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  • O valor e a necessidade do autodomínio
    A Sentinela — 1970 | 1.° de fevereiro
    • O valor e a necessidade do autodomínio

      “Os frutos do espírito são . . . autodomínio.” — Gál. 5:22, 23.

      1, 2. (a) Como se pode expressar a importância do autodomínio? (b) Como é isto salientado pelo que o apóstolo Paulo diz sobre ele?

      QUÃO importante é a necessidade de os cristãos exercerem autodomínio! A necessidade de a exercerem é tão importante, que não é possível exagerá-la. De fato, poderíamos aptamente parafrasear as palavras do apóstolo Paulo a respeito do amor e dizer: ‘Se eu falar em línguas de homens e de anjos, se eu tiver o dom de profetizar e tiver toda a fé, e se eu der todos os meus bens para alimentar os outros, mas não tiver autodomínio, de nada me aproveita.’ — 1 Cor. 13:1-3.

      2 Parece isso exagero? Então observe o testemunho do apóstolo Paulo. Seguramente não houve outro seguidor de Jesus Cristo que manifestasse mais zelo e suportasse mais pelas boas novas do que Paulo, assim como ele mesmo atesta em 2 Coríntios 11:22-33. E, no entanto, apesar de tais antecedentes destacados de zelo e perseverança, sim, e de ministério frutífero, o que diz Paulo sobre a necessidade que tinha de exercer autodomínio? “Amofino o meu corpo e o conduzo como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser de algum modo reprovado.” Poderia haver uma tragédia maior do que ter labutado tanto e ter suportado tanto, para depois ser tudo em vão? No entanto, “de algum modo” teria sido em vão se Paulo não exercesse autodomínio! — 1 Cor. 9:27.

      3, 4. (a) Como se define o autodomínio? (b) Como pode ser ilustrado?

      3 Realmente, o autodomínio é muito importante. E o que é autodomínio? É definido como “refreio exercido sobre os próprios impulsos, emoções ou desejos”; “ato, poder ou hábito de manter dominadas as faculdades ou energias, especialmente as inclinações e as emoções.” Naturalmente, o próprio termo já dá a entender que é usado em ocasiões de tentação ou de tensão, quando é maior o perigo de se agir de maneira insensata ou egoísta.

      4 O valor e a necessidade do autodomínio podem ser ilustrados com o automóvel. O motor dele pode ter só 35 ou tantos quantos 400 cavalos-força. Mas, importante como seja a produção de potência por este motor, é igualmente importante que seja controlado, pois, de que valor seria o automóvel se não se pudesse controlar nem a velocidade, nem a direção em que vai? Seria um instrumento mortífero!

      5. O que é responsável pela necessidade de autodomínio?

      5 O problema do autodomínio surge por sermos capazes de usar erroneamente, bem como correta, sábia e amorosamente os diversos dons e faculdades de que Jeová nos dotou, visto que não somos restritos por instintos, assim como a criação animal, mas temos livre-arbítrio, sendo criados na imagem e na semelhança de Deus. Assim como as forças da criação inanimada, quando desenfreadas, podem causar muito dano — o que se vê nos ciclones, nos furacões, nos macaréus e nos relâmpagos — assim acontece com as faculdades mentais, emocionais e físicas com que o nosso Criador nos dotou; quando não são dominadas, podem causar muito dano. — Pro. 25:28.

      DANO CAUSADO PELA FALTA DE AUTODOMÍNIO

      6. Quais são alguns dos resultados nocivos da falta de autodomínio?

      6 Para onde quer que olhemos, quer em volta de nós, quer nas páginas da história, vemos os resultados nocivos advindos de não se exercer autodomínio da parte de homens e mulheres, e especialmente de jovens. Os chocantes assassinatos múltiplos noticiados nos jornais, no rádio e na TV são casos de pessoas que deixaram de dominar um forte impulso de expressar ódio ou frustração por meio de homicídio. A falta de autodomínio é responsável pela difusão das doenças venéreas, pelos muitos nascimentos ilegítimos, sem se falar na ampla infelicidade marital, que resulta em separações, deserções e divórcio. Diz-se que durante a Primeira Guerra Mundial mais soldados foram postos fora de combate por doenças venéreas do que pelas balas do inimigo, e um relato recente a respeito da atual guerra no Vietname declara que mais de 25 por cento dos soldados ficaram infeccionados do mesmo modo. E o que é a embriaguez senão o resultado da falta de domínio sobre o anseio de tomar bebidas alcoólicas? Quantas vezes é a falta de autodomínio responsável por um acidente automobilístico, como no caso em que o motorista fica irritado ou se deixa distrair? A pesquisa médica tem verificado, vez após vez, que os acidentes são causados pela imprudência da parte de “personalidades dominadas pelos impulsos” do momento — pelos que não têm autodomínio.

      7, 8. (a) Que exemplos da falta de autodomínio deram Eva e Caim? (b) Que outros exemplos da falta de autodomínio se acham registrados nas Escrituras?

      7 Muitos são os exemplos de aviso que a Bíblia dá a respeito do dano resultante da falta do autodomínio. Pode-se dizer que Eva está entre os primeiros. Ela “viu que a árvore era boa para alimento e que era algo para os olhos anelarem, sim, a árvore era desejável para se contemplar”; e assim, em vez de exercer autodomínio, ela cedeu à tentação e comeu do fruto. (Gên. 2:16, 17; 3:2-6) Caim foi advertido de não se deixar dominar pela ira, mas de dominá-la; mas ele não exerceu autodomínio e por isso matou o seu irmão, perdeu a esperança da vida eterna e tornou-se o primeiro duma longa lista de assassinos humanos, tudo por causa da falta de autodomínio. — Gên. 4:5-7; 1 João 3:12.

      8 Novamente, a obediência à ordem dada a Ló e à sua família, de não olharem para trás ao fugirem da cidade condenada de Sodoma, exigiu autodomínio. A mulher de Ló deixou de exercê-lo, para a sua destruição. Jesus a apresentou como exemplo de aviso aos seus seguidores. (Gên. 19:17, 26; Luc. 17:32) Jacó, no leito de morte, censurou fortemente a Rubem, seu primogênito, por não ter exercido autodomínio, sendo que Rubem, evidentemente, se deixou tentar por uma das concubinas de seu pai. Com “impetuosidade leviana como as águas” duma enxurrada profanou o leito de seu pai. (Gên. 49:3, 4) O Rei Saul perdeu o reino de Israel pela sua impaciente falta de autodomínio, não podendo esperar que o profeta Samuel viesse oferecer um sacrifício numa ocasião de emergência nacional. (1 Sam. 13:8-14) E tem havido incidentes na vida de alguns dos servos mais fiéis de Jeová, em que deixaram de exercer autodomínio, para a sua grande e duradoura lástima! Quanto todos estes exemplos de aviso salientam para nós a necessidade de exercermos autodomínio! — Gên. 9:20, 21; Núm. 20:7-13; 2 Sam. 11:1-12:15.

      EXEMPLOS DE AUTODOMÍNIO

      9, 10. Quem nos forneceu o maior exemplo de autodomínio, e de que modo o demonstrou?

      9 Por outro lado, a Palavra de Deus, para fortalecer nossa decisão de exercer autodomínio, nos apresenta muitos exemplos excelentes, sendo o principal o do próprio Jeová Deus. Jeová Deus exerce autodomínio? Sim, ele mesmo nos diz isso: “Por muito tempo fiquei quieto. Fiquei calado. Continuei a exercer autodomínio.” (Isa. 42:14) O infiel Israel merecia ser punido imediatamente, mas Jeová se refreou. Muitas pessoas, desconhecendo os atributos e os propósitos de Jeová, queixam-se de ele permitir a iniqüidade e o sofrimento; não se dão conta de que, ele permitir isso — por razões sábias e amorosas — representa grande autodomínio da sua parte. Em que sentido?

      10 Jeová Deus tem à sua disposição ilimitados poderes. Pode usá-los de qualquer modo e em qualquer ocasião que achar apropriado. Mas ele usa esses poderes apenas dum modo justo, sábio e amoroso. É longânime, vagaroso em irar-se, assim como nos diz a sua Palavra, e o que é a vagarosidade na ira senão o exercício de autodomínio em face de sua justa indignação? (Sal. 103:8; 145:8; Jer. 15:15; Joel 2:13; Jon. 4:2; Naum 1:3) Ele esperou 120 anos antes de destruir a geração iníqua dos dias de Noé, e esperou séculos até executar finalmente os julgamentos no infiel Israel, em 607 A. E. C. (Gên. 6:3; 2 Crô. 36:15, 16) Satanás e seus demônios, bem como seus instrumentos e joguetes humanos, continuamente ultrajam a justiça de Jeová, fazem pouco de sua autoridade, insultam-no por meio de blasfêmia, calúnia e rebelião. Ele tem sentimentos, conforme a Bíblia mostra. Sente ele muito estas coisas? Certamente! No entanto as tem suportado por milênios; tem exercido autodomínio por causa de sua sabedoria e de seu amor.

      11. De que modo nos deu Jesus um excelente exemplo de autodomínio?

      11 E Jesus Cristo, o Filho de Deus, sem dúvida, deu o maior exemplo de um humano exercer autodomínio. Em nenhum momento, durante o seu ministério terrestre, perdeu ele o domínio sobre as suas faculdades, poderes ou emoções, e nunca falou ou agiu precipitadamente ou injudiciosamente. “Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava.” (1 Ped. 2:23) Isto exigiu autodomínio! Por isso lemos em Mateus 27:13, 14: “Pilatos disse-lhe então: ‘Não ouves quantas coisas testificam contra ti?’ Contudo, ele não lhe respondeu, não nem com uma só palavra, de modo que o governador ficou muito admirado.” Isto era muito incomum. Mas o profeta de Jeová havia predito que, quando julgado, “não abria a sua boca”, e por isso Jesus se refreou, não dizendo uma só palavra, apesar de todas as acusações falsas lançadas contra ele. Deveras, Jesus nos deu um maravilhoso, sim, um perfeito exemplo de autodomínio para tentarmos copiar, especialmente quando em tensão, como quando estivermos perante regentes! — Isa. 53:7.

      12-14. Que exemplo de autodomínio deram José, Gideão, o Rei Saul, Daniel e seus três companheiros?

      12 Para nos animar a procurarmos imitar a Jesus Cristo temos também os excelentes exemplos de autodomínio dado por servos imperfeitos, fracos de Jeová, como nós mesmos, conforme a Palavra de Deus mostra repetidas vezes. Que belo exemplo de autodomínio deu José quando importunado pela esposa de Potifar! (Gên. 39:7-20) Outro belo exemplo dos tempos antigos, do exercício de autodomínio, foi dado pelo Juiz Gideão. Depois de obter a vitória sobre os midianitas, ele se viu confrontado com homens invejosos de Efraim, que procuravam armar briga com ele por lançarem acusações falsas contra ele. Gideão, na emoção da vitória, poderia ter facilmente perdido a calma e os criticado acerbamente, o que poderia ter resultado numa luta sangrenta entre os israelitas. Mas, ao contrário; ele exerceu autodomínio e os elogiou com tato, fazendo que fossem embora em paz. Deixou que a razão, e não a emoção, lhe ditasse as palavras. — Juí. 8:1-3.

      13 O Rei Saul, embora perdesse mais tarde o seu reinado por sua falta de autodomínio, conforme já se observou, no princípio demonstrou ter esta boa qualidade. Pouco depois de ter sido feito rei, alguns “homens imprestáveis” o desprezaram, zombando: “Como é que este nos salvará?”, e deixaram de trazer-lhe um presente em reconhecimento de ele ter sido feito rei sobre eles pelo próprio Jeová Deus. Saul poderia ter-se ofendido, poderia ter ralhado com eles, esbravejado ou até mesmo tomado ação contra eles; mas, não; ele se recusou a fazer questão disso, mas exerceu autodomínio: “Ele continuou como alguém que ficou sem fala.” Quão sábio é ficar calado quando se está sendo provocado! — 1 Sam. 10:27.

      14 Entre outros que se poderiam mencionar estão Daniel e seus três amigos jovens. Quando foram levados cativos à Babilônia, ofereceram-lhes os melhores alimentos e bebidas segundo a orientação do imperador. Mas, embora todos os demais cativos, bem como todos os babilônios se regalassem com tal alimentação, Daniel e seus três amigos exerceram autodomínio e se negaram a comer tais iguarias por serem impuras segundo a lei de Moisés. Jeová os abençoou grandemente por exercerem tal autodomínio, mostrando-se eles mais sábios do que todos os demais sábios do rei. E, sem dúvida, este autodomínio ajudou a fortalecê-los, de modo que, quando vieram provas mais severas, todos os quatro as puderam suportar, puderam manter a integridade. — Dan. 1:8-20; 3:16-30; 6:4-28.

      NECESSIDADE DE AUTODOMÍNIO NA COMIDA E NA BEBIDA

      15-17. (a) Que fato a respeito dos cristãos os obriga a exercerem autodomínio? (b) O autodomínio na comida e na bebida é indicado por que fatos, razões e textos?

      15 Para os cristãos, o autodomínio é próprio por muitas razões compelentes e fortes, uma das quais sendo a sua mordomia. Por causa de sua dedicação a Jeová Deus, são mordomos não só de privilégios e perícias, mas também de seu tempo, de seus meios e de sua força. Desincumbirem-se de sua mordomia corretamente exige autodomínio, como quanto à comida e à bebida. É evidente que o beberrão e o glutão, que têm falta de autodomínio, não só desperdiçam seu dinheiro, mas também seu tempo e sua força. (Pro. 23:20, 21) Mas, seria um engano chegar à conclusão de que, enquanto evitarmos estes extremos, estamos usando de adequado autodomínio no comer e no beber. Talvez não seja assim. Alguém talvez não esteja bêbedo, mas ainda assim pode ter bebido demais, se se tornar falador ou sonolento. Do mesmo modo, alguém talvez não tenha comido ao ponto de constituir glutonaria, mas ainda assim tem comido demais se ficar indolente ou letárgico. Pode depender da ocasião.

      16 O autodomínio na comida e na bebida é subentendido no conselho: “Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei todas as coisas para a glória de Deus.” (1 Cor. 10:31) O cristão não vive para comer, como se os prazeres da mesa fossem as melhores coisas da vida! Não as são! Os cristãos devem estar dispostos a fazer pouco caso da mesa pela causa das boas novas. Comida simples, ingerida com moderação, é o que é melhor para o corpo. E isto é também econômico. Para os cristãos, isto não é de somenos importância, pois os hábitos modestos no comer podem significar a diferença entre permanecer no serviço de tempo integral e não poder fazê-lo. Dá-se sabiamente o conselho: “Quando te sentares à mesa com um grande, considera com atenção o que tens diante de ti. Põe uma faca na tua garganta, se sentires demasiado apetite.” — Pro. 23:1, 2, PIB.

      17 Os cristãos devem estar dispostos a exercer autodomínio à mesa pela causa dos interesses e das bênçãos do Reino. Quanto proveito podemos tirar dum discurso bíblico se estivermos sonolentos por termos primeiro tomado uma grande refeição? Não queremos estar entre aqueles cujo “deus é o ventre” ou entre aqueles que são escravos “de seus próprios ventres”, não é verdade? Quão apropriadas são as palavras de Jesus: “Prestai atenção a vós mesmos, para que os vossos corações nunca fiquem sobrecarregados com o excesso no comer, e com a imoderação no beber, e com as ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vós instantaneamente como um laço.” Exercer autodomínio no comer e no beber faz parte da devoção piedosa que é proveitosa para todas as coisas, tanto para a vida presente — algumas autoridades médicas culpam a excessiva nutrição por quase todas as doenças degenerativas modernas — como para a vida futura. — Fil. 3:19; Rom. 16:18; Luc. 21:34, 35; 1 Tim. 4:8.

      18. De que dois modos nos ajuda o autodomínio na comida e na bebida a dominar as nossas emoções?

      18 Além disso, o autodomínio à mesa nos ajuda a exercer autodomínio quanto às nossas emoções, e isso de dois modos. Primeiro, porque o autodomínio num sentido nos ajuda a exercer autodomínio em outros sentidos. Assim, um destacado ministro cristão, que gostava muito de amendoim, disse que o levava no bolso mas não o comia, para desenvolver o autodomínio. Por dominar seu gosto pelo amendoim foi ajudado a exercer autodomínio também em outras coisas. E, segundo, quanto mais abstêmios forem os hábitos de comer de um homem, tanto menos freqüentemente se sentirá provavelmente acometido de paixão sexual, que é outro campo em que se deve exercer autodomínio. Conforme se observou muito bem, ‘quanto mais robusto o homem sensual, tanto mais inclinado está ao mal’.

      A NECESSIDADE DE AUTODOMÍNIO NA RELAÇÃO ENTRE OS SEXOS

      19. (a) O que se pode dizer representa o maior repto para o autodomínio, conforme se vê em que fatos? (b) Por que se dá isso, e, no entanto, como se vê que isso é uma expressão do amor de Jeová?

      19 A necessidade de autodomínio na relação com os do sexo oposto é provavelmente ainda maior e ao mesmo tempo mais difícil do que o autodomínio na comida e na bebida, e com conseqüências muito mais sérias. Pode-se dizer que representa o repto maior de todos. Cada ano, literalmente milhares de cristãos dedicados são desassociados, no mundo inteiro, por causa de sua conduta para com os do sexo oposto, que se tornou imprópria para os cristãos. E compreende-se facilmente razão disso quando pensamos no que está envolvido. Jeová Deus não só ordenou ao primeiro casal humano que fossem fecundos e se tornassem muitos, mas ao mesmo tempo deu a cada um dos sexos um atrativo tão forte pelo outro, que nunca haveria o perigo de que a raça humana cometesse suicídio por deixar de usar suas faculdades procriativas em vista dos fardos que acompanham a vida familiar. Isto, ao mesmo tempo, era outra evidência do amor de Jeová Deus, pois ele tornou o atrativo mútuo entre os sexos extremamente agradável. Assim tornou possível que cada um, não importa quão humilde a sua situação, usufruísse uma das maiores bênçãos da vida, sem depender da inteligência ou de grande riqueza. — Gên. 1:26-28; 2:18-24.

      20, 21. (a) Por que deu Jeová Deus leis que governam o dom do sexo? (b) Que diz a Palavra de Deus a respeito dos que violam as suas leis neste sentido?

      20 Mas, junto com esta dádiva, o Criador estabeleceu sábia, justa, sim, e logicamente certas restrições, não de modo arbitrário, mas para o benefício do próprio homem, e em especial para o benefício da mulher, o vaso mais fraco, e para o benefício da prole resultante desta bênção; por estas razões ele proscreveu a fornicação e o adultério. Assim como a necessidade que o homem tem de comida e bebida não lhe dá o direito de roubar, nem de se tornar glutão ou beberrão, assim a faculdade da expressão sexual não deve ser exercida de qualquer modo que agrade ao homem, sem consideração das leis de Deus ou das conseqüências para si mesmo ou para outros. Por isso se requer de nós que exerçamos autodomínio no que se refere à maneira em que damos expressão a este instinto por pensamento, palavra e ação. Por isso, a Palavra de Deus aconselha os maridos: “Bebe água da tua própria cisterna e filetes de água do meio do teu próprio poço.” — Pro. 5:15-23.

      21 Sim, o estímulo e a satisfação do instinto de procriação é uma sensação extremamente agradável, e por isso o coração humano decaído tem fortes inclinações de se entregar a ele. Mas, a menos que seja usado dentro do vínculo marital, é estigmatizado nas Escrituras como “as obras da carne . . . fornicação, impureza, conduta desenfreada”, coisas que privam a pessoa das bênçãos do reino de Deus, assim como lemos: “A fornicação e a impureza de toda sorte, ou a ganância, não sejam nem mesmo mencionadas entre vós, assim como é próprio dum povo santo . . . Pois . . . nenhum fornicador, nem pessoa impura, nem pessoa gananciosa — que significa ser idólatra — tem qualquer herança no reino do Cristo e de Deus.” — Gál. 5:19-21; Efé. 5:3, 5.

      22. Que conselho bíblico se dá aos homens e às mulheres com respeito à conduta cuidadosa entre os sexos, com que implicações?

      22 Especialmente os homens cristãos devem usar de autodomínio no seu modo de falar e nas suas ações, para não suscitar impureza no sexo oposto, visto que parece ser a tendência do homem decaído agradar-se da sedução. As mulheres cristãs, por outro lado, precisam ter cuidado para que se “adornem em vestido bem arrumado, com modéstia e bom juízo”. Assim como a masculinidade dá prazer às mulheres, assim a feminilidade dá prazer aos homens, mas a menos que esteja ligada à modéstia, constitui prazer impuro. Dificilmente se pode dizer que as mini-saias sejam modestas. As palavras de Jesus, registradas em Mateus 5:28, envolvem também as mulheres. De que modo? No sentido de que as mulheres cristãs têm a obrigação de não se vestirem de modo provocativo, de não tentarem os homens a continuar a olhar para elas, para assim derivarem a satisfação orgulhosa de notar como podem influir nas emoções dos homens. E quando os homens violam aquele texto, não só eles mesmos se tornam culpados, mas podem também estimular a mulher ao ponto de ela também se tornar culpada. É evidente que tanto os homens como as mulheres na congregação cristã precisam fazer a sua parte, se as mulheres mais maduras hão de ser tratadas ‘como mães, as mulheres mais jovens como irmãs, com toda a castidade’. — 1 Tim. 2:9; 5:1, 2.

      AUTODOMÍNIO EM OUTROS CAMPOS

      23, 24. Em que outros campos precisam os cristãos ter cuidado de exercerem autodomínio, e por que razões?

      23 O Criador não impôs aos animais inferiores a obrigação de exercer autodomínio. Eles passam bem por simplesmente seguirem os seus instintos, vivem o tempo determinado e servem ao propósito de Deus para com eles. Mas com o homem é diferente. Jeová Deus dotou o homem com raciocínio, com consciência e com força de vontade, os quais, porém, ficaram prejudicados pela decadência. Portanto, o homem imperfeito precisa constantemente disciplinar-se para não ir a extremos naquilo que talvez lhe dê prazer. Assim, não há nada de errado na própria recreação, nos esportes, nos passatempos e em coisas semelhantes, SE forem mantidos sob controle, no seu devido lugar; SE houver moderação no seu usufruto. Mas quando alguém tem dificuldade de ser moderado no usufruto de tais coisas boas, seja um passatempo ou ver TV, é melhor passar sem elas completamente, do que deixar que se tornem um laço. — Mar. 9:43-48.

      24 O mesmo se aplica à ocupação secular diária da pessoa. Esta talvez seja bastante interessante ou represente um desafio, ou talvez seja considerada bastante compensadora, por causa do dinheiro que se ganha ou por causa de outros benefícios. Tais fatores podem fazer que alguém se torne trabalhador compelido, a quem falta o autodomínio. Tais homens amiúde se tornam vítimas da pressão arterial alta e podem sofrer ataques cardíacos. Outrossim, muitos não conseguem exercer autodomínio na adquisição de coisas materiais. Facilmente influenciados pela conversa lisonjeira dos vendedores, fazem compras imprudentes e assim ficam presos aos credores.

      25. No precedente, o que se trouxe à nossa atenção quanto ao valor e à necessidade de autodomínio?

      25 Deveras, não se podem exagerar o valor e a necessidade do autodomínio. A menos que o exerçamos, todos os nossos trabalhos cristãos podem mostrar-se “de algum modo” em vão. A falta de autodomínio iniciou a raça humana no caminho do pecado e da morte, e causou a queda de muitos dos servos de Jeová e a sua desgraça. Mas é possível exercê-lo, conforme demonstrado por muitos personagens bíblicos fiéis. Especialmente quando se trata de prazeres, de coisas de que gostamos, tais como a comida e a bebida, o sexo e a recreação, precisamos de autodomínio ao querermos fazer o que é sábio, amoroso e direito.

  • “Supri . . . ao vosso conhecimento, o autodomínio”
    A Sentinela — 1970 | 1.° de fevereiro
    • “Supri . . . ao vosso conhecimento, o autodomínio”

      “Por esta mesma razão, por contribuirdes em resposta todo esforço sério, supri à vossa fé a virtude, à vossa virtude, o conhecimento, ao vosso conhecimento, o autodomínio.” — 2 Ped. 1:5, 6.

      1, 2. (a) Por que é tão apropriada a admoestação de Pedro, de suprirmos ao nosso conhecimento o autodomínio? (b) Por que não é fácil exercer autodomínio?

      A PALAVRA de Deus dá muita ênfase a obtermos o conhecimento contido nela. Tal conhecimento é indispensável para obtermos a vida eterna, assim como Jesus disse: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) Mas, conforme acabamos de ver, o conhecimento sem o autodomínio não nos dará vida, e por isso o apóstolo Pedro nos aconselha bem apropriadamente: “Por esta mesma razão, por contribuirdes em resposta todo esforço sério, supri à vossa fé a virtude, à vossa virtude, o conhecimento, ao vosso conhecimento, o autodomínio.” — 2 Ped. 1:5, 6.

      2 Pode-se dizer que tão grandes como são o valor e a necessidade de autodomínio, é também o esforço para tê-lo. Por quê? Por que precisam até mesmo cristãos maduros tomar precauções para ‘andarem dum modo digno de Deus’, embora se admita que para alguns significa esforço maior do que para outros? (1 Tes. 2:12) Porque, sob as condições atuais, aderir ao proceder de retidão é exatamente o oposto a seguir a lei do menor esforço, o que, por sua vez, se deve aos três adversários que confrontam a nós cristãos, a carne, o mundo e o Diabo.

      3. Que adversário dentro de nós torna o autodomínio difícil, conforme se vê em que testemunho bíblico?

      3 Em primeiro lugar, há todas as tendências decaídas, herdadas, da carne. Sim, do mesmo modo como herdamos diversas debilidades físicas de nossos antepassados, herdamos também fraquezas morais ou falhas na personalidade. Não podemos escapar do fato de que “os pais foram os que comeram a uva verde, mas foram os dentes dos filhos que ficaram embotados”. Conforme o próprio Jeová disse a respeito da humanidade logo após o Dilúvio: “A inclinação do coração do homem é má desde a sua mocidade.” E parece que quanto mais dotada ou vigorosa é a personalidade, tanto mais difícil é para o seu possuidor exercer autodomínio; este é um fato comprovado inúmeras vezes não só pela história secular, mas também pelos exemplos bíblicos. O problema que todos os servos de Jeová têm para exercer autodomínio é especialmente bem declarado pelo apóstolo Paulo: “Pois eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não mora nada bom; porque a capacidade de querer está presente em mim, mas a capacidade de produzir o que é excelente não está presente. Pois o bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, este é o que pratico.” Não há dúvida sobre isso, Paulo reconheceu que tinha de travar uma luta para exercer autodomínio. Mas, tanto de suas próprias palavras como do registro de suas atividades se torna claro que nunca cessou de guerrear contra as fraquezas da carne e que elas não chegaram a dominá-lo, senão nunca poderia ter escrito: “De modo algum damos qualquer causa para tropeço, para que não se ache falta no nosso ministério.” Ele amofinava seu corpo, mantendo-o sob controle. Pode-se dizer que, por continuarmos na nossa guerra contra o egoísmo, contra a falta de autodomínio em coisas pequenas, é pouco provável que façamos outros tropeçar por cedermos a graves pecados. — Jer. 31:29; Gên. 8:21; Rom. 7:18, 19; 2 Cor. 6:3; 1 Cor. 9:27; Sal. 51:5; Mar. 14:72.

      4, 5. (a) Que adversários visíveis temos de enfrentar em nossos esforços de exercer autodomínio? (b) Que adversários invisíveis temos?

      4 E em segundo lugar, temos em oposição aos nossos esforços de exercer autodomínio este sistema iníquo de coisas composto de homens ateus, egoístas. Eles se esforçam a explorar-nos por apelar para as nossas fraquezas para o seu próprio proveito pessoal. (1 João 2:15, 16) É do interesse deles que cedamos às nossas paixões, excedendo-nos na comida e na bebida, empenhando-nos na conduta desenfreada, lendo literatura lasciva, assistindo a filmes imorais, ficando fanáticos nos esportes ou sobrecarregando-nos desnecessariamente de dívidas, por comprarmos coisas que realmente não nos podemos dar ao luxo de comprar. E depois há o exemplo dos em volta de nós, que cedem a tais tentações.

      5 Em terceiro lugar, temos de lidar com os que exercem controle invisível sobre este sistema iníquo de coisas, Satanás, seu deus, junto com os seus demônios. (2 Cor. 4:4; Efé. 6:12) Ele conseguiu fazer que Eva agisse sem autodomínio e tentou fazer o máximo para fazer Jesus agir de modo similar. (Mat. 4:1-10) Nunca nos devemos esquecer que não temos de lidar apenas com adversários visíveis, mas, acima de tudo, com invisíveis, o chefe dos quais “anda em volta como leão que ruge, procurando a quem devorar”. — 1 Ped. 5:8.

      O ESPÍRITO E A PALAVRA DE DEUS, NOSSOS AJUDADORES

      6. (a) Que força poderosa proveu Jeová para nos auxiliar a adquirir autodomínio? (b) De que modo, especialmente, se pode obter esta força?

      6 Mas, assim como há poderosas forças operando contra exercermos autodomínio, há ajudas ainda mais poderosas para nos auxiliar a exercê-lo, sendo que os principais são o espírito santo de Deus e a Sua Palavra. Conforme lemos: “Não por força militar, nem por poder, mas por meu espírito”, diz Jeová. (Zac. 4:6) Quão grande é a ajuda do espírito santo de Deus no exercício do autodomínio é esclarecido por Paulo: “Persisti em andar por espírito, e não executareis nenhum desejo carnal.” ISTO é autodomínio! Mais do que de qualquer outro modo, este espírito santo pode ser adquirido por se assimilar regular e seriamente a Palavra de Deus, cheia do espírito. De Gênesis a Revelação, ela está cheia de admoestação direta e indireta para se exercer autodomínio. Conforme vimos, ela nos dá muitos exemplos de aviso contra o dano causado pela falta de autodomínio e muitos bons exemplos mostrando a sabedoria de se exercer autodomínio, bem como as recompensas disso. — Gál. 5:16.

      7-9. (a) Que conselho nos dá a Palavra de Deus quanto a controlarmos os nossos pensamentos? (b) Nosso espírito ou emoções? (c) Nossas afeições, nossos anseios ou nossos desejos?

      7 Entre as coisas que a Palavra de Deus nos aconselha diretamente é que devemos controlar nossos pensamentos. Devido às fraquezas herdadas e às condições imperfeitas e iníquas ao redor de nós, é muito fácil ter os pensamentos errados, pensamentos de orgulho, de amargura, de ressentimento, de impureza e de comiseração de si mesmo. Por causa disso somos aconselhados a ‘reformarmos a nossa mente’ e a treiná-la a ‘continuar a considerar as coisas que são verdadeiras, justas, castas, amáveis, virtuosas e louváveis’. O alvo que procuramos alcançar em nosso modo de pensar é de trazer “todo pensamento ao cativeiro, para fazê-lo obediente ao Cristo”. Que norma elevada isso estabelece para nós! — Rom. 12:2; Fil. 4:8; 2 Cor. 10:5.

      8 Por lermos regularmente a Palavra de Deus recebemos também muito conselho direto sobre dominarmos o nosso espírito, nosso temperamento, nossas emoções. “Melhor é o vagaroso em irar-se do que o homem poderoso” que não é vagaroso em irar-se, e, por isso, não tem autodomínio, “e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade”, mas não cativou seu espírito. Sim, “como uma cidade arrombada, sem muralha”, e por isso sem defesa, “é o homem que não domina seu espírito”. — Pro. 16:32; 25:28.

      9 Outrossim, a Palavra de Deus nos aconselha diretamente que controlemos as nossas afeições, os nossos anseios e os nossos desejos — as coisas em que fixamos o coração — o que é muito importante, porque é ali que começa a dificuldade. Ficaria alguém alguma vez culpado dum pecado que mereça a desassociação por parte da congregação cristã se controlar sempre estas coisas? Conforme Jesus advertiu muito bem: “Do coração vêm raciocínios iníquos, assassínios, adultérios, fornicações, ladroagens, falsos testemunhos, blasfêmias”, tudo o que avilta o homem e produz maus frutos. (Mat. 15:19, 20) Somos aconselhados sabiamente: “Mais do que qualquer outra coisa a ser guardada, resguarda teu coração, pois dele procedem as fontes da vida.” Sim, o primeiro passo na direção errada é dado quando se permite que o coração se demore nas coisas que são agradáveis, mas que são más à vista de Deus, assim como demonstrou o discípulo Tiago: “Cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo”, por demorar-se em coisas proibidas por Deus. “Então o desejo, tendo-se tornado fértil, da à luz o pecado; o pecado, por sua vez, tendo sido consumado, produz a morte.” Deveras, por escrutarmos a Palavra de Deus, obtemos muito conselho excelente para controlar nossos pensamentos, nosso espírito e nossos desejos! — Pro. 4:23; Tia. 1:14, 15.

      10. Que diz a Palavra de Deus sobre controlarmos a língua?

      10 Na Palavra de Deus encontramos também muito conselho sobre a necessidade de controlarmos a nossa língua. O sábio Rei Salomão nos aconselha repetidamente neste respeito, assim como em Provérbios 10:19: “Na abundância de palavras não falta transgressão, mas quem refreia seus lábios age com discrição.” Os inspirados escritores cristãos nos aconselham do mesmo modo: “A fornicação e a impureza de toda sorte, ou a ganância, não sejam nem mesmo mencionadas entre vós, assim como é próprio dum povo santo; nem conduta vergonhosa, nem conversa tola, nem piadas obscenas, coisas que não são decentes, mas, antes, ações de graças.” (Efé. 5:3, 4) É especialmente o discípulo Tiago que fala muito sobre a necessidade de se controlar a língua, e ele até mesmo declara que, a menos que controlemos a língua, nossa forma de adoração é fútil. Quão forte é o conselho para controlarmos a língua! — Tia. 1:26; 3:1-12.

      11. Que conselho dão as Escrituras quanto a como devemos andar?

      11 Pensamentos, palavras — e ações. Sim, quando nos alimentamos da Palavra de Deus, somos também ajudados a exercer domínio sobre as nossas ações em razão do bom conselho dado por ela. Entre as maneiras em que ela no-lo dá se encontra o conselho sobre o modo em que devemos andar, como nos devemos comportar. O apóstolo Paulo achou isso tão importante, que tinha algo a dizer sobre isso a cada congregação a que escreveu. Assim, ele aconselhou os cristãos em Roma: “Andemos decentemente, como em pleno dia.” Os cristãos em Éfeso ele admoestou: “Mantende estrita vigilância para não andardes como néscios, mas como sábios, comprando para vós todo o tempo oportuno, porque os dias são iníquos.” Pelos Colossenses ele orou para que “fiqueis cheios do conhecimento exato da sua vontade, em toda a sabedoria e discernimento espiritual, para andardes dignamente de Jeová, com o fim de lhe agradardes plenamente, ao prosseguirdes em dar fruto em toda boa obra”. À recém-formada congregação em Tessalônica ele escreveu: “Nós exortávamos a cada um de vós . . . com o fim de que prosseguísseis andando dum modo digno de Deus”; “a fim de que andeis decentemente”. Andar decentemente, andar dum modo digno de Deus, manter estrita vigilância sobre como se anda, tudo isso exige autodomínio! — Rom. 13:13; Efé. 5:15, 16; Col. 1:9, 10; 1 Tes. 2:11, 12; 4:12; 1 Cor. 3:3; Gál. 5:16, 25; Fil. 3:16.

      OUTRAS ATIVIDADES CONDUCENTES AO AUTODOMÍNIO

      12. Como nos ajuda a termos autodomínio se guardarmos as nossas associações?

      12 Entre as outras atividades, além de se estudar a Palavra de Deus, que são conducentes ao autodomínio encontra-se a associação com concristãos, em obediência ao conselho encontrado em Hebreus 10:23-25. Por nos associarmos com os irmãos cristãos, que também reconhecem a necessidade de autodomínio, somos ajudados a nós mesmos o exercermos. Não é muito provável que eles nos tentem a nos entregarmos à conduta desenfreada. Isto se dá especialmente no que se refere às férias. Passar as férias na Escola do Ministério do Reino, em assembléias e congressos, ou em servir onde a necessidade é maior, tal como em território isolado, serve para proteger-nos. Mas, quer em férias, quer em qualquer outra ocasião, se escolhermos associar-nos com os que não têm a mesma norma elevada como nós quanto ao autodomínio, podemos descobrir que os imitamos, estragando assim os nossos hábitos úteis. Somos advertidos sabiamente: “Não tenhas companheirismo com alguém dado à ira; e não deves entrar com o homem que tem acessos de furor, para não te familiarizares com as suas veredas e certamente tomares um laço para a tua alma.” Associar-se voluntariamente com tais é um erro! — Pro. 22:24, 25; 1 Cor. 15:33.

      13. Como nos ajuda o serviço de campo fiel a cultivar o autodomínio?

      13 Outrossim, a atividade fiel, constante e diligente no ministério cristão é conducente ao autodomínio. Requer autodomínio ir cedo para a cama no sábado à noite, para uma boa noite de descanso, a fim de se estar em boas condições para as atividades teocráticas no domingo. Exige autodomínio levantar-se cedo domingo de manhã para se encontrar com outros cristãos para o serviço de campo. Exige autodomínio continuar no ministério o tempo que se sabe que se deve trabalhar, quando o tempo é mau e se encontra pouco interesse nas pessoas às portas. E ao passo que se vai de porta em porta, encontram-se muitas situações que podem pôr à prova o autodomínio da pessoa. Ela talvez seja insultada ou como que esbofeteada na face; mas, virar a outra face a favor das boas novas — isso exige autodomínio! E o mesmo se dá para se responder com brandura e profundo respeito quando alguém com autoridade exige saber a razão da esperança que se tem; assim como se dá também para responder com brandura quando se encontra um morador furioso. — Mat. 5:39; 1 Ped. 3:15; Pro. 15:1.

      14. De que ajuda é a oração para se alcançar o autodomínio?

      14 Ainda outra atividade conducente ao autodomínio é a oração. É de verdadeira ajuda achegar-se freqüentemente a Deus. Recorra a ele em busca de ajuda em tempos de necessidade, de tensão ou de tentação. Nunca negligencie a oração, mas torne-a um hábito, não mecânico, mas hábito sério, sincero e do coração. Peça a Deus por ajuda, continue a pedir a Ele, rogando-lhe seu perdão quando deixou de exercer autodomínio. Diga-lhe cada vez seriamente que vai esforçar-se a fazer melhor da próxima vez. Sim, continue orando, ‘não me leves à tentação’; ‘ore incessantemente’, ‘persista em oração’ com respeito a adquirir autodomínio. — Mat. 6:13; 1 Tes. 5:17; Rom. 12:12.

      QUALIDADES QUE AJUDAM A CULTIVAR O AUTODOMÍNIO

      15. Que se pode dizer a respeito do temor de Jeová como ajuda para se ter autodomínio?

      15 De muita ajuda no cultivo do autodomínio são também as boas atitudes mentais ou qualidades cristãs do temor de Jeová, da humildade, da fé e do amor. Não há dúvida de que o temor de Jeová nos ajuda a cultivar o autodomínio. Tememos corretamente a Jeová, por causa da sua posição e dos seus atributos. Somos responsáveis perante ele como Soberano universal e “não há criação que não esteja manifesta à sua vista, mas todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma prestação de contas”. É correto temermos desagradá-lo, pois ele é perfeito em justiça, ao passo que nós somos imperfeitos, pecadores e estamos inclinados a ir na direção errada. É correto que o temamos também por causa do seu poder ilimitado: “Coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivente.” Este temor de Deus é “o princípio”, “o início da sabedoria”, pois “significa odiar o mal’’. Sim, não basta que amemos a verdade e a justiça, mas, iguais a Jesus Cristo, temos de odiar, abominar, ter forte aversão a tudo o que é contra a lei, não importa quão agradável, desejável ou atraente seja para a carne decaída. Isto significa ‘substituir a velha personalidade com as suas práticas com a nova personalidade’. — Heb. 4:13; 10:31; Sal. 111:10; Pro. 9:10; 8:13; Col. 3:9, 10.

      16. De que maneira é a humildade conducente ao autodomínio?

      16 Outra qualidade que é de grande ajuda para exercermos o autodomínio é a humildade. E não é de se admirar, visto que um dos maiores obstáculos ao autodomínio é o orgulho. A pessoa humilde, em primeiro lugar, não se ofende facilmente e por isso não é tão provável que se sinta tentada a agir sem autodomínio. É muito mais provável que o humilde tenha paciência ao tratar com outros, e por isso seja longânime, o que contribui para o autodomínio. Ao procurarmos cultivar o autodomínio precisamos da ajuda de Jeová, da sua benignidade imerecida, e esta se acha disponível não aos orgulhosos, mas aos humildes: “Deus opõe-se aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes.” Os iníquos mencionados por Judas, que “transformam a benignidade imerecida de nosso Deus numa desculpa para conduta desenfreada”, e assim não têm autodomínio, são também orgulhosos, pois “desconsideram o senhorio, e falam de modo ultrajante dos gloriosos”. — Tia. 4:6; Jud. 4, 8; 1 Ped. 5:5.

      17, 18. (a) Como pode a fé, como fruto do espírito, ajudar-nos no autodomínio? (b) Como o pode fazer o amor?

      17 O que também nos pode ajudar a cultivar o autodomínio é a fé em Jeová Deus e nas suas promessas. Quantas vezes ficamos perturbados por causa da falta de fé em Deus, tornando difícil de exercermos autodomínio! Jó pôde perseverar por causa de sua fé. Exigiu verdadeiro autodomínio não ‘amaldiçoar a Deus e morrer’, e ele pôde exercê-lo por causa de sua fé, que o habilitou a dizer: “Mesmo que me matasse, não esperaria eu?” A fé nos habilitará a não nos acalorarmos por causa dos malfeitores, mas a exercermos autodomínio, esperando por Jeová, sabendo que a vingança é dele e que é ele quem pagará de volta. A fé nos habilitará a exercermos autodomínio e a não sucumbirmos às tentações do materialismo, sabendo que este mundo e os seus desejos passarão em breve. A fé nos habilitará a exercermos autodomínio quando somos perseguidos, sabendo que o pior que o homem nos pode fazer é matar o corpo. — Jó 2:9; 13:15; Sal. 37:1; Rom. 12:19; 1 João 2:15-17; Mat. 10:28.

      18 E, acima de tudo, é o amor que nos ajudará a cultivar o autodomínio. Se amarmos a Jeová de todo o coração, alma, mente e força, então certamente procuraremos agradá-lo por exercermos autodomínio. Fará que sejamos cuidadosos para não lançarmos vitupério sobre o seu nome, devido à má conduta. E amarmos o nosso próximo como a nós mesmos também exigirá autodomínio, para que não lhe causemos dor ou prejuízo, e especialmente para não o fazermos tropeçar. As palavras de Paulo mostram a relação entre o amor e o autodomínio: “Pois isto é o que Deus quer, a vossa santificação, que vos abstenhais de fornicação; que cada um de vós saiba obter posse do seu próprio vaso em santificação e honra [o que exige autodomínio], não em cobiçoso apetite sexual, tal como também têm as nações que não conhecem a Deus; que ninguém vá ao ponto de prejudicar e de usurpar os direitos de seu irmão neste assunto, pois Jeová é quem exige punição por todas estas coisas.” O amor aos nossos irmãos impedirá que erremos em tais assuntos devido à falta de autodomínio, assim como nos habilitará a obedecermos ao conselho: “Persisti em endireitar as veredas para os vossos pés, para que o coxo não fique desconjuntado, mas, antes, para que sare.” Paulo nos deu um bom exemplo neste respeito: “Se o alimento fizer o meu irmão tropeçar, nunca mais comerei carne alguma, para que eu não faça meu irmão tropeçar.” — 1 Tes. 4:3-8; Heb. 12:13; 1 Cor. 8:13.

      BENEFÍCIOS E RECOMPENSAS DO AUTODOMÍNIO

      19. Que benefícios para o corpo e a mente resultam do autodomínio?

      19 Os benefícios e as recompensas do exercício do autodomínio são deveras grandes. É assim que deve ser, visto que Jeová, o Deus justo, é Soberano universal. Assim como a falta de autodomínio resulta em prejuízo totalmente fora da proporção com as vantagens imediatas ou os prazeres sentidos, assim se pode dizer que o exercício do autodomínio resulta em benefícios inteiramente fora da proporção com os esforços envolvidos. Em primeiro lugar, o autodomínio resulta na saúde do corpo e da mente. Neste respeito, um dos mais destacados nutricionistas dos Estados Unidos declarou que “a saúde é a recompensa da temperança” ou do autodomínio, e que “ser esbelto com temperamento sossegado significa vida longa”, e pesquisas recentes demonstraram que os pacientes psiquiátricos são muito mais numerosos entre moças universitárias promíscuas do que entre as que se apegam à sua virtude.

      20. Que benefícios espirituais resultam de se exercer autodomínio?

      20 Ainda mais importante, o autodomínio nos ajuda a ter amor-próprio. Todos nós sabemos o que Deus exige de nós individualmente, e ao ponto em que séria e honestamente procurarmos estar à altura desta norma, teremos uma boa consciência e amor-próprio. (1 Ped. 3:16) Impedirá também que sigamos “a multidão para maus objetivos”. (Êxo. 23:2) Além disso, exercermos autodomínio nos ajudará grandemente a cultivar os outros frutos do espírito. Não podemos ter alegria a menos que disciplinemos a mente, o coração e o corpo, pois a alegria cristã não é mero sentimento, mas se baseia em princípios. O mesmo se aplica à paz. Como podemos ter paz, se continuamente estamos em dificuldades por falta de autodomínio? E, conforme já se observou, a longanimidade anda de mãos dadas com o autodomínio. Do mesmo modo, ser benigno e brando quando isso realmente é importante, como quando em situações provadoras, exige grande autodomínio, assim como é exigido para se reter a bondade em face das tentações de ceder ao egoísmo. — Gál. 5:22, 23.

      21. De que benefício é para os outros exercermos autodomínio?

      21 O autodomínio resulta em bênçãos, não só para nós mesmos, mas também para outros. Em primeiro lugar, impedirá que façamos outros tropeçar. (Fil. 1:9, 10) Ajudar-nos-á a nos tornarmos bons exemplos para eles. Resultará em boas relações com a nossa própria família, onde tantas vezes se despercebe a necessidade do autodomínio, assim como resultará em boas relações na congregação cristã, no local do emprego e na escola. Ao ponto que tivermos cargos de responsabilidade ou aspirarmos a tais, a tal ponto precisamos esforçar-nos ainda mais para exercer autodomínio, pois tais cargos exigem mais. Neste respeito, uma das perguntas-chaves pela qual os músicos duma orquestra sinfônica julgam os maestros é: “Mantém ele o autodomínio sob tensão?” Sim, o superintendente cristão precisa ser “moderado nos hábitos, . . . ordeiro, . . . razoável”, o que tudo quer dizer que precisa ‘dominar a si mesmo’. — 1 Tim. 3:1-7; Tito 1:6-9.

      22. Acima de tudo o mais, em que resulta exercermos autodomínio?

      22 Mas, acima de tudo, o autodomínio resulta em boas relações com Jeová Deus e contribui para a vindicação do seu nome. Apenas pelo autodomínio poderemos mostrar-nos sábios e alegrar o Seu coração, para que possa replicar àquele que escarnece dele. Deveras, não se pode exagerar a necessidade de se ter autodomínio! — Pro. 27:11.

  • O resultado da bondade
    A Sentinela — 1970 | 1.° de fevereiro
    • O resultado da bondade

      ● Mostrar bondade no ministério cristão é muito importante. Um ministro das testemunhas de Jeová, participando no trabalho de pregação de casa em casa, encontrou uma senhora que estava ocupada, mas que demonstrou interesse. Era membro ativo da Igreja Católica. O ministro respondeu que até mesmo pessoas ocupadas acham reanimador palestrar por alguns minutos sobre os propósitos de Deus. A senhora portuguesa concordou, escutando por alguns minutos e aceitando um folheto. Quando o ministro das testemunhas de Jeová, na semana seguinte, revisitou esta senhora, ela disse que tinha de ir logo à igreja, mas que teria prazer em palestrar por mais alguns minutos. No fim da palestra, o ministro ofereceu levar a senhora à igreja, no seu carro, visto que ela tinha pouco tempo e cantava no coro. A senhora aceitou a oferta e ficou muito impressionada com tal demonstração de consideração.

      Seguiram-se outras palestras, mas o único tempo disponível era aos domingos, quando esta senhora tinha de ir à igreja. O ministro fez revisitas regulares, e, cada domingo, ao chegar a hora de a senhora ir à igreja, ele a levava de carro até à porta da igreja, para que ela não se atrasasse.

      Iniciou-se um estudo regular, e a senhora viu prontamente a diferença entre a religião verdadeira e a falsa. Aceitou seu primeiro convite para assistir a uma reunião das testemunhas de Jeová e gostou muito dela. Antes de findar o ano, ela se retirou da igreja, e é agora dedicada e batizada, e seu lar está sendo usado para reuniões de congregação.

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