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Deslizando sobre o ar — no HovercraftDespertai! — 1974 | 22 de maio
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de passageiros do “hovercraft”. Já viajou nele? Por que não vem conosco numa viagem? Prestimosa aeromoça acha-se a postos para nos dar atenção pessoal, guiar-nos a nossos lugares, para explicar o funcionamento dos salva-vidas e nos mostrar como e onde colocar nossa bagagem de mãos. Chegou então a hora para o real deslizamento.
O primeiro indício de movimento vem logo depois de as turbinas terem aquecido. Sentimos um levantamento quase que imperceptível, à medida que a embarcação sobe no seu colchão de ar. O “hovercraft” não mais está em contato com a superfície e permanecerá suspenso até que se chegue ao destino. Agora a embarcação se movimenta para a frente tão suavemente que apenas vívida espuma que corre em borrifos pelos lados indica que já viajou do solo para o mar.
Visto que o mar está calmo hoje, o “hovercraft” tomará a rota direta da Baía de Pegwell até Calais, França. Isto envolve cruzar as Areias Goodwin, que se acham quase de norte a sul ao longo do Estreito de Dover. Traiçoeiras às embarcações convencionais de superfície, em especial quando submersas pouco abaixo da água, não representam problema para o anfíbio ACV. Em tempo ruim, o “hovercraft” muda ligeiramente de curso por se manter perto das águas costeiras mais calmas, tanto quanto possível, e então segue um percurso reto através do mar, na distância mais curta entre as duas costas.
Nos quarenta minutos que se leva para cruzar o Estreito de Dover, há tempo para pensar. E se as turbinas falharem? Afundará o “hovercraft”? Colidiria em alta velocidade com outros navios nestas vias marítimas mais movimentadas do mundo? Um relance ao folheto que descreve a viagem é confortador. No caso improvável de todas as turbinas falharem simultaneamente, a embarcação foi feita para flutuar sobre seu tanque flutuável. Mesmo com apenas uma turbina em funcionamento, pode continuar, em velocidade reduzida, em direção à terra firme. Mas, o que dizer de todos os outros navios que percorrem o mesmo caminho do “hovercraft”? O capitão tem disponíveis constantes informações sobre a posição da embarcação, ao passo que o segundo oficial opera dois radares marítimos, que revelam a posição de todos os outros navios que navegam na vizinhança, mesmo em densa cerração.
Ao chegar a Calais, na costa francesa, o “hovercraft” deixa a água e sobe na plataforma de desembarque. Nenhuma batida, nenhuma seqüela de freadas, apenas um suspiro de contentamento, como o de sentar-se em confortável poltrona, ao dispersar-se o colchão de ar.
Terminou a viagem na forma mais nova de transporte do mundo. A terra e o mar foram atravessados por se deslizar sobre um colchão de ar.
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O vazio da matériaDespertai! — 1974 | 22 de maio
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O vazio da matéria
● A maioria dos objetos com os quais estamos familiarizados são realmente espaço vazio. Os átomos e as moléculas que constituem os objetos diários que vemos, tais como tijolos, madeira, vidro, e assim por diante, são na maior parte espaço vazio, muito embora os próprios objetos pareçam tão duráveis e sólidos.
Um átomo consiste em um centro bastante denso chamado núcleo, e uma nuvem de elétrons que cercam o núcleo. Dependendo do tipo do átomo que se considere, a nuvem de elétrons tem um raio de cerca de 10.000 vezes maior que o núcleo. Se o núcleo fosse do tamanho de uma bola de pingue-pongue, a nuvem de elétrons se estenderia por uns 320 metros de diâmetro. A maior parte desta distância estaria vazia.
O núcleo, muito embora seja parte muitíssimo pequena do átomo, constitui a maior parte do peso do átomo. O fato de que a maior parte do espaço vazio que constitui os objetos se deve à nuvem de elétrons é que os faz ser tão leves. Se tivesse uma xícara cheia de núcleos, desprovidos de suas nuvens de elétrons, de modo que os núcleos pudessem ser compactados na xícara, essa xícara de matéria nuclear pesaria cerca de 50.000.000.000 de toneladas.
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