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Um problema que rivaliza com a toxicomaniaA Sentinela — 1975 | 1.° de fevereiro
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externa de embriaguez. Não obstante, conforme diz Provérbios 23:32 sobre beber excessivamente, “no fim morde igual a uma serpente e segrega veneno igual a uma víbora”. Um dos primeiros sintomas de intoxicação pode ser a bem conhecida “ressaca”, com suas náuseas, dor de cabeça, desassossego, tremedeira, suor, perturbação estomacal e uma enorme sede (por causa da transferência da água das células para regiões fora das paredes celulares).
Os efeitos de longo alcance, embora menos dramáticos, têm conseqüências muito mais sérias. As bebidas alcoólicas têm elevado teor de calorias. Mas, são calorias “vazias”, faltando-lhes vitaminas, minerais e aminoácidos em qualquer quantidade. O beberrão amiúde deixa de comer normalmente, e então começam a desenvolver-se deficiências de nutrição. Estas desempenham um grande papel nas doenças que acompanham o alcoolismo. Quem sofre é especialmente o fígado, já sobrecarregado com o metabolismo (“a queima” ou oxidação) do álcool, e com o tempo desenvolve-se a cirrose do fígado, causa primária da morte entre os alcoólatras contumazes.
Quantidades excessivas de álcool irritam os tecidos da boca, da garganta e do estômago. Algumas autoridades médicas da França acreditam que 90 por cento dos casos de câncer da boca, da garganta e da laringe, naquele país, se devem ao alcoolismo. Com o tempo, o beberrão pode desenvolver delirium-tremens — com seus violentos tremores, alucinações amedrontadoras e formas de paralisia — e, embora dure apenas de três a dez dias, muitas vezes é fatal.
Ainda mais sério — e mais imediato — é o efeito do excesso de bebida alcoólica sobre a conduta pessoal. Isto se dá porque o álcool, quando absorvido na corrente sangüínea, afeta em primeiro lugar as funções mais elevadas do cérebro — pensar, aprender, lembrar e tomar decisões vitais e formar critérios. Na maioria das pessoas, uma pequena quantidade de álcool tem pouco efeito. Mas, quando alguém toma diversas doses num tempo relativamente pequeno, cai rapidamente sua capacidade de se lembrar, de se concentrar e de solucionar problemas. O cérebro acha difícil processar mais de uma espécie de informação recebida por vez. (Sal. 107:27) A visão fica distorcida; a pessoa tem dificuldades de ver as coisas laterais e pode ter a sensação de olhar através de binóculos fora de foco. No entanto, por causa do efeito um pouco hipnótico produzido pelo álcool, quem bebe em excesso pode pensar que ainda está em pleno domínio de seus sentidos. — Isa. 28:7.
Visto que a vivacidade e os reflexos provocados pelo cérebro diminuem com as elevadas concentrações de álcool, dirigir automóvel torna-se extremamente perigoso. O excesso de álcool envolve pelo menos metade dos 55.000 óbitos e do um milhão de ferimentos graves que ocorrem cada ano nas estradas dos Estados Unidos. Onde os estados baixaram a idade legal para se beber aos dezoito anos, houve um aumento dramático de acidentes fatais nas estradas, causados por adolescentes bêbados ao volante.
A maior tragédia está no efeito que o alcoolismo tem na vida familiar. Para o cônjuge e os filhos do alcoólatra, a vida pode tornar-se um pesadelo. Vidas jovens podem ficar frustradas ou permanentemente marcadas. A proporção de desquites ou divórcios de alcoólatras nos Estados Unidos é sete vezes maior do que do restante da população. Na França, o alcoolismo está envolvido num quarto de todos os suicídios e em metade de todos os homicídios. (Veja Provérbios 4:17.) A pesquisa tem mostrado que as mães cronicamente alcoólatras podem dar à luz filhos defeituosos — filhos nascidos com cabeça anormalmente pequena, rosto torto, crescimento atrofiado e inteligência abaixo da normal.
O alcoólatra crônico é péssimo empregado; não consegue realizar nem de perto o que sua capacidade normal permitiria. Tem uma proporção muito mais elevada de absenteísmo, tira duas vezes mais licenças por doença do que os outros empregados e está envolvido em mais acidentes de trabalho. Além de sua própria ineficiência, geralmente prejudica a eficiência daqueles cujo trabalho se relaciona com o dele. (Veja Provérbios 21:17; 23:20, 21.) As estimativas calculam o custo do alcoolismo para o comércio e a indústria só nos Estados Unidos em 12.000.000.000 de dólares anuais. O excesso de bebida alcoólica resulta no rebaixamento da moral e no aumento do crime. As pesquisas mostram que amiúde é um passo em direção ao vício das drogas.
As nações procuram atualmente soluções para este grande problema. Isto significa descobrir por que e como as pessoas se tornam alcoólatras, para saber que medidas protetivas adotar ou como se pode curar alguém que já é vítima do alcoolismo. O que mostraram os resultados neste sentido e em que está a solução real?
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A causa e a cura do alcoolismoA Sentinela — 1975 | 1.° de fevereiro
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A causa e a cura do alcoolismo
O QUE faz com que as pessoas se tornem praticamente escravos do álcool, mesmo ao ponto de arruinarem sua vida e a vida de seus familiares?
O problema não é o próprio álcool. Dessemelhante do fumo e da heroína, não é inerentemente viciador. A dificuldade está em quem o usa. São muitos os fatores envolvidos. Contudo, todos indicam uma falta ou necessidade básica, e esta, por sua vez, indica a verdadeira solução.
As investigações mostram que as crianças, cujos pais bebem muito, têm muito mais probabilidade de serem levadas ao mesmo hábito. Por outro lado, um relatório do Departamento de Saúde, Educação e Bem-Estar Social dos Estados Unidos mostra que há pouco alcoolismo onde há ‘cedo uma exposição a quantidades pequenas e diluídas de bebidas alcoólicas dentro duma família forte ou dum grupo religioso’, e onde as bebidas alcoólicas são principalmente consideradas como alimento e consumidas junto com as refeições.
Muitos dos que não tiveram o benefício duma sólida educação parental a respeito das bebidas alcoólicas podem ficar em perigo por causa da falta de conhecimento. Talvez nem se dêem conta de que as diversas bebidas têm teor alcoólico diferente. Por exemplo, a cerveja pode conter até cerca de 5 por cento de álcool, a maioria dos vinhos de mesa, de 10 a 14 por cento, ao passo que os vinhos generosos, tais como do porto e xerez contêm de 16 a 20 por cento. As bebidas destiladas (tais como o rum, a aguardente e o uísque) contêm de 40 a 50 por cento de álcool. Mesmo que alguém saiba disso, talvez não se aperceba de que pode ingerir tanto álcool por tomar uma garrafa de cerveja do que por tomar duas doses de uísque.
O tamanho do corpo da pessoa geralmente também influi nisso — quanto maior a pessoa, maior a quantidade de sangue e o número das células, e, por isso, maior a difusão do álcool na assimilação. No entanto, embora as pessoas possam ter a mesma constituição, podem ser enormemente diferentes, sendo que uma fica zonza já com um pouquinho de álcool, ao passo que outra sente pouco efeito mesmo com uma quantidade duas vezes maior. O estômago vazio permite absorção mais rápida do álcool pelo sangue, ao passo que os alimentos atrasam o processo. E visto que o corpo pode eliminar o álcool apenas na proporção de cerca de dez mililitros por hora, o tempo entre as bebidas é também um fator vital.
A companhia desempenha um forte papel. Quando beber muito é encarado como prova de que alguém é “homem mesmo” ou como “pra frente” e sofisticado, há pressão para se ajustar a isso. Homens e mulheres jovens ou moças amiúde são assim iniciados em beber muito e passam a ficar “encaixados” no beber — periodicamente ficando “altos” nas festas ou nas bebedeiras de sábado à noite. Aos poucos, podem passar a beber em mais e mais dias da semana. O processo pode ser enganosamente vagaroso. Os estudos mostram que, entre os homens, leva dezesseis anos em média para alguém se tornar alcoólatra, e apenas oito, entre as mulheres.
Na vida posterior, a situação pessoal torna-se um dos principais fatores. Problemas familiares, dificuldades maritais, grandes dívidas, doenças, desapontamentos, fracassos e a resultante depressão mental — estas são muitas vezes as coisas que dão início à dependência do álcool. Os homens em cargos de gerência ou em outro trabalho envolvendo tensão e pressão podem passar a recorrer ao álcool para aliviar um pouco a tensão. Vendedores e compradores amiúde usam a bebida alcoólica para “lubrificar” as engrenagens de seus contatos comerciais. Homens com trabalhos monótonos talvez gastem seu tempo de folga na busca de amizades sintéticas com seus colegas de trabalho, num bar.
O atual aumento no alcoolismo é especialmente forte entre as mulheres. Nos Estados Unidos, cerca da metade das mulheres que são alcoólatras tiveram seu casamento desfeito e um terço delas estão casadas com alcoólatras. Algumas têm empregos de bom salário, mas acham a vida menos do que satisfatória e sem significado. As que desempenham o papel de donas-de-casa talvez se sintam entediadas ou acham penosa a responsabilidade de cuidar de filhos menores. O maior isolamento da dona-de-casa da atenção pública talvez a habilite a criar e a esconder o hábito de beber por algum tempo. Talvez tudo o que é preciso para dar início a um período de beber muito sejam as mudanças hormonais que acompanham o ciclo menstrual.
ONDE SE ENCONTRA A SOLUÇÃO
Todas estas coisas apontam numa só direção principal: os que se tornam bebedores compulsórios (incapazes de controlar seu hábito de beber) recorrem ao álcool para suprir uma necessidade emocional. É verdade que, com o tempo, as células de seu corpo podem ficar tão ajustadas às altas concentrações de álcool, que deixar de beber produz uma reação violenta e que assim há também uma escravização física. O ponto de escravização física, porém, sem dúvida, nunca seria atingido, se não houvesse primeiro uma dependência emocional. No entanto, o álcool não resolve os problemas emocionais; só cria ainda mais sérios.
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