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BenignidadeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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traduzida “faltos de benevolência”, também tem o sentido de “desleais”. — 2 Tim. 3:2.
BENIGNIDADE IMERECIDA
A palavra grega kháris ocorre mais de 150 vezes nas Escrituras Gregas, e é traduzida de vários modos, dependendo do contexto. Em todos os casos, a idéia central de kháris é preservada — o que causa ou fornece alegria (Filêm. 7), é agradável (1 Ped. 2:19, 20), e cativante. (Luc. 4:22) Por extensão, em alguns casos, refere-se a uma dádiva bondosa (1 Cor. 16:3; 2 Cor. 8:19), ou à maneira bondosa de dar. (2 Cor. 8:4, 6) Outras vezes, refere-se ao crédito, à gratidão ou ao agradecimento exigido por um ato especialmente bondoso. — Luc. 6:32-34; Rom. 6:17; 1 Cor. 10:30; 15:57; 2 Cor. 2:14; 8:16; 9:15; 1 Tim. 1:12; 2 Tim. 1:3.
O perito R. C. Trench, em Synonyms of the New Testament (Sinônimos do Novo Testamento; reimpressão da 8.° Edição, de 1961), p. 158, afirma que kháris subentende “um favor livremente prestado, sem exigências ou expectativa de retribuição — a palavra sendo assim predisposta a receber sua nova ênfase [conforme dada nos escritos cristãos] . . . de expressar a inteira e absoluta espontaneidade da benignidade amorosa de Deus para com os homens. Assim, Aristóteles, definindo [kháris] dá toda a ênfase a este mesmíssimo ponto, que ela é conferida livremente, sem nenhuma expectativa de retribuição, e tendo como único motivo a liberalidade e espontaneidade do dador.“ J. H. Thayer, em seu léxico, afirma: “A palavra [kháris] inclui a idéia de bondade que concede a alguém aquilo que ele não mereceu . . . os escritores do N.T. usam [kháris] de modo preeminente quanto à bondade por meio da qual Deus concede favores até aos imerecedores, e concede aos pecadores o perdão de suas ofensas, e os convida a aceitar a eterna salvação por meio de Cristo.” [A Greek-English Lexicon of the New Testament (Léxico Greco-Inglês do Novo Testamento), p. 666] Kháris está intimamente relacionada com outra palavra grega, khárisma, a respeito da qual William Barclay, em A New Testament Wordbook (Glossário do Novo Testamento), página 29, afirma: “A inteira idéia básica da palavra [khárisma] é a de uma dádiva livre e imerecida, de algo dado a um homem, a que não se fez jus e é imerecido.”
Quando kháris é usada no sentido acima, com referência à benignidade demonstrada para com alguém que não a merece, como se dá com as benignidades demonstradas por Jeová, “benignidade imerecida” é um bom equivalente em português para a expressão grega. — Atos 15:40; 18:27; 1 Ped. 4:10; 5:10, 12.
Um trabalhador tem direito àquilo pelo qual trabalhou, ao seu pagamento; ele espera seu salário como um direito, como uma dívida para com ele, e o pagamento do salário não é nenhum presente ou especial benignidade imerecida. (Rom. 4:4) Mas, o fato de pecadores condenados à morte (e todos nós nascemos como tais) serem libertos de tal condenação e serem declarados justos, é deveras benignidade totalmente imerecida. (Rom. 3:23, 24; 5:17) Se se argumentar que os que nasceram sob o arranjo do pacto da Lei estavam sob uma condenação maior à morte, porque tal pacto os revelava pecadores, então, deve-se lembrar de que maior benignidade imerecida foi estendida aos judeus, no sentido de que a salvação lhes foi primeiro oferecida. — Rom. 5:20, 21; 1:16.
Esta manifestação especial da benignidade imerecida da parte de Deus para com a humanidade em geral era o livramento da condenação, por meio de resgate, mediante o sangue do Filho amado de Jeová, Cristo Jesus. (Efé. 1:7; 2:4-7) Por meio desta benignidade imerecida, Deus traz a salvação a toda sorte de homens (Tito 2:11), algo que os profetas tinham mencionado. (1 Ped. 1:10) O raciocínio e o argumento de Paulo, portanto, são sólidos: “Ora, se é por benignidade imerecida, já não é mais devido a obras; senão, a benignidade imerecida não se mostraria mais benignidade imerecida.” — Rom. 11:6.
Paulo, mais do que qualquer outro escritor, mencionou a benignidade imerecida de Deus em sua pregação oral (Atos 13:43; 20:24, 32), bem como mais de 90 vezes em todas as 14 de suas cartas. Ele menciona a benignidade imerecida de Deus e/ou de Jesus, na saudação inicial de todas as suas cartas, com a exceção de Hebreus, e novamente fala dela nas observações finais de cada carta, sem exceção. Outros escritores bíblicos às vezes fazem similar referência no início e no fim de seus escritos. — 1 Ped. 1:2; 2 Ped. 1:2; 3:18; 2 João 3; Rev. 1:4; 22:21.
Paulo tinha todo motivo para sublinhar a benignidade imerecida de Jeová, pois ele antes fora “blasfemador, e perseguidor, e homem insolente”. “Não obstante”, explica ele, “foi-me concedida misericórdia, porque eu era ignorante e agi com falta de fé. Mas a benignidade imerecida de nosso Senhor abundou sobremaneira junto com a fé e o amor que há em conexão com Cristo Jesus”. (1 Tim. 1:13, 14; 1 Cor. 15:10) Paulo não desprezou tal benignidade imerecida, como alguns têm feito tolamente (Judas 4), mas alegremente a aceitou com agradecimentos e instou com outros que também a aceitaram a ‘não desacertarem o propósito dela’. — Atos 20:24; Gál. 2:21; 2 Cor. 6:1.
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BenjamimAjuda ao Entendimento da Bíblia
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BENJAMIM
[filho da mão direita].
1. O décimo segundo filho de Jacó, e o irmão bilateral de José. Benjamim parece ser o único filho nascido a Jacó na terra de Canaã, os outros filhos tendo nascido em Padã-Arã. (Gên. 29:31 a 30:25; 31:18) Raquel deu à luz Benjamim, seu segundo filho, enquanto estava a caminho de Betel para Efrata (Belém), conseguindo consumar o parto difícil ao custo de sua própria vida. Enquanto morria, chamou este filho de Ben-Oni, que significa “filho de minha tristeza”; mas seu marido enviuvado posteriormente o chamou de Benjamim, que significa “filho da mão direita.” — Gen. 35:16-19; 48:7.
Desde a época de seu nascimento, não se nos diz nada sobre Benjamim senão depois que seu irmão José foi vendido para ser escravo no Egito. Como filho mais moço de Jacó com sua esposa amada, Raquel (Gên. 44:20), Benjamim era obviamente objeto de grande afeição por parte de seu pai, especialmente nessa ocasião, quando Jacó presumia que José estava morto. Por conseguinte, Jacó mostrou-se extremamente relutante em permitir que Benjamim fosse com seus irmãos até o Egito, só o fazendo depois de muita persuasão. (Gên. 42:36-38; 43:8-14) Deve-se notar que embora Judá, nessa ocasião, se referisse a Benjamim como “rapaz” [“menino”, So], Benjamim era então realmente um homem adulto, talvez com seus trinta e poucos anos, visto que seu irmão, José, já tinha então quase quarenta. (Gên. 41:46, 53; 45:6) O registro em Gênesis 46:8, 21 apresenta Benjamim como o pai de vários filhos na ocasião em que Jacó fixou residência no Egito. No entanto, ele era o amado “menino de sua velhice”, para o qual o pai idoso se inclinava em mais de um modo. (Gên. 44:20-22, 29-34) José também manifestava profunda afeição pelo seu irmão mais moço. — Gên. 43:29-31, 34.
A genealogia dos descendentes de Benjamim é apresentada em vários lugares, algumas sendo, aparentemente, mais completas do que outras. Gênesis 46:21 alista dez pessoas como “filhos de Benjamim”, e a ausência dos nomes de várias delas, em listas sucessivas, levou alguns a sugerir que certos filhos talvez tenham morrido com pouca idade, ou talvez não tenham gerado filhos que produzissem linhagens familiares. Há, evidentemente, algumas variações na grafia dos nomes nestas listas (compare Ei, Airão, Aará), e alguns dos alistados em Gênesis 46:21 podem ser meramente descendentes. (Núm. 26:38-40; 1 Crô. 7:6; 8:1) Têm-se suscitado objeções à possibilidade de Benjamim já ter tantos filhos ou até mesmo netos nessa época, todavia, deve-se ter presente que a referência a eles, como estando entre “as almas que vieram a Jacó ao Egito”, não exige necessariamente que tenham nascido antes da real entrada naquele país. Talvez tenham ‘vindo ao Egito’ por nascerem ali, durante os 17 anos em que Jacó residiu no Egito, antes de sua morte, assim como os dois filhos de José, ali nascidos, são alistados entre “as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito”. (Gên. 46:26, 27) Na época da morte de seu pai, Benjamim achava-se, pelo que parece, com quase 50 anos, e, por isso, já tinha idade suficiente para ter netos.
A bênção parental declarada sobre Benjamim, como um dos cabeças das doze tribos de Israel, é considerada abaixo. — Gên. 49:27, 28.
2. O nome Benjamim também designa a tribo que descendeu do filho de Jacó. Por ocasião do êxodo do Egito, era a segunda menor (depois de Manassés) quanto à população masculina, dentre todas as tribos. (Núm. 1:36, 37) No censo realizado mais tarde, nas planícies de Moabe, a tribo de Benjamim tinha subido para o sétimo lugar. (Núm. 26:41) Quando acampada no deserto, a tribo ocupava um lugar a O do tabernáculo, junto com as tribos que descendiam de Manassés e Efraim, filhos de José, e esta divisão de três tribos ocupava o terceiro lugar na ordem de marcha. — Núm. 2:18-24.
Em Canaã, o território designado à tribo de Benjamim situava-se entre o das tribos de Efraim e de Judá, ao passo que o território de Dã fazia fronteira com ele a O. Sua divisa ao N ia do rio Jordão, perto de Jericó, cruzava a área montanhosa junto a Betel e continuava na direção O, até um ponto próximo da Bete-Horom Baixa; partindo dali, a fronteira O descia para Quiriate-Jearim, daí, ao S, virava-se em direção E e passava por Jerusalém, através do vale de Hinom, serpenteava pelas encostas escarpadas orientais até o Jordão, novamente no extremo N do mar Morto, o rio Jordão formando assim sua fronteira leste. (Jos. 18:11-20; compare com a fronteira N de Judá, em Josué 15:5-9 e com a fronteira S dos “filhos de José”, em Josué 16:1-3.) Do N ao S, a área media cerca de 19 km, e de E a O, cerca de 45 km. Com exceção da parte do vale do Jordão ao redor do oásis de Jericó, o território era montanhoso e irregular, embora tivesse algumas áreas férteis nas encostas ocidentais. Os vales de torrentes que iam em direção O, para a planície filistéia, e em direção E, para o Jordão, tornavam esta área uma das principais vias de acesso à região dos altiplanos, tanto para fins comerciais como militares. As forças bélicas dos filisteus avolumaram-se nesta área, durante a parte inicial do reinado de Saul, saqueando à vontade os israelitas, tendo por base seu acampamento em Micmás, a uma curta distância ao N do lar de Saul, em Gibeá (1 Sam. 13:16-18), até que a proeza de Jonatã, em Micmás, deu início ao desarraigamento e à fuga dessas forças para as planícies costeiras. — 1 Sam. 14:11-16, 23, 31, 46.
Entre as cidades destacadas, alistadas como designadas originalmente a Benjamim, acham-se Jericó, Betel, Gibeão, Gibeá e Jerusalém. A conquista de Betel, contudo, foi efetuada pela casa de José, e, numa época posterior, Betel tornou-se uma cidade destacada da vizinha tribo de Efraim e um centro da idólatra adoração dos bezerros. (Juí. 1:22; 1 Reis 12:28, 29) Ao passo que Jerusalém também era parte do território de Benjamim, situava-se na fronteira com Judá, e foi esta tribo que, inicialmente, capturou e incendiou a cidade. (Juí. 1:8) Nem Judá nem Benjamim, contudo, tiveram êxito em expulsar os jebuseus da cidadela de Jerusalém (Jos. 15:63; Juí. 1:21), e foi somente durante o reinado do rei Davi que assumiu-se completo controle dela, e se fez dessa cidade a capital de Israel. — 2 Sam. 5:6-9.
Durante o período dos juízes, a tribo de Benjamim demonstrou um espírito de obstinação, ao recusar-se a soltar os responsáveis por um
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