéticos as usaram no Afeganistão. Diz Robert McNamara, ex-Secretário de Defesa dos EUA: “As armas nucleares não têm nenhum objetivo militar. São inteiramente inúteis — exceto apenas para dissuadir o seu oponente de empregá-las.
“Similarmente, as armas nucleares não são de muita utilidade como uma vara diplomática para ameaçar ou influenciar outras nações. As superpotências são mutuamente vulneráveis. E, quanto às potências não-nucleares, elas muitas vezes se atrevem a enfrentar as superpotências, sem grande receio de sofrerem uma retaliação nuclear.
Por fim, há a questão do custo. Segundo um estudo publicado no Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos), durante os anos 1945-85, apenas os Estados Unidos produziram cerca de 60.000 ogivas nucleares.a A que custo? De quase US$ 82.000.000.000 — muito dinheiro para algo que esperam jamais utilizar.
A Bomba Como Elemento Dissuasivo
O conceito de dissuasão é, provavelmente, tão antigo quanto a história dos conflitos. Na era nuclear, porém, a dissuasão assumiu novas dimensões. Assegura-se a qualquer nação que contemple realizar um ataque nuclear que ela sofrerá uma retaliação nuclear imediata e devastadora.
O General B. L. Davis, comandante do Comando Aéreo Estratégico dos EUA, afirma assim: “Pode-se apresentar um argumento convincente de que as armas nucleares. . . têm tornado o mundo um lugar mais seguro. Elas, de forma alguma, puseram fim à guerra; milhares de pessoas continuam a morrer, todo ano, em conflitos que não são de forma alguma insignificantes para as nações envolvidas. Mas o envolvimento das superpotências em tais conflitos é cuidadosamente calculado para evitar o confronto direto, devido ao potencial de escalonamento numa conflagração maior nuclear ou convencional.
“Em qualquer casa que haja pistolas carregadas, porém, sempre existe o risco de que alguém seja baleado por engano. O mesmo princípio se aplica a um mundo repleto de armas nucleares. A guerra nuclear poderia irromper, assim, nas seguintes circunstâncias:
(1) Um erro de computador ou uma falha mecânica que faça um país imaginar estar sendo alvo dum ataque nuclear. A resposta seria o contra-ataque nuclear.
(2) Uma potência extremista ou terrorista poderia adquirir armas nucleares, sentindo-se menos restringida a empregá-las do que as atuais potências nucleares.
(3) O escalonamento de uma pequena guerra, numa área em que estejam envolvidos os interesses das superpotências tal como o golfo Pérsico.
Apesar de tais perigos, as nações, até agora, mantêm uma política de segurança pela dissuasão. Todavia, num mundo repleto de armas nucleares, as pessoas não se sentem seguras. O equilíbrio de poder é, realmente, um equilíbrio do terror, um pacto suicida do qual os bilhões de habitantes da Terra são signatários involuntários. Se as armas nucleares são como a espada de Dâmocles, a dissuasão é o fio de cabelo que a mantém no lugar. Mas, e se falhar a dissuasão? A resposta é horrenda demais de se contemplar.
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Os homens buscam soluçõesDespertai! — 1988 | 22 de agosto
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Os homens buscam soluções
A DOUTRINA da MAD [sigla, em inglês, de Destruição Mútua Assegurada] é imoral. Há algo de macabro, ou coisa pior ainda, em basearmos nossa segurança na capacidade de assassinar mulheres e crianças russas. É ainda mais repreensível — se é que isto é possível — aumentar deliberadamente a exposição de nossa própria gente à destruição nuclear simplesmente a fim de satisfazer as demandas de uma teoria abstrata, histórica, não-comprovada e ilógica. “Tais palavras, proferidas pelo senador americano William Armstrong, refletem a inquietação que muitos americanos sentem sobre uma defesa baseada na capacidade de retaliação.
Como alternativa, em março de 1983 o Presidente Reagan, dos EUA, propôs a SDI (sigla, em inglês, de Iniciativa de Defesa Estratégica), mais popularmente conhecida
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