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Para onde vai a religião no Chile?Despertai! — 1972 | 22 de dezembro
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perante eles, sem jamais questionar o que faziam.
“Os superiores falavam constantemente da caridade e da humildade, mas era sempre conselho para os outros — jamais faziam aquilo que exigiam dos outros. Entre eles, sempre existia um espírito de inveja e o desejo de progredir a posições e títulos mais elevados. Depois de obterem tal promoção, tentavam convencer os outros de que tais posições lhes foram concedidas por Deus e, por conseguinte, lhes devia ser prestada ainda maior obediência e devoção. Assim, tornavam-se poderosíssimos.
“O que dizer das outras freiras com as quais eu trabalhava? Por que foram para o convento? Foi por causa de sua fé e seu amor a Deus? Naturalmente, algumas tinham esse motivo, mas a maioria entrara por causa de necessidades materiais — a fim de ter um lar, roupa e alimento. O espírito de amor e de cooperação não existia. Amiúde faziam coisas para ferir as outras num manifesto espírito de hipocrisia.
“Bem, então, será que pelo menos vim a entender a Bíblia? Não, porque nos foi dito que apenas aquele que rezava a Missa podia ter uma Bíblia e que era um pecado o restante de nós a lermos. Jamais fomos ensinadas a arrazoar sobre coisas espirituais ou a aplicar os ensinos da Bíblia em nossas vidas.
“Após sete anos de vida dessa forma, deixei o convento. Sentia-me enganada e desiludida de ver as injustiças e a falsidade ali. Certamente não era um refúgio espiritual. Mas, embora perdesse a fé na Igreja e em seus representantes, jamais perdi a fé em Deus. Quanta felicidade senti, então, quando comecei mais tarde a ler a própria Bíblia com a ajuda das testemunhas de Jeová. Verifiquei que ela era tão razoável, tão diferente, tão verdadeira! Agora não sou mais escrava de um hipócrita sistema religioso. Ao invés, obtenho grande satisfação em servir a um Deus amoroso e que tem um propósito, Jeová.”
Multiplique estas experiências por muitas vezes e começará a ter um quadro do que ocorre hoje no Chile. Há duas correntes, ou tendências: as religiões da cristandade se acham em grandes dificuldades e em declínio; ao passo que há um deslanche da verdadeira religião conforme revelada na própria Palavra de Deus, a Bíblia. Mas, é isso que a profecia bíblica disse que aconteceria antes que este sistema perverso de coisas chegasse a seu fim. — Isa. 2:2, 3.
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Assíria — império militaristaDespertai! — 1972 | 22 de dezembro
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“A Tua Palavra É a Verdade”
Assíria — império militarista
NO MUNDO, atualmente, o militarismo ocupa um lugar de destaque. A alegação geral é que a segurança nacional depende da potência militar. Enormes somas de dinheiro são gastas para a manutenção de forças militares e armas. Às vezes, até as rédeas de governo se acham nas mãos dos militares.
O militarismo, por certo, não é nada novo. Dentre os impérios que dominaram amplamente nos tempos antigos, a Assíria se destaca de forma proeminente como império militarista. Havia um tempo em que o nome “Assíria” causava terror nos corações dos homens. Cidades, reinos e nações caíam diante dos seus exércitos em marcha. No oitavo século A. E. C., o monarca assírio, Senaqueribe, por meio de seu porta-voz, Rabsaqué, se jactava: “Livraram deveras os deuses das nações cada um a sua própria terra da mão do rei da Assíria?” — 2 Reis 18:33.
Cruel, deveras, era o tratamento que os assírios davam a seus presos de guerra. Alguns eram queimados ou esfolados vivos. Outros eram empalados sobre estacas pontiagudas que atravessavam seus abdomens, atingindo sua cavidade torácica. Ainda outros eram cegados ou se lhes cortavam os narizes, as orelhas e os dedos. Amiúde, os presos eram conduzidos por cordas que eram presas a ganchos que lhes atravessavam o nariz ou os lábios.
O conhecimento de como os assírios lidavam com os que opunham feroz resistência sem dúvida lhes dava uma vantagem militar. Aterrorizadas de se tornarem vítimas da crueldade assíria, muitas cidades capitulavam. Assim, com comparativamente pouco esforço, os assírios alcançavam seu objetivo principal, a saber, o tributo dos povos subjugados. Até mesmo permitiam que tais povos tributários detivessem certa autoridade. Em certos respeitos, isto se assemelha ao proceder das poderosas nações hodiernas que permanecem não-agressivas conquanto fiquem assegurados seus interesses comerciais em outras terras.
Os registros antigos da Assíria que foram descobertos tratam mormente de consecuções militares. Os reis se jactavam desavergonhadamente de suas batalhas e torturas sádicas, e as cenas de guerra eram amiúde o assunto de baixos-relevos que adornavam seus magníficos palácios. À base de descobertas arqueológicas, Sir Austen Layard comentou:
“O interior do palácio assírio deve ter sido tão magnífico quanto imponente. . . . [No primeiro salão] as batalhas, os sítios, os triunfos, as proezas da perseguição, as cerimônias da religião, eram representados nas paredes, esculpidos em alabastro, e pintados em cores deslumbrantes. Sob cada quadro achavam-se gravados, em caracteres cheios de cobre brilhante, inscrições que descreviam as cenas apresentadas. Acima das esculturas eram pintados outros eventos — o rei, assistido por seus eunucos e guerreiros, recebendo seus prisioneiros, entrando em alianças com outros monarcas, ou realizando algum dever sagrado. Tais representações eram emolduradas por molduras brilhantes, de estilo elaborado e elegante. A árvore emblemática, touros alados, e animais monstruosos, eram conspícuos entre os ornamentos. Na extremidade superior do salão havia uma colossal figura do rei em adoração perante a suprema deidade, ou recebendo de seu eunuco o cálice sagrado. Era assistido por guerreiros que portavam suas armas, e por sacerdotes ou divindades que presidiam.”
Como evidenciado por esta descrição, a guerra estava em íntima associação com a religião. O rei assírio era o sumo sacerdote do supremo deus assírio, Assur, e a guerra era a expressão mais genuína da religião nacional. A respeito de suas guerras, o Rei Tiglath-pileser I disse: “Meu Senhor, Assur, instou comigo.” Em seus anais, o monarca assírio Assurbanipal declarou: “Por ordem de Assur, Sin, Xamaxe, Raman, Bel, Nabu, Ishtar de Nínive, Ninibe, Nergal e Nusku, entrei na terra de Mannai e marchei vitoriosamente através dela.” O Rei Sargão invocava regularmente a ajuda da deusa Ishtar antes de ir à guerra. Os exércitos assírios marchavam atrás de estandartes dos deuses, aparentemente símbolos de metal ou madeira erguidos em mastros. Grande importância era atribuída a presságios. Estes eram determinados por se examinar os fígados de animais sacrificados, por observar o vôo de aves ou por notar a posição dos planetas.
Os sacerdotes se beneficiavam com as vitórias assírias, e, portanto, realmente incentivavam a guerra. Observa W. B. Wright em seu livro Ancient Cities (Cidades Antigas): “Lutar era o negócio daquela nação, e os sacerdotes eram fomentadores incessantes da guerra. Eram sustentados principalmente pelos despojos da conquista, da qual uma porcentagem fixa era invariavelmente destinada a eles antes de outros partilharem dela, pois esta raça de saqueadores era excessivamente religiosa.”
À base deste fundo, pode-se entender com facilidade por que a Bíblia se refere à capital assíria, Nínive, como “cidade de derramamento de sangue”. (Naum 3:1) Jeová Deus exerceu longa tolerância para com tal cidade, com efeito, para com o inteiro Império Assírio. Mas, por meio de seus profetas, indicou o tempo quando Nínive se tornaria um deserto desolado. Por exemplo, com referência ao que Jeová faria, o profeta Sofonias escreveu sob inspiração: “Fará de Nínive um baldio desolado, uma região árida como o ermo. E no meio dela estarão deitadas as greis, todos os animais
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