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ÁguaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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“uma fonte de água que borbulha para dar vida eterna”. — João 4:7-15.
O apóstolo João registra sua visão dum “novo céu e uma nova terra” em que viu um “rio de água da vida” fluir do trono de Deus. De cada lado deste rio havia árvores que produziam fruto, as folhas das árvores sendo usadas para curar as nações. (Rev. 21:1; 22:1, 2) Depois de esta modalidade da visão se completar, Jesus falou a João sobre seu propósito em enviar seu anjo com tal visão. Daí, João ouviu a proclamação: “E o espírito e a noiva estão dizendo: ‘Vem!’ E quem ouve, diga: ‘Vem!’ E quem tem sede, venha; quem quiser, tome de graça a água da vida.” Evidentemente, este convite seria feito pelos servos de Deus para que os sedentos começassem a beber as provisões de Deus para a obtenção da vida eterna mediante o Cordeiro de Deus. (João 1:29) Poderiam tomar o que se acha agora disponível dessa água da vida. O convite deve ser feito a todos que possam ser alcançados, não com intuito de lucro comercial, por vender a água, mas grátis, para todos que a desejarem. — Rev. 22:17.
Antes da morte e da ressurreição de Jesus, ele falou a respeito de seus seguidores que receberiam espírito santo, a partir de Pentecostes, de 33 E.C., afirmando que de seu mais íntimo “manarão correntes de água viva”. (João 7:37-39) O registro das Escrituras Gregas Cristãs fornece evidência abundante de que, movidos pela força impulsionadora do espírito de Deus, os apóstolos e discípulos realizaram maravilhas em levar as águas vitalizadoras a outras pessoas, começando em Jerusalém e expandindo-se por todo o mundo então conhecido.
A palavra da verdade de Deus
A palavra da verdade de Deus é comparada à água purificadora. A congregação cristã é limpa à vista de Deus, como uma noiva casta para Cristo, ele a tendo purificado “com o banho de água por meio da palavra”. (Efé. 5:25-27) Em um uso similar, Paulo fala a seus concristãos, que têm a esperança de ser subsacerdotes de Cristo nos céus. Remontando ao tabernáculo, em que se exigia que os sacerdotes se lavassem com água antes de entrarem no santuário, para ali servir, afirma: “Visto que temos um grande sacerdote [Jesus Cristo] sobre a casa de Deus, aproximemo-nos com corações sinceros na plena certeza da fé, tendo . . . os nossos corpos banhados com água limpa.” (Heb. 10:21, 22) Esta limpeza envolve não só o conhecimento da palavra de Deus, mas também a aplicação deste em sua vida diária.
A água do batismo
Jesus explicou a Nicodemos: “A menos que alguém nasça de água e espírito, não pode entrar no reino de Deus.” (João 3:5) Jesus, pelo que parece, falava da água do batismo, quando a pessoa se arrepende de seus pecados e se desvia de seu anterior proceder na vida, apresentando-se a Deus para o batismo no nome de Jesus Cristo. (Compare com Efésios 4:4, 5, que fala de “um só batismo”.) O apóstolo João escreveu mais tarde: “É este quem veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo . . . Porque são três os que dão testemunho: o espírito, e a água, e o sangue, e os três estão de acordo.” (1 João 5:5-8) Quando Jesus entrou “no mundo”, isto é, quando começou sua obra ministerial e seu proceder sacrificial como Messias de Deus, ele se dirigiu a João Batista para ser imerso em água (não para arrependimento de pecados, mas em apresentação de si mesmo a Deus, para cumprir a vontade de Deus para ele). (Heb. 10:5-7) Depois disto, o espírito de Deus desceu sobre ele, testemunho de que ele era Filho de Deus e o Messias. (Luc. 3:21, 22) É a água de seu batismo que está em harmonia com o sangue de seu sacrifício, e com o espírito de Deus, em testemunhar unanimemente esta grande verdade messiânica.
Outros usos figurados
Davi disse com respeito aos iníquos: “Que se dissolvam como em águas que seguem seu caminho.” (Sal. 58:7) Davi talvez tivesse presente os vales de torrente, comuns na Palestina, muitos dos quais ficam cheios duma torrente avolumante, ameaçadora durante súbita tromba d’água. Mas a água corre rápido e desaparece, deixando seco o vale.
Quando repelidos durante o ataque à cidade de Ai, o coração do povo de Israel “começou a derreter-se e ficou como água”, significando que, sentindo ter incorrido de alguma forma no desagrado de Jeová, e não dispondo de sua ajuda, perderam toda a coragem e não conseguiam manter uma posição firme diante do inimigo. Josué ficou muito transtornado, evidentemente não tanto por causa dos trinta e seis homens que foram mortos, mas, antes, porque o coração deles se tornou como água e eles fugiram temerosos diante de seus inimigos, pois esta derrota era um vitupério para o nome de Jeová. — Jos. 7:5-9; veja NUVEM; CHUVA.
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ÁguiaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ÁGUIA
[Heb. , nésher; gr. , aetós]. Alguns acreditam que o nome hebraico se deriva de uma raiz que significa “despedaçar ou lacerar”. Outros o consideram onomatopéico (isto é, um nome cujo próprio som sugere a coisa significada), e crêem que nésher representa um “som de arremetida”, ou “lampejo”, portanto, uma ave que mergulha à cata de sua presa, arremessando-se para baixo com um som de arremesso e como um relâmpago através do ar. Em qualquer caso, o termo hebraico descreve bem a águia, uma grande ave de rapina cujo mergulho relâmpago das grandes alturas provoca um som plangente, à medida que o ar passa por suas rêmiges estendidas (as penas mais externas das asas). Sendo ave de rapina e bebedora de sangue (Jó 39:27, 30), a águia foi incluída entre as aves alistadas como “impuras” pela lei mosaica. — Lev. 11:13; Deut. 14:12.
VARIEDADES PALESTINAS
Dentre as águias que são hoje encontradas na Palestina, as mais comuns são as águias-imperiais e as águias-reais, embora outras variedades, tais como a águia-de-dedos-curtos ou guincho, também possam ser vistas. A águia-real (chamada também de águia-dourada) possui um lustre dourado na cabeça e nuca, hiberna por toda a Palestina e passa os meses do verão setentrional no montanhoso Líbano. Trata-se de impressionante ave castanho-escura, medindo cerca de um metro de comprimento, com uma envergadura de asas de cerca de 2 m. As águias possuem, caracteristicamente, a cabeça um tanto ampla, com uma saliência sobre os olhos, um bico curto, forte e adunco, pernas vigorosas, e garras afiadas e fortes.
‘CARREGADOS SOBRE AS ASAS DE ÁGUIAS’
A região do Sinai é chamada de “território das águias”, em que tais aves ascendem e planam com suas asas fortes e amplas. Assim, os israelitas libertos, reunidos no monte Sinai, podiam bem avaliar quão apropriado era o quadro pictórico transmitido pelas palavras de Deus, de que Ele os conduzira para fora do Egito “sobre asas de águias”. (Êxo. 19:4; compare com Revelação 12:14.) Cerca de quarenta anos depois, Moisés podia comparar o modo como Jeová liderou Israel através do deserto ao modo da águia que “remexe seu ninho, paira sobre seus filhotes, estende as suas asas, toma-os, carrega-os nas suas plumas”. (Deut. 32:9-12) Quando chega o tempo para as aguiazinhas começarem a voar, papai ou mamãe- águia remexe neles, batendo as asas e adejando-as para transmitir a idéia a seu filhotes, e então os empurra ou atrai para fora do ninho, de modo que experimentem suas asas.
Embora alguns tenham duvidado de que a águia alguma vez realmente carregue seu filhote nas costas, Sir. W. B. Thomas relata a respeito de um guia na Escócia, que testemunhou, quanto à águia-real, que “as aves genitoras, depois de instar e, às vezes, de empurrar o filhote no ar, colocam-se, numa arremetida, embaixo dele, e repousam o filhote, por um momento, em suas asas e costas”. Um observador nos Estados Unidos é citado no Bulletin of the Smithsonian Institution (Boletim do Instituto Smithsoniano, Vol. CLXVII, p. 302) como dizendo: “A mãe partia do ninho nos penhascos e, manejando com aspereza o filhote, deixava-o cair, diria eu, cerca de um 27 metros; então, arremetia-se por baixo dele, com asas estendidas, e ele pousava sobre as costas dela. Ela subia para o alto da cordilheira com ele e repetia esse processo . . . Eu e meu pai a ficávamos observando, fascinados, por mais de uma hora.” G. R. Driver, comentando tais declarações, afirma: “A figura [em Deuteronômio 32:11] não é, então, mero vôo da imaginação, mas se baseia em fatos reais.” — Palestine Exploration Quarterly (Revista Trimestral Sobre a Exploração da Palestina), jan.-jun. 1958, pp. 56, 57.
NINHOS E ACUIDADE VISUAL
Os hábitos de nidificação da águia são sublinhados nas perguntas que Deus fez a Jó, em Jó 39:27-30. O ninho pode situar-se numa árvore alta, ou numa saliência dum penhasco ou canyon rochoso. Com o passar dos anos, o ninho pode ampliar-se para ter até 2 m de altura, o ninho de algumas águias vindo a pesar quase uma tonelada! A aparente segurança e inacessibilidade do ninho da águia também foram usadas figuradamente pelos profetas em suas mensagens contra o altivo reino de Edom, nas montanhas escarpadas do Arabá. (Jer. 49:16; Obd. 3, 4) A acuidade visual da águia, mencionada em Jó 39:29, é comprovada por Rutherford Platt em seu livro The River of Life (O Rio da Vida, 1956, pp. 215, 216), que também mostra a forma incomum em que foi projetado o olho da águia, testemunhando a sabedoria do Criador. O livro afirma:
“Encontramos os olhos campeões entre todo o reino animal. . . [nos] olhos da águia, do abutre, e do gavião. São tão aguçados que podem olhar para baixo, da altura de uns 300 metros no ar, e avistar um coelho ou um galo silvestre meio escondido no mato.
“A vista aguçada do olho-caçador é causada pelo reflexo do objeto que cai sobre denso grupo de células pontudas, e em forma de cone. Este pequeníssimo ponto na parte de trás do globo ocular absorve os raios de luz do objeto através de milhares de pontos, de modo especial que concentra na mente uma imagem nítida. Para quase todos os caçadores, tais como o cangambá, o puma e nós mesmos, um único ponto de cones é suficiente; olhamos diretamente para a frente e aproximamo-nos diretamente do objeto que contemplamos. Mas, tal não se dá com a águia, nem com o gavião, que, fitando o coelho na mata com os seus aguçados cones focalizadores, pode então aproximar-se mediante uma longa descida obliqua. Isto faz com que a imagem do objeto passe através da parte de trás do globo ocular numa trajetória curva. Tal trajetória é planejada com precisão para o olho da águia, de modo que, ao invés de um grupo de cones, a ave ao mergulhar tem uma trajetória curva de cones. Ao passo que a águia se aproxima rápido ao descer, o coelho na mata é assim mantido em constante foco.” — Jer. 49:22.
HABILIDADES DE VÔO
A rapidez da águia é destacada em muitos textos. (2 Sam. 1:23; Jer. 4:13; Lam. 4:19; Hab. 1:8) Há relatos de águias que ultrapassam a velocidade de uns 130 km por hora. Salomão avisou que a riqueza ‘faz para si asas’ como as da águia que ganha o céu (Pro. 23:4, 5), ao passo que Jó lamentou a rapidez da passagem da vida, comparando-a com a velocidade duma águia em busca da sua presa. (Jó 9:25, 26) Todavia, aqueles que confiam em Jeová adquirem poder para ir avante, como se montassem sobre as asas aparentemente incansáveis da águia em seu vôo ascendente. — Isa. 40:31.
Os cientistas modernos ficam admirados com “o caminho da águia nos céus”, como o fez o escritor de Provérbios 30:19. No número de abril de 1962 da revista Scientific American, Clarence D. Cone Jr. relata a maneira em que a observação do majestoso vôo ascendente, e quase sem esforço das águias, gaviões e abutres “tem ajudado a abrir o caminho para a descoberta dum mecanismo fundamental da meteorologia”. (P. 131) Mostra então o modo como tais grandes aves utilizam plenamente a energia dinâmica das grandes “bolhas” de ar aquecido que flutuam do solo para o alto, devido ao calor do sol, e que são conhecidas como correntes termais, bem como demonstra o modo como as pontas “fendidas” das asas da águia, e de aves similares que realizam o vôo ascendente, são projetadas tão aerodinamicamente de modo a eliminar a “resistência” do ar sobre a asa.
USO FIGURADO
Esta poderosa ave de rapina era um símbolo freqüentemente usado pelos profetas a fim de representar as forças bélicas das nações inimigas em seus ataques súbitos, e não raro, inesperados. (Deut. 28:49-51; Jer. 48:40; 49:22; Osé. 8:1) Tanto os regentes babilônicos como os egípcios foram caracterizados como águias (Eze. 17:3, 7; Dan. 7:3, 4), e é notável que a figura da águia era usada regularmente em cetros, insígnias e estelas reais de muitas nações antigas, inclusive a Assíria, a Pérsia e Roma, assim como tem sido usada nos tempos modernos pela Alemanha, Estados Unidos e outras.
Há alguns que questionam o uso da palavra “águias” em Mateus 24:28 e Lucas 17:37, sustentando que os textos têm de referir-se antes aos abutres, que se juntam em torno dum cadáver. No entanto, embora a águia não seja primariamente necrófaga, como o abutre, às vezes ela se alimenta de tais cadáveres. (Palestine Exploration Quarterly, abril de 1955, p. 9) Assim também a águia, embora seja usualmente uma caçadora solitária, diferente do gregário abutre, ocasionalmente caça em pares, segunda se sabe, e o livro The Animal Kingdom (O Reino Animal, 1954, Frederick Drimmer, Mestre em Artes, editor-chefe, Vol. II, p. 965) relata um caso em que “diversas delas lançaram um ataque em massa contra uma antilocapra”.
Outro texto que muitos peritos consideram como aplicando-se ao abutre, ao invés de à águia, é Miquéias 1:16, que fala de Israel figurada- mente ‘alargar sua calvície como a da águia’. A cabeça da águia possui muitas penas, mesmo a águia-de-cabeça-branca ou águia-calva, da América do Norte, só sendo assim chamada por causa de as penas brancas de sua cabeça lhe darem a aparência de careca, vista à distância. O grifo ou abutre-fusco, comum à Palestina, possui apenas certa penugem branca, macia, na cabeça, e seu pescoço só tem penas esparsas. Caso o texto se aplique a ele, isto indicaria que a palavra nésher possui uma aplicação mais ampla do que apenas à águia. Pode-se notar que o grifo ou abutre-fusco, embora não seja classificado pelos ornitólogos como sendo da mesma “espécie” ou “gênero” que a águia, é contado como sendo da mesma família (Accipitridae ou acipitrídeos). Alguns, contudo, crêem que Miquéias 1:16 se refere à muda de penas que a águia sofre, embora se diga que este é um processo bem gradual e um tanto inconspícuo. Este processo de muda, trazendo certa redução da atividade e da força, e sendo seguido por uma renovação da vida normal, pode bem ser o que o salmista tinha presente ao dizer que a juventude da pessoa ‘se renovava como a duma águia’. (Sal. 103:5) Outros vêem nisto uma referência à vida relativamente longa da águia, sabendo-se de algumas que atingiram os oitenta anos.
[Foto na página 44]
Águia-real.
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AguilhadaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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AGUILHADA
Implemento agrícola que consiste em uma vara de aproximadamente 2,5 m de comprimento, usada mormente para tanger e guiar touros e bois quando se ara. Uma ponta da vara possui um ferrão metálico pontiagudo para aguilhoar o animal, e ampla lâmina semelhante a uma talhadeira, afixada na outra ponta, é usada para retirar lama e barro do arado ou para remover dele raízes e espinhos.
Uma “aguilhada de gado” foi usada por Sangar para matar 600 filisteus. O registro bíblico menciona que, quando os filisteus exerciam o domínio sobre os israelitas, durante o reinado de Saul, não se permitiu que os israelitas tivessem ferreiros; assim, os israelitas eram obrigados a dirigir-se aos filisteus para mandar afiar seus implementos agrícolas, e para afixar suas aguilhadas (aparentemente os ferrões metálicos). — Juí. 3:31; 1 Sam. 13:19-21.
A aguilhada é comparada às palavras do sábio, palavras que movem o ouvinte a prosseguir agindo em harmonia com a sabedoria ouvida. (Ecl. 12:11) A expressão figurada ‘dar pontapés (ou recalcitrar) contra as aguilhadas’ emana da ação de um touro teimoso que resiste às picadas do aguilhão por dar coices contra ele, resultando em ferimentos para si mesmo. A expressão, portanto, indica resistência ou rebelião
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