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  • Cultivar e demonstrar o domínio próprio
    A Sentinela — 1968 | 1.° de janeiro
    • Cultivar e demonstrar o domínio próprio

      “Os frutos do espírito são . . . autodomínio.” — Gál. 5:22, 23.

      1. Ao que se pode assemelhar o domínio próprio? Por quê?

      UMA pérola genuína é algo de valor. É rara e é grandemente desejada. Mas, não é conseguida sem esforço. No Golfo Pérsico, onde se diz que são obtidas as mais genuínas pérolas de água salgada, o pescador de pérolas talvez tenha de dar de vinte e cinco a trinta mergulhos aos leitos de ostras por dia, subindo à tona com talvez doze conchas de ostras de cada vez. Todo show, que é um barco costeiro árabe, tem uma tripulação de quarenta a cinqüenta homens, a metade dos quais são mergulhadores. Todavia, diz-se-nos: “Obtêm-se pouquíssimas pérolas excelentes e genuínas. Por exemplo, em 1947, a tripulação de um barco ao abrir 35.000 ostras de pérolas que foram apanhadas numa semana, obteve apenas 21 pérolas. Deste total, apenas três eram verdadeiras gemas, apropriadas para uso comercial.” (The Encyclopedia Americana, edição de 1956, Volume 21, página 455) A pérola genuína, rara e preciosa, pode-se assemelhar a qualidade do domínio próprio. Nestes “últimos dias”, como é incomum! Quão inúmeros são os que não têm “autodomínio”! — 2 Tim. 3:1-3.

      2. Definam o domínio próprio.

      2 Nas Escrituras Gregas Cristãs a palavra grega para domínio próprio é egkráteia, que significa ‘mandar em si, controle próprio; temperança, moderação nos prazeres; o controle sobre, e o governo das paixões’. (A New Greek and English Lexicon, de James Donnegan, 1836, página 423) Segundo o Webster’s Third New International Dictionary (Terceiro Novo Dicionário Internacional de Webster), o domínio próprio é “controle de si: restrição exercida sobre os próprios impulsos, emoções, ou desejos”. Ou, talvez se possa dizer que o domínio próprio significa estabilidade e equilíbrio das forças mentais e físicas, mantendo-as contidas ou restritas. É possível que os cristãos manifestem esta qualidade desejável, o domínio próprio, pois têm o espírito santo de Deus, e “os frutos do espírito são . . . autodomínio [egkráteia]”. (Gál. 5:22, 23) Mas, assim como os que procuram genuínas pérolas têm de trabalhar laboriosamente para obtê-las, assim também os cristãos, cheios do espírito, têm de se esforçar arduamente em cultivar e demonstrar esta qualidade comparável a uma pérola, o domínio próprio.

      3. Quão importante é o domínio próprio na vida cristã?

      3 Tem-se chamado a vida de Cristo de ‘espelho da temperança’, ou do domínio próprio. Que o domínio próprio tem uma parte que não é nada insignificante nas vidas dos seus seguidores se torna evidente do fato de que o apóstolo Paulo, quando levado perante o Governador Félix, há dezenove séculos atrás, falou com ele “sobre a justiça e o autodomínio [egkráteia], e o julgamento por vir”. Sim, o domínio próprio era tão importante que Paulo fez questão especial de considerá-lo quando se apresentou ao governador romano Félix. — Atos 24:24-27.

      4, 5. (a) O domínio próprio habilitará o cristão a enfrentar o que, à medida que se aproxima o fim deste sistema de coisas? (b) Que evidência moderna existe da demonstração do domínio próprio por parte das testemunhas de Jeová, quando perseguidas?

      4 O domínio era uma significativa qualidade cristã há dezenove séculos atrás e é vital hoje em dia. À medida que o fim deste sistema de coisas se aproxima cada vez mais, haverá tempos de tensão, de esmagadora ansiedade, até mesmo de pesar para muitos. Tendo o espírito de Deus, conforme expresso no domínio próprio, o cristão poderá manter-se equilibrado, ao passo que os outros sucumbem sob a tensão. Tendo domínio próprio, os cristãos podem suportar e realmente suportarão as pressões diárias da vida e enfrentarão as severas tempestades da perseguição. Já têm demonstrado que podem fazer isso. Naturalmente, para enfrentarmos grande oposição e violenta perseguição, diversas qualidades cristãs têm de desempenhar sua parte. Mas, inquestionavelmente, o domínio próprio é muitíssimo necessário. Nos tempos antigos, os cristãos o demonstraram de muitas formas, até mesmo em face da morte — quando outros prontamente teriam abandonado seus princípios. Estes fatos da Historia não exigem prova aqui. (Veja-se Despertai! de 8 de outubro de 1962, páginas 20 e 21, e A Sentinela de 15 de julho de 1958, páginas 421 a 423.) Seja notado, contudo, que os cristãos com domínio próprio não abandonaram sua fé sob extrema pressão nos dias atuais.

      5 Em seu livro intitulado “O Estado Nazista” (em inglês), o Professor Ebenstein, da Universidade de Princeton, escreveu a respeito das testemunhas de Jeová: “Quando as testemunhas não abandonaram a luta a favor de suas convicções religiosas, uma campanha de terror foi lançada contra elas que ultrapassou tudo perpetrado contra quaisquer outras vítimas do nazismo na Elemanha . . . Os sofrimentos das Testemunhas de Jeová nos campos foi até mesmo pior do que o confrontado pelos judeus, pacifistas ou comunistas. Embora pequena a seita, cada membro parece ser uma fortaleza que pode ser destruída, mas nunca tomada.” Também a respeito da perseguição contra as testemunhas de Jeová, Richard Mathison declara em seu livro God Is a Millionaire (Deus É Milionário): “Toda esta perseguição foi bem aproveitada. . . . E, talvez, os teimosamente conservadores tenham uma lição a aprender da intransigente coragem desta minoria perseguida. Durante a Guerra da Coréia, os produtos do protestantismo confortável, de nossas academias militares e de nossas melhores faculdades, sucumbiram às vintenas sob a tensão e as lisonjas da lavagem cerebral comunista. Um estudo do Pentágono sobre o problema levou à seguinte conclusão embaraçosa: As poucas Testemunhas de Jeová que acabaram sendo prisioneiras de guerra . . . resistiram sem exceção aos esforços científicos e psicológicos de convertê-las ao comunismo — melhor do que muitos dos patriotas formados em West Point.” Obviamente, o domínio próprio é uma das qualidades necessárias aos cristãos para que suportem intensa perseguição. Por certo, é também necessária aos servos de Jeová de outras formas, nos vários aspectos da vida. Mas, como se pode adquirir esta valiosa pérola?

      COMO OBTER ESTE FRUTO DO ESPÍRITO

      6, 7. (a) Se desejar cultivar e demonstrar domínio próprio, qual é um requisito primário? (b) Que qualidades devem primar nas orações cristãs pedindo o domínio próprio?

      6 “Se vós, embora iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos”, arrazoou certa vez Jesus Cristo, “quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” (Luc. 11:13) Que tremenda garantia! Deveras, os cristãos que orarem fervorosamente a Jeová, pedindo o Seu espírito, conforme expresso no domínio próprio, não serão desapontados, pois “não importa o que peçamos segundo a sua vontade, ele nos ouve”. (1 João 5:14, 15) Assim, como cristão que deseja cultivar e demonstrar o domínio próprio, ore a Jeová, mediante Cristo, pedindo o espírito de Deus, de modo a expressar esta valiosa qualidade. (João 14:6, 14) E, visto que será necessário contínuo esforço para manter o domínio próprio, dê ouvidos à admoestação de ‘orar incessantemente’, de ‘persistir em oração’ e de ‘ser vigilante, visando as orações’. (1 Tes. 5:17; Rom. 12:12; 1 Ped. 4:7) Tudo isto é conselho muito bom!

      7 Nas orações cristãs pedindo o espírito de Jeová e o domínio próprio, tem de haver sinceridade e humildade. Se houver algo na pessoa, em seu coração, que afete sua serenidade, deveria orar a Jeová como fez o Davi da antiguidade, que suplicou: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração. Examina-me e conhece os meus pensamentos inquietantes, e vê se há em mim algum caminho doloroso, e guia-me no caminho do tempo indefinido.” (Sal. 139:23, 24) Tal oração humilde, fervorosa, pedindo a ajuda de Jeová, certamente trará resultados.

      8, 9. (a) Além da oração, o que é necessário para se obter e manter o equilíbrio? (b) Que parte desempenham neste respeito as reuniões cristãs?

      8 Além de orar, contudo, o cristão que preza a pérola do domínio próprio, deveria esforçar-se de obter e manter o equilíbrio por meio da leitura e estudo diários da Bíblia. A Josué se admoestou: “Este livro da lei não deve ser afastado da tua boca e tens de lê-lo em tom baixo dia e noite, a fim de que cuides de fazer conforme tudo o que está escrito nele; pois então tornarás bem sucedido o teu caminho e então agirás sabiamente.” (Jos. 1:8) O domínio próprio, o equilíbrio, como também a sabedoria, resultarão desta freqüente consideração da lei de Deus, uma vez que aplique a instrução bíblica. E os que constantemente põem a Jeová diante de si não vacilarão. — Sal. 16:8.

      9 Mas, o entendimento das doutrinas, das leis e dos princípios bíblicos não vêm automaticamente à pessoa. Deus não trata com pessoas, à parte de sua organização terrestre. (Mat. 24:45-47) Depois do derramamento do espírito santo no dia de Pentecostes de 33 E. C., os seguidores de Cristo se reuniam em lares, não apenas para comerem juntos, e para usufruir a agradável associação, mas para louvar a Jeová. Mantinham reuniões congregacionais em que os concrentes podiam ajudar e encorajar uns aos outros de forma espiritual. (Heb. 10:24, 25; Mat. 18:20; Atos 2:46, 47) O mesmo se dá hoje em dia. Freqüentar as reuniões cristãs habilita a pessoa a receber instrução espiritual que é vital no cultivo dos frutos do espírito de Deus, inclusive o domínio próprio. Também, em tais reuniões a pessoa observa tais qualidades em ação.

      10. Como é que a atividade regular no ministério cristão contribui para o equilíbrio?

      10 A atividade regular no ministério cristão é também de vital importância. Contribui para o equilíbrio. Quando o leitor, qual ministro, enfrenta e considera com tato as perguntas e objeções, cultiva madureza e maior domínio próprio. A experiência obtida no ministério o ajudará a manter a serenidade, o controle de si. Com tal experiência e com a ajuda de Jeová, até mesmo sob provocações, poderá deixar que ‘sua pronunciação seja sempre com graça, temperada com sal, para que saiba como responder a cada um’. — Col. 4:6.

      11. Como é que o conceito espiritual das coisas ajuda a pessoa?

      11 O estudo da Palavra de Deus e a busca dos interesses do Reino também habilitarão a pessoa a cultivar a mentalidade espiritual. Os problemas da vida podem ser solvidos ou pelo menos amainados por nos voltarmos para as Escrituras e as aplicarmos. O homem que tem conceito espiritual é equilibrado; tem domínio próprio e é uma pessoa feliz. Assim, encha sua mente com as idéias de Deus regularmente. Assegure-se de arrazoar com base nos princípios bíblicos e de aplicá-los quando surgirem problemas. Destarte, poderá obter e manter a preciosa pérola do domínio próprio. — 1 Cor. 2:6-16.

      12, 13. Ao considerarmos o domínio próprio, o que podemos dizer quanto aos hábitos?

      12 Cultivar a moderação em todas as coisas e cultivar bons hábitos também contribuem para o domínio próprio. O superintendente cristão deve ser “moderado nos hábitos”. Mas, não é a única pessoa na congregação que deveria ser assim. Paulo disse: “As mulheres, igualmente, devem ser . . . moderadas nos hábitos.” (1 Tim. 3:2, 11) E, a Tito, escreveu o apóstolo: “[Que] os homens idosos sejam moderados nos hábitos.” (Tito 2:2) Assim, a moderação e os bons hábitos são exigências cristãs! Esforce-se de ser “moderado nos hábitos” e certifique-se de que todos eles sejam bons. Isto aprimorará seu domínio próprio.

      13 Mas, cuidado! Outros podem influir em seu equilíbrio. Talvez tenha agora úteis hábitos cristãos, mas cuide de suas companhias. “Más associações estragam hábitos úteis.” (1 Cor. 15:33) Más companhias podem desviá-lo da associação cristã e fazem com que se torne alguém que ama o mundo. Nunca permita que isto aconteça, pois “o mundo está passando, e assim também o seu desejo”. Faça tudo para demonstrar o domínio

      próprio ao escolher seus amigos. — 1 João 2:15-17.

      14. Para cultivar maior domínio próprio, como deveria tratar seus associados? Por quê?

      14 Tendo escolhido suas companhias, como as tratará? Se há de cultivar maior domínio próprio, então, ao lidar com Eles, tem de mostrar empatia, colocando-se às vezes no lugar deles. (Mat. 7:12) Dê aos outros o benefício da dúvida. Quão melhor é fazer isto do que presumir que a distração de alguém, o deixar de lhe falar numa certa ocasião, por exemplo, foi uma descortesia deliberada. Considere as coisas de modo equilibrado. Demonstre o domínio próprio e mostre ter visão. Isso lhe fará bem. Lembre-se do seguinte: “Quem mostra ter visão num assunto encontrará o bem, e feliz. é aquele que confia em Jeová.” — Pro. 6:20.

      15. Que atitude deve ser adotada quanto à disciplina?

      15 A fim de cultivar mais o domínio próprio como cristão, aceite humildemente a disciplina. Talvez lhe ocorra ao ler a Bíblia e as publicações cristãs, notando admoestações que deveriam ser aplicadas em sua vida. Ou, talvez venha de algum superintendente cristão, que também recebe disciplina segundo as suas próprias necessidades. Por que rejeitar qualquer disciplina bíblica ou cristã? Afinal de contas, toda ela provém de Deus, “pois Jeová disciplina. aquele a quem ama”. (Heb. 12:6) Mas, tendo considerado meios de obter a pérola do domínio próprio, avaliemos seu valor quando em ação.

      CONTROLE SUA DISPOSIÇÃO, LÍNGUA E PENSAMENTOS

      16. (a) Ao que pode ser comparado o homem que não tem controle de sua disposição? (b) É digno de nota o temperamento de quem?

      16 Nos tempos antigos, a cidade não murada, ou aquela cujos muros fossem rompidos por uma horda inimiga, estava realmente em maus lençóis. Todavia, um homem que não controla sua disposição é quase a mesma coisa. Diz Provérbio 25:28: “Como uma cidade desguarnecida, sem muro, assim é o homem que não restringe o seu espírito.” Tal homem não tem o verdadeiro equilíbrio. Falta-lhe visão, também, pois Provérbios 19:11 declara: “A visão dum homem certamente amaina a sua ira.” Tal homem deveria pensar em Cristo. Jesus disse a respeito de si mesmo: “Sou de temperamento brando e humilde de coração.” Declarou felizes os de temperamento brando. (Mat. 11:29; 5:5) Assim, se sentir o impulso de explodir de modo irado, medite nas suas palavras e siga o seu exemplo. — Heb. 12:1-3.

      17. Podem as criaturas humanas imperfeitas controlar seu espírito? Provem sua resposta.

      17 Não obstante, talvez ache que foi relativamente fácil para Jesus, um homem perfeito, controlar seu espírito, ao passo que, quanto aos humanos imperfeitos, a historia é outra. Mas, será que é mesmo? Abraão e Ló eram apenas humanos imperfeitos, embora fossem homens justos. (Gên. 15:6; 2 Ped. 2:7) Quando seus pastores ficaram enredados em irada disputa, o que fizeram Abraão e Ló? “Abraão disse a Ló: ‘Rogo-te que não haja discórdia entre mim e ti, nem entre nossos pastores, pois somos irmãos.”‘ Separaram-se, mas continuaram em bons termos, como “irmãos”. (Gên. 13:5-12, CBC) Bem, não são os cristãos irmãos espirituais? Sim, naturalmente. Então, também deveriam resolver dificuldades, não no espírito de ira, mas com domínio próprio. Quão anticristão seria agir de outra forma!

      18. Com respeito ao espírito, o proceder de quem devem os cristãos imitar, e o de quem devem evitar?

      18 Talvez se lembre dos dois irmãos carnais, filhos de Jacó, que perderam maior bênção por serem homens violentos, dados à ira. No tocante a eles, disse Jacó em sua bênção de leito de morte a seus filhos: “Simeão e Levi são irmãos; suas espadas são instrumentos de violência. Que minha alma não entre no seu conselho, . . . Maldita seja sua cólera, porque foi violenta, maldito o seu furor, porque foi cruel. Eu os dispersarei em Jacó, eu os espalharei em Israel.” (Gên. 49:5-7, CBC) Estes violentos filhos de Jacó agiram cruelmente e com ira. Não tinham domínio próprio, ao passo que Abraão e Ló o possuíam. Por certo os cristãos desejam evitar o proceder de Simeão e Levi, e devem imitar o de Abraão e Ló.

      19. Qual é o efeito da disposição descontrolada? Assim, que conselho bíblico deve ser escutado?

      19 Uma disposição descontrolada causa danos às relações com outros e mostra que a pessoa não é sábia. “O insensato derrama todo o seu espírito”, diz Provérbios 29:11, “mas quem é sábio mantém-se calmo até o fim”. Aptamente, o Congregante da antiguidade declarou: “Melhor é o paciente do que o de espírito arrogante. Não te apresses no teu espírito a ficar ofendido, pois sentir-se ofendido é o que repousa no seio dos insensatos.” (Ecl. 7:8, 9) Quem é egotista não demonstra sabedoria. E “quem é pronto a irar-se cometerá tolice”. (Pro. 14:17) Portanto, não se ofenda facilmente. Coloque-se acima das insignificâncias. “Não digas: ‘Eu vou retribuir o mal!’ Espera em Jeová, e ele te salvará.” (Pro. 20:22) Procure meios de aplacar a ira dos outros, lembrando-se de que “uma resposta branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a cólera”. (Pro. 15:1, CBC) Até mesmo se os outros lhe causarem ofensas, aja prontamente para corrigir os assuntos. Dê ouvidos às palavras de Paulo: “Ficai furiosos, mas não pequeis; não se ponha o sol enquanto estais encolerizados.” — Efé. 4:26; Mat. 5:23, 24.

      20. O que disse João a respeito daquele que odeia seu irmão? Por isso, como devem agir os cristãos?

      20 Os cristãos não se podem dar ao luxo de perder o domínio próprio e ter um acesso de ira, mostrando ódio em vez de amor, nem deveriam nutrir tal inimizade. (Pro. 26:24-26) Se o fizessem, estariam nas trevas. O apóstolo João escreveu: “Quem ama seu irmão permanece na luz, e não há causa para tropeço no seu caso. Mas, quem odeia seu irmão está na escuridão e está andando na escuridão, e ele não sabe para onde vai, porque a escuridão lhe cegou os olhos.” (1 João 2:9-11) Não importa onde esteja nem a natureza das circunstâncias prevalecentes, mantenha o domínio próprio. No lar, por exemplo, não seja um marido duro, uma esposa amolante nem uma criança zangona e geniosa. (Col. 3:18-20) As disposições descontroladas levam à ira e ao arrependimento. Mas, os que são bondosos, e não duros, considerados e não críticos, e de temperamento brando antes que geniosos, terão a aprovação celeste nestes respeitos.

      21, 22. O controle da língua exige que se dê ouvidos a que conselho bíblico?

      21 Naturalmente, a fim de controlar sua disposição, tem de controlar a língua. Tiago escreveu: “Da mesma boca procedem bênção e maldição. Não é correto, meus irmãos, que estas coisas se dêem assim. Será que uma fonte faz brotar pela mesma abertura o que é doce e o que é amargo? Meus irmãos, será que a figueira pode produzir azeitonas ou a videira figos? Tampouco pode água salgada produzir água doce.” (Tia. 3:10-12) Sim, Tiago comentava sobre a língua, e o ponto poderoso que frisava é bem claro. Os cristãos têm certamente de restringir a língua.

      22 A linguagem obscena, a tagarelice e a calúnia não têm lugar na vida cristã. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra pervertida”, disse Paulo aos efésios, “mas a que for boa para a edificação, conforme a necessidade, para que confira aos ouvintes aquilo que é favorável . . . Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade”. (Efé. 4:29-31) Evite a linguagem impura. E cuide do que fala a respeito dos outros. (Sal. 15:1-3) Não espalhe nem dê ouvidos à tagarelice. Quando as histórias são repetidas, amiúde são aumentadas. A tagarelice pode assim se tornar calúnia, a respeito do que se disse aos israelitas: “Não deves andar no meio do teu povo a fim de caluniar” (Lev. 19:16) Dê ouvidos a tais palavras. Desta e de outras formas, controle sua língua.

      23. Como podem os cristãos controlar seus pensamentos, e que tipo de pensamento deve ser evitado?

      23 Mas, se há de evitar a tagarelice, a calúnia e a linguagem obscena, tem de controlar seus pensamentos. Assim, se o que é incorreto ou impuro lhe vier à mente, exerça a restrição. Lembre-se das coisas que são justas, castas, amáveis, de boa fama, virtuosas e dignas de louvor e medite nelas. (Fil. 4:8, 9) Ore a Jeová, pedindo maior domínio próprio. Isto significa evitar o modo de pensar materialista e as preocupações, também. Afinal de contas, Jesus disse que “mesmo quando alguém tem abundância, sua vida não vem das coisas que possui”. (Luc. 12:15) Assim, por que ficar ansioso? Jeová sabe quais são suas necessidades quanto à comida, bebida e roupa. Cristo declarou sabiamente: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas.” (Mat. 6:25-34) Que bom conselho! Siga-o, exercendo o domínio próprio, e será deveras feliz!

      DEMONSTRE O CONTROLE PRÓPRIO EM COMER, BEBER E EM DIVERTIR-SE

      24. (a) Embora a pessoa não coma ao ponto de glutonaria, que efeito pode isto ter? (b) O que poderá resultar da falta de domínio próprio em beber bebidas alcoólicas?

      24 Ao passo que não devemos ficar indevidamente preocupados no tocante a adquirir comida ou bebida, uma vez as tenhamos, precisamos demonstrar domínio próprio. Provérbios 23:20, 21 avisa: “Não te ajuntes aos grandes bebedores de vinho, aos que são glutões comedores de carne. Pois o beberrão e o glutão chegarão à pobreza, e a letargia vestirá a pessoa apenas com trapos.” Naturalmente, a pessoa talvez não coma até chegar ao ponto de crassa glutonaria. Mas, comer demais pode significar um ministério letárgico e infrutífero e a letargia nas reuniões cristãs. Por conseguinte, exerça o domínio próprio ao comer. E, de todos os modos, evite a bebedice. Ela degrada a pessoa. Ademais, se o cristão ficasse embriagado, isto talvez fizesse outras pessoas tropeçar e talvez trouxesse vitupério à organização de Jeová. A bebedice pode facilmente arruinar completamente a vida duma pessoa, pois o beberrão costumeiro e impenitente tem de ser desassociado da congregação cristã. Certamente paga algo por sua falta de domínio próprio! — 1 Cor. 6:9, 10.

      25. Ao buscar a diversão e ao divertir-se, o que deve ter presente o cristão?

      25 Até mesmo quando se distrai, o cristão não pode perder o domínio próprio se há de agradar a Deus. Quando se distrai, tem de ser moderado. Os esportes, por exemplo, devem ser mantidos em seu devido lugar. “O treinamento corporal é proveitoso para pouca coisa”, escreveu Paulo; “mas a devoção piedosa é proveitosa para todas as coisas, visto que tem a promessa da vida agora e daquela que há de vir”. (1 Tim. 4:8) Ao procurar divertir-se, o verdadeiro cristão não cederá às imperfeitas inclinações da carne decaída, mas escolherá tipos de distração ou divertimento que tenham efeito edificante sobre si mesmo. Não obstante, também usará de bom juízo em não ficar acordado até altas horas, o que poderia prejudicar-lhe a saúde e reduzir sua eficiência no ministério. Assim, irá dormir cedo no sábado à noite, por exemplo, de modo que se sinta bem disposto e alerta para a atividade ministerial na manhã de domingo. Por que dissipar tolamente as energias na busca de diversão, apenas para ver frustrado este mesmo propósito, por meio de falta de domínio próprio? Aja com sabedoria. Seja moderado, exercendo o domínio próprio neste aspecto da vida também.

      26. Por que o domínio próprio é digno de todo esforço que se faça para obtê-lo e manifestá-lo?

      26 Torna-se evidente, pois, que, semelhante à linda pérola natural, o domínio próprio não é obtido nem cultivado sem fervoroso esforço. Mas, vale a pena todo o trabalho desenvolvido para obtê-lo e manifestá-lo. Simplesmente considere seu valor e sua importância. Por cultivar e demonstrar o domínio próprio nestes últimos dias, agradará a Jeová. E, por permanecer fiel a Ele, será um feliz recebedor de suas bênçãos agora e em sua prometida nova ordem. (2 Ped. 3:11-13) Com efeito, hoje em dia, com tanta coisa a ser feita para se louvar a Jeová e pregar as boas novas do Reino, o domínio próprio é vital ao seu progresso cristão.

  • O domínio próprio é vital ao progresso
    A Sentinela — 1968 | 1.° de janeiro
    • O domínio próprio é vital ao progresso

      “Supri à vossa fé . . . o autodomínio.” — 2 Ped. 1:5, 6.

      1, 2. (a) Que tipo de treinamento era exigido dos atletas gregos dos tempos antigos? (b) Que qualidade é especialmente necessária tanto aos atletas como aos cristãos, e como é que Paulo expressa isto?

      “DESEJA ganhar o prêmio dos jogos olímpicos? — Considere os preparativos necessários e as conseqüências: tem de seguir um regime estrito; tem de viver de alimentos que não gosta; tem de abster-se de todas as guloseimas; tem de exercitar-se nas horas necessárias e prescritas, tanto no calor como no frio; não poderá beber nada refrescante; não tomar nenhum vinho como antes tomava; em uma só palavra, tem de colocar-se sob a orientação de um pugilista, como se colocaria sob a de um médico, e, depois disso, alistar-se. Nisso talvez quebre um braço, seu pé talvez saia do lugar, talvez seja obrigado a engolir um montão de pó, a receber muitos açoites, e, depois de tudo, ser vencido.” Essa era a porção do atleta grego dos tempos antigos, segundo o filósofo grego Epiteto. As coisas para ele não eram fáceis. Tais atletas, como os corredores, faziam estrênuos esforços para obter fama e uma coroa corruptível. Nos jogos olímpicos, esta era feita de um ramo de oliveira brava; nos jogos pítios, de loureiro; nos jogos ístmicos, próximo de Corinto, era uma coroa de pinheiro. Muitos eram os rigores da vida dum atleta e, entre as outras qualidades, certamente precisava de domínio próprio — tudo isto no que bem poderia ser uma tentativa fútil de obter glória pessoal e uma coroa perecível!

      2 O apóstolo Paulo, em sua primeira carta canônica à congregação coríntia, usou os jogos antigos qual ilustração, e mostrou a necessidade que o cristão tem do domínio próprio. Assemelhou os seguidores de Cristo a corredores numa corrida, dizendo: “Não sabeis que os corredores numa corrida correm todos, mas apenas um recebe o prêmio? Correi de tal modo, que o possais alcançar. Além disso, cada homem que toma parte numa competição exerce autodomínio em todas as coisas.” Obviamente, Paulo demonstrava domínio próprio, pois passou a dizer: “Ora eles, naturalmente, fazem isso para obterem uma coroa corrutível, mas nós, uma incorrutível. Portanto, corro de modo nada incerto; dirijo os meus golpes de modo a não golpear o ar; mas, amofino o meu corpo e o conduzo como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser de algum modo reprovado.” (1 Cor. 9:24-27) Sim, os cristãos são como corredores numa corrida, e um corredor tem de disciplinar-se. Não pode ser imoderado e extravagante nos hábitos e no treinamento. Em seu caso, o domínio próprio é vital ao êxito.

      3. Com respeito ao domínio próprio, por que os cristãos podem voltar suas vistas para o céu?

      3 Paulo e os crentes coríntios a quem ele escreveu, tanto homens como mulheres, eram corredores numa corrida que era muito mais importante do que qualquer competição atlética. E, para eles, o êxito significaria, não uma coroa desvanecente, mas a “coroa da vida’“, sobre a qual o apóstolo João escreveu mais tarde, conforme registrado em Revelação 2:10. A fim de obterem este grandioso prêmio, tais cristãos tinham de exercer o domínio próprio. E, ao fazerem isso, podiam todos voltar suas vistas para o céu. Por quê? Porque Jeová Deus, que dá seu espírito santo aos verdadeiros cristãos, dá o supremo exemplo do domínio próprio em ação. “Continuei a exercer domínio próprio”, Jeová declara mediante Isaías. (Isa. 42:14) Naturalmente, chegará o tempo em que Jeová mostrará que é mais poderoso do que seus inimigos, mas, ele jamais perde seu perfeito domínio próprio. (Isa. 42:13) Os principais atributos de Jeová, o amor, o poder, a justiça e a sabedoria, estão sempre em equilíbrio absoluto. (1 João 4:8, 16; Sal. 62:11; Deu. 32:4; Jó 12:13) Os humanos, com mentes finitas, nem sempre compreendem os tratos divinos, mas Jeová é, deveras o perfeito Modelo de domínio próprio. — Dan. 4:34, 35; Isa. 55:8, 9.

      4. Contrastem as pessoas que têm domínio próprio cristão com as que não o possuem.

      4 Por que, porém, se dar tanta ênfase ao domínio próprio? Bem, considere o seguinte: Quem não tem esta qualidade talvez reaja de forma desfavorável, sem ser digno de confiança, sob pressão. E as pessoas têm pouca confiança no conselho dado por uma pessoa que vai a extremos. Assim, ministros cristãos, “seja a vossa razoabilidade conhecida de todos os homens. O Senhor está perto”. O cristão cuja razoabilidade é conhecida por todos os que o conhecem, que é alguém que vive “com bom juízo, e justiça, e devoção piedosa no meio deste atual sistema de coisas” será tido como pessoa madura e fidedigna cujo conselho, baseado na segura Palavra de Deus, é digno de crédito. (Fil. 4:5; Tito 2:11, 12) A tal pessoa que tem domínio próprio se pode confiar responsabilidades na congregação cristã. Por outro lado, a falta de suficiente domínio próprio talvez apresente problemas e torne necessário que se corrija a pessoa imoderada. Por conseguinte, compete a todo cristão cultivar e demonstrar o domínio próprio. Mas, exatamente que progresso é possível para os cristãos que têm esta qualidade?

      PROGRESSO POSSÍVEL AOS HOMENS DOTADOS DE DOMÍNIO PRÓPRIO

      5. Que tipo de homens deveria Tito designar? Que qualidade deveriam demonstrar especialmente?

      5 No primeiro século de nossa Era Comum, o apóstolo Paulo deixou Tito em Creta para que ‘corrigisse as coisas defeituosas e fizesse designações de homens mais maduros numa cidade após outra’. (Tito 1:5) Havia necessidade de homens dotados de domínio próprio para servir em tais posições. Paulo escreveu: “Porque o superintendente tem de estar livre de acusação como mordomo de Deus, não [ser] obstinado, não irascível, não brigão bêbedo, não espancador, não ávido de ganho desonesto, mas hospiteleiro, amante da bondade, ajuizado, justo, leal, dominando a si mesmo.” (Tito 1:7, 8) Tal homem não era extremista. Não era obstinado. Não poderia ser encontrado metido em brigas de bêbedos pela vizinhança. Não era espancador. Seu domínio próprio era também demonstrado em não ser “ávido de ganho desonesto”. Para que um homem se habilite à superintendência, sendo alguém em quem seus concrentes podem ter confiança e fé, tem de ser “amante da bondade”. Deveria ser hospitaleiro e “ajuizado”. Especialmente tem de demonstrar domínio próprio. Com isso, poderia evitar atitudes e ações duras ou anticristãs.

      6. O que tem aumentado a necessidade de homens cristãos dotados do domínio próprio, e, assim, o que deveriam os homens cristãos fazer?

      6 Todavia, Creta era apenas uma ilha relativamente pequena no Grande Mar ou Mar Mediterrâneo. As boas novas estavam “dando fruto e . . . aumentando em todo o mundo”. Não se achando mais restritas aos judeus, estavam alcançando as pessoas das nações, gentios que uma vez estavam alienados de Deus. (Col. 1:5, 6, 21-23) À medida que os evangelistas missionários cristãos penetravam em novo território, aumentava a necessidade de mais homens maduros dotados de domínio próprio, pois eram formadas novas congregações. E quão maior é tal necessidade hoje em dia! As boas novas do reino estabelecido de Deus estão sendo proclamadas em toda a terra. Por isso, é ainda maior atualmente a necessidade de superintendentes e servos ministeriais cristãos que possuam o espírito de Deus, conforme expresso na forma equilibrada de vida cristã e no domínio próprio. Esta necessidade aumentará, à medida que haja maior expansão e desenvolvimento da organização terrestre de Jeová. Por conseguinte, que os homens cristãos se empenhem em cultivar o domínio próprio e os demais frutos do espírito de Deus. O progresso, inclusive os privilégios de servir quais superintendentes e servos ministeriais em congregações recém-formadas, acha-se aberto para homens cristãos maduros, dotados de domínio próprio.

      7. Por que o domínio próprio é necessário aos superintendentes e a outros servos na congregação cristã?

      7 Um superintendente cristão em Creta, bem como em toda outra parte, deveria ‘dominar a si mesmo, apegando-se firmemente à palavra fiel com respeito à sua arte de ensino’. Por quê? “Para que possa tanto exortar pelo ensino que é salutar como repreender os que contradizem.” (Tito 1:8, 9) Tem de ter conhecimento exato da Palavra de Deus, a fim de poder exortar, ensinando o que é salutar. Às vezes os cristãos têm problemas sérios e acham difícil pesar estes assuntos de grande preocupação sem receberem ajuda. Por conseguinte, talvez consultem um irmão maduro, tal como o superintendente congregacional. Se a pessoa o fizer, é vitalmente importante que receba salutar conselho arraigado nas Escrituras. Por isso, os superintendentes e os outros servos na congregação precisam de domínio próprio. Não se devem deixar levar pelo sentimentalismo ou alguma outra emoção enuviante, pois suas palavras bem que podem influir em vidas preciosas. Os que têm a responsabilidade de superintendência, se outrem apelar a eles em busca de conselho e de ajuda, deveriam considerar as leis e os princípios bíblicos, mostrando-os aos inquiridores, que têm então de fazer suas próprias decisões. (Gál. 6:5) Assim, se uma lei ou princípio bíblico estiver envolvido no assunto, tem de ser considerado do ponto de vista bíblico pelo superintendente. Embora uma situação seja crítica e seja intensa a pressão, os superintendentes precisam ser cuidadosos de não tecerem comentários que reflitam a falta de domínio próprio.

      8. O que deve ser feito quando se formula uma decisão pessoal ou um acordo solene?

      8 O cristão nem sempre achará necessário considerar um problema com o superintendente congregacional. Amiúde pode ser resolvido em particular por meio de um apelo pessoal direto às Escrituras, junto com oração a Jeová. Mas, se tiver um problema sério e tiver de fazer uma decisão, lembre-se do domínio próprio. Resista a qualquer tendência para a impetuosidade ou a presunção. Não importa de quanto peso seja a decisão ou quão difícil seja a circunstância, mantenha o domínio próprio. Pense antes de agir ou falar, pois “é um laço quando o homem terreno brada precipitadamente: ‘Santo!’ e depois dos votos se dispõe a fazer exames”. (Pro. 20:25) Medite e ore antes de chegar a uma conclusão ou fazer um acordo solene. (Ecl. 5:2-5) Não se estribe no seu próprio entendimento. Tenha presente os lembretes de Jeová em sua Palavra e aja segundo eles. Lembre-se: “A lei de Jeová é perfeita e restaura a alma. O lembrete de Jeová é fidedigno, tornando sábio o inexperiente.” — Sal. 19:7; Pro. 3:1-6.

      COMISSÃO JUDICIAL DA CONGREGAÇÃO

      9. O que devem evitar o superintendente e a comissão judicial da congregação ao se esforçarem em restaurar alguém que errou?

      9 Naturalmente, os problemas no seio da congregação cristã podem variar consideravelmente. Por conseguinte, às vezes, embora não seja diretamente procurado em busca de ajuda, um superintendente poderá fazer esforços de restaurar certo homem que tenha errado de alguma forma. Com efeito, a comissão judicial da congregação talvez tenha de lidar do assunto. O apóstolo Paulo disse a Tito que designasse homens que pudessem “repreender os que contradizem”. (Tito 1:9) Isso não poderia ser feito por um homem vacilante e inseguro, que não tivesse domínio próprio. Assim, tal qualidade autêntica é necessitada pelo superintendente e pela inteira comissão judicial da congregação. Disse Paulo aos gálatas: “Irmãos, mesmo que um homem dê um passo em falso antes de se aperceber disso, vós, os que tendes qualificações espirituais, tentai restabelecer tal homem num espírito de brandura, ao passo que cada um olha para si mesmo, para que tu não sejas também tentado. Prossegui em levar os fardos uns dos outros e cumpri assim a lei do Cristo.” (Gál. 6:1, 2) Não deveria haver nenhum julgamento emocional, apaixonado, nem observações descontroladas, desaconselháveis. Aqueles que têm habilitações espirituais não deveriam ceder às imperfeitas inclinações humanas no sentido de palavras ou ações descomedidas. Se o fizessem, isso apenas criaria obstáculos para que se desse verdadeira ajuda espiritual.

      10. (a) A comissão precisa de domínio próprio a fim de fazer o quê? (b) Que passos deve a comissão assumir quando não houver arrependimento de um crasso erro praticado? E quando for manifesto?

      10 Sem dúvida, a comissão judicial da congregação precisa de domínio próprio, de modo a agir segundo princípios e não segundo emoções. Se certos cristãos dedicados pecaram, mas manifestam verdadeiro arrependimento depois de algo impensado que exige ação disciplinar, tal contrição não deveria ser despercebida. Não obstante, não se deve permitir que o sentimentalismo prevaleça sobre o princípio bíblico quando forem feitas decisões que influam no bem-estar e na pureza da congregação cristã. As vezes, falta por completo o arrependimento de um crasso erro, tornando necessária a desassociação do ofensor. Agindo de acordo com o conselho inspirado de Paulo, os responsáveis da congregação coríntia da antiguidade tiveram suficiente coragem de expulsar um homem culpado de imoralidade incestuosa, de modo que a congregação não sofresse espiritualmente. Somente depois de verdadeiro arrependimento ser manifestado é que puderam ser incentivados a estender o perdão e confirmar seu amor a tal pessoa. (1 Cor. 5; 2 Cor. 2:1-11) A comissão judicial da congregação, na atualidade, tem de exercer o domínio próprio de modo a evitar a dureza quando se exige, brandura e amor, ou a indecisão e a fraqueza, quando são essenciais a firmeza e a determinação.

      O DOMÍNIO PRÓPRIO É VITAL PARA AS MULHERES, PARA OUTROS

      11. Que tipo de pessoa é a esposa cristã que tem domínio próprio e do que está protegida?

      11 O domínio próprio é certamente um requisito para se resolver os problemas pessoais e congregacionais de maneira correta. Também, o exercício desta excelente qualidade poderá conduzir a maiores privilégios para os homens cristãos. Mas, o domínio próprio é também necessário da parte de todos os cristãos que desejam progredir. As mulheres piedosas que o têm são um verdadeiro predicado para a congregação. Os benefícios resultantes de a mulher cristã exercer o domínio próprio podem ser primeiro sentidos no lar. A esposa cristã capaz que o tem é um bom exemplo em palavras e em ações. Ela é como a boa mulher, mas muito diferente da mulher ruim a respeito das quais está escrito: “A esposa capaz é uma coroa para seu dono, mas, como a podridão dos ossos, é aquela que age vergonhosamente.” (Pro. 12:4) A esposa e mãe cristã que zela de seus deveres domésticos e de seus filhos e que tem o coração voltado para os interesses do reino de Deus se livra dos empreendimentos das mulheres vãs que carecem de domínio próprio. Diferente destas, ela não se intromete na vida dos outros, nem tagarela, nem se enreda na má conduta. Ao invés, ocupa-se nos empreendimentos corretos e assim demonstra ser uma bênção para o marido, para os filhos e para todos com quem se associa. — 1 Tim. 2:15; 5:11-15.

      12. Como pode a mulher cristã que demonstra domínio próprio ampliar seu ministério?

      12 A mulher cristã que demonstra o domínio próprio pode também expandir seu ministério. Poderá ter o privilégio de ajudar outras mulheres na obra de pregação, sob a direção do superintendente, e segundo o arranjo congregacional para se oferecer treinamento e ajuda pessoal. É evidente, contudo, que, se a mulher dedicada não tiver domínio próprio e constantemente vai a extremos em se vestir ou em se comportar, ela não poderia ser usada para ajudar outras mulheres no ministério. (1 Tim. 2:9, 10; 1 Ped. 3:3, 4) Se brigar com outras mulheres na congregação, talvez até mesmo com respeito a coisas insignificantes, que espécie de exemplo dá? Não um bom exemplo. Assim, se a mulher cristã deseja fazer progresso à madureza e poder assumir o privilégio de dar alguma ajuda a outras no serviço ministerial, para o louvor de Jeová, ela tem de cultivar e demonstrar o domínio próprio.

      13. Como podem os cristãos idosos que têm domínio próprio ajudar a outros?

      13 Mas, então, o que dizer das pessoas idosas na congregação cristã? Também precisam de domínio próprio. E, se o tiverem, podem, talvez, ajudar outros. Pense apenas nos anos de experiência que um cristão mais idoso talvez tenha no serviço de Deus e nos benefícios resultantes. É compreensível que muitos que tenham servido a Jeová fielmente por vários anos sejam procurados pelos cristãos mais jovens, menos experientes, em busca de ajuda. Estes devem fazer suas próprias decisões, mas, às vezes, um servo idoso dedicado de Jeová pode ajudar por se basear na experiência pessoal e por dirigir a atenção aos princípios bíblicos, destarte trazendo proveito ao inquiridor.

      14. (a) Por que é um prazer associar-nos com pessoas mais idosas na sociedade do Novo Mundo? (b) Embora alguns dos cristãos mais idosos não possam trabalhar tanto quanto costumavam no serviço de Jeová, como podem contribuir para o progresso da obra de pregação?

      14 No entanto, a idade avançada talvez traga problemas com respeito à saúde ruim e a menos vigor. Por conseguinte, os cristãos idosos precisam cultivar o domínio próprio, de modo que possam permanecer alegres apesar de suas dificuldades. Quão amiúde verificamos que as pessoas mais idosas deste sistema de coisa são mal-humoradas, ranzinzas, difíceis de agradar! Há pouco prazer em se associar com elas. Mas, as pessoas mais idosas na sociedade do Novo Mundo das testemunhas de Jeová cultivam e demonstram o domínio próprio e, assim, é um prazer falar com elas e tê-las quais associados no ministério. Na verdade, hoje em dia, algumas delas talvez não possam fazer tanto quanto costumavam fazer no serviço de Jeová. Mas, o domínio próprio as habilita a progredir no sentido de maior espiritualidade, e, até mesmo silenciosamente, pela sua firmeza e sua conduta exemplar, estimulam os mais jovens à atividade cristã. Os muitos relatos da vida real de testemunhas idosas de Jeová, publicados em A Sentinela, servem como fonte de verdadeiro encorajamento. Deveras, de muitas formas os cristãos mais idosos contribuem de modo excelente para o progresso da obra de pregar as boas novas do Reino. — Pro. 16:31.

      15. O que talvez aconteça se os jovens cristãos demonstrarem domínio próprio?

      15 Mas, o que dizer dos jovens — de vocês, rapazes e moças? Bem, se demonstrarem domínio próprio, trarão felicidade aos seus pais. Muitos filhos deste sistema iníquo de coisas não têm domínio próprio e agem tolamente, criando problemas para os pais. Na realidade, são insensatos. Será que gostariam de ser como eles? Provérbios 17:25 (CBC) diz: “Um filho néscio é o pesar de seu pai e a amargura de quem lhe deu à luz.” Por outro lado, se, como jovem cristão, cultivar o domínio próprio, obterá a aprovação de Jeová, de seus pais e de outros, com toda probabilidade. Faz muita diferença a sua maneira de agir, pois “o menino manifesta logo por seus atos se seu proceder será puro e reto”. (Pro. 20:11, CBC) Se for um cristão jovem dotado de domínio próprio, é provável que lhe sejam concedidos privilégios e algumas responsabilidades no lar. Até mesmo no local de reuniões cristãs, o Salão do Reino, talvez possa ajudar na limpeza ou talvez se lhe dêem outras coisas a fazer, se mostrar que se pode confiar que cuidará bem das coisas. Cultivar o domínio próprio também o habilitará a progredir a maior capacidade. Assim, jovens, o domínio próprio é vital ao seu progresso cristão também.

      DEMONSTRE O DOMÍNIO PRÓPRIO E CONTINUE A PROGREDIR

      16. Como podem todos os cristãos beneficiar-se de cultivar e demonstrar o domínio próprio?

      16 É evidente, portanto, que todos os cristãos podem beneficiar-se por cultivar e demonstrar o domínio próprio. Com isso, todos os dedicados servos de Deus podem aprimorar seu ministério, a qualidade de seu serviço a Jeová e sua adoração em geral. Muitos são os incentivos no sentido de se demonstrar o domínio próprio cristão. As pessoas maduras que manifestam este fruto do espírito santo de Jeová agem de formas que contribuem à união e ao avanço da organização terrestre de Deus. Não causam problemas nem agem como influências perturbadoras dentro da congregação cristã. Também, ao passo que aqueles que não têm domínio próprio não podem merecer maiores responsabilidades, se tiver esta qualidade, é mais provável que possa assumi-las. Pode-se confiar que terá visão equilibrada das coisas quando tiverem de ser feitas decisões. Poderá assim expandir seu ministério e colher incrementadas alegrias e bênçãos.

      17. O domínio próprio é vital ao progresso cristão hoje em dia, mas, que outra razão há para que seja demonstrado?

      17 Não obstante, o domínio próprio não é apenas vital para o seu progresso cristão hoje. Em realidade, é essencial para que granjeie a vida na nova ordem prometida de Deus. Escreveu Paulo: “Além disso, quando alguém compete, mesmo nos jogos, não é coroado a menos que tenha competido segundo as regras.” (2 Tim. 2:5) Para se obter a aprovação de Jeová e a vida eterna, temos de cumprir seus requisitos, obedecer a Suas regras. Assim, “ponhamos também de lado todo peso e o pecado que facilmente nos enlaça, e corramos com perseverança a carreira que se nos apresenta, olhando atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus”. (Heb. 12:1, 2) Imite seu proceder. Ele manifestou o domínio próprio. Quem professa seguir a Cristo, ao passo que, deliberadamente, ignora a necessidade do domínio próprio, bem que poderá perder a sua carreira em busca do prêmio da vida eterna. Ora, não poderia esperar ganhá-la assim como o atleta nos tempos antigos não poderia esperar ser o vencedor se desprezasse a disciplina e não exercesse nenhum domínio próprio. Naturalmente, um cristão não pode e não deveria julgar outro. (Rom. 14:4) Mas, esteja certo de que Jeová “julga imparcialmente segundo a obra de cada um”. (1 Ped. 1:17) Por conseguinte, quão arduamente deveria empenhar-se cada cristão em cultivar e manifestar os frutos do espírito de Jeová, inclusive o domínio próprio! A vida da pessoa está em jogo!

      18. Até mesmo agora, que determinação pode fazer o cristão?

      18 Até mesmo agora o cristão pode determinar se está correndo a carreira da vida de tal forma que pode ter esperança de obter o prêmio. No que demonstrou ser o crepúsculo de sua vida terrestre, depois de suportar muito mais do que qualquer atleta de seus dias, Paulo pôde dizer: “Tenho travado a luta excelente, tenho corrido até o fim da carreira, tenho observado a fé. Doravante me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, o justo juiz, me dará como recompensa naquele dia, contudo, não somente a mim, mas também a todos os que amaram a sua manifestação.” (2 Tim. 4:7, 8) O apóstolo já estava confiante de que correra fielmente a carreira cristã e que receberia a “coroa da justiça”, que, já no tempo atual, foi conferida a Paulo e aos demais cristãos gerados pelo espírito que se provaram fiéis até à morte. Mas, quer suas esperanças sejam celestes quer terrestres, deveria demonstrar domínio próprio e correr de tal modo que pudesse ter confiança de que tem a aprovação de Jeová e que obterá a vida interminável, bastando que continue em seu proceder atual piedoso, com domínio próprio.

      19. Por que há bom motivo de ‘suprir à sua fé . . . o autodomínio’?

      19 Esteja determinado, então, a mostrar domínio próprio. Seja um predicado para a organização terrestre de Jeová. Faça isso, quer seja idoso, um jovem adulto, ou uma criança. Naturalmente, obter e manter o domínio próprio exige esforço, grande esforço às vezes. Mas, é vital ao seu progresso cristão. Ademais, poderá significar a sua própria vida. Por isso, há bom motivo deveras para ‘suprir à sua fé a virtude, à virtude, o conhecimento, ao conhecimento, o autodomínio’. — 2 Ped. 1:5, 6.

  • Lembra-se?
    A Sentinela — 1968 | 1.° de janeiro
    • Lembra-se?

      Quão cuidadosamente leu os números recentes de A Sentinela? Examine a si mesmo para ver se se lembra dos seguintes pontos significativos:

      ● Qual é o significado da profecia de Isaías que rezava: “Torna irreceptivo o coração deste povo, e torna insensível os seus próprios ouvidos, e cola juntos os seus próprios olhos, para que não vejam com seus olhos e não ouçam com seus ouvidos”?

      Assim como a pregação de Isaías provou a “este povo” que ele não desejava a cura nem entendimento, que era egoísta demais para entender e aprender até mesmo de um bom instrutor, assim também, hoje em dia, a pregação do Reino prova que as pessoas fecharam os próprios olhos e, ouvidos e que, egoistamente, recusam-se a entender, até que venha a calamidade. — Págs. 305-308.a

      ● Como pode a esposa tornar-se estimada pelo seu marido?

      Por cultivar as qualidades que emanam do bom coração — a disposição elegre, o temperamento constante, a modéstia, a amabilidade, a bondade gentil, o entendimento compreensivo. — P. 419.

      ● O que Jesus queria dizer ao mencionar: “Porém, muitos que são primeiros serão últimos, e os últimos, primeiros”?

      Os discípulos de Jesus, que eram os últimos que os líderes religiosos judeus, cheios de justiça própria, achavam que obteriam um trono no reino de Deus, tornaram-se os primeiros por obterem tal posição destacada; e, inversamente, aqueles que eram os “primeiros” entre os judeus se tornaram os “últimos” a aceitar o “dinheiro”, a maioria deles o rejeitando e, destarte, perdendo os privilégios do Reino. — Págs. 458, 459, 466.

      ● Na ilustração de Jesus sobre o “dinheiro”, o que foi simbolizado pelo “dinheiro”?

      O privilégio e a honra de ser membro do Israel espiritual e de servir quais embaixadores, ungidos pelo espírito, do reino messiânico de Deus. — Págs. 465, 472.

      ● O que é o espírito do mundo?

      É a disposição mental, a tendência persistente que controla o mundo da humanidade, sob o domínio de Satanás. — P. 406.

      ● Como é que Deus nos fala atualmente?

      O que Deus falou mediante os anjos, os profetas e seu Filho, fez que ficasse registrado na Bíblia. Por meio dela e mediante Sua organização, ele nos fala atualmente. — Págs. 614, 616.

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