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Efeitos da dependência do álcoolDespertai! — 1978 | 22 de junho
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ter um filho com adicionais malformações físicas múltiplas.”
O Dr. David W. Smith, professor de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, EUA, afirma: “O álcool é, atualmente, a principal causa dos defeitos físicos nos embriões humanos em desenvolvimento.”
Os pesquisadores relatam que já houve nenês que nasceram “bêbedos”. Seu sangue continha um teor alcoólico mais alto do que é considerado evidência legal de bebedice em muitas localidades. Até mesmo sintomas de privação têm sido observados em alguns recém-nascidos.
A respeito dos danos causados aos bebês, relata o News de Detroit: “Os médicos concordam que os efeitos da síndrome são irreversíveis e que muitas vítimas exigem cuidados especiais por toda a vida, quer no lar quer em instituições.”
O que é considerado “beber demais” por parte duma gestante? As opiniões variam. Afirma o Dr. Smith que cinco drinques por dia constituem beber demais. E uma definição dum drinque é “um coquetel que contenha cerca de 30 mililitros de uísque de gradação alcoólica de 100° (50 por cento álcool)”. O Dr. Smith avisa que o grande consumo de cerveja e vinho durante a gravidez pode produzir os mesmos resultados.
No entanto, Medical World News (Notícias Médicas Mundiais) declarou recentemente: “Alarmado com a evidência rapidamente acumulada de que o consumo até mesmo moderado de álcool pode prejudicar um feto em desenvolvimento, o Instituto Nacional Contra o Abuso do Álcool e Alcoolismo insta fortemente que o governo acautele formalmente todas as mulheres grávidas para não tomarem mais de dois drinques por dia.” Adicionou que a evidência é “muito convincente, e é muitíssimo preocupante”.
Assim, em todo sentido, o custo do abuso do álcool é enorme. E o problema se agrava, à medida que cada vez mais pessoas bebem excessivamente.
Mas, o que se pode fazer para evitar tornar-se dependente do álcool? Como se pode ajudar alguém que já é dependente do álcool?
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Enfrente a ameaça do abuso do álcoolDespertai! — 1978 | 22 de junho
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Enfrente a ameaça do abuso do álcool
NO QUE tange ao abuso do álcool, “é melhor prevenir do que remediar”. É muito, muito melhor mesmo, não se tornar dependente do álcool do que se tornar e então ter de enfrentar as conseqüências.
Esse “prevenir” deve começar na infância. Os jovens precisam aprender de seus pais o conceito correto sobre o álcool. Os pais exercem enorme influência sobre os filhos, pelo que dizem e fazem. Quando mantêm sua ingestão de bebida dentro dos limites da moderação, seus filhos não crescem imaginando que é normal que os adultos bebam habitualmente e em demasia.
Quando — e se — os pais decidem que um filho ou filha já tenha idade suficiente para tomar ocasional bebida alcoólica (tendo presente as leis locais), então deve ser-lhe cuidadosamente explicado por que é preciso ter cautela. O jovem é muito inexperiente, seu corpo é menor e não está acostumado ao álcool, de modo que não pode recebê-lo tão bem.
Prevenção Para Adultos
A prevenção é a melhor diretriz também para os adultos. Devem reconhecer o álcool como sendo o que realmente é: uma bebida que pode dar certa dose de prazer, mas, quando abusada, pode transformar-se numa ameaça mortífera.
Se for anfitrião duma reunião social, não há necessidade de pensar que é preciso oferecer bebidas alcoólicas sem limite. Devem ser oferecidas com moderação, caso resolva oferecê-las. Tenha algumas bebidas não alcoólicas para oferecer também, e não faça um convidado sentir-se deslocado caso prefira um “refrigerante”. E, caso um convidado já tenha tomado um ou dois drinques, o anfitrião sábio terá cuidado de não continuar a oferecer indefinidamente mais drinques. Não tente obrigar os convivas a beber, como por encher seus copos, quer eles queiram ou não outro drinque.
Quando for conviva, não pense que precisa continuar bebendo indefinidamente só porque continuam a ser servidas bebidas alcoólicas. Caso um anfitrião seja muito “insistente” em oferecer bebidas, poderá rejeitá-las com polidez, incluindo comentários tais como “Esse é meu limite”, ou “Não vou beber mais, desta vez”. Se, apesar de tal recusa, o anfitrião derramar a bebida assim mesmo, não tem obrigação de tomá-la. Que seu “Não” signifique “Não”. O bom anfitrião deveria reconhecer isto.
Em especial, o anfitrião deve exercer cautela mais tarde da noite, quando os convivas voltam para casa de carro. Continuar a oferecer bebidas até altas horas, ou dar ao convidado “mais um drinque para a estrada”, não é bondade alguma. Pode custar-lhe a vida — e a vida de vítimas inocentes.
O número de pessoas que guiam carros sob a influência do álcool aumenta em fins da noite. Assim, caso dirija nessa hora, aja com cautela extra. Isto se dá especialmente nos fins-de-semana ou feriados, quando as pessoas têm tendência de beber demais.
Também, quando dirige, não insista em estar tecnicamente dirigindo “na preferencial”. As pessoas sob a influência do álcool amiúde ignoram as regras de trânsito. Lembre-se de que cerca da metade dos que morreram em acidentes de carro estavam “na preferencial”. Não foram a parte culpada no acidente. Mas, mesmo assim, morreram.
Quanto à prevenção, um exemplo disso, em larga escala, foi adotado no início de 1977 pelo General em comando das tropas estadunidenses na Europa. Ele baixou uma ordem do dia para seus oficiais: “Os senhores estão bem a par de que o abuso do álcool no Exército dos EUA na Europa já atingiu tamanhas proporções que temos todos de unir forças para fazer frente a este problema.” A fim de “não dar mais ênfase e nem glorificar o uso do álcool”, o General ordenou o cancelamento da “Hora Feliz” observada em todos os clubes do exército através da Europa. Tratava-se dum período de cerca de duas horas, no cair da noite, um dia por semana, em que as bebidas eram vendidas pela metade do preço. Seu cancelamento era uma tentativa de desencorajar o abuso do álcool.
Ajude o Corpo
É também útil saber como o corpo lida com o álcool. Deste modo, quem bebe poderá entender melhor como evitar abusar de seu corpo.
As bebidas alcoólicas não são assimiladas pelo corpo precisamente do mesmo modo que a maioria dos alimentos. A maioria dos alimentos sofre lenta oxidação em diferentes estágios primeiro no estômago e no intestino delgado. Isto permite que os nutrientes dos alimentos sejam absorvidos pela corrente sangüínea, para serem distribuídos a outras partes do corpo. O álcool, porém, é absorvido pelo estômago e intestino delgado sem virtualmente mudar de forma. Daí, é levado pelo sangue ao fígado.
O fígado possui determinado ritmo de oxidação do álcool. Quando recebe mais do que pode processar, manda o restante para a corrente sanguínea, sem ser oxidado. É levado para o coração, que o bombeia através do sistema circulatório para outras partes do corpo. Por fim, retorna ao fígado, que aceita um pouco mais dele para oxidar e então devolve o resto. Este processo continua até que seja completamente oxidado.
Quando um drinque, quer de bebida “forte”, de cerveja ou vinho, é sorvido lentamente e não é “tragado” de uma só vez, então o fígado pode lidar mais facilmente com o álcool. Está recebendo-o em quantidades metabolizáveis. Relativamente pouco será mandado à corrente sanguínea sem ser oxidado.
Não há meio de o bebedor mediano poder acelerar o ritmo de oxidação do fígado. Beber café preto, tomar banhos frios de chuveiro, ou respirar profundas golfadas de ar puro, de nada adiantam para acelerar tal processo. A melhor ajuda de que o corpo dispõe é a pessoa só tomar alguns drinques, sorvê-los lentamente, e espacejá-los por um período de tempo. Isto não se dá apenas com o uísque, mas também com outras bebidas, visto que uma lata de cerveja ou um copo de vinho contém quase a mesma quantidade de álcool que uma dose de uísque.
Bebedores Problemáticos
No entanto, que fazer caso a bebida já se tenha tornado um grave problema? Como pode alguém ajudar a si mesmo? O que outros podem fazer?
O bebedor problemático precisa encarar de frente a realidade que tem problemas com o álcool Não deve deludir-se por pensar que pode parar de beber quando quiser. Para demasiados etilistas, esta ilusão persiste ao continuarem a beber, até que prejudicam sua saúde, tornam-se mentalmente perturbados, ou morrem devido à bebida.
O primeiro passo para o bebedor problemático é admitir que tem problemas com a bebida, de modo que possa ser ajudado. Caso não o admita, há pouca possibilidade de lidar com isso em tempo hábil. Mas, na maioria dos casos, os etilistas não admitirão seu etilismo. O processo mental que os levou a se tornarem alcoólicos os impede de fazer algo a respeito disso. Esta é a razão pela qual as famílias e os amigos de tal pessoa devem tentar ajudá-la.
Pode-se contar com as agências oficiais para lidar com tal problema? Naturalmente que há diversas delas, em diferentes países, que podem ajudar. Mas observe o que afirma World Health (Saúde Mundial): “O número de países em que tem crescido qualquer resposta adequada para os problemas relacionados ao álcool, até agora, tem sido pequeno Similar inação, em face de qualquer doença infecciosa que produzisse tamanha devastação, seria vista como tristemente culpável, e qualquer problema de ‘tóxicos’, de dimensões similares, certamente provocaria alarme.”
Por que isto se dá? Responde World Health: “Para tantos países, [o álcool] é a droga aceita, prezada, e literalmente santificada, preferida pela sociedade . . . O álcool é diversão, hospitalidade, amizade, festa, tônico barato dos nervos, masculinidade, romance, celebração, a bebida que sela a barganha, riso, esnobação e sactamento. O que faríamos sem ele? Como pode realmente ameaçar nossa saúde? Qualquer
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