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Incêndios florestais — amigos ou inimigos?Despertai! — 1979 | 8 de março
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800 metros abaixo da parte principal do incêndio, na cordilheira. Estes novos surtos estavam perigosamente próximos de uma área com 200 casas. Cerca de 20 caminhões de bombeiros estabeleceram linhas de combate em torno de tais casas. Fomos deitar-nos, mas logo me levantei para continuar a observar a cena. O incêndio estava a menos de 1.600 metros de distância, e as brasas vivas sopravam em nossa direção. Já às 2 horas da madrugada o incêndio tinha queimado tudo em volta da área das casas, tinha saltado a estrada e corria em direção à nossa colina.
Acordei minha esposa, pegamos algumas roupas, e partimos — ela em nosso carro, com nosso cão, e eu em nosso caminhão. As chamas já tomavam conta da única estrada de saída e o calor era como o de uma fornalha, à medida que os bombeiros nos orientavam para uma saída. Deixando minha esposa e nosso cão com a família dum amigo, eu e meu amigo voltamos. A estrada estava intransitável. Voltamos a pé, por uma trilha atrás. Quando chegamos ao topo da cordilheira, pode ver o outro extremo dela, onde estava nossa casa. Grandes tochas ardiam para o alto — os pinheirais estavam queimando. Na ocasião em que conseguimos chegar, atravessando o chaparral e subimos pela passagem de carro, a maior parte do incêndio já tinha terminado. Uns 6 metros cúbicos de lenha estavam ardendo. Um helicóptero voava por cima e deixou cair cerca de 570 litros de água sobre ela. Um caminhão dos bombeiros preparava-se para partir. Agradeci aos bombeiros por terem salvo a casa. “Não nos agradeça”, um deles replicou. “O teto de pedra salvou a sua casa.”
Os canteiros de flores, o relvado, o jardim de pedras, com sua queda-dˈágua — para toda a parte onde eu olhava só via destroços enegrecidos. Varapaus negros esticavam-se por 6, 9 e 12 metros — muitos deles sendo os pinheiros que eu nutria desde mudas de 90 centímetros. Mesmo no meio do quadro desolador, contudo, senti-me grato pela casa não ter sofrido nada. Com uma serra-mecânica, cortei mais de 50 árvores queimadas, e então plantei outras 100. Fizemos novos canteiros de flores. Plantamos arbustos. Consertamos duas plataformas que foram meio queimadas. Restauramos a queda-dˈágua; pintamos a casa. Conseguimos sobreviver. A vida prosseguiu.
Que dizer da vida selvagem? Uma semana depois do incêndio, fomos despertados pela porta de tela que batia de um lado para o outro. Slammer tinha voltado! Eram 3 horas da madrugada, mas eu estava contentíssimo! Os guaxinins, as codornizes, os beija-flores, os ratinhos silvestres e os ratões, até mesmo os coiotes — todos voltaram para receber suas dádivas — mas não tantos quantos antes do incêndio. Nem todos escaparam das chamas.
Incêndios Florestais Amigos
Uma semana após o incêndio, um jornal publicou um artigo declarando que o incêndio resultou em grande bem. Naturalmente, a casa do escritor não esteve envolvida. Eu não estava emocionalmente preparado para ser objetivo, mas, alguns meses depois, mandei pedir ao Serviço Florestal dos EUA um livro publicado pelo governo. Intitulava-se “Escorva do Controle de Fogo, do Intérprete Florestal”. Entre outras coisas, apresentava os seguintes fatos:
Mais hectares são incendiados deliberadamente pelas agências governamentais, nos EUA, do que os hectares queimados por incêndios naturais. Em 1970, os incêndios naturais arderam 911 mil hectares, mas 1 milhão de hectares foram incendiados pelo que é chamado de incêndio prescrito. Há vários motivos para se usar o fogo prescrito, mas seis foram sublinhados nesta publicação do Serviço Florestal.
Um é utilizar o fogo para combater o fogo — mais exatamente, talvez, utilizar o fogo para prevenir-nos dele. Quando áreas florestais estão protegidas do fogo, a vegetação rasteira aumenta, ou, nas áreas madeireiras, acumulam-se troncos e galhos derrubados. Daí, caso um incêndio natural comece, causado por um relâmpago ou outras causas, o combustível acumulado no solo alimenta as chamas e leva ao incêndio dos topos das árvores, e poderá acontecer um grande desastre. Entretanto, se for usado, em intervalos, o incêndio prescrito, este perigoso acúmulo de combustível jamais ocorrerá, e qualquer incêndio que acidentalmente ocorra jamais se tornará tão grave.
Em segundo lugar, muitas madeiras macias, comercialmente importantes, precisam de plena luz do sol para que suas mudinhas cresçam. Também, as sementes precisam de solo mineral para germinarem. O incêndio controlado de lixo acumulado no solo florestal — gramas, agulhas, pequenos arbustos — prepara o solo para a semeadura e também reduz os graves perigos de fogo. O fogo prescrito também ajuda na reprodução de alguns tipos de pinheiro e abeto que têm cones serótinos que exigem calor para abrir-se e liberar suas sementes.
Uma terceira razão para os incêndios prescritos é o controle dos insetos e das pragas. Nos pinheirais, os incêndios brandos de superfície matarão as agulhas das mudinhas infestadas de fungo, mas nuo prejudicarão os raminhos terminais. Carvalhos podem ser poupados das doenças do fungo heartrot. Os besouros da casca do pinheiro, que hibernam no lixo florestal, são mortos pelo fogo corretamente usado. Quando se cultivam pinheiros para fins comerciais, o incêndio prescrito os limpará de pequenas mudinhas de madeira de lei e, destarte, eliminará sua competição com os pinheiros, em busca de luz e nutrientes. A casca fina das madeiras duras as torna suscetíveis aos danos causados pelo fogo, ao passo que a casca dos pinheiros é grossa, e resistente ao fogo.
Outra razão do incêndio controlado é a revitalização dos arbustos produtores de frutinhas, especialmente do vacínio. No Maine, EUA, pratica-se isto com regularidade. Livra o matagal da madeira velha e provoca o surgimento de vigorosos novos brotos. Reduzem-se as sombras, provendo a luz necessária para as frutinhas silvestres. Tais incêndios são recomendados de quatro em quatro primaveras para as áreas de vacínios silvestres. Não só o homem se beneficia pela incrementada produção de frutinhas, mas também aumentam, desta forma, as reservas de alimentos para a vida selvagem.
Com efeito, o aprimoramento do habitat para a vida selvagem é a quinta razão fornecida para o incêndio prescrito. Aumenta a safra e a qualidade das gramas, ervas, legumes e brotos, provendo alimento para a vida selvagem que pasta e se alimenta de brotos, também para o gado bovino, ovelhas e cabras que os rancheiros podem criar em terras governamentais, em alguns países, como os EUA. De vários modos, e em algumas situações, tais incêndios também são benéficos para diferentes espécies de aves. Anualmente, para fins da vida selvagem, o Serviço Florestal dos EUA prescreve a queima de cerca de 22.250 hectares de terra florestal.
A sexta razão fornecida para os incêndios prescritos é aumentar a beleza e o valor recreativo dos parques. Os incêndios promovem o crescimento de ervas e flores silvestres, e abrem o solo florestal para o fácil percurso pelos visitantes, por remover o mato cerrado. Uma das mais impressionantes árvores é a sequóia-gigante, e a respeito dela e o incêndio, lemos:
“As Sequóias-Gigantes, da Califórnia, até o recente emprego do incêndio controlado estavam sendo ameaçadas de destruição pelos incêndios naturais, por causa do enorme acúmulo de combustível florestal, graças à proteção contra incêndios. Através de milhares de anos, incêndios leves de superfície sempre mantiveram tais florestas magníficas, porém a exclusão do fogo estava permitindo que outras espécies, altamente inflamáveis, invadissem a área. Atualmente, com a utilização de incêndio prescrito, faz-se progresso em reduzir os riscos de incêndio e as Sequóias começam a reproduzir-se mais abundantemente sobre o solo mineral exposto.” — Forest Interpreter’s Primer on Fire Management, págs. 46, 47.
Incêndios florestais — amigos ou inimigos? Podem ser ambos. Sob controle, podem ser muito amigos. Fora de controle, como aquele que devastou nossos pinheiros, flores e plataformas, e abateu vários visitantes da vida selvagem que nos deleitavam durante os anos em que vivemos no alto da colina, o incêndio florestal é um inimigo. Este, em especial, removeu as bacias aquosas das montanhas. Quando vieram as chuvas, o solo arável, rico em minerais, sofreu erosão, e montanhas de lama desceram pelas colinas, em muitos casos danificando terrivelmente as casas. Alguns incêndios florestais são amigos, mas este não foi — não para nim. — Contribuído.
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Aprendi a prezar minha visãoDespertai! — 1979 | 8 de março
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Aprendi a prezar minha visão
PARA mim, foi uma experiência emocionante, há alguns meses, sentar e observar os amigos que tinham vindo à minha festa de “agradecimentos”. Apreciei-a tanto que não queria que a festa terminasse. Os “agradecimentos” eram por eu poder ver de novo, e, ao observá-los, muito contente, todos eles felizes e risonhos, agradeci a Jeová por poder ver a cada um deles.
Mesmo enquanto os observava, contudo, minha mente remontou a mais de um ano atrás, ao tempo em que um médico me disse que minha irmã morria de uremia. Logo depois, meu pai morreu dum ataque cardíaco. Talvez tivesse ficado aflito com a grave doença de minha irmã. Um mês mais tarde, minha irmã morreu. Devido às mortes deles, quando tive um problema de saúde, parecia sensato procurar um hospital em Manila para um checkup completo ou exame geral.
Baixei ao hospital às quatro da tarde. Depois de dois dias, estava prestes a ter alta hospitalar, quando senti uma dor súbita e aguda no estômago e na cabeça. Chamei o médico e ele meu deu um tranqüilizante. Mas a dor não parou.
Senti calor na parte de trás do pescoço, e fechei os olhos. Quando os abri de novo, tudo estava escuro. Pedi que acendessem as luzes, mas me disseram que as luzes já estavam acesas. Comecei a tremer, visto que compreendi que não conseguia ver! Mais uma vez, fechei os olhos e os abri de novo.
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