BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Presenciei um seqüestro aéreo!
    Despertai! — 1974 | 22 de novembro
    • Presenciei um seqüestro aéreo!

      “AQUELE homem está armado!” As palavras fizeram gelar nossa espinha. Ao me virar para meu amigo, sentado perto, notei a grave expressão em seu rosto, ao garantir à esposa que não estava brincando: “Aquele homem está armado!”

      Olhei em direção à parte da frente do avião, e vi um rapaz com jaqueta de couro marrom, brandindo uma espingarda. “Não pode ser”, pensei eu. “Revistaram-nos antes de tomarmos o avião em Pasto, Colômbia. Como foi que conseguiu a espingarda sem ser apanhado?”

      No entanto, não importava como, agora, porque, tão real como a própria vida, ele estava ali. Todos nós já o tínhamos visto agora, descrendo em nossos próprios olhos e, mesmo assim, achando que nosso coração disparara e nossa respiração estava ofegante.

      Dentre os 46 passageiros, 12 eram testemunhas de Jeová, a caminho para Bogotá, Colômbia, a fim de assistirmos à Assembléia Internacional “Vitória Divina” das Testemunhas de Jeová, de 23 a 27 de janeiro. O que aconteceria agora? Eu e minha esposa oramos juntos, pedindo a Jeová Deus que nos fortalecesse para o que pudesse vir.

      De início, parecia que o pistoleiro iria roubar-nos, porque tomava algo dos passageiros nas filas da frente. Sua expressão era de grande intensidade e temor. Ordenou a coleta de nossas carteiras de identidade. Com uma das mãos, segurava a espingarda. A outra tremia, ao examinar os documentos. Seu nervosismo suscitou em nós uma sensação bem ominosa. A quem procurava? Havia alguém que ele planejava matar?

      Ao olharmos, quase com medo de respirar, o seqüestrador pausou, olhou um grupo de documentos e bradou um nome — meu nome! Abalado, como se num sonho, esperei alguns segundos. Por fim, levantei a mão como se estivesse na escola e respondi: “Presente.”

      Meu medo atingiu um auge. Mas, suas próximas palavras me trouxeram alívio, ao começar a bradar outros nomes, aparentemente sem nenhuma razão. Pelo menos, não estava marcando a ninguém.

      Mulheres e Crianças Deixam o Avião

      Havíamos levantado vôo de Pasto, na parte sudoeste da Colômbia, às dez da manhã. Foi apenas alguns minutos depois de levantarmos vôo que o pistoleiro apareceu na cabina com sua espingarda, dum tipo pequeno, semiautomático, e ordenou à tripulação que omitisse a escala programada em Popayan e desviasse o vôo para Cali.

      Ao nos aproximarmos de Cali, o pistoleiro peremptoriamente ordenou que as cortinas das janelas fossem fechadas e mandou que todos se sentassem com as mãos por trás da cabeça e que não olhassem pela janela quando aterrisássemos. Algumas mulheres e crianças perto da frente estavam chorando. Cessara a conversa. Os que confiavam em Deus faziam silenciosa súplica.

      A atmosfera estava tensa, ao esperarmos o próximo passo do seqüestrador. Veio com a ordem de que as mulheres e crianças deixassem o avião. Em nosso grupo de 12 havia cinco casais. Ansiosos de tirar nossas esposas do perigo, instamos com elas a que obedecessem à ordem do pistoleiro. No entanto, uma das esposas deu alguns passos em direção à porta e então voltou e correu em direção ao marido, no fundo do avião. Ela queria que ele beijasse seu bebê de dois meses, como despedida. Atônito, ele instou de novo com ela: ‘Vá! Saia do avião!” Os olhos dela estavam cheios de lágrimas ao sair.

      Mas, vendo nossas esposas a salvo, sentimo-nos aliviados. Agora, até mesmo o seqüestrador parecia menos nervoso. Mas, quanto a nós, tínhamos certeza de que seríamos levados para Cuba, embora o pistoleiro nada dissera sobre isso.

      Instantes Tensos no Aeroporto de Barranquilla

      Reabastecido então, o turbo-hélice de quatro motores levantou vôo de Cali, dirigindo-se para Barranquilla. Tivemos permissão de baixar as mãos. Já atemorizado e nervoso por mais de uma hora, pedi licença para ir ao banheiro, situado na frente. O pistoleiro me mandou chegar à frente. Ao me aproximar dele, moveu a espingarda indicando que pusesse as mãos no porta-bagagens, acima, ficando de costas para ele. Daí, me revistou e me disse que podia ir andando.

      Ao entrar no banheiro, notei que foram abertos dois pacotes no chão. Evidentemente o seqüestrador trouxe a espingarda a bordo desmontada, e a montou no banheiro nos primeiros minutos do vôo.

      Chegamos a Barranquilla, na costa setentrional da Colômbia, às 14,15 horas. Passáramos o tempo de vôo conversando quietamente, procurando edificar um ao outro. Oramos em particular, não tanto para sermos libertos da situação perigosa, mas para termos sabedoria e força a fim de agir de modo criterioso. Logo depois de aterrissarmos em Barranquilla, novos eventos trouxeram mais motivos de ansiedade.

      No taxeamento pela pista para levantar vôo, o avião de súbito começou a balançar — um pneu estourara. O seqüestrador começou a olhar nervosamente pelas janelas, andando para lá e para cá pelo corredor: Restringiu o número dos homens que consertariam o pneu e lhes deu uma hora para remendá-lo. Por meio do rádio do avião, ordenou-lhes que tirassem a camisa antes de se aproximarem do avião, pelo que parece para impedir que levassem armas escondidas.

      Podíamos ver um grande carro-tanque estacionado na outra pista, perto do avião. Em certo ponto, vimos a fumaça subir dele. Parecia estar pegando fogo. Meu amigo, sentado ao meu lado, começou a comparar o perigo da explosão do caminhão de combustível com o perigo de ser baleado ao tentar sair do avião. Estávamos “entre dois fogos”. Houve momentos atemorizantes até que o incêndio do caminhão pôde ser controlado, por fim.

      O pistoleiro abriu a porta do avião e várias vezes apontou para alguns dos homens do outro lado do campo. Atirou em um deles, assim assegurando-nos de que realmente usaria a espingarda se necessário, e que o proceder sábio era não oferecer resistência. Enquanto se consertava o pneu, ele libertou dois senhores idosos.

      Quando o pneu já fora remendado, o sol tropical quente se fazia sentir dentro do avião. Os motores deram a partida e começamos a correr de novo pela pista. Ainda assim, o avião estremeceu — outro pneu estourado! Imaginávamos que alguém atirara nos pneus ou os esvaziara — dois estouros pareciam uma improvável coincidência. Talvez a polícia estivesse esperando que escurecesse. Durante esse segundo conserto, outros dois homens idosos foram libertos. Um deles era uma testemunha de Jeová, que fazia seu primeiro vôo de avião.

      O tempo parecia arrastar-se, sob os olhos vigilantes do pistoleiro. Todos temiam que sua paciência se esgotasse, resultando em violência. Líamos nossas Bíblias e revistas que tínhamos trazido conosco. Isto ajudou a aliviar um pouco a tensão. Ao escurecer, o seqüestrador ordenou que não se acendessem quaisquer luzes. Esperávamos no calor e na escuridão que acontecesse algo.

      Voando Para Cuba

      Depois das 19 horas, os motores começaram de novo. Esperávamos que nenhum outro pneu estourasse. Depois de gastarmos cerca de cinco horas na pista, quase qualquer ação parecia melhor do que esse suspense. Estávamos ansiosos para prosseguir viagem e acabar logo como essa viagem para Cuba.

      No longo vôo para Cuba, tentamos dormir e ler, mas, na maior parte do tempo ficamos de olho em nosso captor. Minha poltrona junto ao corredor se situava numa posição exata, estando na linha direta de tiro, visto que o pistoleiro se sentava no braço duma poltrona na parte da frente do avião, encarando os passageiros. Segurava, alerta, a espingarda apoiada no antebraço, com o dedo sempre no gatilho. Tentei ler algo, mas de tantos em tantos minutos, olhava pela beirada da revista, fitando direto o cano daquela espingarda. Foi deveras uma viagem bem desconfortável de quatro horas e meia.

      Chegada em Cuba

      Pouco depois da meia-noite, aterrissamos em Havana. Podíamos ver pelo menos 20 soldados, alguns com metralhadoras, cercando o avião. O primeiro a sair foi o seqüestrador. Um fotógrafo do grupo de soldados tirou algumas fotos dele, ao descer as escadas. Foi levado num jipe militar e jamais o vimos de novo.

      A polícia entrou no avião e nos levou para uma sala de espera no terminal. Foram-nos dados refrigerantes e uma vacina contra varíola. Interrogaram a todos nós, um de cada vez, numa sala separada. Ao sairmos do avião, a aeromoça devolvera nossos documentos de identidade. Era com isso que as autoridades se preocupavam principalmente. Mostraram também interesse no fato de que quatro de nós éramos testemunhas de Jeová.

      À 1,40 da manhã, fomos levados para um grande hotel que distava pelo menos trinta minutos do aeroporto. Deram-nos quartos limpos e confortáveis, no 14.º andar. Enquanto esperávamos as chaves para nossos quartos, um policial se chegou a mim e me perguntou por quanto tempo estava na Colômbia. Talvez meu espanhol de “iniciante” o tivesse atraído. Eu lhe disse que fora eu quem chegara por último do grupo de quatro de nós. Então nos mandou para nossos quartos e, às três da madrugada estávamos deitados. Posso assegurar-lhe que depois de dezessete horas extenuantes, as camas pareciam ótimas.

      Falei Sobre Deus com um Oficial Comunista

      Na manhã seguinte, depois do desjejum, todos os doze passageiros estavam no saguão do hotel, esperando o ônibus que nos levaria de volta ao aeroporto. Enquanto esperava, veio até mim um senhor alto, em trajes civis, que me perguntou se eu gostaria de responder a algumas perguntas. Então me levou a uma sala, onde nos sentamos um de frente para o outro, à uma mesa. O senhor disse que era oficial de imigração. Suas perguntas variaram de quais eram minhas impressões do comunismo, e quanto à organização das testemunhas de Jeová. Indagou sobre as vindouras eleições na Colômbia.

      “Sabe quem são os candidatos?”

      “Não”, respondi, “não me interesso pelos assuntos políticos das nações. As testemunhas de Jeová, em todas as partes da terra, são neutras quanto à política. Estamos primariamente interessados na pregação das boas novas do reino de Deus.”

      Sua expressão mudou para o ceticismo quando continuei dizendo: “O reino de Deus trará paz e segurança a toda a terra.”

      “Temos paz e segurança aqui em Cuba, e não tivemos de falar sobre Deus para obtê-las”, respondeu ele.

      “Não estou falando sobre o deus trinitário das chamadas igrejas cristãs, mas a respeito do Deus cujo nome é Jeová, o verdadeiro Deus da Bíblia, que promete trazer condições perfeitas à terra toda, inclusive a Cuba. Nenhum governo humano pode fazer isso, nem lhe pode dar a vida eterna em felicidade.”

      O homem respondeu que Deus não existe, que o homem veio do oceano. Apelei a ele, para que contemplasse a maravilha da criação que é o corpo humano, e lhe perguntei como é que podia crer que não havia Deus. Pude explicar-lhe mais que o próprio Deus, em breve, irá, remover da face da terra todos os governos estabelecidos pelos homens. Por conseguinte, a vida das pessoas está em perigo, se não examinarem a Bíblia e ouvirem o aviso dado por Deus.

      A entrevista terminou. Corri para junto de meus amigos no saguão, contente em verificar que o ônibus não partira sem mim. Fazia um dia lindo em Havana, e a caminho do aeroporto tivemos oportunidade de ver parte desta grande cidade.

      Reencontros

      Por volta das duas da tarde, partimos para casa. Às dezoito horas aterrissamos em Barranquilla, desta vez com um “passageiro” a menos e muito mais felizes. A multidão que aguardava o avião nos deu a todos uma calorosa acolhida. Passamos a noite num hotel em Barranquilla, arranjado pela linha aérea.

      Na manhã seguinte, pensamentos de outro tipo — a perspectiva de felizes reencontros com a família — ocuparam todos os passageiros durante o vôo para Bogotá. Ao chegarmos, conseguimos abrir caminho da melhor maneira possível pelos repórteres e a polícia, por fim recebendo o abraço de boas-vindas de nossas esposas.

      Mais de 48 horas se passaram desde o início de nossa viagem. Agora, sentíamo-nos gratos a Jeová Deus por termos chegado sãos e salvos e em tempo para comparecer à sessão do primeiro dia da assembléia. Verificamos que os jornais estavam repletos diariamente com relatos do seqüestro. Esta publicidade serviu para familiarizar a muito mais pessoas em Bogotá com a assembléia das testemunhas de Jeová. Sem dúvida, contribuiu para a excelente assistência de 23.409 pessoas no discurso público, no último dia da assembléia. Assim, nossa triste experiência não deixou de produzir bons resultados. — Contribuído.

  • Dirija e permaneça vivo!
    Despertai! — 1974 | 22 de novembro
    • Dirija e permaneça vivo!

      Aproxima-se a época de trânsito pesado no verão. Isso significará o prazer das férias para muitos; mas, sem dúvida, em muitos países, significará morte para outros. No ano passado, 56.000 pessoas morreram apenas nas rodovias dos Estados Unidos, e mais de dois milhões ficaram feridos. Os prejuízos ultrapassaram 140 bilhões de cruzeiros. Pode isto ser reduzido? Howard Pyle, presidente emérito do Conselho Nacional de Segurança, explicou recentemente a chave para se reduzir as mortes nas rodovias: “Se a razoável consideração por todos os envolvidos guiasse o comportamento de cada motorista, o índice de mortes poderia ser substancialmente reduzido.” Reduzido, em seus cálculos, em “85 a 90 por cento”!

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar