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O serviço de tempo integral traz verdadeiras riquezasA Sentinela — 1969 | 1.° de janeiro
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dizer honestamente que jamais me faltou nada que realmente precisasse. Sempre tive as coisas essenciais, conforme Jesus prometeu quando disse: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas.” (Mat. 6:33) Verdadeiramente, o que obtivemos em sentido espiritual desde que fizemos do serviço de tempo integral a nossa carreira são riquezas duradouras que jamais podem falhar. — Mat. 6:20.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1969 | 1.° de janeiro
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Perguntas dos Leitores
• Quando Jesus Cristo era um homem na terra, será que tinha barba comprida? — K. A., EUA.
A evidência bíblica é o testemunho mais fidedigno que se pode encontrar nesta questão, e uma recente revisão criteriosa do que ela diz indica que Jesus deveras tinha barba comprida.
Jesus, nascido judeu, “veio a estar debaixo de lei” e cumpriu a Lei. (Gál. 4:4; Mat. 5:17) Isto aconteceu para que pavimentasse o caminho para a abolição da Lei e para livrar os judeus da maldição da Lei, da condenação de morte que trazia sobre eles. (Efé. 2:15; Gál. 3:13) Semelhante a todos os outros judeus, Jesus tinha a obrigação de guardar a lei inteira. Um dos mandamentos da Lei era: “Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificarás a ponta da tua barba.” (Lev. 19:27, Al) Deus sem dúvida deu esta lei a Israel porque entre alguns pagãos era costume cortar a barba em certo estilo em adoração a seus deuses. (Jer. 9:26; 25:23) Todavia, essa lei não significava que não se deveria cuidar bem da barba, pois no Oriente Próximo uma barba bem cuidada era tida qual símbolo de dignidade e respeitabilidade. — 2 Sam. 19:24.
Durante extrema aflição, vergonha ou humilhação, alguém talvez arrancasse os cabelos de sua barba ou deixasse sem cuidados a barba ou o bigode. (Esd. 9:3) Em diversas declarações proféticas, o corte completo da barba era usado figurativamente para ilustrar grande pesar por causa de calamidade. (Isa. 7:20; 15:2; Jer. 48:37; Eze. 5:1) Significativamente, certa profecia a respeito do sofrimento de Jesus declara: “Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me puxavam a barba.” (Isa. 50:6, CBC) Hanum, o rei de Amom, insultou grosseiramente aos embaixadores enviados de forma bondosa por Davi por cortar a metade de suas barbas. Por causa da grande humilhação deles, Davi disse a estes homens que habitassem em Jericó até que suas barbas crescessem de modo abundante. Este ato de Hanum, naturalmente, visava insultar Davi, e provocou uma guerra. — 2 Sam. 10:1-8; 1 Crô. 19:1-7.
Também, era em geral costumeiro que os homens usassem barba comprida, até mesmo antes de ser feito o pacto da lei. Ao passo que os hebreus não faziam monumentos com representações de si mesmos, muitos monumentos e inscrições têm sido encontrados no Egito e na Mesopotâmia e em outros países do Oriente Próximo em que os assírios, os babilônios e os cananeus são representados como tendo barbas compridas, e algumas representações que datam até do terceiro milênio A. E. C. mostram barbas de vários estilos. Entre os povos acima mencionados, os eunucos eram os únicos representados como não tendo barba comprida. Amiúde meninos eram feitos eunucos de modo que mais tarde pudessem ser usados para zelar do harém do rei. (Mat. 19:12) No entanto, não era costume em Israel fazer os homens se tornarem eunucos, visto que a lei excluía os eunucos da congregação de Israel. (Deu. 23:1) No tempo em que Jesus estava na terra, o costume romano era raspar a barba. Por conseguinte, se Jesus não tivesse barba comprida, poderia ser reputado como sendo eunuco ou romano.
Os homens de antigos grupos semíticos, como temos visto em nossa consideração dos monumentos antigos, usavam barbas compridas, até mesmo antes do tempo da lei mosaica. Visto que a barba cresce naturalmente na maioria dos homens, é razoável concluir-se que seus antepassados também tinham barba comprida. Por conseguinte, parece evidente que Noé, Enoque, Sete e o pai de Sete, Adão, eram, semelhantemente, homens de barba comprida.
É apropriado, contudo, considerar os argumentos propostos no sentido de que Jesus não tinha barba comprida. Esta idéia tem sido baseada principalmente nas teorias formuladas por certos arqueólogos com respeito ao chamado “Cálice de Antioquia”.
Trata-se duma grande taça ou cálice de prata incluso numa armação de prata de vinhas e figuras de homens. De um lado do cálice acha-se um menino, com cinco homens a encará-lo, e, do outro lado, um homem jovem, porém maduro, sem barba, tendo outros cinco a encará-lo. Todos parecem estar sentados. O cálice, supostamente encontrado por alguns naturais de Antioquia da Síria, foi aclamado como sendo da segunda metade do primeiro século E. C., e, por conseguinte, a mais antiga representação pictórica de Cristo.
No entanto, uma análise dos fatos agora torna evidente que as figuras no cálice têm sido identificadas segundo a imaginação das pessoas que as interpretam. O menino é reputado como sendo Jesus com doze anos e a outra figura central, segundo se diz, é Jesus, possivelmente depois de sua ressurreição, ou, também, poderia ser João Batista. As outras dez figuras têm sido interpretadas de modo variável como sendo dez dos apóstolos; ou os apóstolos e evangelistas; ou, de um lado, os quatro evangelistas junto com Tiago, o filho de Zebedeu, e, do outro lado, Pedro, Saulo, Tiago, Judas e André.
Há sérias objeções dos arqueólogos a estas identificações. Realmente se trata de adivinhação, e é impossível dizer o que é representado pelas figuras. Alguns até duvidam da autenticidade do cálice, crendo ser falsificação. A maioria, contudo, reconhecem-no como descoberta autêntica, mas dão-lhe uma data bem posterior, do quarto ao sexto século. Assim, é muitíssimo duvidoso que o cálice seja uma primitiva representação de Cristo, se, deveras, tencionava mesmo representar a Cristo. — Veja-se The Biblical Archaeologist, dezembro de 1941 e fevereiro de 1942.
Tendo que ver diretamente com a questão há o fato de que os primitivos escritores cristãos, Justino Mártir, Orígenes, Clemente de Alexandria, e outros, indicam explicitamente que não existia em seu tempo nenhum registro satisfatório da aparência física de Jesus e dos apóstolos. Agostinho, escrevendo por volta de 400 E. C. (De Trinitate, VIII, 4), disse que cada homem possuía sua própria idéia da aparência de Cristo, e os conceitos eram infinitos.
Têm-se aduzido evidência das catacumbas romanas para resolver o assunto. Em catacumbas que alguns acham datar do segundo século E. C., mas que outros acham não serem anteriores ao terceiro século, descobriram-se gravuras. A catacumba de extensão incomum chamada de Catacumba de Priscila contém gravuras de paredes, pensando-se que uma delas represente a ressurreição de Lázaro. Acha-se quase obliterada e é dificílimo interpretá-la, mas, no centro há uma figura que tem sido reputada como sendo Cristo, representado qual homem jovem sem barba. Mas, nas catacumbas também se acham representadas em abundância idéias religiosas apócrifas e falsas. Por exemplo, na Catacumba de Priscila, e tendo mais ou menos a mesma data, há uma cena da apócrifa História de Suzana. Uma pintura no teto, datada de época um pouco posterior, contém uma Madona com seu filho, com uma estrela sobre a cabeça dela. Nas Criptas de Lucina, uma pintura no teto, datada de meados do segundo século, inclui pequena pessoa alada conhecida como Erotes ou Amoretti que, nos túmulos pagãos, representava as almas que partiram. Por conseguinte, tornou-se-nos evidente que as representações de Jesus nas catacumbas são seriamente questionáveis quanto à autenticidade.
É verdade que, a partir do quarto século, a maioria das figuras mostram Cristo e seus apóstolos barbados, tendo semblantes “monásticos” emaciados, tristes, fracos e afeminados, usualmente com uma auréola ou halo pagãos. Estas, com certeza, não são verdadeiras representações do homem, Jesus Cristo, a respeito de quem Pôncio Pilatos disse: “Eis o homem!”, ou daquele que derrubou as mesas dos cambistas no templo, e expulsou o seu gado, nem dos apóstolos, que vigorosamente pregaram a Palavra de Deus até que se disseminou por todo o Império Romano. (João 19:1, 5; 2:14-17) Não, estes eram homens fortes, ativos e felizes, servos do Deus feliz, Jeová. (1 Tim. 1:11; 6:14, 15; Atos 20:35) As melancólicas figuras religiosas são produtos da apostasia, que por volta do quarto século, estava em plena ascensão, o Imperador Constantino, pagão, fazendo a fusão do Cristianismo apóstata com a religião pagã, a religião do Estado.
Todavia, como já foi demonstrado, torna-se evidente que Jesus realmente tinha barba comprida, e, assim, as representações artísticas dele em futuras publicações da Torre de Vigia se harmonizarão com a evidência bíblica neste sentido.
Sem dúvida os cristãos primitivos seguiam o costume da época e do local em que moravam, com respeito ao uso da barba. O costume romano era raspar a barba. Os romanos convertidos ao Cristianismo mui provavelmente mantinham o costume romano, ao passo que os conversos da comunidade judaica continuariam o costume judaico de usar barba comprida.
Atualmente, os ministros cristãos, semelhante aos cristãos primitivos, preocupam-se com o asseio e a limpeza, mas esforçam-se de vestir-se sem chamar a atenção, de modo que sua aparência não
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