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ArqueologiaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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àquela cidade; semelhantemente, a referência a Públio como o “homem de destaque” (ou “primeiro”, BJ, MC; prótos) de Malta (Atos 28:7) é o título exato a ser usado, conforme indicado pelo seu aparecimento em duas inscrições maltesas, uma em latim e a outra em grego. Textos mágicos foram encontrados em Éfeso, bem como o templo de Ártemis (Atos 19:19, 27); escavações feitas ali também revelaram um teatro capaz de conter cerca de vinte e cinco mil pessoas, e inscrições que se referiam aos “promotores de festividade e jogos”, semelhantes àqueles que intervieram em favor de Paulo, e também de um “escrivão”, semelhante ao que aquietou a turba naquela ocasião. — Atos 19:29-31, 35, 41.
Algumas de tais descobertas moveram Charles Gore a escrever sobre a exatidão de Lucas, no New Commentary on Holy Scripture (Novo Comentário Sobre a Escritura Sagrada): “Deve-se, naturalmente, reconhecer que a arqueologia moderna quase que obrigou os críticos de São Lucas a lhe dar um veredicto de notável exatidão em todas as suas alusões a fatos e eventos seculares.”
VALOR COMPARATIVO DA ARQUEOLOGIA
A arqueologia tem apresentado informações proveitosas que ajudaram na identificação (não raro experimental) de sítios bíblicos, tem escavado documentos escritos que contribuíram para melhor entendimento das línguas originais em que as Escrituras foram escritas, e tem elucidado as condições de vida e as atividades dos povos e dos regentes antigos, mencionados na Bíblia. Todavia, no que tange à autenticidade e à confiabilidade da Bíblia, e à fé na Bíblia, nos seus ensinos e nas suas revelações dos propósitos e das promessas de Deus, deve-se dizer que a arqueologia é um suplemento não-essencial e uma confirmação não-exigida da verdade da Palavra de Deus. Como o expressou o apóstolo Paulo: “A fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas. Pela fé percebemos que os sistemas de coisas foram postos em ordem pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se observa veio a existir das coisas que não aparecem.” (Heb. 11:1, 3) “Estamos andando pela fé, não pela vista.” — 2 Cor. 5:7.
Isto não significa que a fé cristã não tenha qualquer base no que pode ser visto, ou que ela trate apenas de intangíveis. Mas é verdade que, em todo período e época, sempre houve ampla evidência contemporânea ao redor das pessoas, bem como nelas mesmas e em suas próprias experiências, que as podia convencer de que a Bíblia é a verdadeira fonte de revelação divina e que ela não contém nada que não se harmonize com os fatos demonstráveis. (Rom. 1:18-23) O conhecimento do passado, à luz das descobertas arqueológicas, é interessante e apreciado, mas não é vital. O conhecimento do passado, à luz da Bíblia, é, por si só, essencial e solidamente fidedigno. A Bíblia, com ou sem a arqueologia, provê verdadeiro significado para o presente, e ilumina o futuro. (Sal. 119:105; 2 Ped. 1:19-21) É, na realidade, uma fé fraca que precisa depender de tijolos que se desintegram, de vasos quebrados e de muros desmoronantes, para sustentá-la e servir-lhe de muleta.
Incerteza subjacente às descobertas arqueológicas
Ao passo que as descobertas arqueológicas, às vezes, forneceram resposta conveniente aos que fizeram reparos aos relatos bíblicos, ou que criticaram a historicidade de certos eventos, e têm ajudado a desanuviar a mente das pessoas sinceras que ficaram impressionadas demais com os argumentos de tais críticos, todavia, a arqueologia não silenciou os críticos da Bíblia, nem é um alicerce verdadeiramente sólido para se basear a crença no registro da Bíblia. As conclusões tiradas da maioria das escavações feitas dependem, mormente, do raciocínio dedutivo e indutivo dos investigadores, que, de uma forma um tanto parecida aos detetives, reúnem as provas dum caso a favor do qual argúem. Até mesmo em tempos modernos, embora os detetives possam desvendar e juntar impressionante gama de evidência circunstancial e material, qualquer caso alicerçado simplesmente em tal evidência, se não dispuser do depoimento de testemunhas dignas de crédito, diretamente relacionadas com o assunto em pauta, será considerado fraquíssimo, se levado a um tribunal. Decisões baseadas unicamente em tal evidência têm resultado em crassos erros e injustiça. Isso se dá ainda mais quando há um intervalo de dois ou três mil anos entre os investigadores e a ocasião da ocorrência.
Ilustrando a ampla diferença de opinião ou de interpretação que as autoridades possam dar à evidência escavada, há as ruínas de certos prédios grandes, com colunas, que têm um pátio pavimentado, encontradas tanto em Megido como em Hazor. A maioria das obras de referência identificam-nas com os remanescentes de baias, provavelmente dos cavalos para os carros de Salomão. Todavia, D. J. Wiseman, professor de assiriologia da Universidade de Londres, num artigo em O Novo Dicionário da Bíblia (J. D. Douglas, Editor Organizador; p. 137), sugere que estes “bem podem ter sido chancelarias públicas e outros escritórios, e não estabelecimentos militares”.
Complicando ainda mais o assunto, há o fato de que, em adição à sua óbvia inabilidade de colocar em foco o passado remoto, senão com exatidão aproximada, e apesar de seus esforços de manter um ponto de vista puramente objetivo, ao considerar a evidência que escavam, os arqueólogos, como os demais cientistas, acham- se sujeitos, todavia, às falhas humanas, e às inclinações e ambições pessoais, que podem estimular raciocínios falíveis. Indicando o problema, o professor W. F. Albright comenta: “Por outro lado, há perigo em se procurar novas descobertas e novos pontos de vista às custas de trabalho mais sólido, feito anteriormente. Isto se dá, em especial, em campos como a arqueologia e a geografia bíblicas, onde o domínio dos instrumentos e dos métodos de investigação é tão árduo que existe sempre uma tentação de se negligenciar o método sólido, substituindo o trabalho lento e mais sistemático por combinações espertas e palpites brilhantes.” — The Westminster Historical Atlas to the Bible (Atlas Histórico da Bíblia, de Westminster), Edição Revista, p. 9.
Diferenças de datação
É mister compreender isto ao se considerar as datas propostas pelo arqueólogos com respeito às suas descobertas. H. H. Rowley, autoridade neste campo, declara: “Não se deve atribuir um valor indevido aos cálculos de datas, feitos pelos arqueólogos, visto que dependem em parte, de qualquer modo, de fatores subjetivos, como o provam suficientemente as grandes diferenças entre eles.” [Archaeology and the Old Testament (Arqueologia e o Velho Testamento), de Unger, p. 152] Ilustrando isto, afirma Merrill F. Unger (p. 164, nota marginal 15): “Por exemplo, Garstang data a queda de Jericó em c. 1400 A.C. . . .; Albright apóia a data de c. 1290 A.C. . . .; Hugues Vincent, famoso arqueólogo palestino, sustenta a data de 1250 A.C. . . .; ao passo que H. H. Rowley reputa Ramsés II como sendo o Faraó da Opressão, e o Êxodo como tendo ocorrido sob seu sucessor, Mernepta [Menepta] por volta de 1225 A.C.” Ao passo que argumentava a favor da fidedig- nidade do processo e da análise arqueológicos modernos, o professor Albright reconhece que “ainda é dificílimo para o não-especialista achar seu caminho por entre as datas e conclusões conflitantes dos arqueólogos”. — The Archaeology of Pdlestine (A Arqueologia da Palestina), p. 253.
É verdade que o “relógio de radiocarbono” tem sido empregado, junto com outros métodos modernos, para se datar os artefatos encontrados. Sem embargo, a seguinte declaração, feita por G. Ernest Wright, em The Biblical Archaeologist (O Arqueólogo Bíblico; Vol. XVIII, 1955, p. 46), evidencia que tal método não é inteiramente exato: “Pode-se notar que o novo método do carbono 14, de datar remanescentes antigos, não resultou ser isento de erros, como se esperava. . . . Certas medições produziram resultados obviamente errados, provavelmente por vários motivos. No momento, só se pode confiar nos resultados, sem dúvida, depois de se terem feito várias medições que forneceram resultados virtualmente idênticos, e quando a data parece ser correta à base de outros métodos de computação [o grifo é nosso].” A multiplicidade contínua de opiniões, entre os arqueólogos, quanto às conclusões obtidas, mostra que tal método não equacionou o problema da datação.
Valor relativo das inscrições
Estão sendo descobertas e interpretadas milhares e milhares de inscrições antigas. Declara Albright: “Os documentos escritos constituem, sem comparação, o mais importante conjunto, de per si, de materiais descobertos pelos arqueólogos. Por isso, é extremamente importante obter-se uma idéia clara de seu caráter e de nossa capacidade de interpretá-los.” (The Westminster Historical Atlas to the Bible, Edição Revista, p. 11) Podem ter sido escritos em vasos quebrados, em tábuas de argila, em papiro, ou ter sido esculpidos em granito. Seja qual for o material, as informações que transmitem ainda devem ser pesadas e testadas quanto à sua fidedignidade e seu valor. Erros ou patentes falsidades podem ser e foram, com frequência, assentados por escrito em pedra, bem como no papel.
À guisa de ilustração, o registro bíblico declara que o Rei Senaqueribe, da Assíria, foi morto por seus dois filhos, Adrameleque e Sarezer, sendo sucedido no trono por outro filho, Esar-Hadom. ( 2 Reis 19:36, 37) Todavia, a Crônica Babilônica, encontrada por arqueólogos, declarava que, no vigésimo dia de tebete, Senaqueribe foi morto por seu filho numa revolta. Tanto Beroso, sacerdote babilônio do terceiro século A.E.C., como Nabonido, rei babilônio do sexto século A.E.C., em seus escritos, forneceram o mesmo relato, no sentido de que Senaqueribe foi assassinado por apenas um de seus filhos. No entanto, num fragmento mais recentemente descoberto do prisma de Esar-Hadom, o filho que sucedeu Senaqueribe, ele declara de forma meridiana que seus irmãos (plural) se revoltaram e mataram seu pai e então fugiram. Comentando isto, Philip Biberfeld, em Universal Jewish History (História Universal Judaica; 1948, p. 27), afirma: “A Crônica Babilônica, Nabonido e Beroso estavam equivocados: apenas o relato da Bíblia resultou correto. Foi confirmado em todos os mínimos pormenores pela inscrição de Esar-Hadom e resultou ser mais exato no tocante a este evento da história babilônico-assíria do que as próprias fontes babilônicas. Trata-se dum fato de suma importância para a avaliação até mesmo de fontes contemporâneas que não concordem com a tradição bíblica.”
Problemas de decifração e tradução
Há também necessidade de devida cautela por parte do cristão quanto a aceitar, sem duvidar, a interpretação dada a muitas inscrições encontradas em diversas línguas antigas. Em alguns casos, como o da Pedra de Roseta e da inscrição de Behistun, aos decifradores de línguas se propiciou considerável visão de uma língua, antes desconhecida, através de apresentações paralelas de tal língua junto com outra língua conhecida. Todavia, não se devia esperar que tais coisas ajudassem a equacionar todos os problemas ou permitissem pleno entendimento da língua, com todos os matizes de significados e expressões idiomáticas. Até mesmo a compreensão das línguas bíblicas básicas, o hebraico, o aramaico e o grego, progrediu consideravelmente nos tempos recentes, e tais línguas ainda se acham em estudo. Quanto à inspirada Palavra de Deus, podemos corretamente esperar que o Autor da Bíblia nos habilitasse a obter o entendimento correto de sua mensagem mediante as traduções disponíveis em línguas modernas.
Ilustrando a necessidade de cautela, e também manifestando de novo que um enfoque objetivo dos problemas existentes em decifrar inscrições antigas não é, amiúde, tão destacado como se poderia pensar, o livro O Segredo dos Hititas, de C. W. Ceram (tradução de M. Amado), contém a seguinte informação a respeito de destacado assiriologista que trabalhou na decifração da língua “hitita” (pp. 106-109): “Sua obra é absolutamente fenomenal: uma brilhante miscelânea de equívocos extravagantes e notáveis percepções. . . . Alguns de seus erros eram sustentados por argumentos tão convincentes que décadas de estudos foram necessárias para suplantá-los. Seus engenhosos raciocínios baseavam-se em tal riqueza de erudição filológica que não se tornava coisa fácil separar o joio do trigo.” O escritor então descreve a forte pertinácia deste perito quanto a qualquer modificação de suas descobertas; após muitos anos, ele, por fim, concordou em fazer algumas alterações — apenas para mudar as próprias leituras que, mais tarde, provaram ser as corretas! Ao relatar a disputa violenta, cheia de recriminações pessoais, que surgiu entre este perito e outro decifrador do cuneiforme “hitita”, o autor declara: “Contudo, o próprio fanatismo que produz tais disputas é uma necessária força motivadora para que os sábios façam descobertas.” (p. 112) Por isso, embora o tempo e o estudo tenham eliminado muitos erros no entendimento das inscrições antigas, faremos bem em compreender que ulterior investigação provavelmente resultará em correções adicionais.
A preeminência da Bíblia como a fonte de conhecimento fidedigno, de informações verídicas e de orientação segura, é destacada por tais fatos. Como conjunto de documentos escritos, fornece-nos o quadro mais claro do passado do homem, e chegou até nós, não pela escavação, mas por meio de sua preservação por parte de seu Autor, Jeová Deus. Ê “viva e exerce poder” (Heb. 4:12) e é a “palavra do Deus vivente e permanecente”. “Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória é como flor da erva; a erva se resseca e a flor cai, mas a declaração de Jeová permanece para sempre.” — 1 Ped. 1:23-25.
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Arrecada (Brinco)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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ARRECADA (BRINCO)
Uma argola ou outro enfeite usado na orelha para fins de adorno. Parece que os hebreus não dispunham de uma palavra específica para “arrecada” (ou brinco), pois uma das palavras que se aplicavam a este enfeite (nézem) pode ser usada quer para uma argola para o nariz, quer para uma arrecada. O contexto em que nézem aparece nas Escrituras, às vezes torna possível determinar se se trata duma arrecada ou duma argola para o nariz, embora nem sempre isso seja possível. Em muitos casos, provavelmente, as arrecadas e as argolas para o nariz, variavam muito pouco de formato. A palavra hebraica ‘aghíl também é usada para designar uma arrecada (brinco) e se relaciona a um enfeite circular.
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ArrependimentoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ARREPENDIMENTO
A palavra portuguesa “arrepender-se” tem o sentido de “mudar de atitude com respeito a uma ação ou conduta passada (ou tencionada), etc., por se sentir lástima ou dessatisfação”, ou “sentir lástima, contrição, ou compunção, pelo que a pessoa fez ou deixou de fazer”. Em muitos textos, esta é a idéia do hebraico nahhám. Nahhám pode significar “deplorar (sentir lástima), prantear, arrepender-se” (Êxo. 13:17; Gên. 38:12; Jó 42:6), embora, com igual freqüência, signifique ’consolar-se’ (Gên. 5:29; 37:35; 50:21), “aliviar-se ou livrar-se (como de inimigos da pessoa)”. (Isa. 1:24) Quer se sinta lástima quer conforto, pode-se depreender que está envolvida a mudança de idéia e/ou de sentimento.
Em grego, usam-se dois verbos em conexão com o arrependimento: metanoéo e metamélomai. O primeiro compõe-se de metá, “depois”, e de noéo (relacionado com nous, a mente, a disposição ou a consciência moral), significando “perceber, notar, capturar, reconhecer ou entender”. Por isso, metanoéo significa literalmente conhecimento posterior (em contraste com previsão, ou conhecimento prévio), e significa a mudança de idéia, de atitude ou de propósito da pessoa. Metamélomai, por outro lado, provém de mélo, que significa “cuidar de, ou ter interesse em”. O prefixo metá (“depois”) fornece ao verbo o sentido de ‘deplorar’ (Mat. 21:30; 2 Cor. 7:8), ou ‘arrepender-se’.
Assim, metanoéo sublinha o ponto de vista ou a disposição mudada, a rejeição do proceder ou da ação passada como sendo indesejável (Rev. 2:5; 3:3), ao passo que metamélomai dá ênfase ao sentimento de lástima por parte da pessoa. (Mat. 21:30) Como comenta o Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento, Vol. IV, p. 629): “Quando, portanto, o N[ovo] T[estamento] separa os significados [destes termos], revela clara consciência da substância imutável de ambos os conceitos. Em contraste, o uso helenístico amiúde acabou com o limite entre as duas palavras.” Comentando as formas substantivas (p. 628), afirma: “Junto com μετάνοια [metánoia], a mudança de vontade, acha-se μετάμελος [metámelos; ou, metaméleia], remorso, mediante o qual o homem sofre a dor da auto-acusação.”
ARREPENDIMENTO HUMANO DE PECADOS
O que torna necessário o arrependimento é o pecado, deixar de satisfazer os justos requisitos de Deus. (1 João 5:17) Visto que todo o gênero humano foi vendido ao pecado por Adão, todos
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