Guaraná — outro tesouro da Amazônia!
DIFICILMENTE existe alguém no Brasil, quer entre os brasileiros, quer entre os turistas, que não tenha saboreado uma ou todas as três deliciosas bebidas comuns no país: café, mate e guaraná! Quando preparadas com produtos de boa qualidade, podem ser realmente saborosas, e têm algo em comum — são estimulantes que nos deixam animados bem no fundo do coração!
Quanto àquela preciosidade da Amazônia, o guaraná, qualquer criança brasileira o conhece bem, e costuma pedi-lo com um tom matreiro na voz: “Uma gasosa!” Encontrado em todo o país em sua forma comercial, como refrigerante de sabor agradável e levemente adocicado, o guaraná está ocupando seu lugar, junto com outras bebidas populares internacionais.
Os Guaranazeiros
Natural da selva amazônica, onde viceja entre surpreendente variedade de árvores e arbustos, o guaraná é um arbusto trepador, tendo o nome botânico de Paullinia cupana var. sorbilis, da família das sapindáceas. Seu caule chega a atingir 10 metros de altura. Possui folhas grandes, alongadas e pinadas, e um fruto pequeno, que se agrupa em cachos. O fruto só contém uma ou duas sementes ovóides. Relata-se que já houve época em que suas sementes eram utilizadas como dinheiro, em partes da Bolívia e do Brasil. A bebida chamada guaraná é feita das sementes (como uma porção de outras coisas o são também). Um tanto parecidas aos olhos humanos, as sementes possuíam poderes mágicos, segundo os índios maués, a quem se credita a descoberta e o cultivo inicial dessa planta. Para eles, as sementes se tornaram uma espécie de cura-tudo. Deveras, sendo bem dotadas de uma variedade de substâncias, possuem realmente propriedades medicinais.
Como Preparar a Bebida
Quando maduras, as sementes são secadas ao sol, sendo então tostadas e moídas num pilão de pedra. Este pó contendo pequena quantidade de sementes inteiras ou trituradas é misturado com água e tal pasta é moldada em formas variadas, como bastões de uns 12 a 20 centímetros de comprimento, que pesam uns 450 gramas, após o que são cozidos. O resultado é um bastão extremamente duro como uma pedra, de cor castanha, e possuindo um aroma que não é muito diferente daquele do café recém-moído. Para preparar a bebida raspa-se pequena quantidade num receptáculo que contém água quente ou fria. Sendo adstringente, é preciso adicionar-se um adoçante para torná-lo agradável ao paladar. Como ralador, os índios não raro empregam a língua seca dum grande peixe de água doce, o pirarucu da Amazônia, raspando o guaraná numa cabaça.
As sementes de guaraná contêm inúmeras substâncias, as principais sendo o ácido tânico, a cafeína (contém três vezes mais que uma quantidade similar de café), e teobromina. Outras são amido, goma, fibra vegetal, certo óleo e vitaminas. Não é de admirar que os índios encontrassem tanta utilidade nelas incluindo-se o livrar-se de estados melancólicos! Nas reuniões tribais, a bebida era passada de mão em mão como símbolo da hospitalidade e da amizade, dum modo similar ao cachimbo da paz dos índios na América do Norte. O guaraná, sendo útil para acabar com a febre, como antídoto para certos venenos, para a disenteria, os vômitos e outros distúrbios gástricos, tem sido muitíssimo elogiado por botânicos e naturalistas, graças a seu valor terapêutico. Afirma-se que tem poderes rejuvenecedores. Sem considerarmos se tais afirmações são ou não válidas, não se pode negar que o guaraná possui propriedades soerguedoras, em razão de seus elementos químicos.
Que tesouros as selvas podem oferecer à humanidade! Quão gracioso é Aquele que supriu tudo isso! — Salmo 96:12, 13.
[Foto na página 32]
Um tesouro do Amazonas!