-
Portadores da Aids — quantos poderão morrer?Despertai! — 1988 | 8 de outubro
-
-
Comparada com a Guerra
As conseqüências do flagelo da AIDS, no que tange à perda de vidas, aos danos causados à sociedade, e ao fardo financeiro, estão sendo comparadas com as conseqüências de grandes guerras.
Por exemplo, nos Estados Unidos cerca de 40.000 pessoas já morreram. Afirma-se que de um a dois milhões de pessoas adicionais estão infectadas. Só na cidade de Nova Iorque, calcula-se que entre 250.000 e 400.000 habitantes são portadores do vírus. Em certas partes da cidade, a AIDS tornou-se a doença infecciosa mais comum em recém-nascidos.
Embora o índice de aumento nos Estados Unidos tenha diminuído entre alguns grupos de alto risco, e o temido aumento explosivo da AIDS entre os heterossexuais não tenha ocorrido, o número de mortes será ainda muito elevado no futuro próximo. Os Centros de Controle de Moléstias dos Estados Unidos, em Atlanta, calculam que até o fim de 1991 mais de 200.000 americanos terão morrido de AIDS. No ano de 1991, prevê-se que mais de 50.000 morrerão em decorrência dela. E, até o fim de 1992 — apenas quatro anos a contar de agora mais americanos poderão ter morrido de AIDS do que os que morreram na Primeira Guerra Mundial, na Guerra da Coréia e na Guerra do Vietnã juntas.
De fato, a revista The Futurist declara: “A AIDS poderá matar até o fim deste século mais pessoas do que as que foram mortas em todas as nossas guerras [de todas as nações].”
Os custos previstos são estonteantes. Nos Estados Unidos, a estimativa é de US$ 50.000 (uns Cz$ 16 milhões) ou mais por ano para cada paciente. Assim, nos anos à frente, serão necessários anualmente muitos bilhões de dólares para cuidar dos pacientes. Alguns temem que os sistemas de saúde serão incapazes de arcar com o volume de pacientes ou com o custo disso.
Pior na África
Na África, poucas guerras, se é que alguma, já fizeram o que a AIDS está fazendo agora. A revista britânica New Scientist comenta: “A AIDS está assolando a África.” Um artigo do jornal dinamarquês Politiken afirmou: “A principal autoridade de AIDS em Uganda declara: ‘A menos que algo mude, um de cada dois adultos será HIV-positivo no ano 2000.’ Quase metade de todos os casos de AIDS na África são mulheres na idade de procriação. As crianças representam um de cada cinco casos de AIDS em Ruanda. Na Zâmbia, 6.000 bebês nascerão este ano com AIDS. Das 800 prostitutas que fizeram o teste em Nairobi, nove dentre 10 estavam infectadas com o HIV. E tais mulheres dormem, em média, com 1.000 clientes por ano.”
“Se não fizermos nada, o continente morrerá”, diz Pieter Piot, um especialista belga. Jonathan Mann, que lidera a campanha da OMS, declara: “A alternativa é desistir da África, como se o mundo não fosse um único planeta. Mas, a epidemia não pode ser detida em nenhum país antes de ser detida em todos eles.”
Assim, muitas autoridades médicas acham que a catástrofe global da AIDS já começou. O secretário-geral da ONU, Javier Pérez de Cuéllar, chamou isso de “conflito global” que “nos ameaça de todas as conseqüências da guerra”.
Em alguns aspectos, ela é pior do que a guerra. Por quê? Porque não se avista o fim dela, as mortes continuam a aumentar e os “feridos” não se restabelecem.
-
-
Por que a Aids é tão letalDespertai! — 1988 | 8 de outubro
-
-
Por que a Aids é tão letal
PARA compreendermos melhor como podemos proteger-nos da AIDS, precisamos saber por que ela é tão letal. O que torna esse vírus mais difícil de lidar do que os demais vírus?
Os vírus são os menores de todos os organismos causadores de doenças, muito menores do que as bactérias. A gripe, a paralisia infantil e o resfriado comum são causados por diferentes vírus. Uma vez que o vírus penetra numa célula hospedeira, ele poderá matar a célula ou simplesmente ficar “dormente” ali até tornar-se posteriormente mais ativo. No caso do vírus da AIDS, talvez leve cinco ou mais anos para os sintomas se manifestarem.
Por Que É Tão Letal
O que torna o vírus da AIDS tão letal é que ele ataca e inutiliza células importantes inclusive glóbulos brancos que o corpo produz para resistir às doenças. Esses glóbulos brancos (chamados linfócitos T4) constituem a principal defesa do corpo contra doenças.
Quando esses glóbulos brancos são inutilizados pelo vírus da AIDS, não mais conseguem realizar seu trabalho. Assim, o sistema imunológico do corpo é destruído. Infecções que antes talvez não representassem ameaça à vida são agora uma ameaça. Estas incluem outros vírus, parasitas, bactérias, fungos ou diversos tipos de câncer.
Uma vez que o corpo não mais é capaz de combater essas infecções, elas evoluem até a morte da vítima. Tais infecções são chamadas de oportunistas. Tiram proveito da oportunidade que a supressão do sistema imunológico do corpo lhes proporciona. Uma pessoa com AIDS pode contrair diversas dessas infecções ao mesmo tempo.
Alguns dos sintomas iniciais da AIDS são: fadiga prolongada e inexplicável; inchaço de gânglios que pode durar meses; febres persistentes ou suores noturnos; diarréia persistente; inexplicável perda de peso; lesões descoloradas da pele ou das membranas mucosas que não desaparecem; tosse persistente e inexplicável; um revestimento espesso e esbranquiçado na língua ou na garganta;
-