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Azeite (Óleo)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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por se triturar cabalmente as azeitonas em um pilão ou moinho manual. Depois que o azeite escorria da polpa, permitia-se sua clarificação em jarros de barro ou tonéis.
O azeite da mais baixa qualidade era o extraído do bagaço, num lagar de azeite ou de vinho, depois da trituração. A massa triturada da polpa era colocada em cestos e empilhada entre as duas colunas verticais do lagar de azeite. Submetia-se a pilha de cestos a uma alavanca com peso, para retirar sob pressão o azeite, que era então canalizado para grandes reservatórios, para clarificação. Ali o azeite subia à tona, separando-se dos pedaços de polpa e da água abaixo dele, antes de ser retirado e colocado em grandes jarros de barro ou em cisternas especiais de estocagem. — Compare com 2 Crônicas 32:27, 28; veja LAGAR.
SÍMBOLO DE PROSPERIDADE
Ao se referir aos ‘tanques de lagar transbordantes de azeite’ (Joel 2:24) indicava-se grande prosperidade. O sofredor Jó ansiava os dias anteriores de abundância, quando “a rocha despejava correntes de azeite” para ele. (Jó 29:1, 2, 6) Jeová fez com que “Jacó”, ou os israelitas, sugassem figuradamente “azeite duma rocha de pederneira”, pelo que parece, de oliveiras que cresciam em terreno rochoso. (Deut. 32:9, 13) Moisés declarou que Aser tornar-se-ia “alguém que mergulha seu pé em azeite”, indicando que esta tribo usufruiria bênçãos materiais. — Deut. 33:24.
IMPORTANTE ITEM COMERCIAL E COMESTÍVEL
O azeite de oliva se tornou importante item comercial na Palestina, graças à sua abundância ali. Anualmente, Salomão dava ao Rei Hirão, de Tiro, “vinte coros [4.400 litros] de azeite batido” (virgem), como parte do pagamento dos materiais de construção do templo. (1 Reis 5:10, 11) Judá e Israel eram, certa vez, “negociantes” com Tiro para o azeite. (Eze. 27:2, 17) Óleo perfumado e azeite de oliveira acham-se também entre os itens comprados dos “comerciantes viajantes” da terra pela mística Babilônia, a Grande. — Rev. 18:11-13.
O azeite de oliveira, alimento altamente energético e uma das gorduras mais digeríveis, era um dos principais alimentos da dieta israelita, provavelmente tomando o lugar da manteiga à mesa, em muitos casos, e também para fins culinários. (Deut. 7:13; Jer. 41:8; Eze. 16:13) Era um combustível comum das lâmpadas (Mat. 25:1-9), e queimava-se “azeite puro de oliveira, batido”, nas lâmpadas do candelabro de ouro da tenda da reunião. (Êxo. 27:20, 21; 25:31, 37) Usava-se o azeite em conexão com as ofertas de cereais apresentadas a Jeová. (Lev. 2:1-7) Como cosmético, era aplicado ao corpo após o banho. (Rute 3:3; 2 Sam. 12:20) Considerava-se um ato hospitaleiro untar com óleo a cabeça dum hóspede. (Luc. 7:44-46) Empregava-se também o azeite para amolecer e mitigar contusões e ferimentos (Isa. 1:6), às vezes junto com vinho. — Luc. 10:33, 34.
USO E SIGNIFICADO RELIGIOSOS
Jeová ordenou a Moisés que preparasse um “óleo de santa unção”, que continha azeite de oliveira e outros ingredientes. Com ele, Moisés ungiu o tabernáculo, a arca do testemunho, os vários utensílios e o mobiliário do santuário. Moisés também o usou para ungir Arão e seus filhos, para santificá-los como sacerdotes de Jeová. (Êxo. 30:22-33; Lev. 8:10-12) Ungiam-se os reis com azeite, como no caso em que Samuel, ao ungir Saul, “tomou . . . o frasco de óleo [azeite] e o despejou sobre a sua cabeça”. (1 Sam. 10:1) Um chifre de azeite foi usado ao se ungir Salomão. — 1 Reis 1:39.
Predizendo os efeitos alegres do ministério terrestre de Jesus Cristo, disse-se que ele daria “aos que pranteiam por Sião . . . o óleo de exultação em vez de luto”. (Isa. 61:1-3; Luc. 4:16-21) Também foi profetizado que Jesus seria pessoalmente ungido por Jeová com o “óleo de exultação”, mais do que seus associados, indicando que sentiria maior alegria do que seus predecessores da dinastia davídica. — Sal. 45:7; Heb. 1:8, 9.
Assim como a aplicação de azeite literal à cabeça da pessoa é tranquilizante e revigorante, assim também é a aplicação da Palavra de Deus a uma pessoa espiritualmente enferma para tranqüilizá-la, corrigi-la, confortá-la e curá-la. Desta forma, os anciãos da congregação cristã são admoestados a orar a favor de tal homem, figuradamente “untando-o com óleo em nome de Jeová”, uma medida essencial para conseguir a sua recuperação espiritual. — Tia. 5:13-15; compare com Salmo 141:5.
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BaalAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BAAL
[mestre, dono].
Nas Escrituras, a palavra hebraica bá‘al é empregada com referência (1) a um marido, como dono de sua esposa (Gên. 20:3), (2) aos proprietários (ou donos) de terra (Jos. 24:11), (3) aos “donos das nações” (Isa. 16:8), (4) aos confederados (literalmente, “donos de um pacto”) (Gên. 14:13), (5) aos donos ou possuidores de bens corpóreos (Êxo. 21:28, 34; 22:8; 2 Reis 1:8), (6) às pessoas ou às coisas que possuem algo característico de sua natureza, maneira, ocupação ou coisa, semelhante; por exemplo, um arqueiro (literalmente “dono de flechas”) (Gên. 49:23), o “credor de [uma] dívida” (literalmente, “dono de [uma] dívida”) (Deut. 15:2), “dado à ira” (literalmente, “dono da ira”) (Pro. 22:24), “meu adversário em juízo” (literalmente, “dono de meu julgamento”) (Isa. 50:8), “[que tinha] dois chifres” (literalmente, “dono dos dois chifres”) (Dan. 8:6), (7) a Jeová (Osé. 2:16), (8) aos deuses falsos. — Juí. 2:11, 13.
Sempre que o termo bá‘al se aplica ao falso deus Baal, ele se distingue do substantivo comum pelo artigo definido. Nas Escrituras, a expressão hab-Be‘alím (“os Baals” ou “Baalins”) parece referir-se às deidades locais que se pensava serem donas ou possuírem determinado lugar, e terem influência sobre ele, ao passo que hab-Bá‘al (“o Baal”) é a designação aplicada a um específico deus cananeu. Originalmente, a designação “Baal” pode ter sido um título que, com o tempo, veio a ser usado quase que exclusivamente em lugar do nome do deus.
Às vezes, na história de Israel, Jeová foi mencionado como “Baal”, no sentido de ser o Senhor ou Marido daquela nação. (Isa. 54:5) Também, os israelitas talvez tivessem ligado incorretamente Jeová a Baal, em sua apostasia. Isto parece ser comprovado pela profecia de Oséias, de que viria o tempo em que Israel, depois de ir para o cativeiro e ser dele restaurado, penitentemente chamaria Jeová de “Meu marido”, e não mais de “Meu dono” (“Meu Baal”, CBC). O contexto sugere que a designação “Baal” e suas ligações com o deus falso jamais passariam de novo pelos lábios dos israelitas. — Osé. 2:9-17.
BAAL SEGUNDO FONTES BÍBLICAS E EXTRABÍBLICAS
Pouco se sabia sobre a adoração de Baal, à parte das muitas referências bíblicas a ele, até que as escavações em Ugarite (a moderna Ras Xamra, na costa síria, do lado oposto à ponta NE da ilha de Chipre) trouxeram à luz muitos artefatos religiosos e centenas de tabuinhas de argila. Imagina-se que muitos destes documentos antigos, agora conhecidos como os textos de Ras Xamra, sejam liturgias dos que participavam nos rituais das festas religiosas, ou eram palavras proferidas por eles.
Nos textos de Ras Xamra, Baal (também chamado Aliyan [aquele que prevalece] Baal) é mencionado como “Zabul [Príncipe], Senhor da Terra”, e “o Cavaleiro das Nuvens”. Isto se harmoniza com uma representação de Baal, mostrando-o a segurar na mão direita uma clava ou maça, e, na esquerda, uma faísca estilizada de relâmpago, com uma ponta de lança. Também é representado usando um capacete com chifres, sugerindo íntima ligação com o touro, símbolo da fertilidade.
Normalmente, de fins de abril até setembro dificilmente chove na Palestina. Em outubro, começam as chuvas, e elas continuam durante todo o inverno e vão até abril, resultando em abundante vegetação. Pensava-se que as mudanças das estações e os efeitos resultantes delas vinham em ciclos, por causa dos conflitos infindáveis entre os deuses. A cessação das chuvas e a morte da vegetação eram atribuídas ao triunfo do deus Mot (morte e aridez) sobre Baal (chuva e fertilidade), compelindo Baal a retirar-se para as profundezas da terra. Cria-se que o início da estação chuvosa indicava que Baal tinha despertado para a vida. Isto, imaginava-se, tornara-se possível pelo triunfo de Anate, irmã de Baal, sobre Mot, permitindo que o irmão dela, Baal, retornasse ao seu trono. A conjunção carnal de Baal com sua esposa, presumivelmente Astorete, segundo se cria, assegurava a fertilidade no ano seguinte.
Os cananeus, lavradores e criadores de gado, provavelmente imaginavam que empenharem-se num ritual prescrito, uma espécie de mágica congenial, ajudava a estimular seus deuses à ação, segundo o padrão representado em suas festas religiosas, e era necessário para garantir safras produtivas e rebanhos férteis no ano vindouro, e evitar secas, pragas de gafanhotos, etc. Por isso, a vinda de Baal de novo à vida, para ser entronizado e unido à sua consorte, pelo que parece, era celebrada com licenciosos ritos de fertilidade, assinalados por orgias sexuais de irrestrita devassidão.
Sem dúvida, cada cidade cananéia construía seu santuário de Baal, em honra ao seu Baal padroeiro local. Designavam-se sacerdotes para realizar a adoração nestes santuários e nos muitos relicários nos topos das colinas vizinhas, conhecidos como “altos”. (Compare com 2 Reis 17:32.) Os relicários podiam conter imagens ou representações de Baal, ao passo que fora deles, próximo dos altares, podiam ser encontrados colunas de pedra (provavelmente símbolos fálicos de Baal), postes sagrados da deusa Axerá, e pedestais-incensários. (Compare com 2 Crônicas 34:4-7.) Varões e mulheres prostitutos serviam nos altos e, além da prostituição cerimonial, praticava-se até mesmo o sacrifício de crianças. (Compare com 1 Reis 14:23, 24; Oséias 4:13, 14; Isaías 57:5; Jeremias 7:31; 19:5.) A adoração de Baal também era realizada nos terraços das casas das pessoas, de onde se via freqüentemente subindo a fumaça sacrificial para seu deus. — Jer. 32:29; veja POSTE SAGRADO.
Há indícios de que Baal e outros deuses e
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