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Defendendo a divindade de Jeová apesar de hostilidade de babilônicaA Sentinela — 1967 | 1.° de março
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(Jó 2:7, 8, ALA) Assim, o quarto quadro se inicia, então, a cena terrestre dum prolongado ordálio em que Satanás tenta provar seu desafio à Divindade de Jeová por testar até ao limite a Jó, adorador de Jeová.
13. Como é que as provas sobre Jó influíram na mulher de Jó? Expliquem.
13 A cena da prova continua. Jó e sua esposa não dispunham de nenhum arranjo de televisão espiritual, tal como temos agora no relato completo, inspirado e bíblico sobre Jó, para ver com os ‘olhos do coração’ o que estava por trás das aflições de Jó. (Efé. 1:18) Ao passo que havia muitas coisas que Jó não podia entender quanto à sua prova, todavia, sua fé era forte de apegar-se à defesa da Divindade de Jeová a todo tempo. Outro golpe — a fé da pessoa mais próxima e mais querida de Jó, sua esposa se enfraquece. Ela lhe diz: “‘Ainda te apegas à tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!’h Mas [Jó] lhe disse: ‘Falas também como uma das mulheres insensatas. Aceitaremos apenas o que é bom do verdadeiro Deus e não aceitaremos também o que é mau?’ Em tudo isso, Jó não pecou com seus lábios.” — Jó 2:9, 10.
TRÊS COMPANHEIROS BABILONIZADOS
14. (a) A quem usa Satanás a seguir para provar a Jó? (b) Que fundo babilônico parecem ter os três companheiros de Jó?
14 Por volta do século dezessete A. E. C., o modo de pensar religioso babilônico havia influenciado todas as pessoas na Palestina e em redor dela. As evidências agora surgem, indicando que os supostos amigos de Jó estavam viciados com a apostasia babilônica. Tais falsos amigos estavam então prontos para as pressões especiais de Satanás contra Jó. A fim de fazer que os sofrimentos de Jó penetrassem profundamente em seu coração, Satanás manobrou estes três agentes babilonizados a empregar a sabedoria filosófica de modo a desgastar mentalmente a Jó em sua lealdade a Jeová. Haver três de tais pretensos confortadores destaca a tentativa total de Satanás desta forma sutil. O primeiro falso foi Elifaz, o temanita, indicando que era descendente de Abraão mediante seu neto apóstata, Esaú. (Gên. 36:2, 10, 11) Os temanitas se notabilizaram pela sua sabedoria apóstata, visto que não se apegaram à verdadeira religião de Abraão. (Jer. 49:7) Bildade, o suíta, foi o segundo companheiro falso, sendo também descendente de Abraão mediante o sexto filho de Abraão, Suá, com sua segunda esposa, Quetura. (Gên. 25:2) Bildade, também, se tornara apóstata da verdadeira religião de Abraão. Seu nome Bildade significa “Filho da Disputa”, ou “Bel tem amado”, este último significado podendo indicar o forte fundo babilônico de seu treinamento paternal, visto que Bel era o título de Marduque, o principal deus dos babilônios. (Jer. 50:2)i O terceiro deste trio de exasperantes “confortadores” era Zofar, o naamatita que suas preleções revelaram ser também um apostata da religião verdadeira de Abraão. A Versão dos Setenta se refere a ele como “Zofar, o rei dos mineanos”, um povo árabe, sendo os árabes geralmente considerados descendentes de Abraão.
15. O que parecem indicar os sete dias de silêncio, e por quê?
15 Quando os três “companheiros” chegaram, iniciaram seu ‘programa de conforto’ com um período de silêncio durante sete dias e sete noites, sentados na presença de Jó. (Jó 2:13) Ao passo que é verdade que os descendentes de Abraão, no tempo do sepultamento de Jacó, realizaram ritos fúnebres junto com bastante pranto durante sete dias (Gên. 50:10), todavia, não há evidência dum costume de sete dias de silêncio entre os israelitas. Assim, os sete dias de silêncio parecem corresponder à prática babilônica de implorar aos poderes invisíveis de Satanás e dos demônios que dessem sugestões quanto ao que indicam as condições.j Pelo menos, por volta dos sete dias, estes três se manifestaram como parte do trama de Satanás para enfraquecer o apoio de Jó à Divindade Soberana de Jeová.
TÍTULOS QUE ENVOLVEM DIVINDADE
16. Rebusquem as origens dos usos das palavras hebraicas para Deus (a) pelos pagãos, (b) pelos verdadeiros adoradores de Jeová.
16 Examinemos agora outras evidências de que os três falsos confortadores de Jeová proferiam sabedoria babilônica com o sibolete da apostasia ao invés de consolarem a Jó por meio da verdadeira sabedoria com o chibolete da religião verdadeira. (Juí. 12:6) Em outras palavras, sua sabedoria babilonizada soava atrativamente e bem parecida à sabedoria divina, mas não possuía bem o toque de genuinidade. Visto que a questão básica é a Divindade Soberana, observa-se que todos os três afirmavam ser monoteístas ou crentes em uma só divindade. Estes três descendentes desviados de Abraão usaram os termos “Todo-poderoso” (shaddái) e “Deus” (el; ou elóah, singular, ou elohím, a forma plural de excelência), como fez seu antepassado Abraão e como fez Jó. (Gên. 17:1; Jó 4:17; 6:4; 8:3; 11:7) Mas, agora vem o teste! Desde o tempo em que a idolatria começou nos dias de Enos, os homens começaram a chamar seus ídolos de deus (el ou elohim). O Targum da Palestina comenta sobre Gênesis 4:26 o seguinte: “Essa foi a geração em cujos dias começaram a errar, fazendo para si mesmos ídolos, e dando a seus ídolos o nome da palavra do Senhor.”k Depois do dilúvio dos dias de Noé, os pagãos babilonizados fizeram a mesma coisa, referindo-se a seus deuses apóstatas também pela forma plural de excelência, elohim, deus. (Note isto a respeito do deus Dagom em Juízes 16:23, 24; e do deus Camos e do deus Milcom, em 1 Reis 11:33, e do deus Baal-Zebube em 2 Reis 1:2, 3, 16.) Observe que na história de Noé, que registra os dias de Enoque, depois de a idolatria vir a ser praticada, os verdadeiros adoradores freqüentemente colocam o artigo definido ha antes de el ou elohim para indicar “o verdadeiro Deus”, Jeová, como sendo diferente dos deuses falsos que eram também mencionados como el ou elohim, mas não como ha-el ou ha-elohim.l — Gên. 5:22; 2 Reis 1:6, 9.
17, 18. Contrastem a diferença na forma de serem usadas as palavras para Deus e Jeová (a) por Abraão e Jó, (b) pelos três companheiros. Como é que isto influi na questão da Divindade?
17 Abraão seguiu este costume do tempo de Enoque por se referir também a Jeová pela forma delicada, diferenciadora de ha-elohim (como em Gênesis 17:18; 20:6, 17 e 22:9). Para os estudantes argutos das Santas Escrituras, a Tradução do Novo Mundo (em inglês) reserva todos os usos de ha-el e ha-elohim nos textos hebraicos por traduzi-los com precisão como “o [verdadeiro] Deus”. Jó, em seus discursos segue o costume de Abraão por também defender a Divindade de Jeová como distinta dos deuses pagãos por meio de usar ocasionalmente ha-el e ha-elohim. (Veja-se Jó 2:10; 13:8; 21:14; 31:28.) Mas, nos discursos de Bildade e de Zofar, seguem o costume dos fanáticos religiosos babilônicos por usarem apenas a forma geral, el ou elohim para Deus. Até mesmo Elifaz, o reivindicador da ortodoxia (Jó 15:10), usa uma vez apenas ha-el, “o verdadeiro Deus”, em Jó 22:17, e assim mesmo apenas com uma espécie de desdém, com referência aos que se apegam a Jeová como sendo o verdadeiro Deus. — Jó 22:15.
18 Seguindo outro costume babilônico de ocultar o nome pessoal da Deidade, os três falsos confortadores não usam o nome divino, Jeová, nem sequer uma vez em seus muitos discursos, ao passo que Jó usa o nome Jeová cinco vezes. (Jó 1:21; 12:9; 28:28) No relato sobre Abraão, o antepassado deles, o nome Jeová é usado cerca de setenta vezes, de Gênesis, capítulos 12 a 24, inclusive. Daí, também, Jó é o único que se refere devotadamente a Jeová como o “Santo”. — Jó 6:10.
EXPERIÊNCIA ESPÍRITA
19. Expliquem o que é demonstrado pela experiência espírita de Elifaz.
19 Outra evidência característica da religião babilônica é o da comunicação com os espíritos ou demônios. Tais espíritos ou demônios não puderam materializar-se como fizeram os anjos fiéis ao comunicar-se com Abraão. (Gên. 18:1-8) Isto significava que os demônios tinham de recorrer indiretamente à adivinhação e aos oráculos. “Na adivinhação por inspiração ou natural, o agente fica professamente sob a influência imediata de algum espírito ou deus que habilita o adivinhante a ver o futuro e a proferir oráculos que incorporam o que ele vê. . . . Pode-se provar que, entre os antigos babilônios e egípcios, prevalecia o conceito de que não só os oráculos, mas também presságios de todos os tipos são dados pelos deuses aos homens e expressam o que estes deuses pensam.”a Note que no primeiro discurso de Elifaz, ele apela para uma de suas experiências babilônicas, espíritas, para apoiar seu argumento. (Jó 4:15-17) Jamais Abraão ou Jó tiveram tais experiências demoníacas para negar a Divindade de Jeová, que os guiava diretamente.
O HOMEM, O MORTAL — A ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO
20. Mostrem como Jó possuía conhecimento preciso a respeito do que é o homem. Como é que Jó expressa sua esperança para o futuro?
20 Jó, em seus contra-argumentos, usa a expressão “homem mortal” (hebraico, enósh) muitas vezes. Entendia que o homem é alma vivente. Rejeitava o conceito babilônico de que o homem tem uma alma imortal. Jó cria que o homem é mortal e que, quando o homem morre, está morto. (Jó 7:1, 17; 9:2; 10:4, 5; 13:9; 14:1, 2; 28:13) Jó mostra ademais que o homem expira ao morrer. (Jó 10:18; 14:10; 27:5; 29:18) Tendo o conceito correto desta questão básica, Jó pôde aludir à sua esperança duma ressurreição, o retorno dele mesmo de novo à vida como pessoa na terra. (Jó 14:13, 14) É digno de nota que seus três falsos companheiros se mantiveram silenciosos na questão da ressurreição.
FILOSOFIA BABILÔNICA
21. Apresentem alguns dos sentimentos hostis expressos contra Jó pelos três falsos companheiros.
21 O trio de “companheiros”, com variações religiosas, apresenta a filosofia materialística babilônica de que somente os sábios prosperam e os culpados sofrem adversidades. (Jó 4:7, 8) Mentirosamente, afirmam que Jeová ‘não tem fé em Seus servos’. (Jó 4:18) Fazem um apelo ortodoxo de acatamento às tradições das gerações anteriores. (Jó 8:8, 9) Advogam que se mantenha simples a religião e que não se aprofunde muito em saber as coisas de Deus. (Jó 11:7) Faz-se a queixa de que Jó (uma das testemunhas de Jeová) orgulhosamente afirma saber mais do que os sábios religiosos do passado. (Jó 15:9, 10) Quanto à posição inabalável de integridade de Jó para com a verdadeira Divindade, seus “companheiros” ressentem, por contraste, serem representados como impuros. (Jó 18:3) Dizem: ‘Jó, tu levas demasiado a sério a religião ao tentares manter uma posição justa diante de Deus.’ (Jó 22:2-4) Segundo as aparências, Jó tem de ser uma ‘pessoa ruim’ e assim Deus deve julgá-lo de forma adversa. (Jó 22:5-10) Abrupta e finalmente, estes sábios babilônicos afirmam que é impossível que Jó, que se chama de “homem mortal” (Jó 7:1, 17), consiga uma posição justa e imaculada diante de Deus. — Jó 25:4.
JÓ EXAMINA SEU ÍNTIMO
22. Como é que Jó se viu obrigado a examinar a si mesmo, e o que disse ele?
22 Assim, por meio destas três longas etapas de argumentos de filosofia materialista, este trio profano obriga Jó a se defender pessoalmente e a examinar seu próprio íntimo para continuar a declarar que sua própria alma é justa, ao invés de exaltar a justiça do verdadeiro Deus em dirigir este caso quanto à Sua Divindade Soberana. Bem no fundo do coração de Jó ocorreu este processo penetrante e provador, fluindo dele perguntas e respostas. “Se pequei, que mal te fiz, ó guarda dos homens? Por que me tomas por alvo, e me tornei pesado a til” (Jó 7:20, CBC) “Eu sei que o meu Redentor vive.” (Jó 19:25, Al) “Oh! se eu tivesse alguém para me ouvir! Eis a minha assinatura: que o Todo-Poderoso me responda!” (Jó 31:35, CBC) Sim, por meio deste longo duelo sob a permitida mão de Satanás, por meio de seus joguetes terrestres, Jó foi provado até o âmago de seu coração, todavia, seu coração se mostrou verdadeiro, limpo, cheio de esperança e confiança em Deus.
A AVALIAÇÃO DE ELIÚ
23. (a) Qual foi a avaliação de Eliú a respeito da longa controvérsia religiosa? (b) Como foi que Jeová intercedeu, e qual foi a reação de Jó?
23 Por fim, o observador neutro, Eliú, falou e apresentou a correta avaliação da verdadeira e das falsas escolas de sabedoria que haviam concluído seus argumentos. “Sua cólera inflamou-se contra Jó porque ele pretendia ter razão contra Deus. Inflamou-se também contra seus três amigos por não terem achado resposta conveniente, dando assim culpa a Deus.” (Jó 32:2, 3, CBC) Assim, na questão da Divindade, os três falsos confortadores demonstraram ter falhado por completo, ao passo que Jó desviara a sua atenção para si mesmo, embora jamais deixasse de manter sua integridade ao verdadeiro Deus. Então o drama termina com a tremenda demonstração de sabedoria da parte do verdadeiro Deus, por falar do meio da tempestade. Ali Jeová demonstrou sua sobrepujante Divindade por se referir às maravilhas da criação e às coisas naturais que dizem respeito à terra, sendo maravilhosas demais para serem percebidas pela mente do homem mortal. (Jó, capítulos 38-41) Diante desta surpreendente demonstração de sabedoria celeste, o coração limpo de Jó prontamente responde: “Sei que podes tudo, que nada te é muito difícil. É por isso que me retrato, e arrependo-me sobre o pó e a cinza.” — Jó 42:2, 6, CBC.
24, 25. (a) Qual foi o julgamento de Jeová quanto aos dois lados da controvérsia sobre a Divindade? (b) Como é que termina o drama de Jó? (c) Que pergunta surge, e como será considerada?
24 Então, Jeová confirma a reprimenda de Eliú sobre os três companheiros falsos, dizendo: “Estou irritado contra ti [Elifaz] e contra teus amigos porque vós não falastes corretamente de mim, como Jó, meu servidor. Procurai, pois, sete touros e sete carneiros, e vinde procurar meu servidor Jó. Oferecei por vós este holocausto, e meu servidor Jó intercederá por vós. É em consideração a ele que não vos infligirei ignomínias por não terdes falado bem de mim como Jó, meu servidor.” (Jó 42:7, 8, CBC) Assim, a religião apóstata destes homens sábios babilonizados foi exposta pelo próprio Jeová, que duas vezes os declarou como sendo ‘inverídicos’. A sua suposta sabedoria se transformou em tolice. Satanás perdeu miseràvelmente a disputa resultante de seu desafio. Os três “companheiros” tiveram que rebaixar-se, reformar-se e submeter sua vida aos serviços sacerdotais de Jó, por aceitarem a verdadeira religião. Quanto a Jó, pessoalmente, “o próprio Jeová transformou a condição cativa de Jó” e o abençoou com o dobro da riqueza material que perdera no início. Quanto â sua família, veio a ter sete filhos e três belas filhas, mesmo sendo êle próprio idoso, bem como sua esposa. — Jó 42:10-15.
25 Por certo, Jeová demonstrou ser o verdadeiro Deus que pode escolher testemunhas fidedignas para defender sua Divindade Soberana na terra. Jó foi assim o vindicado defensor dos seus dias. Será que este drama tem cumprimento profético ou uma aplicação que seja de interesse para os homens dotados de verdadeira sabedoria em épocas posteriores? Evidências afirmativas serão apresentadas nos artigos que seguem.
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Jesus, o “objeto de hostilidade”A Sentinela — 1967 | 1.° de março
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Jesus, o “objeto de hostilidade”
“Considerai de perto aquele que aturou tal conversa contrária de pecadores contra os próprios interesses deles.” — Heb. 12:3.
1. Por que se pode descrever Jesus de forma preliminar como sendo Jó Maior?
O NOME Jó significa “objeto de hostilidade”.a Com que precisão Jó, em suas experiências de provas, demonstrou ser um objeto de hostilidade por parte de Satanás e de seus companheiros religiosos babilonizados! Agora, todo este assunto se revela um drama profético pormenorizado, tendo cumprimento preliminar centralizado no Jó Maior, Jesus Cristo. Mas, antes que se possa examinar as muitas evidências instrutivas disso, torna-se necessário fazer uma breve pesquisa histórica das condições religiosas que grassavam na Palestina e no mundo pagão vizinho durante os cinco séculos que precederam os dias de Jesus. Em todos esses quinhentos anos, Satanás produzia sutis forças religiosas e doutrinas confusas que poriam o “descendente” prometido sob a mais severa prova, quando este surgisse na terra. (Gên. 3:15) Conforme veremos, o homem perfeito, Jesus, estava mais do que preparado e habilitado a ser o Jó Maior ou “objeto de hostilidade”. Para que a questão da Divindade Soberana de Jeová pudesse ser corretamente vindicada, Jesus suportou a conversa contraditória e hostil dos pecadores. — Heb. 12:3.
CENÁRIO RELIGIOSO SENDO MONTADO PARA JESUS
2, 3. (a) Como foi que chegaram a existir dois centros judaicos — um na Palestina e um em Babilônia? (b) De que forma a religião judaica foi disseminada no estrangeiro, e em que se centralizava?
2 Pela história bíblica e secular, torna-se evidente que apenas uma minoria dos judeus exilados em Babilônia, entre 607 e 537 A. E. C. voltou a Jerusalém em 537 A. E. C. e depois disso para participar em restaurar a verdadeira adoração ali e para reconstruir o templo sob a liderança de Zorobabel. (Esd. 2:1, 2) Alguns anos mais tarde, Neemias ajudou a reconstruir os muros de Jerusalém (Nee. 7:1), e Esdras tomou parte nisso por equipar o templo restaurado de sacerdotes para os serviços diários plenos. (Esd. 7:1-7) Esdras também liderou a grande obra de tornar disponíveis para circulação muitas cópias fidedignas das santas Escrituras Hebraicas. A maioria dos judeus exilados, contudo, preferiu permanecer em Babilônia, onde estavam bem plantados, materialmente, embora dispersos em muitas comunidades do país.b Aqueles judeus que permaneceram em Babilônia perpetuaram uma forma da verdadeira religião de Abraão, Moisés e dos Profetas, que poderia ser denominada “hebraísmo”.
3 A partir do quinto século A. E. C., muitos judeus de Babilônia e da Palestina se tornaram comerciantes envolvidos em negócios e no comércio. Junto com suas famílias, e parentes, fixaram-se em partes compactas das grandes cidades gentias por toda a Mesopotâmia, o Egito, a Grécia, Roma, e, eventualmente, por volta de todo o Mediterrâneo. Isto significava que as comunidades judaicas se desenvolveram, então, como atualmente, em quase toda parte do mundo civilizado. Tais judeus levaram consigo a sua religião hebraica, o hábito de se reunirem para oração e estudo sem rituais ou sacrifício do templo. Um simples salão de reunião era o centro de sua vida religiosa. Primeiramente, tal centro era conhecido como o Beth ha-Keneset (casa de oração) ou o Beth ha-Midrash (casa de estudo).c Mais tarde, devido à influência grega, tais edifícios vieram a ser chamados pela palavra grega synagogues.d
4. Quão extensivamente estava sendo montado para o ministério de Jesus um cenário mundial judaico?
4 Desta forma, os judeus levavam sua religião por “exportação” ao crescente mundo gentio. Com o tempo, tais “colônias” judaicas fora da Palestina ultrapassaram grandemente em números a população judaica na terra natal e se tornaram conhecidos como os judeus da dispersão (diáspora), isto é, os judeus ‘espalhados’. (Tia. 1:1) Durante séculos, os judeus se notabilizaram por efetuarem o que equivalia a um grande movimento missionário de levar sua religião aos gentios. “As sinagogas atraíam centenas de milhares de conversos”, escreve Josefo, para transformá-los em prosélitos.’ e(Mat. 23:15) Uma vez cada três anos, os homens judeus e os prosélitos faziam peregrinações a Jerusalém para assistir às festas.’f Josefo relata que nada menos de 2.700.000 homens se reuniram ali para certa páscoa.g A respeito disto, o judeu grecizado, Filo, escreve, chamando Jerusalém de a capital “não de uma só nação, mas de todas as nações”.h Por tais razões, podemos avaliar a medida do cenário mundial que estava sendo montado para que Jesus servisse qual “objeto de hostilidade”.
INFLUÊNCIAS CARNAIS DO HELENISMO
5, 6. (a) O que era o helenismo? (b) Como foi “exportado” para a Palestina? (c) A que influências carnais estavam sujeitos os judeus, e será que isso influiu em sua religião?
5 A seguir, examinemos como toda esta religião pré-cristã dos judeus ficou contaminada pela forma religiosa de pensar oriental e babilônica, isto sendo feito quer diretamente, mediante o cativeiro babilônico dos judeus, quer mais sutilmente, por meio dos gregos orientalizados. Os gregos eram antigamente mencionados como helenos, de modo que sua cultura e sua forma de vida religiosa veio a ser chamada de helenismo. Os muitos antigos filósofos gregos, com efeito, eram “profetas” do helenismo, e suas diferentes escolas filosóficas equivaliam ‘as várias seitas do helenismo pagão. O helenismo, em suas muitas seitas, apresentava as coisas segundo um apelo pagão ao “desejo da carne” (1 João 2:16), tal como a arte, a música, a dança, a cultura física, os esportes, as maneiras sensuais de viver, a busca para a felicidade na carne, o materialismo, a imortalidade da alma humana e a adoração de um panteão ou multidão de deuses. Quando o grecizado Alexandre Magno conquistou o mundo então antigo, “ao invés de desarraigar a população dos países súditos como os conquistadores orientais haviam feito, os gregos levaram a eles o seu próprio país”.i Assim, semelhantes aos judeus, os gregos exportaram sua cultura helenística por todas as nações. Por exemplo, segundo esta diretriz de Alexandre e seus sucessores, foi construída bem no meio da Judéia uma cadeia de dez cidades gregas, conhecida como a Decápolis (dez cidades). (Mat. 4:25; Mar. 5:20; 7:31) Isto foi feito para romper a solidariedade judaica. Produziu uma atmosfera ou espírito mundano que se achava tentadoramente saturado de sutis influências helênicas. (1 Cor. 2:12) Para os jovens judeus, estas cidades eram locais de atrações que apresentavam jogos atléticos, o apelo aos sentidos estéticos, à elegância, ao requinte e à beleza de forma.j Assim as maneiras gregas, as palavras gregas, as idéias gregas inundaram a Palestina.
6 Mas, todas estas formas helênicas de cultura e de religião já se tinham misturado com os modos orientais e babilônicos quando Alexandre devastou todo o Império Persa.k “Quando [o helenismo] se misturou com as idéias orientais, degenerou num produto completamente bastardo de sensualidade e racionalismo.”l Observa-se tanto a respeito dos judeus na Palestina como os na dispersão que “gradual, mas seguramente, os judeus começaram a assimilar as idéias religiosas dos ao redor deles, e a considerar as Escrituras sob a influência de tais idéias”.a Assim, isto significava que o hebraísmo primitivo agora se tornou mais apóstata como a religião do judaísmo, com todos os seus crescentes acréscimos de tradições e de regulamentos não-bíblicos. (Gál. 1:13; Mar. 7:13) A seguir, avaliemos as evidências de que o judaísmo se tornou babilonizado, daí dividiu-se em seitas, por volta do tempo de Jesus.
OS JUDEUS ACEITAM O MODO BABILÔNICO DE PENSAR
7. Com que termo vieram os babilônios a se referir a seu deus?
7 Primeiro note que, no assunto da divindade em Babilônia, Marduque (Merodaque) é mencionado como sendo “o mais velho dos deuses, o mais antigo”, o principal deus de Babilônia. (Jer. 50:2)b O fundo antigo de Marduque vai até Ninrode. “Ninrode . . . a mais admissível correspondência é com Marduque, o principal deus de Babilônia, provavelmente seu fundador histórico, assim como Assur, o deus da Assíria, parece . . . ser o fundador do império assírio.”c Muito antes do tempo de Isaías, do oitavo século A. E. C. (Isa. 46:1), crescera o hábito em Babilônia de chamar a seu grande deus pagão, Marduque (Merodaque) simplesmente pelo título geral “Senhor” ou Baal, como fizeram os antigos cananeus pagãos. (Juí. 2:11-13) “Marduque . . . é o deus-cidade de Babilônia, onde seu templo era chamado E-sagila . . . Seu nome próprio nos períodos posteriores foi gradualmente substituído pelo título Belu ‘senhor’, de modo que, por fim, era comumente mencionado como [pelo título] Bel.”d — Jer. 51:44.
8. Será que os judeus foram influenciados pelo costume babilônico acima de chamarem a seu deus por um título?
8 É bem conhecido que os judeus seguiram um hábito similar depois de seu cativeiro babilônico, não mais se referindo a seu Deus, Jeová, pelo seu nome próprio pessoal, mas simplesmente o chamando pelo título “Senhor” (Adonai) exclusivamente. Em realidade, os sopherim judeus nos séculos babilonizados antes de Jesus fizeram 134 mudanças no texto Sagrado Hebraico, de Jeová (יהוה) para Senhor (אדני), favorecendo este hábito apóstata ou de sibolete.e Assim se vê quão ardilosamente os judeus sob o judaísmo foram induzidos por Satanás a ocultar o próprio nome de seu verdadeiro Deus por seguirem este sibolete dum costume babilônico de se referir ao Deus da pessoa simplesmente pelo título. A relação calorosa e pessoal estava sendo perdida por não mais chamá-lo de Jeová, mas substituí-lo por um título abstrato, Senhor.
9, 10. (a) De que modo reverente se observou que os verdadeiros adoradores de Jeová usavam o termo Senhor quando se referiam a Ele? (b) O que é observado na forma de Nabucodonosor reconhecer a Divindade Soberana de Jeová?
9 Desde os dias de Abraão até os Profetas, sempre que os verdadeiros adoradores antigos de Jeová se referiam a Ele como Senhor (Adonai), usavam no contexto o próprio nome divino.f Quando usavam Senhor (Adonai ou Adon) sozinho, sem “Jeová”, era em relação com Sua supremacia sobre os outros chamados senhores ou deuses pagãos (Deu. 10:17; Jos. 3:11, 13), ou somente ele era mencionado como ha-adon, o verdadeiro Senhor.g Isaías expressou o chibolete ou forma correta: “Ó Jeová, nosso Deus, outros senhores [adoním] além de ti têm agido como nossos donos [baalúnu]. Mas, somente de ti faremos menção do teu nome.” — Isa. 26:13.
10 Adicionalmente, torna-se claro que os babilônios, como os demais pagãos, jamais se referiam a seu deus principal pela expressão exclusiva que significa “o verdadeiro deus”, como o fizeram os genuínos adoradores hebreus de Jeová, dizendo ha-elohim. Quando Nabucodonosor se viu obrigado a reconhecer a Divindade Jeová, o Deus dos hebreus, como o verdadeiro Deus, jamais usou a expressão hebraica ha-elohim, mas simplesmente usou a expressão aramaica elaha (determinativa), deus. — Dan. 3:28, 29.
11. Dêem outras evidências de os judeus aceitarem o modo de pensar religioso babilônico.
11 A babilônica “noção de trindades dos poderes divinos” chegou aos judeus por meio da influência egípcia.h As crenças “na imortalidade de alma” chegaram ao judaísmo provenientes da Babilônia e da Grécia. “No segundo século [A. E. C.] os judeus da Palestina bem como de Alexandria aceitaram a doutrina da imortalidade de alma.”i Isto levou ainda mais à crença, no segundo século, na “ressurreição do corpo” que, conforme criam, habilitava a alma a continuar a viver imortalmente.j Por exemplo, o livro apócrifo chamado Sabedoria de Salomão, escrito por um judeu antes dos dias de Jesus, advoga o ensino do filósofo grego, Platão, quanto à separação da alma e o corpo. (1:4; 9:15) Apresenta o conceito grego da predestinação, em que se diz que a alma preexistente entra no corpo. (8:19, 20) A vida futura não vem por meio do Messias, mas pela sabedoria. (8:13) Ensina que o homem foi criado para a incorrupção e a imortalidade. (2:23; 6:19; 12:1) O modo grego de pensar é apresentado, de que o Hades é um lugar em que as almas injustas sofrem. (1:14; 3:1-10), e que a coisa sábia para o homem é viver uma vida de prazer agora. — 2:7-9.
GRUPOS JUDAICOS DE PRESSÃO SECTÁRIA
12-14. Descrevam, um de cada vez, os três grupos de pressão judaicos.
12 O judaísmo começou a se dividir em diversas seitas, segundo a aceitação ou rejeição de várias crenças obscuras do mundo pagão. Tais seitas vieram a servir como grupos de pressão não só religiosa, mas também política. Neste período, a seita dos saduceus se desenvolveu. Os saduceus “incluíam grande parte da casta sacerdotal, e herdaram o conceito dos anteriores helenistas . . . Eram essencialmente
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