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Autoridades SuperioresAjuda ao Entendimento da Bíblia
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fazer a vontade divina por violar a lei de Deus, se isso fosse exigido pela autoridade política. Por este motivo, a sujeição às autoridades superiores tem de ser encarada à luz da declaração dos apóstolos perante o Sinédrio judaico: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:29.
Visto que as autoridades governamentais prestam valiosos serviços a fim de garantir a incolumidade, a segurança e o bem-estar de seus súditos, têm direito a impostos e tributos, em compensação por seus serviços. As autoridades governamentais podem ser chamadas de “servidores públicos de Deus”, no sentido de que provêem serviços benéficos. (Rom. 13:6, 7) Às vezes, tais serviços ajudam diretamente os servos de Deus, como no caso em que o Rei Ciro tornou possível que os judeus voltassem a Judá e Jerusalém e reconstruíssem o templo. (2 Crô. 36:22, 23; Esd. 1:1-4) Amiúde, os benefícios resultantes do exercício correto das funções das autoridades são compartilhados por todos. Estes incluiriam a manutenção dum sistema jurídico, ao qual as pessoas podem recorrer em busca de justiça, as estradas, a proteção contra os criminosos e as turbas ilegais, etc. — Fil. 1:7; Atos 21:30-32; 23:12-32.
Naturalmente, um regente que utilize mal sua autoridade terá de prestar contas a Deus. Escreveu o apóstolo Paulo: “Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová. ’” — Rom. 12:19; Ecl. 5:8.
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AvesAjuda ao Entendimento da Bíblia
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AVES
As aves são vertebrados peníferos, de sangue quente, e são ovíparas, isto é, põem ovos. Há cerca de 300 referências a aves na Bíblia, sendo citadas especificamente cerca de 30 variedades diferentes. Faz-se referência a seu vôo, amiúde para escapar dos seus inimigos (Sal. 11:1; Pro. 26:2; 27:8; Isa. 31:5; Osé. 9:11); ao empoleirar-se em árvores (Sal. 104:12; Mat. 13:32); a seus ninhos (Sal. 84:3; Eze. 31:6); a seus vários usos, especialmente de pombos e rolas em sacrifício (Lev. 1:14; 14:4-7, 49-53), como alimento (Nee. 5:18), inclusive seus ovos (Isa. 10:14; Luc. 11:11, 12); e à provisão de Deus e seu cuidado com elas. — Mat. 6:26; 10:29; compare com Deuteronômio 22:6, 7.
Dentre os termos gerais usados na Bíblia que se aplicam a aves, a palavra hebraica ‘ohph é a mais freqüente. Significa basicamente qualquer criatura voadora, alada (Gên. 1:21), e, assim, poderá incluir não só as aves, mas também os insetos alados. (Compare com Levítico 11:13, 21-23.) G. Driver sugere que ‘ohph seja onomatopéico, imitando o som feito pelas asas da ave ao baterem no ar.
O hebraico tsippóhr também ocorre num grande número de textos, e é um termo genérico, aplicável às aves em geral. (Gên. 7:14) Tsippóhr significa literalmente “chilreador” ou “gorjeador”, e, por isso, o nome imita o som “tsip”, tão característico de tantas espécies pequenas, especialmente do pardal.
Um terceiro termo hebraico ‘áyit se aplica unicamente a aves de rapina. Entende-se que ‘áyit significa “o gritador” (compare com o uso do verbo em 1 Samuel 25:14, “lançou” ou “gritou”), e descrevia apropriadamente muitas das aves carnívoras com seus gritos estridentes. — Jer. 12:9.
Nas Escrituras Gregas encontram-se dois termos gerais: órneon, que significa simplesmente “ave” (Rev. 18:2), e ptenós, que significa “voador”. — 1 Cor. 15:39.
Em Atos 17:18, os filósofos atenienses se referiram ao apóstolo Paulo como “paroleiro”. A palavra grega aqui (spermológos) era aplicada a uma ave que apanha sementes, ao passo que, figuradamente, era usada para uma pessoa que apanha migalhas por mendigar ou roubar, ou, como no caso citado, uma que repete migalhas de conhecimento; um tagarela fútil.
As aves acham-se entre as mais primitivas coisas vivas, conscientes, da terra, vindo a existir no quinto “dia” criativo, junto com as criaturas marinhas. (Gên. 1:20-23) As “criaturas voadoras” então criadas incluíam não só pequenas aves, mas também criaturas voadoras muito grandes, e também muitos insetos.
O salmista concitou as “aves aladas” a louvar a Jeová (Sal. 148:1, 10), e as aves fazem isto por sua própria estrutura e por seu projeto complexo. Uma única ave pode ter até de 2.000 a mais de 6.000 penas. Todavia, cada pena se compõe dum eixo ou raque, do qual partem centenas de barbas que formam uma grimpa interna, cada barba contendo centenas de pares de bárbulas menores, e cada bárbula tem divisões ainda mais diminutas, conhecidas como barbicelas ou cílios. Uma única pena de 15 cm, da asa de um pombo, contém assim, segundo se calcula, cerca de 990.000 bárbulas e literalmente milhões de barbicelas. Os princípios aerodinâmicos implantados no projeto das asas e do corpo das aves sobrepujam em complexidade e eficácia os duma aeronave moderna. Os ossos ocos duma ave contribuem para sua leveza e, assim, o esqueleto dum alcatraz ou fragata, com mais de dois metros de envergadura das asas, talvez pese apenas uns 114 gramas. Certos ossos das asas de grandes aves planadoras até mesmo possuem suportes semelhantes a treliças dentro das partes ocas, como os montantes dentro das asas dos aviões.
No tempo do dilúvio, Noé introduziu na arca, para sua preservação, pares de aves “segundo as suas espécies”. (Gên. 6:7, 20; 7:3, 23) Não existe nenhum meio seguro de se saber quantas “espécies“ diferentes de aves existiam então, alguns tipos de aves tendo-se tornado extintos até mesmo nos tempos recentes. No entanto, é interessante notar que a lista das aves, conforme a atual classificação científica, apresentada em The Encyclopaedia Britannica (Ed. 1959, Vol. 16, pp. 930-932), fornece um total de apenas 204 “famílias” de aves, inclusive algumas que se acham agora extintas ou que só são conhecidas em forma de fósseis. Há, naturalmente, milhares de variedades incluídas nestas “famílias”.
Após o dilúvio global, Noé ofereceu “criaturas voadoras limpas”, junto com animais, como sacrifício. (Gên. 8:18-20) Depois disso, Deus fez a concessão de as aves serem incluídas na dieta do homem, conquanto não se comesse sangue. (Gên. 9:1-4; compare com Levítico 7: 26; 17:13.) A ‘limpeza’ (ou pureza) de certas aves naquele tempo, portanto, relacionava-se evidentemente a algum indício divino de aceitação como sacrifício; o registro bíblico mostra que, no que concerne a serem usadas qual alimento, nenhumas das aves foram designadas “impuras” até a introdução da Lei mosaica. (Lev. 11:13-19, 46, 47; 20:25; Deut. 14:11-20) Os fatores que determinavam que aves eram designadas cerimonialmente “impuras” não são declarados expressamente na Bíblia. Assim, ao passo que a maioria das assim designadas eram aves de rapina ou necrófagas, nem todas elas o eram. (Veja POUPA.) Tal proibição foi levantada depois do estabelecimento do novo pacto, conforme Deus tornou evidente para Pedro mediante uma visão. — Atos 10:9-15.
A identificação das aves especificamente citadas representa um problema difícil, em alguns casos. Os lexicógrafos em geral são guiados pelo significado da raiz do nome, visto que esta é usualmente descritiva, por indicações no contexto, quanto aos hábitos e ao habitat da ave, e pela observação das aves conhecidas como existentes nas terras bíblicas. Em muitos casos, crê-se que os nomes são onomatopéicos, isto é, imitam o som produzido pela ave. Como em português, palavras tais como “piar”, “grasnar”, “cacarejar”, “corvejar” são rapidamente associadas a mochos, patos, galinhas e corvos, assim, semelhantemente, nomes onomatopéicos dados a certas aves, no texto hebraico, ajudam a identificá-las.
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AvestruzAjuda ao Entendimento da Bíblia
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AVESTRUZ
[Heb., bath hayya‘anáh; renaním (plural)].
Entende-se que o primeiro destes nomes hebraicos significa, quer “filha do ganancioso”, quer “filha do solo árido”, termos que podem bem aplicar-se ao avestruz. O segundo nome, considerado como indicando uma “ave de gritos lancinantes”, também se ajusta ao avestruz, cujo rugido é descrito como um “rugido rouco, lamuriento, que tem sido assemelhado ao rugido dum leão”. — The Smithsonian Series (Séries Smithsonianas), Vol. IX, p. 105; compare com Miquéias 1:8.
O avestruz é a maior ave viva conhecida, chegando às vezes a atingir mais de 2 m de altura na coroa da cabeça, e a pesar até 136 kg. A cabeça dele é um tanto pequena e achatada, com olhos enormes, pescoço flexível de 1 m de comprimento, e, assim como as robustas pernas, tanto a cabeça como o pescoço dele são desprovidos de penas. A plumagem do corpo, porém, é abundante, as plumas longas e macias das asas e da cauda sendo muito valorizadas nos tempos antigos e modernos. A plumagem macia, preta e branca do macho se contrasta com a de cor castanho-cinzenta, sem graça, da fêmea. O avestruz é ímpar entre as aves por não ter senão dois dedos em cada pé, um deles sendo dotado de uma unha que se torna poderosa arma quando a ave se vê forçada a defender-se. Sua altura e visão aguçada, contudo, usualmente o habilitam a identificar seus inimigos bem à distância, e então a enorme ave se afasta cautelosamente.
Ao passo que o avestruz se alimenta principalmente de vegetação, é também carnívoro, comendo inclusive cobras, lagartixas e até pequenas aves, em sua dieta indiscriminada. É encontrado na lista das aves ‘impuras’, proibidas pela Lei mosaica. (Lev. 11:13, 16; Deut. 14:12, 15) Conhecido antigamente como “ave- camelo”, o avestruz consegue passar longos períodos sem água, e, por isso, viceja em terras ermas e isoladas. É usado na Bíblia, junto com os chacais e criaturas similares, como representativos da vida desértica (Isa. 43:20), e para representar a desolação desastrosa que se tornou o quinhão de Edom e de Babilônia. (Isa. 13:21; 34:13; Jer. 50:39) Jó, rejeitado e detestado, sentado no meio de cinzas, e chorando lamuriosamente, considerou-se “irmão de chacais” e ‘companheiro das filhas do avestruz’. — Jó 30:29.
CONTRASTADA COM A CEGONHA
Jeová Deus mais tarde trouxe o avestruz à atenção de Jó, e as coisas que Ele indicou ilustram notavelmente algumas das características incomuns dessa ave. (Jó 39:13-18) Em grande contraste com as cegonhas que voam alto, e planam majestosamente, com suas poderosas asas amplas, o avestruz não consegue voar, suas asas não conseguindo sustentar o peso da ave, seu esterno achatado não dispondo da “quilha” ou carena que sustenta os músculos de vôo das aves voadoras. As plumas do avestruz, embora lindas, não possuem sequer os diminutos filamentos ou ganchos das bárbulas que se unem e dão às penas das aves voadoras a resistência ao ar que torna possível o vôo. — V. 13.
Novamente, em contraste com a cegonha, que constrói firmemente seu ninho no topo das árvores (Sal. 104:17), de prédios ou de rochas elevadas, o avestruz simplesmente cava um buraco raso no chão, cercado por um baixo aterro. Ali a fêmea põe os ovos, que pesam cerca de 1,4 kg cada um, e, visto que o avestruz muitas vezes é polígamo (diferente da cegonha, renomada por sua fidelidade a um só cônjuge), é possível que haja um bom número de ovos postos no ninho pelas duas ou três fêmeas. O avestruz aquece os ovos do ninho durante a noite, e a fêmea os incuba durante o dia, mas sabe-se que, quando o sol está muito quente, ela abandona o ninho por certos períodos durante o dia. Em tais ocasiões, embora possuam grossa casca, os ovos ficam vulneráveis a danos ou ao roubo por parte de animais ou pelo homem. — Jó 39:14, 15.
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