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O álcool e dirigir um veículoDespertai! — 1986 | 8 de março
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O Álcool e a Visão
Ao dirigir, tem-se calculado que de 85 a 90 por cento das informações sobre as condições do trânsito vêm através dos olhos. Sua visão é controlada por um sistema delicadíssimo de músculos que movimentam os olhos e os põem em foco. O álcool retarda as funções destes músculos e assim prejudica a visão de vários modos.
Por um lado, o álcool reduz a capacidade dos olhos de controlar a quantidade de luz que penetra na retina. Isso é especialmente crítico à noite. Por quê? Porque aumenta a quantidade de tempo que os olhos levam para recuperar-se do brilho dos faróis bem à frente. Explica a publicação Alcohol, Vision & Driving (Álcool, Visão e Dirigir), da Associação Americana de Automóveis: “Normalmente, leva um segundo para a pupila contrair-se e adaptar-se ao brilho dos faróis à frente. Leva sete segundos, depois da exposição ao brilho dos faróis, para que a pupila mais uma vez se adapte à escuridão. Esta recuperação é retardada pelo álcool.” Considere o perigo em potencial: É tarde da noite. Está guiando um veículo por uma estrada estreita e cheia de curvas — uma só pista em cada direção. O brilho dos faróis bem à frente está cegando os motoristas de ambos os lados da estrada. Quão seguro se sentiria se soubesse que o motorista de um carro que vem na mão contrária andou bebendo?
O álcool também reduz a visão periférica — a capacidade visual, em linha reta, de notar as coisas em ambos os lados. Isto é especialmente perigoso quando se mistura o álcool e o dirigir em alta velocidade. Explica a publicação Alcohol, Vision & Drinking: “A maioria dos motoristas deixa de discernir que, a uns 50 quilômetros horários, a visão lateral do motorista é reduzida em 25%. A uns 75 quilômetros horários, sua visão fica reduzida em 50%. E a velocidades em torno de 100 quilômetros horários, ele literalmente dirige com ‘visão de túnel’.”
Imagine só as possíveis conseqüências quando o motorista que bebeu atravessa veloz os cruzamentos ou passa por carros estacionados, por entre os quais uma criança talvez surja abruptamente.
Ademais, o álcool pode provocar a visão dupla ou diplopia, de modo que o motorista que bebeu passa a ver dois carros se aproximarem, em vez de um só. Além disso, ele pode influir na capacidade de a pessoa calcular distâncias. À base de tudo isso, torna-se evidente que o álcool e o dirigir um veículo, assim como a água e o óleo, simplesmente não se misturam. Deveras, a Bíblia, está certa ao dizer: “Quem tem embaciamento dos olhos? Os que ficam muito tempo com o vinho.” — Provérbios 23:29, 30.
Mas a avaliação correta das condições de trânsito em sua volta é apenas uma parte do dirigir um veículo em segurança.
O Álcool e as Decisões
Uma vez avalie as condições do trânsito, tem de julgar as coisas, ou decidir, como agirá. Por exemplo, suponhamos que viaje por uma estrada de mão dupla, e o carro à sua frente esteja andando mui lentamente. Tem de decidir se e quando será seguro ultrapassá-lo.
Nisso, também, o álcool pode ser mortífero. Como assim? Amiúde, ao subir o nível de álcool no sangue do bebedor, também aumenta a autoconfiança dele. Explica o manual Alcohol and Alcohol Safety: “Uma pessoa neste estágio [dosagem alcoólica no sangue de 0,04 a 0,06 por cento] provavelmente se considerará mais alerta e até mesmo mais capaz do que em condições normais, muito embora haja uma redução do seu tempo de reação, de sua capacidade de decidir e de sua habilidade de reagir diante de emergências. Assim, ao passo que diminui sua capacidade real de atuação, aumenta sua confiança em tal capacidade.” — Compare com Provérbios 20:1; 23:29-35.
Em resultado disso, o motorista que bebeu pode arriscar-se mais nas ultrapassagens e na velocidade. Ora, se a pessoa, já de início, não é um motorista bom, ou é inexperiente, qualquer efeito sobre sua capacidade de decidir, por mínimo que seja, poderia ser perigoso!
O Álcool e os Reflexos
Já é ruim que o motorista que bebeu tenha dificuldades em ver as coisas, e se arrisque mais. O que agrava ainda mais o problema é que o álcool também reduz seu tempo de reação. Em resultado disso, poderá levar apenas uma fração de segundo a mais para que ele tire o pé do acelerador e pise no freio.
Para ilustrar quão perigoso isso pode ser, o informe de Malfetti e Winter observa que, caso tenha tomado apenas duas latinhas de cerveja, de uns 350 centímetros cúbicos cada uma em questão de uma hora, seu tempo de reação pode diminuir em dois quintos dum segundo. Bem, isso talvez não pareça muito. Mas, o informe observa: Em dois quintos de segundo, um automóvel que corre a uns 90 quilômetros horários percorrerá uns 10 metros adicionais! Ora, isso poderia ser toda a diferença entre escapar por um triz e um acidente fatal!
Quando considera como o álcool afeta a visão, a capacidade de julgar, e os reflexos duma pessoa, é fácil depreender por que beber e dirigir são uma combinação mortífera. Mas, o que se pode fazer quanto a esse problema? E como pode proteger tanto a si mesmo como a sua família do motorista que bebeu demais?
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Dirigir depois de beber — o que pode ser feito?Despertai! — 1986 | 8 de março
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Dirigir depois de beber — o que pode ser feito?
O RECANTO turístico à beira-mar de Southampton, Nova Iorque, EUA, declarou guerra aos motoristas alcoolizados. Em que consistem seus planos de batalha? O Programa do Motorista Selecionado. Como funciona? Nesse programa as pessoas, ao saírem para reuniões sociais, decidem quem do grupo será o motorista para aquela noite. Muitos dos bares e restaurantes da cidadezinha conferem um distintivo de “Motorista Selecionado” para as pessoas escolhidas.
Daí, o que segue? A vereadora Patrícia Neumann, uma das promotoras do programa, explicou a Despertai!: “Quem usa o distintivo tem direito a refrigerantes grátis naquela noite, à base da premissa de que ele ou
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