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O que leva à dependência do álcool?Despertai! — 1978 | 22 de junho
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os adultos bebam, muitos jovens imitarão o que vêem os mais velhos fazer. Para exemplificar: um jovem que via filmes de bangue-bangue na televisão declarou: “Os homens em tais filmes bebiam uísque. Comecei a beber uísque para ser durão como eles.”
Colhe-se o que se semeia. Numa sociedade que fecha os olhos ao beber demais, e em que milhões de adultos dependem do álcool, mais jovens também se tornarão dependentes dele.
Todavia, ao passo que há muitos fatores que podem levar ao alcoolismo, o que acontece com o sistema duma pessoa que o torna dependente do álcool? Com que resultados?
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Efeitos da dependência do álcoolDespertai! — 1978 | 22 de junho
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Efeitos da dependência do álcool
A PESSOA que só bebe ocasionalmente, e com parcimônia, raramente se torna dependente do álcool. Apenas uma pequeníssima porcentagem de pessoas não conseguem tolerá-lo de forma alguma.
A ampla maioria dos que se tornam alcoólicos chegaram a tal ponto por beberem demais por longo período de tempo. Sem dúvida, quanto mais bebe uma pessoa, tanto maior é o risco de se tornar dependente do álcool.
Tipos de Dependência
Ser dependente do álcool significa ser viciado nisso. Um tipo de dependência, ou vício, é psicológico. Trata-se duma dependência mental ou emocional.
Na dependência psicológica, a pessoa sente necessidade compulsiva do álcool para aliviar seus distúrbios emocionais. Não deseja enfrentar a vida e seus problemas sem a muleta do álcool. Sem embargo, não está fisicamente viciado.
A dependência psicológica, porém, não raro se torna real vício físico. Então, não só a mente e as emoções exigem o álcool, mas também o corpo.
Com o abuso prolongado do álcool, ocorrem mudanças químicas no corpo. As células e tecidos literalmente se tornam dependentes do álcool, e, com o tempo, não funcionam bem sem ele. Tais alterações físicas prejudicam o autodomínio da pessoa, de modo que sente ânsia cada vez maior de álcool.
Ao passo que imagina estar aliviando as necessidades do corpo por beber muito, em realidade, está preparando o palco para um colapso. Mais cedo ou mais tarde o seu vício, se continuado, resultará em graves danos aos órgãos do corpo e na abreviação de sua vida.
As razões pelas quais o corpo se torna fisicamente viciado ainda não foram positivamente estabelecidas. Algumas das teorias incluem: alergia ao álcool; metabolismo anormal do açúcar; deficiência hormonal da tireóide, pituitária ou supra-renais; deficiência dietética ou metabólica de vitaminas, sais minerais, enzimas ou outros nutrientes; disfunção hepática; hipotálamo defeituoso, que provoca incontrolável sede de álcool.
Quanto tempo decorre até que uma pessoa que começa a beber demais se torne fisicamente viciada com álcool? Para muitos, são necessários vários anos. Alguns bebem muito por 20 ou 30 anos antes de se tornarem viciados; outros, por dez anos; alguns por três a cinco anos, e, pouquíssimos se tornam alcoólatras quase que imediatamente.
Em especial, quando a dependência física se estabelece, a vida do alcoólico fica cada vez mais transtornada. Sua eficiência começa a diminuir, e isso é observado em seu trabalho. Seguem-se mais dias de ausência do trabalho devido à “doença”. Sua auto-estima sofre, bem como suas relações com outros.
Talvez tente compensar isso por tentar ser generoso demais, gastando livremente, até mesmo afundando-se em dívidas. Mas, seu isolamento social aumenta, à medida que se torna mal-humorado e de convivência difícil.
Por fim, talvez perca o emprego, os amigos e a família. Beber torna-se mais importante para ele do que qualquer outra coisa, inclusive comer. Fica desleixado quanto à sua aparência, saúde e responsabilidades.
Declara a revista World Health (Sande Mundial): “O dependente da bebida acumula cada vez maiores deficiências . . . e sua expectativa de vida certamente se tornará reduzida.”
Danos ao Corpo
O álcool não contém vitaminas, sais minerais ou proteínas, embora contenha calorias. Assim, as pessoas que bebem muito talvez se sintam satisfeitas e engordem, mas não estão sendo nutridas. E, visto que o alcoólico amiúde perde a vontade de comer, seu corpo é mais suscetível à doença devido à subnutrição.
O uso excessivo de bebidas alcoólicas pode prejudicar o revestimento do estômago e do intestino delgado, provocando inflamação e úlceras. Os músculos estomacais podem perder seu tônus, prejudicando a digestão, e talvez ocorram náuseas.
Nas Baamas, onde, segundo relata Physician’s Alcohol Newsletter (Informativo Sobre o Álcool do Médico), “o alcoolismo é o problema número um de saúde”, muitos apresentam um quadro conhecido como “pé de alcoólatra”. Trata-se duma ulceração crônica e de gangrena do pé que, às vezes, exige amputação.
Um quadro clínico especialmente prejudicial, resultante da bebida em excesso, é a cirrose hepática. Tal doença se situa como uma das principais causas de morte entre os jovens e os adultos de meia-idade. Em França, segundo estatísticas governamentais, mais de 22.000 pessoas morreram de cirrose hepática em um único ano. Nos EUA, duas vezes mais pessoas morreram dessa doença numa década recente, em comparação com a anterior, mormente como resultado do aumento da bebida entre a população. Na Dinamarca, as mortes causadas pela cirrose aumentaram 40 por cento em três anos, devido ao aumento da bebida. Na Itália, tais mortes dobraram em onze anos.
O Dr. Frank A. Seixas, diretor-médico do Conselho Nacional do Alcoolismo nos EUA, afirma: “Pela primeira vez, estamos conseguindo evidência clínica que confirma as observações que os médicos têm feito — e sonegado — durante anos: o alcoolismo e a cirrose estão mui intimamente relacionados.”
Em uma experiência, o Dr. Charles Lieber, da Faculdade de Medicina Mte. Sinai, em Nova Iorque, forneceu a um grupo de voluntários um regime nutricionalmente superior, por 18 dias. Nesse período, cada pessoa ingeriu seis tragos no decorrer do dia, totalizando diariamente cerca de 300 mililitros de uísque de 86 graus. Ao passo que se podia ver que estavam sob a influência do álcool, nenhuma delas ficou bêbeda a ponto de perder o completo controle de seus sentidos. Todavia, todas elas apresentaram clara evidência do início de prejudiciais alterações hepáticas em questão de apenas alguns dias.
O etilismo crônico também contribui para uma gama de doenças coronárias, sendo a causa principal da morte em alguns países. Com efeito, quantidades excessivas de álcool podem provocar o colapso cardíaco por paralisar os nervos cardíacos. Pode também paralisar o centro respiratório do cérebro, fazendo com que a respiração se torne lenta e, possivelmente, pare por completo.
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