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    A Sentinela — 1973 | 1.° de outubro
    • “Manejando corretamente a palavra da verdade”

      “Faze o máximo para te apresentar a Deus aprovado, obreiro que não tem nada de que se envergonhar, manejando corretamente a palavra da verdade.” — 2 Tim. 2:15.

      1. A que é comparada a Palavra de Deus, e, por isso, que atitude devemos ter ao usá-la?

      A Palavra de Deus vive e é poderosa em nossa vida. Igual a uma espada, pode fazer a separação entre a alma e o espírito. (Heb. 4:12) Penetra até os motivos do que fazemos. Distingue entre o que parecemos ser como alma e o que realmente somos no coração, na nossa atitude e no nosso espírito. Visto que a Palavra de Deus é comparada a uma espada, queremos certificar-nos de a usar com perícia. Queremos ser cautelosos, para que não usemos tal instrumento cortante de modo errado, mas, como aconselhou Paulo, para que o usemos “corretamente”. Quando empreendemos a leitura e o estudo da Palavra de Deus, queremos fazer isso de tal modo, que obtenhamos o verdadeiro significado e um entendimento claro do que ela diz.

      2. Como não devemos encarar a Bíblia, e, por isso, que perguntas seriam apropriadas ao lermos parte das Escrituras?

      2 O texto ou a matéria circundantes dum versículo que talvez leiamos muitas vezes nos ajudarão a compreendê-lo e a aplicá-lo de modo correto. Queremos lembra-nos de que a Bíblia não é uma coleção de versículos desconexos e não relacionados, reunidos ao acaso e apropriados para serem usados sob quaisquer circunstâncias para provar um ponto que talvez achemos ser correto. Antes, precisamos ver o quadro inteiro quando lemos a Palavra de Deus. Queremos saber quem fala, a quem fala, sobre que assunto e se o texto se relaciona apenas com um tópico específico. Isto é importante, se havemos de ‘manejar corretamente a palavra da verdade’.

      ALGUNS EXEMPLOS

      3. Que informação de fundo nos ajuda a entender corretamente 2 Timóteo 2:15?

      3 Como ilustração, consideremos as palavras de Paulo a Timóteo, em 2 Timóteo 2:15. Ele diz ali: “Faze o máximo para te apresentar a Deus aprovado, obreiro que não tem nada de que se envergonhar, manejando corretamente a Palavra da verdade.” Estas palavras foram escritas a alguém bem versado na palavra de Deus e que fazia a vontade de Deus. Sabemos isso por causa daquilo que Paulo escreveu a Timóteo mais cedo, conforme registrado no início desta carta. Paulo disse a Timóteo: “Pois eu me recordo da fé que há em ti sem qualquer hipocrisia, e que houve primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, mas, estou confiante, que há também em ti.” (2 Tim. 1:1, 2, 5) Nas suas palavras registradas em 2 Timóteo 2:15, Paulo disse a Timóteo como devia dar instrução aos cristãos, aos que faziam parte da congregação de Deus. Embora seja verdade que o cristão deve usar corretamente a palavra da verdade quando fala a incrédulos, neste caso Paulo não estava dizendo a Timóteo como converter incrédulos ao cristianismo. Isto se evidencia naquilo que Paulo lhe disse a respeito de seu ensino: “Assim como te encorajei a ficar em Éfeso, quando eu estava para ir à Macedônia, assim faço agora, a fim de que mandes a certos que não ensinem doutrina diferente.” Aqui está evidente que alguns dentro da congregação cristã ensinavam doutrinas diferentes e não ‘manejavam corretamente a palavra da verdade’. Paulo aconselhou também a Timóteo: “As coisas que ouviste de mim, com o apoio de muitas testemunhas, destas coisas encarrega homens fiéis, os quais, por sua vez, estarão adequadamente habilitados para ensinar outros.” (1 Tim. 1:3; 4:16; 2 Tim. 2:2) Novamente, a menção de se encarregar homens fiéis de informação importante, os quais a poderiam ensinar também a outros de modo habilitado, oferece evidência adicional que Timóteo lidava com os dentro da congregação cristã. Ele devia usar a ‘verdade para beneficiar e guiar seus irmãos.

      EVITE A DETURPAÇÃO DE TEXTOS SÓ PARA PROVAR UM PONTO

      4. (a) Mostre até que ponto vão os clérigos da cristandade para aplicar mal Mateus 10:28. (b) Qual é a verdade real deste texto no que se refere à alma do homem?

      4 É imperativo que evitemos aplicar deliberadamente mal um texto só para provar nosso ponto. Os clérigos da cristandade muitas vezes são culpados de fazer isso. Por exemplo, tome Mateus 10:28. Lemos ali: “E não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes, temei aquele que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” Os clérigos apontam para a primeira parte das palavras de Jesus, para provar que a alma é imortal e não pode morrer. É isto realmente o que Jesus disse? Pode parecer assim, se parar de ler o versículo na metade dele. Mas se ler o restante do versículo, verá que Jesus claramente desmascarou a doutrina da alma imortal, quando disse que se devia temer aquele que pode destruir tanto a alma como o corpo na Geena. Por se ‘manejar corretamente a palavra da verdade’, salienta-se o sentido ou significado verdadeiro.

      5. (a) Como interpretam alguns 1 Pedro 4:6? (b) Qual é o verdadeiro significado do versículo e que prova bíblica adicional poderá citar?

      5 Intimamente relacionada com a doutrina da alma imortal está a crença de alguns, de que é o espírito do homem que continua a viver e que é identificado pessoalmente como homem. Em apoio deste conceito cita-se 1 Ped. 4:6. Lemos ali: “De fato, com este objetivo se declararam as boas novas também aos mortos, para que fossem julgados quanto à carne, do ponto de vista dos homens, mas vivessem quanto ao espírito, do ponto de vista de Deus.” Os que crêem na idéia de que o espírito sobrevive como ser inteligente à morte do corpo afirmam que Pedro deu aqui evidência disso, ao mencionar que as boas novas estavam sendo declaradas aos mortos. É este o caso? Para ‘manejarmos corretamente a palavra de Deus’, temos de deixá-la falar por si mesma. Referia-se Pedro ali a pessoas fisicamente mortas? Visto que os fisicamente mortos “não estão cônscios de absolutamente nada” (Ecl. 9:5), os mortos mencionados por Pedro são os mesmos de que Jesus falou ao dizer: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos”, e os mencionados pelo apóstolo Paulo, ao escrever: “É a vós que Deus vivificou, embora estivésseis mortos nas vossas falhas e pecados.” O vivo que está morto aos olhos de Jeová pode passar a viver num sentido espiritual por ouvir a palavra de Deus, por arrepender-se e seguir o Senhor Jesus. A esperança dos literalmente mortos está na ressurreição e na oportunidade de então ouvir as boas novas e ser julgados. — Mat. 8:22; Efé. 2:1.

      6. (a) Que explicação se deu de Isaías 14:12-16? (b) Qual é a explicação bíblica? (c) Assim, quem e o Lúcifer de Isaías 14:12-16 e a atitude de quem reflete ele?

      6 Também o povo de Jeová precisa ser acautelado quanto à aplicação de textos, para que apresentem corretamente a Palavra de Deus na sua atividade de pregação e de ensino. Por exemplo, tome a declaração que às vezes se faz, de que um dos nomes dados a Satanás, o Diabo, é Lúcifer. Alguns talvez façam referência a Isaías 14:12-16. Segundo a versão da Sociedade Bíblica Trinitária (e a Figueiredo), o versículo doze diz: “Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que desbaratavas as nações!” A palavra “Lúcifer” é tradução da palavra hebraica hehlel, “brilhante”. Heklel, conforme usada aqui, não é nome pessoal, nem título, mas, antes, termo descritivo da posição brilhante ocupada pela dinastia de reis de Babilônia, na linhagem de Nabucodonosor. Não seria correto dizer-se que Satanás, o Diabo, é o chamado Lúcifer, como se este fosse um de seus nomes. A expressão refere-se aqui principalmente ao rei de Babilônia, pois, segundo o versículo quatro, trata-se duma “expressão proverbial contra o rei de Babilônia”. Também, os versículos quinze e dezesseis deste capítulo quatorze dizem que este “brilhante” (Lúcifer) há de ser precipitado no Seol, que é a sepultura comum da humanidade, não moradia de Satanás, o Diabo. Além disso, acontece que os que vêem este “brilhante” reduzido a esta condição dizem: “É este o homem que agitava a terra, que fazia tremer os reinos?” Satanás não é homem, mas criatura espiritual invisível. Assim, embora o rei de Babilônia refletisse a atitude de seu pai, o Diabo, ainda assim, a palavra Lúcifer não era nome dado a Satanás, o Diabo. Por ‘manejarmos corretamente a palavra da verdade’, estamos preparados para falar as declarações claras de Deus, assim como as temos nas páginas impressas da Bíblia.

      7. (a) Por que não se faz nenhuma injustiça a Bíblia por se usarem textos corretamente selecionados para provar determinado ponto, e o exemplo de quem temos para isso? (b) Mostre como o apóstolo Paulo talvez tenha provado com referências às Escrituras Hebraicas que Cristo havia de sofrer e de ser ressuscitado dentre os mortos.

      7 Entretanto, não se faz injustiça à Palavra de Deus, quando seus servos usam textos corretamente selecionados, de diversas partes da Bíblia, para provar pontos doutrinais. Embora seja verdade que os opositores da Palavra de Deus às vezes acusem as Testemunhas de usarem tortuosamente textos espalhados na Bíblia para provar seus pontos, sabemos muito bem do estudo da Bíblia que Jesus e seus apóstolos usavam textos seletos para provar certas verdades básicas. Por exemplo, Jesus, ao ser tentado no ermo, no fim de seu jejum de quarenta dias, referiu-se a diversas passagens da Palavra de Deus para refutar os argumentos do Diabo. (Mat. 4:3-10; Deu. 8:3; 6:13, 16; 5:9) O apóstolo Paulo também empregava esta técnica com os judeus, quando ensinava na sinagoga. A narrativa de Atos 17:2, 3, diz: “Assim, segundo o costume de Paulo, ele entrou, indo ter com eles, e por três sábados raciocinou com eles à base das Escrituras, explicando e provando com referências que era necessário que o Cristo sofresse e fosse levantado dentre os mortos, e dizendo: ‘Este é o Cristo, este Jesus, que eu vos publico.’” — Veja Salmo 22:7, 8; Isaías 50:6; 53:3-5; Salmo 16:8-10.

      O SIGNIFICADO DOS TEXTOS AMIÚDE ESTÁ OCULTO NOS TEXTOS CIRCUNDANTES

      8. (a) Por que se deve evitar a aplicação má das Escrituras? (b) Mostre o verdadeiro significado de Provérbios 10:7 e por que é assim. (c) Que textos se poderiam usar sabiamente ao se considerar a quem não se concede uma ressurreição?

      8 A aplicação deliberadamente má de textos, porém, significa fazer grave injustiça às Escrituras. Não queremos ser culpados de tal aplicação má nem mesmo em assuntos mais ou menos menores. Como ilustração, ao falarmos a alguém sobre a ressurreição, talvez digamos que a Bíblia prova definitivamente que os iníquos não serão ressuscitados. Talvez leiamos então para ele o seguinte versículo da Bíblia: “A recordação do justo está para ser abençoada, mas o próprio nome dos iníquos apodrecerá.” (Pro. 10:7) Ora, é verdade que os que Jeová considera seriamente iníquos, não abrangidos pelo sacrifício resgatador de Cristo Jesus, não terão uma ressurreição. Entretanto, Provérbios 10:7 não prova esta determinação de Jeová. Por que não? Ao se lerem os textos circundantes deste capítulo de Provérbios, nota-se que se delineia uma série de contrastes: o filho sábio e o filho estúpido, o diligente e o indolente, o filho perspicaz e o filho que age vergonhosamente. Mas não se considera ali a ressurreição e a Geena. Por isso, não seria apropriado dizer que este texto trata de tal assunto. Antes, o ponto que se destaca é que o nome ou a fama dos iníquos não é uma lembrança agradável, mas nojenta, pútrida. Para provar que alguns não serão ressuscitados seria melhor citar textos bíblicos sobre a Geena, a segunda morte. — Mat. 23:33; Rev. 21:8; veja também Mateus 25:46.

      9. Por que não é a insistência em se considerar os textos que rodeiam determinada escritura um impedimento na explicação da verdade?

      9 Certificar-se assim do assunto por se ler e obter o sentido dos textos circundantes de modo algum estorva na explicação da verdade. Ao contrário, fortalece o argumento baseado na Bíblia, porque se torna logo evidente, ao que esta sendo instruído, que se lhe ensina mesmo o que a Bíblia diz. A Bíblia é a Palavra inspirada do Deus Todo-poderoso, e saber-se como ele pensa sobre um assunto, com a ajuda do espírito santo, é tirar proveito da sabedoria do Criador, conforme apresentada na sua Palavra escrita. Jeová tinha um objetivo em mente ao colocar um texto na Bíblia. Ele sabe exatamente do que precisamos e por isso provê aquilo que nos ajuda e nos auxilia a crescer espiritualmente em discernimento e em conhecimento exato dele.

      10, 11. (a) Que significado poderia atribuir-se facilmente a 1 João 4:18? (b) O que confirmam os textos circundantes quanto ao verdadeiro significado? (e) Como concorda isso com o Salmo 139?

      10 Nossa relação com Jeová deve ser como a de seus filhos. Como tais, quanto apreciamos realmente seu amor e seu cuidado para conosco? ‘Manejamos corretamente sua palavra’ com respeito ao que ela diz sobre nossas orações pessoais a ele e compreendemos o que a sua Palavra nos diz a respeito de como ele quer que nos sintamos para com ele? Muitos leram as palavras de 1 João 4:18, sobre o amor perfeito, e fizeram uma aplicação errônea destas palavras. A Bíblia diz ali: “No amor não há temor, mas o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor exerce uma restrição. Deveras, quem está em temor não tem sido aperfeiçoado no amor.” A primeira vista, alguns concluíram que simplesmente nunca poderão chegar a ser perfeitos em amor, porque o temor os faz esquivar-se ou fugir do perigo sempre que possível. Mas é esta a espécie de temor de que o apóstolo fala ali?

      11 A leitura dos textos circundantes de 1 João 4:18 nos ajudará a compreender o significado especial deste versículo da Escritura. O versículo precedente mostra que o assunto tratado por João é uma continuação do assunto de se ter “franqueza no falar”. Ele não fala aqui sobre a franqueza no falar na pregação das boas novas do Reino. Antes, fala da franqueza no falar com respeito a se falar a Deus. Isto é revelado no terceiro capítulo da Primeira de João, 1 Jo 3 versículos 19-21. Portanto, aquele em quem o amor de Deus alcança sua plena expressão sentisse livre para se chegar a seu Pai celestial com plena confiança. Sua imperfeição e sua condição pecaminosa não lhe impedem de chegar-se a Jeová para pedir ajuda em fazer a vontade de Jeová. Assim como a criança pode chegar-se ao pai amoroso em plena confiança de que o pai a entenderá e ajudará, mesmo quando cometeu um erro, assim nos devemos sentir a respeito de nosso Pai celestial, Jeová. Devemos sentir-nos livres para nos chegar a ele com qualquer problema que tenhamos, para pedir ajuda em fazer a vontade de nosso Pai. Não se deve ter temor mórbido do Pai celestial, de que Jeová exija justiça absoluta duma criatura imperfeita e pecadora, e de que a condenará prontamente pela condição pecadora da mente e do coração. Isto não quer dizer que se deva folgar no proceder errado, dirigindo-se depois ao Pai celestial para pedir perdão, tirando assim partido da misericórdia de Jeová. Mas, significa que não se precisa temer ao se dirigir ao Pai celestial para procurar endireitar o que está errado, para corrigir os pensamentos e as ações imperfeitas, sabendo que Jeová sabe tudo o que há para saber sobre a pessoa. — Sal. 139:1-3, 15-18, 23, 24.

      12. De que proveito pessoal é para nós o entendimento correto de 1 João 4:18?

      12 Com este entendimento correto de 1 João 4:18, passamos a dar-nos conta do valor extraordinário da nossa relação espiritual com Jeová, nosso Criador. Falamos de coração a Jeová e pedimos orientação para a nossa vida, a fim de que agrade a Jeová. Sermos assim ‘aperfeiçoados no amor’ significa que o amor de Deus em nós não é de algum modo subdesenvolvido, mas que, antes, por causa deste perfeito amor, somos induzidos continuamente fazer a sua vontade de todo o coração, com plena confiança em nosso Criador e Pai celestial. Isto, por sua vez, nos dá grande franqueza em nossa aproximação a Deus mediante a oração. — Efé. 3:12; Heb. 4:16; 1 João 5:14.

      MANEJO CORRETO DE ESCRITURAS PROFÉTICAS

      13. (a) O que é importante ter em mente com respeito a muitas profecias das Escrituras Hebraicas e como é isto demonstrado com respeito à profecia de Isaías 35:1, 7? (b) De que são uma garantia firme os cumprimentos de profecias no povo de Jeová na antiguidade?

      13 Ao estudarmos a Palavra de Deus e nos tornarmos cada vez mais versados na sua mensagem bela e no seu significado para nossa vida, apercebemo-nos bem de que compreendê-la do modo como Jeová teve por objetivo enriquece e dá satisfação. Quantas vezes citamos profecias das Escrituras Hebraicas a respeito das bênçãos em reserva para a humanidade, na nova ordem justa de Deus, e isso de direito! Mas, amiúde deixamos de ver que muitas das profecias já tiveram um cumprimento em escala menor, no antigo Israel. Por exemplo, tome as palavras de Isaías 35:1, 7, onde lemos: “O ermo e a região árida exultarão, e a planície desértica jubilará e florescerá como o açafrão. E o solo crestado pelo calor se terá tornado como um banhado de juncos, e a terra sedenta, como fontes de água. No lugar de permanência de chacais, para eles um lugar de repouso, haverá grama verde com canas e plantas de papiro.” Os outros textos em volta desta escritura mostram claramente que ela se aplicava aos exilados judaicos que retornaram nos dias do Governador Zorobabel. O versículo dez diz que “retornarão os próprios remidos por Jeová e certamente chegarão a Sião”. Ele tinha por objetivo tornar aquela terra um paraíso em miniatura para eles, e isto exigia que fizesse com que o ermo e a região árida, bem como a planície desértica, se tornassem como que banhados de juncos e fontes de água. Pela aplicação correta destas declarações de Deus, apercebemo-nos bem de que, fazer ele milagres a favor de seu povo escolhido da antiguidade, é uma garantia de um cumprimento adicional, muito maior, de tais promessas sob a regência de seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. É logo evidente que Jeová deveras derramará uma bênção sobre esta terra, sob a regência do Reino de Cristo Jesus, não só fazendo o deserto ‘florescer como o açafrão’, mas abrindo também olhos cegos e ouvidos surdos, e restabelecendo a saúde dos coxos, assim como diz esta profecia. — Isa. 35:5, 6.

      14. Por que devem todos os cristãos querer manejar corretamente a Palavra da verdade de Deus?

      14 Sem dúvida, podemos dizer que a “palavra de Deus é viva e exerce poder”. (Heb. 4:12) Deus vive. Ele fala à humanidade por intermédio das páginas de sua Bíblia viva, dando assim poder aos seus servos e compreensão das profundas verdades a respeito de si mesmo e de seus propósitos para com a humanidade. Cada testemunha cristã de Jeová Deus deve querer manejar corretamente esta palavra, podendo usá-la eficazmente no ensino de outros e em derrubar ensinos religiosos, falsos, que obscurecem a mente e o coração de indizíveis milhões, mantidos cativos por Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. Paulo disse a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” — 2 Tim. 3:16, 17.

      15. Que esforço devemos fazer para entender e apreciar a Palavra de Deus?

      15 Para se usar corretamente a Palavra de Deus é preciso lê-la e estudá-la, procurando os tesouros escondidos nela. Tal entendimento e apreço não resultam automaticamente, mas exigem trabalho árduo e pesquisa diligente. Diz o provérbio: “Filho meu, se aceitares as minhas declarações e entesourares contigo’ os meus próprios mandamentos, de modo a prestares atenção à sabedoria, com o teu ouvido, para inclinares teu coração ao discernimento; se, além disso, clamares pela própria compreensão e emitires a tua voz pelo próprio discernimento, se persistires em procurar isso como a prata e continuares a buscar isso como a tesouros escondidos, neste caso entenderás o temor a Jeová e acharás o próprio conhecimento de Deus.” (Pro. 2:1-5) Em vista do que consideramos nestes parágrafos, é evidente que devemos querer saber por que se disseram as coisas de certo modo na Palavra de Deus e qual a aplicação que se pode dar às palavras. Devemos sempre procurar motivos para a maneira em que se dão as explicações e procurar manejar corretamente a Palavra de Deus.

      16. Que informação adicional nos ajudará a manejar corretamente a Palavra de Deus?

      16 O artigo que segue mostrará que livros inteiros da Bíblia foram escritos visando certo povo e tendo certa mensagem a ser transmitida. No manejo correto da preciosa palavra de Deus, será para o nosso proveito buscar a informação sobre este assunto, e saber o fundo histórico, o objetivo e o valor das palavras inspiradas.

  • Por que foi escrito assim?
    A Sentinela — 1973 | 1.° de outubro
    • Por que foi escrito assim?

      “Faze-me entender, para que eu observe a tua lei e para que eu a guarde de todo o coração.” — Sal. 119:34.

      1. É a necessidade de encorajamento um problema comum? E onde se pode amiúde encontrar tal encorajamento?

      NÃO verificou que, muitas vezes quando precisa de encorajamento, as verdades do tesouro de Deus, a Bíblia Sagrada, lhe deram a força para enfrentar provações e problemas pessoais? Parece que todos nós já passamos por isso na nossa vida como cristãos.

      2. Que desânimo talvez tenham enfrentado muitas testemunhas de Jeová durante anos, e como puderam manter-se firmes em face dele?

      2 Por exemplo, atualmente muitos têm passado por períodos de desânimo quando opositores falaram depreciativamente do povo de Deus e até mesmo recorreram à violência por serem testemunhas cristãs de Jeová, que defendem a verdade. Muitos dos já associados com o verdadeiro cristianismo por cinqüenta ou sessenta anos lembram-se bem das observações e ações duras de vizinhos e de outros durante a Primeira Guerra Mundial, e depois, contra as testemunhas de Jeová. Quantas vezes chamou-se a muitos deles por apelidos depreciativos tais como russellitas e auroristas do milênio! Alguns foram espancados, outros foram cobertos de alcatrão e penas, encarcerados, vituperados, açoitados e cobertos de cuspe. Durante tudo isso, as testemunhas cristãs de Jeová têm continuado a fazer a obra ordenada pelo seu Deus, Jeová. Como puderam fazer isso? Em parte, por causa do entendimento, do encorajamento e da força que derivaram da Palavra de Deus e das publicações impressas pelo “escravo fiel e discreto” nestes dias de iniqüidade.

      3. Que conceito devemos formar ao ler a Bíblia?

      3 E, na realidade, esta é a finalidade da Palavra de Deus, edificar os servos de Jeová. Por este motivo, quando se lêem os diversos livros da Bíblia, deve-se ter em mente informação de fundo sobre o livro e seu escritor. O leitor das Escrituras Sagradas fará bem em perguntar-se: ‘Por que foi escrito assim?

      4. Em que livro bíblico, em especial, concentraremos agora nossa atenção?

      4 Tomemos um livro da Bíblia e gastemos algum tempo em determinar os motivos por que foi escrito naquele estilo e com os argumentos usados. Nossa atenção se concentrará na carta do apóstolo Paulo aos cristãos em Jerusalém; ela é comumente chamada de carta aos Hebreus, nas Escrituras Gregas Cristãs. (Heb. 13:22) Considerarmos as circunstâncias existentes há dezenove séculos atrás, quando Paulo escreveu sua carta, ajudar-nos-á a entender e a apreciar por que a escreveu para fortalecer e consolar o povo de Deus.

      OPINIÕES DO PRIMEIRO SÉCULO SOBRE O CRISTIANISMO

      5. Qual era a situação religiosa prevalecente em Jerusalém por volta do ano 61 E.C.?

      5 Voltemos ao tempo de aproximadamente o ano 61 E. C. e à cidade de Jerusalém. Já se passaram cerca de vinte e oito anos desde a morte de Jesus numa estaca de tortura, logo fora das muralhas de Jerusalém. Jerusalém era a cidade santa dos judeus. Ao que tudo indicava, Jerusalém superara os dias do desprezado Jesus de Nazaré. Afirmava-se que a religião dos judeus era a religião da antiguidade, remontando ao seu antepassado Abraão. Os líderes espirituais dos judeus, os rabinos, eram tidos em elevada estima pelo povo. Recebiam prestígio e honra. Assentavam-se no assento de Moisés e ocupavam os lugares mais destacados nas refeições noturnas e os primeiros assentos nas sinagogas, e recebiam cumprimentos nas feiras e eram chamados “Rabi” pelos homens. De fato, eram parte da estrutura de poder religioso daqueles dias. — Mat. 23:6, 7.

      6. (a) Como eram os cristãos naquela cidade encarados pelos líderes religiosos judaicos? (b) Que experiência teve o apóstolo Paulo quando estava naquela cidade, não muitos anos antes? (c) Qual era a grande necessidade do pequeno grupo de cristãos em Jerusalém?

      6 Havia também na cidade de Jerusalém comparativamente poucos que pertenciam à seita odiada chamada de cristãos ou “o Caminho”. (Atos 9:2; 19:9; 22:4) Estes eram considerados com desprezo pelos líderes religiosos, judaicos, e seus seguidores. Eram perseguidos e censurados. Ainda mais, eram principalmente de descendência judaica e por isso duplamente odiados por terem abandonado a religião dos judeus para se tornar seguidores de Jesus, o “chamado” Cristo. Tão grande era o ódio aos cristãos que, quando o apóstolo Paulo havia estado na cidade alguns anos antes, seu mero comparecimento ao templo havia criado um distúrbio, no qual os judeus religiosos gritavam ao máximo da sua voz: “Tira tal homem da terra, pois não é apto para viver!” (Atos 22:22) Mais de quarenta judeus obrigaram-se com uma maldição de nem comer, nem beber, até que tivessem eliminado Paulo. (Atos 23:12-15) A congregação tinha de viver, pregar e manter-se firme na fé no meio deste ambiente de fanatismo e ódio religioso aos cristãos. Quanto precisava de encorajamento, conhecimento sadio e entendimento de Cristo e do modo em que ele cumpriu a lei de Moisés, a fim de impedir que recaíssem no judaísmo e na observância da lei mosaica! Paulo certamente sabia de que precisavam. Ele sabia pessoalmente das provações que sofriam.

      7. Aliste alguns dos argumentos que os líderes Judaicos e seus seguidores talvez tenham usado contra os cristãos.

      7 Pense por um momento em alguns dos argumentos e na oposição que aqueles primitivos cristãos judaicos tinham de enfrentar. Em primeiro lugar, era longe das idéias daqueles líderes religiosos judaicos e de seus seguidores deixar esses cristãos odiados pensar que tinham o favor de Deus. Não eram os judeus que possuíam evidência tangível da bênção de Deus? Não era verdade que Deus tratara com os judeus por meio de anjos? Certamente que sim, porque o livro de Moisés diz: “O anjo de Jeová apareceu-lhe [a Moisés] então numa chama de fogo no meio dum espinheiro.” Mais tarde, Jeová disse: “Eis que envio um anjo diante de ti para guardar-te pela estrada e para introduzir-te no lugar que preparei.” (Êxo. 3:2; 23:20) Ora, os judeus talvez até mesmo se gabassem de que Moisés falara a Deus de boca a boca. Além disso, repare no templo magnífico, com os compartimentos do Santo e do Santíssimo. Veja só a sua extraordinária beleza, sua força, seu alicerce firme! Era isto o que os judeus possuíam! E outra coisa: pense no sacerdócio judaico! Ora, remontava a Arão e seus filhos, membros da tribo de Levi. O sumo sacerdote era descendente desta linhagem especial. Os judeus tinham o pacto da Lei, dado a Moisés pelo próprio Deus. O reino divino era da propriedade dos judeus; e Jerusalém, ora; Jerusalém era a cidade do trono, da qual havia de proceder a regência de Deus.

      8, 9. (a) Como talvez tenham os líderes religiosos censurado o fundador do cristianismo e seus seguidores? (b) Com que talvez eles tenham contrastado os próprios cristãos e seus lugares humildes de reuni-lo?

      8 Agora, olhe para os cristãos em Jerusalém. O que tinham eles? Do ponto de vista dos líderes judaicos, os cristãos não tinham nada em comparação. Seu líder Jesus estava morto e havia morrido como criminoso comum. Quem era ele? Não tinha nenhum destaque, no que se referia aos líderes judaicos. Era apenas o filho dum humilde carpinteiro, e ainda por cima de Nazaré. Quanto à sua educação, não recebera nenhum treinamento formal nas escolas rabínicas superiores. Quanto lhe faltavam o conhecimento e a educação, do ponto de vista dos judeus, em comparação com o que seus instrutores e educadores sabiam e haviam sido ensinados! E, além disso, entre os seguidores dele havia muito poucos homens instruídos. Pescadores, cobradores de impostos e até mesmo gentios constituíam a maior parte de seus seguidores, e aqueles gentios certamente não eram da descendência natural de Abraão, aos olhos destes líderes judaicos. Como é que os cristãos podiam pensar mesmo por um só instante que eles tinham o favor de Deus e que Deus tinha tratos com eles? Os judeus achavam que eles mesmos eram os escolhidos por Deus, porque eram eles os descendentes de Abraão. Ademais, os cristãos se reuniam em sobrados e em outros lugares afastados, ao passo que os judeus tinham seu belo templo para se reunir.

      9 Sem dúvida, usaram-se argumentos como estes e muitos outros contra os cristãos judaicos. Quanto eles precisavam de encorajamento e de entendimento da situação! Se apenas houvesse alguém que soubesse de sua necessidade e lhes desse consolo e ajuda!

      CONTRA-ARGUMENTO FAVORECE CRISTO ACIMA DE MOISÉS

      10. Quem conhecia estes problemas que confrontavam os cristãos, e, por isso, quem foi inspirado a escrever-lhes para edificá-los?

      10 Naturalmente, Jeová Deus no céu sabia de seus apuros. Ele fez, por inspiração, que o apóstolo Paulo se preocupasse com as situações que enfrentavam. E, por isso, Paulo escreveu àqueles fiéis em Jerusalém, e o livro de Hebreus contém sua resposta às muitas acusações que, sem dúvida, foram lançadas contra o cristianismo do primeiro século pelos seus inimigos.

      11, 12. (a) Que argumentação adotou Paulo então, e por que era apropriada? (b) Como mostrou Paulo a superioridade de Jesus em comparação com anjos, e (c) com Moisés?

      11 Tomando as próprias afirmações dos judeus, Paulo mostrou a superioridade do sistema cristão e de seu sacerdócio, em comparação com o judaísmo. Era importante que fizesse isso. Aqueles cristãos em Jerusalém eram, sem dúvida, na maior parte de origem judaica. Estavam bem familiarizados com a lei de Moisés e os argumentos dos líderes judaicos. Por esse motivo, Paulo tinha a obrigação de mostrar-lhes contra-argumentos, a verdade do assunto, e expor a falsidade das acusações lançadas contra eles pelos líderes religiosos judaicos. Por exemplo, era verdade que a lei de Moisés fora transmitida por meio de anjos. Mas, que comparação há entre anjos e o Senhor Jesus? Paulo escreveu o seguinte, em Hebreus 1:4-6: “De modo que ele [Jesus] se tornou melhor do que os anjos, ao ponto de ter herdado um nome mais excelente do que o deles. Por exemplo, a qual dos anjos disse ele alguma vez: ‘Tu és meu filho; hoje eu me tornei teu pai’? E, novamente: ‘Eu é que me tornarei seu pai e ele é que se tornará meu filho’? Mas ao trazer novamente o seu Primogênito à terra habitada, ele diz: ‘E todos os anjos de Deus o adorem [lhe prestem homenagem].’” (UM ed. ingl. 1971) Paulo salienta, pois, que os anjos são realmente servos, mas que Jesus é o Filho de Deus.

      12 Mas que dizer de Deus falar a Moisés de boca a boca’ Não pode haver dúvida de que isto era significativo. Mas, Paulo escreveu a respeito de Jesus Cristo: “Pois este último [isto é, Jesus] é considerado digno de maior glória do que Moisés, visto que aquele que a constrói [isto é, a casa] tem maior honra do que a casa. . . . E Moisés, como assistente, foi fiel em toda a casa Daquele . . . mas Cristo foi fiel como Filho sobre a casa Daquele.” Paulo estava ali realmente dizendo: Irmãos, quem é maior numa casa: um assistente, tal como Moisés foi, ou o Filho do Dono da casa, tal como Jesus Cristo é? Quão fortalecedor deve ter sido tal entendimento do assunto para os cristãos judaicos que moravam lá em Jerusalém! — Heb. 3:3-6.

      SUPERIORIDADE DE CRISTO COMO SUMO SACERDOTE

      13. (a) O que seria melhor do que o templo material em Jerusalém, e onde estava Cristo Jesus? (b) Como mostrou Paulo a superioridade do sacerdócio de Cristo em comparação com o de Arão?

      13 Paulo passa então a outro argumento, o do belo templo material em Jerusalém. E, de fato, era belo e caro. Mas, de que importância seria um templo material em comparação com se estar na própria presença de Deus? Foi o Rei Salomão quem construiu o primeiro belo templo no monte Moriá, em Jerusalém, lá no décimo primeiro século antes de nossa Era Comum, e ele disse na sua dedicação que Jeová não podia verdadeiramente morar naquele edifício feito pelo homem. Antes, disse que o céu dos céus não podia conter o Todo-poderoso Deus Jeová; portanto, muito menos ainda o templo que construiu! (1 Reis 8:27) Por isso, estar na própria presença de Jeová, no céu, seria muitíssimo mais grandioso do que servir em qualquer templo terreno. Em vista disso, Paulo escreveu a respeito de Cristo Jesus, que ele “passou pelos céus” para a presença de seu Pai, Jeová. (Heb. 4:14) E quanto ao sacerdócio arônico, que naqueles dias servia no templo de Jerusalém, Paulo o comparou com o sacerdócio de Cristo e mostrou que este último é muito superior, pois é à maneira de Melquisedeque. As palavras de Paulo em Hebreus 5:5, 6, são: “Cristo não se glorificou a si mesmo por se tornar sumo sacerdote, mas foi glorificado por aquele que falou com referência a ele: ‘Tu és meu filho; hoje eu me tornei teu pai.’ . . . ‘Tu és sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque.’ “ Sim, sacerdote para sempre, e isto não dependia de qualquer herança da carne pecadora, mas dum juramento de Deus. As palavras de Paulo sobre este assunto estão registradas em Hebreus 7:19-22: “Porque a Lei não fez nada perfeito, mas a introdução adicional duma melhor esperança o fez, sendo por intermédio dela que nos chegamos a Deus. Também, ao ponto que não foi sem juramento afiançado, . . . a este ponto também Jesus se tornou aquele que foi dado em penhor dum pacto melhor.” E quanto à continuidade sem a necessidade dum sucessor, Paulo disse então: “Outrossim, muitos tinham de se tornar sacerdotes em sucessão [sob a Lei judaica], por serem impedidos pela morte de continuarem como tais, mas ele [Jesus], por continuar vivo para sempre, tem o seu sacerdócio sem quaisquer sucessores Por conseguinte, ele é também capaz de salvar completamente os que se aproximam de Deus por intermédio dele, porque está sempre vivo para interceder por eles.” — Heb. 7:23-25.

      14. Mostre como a superioridade do sacrifício de Cristo deve ter dado ânimo aos cristãos que leram a sua carta.

      14 Estes eram certamente fortes argumentos de seu amado apóstolo Paulo, para fortalecer a posição dos cristãos e ajudá-los a permanecer firmes na fé. Mas não era só. Paulo continuou a mostrar a superioridade de Jesus, como sumo sacerdote, no templo celestial de Jeová. Ele tocou no âmago da questão, ao fornecer aos cristãos argumentos adicionais. Comparou o sacrifício do Senhor Jesus com os sacrifícios oferecidos pelo sacerdócio arônico, dos quais os líderes judaicos tanto se orgulhavam. Paulo escreveu nos versículos 26 e 28 do capítulo sete: “Pois, para nós era apropriado tal sumo sacerdote, leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores e que chegou a ser mais alto do que os céus. Ele não precisa, como aqueles sumos sacerdotes, oferecer diariamente sacrifícios, primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos do povo: (porque isto ele fez uma vez para sempre quando se ofereceu a si mesmo ;) porque a Lei designa como sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas, mas a palavra do juramento afiançado, que veio depois da Lei, designa um Filho, que é aperfeiçoado para sempre.” Pense no encorajamento que estas palavras deram aos fiéis em Jerusalém. Sim, Cristo, sumo sacerdote que ofereceu sua própria vida perfeita a favor da humanidade, é agora sacerdote para sempre, sem sucessores, pelo juramento afiançado de Deus

      O NOVO PACTO TORNA O ANTIGO OBSOLETO

      15. Qual é o ponto do argumento de Paulo em Hebreus 8:7-13 a respeito dum pacto melhor e qual é a conclusão lógica a respeito do antigo pacto?

      15 Paulo passou então para outro argumento que também beneficia os cristãos e que se refere ao pacto da Lei mediado por Moisés, em comparação com o pacto melhor mediado por Cristo entre Deus e seus fiéis nesta terra. Note o argumento de Paulo em Hebreus 8:7-13: “Porque, se aquele primeiro pacto tivesse sido sem defeito, não se teria procurado lugar para um segundo.” Havia sido o primeiro pacto sem defeito! Não, pois foi o próprio Jeová quem disse: “Eu concluirei um novo pacto com a casa de Israel e com a casa de Judá; não segundo o pacto que fiz com os seus antepassados no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egito, porque não continuaram no meu pacto.” “Pois, este é o pacto que celebrarei com a casa de Israel depois daqueles dias”, disse Jeová. “Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei nos seus corações. E eu me tornarei seu Deus e eles é que se tornarão meu povo.” “Ao dizer ‘um novo pacto’ ”, argumenta Paulo, Deus “tornou obsoleto o anterior. Ora, aquilo que se torna obsoleto e fica velho está prestes a desaparecer”. — Veja Jeremias 31:31-33.

      16. Quem tinha então motivos para se sentir animado? Quem tinha motivo para ficar desanimado? Por quê?

      16 Pense em quão animadoras devem ter sido estas palavras: “Ora, aquilo que se torna obsoleto e fica velho está prestes a desaparecer.” Quem podia então ficar feliz e não triste e pesaroso? Ora, os cristãos, porque aderiam a um pacto que substituía o obsoleto, o pacto da Lei. Os tristes e pesarosos seriam os gabadores religiosos que combatiam o cristianismo. Aquilo de que dependiam não era mais a maneira de Deus tratar com o seu povo. Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, ressuscitado à glória celestial, havia mediado um pacto novo e melhor, fundado em promessas melhores e mais duradouras, e validado por um sacrifício mais precioso, seu próprio sangue derramado.

      REINO ESTABELECIDO NO MONTE SIÃO CELESTIAL

      17. (a) Em contraste com a aproximação de Moisés ao monte Sinai para o pacto da Lei, a que se chegam estes cristãos? (b) Como se compara a Jerusalém celestial com a Jerusalém terrena?

      17 Mas que dizer de qualquer afirmação de que o direito do Reino pertencia aos judeus e que Jerusalém era a cidade de Deus, da qual procederia a regência divina? Como tratou Paulo deste argumento na sua carta aos hebreus? É bem interessante que ele começa seu argumento, encontrado no Heb. capítulo doze, versículos 18-27, da seguinte maneira: “Pois, não vos chegastes ao que pode ser apalpado e que tenha sido incendiado com fogo, e a uma nuvem escura, e a densa escuridão, e a uma tempestade.” É verdade que os cristãos não se haviam aproximado do antigo monte Sinai, onde se deu o pacto da Lei para a nação de Israel. Eles não se haviam chegado a algo que pudessem apalpar e do qual pudessem ver sair chamas de fogo. Não, mas a partir do Heb. 12 versículo 22, as palavras de Paulo dizem: “Vós vos chegastes a um Monte Sião e a uma cidade do Deus vivente, a Jerusalém celestial, e a miríades de anjos, em assembléia geral, e à congregação dos primogênitos que foram alistados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, . . . e a Jesus, o mediador dum novo pacto.” Sim, foi a isto que se chegaram, à verdadeira sede de poder e governo, não à Jerusalém terrestre, mas sim à celestial, com Deus, miríades de anjos, a congregação dos primogênitos e a Jesus, o mediador do novo pacto. Em comparação, a Jerusalém terrestre, também o monte Sinai, bem como o templo e o sacerdócio dos judeus, perderam a importância.

      18. (a) Quanto tempo durará a Jerusalém celestial? (b) O que já havia acontecido à Jerusalém terrena e o que lhe aconteceria pela segunda vez?

      18 E quão firmes, duradouros e bem fundados são este Monte Sião e a Jerusalém celestial? Não somos deixados em dúvida, porque Paulo acrescenta: “Em vista disso, sendo que havemos de receber um reino que não pode ser abalado, continuemos a ter benignidade imerecida, por intermédio da qual podemos prestar a Deus serviço sagrado aceitável, com temor piedoso e com espanto reverente.” (Heb. 12:28) Não se poderia abalar este reino assim como a Jerusalém terrestre foi severamente abalada durante setenta anos, de 607 a 537 A. E. C., e seria novamente abalada no futuro então não muito distante, pelos exércitos romanos debaixo de Tito.

      19, 20. O que deviam então fazer aqueles cristãos judaicos, e a que apelou Paulo nos seus argumentos?

      19 Quão consoladoras e inspiradoras devem ter sido as palavras de Paulo para aqueles primitivos cristãos judaicos! Dezenove séculos mais tarde, as palavras ainda vivem e estão cheias de significado para nós cristãos, neste século vinte.

      20 Portanto, numa época em que os opositores judaicos se estribavam na antiguidade, na riqueza material, no poder, no esplendor de ritos, em cerimônias e na sabedoria deste mundo, os cristãos deviam aumentar em fé, na expectativa certa de coisas esperadas e na demonstração evidente de realidades, embora não observadas. Quão animadora esta carta deve ter sido para os fiéis de Deus, por volta do ano 61 E. C.! Deveras, “o Caminho” para a vida com bênçãos eternas foi-lhes claramente apresentado. E Paulo escreveu a sua carta de tal maneira, que apelasse para o raciocínio e a lógica deles, como judeus naturais, e para que os edificasse na fé. As palavras de Paulo no livro de Hebreus são igualmente consoladoras para os cristãos atuais.

      21. Conforme se ilustrou em nossa lição, como podemos todos nós aumentar em nosso apreço da Palavra de Deus, e por que motivo?

      21 Para tirar pleno proveito das Escrituras, precisamos saber avaliar por que foram escritas assim. Com a ajuda de livros tais como Ajuda ao Entendimento da Bíblia, em inglês, bem como “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, e de muitas outras publicações, temos deveras um tesouro de conhecimento para nos ajudar a saber como e por que cada livro da Bíblia foi escrito assim. Com tal perspectiva ampliada, certamente podemos ficar preparados para toda boa obra que Deus nos possa dar a fazer. Assim como fizemos com o livro bíblico de Hebreus, podemos fazer com os outros sessenta e cinco livros que constituem a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Quão apropriadas para todos os cristãos atuais são as palavras encontradas no capítulo final da carta aos Hebreus: “O Deus de paz . . . vos equipe com toda coisa boa, para fazerdes a sua vontade, realizando em nós, por intermédio de Jesus Cristo, aquilo que é bem agradável à sua vista”! — Heb. 13:20, 21.

  • O ermo transformado em Paraíso
    A Sentinela — 1973 | 1.° de outubro
    • O ermo transformado em Paraíso

      NENHUMA parte da terra é hoje um paraíso, livre de toda a poluição e de todo o perigo. O ar e a água estão sendo poluídos numa proporção alarmante. Enormes partes da terra estão sendo transformadas em algo desagradável de se ver. A ferrenha competição, a rivalidade e o ódio ameaçam a felicidade e o bem-estar do homem. Acidentes, doença e morte contribuem a sua parte para o sofrimento e a tristeza que já por muito tempo são a sorte da família humana.

      Será alguma vez diferente? Sim, a Bíblia Sagrada nos dá a garantia animadora de que esta terra se transformará num paraíso livre de toda doença, tristeza, dor e morte. (Luc. 23:43; Rev. 21:3-5) Aquele que prometeu o paraíso? Jeová Deus, tem o poder e a sabedoria para realizar isso. Na sua benevolência, ele proveu também um registro de seus tratos passados em cumprimento de suas promessas. Este registro, na Bíblia, nos oferece a garantia positiva de que nada impedirá que o propósito de Jeová se cumpra.

      Produzir um paraíso não é nada de novo para Jeová Deus. Ele colocou os primeiros humanos, Adão e Eva, num paraíso numa parte da terra conhecida como “Éden”. Séculos depois, cuidou de que a terra de Judá, que se havia tornado um ermo desolado, após a conquista babilônica, fosse transformada num “jardim do Éden”, num paraíso. E neste século, Jeová Deus tem abençoado seu povo devoto com um paraíso espiritual.

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